terça-feira, julho 31, 2007

Amazônia: conservação ou colonialismo?

Larry Rohter, The New York Times

Dependendo do ponto de vista, o apoio financeiro à reserva natural no Rio Negro por parte do World Wildlife Fund pode ser tanto uma tentativa louvável para conservar a floresta amazônica – quanto o ponto de partida de um plano infame por parte de grupos ambientalistas estrangeiros para usurpar o controle do Brasil sobre a maior floresta tropical do mundo e passá-lo para o controle internacional. Em 2003, depois de assinar um acordo com a WWF e o Banco Mundial, o governo brasileiro criou o programa de Áreas Protegidas da Região Amazônica. Desde então, um grande número de parques nacionais e reservas cobrindo uma área maior do que a de Nova York, Nova Jersey e Connecticut juntos foram incorporados ao programa e receberam uma infusão de novos fundos.

O objetivo do programa é montar um “um sistema central para ancorar a proteção à biodiversidade da Amazônia”, disse Matthew Perl, o coordenador da WWF na Amazônia, em junho, numa visita à área, um arquipélago de 400 ilhas esparsamente povoado ao nordeste de Manaus. “É parte da estratégia ganhar tempo, elevar cada área protegida a certos padrões de administração e captar recursos para o monitoramento e fiscalização”.

Mas esse esforço levantou suspeitas por parte de poderosos grupos políticos e econômicos brasileiros que querem integrar a Amazônia na economia do país através de represas, projetos de mineração, estradas, portos, extração de madeira e exportação agrícola.

“Essa é uma nova forma de colonialismo, uma conspiração aberta em que os interesses econômicos e financeiros agem através de organizações não governamentais”, diz Lorenzo Carrasco, editor e co-autor de “A Máfia Verde”, um polêmico documento antiambientalista de vasta circulação. “É evidente que esses interesses querem bloquear o desenvolvimento do Brasil e da região amazônica com a criação e o controle dessas reservas, que são todas cheias de minerais e de outros valiosos recursos naturais”.

Visões como essa são amplamente sustentadas no Brasil, independentemente de classe social ou regionalismo. Numa pesquisa feita com 2 mil pessoas em 143 cidades feita pelo principal instituto de pesquisa do Brasil, o Ibope, 75% dos entrevistados disseram que as riquezas naturais do Brasil poderiam provocar uma invasão estrangeira, e quase três entre cinco pessoas desconfiavam das atividades de grupos ambientalistas.

Vencer a batalha pela opinião pública no Brasil é crucial para qualquer esforço global de preservação do meio ambiente e, conseqüentemente, para controlar a mudança climática. O Brasil é o quarto maior produtor de gases responsáveis pelo efeito estufa; mais de três quartos dessas emissões vêm do desmatamento, e a maior parte vem da Amazônia.

Mas a noção de que os estrangeiros cobiçam a Amazônia vem há tempos sendo divulgada no Brasil, alimentada em parte pela ansiedade causada pelo tênue controle que o governo central exerce sobre a região. Essa preocupação foi exacerbada nos últimos anos pela Internet, que tornou-se cenário de documentos e declarações fabricados para convencer os brasileiros de que sua soberania está em risco.

O exemplo mais notório é um mapa reproduzido em larga escala supostamente usado em livros de geografia de escolas americanas. Cheio de erros de ortografia e sintaxe comuns aos nativos de línguas latinas como o Português, mostra a Amazônia como uma “reserva internacional”, e descreve os brasileiros como “macacos” incapazes de administrar a floresta tropical.

Outro documento falso diz que tanto o presidente Bush quanto Al Gore fizeram discursos durante a campanha presidencial de 2000 a favor de tomar a Amazônia à força do Brasil. Em determinado ponto, o documento cita um fictício general americano, que comanda um departamento que o Pentágono afirma não existir, dizendo: “No caso de o Brasil decidir usar a Amazônia de forma que coloque o meio-ambiente dos Estados Unidos em risco, devemos estar prontos para interromper esse processo imediatamente.”

Desde que a guerra do Iraque começou, acusações de planos militares dos EUA na Amazônia são freqüentemente levantadas para difamar os ambientalistas e suas queixas quanto à política do governo. Em audiências realizadas no ano passado para discutir uma possível represa no rio Madeira, os proponentes distribuíram um mapa mostrando supostos “centros de operação avançados” dos EUA na região, destinados a impedir o desenvolvimento do Brasil, incluindo bases militares e conselheiros na Bolívia e na Venezuela, dois países que não são exatamente simpatizantes da administração Bush.

Parte do material que circulou foi elaborado por grupos nacionalistas de direita favoráveis à ditadura militar que governou o Brasil de 1964 a 1985. Mas numa situação inusitada em que antigos adversários concordam, as organizações na extrema esquerda – até mesmo no Partido dos Trabalhadores do governo – também adotaram a noção de que existe um plano estrangeiro para tomar a Amazônia, assim como alguns segmentos militares na ativa.

“Tudo indica que as questões indígena e ambientalista são meros pretextos”, disse um relatório de inteligência militar recente, que foi enviado ao New York Times por um brasileiro que recebeu uma cópia e se mostrou preocupado com o ponto de vista expresso. “As principais ONGs são, na realidade, peças no grande quebra-cabeças em que os poderes hegemônicos estão engajados para manter e aumentar sua dominação. Certamente, elas servem de cobertura para esses serviços secretos.”

Na realidade, diz Perl, coordenador da WWF, sua organização espera simplesmente criar um cinturão ao redor da reserva natural através da criação de um grande “Bloco de Conservação do Rio Negro”. Ele disse que a idéia é proteger a reserva ajudando as reservas indígenas existentes, parques estaduais e reservas naturais ao longo das margens do rio para operar mais efetivamente. Em 2012, disse Perl, sua organização e parceiros esperam colocar uma área maior que a Califórnia dentro do programa. Foi criado um fundo administrado por uma fundação brasileira que espera levantar 390 milhões de dólares e inclui doações do governo alemão entre outros.

Em meados dos anos 90, parte da área ao redor do arquipélago foi de fato declarada um parque estadual. Mas pouco foi feito para efetivar o decreto, e desde então o Ministério de Reforma Agrária do governo federal colocou 700 famílias de agricultores sem-terra no local e a marinha brasileira, soldados e a polícia montaram centros de treinamento na área protegida.

“Existem camadas e camadas de queixas, planos e mais planos, então essa área se tornou uma área de conflito”, diz Thiago Mota Cardoso, que monitora o parque para o Instituto de Pesquisas Ecológicas, um dos parceiros regionais da WWF. “É irônico que esse território pertença ao governo federal, e que ele não faça nada”.

O coração parou de sangrar

Augusto Nunes, Sete Dias, Jornal do Brasil

O candidato sem patrocínio embarcava em qualquer teco-teco com a naturalidade do metalúrgico a caminho de um comício em São Bernardo. O favorito da campanha de 2002 exibia, a bordo de jatinhos, a alegria do garoto no cockpit de um monomotor de parque infantil. O presidente da República ainda nem havia decorado o número do seu telefone no Planalto quando mandou a Aeronáutica providenciar um avião só para ele.

Em janeiro de 2005, foi apresentado à imprensa o Airbus-319 novinho em folha, comprado por US$ 56 milhões. "Um bom negócio", garantiu o brigadeiro Luiz Carlos Bueno, então comandante da Aeronáutica, amparado numa penca de argumentos. Nos 30 anos seguintes, por exemplo, os presidentes da República poderiam viajar em segurança.

Com menos de três anos de vida, o Aerolula poupa os passageiros de quaisquer sustos, solavancos ou sobressaltos. É pilotado por craques escolhidos no grupo de elite da FAB. É monitorado por uma equipe especial de controladores de vôo. Decola e pousa só em pistas longas (e com ranhuras).

A milhagem acumulada em pouco mais de dois anos informa que Lula adora voar. Marisa Letícia, a Primeira Passageira, não precisa acordá-lo com palavras melosas para evitar que o maridão desista do embarque e fique em casa de cuecão. Lula acorda sozinho. Às vezes, nem dorme.

Na quarta-feira, ao festejar no Planalto a troca de Waldir Pires por Nelson Jobim, o homem que não resiste a uma decolagem desconcertou a platéia com a revelação: tem medo de voar. "Depois que o avião fecha a porta, entrego minha sorte a Deus", jurou no meio do improviso.

Até setembro passado, só dizia isso gente que desce ao inferno quando sobe aos céus. Depois de mais de nove meses de apagão, a frase que identificava portadores de fobias hoje identifica portadores de bilhetes da TAM ou da Gol, ambas com vaga garantida nas listas das 10 piores do planeta.

Livre de fobias do gênero, dispensado de embarcar nos sucatões transformados em paus-de-arara dos ares, por que o presidente ambulante dissera aquilo? "Para que a gente tenha momentos de descontração, para tornar a vida, eu diria, menos sofrível", explicou Lula no fim do discurso. Era brincadeira.
Um dos muitos chistes encaixados no falatório. Disse que escolhera Jobim para restabelecer a paz doméstica. "Ele estava em casa sem fazer nada, atrapalhando a esposa", sorriu o orador. E decidira devolver Waldir Pires ao lar para proporcionar um merecido descanso ao companheiro octogenário. Cinco dias depois da dramática revelação, o coração de Lula parara de sangrar.
Sangrando continuam os corações devastados pela tragédia em Congonhas. Enquanto Lula se divertia, Carmen Gomes esperava, no IML de São Paulo, a identificação do que restou da mãe, Maria Elisabete Caballero, e das filhas Júlia Elizabete (14 anos) e Maria Isabel (10). Acabara de entregar aos legistas dentes que guardara como lembrança das meninas. Dentes-de-leite.

Cabôco Perguntadô
A deserção de dois pugilistas cubanos que estavam no Rio para o Pan-2007 deixou o Cabôco tão desconcertado quanto Fidel Castro. Se a ilha do Comandante é uma sucursal caribenha do paraíso, como aprendeu na infância com o tio comunista, por que todo mundo sempre foge de lá, nunca para lá? Por que os mais ferozes revolucionários não vão viver em Cuba nem depois de aposentados? Como Fidel anda sem saúde para isso, o Cabôco vai pedir ao companheiro José Dirceu que decifre o mistério.

Rebanho disciplinado
Os intelectuais governistas seguem contemplando em estrepitoso silêncio a greve de funcionários federais que, há vários meses, paralisou quase inteiramente o território administrado pelo Ministério da Cultura. Museus fechados, bibliotecas em frangalhos, projetos mortos por falta de verbas, um ministro que só abre a boca para cantar - nada disso mereceu um único pio dos pensadores federais. Decerto não querem ser confundidos com reacionários, como explica o estrategista político Luiz Fernando Verissimo.

Um silêncio estrepitoso
O brigadeiro Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, sempre foi de poucas palavras. Encurtou o vocabulário no momento da explosão em Congonhas. E desaprendeu a juntar vogais e consoantes no dia em que entregou medalhas de honra ao mérito, "por bons serviços prestados à aviação civil", ao presidente da Anac, Milton Zuanazzi, e a três diretores da agência fantasma. Agora, Saito só abre a boca para engolir medalhas devolvidas por gente avessa a más companhias.Faz sentido. Melhor perder a voz que o emprego.

A arremetida do brigadeiro
Pelo que disse ou deixou de dizer, pelo que fez ou deixou de fazer, o brigadeiro José Carlos Pereira é incapaz de presidir uma associação de empinadores de pipas. Como isto é o Brasil, comanda simultaneamente a Infraero e a esquadrilha dos aeroloucos do apagão. "Os mortos são nossos!", tentou arremeter o brigadeiro, pronto para bombardear a associação internacional de pilotos. Derrapou na pista.

Gente que ajuda a matar não tem direito nenhum sobre as vítimas. Só tem direito a um julgamento justo.

Yolhesman Crisbelles
O campeão da semana é o bom baiano Waldir Pires, tardiamente afastado do Ministério da Defesa, pela explicação oferecida para as críticas que desabaram sobre seu desempenho como gerente-geral do apagão aéreo:Os reacionários golpistas, inconformados com a reeleição do presidente Lula, estão usando a minha pessoa na tentativa de enfraquecê-lo, para depois derrubá-lo.Ainda bem que Waldir foi devolvido ao lar. O homem precisa de um descanso.

Jobim deu o mote para si mesmo: Faça ou vá embora

Josias de Souza
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A nomeação de Nelson Jobim foi a primeira boa notícia produzida pelo governo desde que estourou a encrenca aérea, há dez meses. Primeiro porque marcou o despertar de Lula para uma crise que o governo negava existir. Segundo porque Waldir Pires foi demitido. Terceiro porque o petista Paulo ‘Motim dos Sargentos’ Bernardo não foi nomeado. Quarto porque Jobim é, desde a criação do ministério da Defesa, o primeiro civil a reunir credenciais para apresentar-se aos comandantes das três Forças Armadas com a uma cara de chefe.

Sob Lula, a pasta da defesa vinha oscilando entre o impensável e o inaceitável. O diplomata José Viegas demitiu-se do cargo depois de dois vexames: a tentativa de reescrever a história justificando as atrocidades cometidas contra o jornalista Vladimir Herzog e o lero-lero acerca dos documentos sigilosos da guerrilha do Araguaia. Nessa matéria, inovou: disse que, além de o papelório em si, foram à fogueira até os registros da incineração foram à fogueira.

A “solução” José Alencar soou esdrúxula desde o nascedouro. Nunca na história desse país um presidente da República ousara nomear um ministro que, por parceiro de chapa, era indemissível. No princípio, os militares enxergaram no vice-presidente a chance de abrir os cofres do Tesouro para os seus pleitos. Mas, assim como fazia com os queixumes do vice Alencar em relação aos juros, a equipe econômica continuou “escutando” a pregação do ministro Alencar com ouvidos moucos.

Com a saída de Alencar, Lula inaugurou uma brincadeira desnecessária. Achou que poderia entregar o comando das Forças Armadas a políticos cassados e militantes esquerdistas. Ensaiou a nomeação de Aldo Rebelo (PC do B-SP). Seria um prêmio de consolação à derrota na briga pela presidência da Câmara. Rebelo teve o bom-senso de dizer ‘não’.

Foi-se, então, de Waldir Pires. Em situação de normalidade, o ministro até poderia ter sido mantido na pasta, como um fantoche, até 2010. Mas sobreveio o caos aéreo. E a inapetência gerencial de Waldir, já entrado em anos, tornou-se evidente. No instante da demissão, o ministro encontrava-se em avançado estado de decomposição política. Não foi propriamente demitido. Apodreceu agarrado ao cargo.

Jobim assumiu falando grosso: “Quem manda é o ministro”. Uma boa declaração inaugural para alguém que se dispôs a chefiar um setor em que, fingindo falar a mesma língua, ninguém se entende. Acenou com a troca de comando na Infraero e com a reestruturação da Anac. Mira, com acerto, em dois descalabros que têm nome e sobrenome. Chamam-se Lula da Silva, o personagem que os criou, com a omissão cúmplice até dos partidos de oposição.

A força do “maestro” Jobim será medida, sobretudo, pelo ritmo que ele for capaz de imprimir à orquestra da Aeronáutica. Está claro, límpido como água de bica, que o aerocaos não nasceu em setembro de 2006, quando o jatinho Legacy pôs abaixo o Boeing da Gol. O acidente apenas transformou em notícia um descontrole que, dadas as proporções que assumiu, vinha sendo construído há décadas. Ainda que o brigadeiro Juniti Saito faça cara feia, é preciso lançar um facho de luz nos porões do sistema aéreo brasileiro. Uma providência que pode avariar a tese da infalibilidade da FAB, tratada como um dogma.

Por ora, Jobim sobrevoa o noticiário com ares de reconstrutor. A julgar pela atmosfera de caos que o circunda, matéria-prima para o renascimento não lhe faltará. Resta pôr mãos à obra. É como diz o próprio ministro: "Aja ou saia. Faça ou vá embora". Para além da devolução do sossego dos usuários de avião, o que está em jogo é a sobrevivência de uma boa idéia: o ministério da Defesa, sob controle civil.

A fritura de Waldir na panela da Dilma

Vitor Hugo Soares, Blog do Noblat

Um suspiro de alívio sobe da arena onde até o começo da semana leões famintos mantinham encarniçada disputa para apontar culpados pela tragédia em Congonhas. Quinta-feira, o Jornal Nacional já falava de calmaria nos aeroportos. Nada se resolveu efetivamente: foi mais fácil um pacto de consenso sobre quem é a Geni desta história nebulosa: o baiano Waldir Pires, demitido e logo substituído pelo peemedebista Nelson Jobim. A fritura do ex-ministro culminou na reunião do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), a ser lembrada como um dos momentos mais perversos do poder na história da República.

Foi reforçado o azeite fabricado na panela da Casa Civil da ministra Dilma Rousseff para fritar o “companheiro” da Bahia, um dos mais honrados políticos brasileiros, como acentuou Lula em um de seus mais desastrados discursos. Bem mais cáustico que o utilizado para torrar o pernambucano Cristóvam Buarque, da Educação. Buarque foi expulso do ninho pelo telefone quando estava em Lisboa. Waldir teve de suportar em Brasília horas de massacre torturante, na reunião do Conac, antes de ser mandado “descansar” em casa.

Vida que segue, marcas que ficam, muitas ainda escondidas. Alguns atos dos bastidores, porém, começam a aflorar. Expõem a receita de humilhação aplicada antes do afastamento de Waldir, ex-consultor-geral da República do governo de João Goulart e desde o dia da posse tratado como estranho na Defesa. Apesar de não ser ele a autoridade aeronáutica de acordo com a Lei Complementar 97, que trata do Ministério da Defesa, quase todos tinham na boca ou nas mãos um impropério ou uma pedra para jogar em Waldir, que chegava ao novo posto vindo da Corregedoria-Geral da República, uma das áreas mais bem-sucedidas do governo petista.

A Aeronáutica, formalmente “subordinada” à Defesa, tem plena autonomia de gestão administrativa e financeira. Desse fato decorre a pergunta que não quer calar: como um órgão com tamanha autonomia pode estar subordinado a outro, principalmente em se tratando de assunto de caserna? É coisa para inglês ver, mas mexer aí é outra história. “Quem há-de?”, perguntaria o saudoso cronista baiano Sylvio Lamenha. Mais fácil mesmo é triturar o civil Waldir . Nisso as partes em confronto entraram logo em acordo. Sexta-feira da semana passada, na reunião do Conac, acuado com dedo em riste pela ministra Dilma Roussef, Waldir Pires foi jogado na panela fervente. Antes, enfrentou chacotas e risos a cada intervenção. De Dilama, do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e da arrogante advogada Denise Abreu – aquela do charuto na festa de casamento do filho de Leur Lomanto (diretor da Agência Nacional da Aviação Civil – Anac) em Salvador –, que o ex-ministro José Dirceu deixou como diretora jurídica da Agência. Presentes na sala, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, o comandante da Aeronáutica e convidados como o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, da Infraero, brigadeiro J. Carlos, entre outros.

Foi sessão de massacre e escárnio. Em confabulações jocosas com Denise Abreu, a chefe da Casa Civil – segundo olhos perplexos – parecia ávida em constranger ao máximo o seu colega em desgraça e companheiro de partido, provavelmente à espera de um pedido de demissão que não veio. Há quem tenha visto nos gritos de Dilma, um ritual de vingança também pela atitude de reprovação adotada por Waldir quando do passeio da ministra em companhia do governador Jaques Wagner no barco de Zuleido Veras, da empreiteira Gautama, pela Baía de Todos os Santos.

Na reunião para aprovar resolução já decidida antes dentro da Casa Civil com a participação dos mesmos ministros, foi deixada de lado a discussão do principal: de quem é a responsabilidade pela liberação do aeroporto de Congonhas? Pelos problemas das companhias aéreas, overbooking, passagens aéreas distribuídas entre a diretoria e tudo o mais que cabe à Anac e à Infraero cuidar, mas lavam as mãos nessa etapa crítica da aviação brasileira?

Sai o “legalista” e vem Jobim, gauchão valente, que, com floreios de retórica pampeira e uma visita a Congonhas, já deu um jeito nas coisas. Será? O novo ministro precisa domar o ego para não virar mais um daqueles gaúchos da poesia do pernambucano Ascenso Ferreira: “Riscando os cavalos!/ Tinindo as esporas/ Través das cochilhas!/ Saí dos meus pagos em louca arrancada./ Para quê?/ Pra nada.”

Lula, quem diria, ficou com medo

por Maria Lucia Victor Barbosa , Alerta Total
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O presidente da República disse na posse do novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que tem medo de viajar de avião. Algo muito humano, cuidadosamente escolhido para provocar empatia com os milhões de brasileiros que mais uma vez o assistiram pela TV. Afinal, quem não tem seus receios em alçar-se aos céus? Entretanto, Lula da Silva, que já bateu recordes em viagens nacionais e internacionais, pode dizer sem susto que avião é o meio de transporte mais seguro que existe. Não só pelo luxo do aparelho apelidado de Aerolula, que vive a transportá-lo e as suas comitivas, mas pelos cuidados especiais que, naturalmente, são dispensados às viagens de um presidente da República.

Contudo, Lula está com medo de muito mais. Pela primeira vez percebeu que o altar do culto da personalidade, que para ele foi construído, pode estar desmoronando. Acostumado aos auditórios compostos por convidados especiais que sempre o aplaudem ou riem do seu besteirol, aos comícios encomendados onde exercita sua ferve, mistura de repentista com animador de auditório, o presidente ficou extremamente chocado com as vaias recebidas no Maracanã. O horror foi tamanho que preferiu se esconder. Afinal, a festa de abertura do Pan deveria ser o palco iluminado a lhe conferir intenso brilho pontuado por aplausos estrondosos. No entanto, ficou ele pateticamente, ridiculamente, de microfone na mão. Foi calado pela sexta repetição das vaias de 90 mil gargantas.

Como a memória do povo é curta, certamente os propagandistas do presidente entenderam que bastaria armar alguns palcos artificiais para que o constrangimento fosse esquecido. A mídia se calara sobre o colapso aéreo, enfatizando apenas boas notícias. Mas eis que acontece outro acidente, pior do que o de setembro do ano passado do ponto de vista do número de mortos.

Com relação a primeira tragédia, muitos petistas chegaram a atribuir as manifestações que se avolumavam nos aeroportos por passageiros desesperados diante de vôos cancelados ou atrasados, aos chiliques da "elite branca". Um evidente atestado de que os adeptos e defensores de Lula da Silva não sabem que o significado de elite é produto de qualidade. Em todo caso, os marqueteiros reais estavam tranqüilos por considerar que a maioria que viaja de avião pertence à classe média. Como os pobres estão felizes com as bolsas-esmola e os ricos com os grandes lucros auferidos sob o governo de LILS, deduziu-se que as aflições dos "pequenos burgueses" não contavam. Estes servem para sustentar o luxo da "corte" com seus impostos e continuar a votar em Lula da Silva.

Entretanto, o segundo acidente impressionou os brasileiros de todos os recantos desse imenso país. Mostrado amplamente na televisão abalou não só as famílias das vítimas, mas até os que não são usuários do transporte aéreo. Surgiu também, pela primeira vez, a percepção de que o governo e sua figura maior, o presidente da República, tinham algo a ver com aquilo.

Então, mais Lula temeu e se escondeu. Somente três dias após a tragédia o presidente surgiu em cadeia de rádio e televisão para representar um ato em que tentou passar emoção, mas que falhou na conquista do público.

Antes o desgaste governamental ficara por conta da ministra do Turismo e ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, que como uma Maria Antonieta dos trópicos que mandasse dar brioche ao povo, aconselhou aos sofridos passageiros que se acumulavam nos aeroportos que relaxassem o gozassem. Após o acinte e em pleno clima de luto brasileiro assistiu-se aos gestos obscenos de Marco Aurélio Garcia, o chanceler de fato e vice-presidente o PT, e de seu assessor, a provar que o senhor Garcia está interessado apenas na continuidade do poder. Ele sabe que para isso deve preservar a imagem do chefe, garantia de privilégios e imunidades para todos os companheiros. Em que pese o apoio do seu partido, a demonstrar o modo de ser petista, o escárnio e a estupidez do assessor do presidente soou como mais uma bofetada no rosto dos brasileiros.

Como se não bastassem todas essas ofensas e condutas impróprias a detentores de cargos importantes, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, condecorou alguns companheiros da Anac, cujo descaso, despreparo e irresponsabilidade relativos ao colapso aéreo são visíveis.

Diante de todas as afrontas de seus auxiliares diretos o presidente, em vez de demiti-los, se escondeu. Ficou com medo de ir ao Sul e ao Sudeste e como um neo-coronel preferiu montar seu auditórios de ficção no nordeste. Não escapou, porém de vaias em Aracaju.

Lula trocou finalmente o ministro da Defesa. Pretende se escorar em Nelson Jobim, o ex-presidente do STF que julgava politicamente e não de acordo com a lei. Na posse do ministro Lula riu, fez os costumeiros gracejos à moda do Faustão, mas, quem diria, está com medo. Nem Regina Duarte poderia imaginar isso.

A justificativa

por Ralph Hofmann, site Diego Casagrande
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Emir Sader acaba de publicar um libelo justificando Lamarca, condenando que considere a ele e outros desertores e traidores, e de uma forma geral condenando o golpe de 1964 e as duas décadas que o seguiram.

Recentemente escrevi que não duvidava que a maioria das pessoas que pegaram em armas contra o golpe de 1964 fossem patriotas. Contudo efetivamente o país marchava naquele ano para uma anulação da democracia tal como ocorre hoje na Venezuela. Em tal caso, muitos dos que aderiram ao golpe de 1964 estariam nos maquis brasileiros, patriotas, lutando para derrubar uma reedição da tomada do poder por Hitler.

Hitler assumiu o governo legalmente, mesmo que eleito por uma minoria. Entrincheirado no poder levou o país a leis moralmente inaceitáveis, invadiu países vizinhos, massacrou os indefesos começando pelas pessoas com limitações físicas e psíquicas e passando para etnias inteiras ou religiões com que antipatizasse. Daí por que não podemos esquecer que a falta de prazer em governar de João Goulart, semelhante, mas em grau muito menor, ao desinteresse de Lula estava levando o país a um golpe vindo de cima. O Presidente havia desautorizado seus comandados ao tomar atitudes que não se entendem num primeiro mandatário. Parecia na realidade um líder de revolução instigando uma revolta.

Os tempos vieram a provar que os militares, se não estiveram certos em todos os momentos, e apesar de freqüentemente lançarem mão de expedientes a que a maioria de nós não desejaria jamais estar associados, haviam lido a situação corretamente. Eis que a vertente da qual participava Jango na sua inocência de homem decente guindado pelo Princípio de Peter a uma função acima de sua competência, que era essencialmente de ser um homem carismático somador de votos, está no poder no Brasil. E neste momento nos deparamos, aparte da corrupção, da decadência de todas as instituições do estado, com a clara intenção de membros e amigos do atual governo de transformar o país numa massa acéfala confusa com suas instituições desfeitas, suas comunicações em caos, uma presa a qualquer aventureiro organizado. E quem executa esses planos? Os mesmos. Ou seja, uma nova geração dos mesmos de 1964. Nessa altura uma defesa de Lamarca, Marighela e outros é patética. A amostra que estamos tendo do que nos esperava nos anos sessenta é amarga suficiente para justificar, se não os vinte anos do regime militar, ao menos o golpe desencadeado por Mourão, antecipando-se a um autogolpe pelo governo. O país já sofrera um golpe de governante no estabelecimento do Estado Novo. Não havia por que duvidar que o discípulo Jango assessorado pelo cunhado Brizola o fizesse mais uma vez.

A própria insistência do Marco Aurélio Top-Top e de José Dirceu em sentarem à mesa de Hugo Chavez, defenderem os assaltos da Bolívia e as ingerências das FARC, denotam o perigo em que nos encontramos. Patriotas eles? Sei não.

A papelada fajuta de Renan Calheiros

Revista Veja
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O senador Renan Calheiros apostava que o recesso parlamentar abrandaria a crise política em que ele está mergulhado há dois meses. Imaginava que, passando algumas semanas longe dos holofotes, ganharia forças para tentar sobreviver à suspeita de que teve contas pessoais pagas por um lobista de empreiteira. A estratégia não deu certo. Na semana passada, a Polícia Federal iniciou a perícia nos documentos que Renan entregou ao Conselho de Ética do Senado. São recibos, notas fiscais e guias de trânsito animal (GTAs) apresentados pelo senador com os quais ele tenta comprovar que não precisava se socorrer de recursos do lobista. Renan, um ex-vendedor de chinelo que tinha um carro velho quando entrou na política, garante que juntou uma pequena fortuna vendendo bois. Antes mesmo do início da perícia, o papelório já começou a produzir desdobramentos comprometedores para o senador. Técnicos do Conselho de Ética que analisaram o material comprovaram que duas empresas que teriam comprado gado de Renan simplesmente não existem. "Se técnicos do próprio Senado atestam que o presidente vendeu bois para empresas de fachada, a situação dele fica ainda mais complicada", afirma o senador Pedro Simon (PMDB-RS), colega de partido de Renan.

Poucas coisas podem ser mais dramáticas para um acusado do que o momento em que sua defesa, em vez de dissipar suspeitas, acaba por incriminá-lo. Pilhado em situação de flagrante promiscuidade, Renan confirmou que o lobista pagava suas despesas, mas garantiu que o dinheiro era seu, como se isso eliminasse o problema. O senador exibiu os comprovantes de venda de bois depois que VEJA revelou que a jornalista Mônica Veloso, mãe de uma filha do senador, recebeu das mãos do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, uma pensão mensal de 12.000 reais entre 2004 e 2005. A quantia era entregue em dinheiro vivo dentro de envelopes timbrados da empreiteira. Com os documentos, o senador pretendia mostrar que tinha condições financeiras de arcar com os pagamentos da pensão. O problema é que algumas das empresas com as quais ele diz ter feito negócios nem sequer existiam. Uma reportagem da Rede Globo já havia revelado a fraude, que foi confirmada pelos técnicos do Senado. A pedido do Conselho de Ética, a Polícia Federal está realizando uma auditoria em toda a documentação apresentada pelo senador. Se o laudo da PF reafirmar que a defesa do senador utilizou recibos de empresas fajutas, como parece evidente, tudo leva a crer que Renan será ejetado da cadeira de presidente e poderá, inclusive, ter o mandato cassado.
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Já prevendo as conclusões – óbvias – da Polícia Federal, Renan Calheiros prepara uma nova versão para tentar convencer os colegas de Parlamento da origem de seus fantásticos rendimentos agropecuários. Segundo o senador, devem-se esquecer os tais recibos falsos e as tais empresas que não existem. Todos os negócios, jurará de pés juntos, foram realizados com um único frigorífico de Alagoas, chamado Mafrial. Agora, se o Mafrial usou empresas de fachada nessas transações, é um problema que não cabe a ele, Renan, responder. Conveniente. O que o presidente do Congresso não diz é que, entre toda a documentação que entregou ao Conselho de Ética, não há um único papel que ateste sua relação comercial com o tal frigorífico. Todas as supostas vendas de gado, de acordo com as notas fiscais exibidas pelo senador, foram feitas para açougues da periferia de Maceió. Procurada, a dona do frigorífico Mafrial, Zoraide Beltrão, não retornou as ligações de VEJA. Em declarações anteriores, a empresária negou ter feito negócios com o senador. O Mafrial, aliás, recebeu no ano passado a visita de dois agentes da Polícia Federal. Eles investigavam o deputado federal Augusto Farias, irmão do ex-tesoureiro PC Farias e na época sem mandato, em uma operação de suposta lavagem de dinheiro. A PF suspeita que Farias tenha usado o Mafrial para justificar a origem de dinheiro ilícito. Assim como Renan, Augusto Farias também experimentou momentos de bonança com negócios agropecuários em Alagoas.

Na semana passada, depois de dois meses sem visitar sua base eleitoral, Renan Calheiros finalmente apareceu em Alagoas, estado que o elegeu senador em 2002 com 800.000 votos, mais de 40% do total. Chegou a tempo de acompanhar de perto a movimentação de cerca de 400 famílias ligadas ao Movimento dos Sem Terra (MST) e a duas de suas dissidências mais raivosas, o Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) e o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL). Elas invadiram uma fazenda do deputado federal Olavo Calheiros, irmão de Renan, mataram quinze bois para fazer churrasco e tinham planos de invadir fazendas do próprio Renan, vizinhas à propriedade do irmão. Olavo, cujo patrimônio declarado saltou de 100.000 reais para 4 milhões nos últimos oito anos, é suspeito de corrupção e de grilagem de terras na região de Murici, berço do clã Calheiros. A invasão, justificada pelos líderes como um protesto contra a grilagem de terras e a corrupção, tirou Renan do sério. Em seis entrevistas a emissoras de televisão e rádio controladas por aliados, duas delas em programas policiais de Alagoas, Renan disse que só sai do cargo enforcado ou queimado. "Vão ter de sacrificar o presidente do Senado. Mas vão ter de assumir a responsabilidade, que é sujar as mãos de sangue", disse Renan. "Vou resistir até o fim." A contagem regressiva já começou.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Vamos ver por quanto tempo esta palhaçada Renan/Mendes Junior/boi fantasma ainda se prolongará sem que o “honesto” senador pague por suas mentiras, seu patrimônio inexplicável, além do tráfico de influência que sempre exerceu. Renam, é bom lembrar, jamais esteve na oposição ao governo, independe do partido que lá estivesse. Só esta “coerência” já diz tudo de quem se trata...

Doadoras faturam com obras do PAC

Correio Braziliense
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Metade das empreiteiras que aparecem na lista das 20 entidades melhor contempladas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão entre as maiores doadoras das eleições gerais do ano passado. Juntas, as 20 maiores empreiteiras do PAC receberam um total de R$ 726 milhões neste ano — o equivamente a 56% do total pago pelo programa: R$ 1,3 bilhão. Entre as maiores doadoras estão as construtoras Camargo Corrêa, OAS e Andrade Gutierrez. Só a campanha para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou R$ 6,7 milhões dessas três empresas. Mas elas também fizeram doações camufladas por intermédio do partido do presidente. Mais R$ 8,2 milhões.
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O consórcio Camargo Corrêa/Andrade Gutierrez/Siemens executa a implantação do trecho Lapa-Pirajá, para a Companhia de Transportes de Salvador, que recebeu R$ 77,4 milhões do PAC. Outro consórcio formado pela Andrade Gutierrez, dessa vez com a Queiroz Galvão, está construindo o corredor expresso de transporte coletivo entre o Parque Dom Pedro II e Tiradentes. Essa obra é tocada pela Prefeitura de São Paulo, que recebeu R$ 32,4 milhões do programa do governo federal. O levantamento dos pagamentos feitos com recursos do PAC foi feito pelo site Contas Abertas, a partir da base de dados do Siafi (sistema que registra os gastos do governo federal).A construção de um trecho na BR-364 no Acre, entre Sena Madureira e Cruzeiro do Sul, é responsabilidade da empreiteira Construmil. A obra é tocada por intermédio de convênio com o governo do Acre, que recebeu R$ 38,5 milhões do PAC. Na campanha para o governo do estado, no ano passado, o candidato do PT, Binho Marques, recebeu doação de R$ 100 mil da Construmil. A Delta Construções fez doações no valor total de R$ 1,7 milhão nas eleições de 2004, sendo R$ 415 mil para a campanha de Marta Suplicy para a prefeitura paulistana. No ano passado, recebeu a maior parte das obras da Operação Tapa-Buracos, sem licitação. Neste ano, já recebeu R$ 36,6 milhões pela execução de obras incluídas no PAC.

ContribuiçõesA reeleição de Lula custou R$ 104 milhões, mas a arrecadação feita durante a campanha ficou em R$ 78 milhões. Um rombo de R$ 26 milhões. Contribuições feitas após definida a eleição — uma prática permitida pela legislação eleitoral — diminuíram a dívida para R$ 9,8 milhões. Entre os doadores de última hora estava a Camargo Corrêa, que contribuiu com R$ 2 milhões após o dia 29 de novembro, data do segundo turno. Até aquele momento era, aparentemente, a empreiteira que havia feito a maior doação.

As prestações de contas do partidos, ocorridas em maio deste ano, trouxeram mais surpresas. Usando uma brecha na legislação eleitoral, algumas empresas concentraram doações nos partidos, em vez de fazer doações diretamente aos candidatos ou aos comitês financeiros. Quem mais utilizou essa estratégia foi o PT, que recebeu R$ 42,2 milhões de doações de empresas. Desse total, R$ 35,3 milhões foram repassados para seu candidatos. O PSDB recebeu R$ 14,6 milhões, e o PFL arrecadou com R$ 8,5 milhões.

Entre as empresas que fizeram as maiores doações para o PT estavam a Andrade Gutierrez, com R$ 6,2 milhões, e a Camargo Corrêa, com R$ 2 milhões. O PSDB recebeu R$ 3,8 milhões da Camargo Corrêa e R$ 3,1 milhões da Andrade Gutierrez. Nas doações para o PFL, a ordem ficou invertida: R$ 2,8 milhões da Gutierrez e R$ 1,5 milhões da Camargo Corrêa.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Diante do fato, não cretinice que vingue: o PAC, Plano de Arrecadação para Construtoras, não passe de uma balela mentirosa, com o objetivo de favorecer aqueles que sempre se “aliaram” ao governo, qualquer governo, para se lambuzarem nas gordas tetas do tesouro.

Sempre o sistema financeiro e as empreiteiras fizeram suas “obras” em benefício, e se constata justamente esta bandalheira no governo que sempre se colocou contrário à sua ação predatória. Eis o governo Lula, beneficiando como nunca, a elite que sempre explorou o país, a força de trabalho dos brasileiros em troca de míseros salários, enquanto para si mesmos a conta cada vez mais engordava. Enquanto estes ladrões do patrimônio e do trabalho estiverem aliciados ao poder, o país continuará empacado.

Tivessem que sobreviver sem este aliciamento com o poder central, naufragariam vergonhosamente. Assim, quando juntamos as duas elites predatórias, política e econômica, não há como o povo brasileiro adquirir qualidade de vida. O que nos sobra é a miséria da bolsa-esmola. Dependêssemos destes cretinos, ainda viveríamos no regime de escravidão absoluta.

Morremos todos

por Diogo Mainardi, Revista VEJA
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Quando é que derrubaremos Lula?

A posse do ministro da Defesa, na última quarta-feira, foi o espetáculo mais indecoroso da história política brasileira. Lula ria. Nelson Jobim ria. Tarso Genro ria. Guido Mantega ria. Celso Amorim ria. Juniti Saito ria. Marco Aurélio Garcia ria. Por algum motivo, até mesmo o demitido Waldir Pires ria. Lula provavelmente se regozijava por ter se safado, segundo seus cálculos, de mais uma fria. No caso, os 200 mortos da tragédia da TAM. Ele repetiu despudoradamente, com sua risada, o gesto de escárnio feito por Marco Aurélio Garcia em seu gabinete, no Palácio do Planalto. Que espécie de gente tripudia sobre 200 mortos? Como alguém pode atingir esse grau de pusilanimidade? Se um dos militares presentes naquela sala batesse vigorosamente as botas, Lula e seus ministros com certeza sairiam em disparada, aos gritos, acotovelando-se e pisoteando-se no carpete verde. Eles só sabem cuidar da própria pele e do próprio bolso. Dane-se todo o resto.

Ninguém derrubará Lula. O que vai acontecer conosco é muito pior: um progressivo desmoronamento da sociedade. É sempre complicado tentar apontar o momento em que um país se perde irremediavelmente. Mas, se eu fosse apostar, apostaria todas as fichas que ele ocorreu na posse de Nelson Jobim, na quarta-feira passada. Entre uma tirada de bar e outra, Lula profanou os 200 corpos dando a entender que o desastre poderia servir pelo menos para diminuir as filas da ponte aérea. Uma sociedade resiste a um governo corrupto. Ela resiste também a um presidente incapaz. O que elimina qualquer possibilidade de convívio é o triunfo dessa boçalidade predatória que caracteriza Lula e sua gente. Eles cercaram a cidadela e ficaram esperando que nossas reservas de civilidade acabassem. Elas acabaram. Estamos desarmados e rendidos.

O Brasil é um buraco. Nunca fizemos algo que prestasse. Mas até outro dia ainda tínhamos uma vaga idéia de como nos comportar. E era essa vaga idéia que mantinha o país andando. Andando de lado, mas andando. Uma das regras de comportamento que a gente seguia era manter certa dose de compostura diante da dor pela morte de alguém. Lula violou essa regra. Depois de violá-la, tripudiou mais uma vez, ensinando aos familiares dos mortos do desastre da TAM que "é preciso que a gente tenha momentos de descontração para tornar a vida menos sofrível". Um dia Lula morrerá. Mas nós já teremos morrido antes dele.

TRAPOS & FARRAPOS...

VOLTANDO À ATIVA COM TOLERÂNCIA ZERO PARA COM OS CAFAJESTES.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

O acidente com o AIRBUS da TAM também nos atingiu. Relações construídas ao longo de anos de convívio foram abruptamente jogadas no limbo pela incompetência de um governo irresponsável, e pelo descaso de uma empresa para quem o lucro vem em primeiro lugar, antes mesmo do interesse em servir com respeito aos seus clientes, antes mesmo da segurança dos vôos, antes mesmo da manutenção de suas aeronaves para que este lucro não fique queimado nas tragédias de sua má gestão.

O sangue queimou por duas semanas, na lembrança carinhosa dos que arderam nas chamas de uma crise que um governo cretino criou e não soube ainda resolver.

Aos que partiram, familiares e amigos, o nosso carinho e a nossa saudade permaneceram vivos como sempre foram. Mas nossa luta se agiganta no sentido de ver expulsos da vida pública brasileira, os assassinos da boa fé, da moral, da decência, do respeito para com quem os sustentam no poder no qual se refestelam para a criação de privilégios indecentes e perniciosos.

Enquanto no Brasil o sagrado direito democrático da livre manifestação do pensamento permanecer vivo, COMENTANDO A NOTÍCIA não aliviará seu tom crítico para com a classe dos gigolôs da nação: lá estão por vontade nossa, com mandatos delegados por nós, por nós são sustentados, portanto, nada mais legítimo do que exigir-lhes, cobrar-lhes, protestar contra seus desmandos e sua ação contrária ao nosso interesse coletivo, de sermos respeitados em tempo integral.

Estamos de volta à ativa, mais críticos, e com tolerância zero para com os cafajestes que nos roubam e nos exploram.

quarta-feira, julho 25, 2007

TRAPOS & FARRAPOS...

NO BARRANCO DE CONGONHAS, A LAMA QUE ESCORRE...
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

A lama encheu a avenida. Pouco a pouco, um barranco, com enormes muros de arrimo, começou a descer rumo à avenida. A chuva, nem tão forte assim, respingava com suas gotas um caudal de barro, grama, entulhos. Como se brotasse da terra, num chorar intermitente e de profunda dor, uma canaleta mostrava sua cara. Dela pendiam aquelas lágrimas quase absurdas, e mesmo que tardia, a terra chorava um choro sentido, ela que ali estivera passiva como uma personagem, uma testemunha ocular, que assistira um vôo que não freava no solo em que tocava, uma aeronave que se arremetia por sobre a avenida e ia de encontro ao prédio erguido do outro lado, onde explodiria, recebendo ali a última de suas encomendas para despachar, mas que embarcaria no silêncio do cargueiro da morte, levando consigo dezenas de vidas, mutiladas pela carruagem da irresponsabilidade.

Na lama que ora escorria iam junto todas as declarações, a falta de escrúpulos, as mentiras, as farsas, as empulhações de um governo e todo seu séqüito de atores delinqüentes. Tudo o que profanaram os ouvidos nacionais, tudo o que eles fecharam os olhos para não ver, como se negativa suficiente fosse para encobrir seus desmandos e seu descaso, a lama agora empurrava para a avenida, por onde passam carros, ônibus, pessoas. Ali, ainda úmida, contorciam-se os estertores de agonias das versões oficiais e oficiosas da mentira escancarada aos olhos de todos. Misturada aquela lama toda, embrulhado naquele barro lavado, misturavam-se a honra e a cara de um governo eleito para evitar a dor da tragédia anunciada, para evitar a lama que enxovalha o poder central. Escorria a decência pouca que ainda havia e que agora jaz sem nada poder evitar, arregaçando o verdadeiro descalabro de um governo corrupto como nunca se viu, incompetente como nunca se teve, irresponsável e sem honra como jamais se terá.

Não mais se poderá dizer que a crise não existe, ou que ela é fabricada pela mídia reacionária, pela mídia das elites, pela mídia burguesa; não mais se poderá dizer que a crise é um produto fabricado e plantado pelos inimigos políticos do governo; ou, que a crise possa ser fruto do progresso, como se ineficiência e incompetência pudesse ser sub-produto do desenvolvimento, onde ocorre justamente o contrário.

Na lama que escorre barranco abaixo, e vai se resvalar até o leito da avenida à sua frente, vai junto toda esta ladainha federal, toda esta fala embusteira e desavergonhada, vão-se todas as tolices e parlapatices que nos atiraram na cara nos últimos dez meses. Desnudou-se na lama do barranco que se esvai, a farsa de um governo assassino e mau caráter.

O barranco, que assistira o desastre à sua frente, não mais se conteve: aproveitou a chuva que caía, e cheio de dor pelo assassinato em massa que o fizeram presenciar, vomitou sua revolta, sua tristeza. Jorrou na lama putrefata de um governo viciado na mentira, na farsa, na jogadinha de pegadinhas políticas, nas falas zombeteiras de palacianos sem graça, sem alma, sem honra, sem ética, sem caráter. O barranco da cabeceira do aeroporto de Congonhas cansou e descarregou na avenida sua indignação. Mostrou o nível mais baixo a que um governo pode chegar. Rendeu-se à dor dos que foram vitimados pelos imorais e irresponsáveis que riam e riem das desgraças que afligem parte do povo brasileiro, parte esta que trabalha, que estuda, que lutou e se sacrificou para serem profissionais dignos e honestos, que não se valeram de suas relações promíscuas para galgarem a fidalguia dos gigolôs da nação, vagabundos imorais, para sobreviverem. Gente que um dia também foi pobre, mas que não se acomodou à esmola degenerativa e preguiçosa, jogada como pérolas aos porcos, que sobre ela pisam mas se agarram e se vendem por míseros trocados, quando deveriam cobrar não a esmola servil mas as oportunidades de um trabalho digno, de uma vida digna, de um governo digno.

Portanto, o barranco de Congonhas ruiu porque não suportou mais ser um agente passivo da imoralidade de um governo podre e deprimente. Na sua lama, mistura-se não apenas um lamento de dor, mas um grito de basta: ele não mais quer testemunhar novas desgraças que poderiam ser evitadas se governo houvesse neste país. Ele se nega a continuar conivente e cúmplice de uma horda de medíocres que não apenas martirizam o país, mas que também disseminam o vírus fétido do caos.

A lama do barranco de Congonhas, que escorre e vai para a avenida carrega consigo, portanto, toda a veleidade, toda a imundície sórdida do governo mais podre que este país já teve. E na sua desistência de ser cúmplice de novas tragédias, o barranco de Congonhas está nos alertando para lutarmos e resistirmos, antes que Lula e seus delinqüentes imorais exterminem com os poucos honestos que ainda restam em novas fogueiras em louvor do caos e do descalabro.

O barranco de Congonhas chorou pelos que se foram visceralmente cozidos no fogo da indecência mas, dos seus soluços e lamentos, brotou o alerta para os que ainda resistem, permanecerem lutando e se indignando. Por pior que seja o caos que reina entre nós e nos vitima todos os dias, em repetidas pequenas tragédias que não matam a vida e sim a esperança, ele não pode mais do que a força da nossa fé, do que a força do caráter dos bons e dos honestos, dos trabalhadores e dos dignos. Afinal, como a lembrar meu avô, se não há bem que dure, por certo também é que não há mal que um dia, cedo ou tarde, não acabe...

Mãe de vítima da TAM acusa Lula de falsidade

Cláudio Humberto

A mãe de Fernando Soares Zacchini, 41, uma das vítimas do Airbus da TAM, divulgou uma carta aberta criticando a atitude do governo e principalmente do presidente Lula em relação ao acidente. Adi Maria Vasconcellos Soares afirma que a tragédia já era prevista e que se surpreendeu com a reação do presidente que ela considerou falsa e classificou como um insulto. "Não pensei que teria de passar por mais um insulto: ouvir a falsidade de um presidente, sob a forma de ensaiadas e demagógicas palavras de conforto. Um texto certamente encomendado a um hábil redator, dirigido mais à opinião pública do que a nossos corações, ao nosso luto, às nossas vítimas." Luiz Fernando trabalhava para o Sindicato dos Técnicos-Científicos do Estado do Rio Grande do Sul (Sintergs) e deixou mulher e um filho. Veja a íntegra da carta:

"Aos governantes e à família brasileira,

Perdi o meu único filho.

Ninguém, a não ser outra mãe que tenha passado por semelhante tragédia, pode ter experimentado dor maior.

Mesmo sem ter sido dada qualquer publicidade à missa que ontem oferecemos à alma de meu filho, Luís Fernando Soares Zacchini, mais de cem pessoas compareceram. Em todos os olhos havia lágrimas. Lágrimas sinceras de dor, de saudade, de empatia. Meus olhos refletiam todos os prantos derramados por ele, por mim, por seu filhinho, por sua esposa, por todos parentes e amigos. Por todos os sacrificados na catástrofe do Aeroporto de Congonhas.

Há muito eu sabia que desastres aéreos iriam acontecer. Sabia que os vôos neste país não oferecem segurança no céu e na terra. Que no Brasil a voracidade de vender bilhetes aéreos superou o respeito à vida humana. A culpa é lançada sobre um número insuficiente de mal remunerados operadores aéreos ou sobre as condições das turbinas dos aviões. Um Governo alheio a vaias é responsável pelo desmonte de uma das mais respeitáveis e confiáveis empresas aéreas do mundo, a VARIG, em benefício da TAM, desde então, a principal provedora de bilhetes pagos pelo Governo. Que a opinião pública é desviada para supostos erros de bodes expiatórios, permitindo aos ambíguos incompetentes que nos governam continuarem sua ação impune. Que nossos aeroportos não têm condições de atender à crescente demanda de vôos cujo preço é o mais caro do mundo. Quando os usuários aguardam uma explicação, à falta de respeito ao cidadão juntam-se o escárnio e a cruel vulgaridade de uma ministra recomendando aos viajantes prejudicados que relaxem e gozem.

Assuntos de alcova não condizentes com a reta postura moral e respeito exigidos no exercício de cargos públicos. Assessores do presidente deste país eximem-se da responsabilidade e do compromisso com a segurança de nosso povo exibindo gestos pornográficos. Gestos mais apropriados a bordéis do que a gabinetes presidenciais. Ao invés de se arrependerem de uma conduta chula, incompatível com a dignidade de um povo doce e amável como o brasileiro, ainda alardeiam indignação, único sentimento ao alcance dos indignos. Aqueles que deveriam comandar a responsabilidade pelo tráfego aéreo no Brasil nada fazem exceto conchavos. Aceitam as vantagens de um cargo sem sequer diferenciarem caixa preta de sucata. Tanto que oneraram e humilharam o país ao levar o material errado para ser examinado em Washington. Essas são as mesmas autoridades agraciadas com louvor e condecorações do Governo em nome do povo brasileiro, enquanto toda a nação, no auge de sofrimento, chorava a perda de seus filhos.

Tudo isto eu sabia. A mim, bastava-me minha dor, bastava meu pranto, bastava o sofrimento dos que me amam, dos que amaram meu filho. Nenhum choro ou lamento iria aumentar ou minorar tanta tristeza. Dores iguais ou maiores que a minha, de outras mães, dos pais, filhos e amigos dos mortos necessitam de consolo. A solidariedade e amor ao próximo obrigam-nos a esquecer a própria dor.

Não pensei, contudo, que teria de passar por mais um insulto: ouvir a falsidade de um presidente, sob a forma de ensaiadas e demagógicas palavras de conforto. Um texto certamente encomendado a um hábil redator, dirigido mais à opinião pública do que a nossos corações, ao nosso luto, às nossas vítimas. Palavras que soaram tão falsas quanto a forçada e patética tentativa que demonstrou ao simular uma lágrima. Não, francamente eu não merecia ter de me submeter a mais essa provação nem necessitava presenciar a estúpida cena: ver o chefe da nação sofismar um sofrimento que não compartilhava conosco.

Senhores governantes: há dias vejo o mundo através de lágrimas amargas mas verdadeiras. Confundem-se com as lágrimas sinceras e puras de todos os corações amigos. Há dias, da forma mais dolorosa possível, aprendi o que é o verdadeiro amor. O amor humano, o Amor Divino. O amor é inefável, o amor é um sentimento despojado de interesse, não recorre a histriônicas atitudes políticas.

Não jorra das bocas, flui do coração!

E que Deus nos abençoe!

Adi Maria Vasconcellos Soares
Porto Alegre, 21 de julho de 2007."

Vargas, JK, Jango, Costa e Silva e Lula

Pedro do Coutto, Tribuna da Imprensa
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Ao finalizar sua coluna de sábado na TRIBUNA DA IMPRENSA, Helio Fernandes focalizou um episódio de grande importância na história moderna do Brasil ao lembrar que Vargas começou a cair (e morrer) em novembro de 53, quando não resistiu ao manifesto dos coronéis e demitiu João Goulart do Ministério do Trabalho. Jango tinha então 35 anos, havia lançado a candidatura de Getúlio às eleições de 50 em almoço na sua fazenda e vinha dando grande força aos sindicatos.

Mal pensavam, Jango e Vargas, que, vinte anos depois, surgiria um líder sindical sucessor de ambos nas lutas sindicais do ABC paulista, e que mais tarde seria presidente da República. O apoio de Goulart aos sindicatos despertou a desconfiança e a revolta nas Forças Armadas. Da mesma forma que na UDN de Carlos Lacerda. Temiam algo semelhante ao Outubro de 17, na União Soviética, "Os dez dias que abalaram o mundo", belo título da obra clássica sobre a Revolução de outubro, do jornalista americano John Reed.

O manifesto dos coronéis era aberto por Amaury Kruel, cujo destino seria o de se reaproximar de Jango, tornando-se seu ministro do Exército, e dele se afastar definitivamente em 31 de março de 64, quando aderiu ao movimento militar que depôs o presidente da República. Goulart foi, assim, por duas vezes derrubado por Kruel. Coincidência ou estava escrito no tempo, como costumam achar os fatalistas? Não sei. Mas o tema de Helio Fernandes não foi o mistério.

Pelo contrário, ele percorreu a estrada da clarificação. De fato, ao ceder à pressão descabida (os coronéis nada tinham com a política trabalhista), Vargas cedeu e, com isso, abriu um precedente e começou a perder estabilidade. Tanto é assim que, menos de um ano depois, em agosto, deparou-se no último ato de sua vida com o documento não dos coronéis, mas dos generais, exigindo sua renúncia. Vargas, ao contrário do que praticou em 53, era muito firme em suas decisões. Era dual, mas não era dúbio. Não vacilava. Agiu desta forma na Segunda Guerra Mundial equilibrando o País entre Churchill, Roosevelt, Hitler e Stalin. Este desafio não era para qualquer um. Errou em 53, como destaca HF, morreu em 54, como está na história.

Juscelino Kubitschek não enfrentou o conflito mundial, mas decidia com firmeza. Logo ao assumir, em janeiro de 56, percebeu que sem o general Odilo Denys no comando do I Exército e sem o general Lott no Ministério da Guerra, como se chamava à época, não governaria. Não perdeu tempo. Denys atingira a idade limite. JK enviou mensagem ao Congresso, a lei está valendo até hoje, permitindo a reconvocação de militares para o serviço ativo.

Não vacilou na anistia aos rebeldes de Jacareacanga, em 56, tampouco na anistia aos revoltosos de Aragarças de março de 60. Não custava a decidir. Alterou pouco sua equipe de governo ao longo de cinco anos, dourados por sinal. Só nomeou pessoas habilitadas. Não escolheu qualquer incompetente. Era seu estilo.

O estilo de João Goulart era completamente diferente. Vargas e JK tinham vocação para o poder, cada qual à sua maneira. Goulart não. Detestava situações difíceis, confrontos, debates. Havia Carlos Lacerda em um de seus caminhos, Brizola em outro. Não resistiu às contradições. Tinha horror a lidar com elas. Mas elas são próprias da política. Costa e Silva teve decisão no desfecho do golpe, ocupando o Palácio de Caxias.

No poder, não ocupou o espaço do Planalto. Limitava-se a assinar, lastimando as cassações e suspensões de direitos políticos impostos pelo Alto Comando. Foi encurralado em 1968 quando do Ato 5. Em junho de 69, um derrame cerebral o afastou do governo. Morreria meses depois. Na realidade, foi deposto em dezembro de 68. Castelo Branco, seu antecessor no ciclo dos generais, havia sido parcialmente deposto em outubro de 65, quando foi obrigado a assinar o Ato 2.

Na área militar, Ernesto Geisel, responsável pela brutal censura à TRIBUNA DA IMPRENSA, decidia com firmeza, reconheça-se. Demitiu o general Ednardo, demitiu o ministro Silvio Frota, demitiu o general Hugo Abreu, chefe da Casa Militar, promoveu João Figueiredo de qualquer maneira e dele fez seu sucessor.

Chegamos a Luis Inácio Lula da Silva. Eleito e reeleito, consagrado pelo voto popular, ocupando legitimamente o poder, ao contrário dos generais que o antecederam no tempo e na história, não gosta de afastar aqueles que julga amigos, mas que na realidade não merecem sua amizade porque só lhe criam problemas.

Custou a demitir o ministro José Dirceu, tendo, entretanto, a sorte de encontrar uma Dilma Rousseff, que, com firmeza, apagou o incêndio e estabilizou o presidente no Alvorada e na largada inicial da administração. Até o momento ainda não demitiu, como deveria ter feito, a ministra Marta Suplicy. Não demitiu, como as condições exigem, o ministro Valdir Pires, um inerte que tenta se omitir da crise aérea. No sábado, por exemplo, no "Jornal nacional" da Globo, teve a coragem de dizer que o tráfego de aviões não era de sua esfera.

Como não? Se ele é o ministro da Defesa, e a circulação de aeronaves é subordinada ao comando da Aeronáutica, e este comando é vinculado ao Ministério da Defesa, ao contrário do que afirmou, a responsabilidade é sua, sim. Valdir Pires fugiu da responsabilidade. Finalmente chegamos ao triste episódio Marco Aurélio Garcia. O homem do gesto obsceno, sinal de comemoração das mais absurdas que a história pode registrar. O presidente Lula deveria tê-lo demitido imediatamente. Mas não o fez. A contemplação é péssima para o presidente, péssima para o governo, pior ainda para o País.

A perplexidade e o silêncio dizem tudo. Escrevi sobre vários presidentes, falei de vários estilos. E João Figueiredo? Não decidiu o Riocentro, não decidiu a explosão deste jornal, não investigou a bomba da OAB. Incrível.

A síntese da crise, ou como chegamos a este ponto...

Blog Lucia Hippolito

O comentarista deste blog que se assina Ronaldo me pede para responder sinceramente se “aceitaria ocupar uma das posições do governo responsáveis pelo sistema aeroviário.”

A resposta é “não”, Ronaldo. Minha função não é esta, não tenho qualificações técnicas para tanto.

A hora é muito grave para experimentações.

Entendo que mesmo pessoas com currículo adequado estejam temerosas de aceitar um convite para assumir um cargo desses.

Começando pelo Ministério da Defesa. Sua criação vem sendo discutida desde a Constituinte de 46, mas o assunto nunca tinha ido adiante.

Depois de 21 anos de ditadura, o país preferiu não discutir o papel das Forças Armadas em regime democrático. Afinal, para que servem?

Esta pergunta jamais foi respondida a sério.

Os governos civis reduziram fortemente os recursos das Forças Armadas que, sucateadas e sem projeto, ficaram à deriva no Brasil democrático.

Quando assumiu em 1995, Fernando Henrique declarou que a criação do Ministério da Defesa estava em seu programa de governo.

Mas a articulação política foi muito malfeita. Os militares sem sentiram alijados do processo.

O fato é que jamais aceitaram a criação do Ministério, com a conseqüente perda de status e de poder e a subordinação a um civil.

O segundo problema reside na Infraero. Feudo de oficiais da Aeronáutica, foi entregue a um petista aliado, no primeiro mandato do presidente Lula.

Desde então, pululam denúncias de irregularidades, várias surgidas a partir de sindicâncias do TCU.

Suspeita de superfaturamento nas obras dos aeroportos, transformação dos terminais de passageiros em shopping centers, desprezo por despesas que não têm fita de inauguração – pistas, instrumentos, segurança dos vôos –, tudo isto ronda as últimas administrações da Infraero.

O terceiro obstáculo está na Anac, a agência reguladora criada por lei em 2005 e implantada em março de 2006, para planejar, gerenciar e controlar as atividades relacionadas com a aviação civil, substituindo o DAC, vinculado à Aeronáutica. A Anac sofre o mesmo problema de todas as agências reguladoras: a antipatia por parte do governo Lula. Desde que assumiu, Lula e seus assessores mais próximos insurgiram-se contra o que o presidente chamou de “terceirização do governo”.Assim, a política adotada pelo Planalto foi a de sucateamento das agências, politização excessiva e contingenciamento de recursos.

A tal ponto que vários diretores e presidentes de agências reguladoras pediram demissão antes do término de seus mandatos.

Diversas agências passaram mais de um ano sem um ou dois diretores (Anatel e ANP, por exemplo), inviabilizando a tomada de importantes decisões.

Mais ainda: no caso da Anac, deu-se fenômeno similar ao da criação do Ministério da Defesa: os militares não aceitaram a perda de poder, não concordaram com a criação da Anac.

Resultado: limparam as gavetas e se retiraram, levando consigo a memória institucional.Se tudo isto não basta para afugentar qualquer talento que porventura tivesse espírito público suficiente para enfrentar estes problemas, existe ainda o estilo petista de governar.

Resume-se a esquartejar a administração, criando uma penca de órgãos para fazer a mesma coisa. Estruturas superpostas, esquemas burocráticos rivais, um vigiando o outro.

O resultado é: ninguém tem poder, ninguém tem autoridade, ninguém coordena, ninguém lidera.

Difícil, muito difícil.

Saudade da Varig

Jota Alves (*), Orlando, Flórida (EUA), blog Cláudio Humberto

Vendo as imagens, ouvindo as notícias e lendo grande quantidade de comentários sobre a segunda grande tragédia aérea brasileira, meu deu uma saudade danada da Varig.

A Varig Brazilian Airlines, direta ou indiretamente, esteve na vida dos brasileiros no exterior. Ou foi pelos seus aviões que atravessamos mares e começamos uma nova vida, ou foi nas suas lojas que bebemos na fonte da saudade ou nos sentíamos em casa folheando um JB, um Globo, uma Veja, o Pasquim...

Da Varig eu só tinha ouvido falar. O meu primeiro vôo internacional foi do Rio para Roma. Comigo, uns cem brasileiros a promover Brasília na Europa. Voamos pela Alitália com escala em Recife e Dakar.

Anos mais tarde, voei de Moscou, capital do “comunismo”, pela Aeroflot e fui trabalhar no castelo-símbolo do capitalismo, o Rockfeller Center, na rua 50, bem no centrão de Nova York.

No térreo, bem em frente à catedral de St.Patrick, na Quinta Avenida, ficava a lojinha da Varig. E foi graças a ela, nela e por causa dela que a minha vida tomou outros rumos, levando-me a conquistas na Big Apple.

Com o Clube Brasileiro de Viagem (Brazilian Travel Club), o Brazilian American Promotion Center e dezenas de charters, foram vinte anos de excelente relacionamento profissional, que acabaram levando-me a relacionamentos pessoais com funcionários, comandantes, tripulantes e diretores, entre os quais destaco Erik de Carvalho, Oswaldo Trigueiros e Helio de Souza.

A Varig primava pela pontualidade, pelo bom atendimento no check in, no check out e a bordo. Raramente havia atrasos nos seus vôos de conexão dentro do Brasil. Nossos clientes voltavam satisfeitos. Consultado, dei palpites para a trilha sonora dos vôos internacionais e guardo vários cardápios, excelentes obras de arte. Só mesmo a Air France competia com o menu da Varig. E as nossas aeromoças eram mais bonitas.

Fiquei super contente e orgulhoso quando a Varig finalmente trocou o “z” pelo “s” no seu Brazilian Airlines. Uma grande batalha que travei por ter trocado o “z” pelo “s” no jornal que fundei: o The Brasilians.

É óbvio que na ortografia correta em inglês Brazilian deve ser com z. Mas e daí? Inventamos e mudamos palavras e significados nos idiomas, nos costumes, nos comportamentos, nas gírias, no marketing, na língua escrita e falada que o atrevimento nos enchia de orgulho. Para alguns, patriotada.

Para mim, que comia, bebia, vestia, dormia, acordava, com o Brasil por todos os lados, era ponto de vista, ousadia. Marcar presença. Fazer a diferença.

E era com esse sentimento de pátria, de nação, de povo, de país que a gente via a Varig, uma companhia de bandeira, como a Air France, a Lufhthansa, a Aerolíneas Argentinas, a KLM, a Scandinavian Airlines, Aero Peru...

Como agente de viagem, como empresário e como brasileiro eu tinha orgulho da Varig. E o que fez o nosso governo com as dificuldades da companhia? Deixou-se levar por lobistas da aviação comercial, uma cambada de irresponsáveis, delirantes, corruptos, e abandonou a Varig.

Um bando de incompetentes à frente do setor de aviação não entendeu e não quis ver que deixar a Varig ao Deus-dará não era solução e sim problema. Houve um aumento acelerado de passageiros, nos vôos internos e nos internacionais. Um país-continente não pode ser atendido por duas empresas aéreas.

Foi só explodirem a Varig que o buraco negro apareceu e um imenso vazio despertou o caos aéreo no Brasil. Países como o Japão, a França, a Alemanha, a Itália, o Canadá ajudam e investem em suas companhias aéreas de bandeira.

E o pessoal da Varig? Dezenas de comandantes, tripulantes, milhares de técnicos, profissionais de nível internacional, com muitos anos de experiência deveriam ser amparados pelo governo e chamados para ajudar a resolver essa imensa e duradoura crise.

Muito mais que aviões é o material humano, seu treinamento, sua eficiência operacional que determina a seriedade e a competência de uma empresa aérea. Vê se tem alguém com esse gabarito nos muitos órgãos governamentais que dirigem a aviação comercial brasileira!

O presidente Luis Inácio que acusa os brasileiros de falarem mal do Brasil no exterior, e deseja que nós fossemos italianos ou suíços, que reclama da imprensa que só “publica coisa ruim” vai ver agora com quantos-pau-sefaz-uma canoa, ou vai entender o que significa grooving em pista de aeroporto.Vaias podem ecoar em suas viagens ao exterior.

O Brasil está sob quarentena e auditoria internacional. Os governos cuidam de seus cidadãos e por isso temem as pistas de pouso e os aeroportos do nosso país. Líderes mundiais da aviação comercial estão recomendando que as pessoas não viajem ao Brasil.

Como ninguém sabe explicar direito o que significa Con-gon-has, uns dizem cego-nhas, outros chamam o mais importante aeroporto do Brasil em espanhol de conhos brasilenos e em inglês de con-go-hell.

A imprensa não publica coisa ruim e nem o brasileiro que está no exterior fala mal do Brasil. O governo é o coisa ruim e a causa das trágicas notícias brasileiras que estão circulando pelo mundo.

Que saudade da Varig!

Inimputável corriola

por Dora Kramer, no Estadão

No programa de rádio de ontem de manhã, o presidente Luiz Inácio da Silva repetiu mais ou menos o que já tinha dito no pronunciamento de sexta-feira: pediu compreensão para com o governo, considerou impróprios quaisquer "julgamentos precipitados" sobre as causas do desastre de uma semana atrás e subiu um pouco o tom da condenação às críticas dirigidas à desídia governamental no manejo da crise aérea: considerou "quase irresponsável" o debate público a respeito da tragédia que mobiliza o País.

Nenhuma palavra, porém, o presidente disse nesta ou em qualquer outra oportunidade em que abordou o assunto, nenhum gesto fez para - não se diga nem punir, pois já viu pelo conjunto da obra que seria exigir demais - ao menos condenar ou, quem sabe, impor algum reparo, manifestar alguma discordância para com a inominável série de atitudes e palavras produzidas por agentes de responsabilidade pública, a maioria seus subordinados diretos.

Pelo que se depreende da posição do presidente, à corriola governamental tudo é permitido: agredir o público com grosseria, com leviandade, com futilidades, com fugas patéticas ao cumprimento dos deveres, com indiferença, vale qualquer coisa se a anarquia tem origem nas hostes governistas.

Só o que não vale é debater, discutir, reclamar, interpretar os fatos, cobrar do poder público bom senso, rapidez, comando, organização, presença, porque isso denota irresponsabilidade, quando não intenções conspiratórias e vocação para se aproveitar da comoção para travar lutas político-partidárias.Lula demora a falar e, quando o faz, quase leva a Nação a concordar com seus assessores que por três dias após o desastre o aconselharam a "mergulhar" para ver se afastava de si o cálice da repercussão negativa.

Em todo o transcurso da crise, o presidente aceitou toda sorte de absurdos verbais e gestuais por parte de seus auxiliares sem manifestar sequer desconforto quando os ouvia dizer na televisão que não existia crise, que o melhor era o brasileiro relaxar e aproveitar seus efeitos, que tínhamos até motivo de comemoração, pois o caos indicava progresso, que enfrentávamos apenas os acasos da "lei de Murphy", que não podíamos nos deixar levar pela "pressa neurótica".

Não esboçou um mínimo sinal de desagrado diante de um ministro da Defesa, superior hierárquico do Comando da Aeronáutica, a desafiar, irritado, que se procurasse na lei onde estava escrita sua responsabilidade sobre tráfego aéreo; não ponderou à sua ministra-chefe da Casa Civil que o momento não era de exibir seus atributos de dama de ferro em forma de rudeza ("não seremos fonte de especulação imobiliária") e sim de informar com serenidade que não existe ainda um local escolhido para o futuro aeroporto de São Paulo; não estranhou a condecoração aos ineptos da Anac; não viu mais que um ato "infeliz" no gesto de Marco Aurélio Garcia a mandar todos para aquele lugar.

O presidente passou por cima de tudo e mais um pouco, mas achou por bem apelar à "compreensão" geral e alertar para a irresponsabilidade do público que debate, desconfia e cobra aquilo que nada mais é do que seu direito inalienável à vida, à segurança, à liberdade de ir, de vir e de se expressar.

E por que a corriola é inimputável? Porque na concepção preponderante no governo suas atitudes são tomadas em defesa de um projeto político cuja razão de ser começa e termina na preservação do exercício do poder pelo poder.
Seja qual for a verdade que "virá à tona", como assegurou Lula, sobre o acidente, nada muda essa realidade consolidada pelos fatos, um após o outro, ocorridos desde o início da crise - datada de 29 de outubro, dia do segundo turno da eleição presidencial - para cá.

CPI investe contra cúpula da Anac

Correio Braziliense

O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) fará amanhã o primeiro movimento de um plano para tirar do cargo o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi. Fruet apresentará, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo, pedido de processo disciplinar contra toda a diretoria da Anac. Se o pedido for aprovado, o governo será obrigado a abrir investigação. Uma comissão será formada para apurar responsabilidades. E estará concretizada uma das três hipóteses em que um dirigente de agência reguladora pode ser apeado da função dentro do mandato de cinco anos a que têm direito — as outras duas são condenação na Justiça e pedido de demissão. A atuação da Anac vem sendo apontada como fator preponderante do caos nos aeroportos. Do ponto de vista da regulação, a agência seria condescendente demais com as companhias aéreas, gerando todo tipo de transtorno para os usuários. Zuanazzi, um petista cujo ponto alto do currículo foi a temporada como secretário de Turismo do Rio Grande do Sul, é apontado como símbolo do retalhamento político do órgão e de sua conseqüente inaptidão técnica. A despeito da situação crítica da aviação comercial brasileira, ele se mantém firme no cargo graças à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, por quem foi indicado.

Antes do acidente com o avião da TAM, os deputados da base governista na CPI impediram a investigação de supostas irregularidades na Anac e na Infraero. Agora, depois da tragédia, na qual morreu inclusive o líder da Minoria na Câmara, deputado Júlio Redecker (PSDB-RS), até deputados governistas querem investigar a atuação do órgão. Procura-se uma cabeça para entregar à opinião pública. A de Zuanazzi é a da vez.

O presidente da Anac parece estimular os movimentos contra si. Ou não se deu conta de que a crise ameaça implodir a instituição. Ontem, a diretoria insistia na tese de que o aeroporto de Congonhas não pode abrir mão das conexões que o transformaram no principal ponto de convergência das rotas aéreas nacionais. Discutia a elaboração de um documento com críticas às decisões anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada. Autor de uma das declarações mais polêmicas sobre o apagão aéreo — "não existe crise aérea no país" —, Zuanazzi enfrenta uma crise atrás da outra, desde o colapso da Varig.

A indignação é tanta que a Associação Nacional em Defesa dos Direitos dos Passageiros do Transporte Aéreo (Andep) entrou com representação no Ministério Público Federal. Quer o fim da Anac e a volta do extinto Departamento de Aviação Civil (DAC), controlado por militares. "Tenho certeza de que foi a transformação do DAC em Anac que causou toda a crise", argumenta o presidente da Andep, Cláudio Candiota. Milton Zuanazzi será ouvido amanhã pela CPI. No mesmo dia, será tomado o depoimento de Rui Amparo, vice-presidente técnico da TAM.

Aparelhamento: Dos integrantes da diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil, apenas um trabalha na área:

Milton Zuanazzi
Engenheiro, é pós-graduado em sociologia. Foi vereador em Porto Alegre pelo PDT, secretário de Turismo do Rio Grande do Sul e secretário nacional de Políticas de Turismo. Hoje é filiado ao PT e foi indicado para o cargo pela ministra Dilma Rousseff, a quem é ligado desde quando ela era do PDT.

Jorge Luiz Velozo
Coronel-aviador, foi indicado pelo ex-comandante da Aeronáutica brigadeiro Luiz Carlos Bueno. Era chefe do Departamento Técnico-Operacional do extinto Departamento de Aviação Civil (DAC). Piloto pela Academia da Força Aérea Brasileira, é especialista em segurança de vôo.

Leur Lomanto
Advogado, foi deputado federal por 28 anos, nos mais diversos partidos. Foi chefe da assessoria parlamentar da Infraero e relator do projeto de lei que criou a Anac. Foi indicado pelo PMDB para o cargo.

Denise de Abreu
Advogada, é militante petista, apadrinhada pelo ex-ministro da Casa Civi, José Dirceu. Ocupou o cargo de chefe de gabinete da Secretaria de Saúde de São Paulo e da Febem.

Josef Bara
Economista, foi duas vezes secretário de Transportes do estado do Rio de Janeiro. Como consultor de empresas públicas e privadas, prestou serviços para a TAM. Foi indicado pelo deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ), com apoio das empresas aéreas.

Inexoravelmente empacado?

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, site Diego Casagrande

Em tudo e por tudo, o Brasil está estacionado no passado de futuro brilhante. Somos sempre o país do futuro, pois a esperança é a última que morre, etc.etc. Durante muito tempo, acreditamos que esse era um desígnio de Deus. Já sabemos que não é assim. Deus não nos quer burros, pobres, medíocres.

Não vou me estender sobre a desgraça que nos atingiu esta semana. As mortes. A dor. A angústia. A agonia da espera. Não sabemos exatamente o que aconteceu, ainda. Nem sei se chegaremos a saber com exatidão. Parece que as caixas pretas não saíram ilesas do fogo. Além do que, não sou piloto, não sou técnica em nada, e não entendo nem de administração de aeroportos, nem de engenharia.

O que me dá o direito de estar indignada é o descaso do Governo Federal com as palavras de quem entende do assunto. Congonhas fica no meio de uma área hoje densamente povoada. O Santos Dumont entre água e pedras. Ambos têm edifícios luxuosos, quilômetros do mais fino mármore, lojas, cafés e restaurantes. Mas alguém se preocupou em ouvir – não é fazer uma pergunta aqui, outra acolá – é em ouvir os pilotos e dar a devida atenção ao que eles dizem? Ou em levar a sério os controladores?

A preocupação foi uma só. Desculpe, corrijo: duas. Não aborrecer os donos das companhias aéreas, e nossa imagem lá fora. Bonita preocupação, não é? Tenho visto na BBC internacional, na CNN, na TV5 francesa, na RAI e nas TVs portuguesa e espanhola, as dantescas imagens do Brasil. Lido nos jornais internacionais, os de grande circulação, notícias sobre nosso país. Saudade do tempo em que, lá fora, procurava-se uma notícia do Brasil e não se encontrava uma linha. Era a máxima do “pas de nouvelles, bonnes nouvelles...”.

Hoje, isso acabou. O que aqui se faz, aqui se paga, segundo os calvinistas. Mas também é rapidamente divulgado no mundo todo. Por exemplo, a linda cena que presenciamos ontem: o comportamento apolíneo do Marco Aurélio Garcia, aspone do Lula, e de seu próprio pequeno aspone, chamado Bruno. Ambos mostraram ao mundo como procedem auxiliares do presidente, seus gestos impudentes, expressivos. Não estavam em suas casas, nem num boteco entre rapazes, nem numa festa privada. Estavam numa das salas que compõem o gabinete da Presidência da República, naquele palácio que Oscar Niemeyer fez em vidro branco transparente, para que ali tudo se desse à luz do sol.

Até agora não compreendi o que comemoravam Garcia e seu amigo. E a quem pretendiam ofender. Se comemoravam a possibilidade de um defeito técnico na aeronave ser a causa do acidente, comemoravam a morte de mais de 200 pessoas. Não acredito que isso seja possível. Não vi em nenhum dos dois rabinhos, chifres ou pés de cabra. Se comemoravam o que acham ter sido uma perfídia da Imprensa, desmentida, coitados: estavam assistindo a um jornal da maior e melhor cadeia de televisão brasileira, que se encontra entre as melhores do mundo, justamente porque é livre a sua expressão. Um jornal que tem sido de grande utilidade para o Governo Federal. Que bom que ele pode alertar o Lula sobre muitas coisas. Se não fosse o JN...

Nosso blog ontem estampava uma frase também reveladora: a do Ministro das Relações Institucionais, Mares Guia. Era um embaralhado de idéias que no fundo queria dizer que foi falha humana e portanto o Governo nada tem a ver com isso (não é humano?). Hoje, acabo de ver que o Noblat escolheu outra frase, essa do Lula: “Não importa discutir causas. A responsabilidade pela solução dos problemas é do governo, e disso não podemos fugir”. Não sei qual das duas é mais sincera. Espero que o Lula tenha caído em si, que as vaias lhe tenham feito muito bem. Que o alarido que penetrou sua alma e seu coração vaidosos, tenha tido um efeito salutar e que essa frase seja o prenúncio de uma virada.

O que ele não pode é continuar a passar as mãos na cabeça de corruptos e ter essa dificuldade cósmica em demitir os errados. Na cadeia de comando de nossa segurança aérea está a culpa de tudo que vem acontecendo há meses, de todas aquelas cenas vergonhosas nos aeroportos brasileiros. Agora, piorou muito: são, ao que se saiba, mais de 356 vidas ceifadas estupidamente.

Parece que hoje ele fala à Nação. Vem tarde. Já deveria tê-lo feito. Mas vamos esperar que venha com notícias positivas e com palavras prenhes de verdade e não vazias e fátuas. Que demita quem autorizou a abertura daquela pista cujas obras ainda não estavam prontas. Se a falha foi do piloto, se a falha foi da máquina, nada retira a culpa dos levianos que liberaram a pista inacabada, ainda mais em dia de chuva.

Que a zoada das vaias não saia do ouvido do Presidente tão cedo. Sabe ao que as comparo? A uma palmada bem dada que damos numa criança pequena que se solta de nossa mão e corre para a rua cheia de carros. A vaia é igualmente profilática. Li, a respeito de vaias, uma crônica do Ruy Castro que adoraria ter escrito, na qual ele conta como Julio, um grande jogador de futebol brasileiro, dominou as vaias torturantes que recebia no Maracanã: com garra e mostrando todo seu talento.

Também li sobre as vaias que Churchill, ainda Primeiro-Ministro, recebeu no primeiro grande comício do pós-guerra. O povo, cansado das agruras que sofrera e ouvindo as promessas de fartura que lhe fazia o candidato trabalhista, Attlee, foi estrepitoso em suas vaias. Churchill, com a lucidez e a mente brilhante que Deus lhe deu, disse ao microfone: “Feliz o povo que pode vaiar seus governantes...”. As vaias até recrudesceram. Então, ele encarou a platéia e naquele seu belo vozeirão, disse: “Vim falar sobre o extraordinário desempenho de Londres durante a guerra. Vocês querem vaiar isso também?”. Claro que pode terminar seu discurso, sob aplausos..

O que nós precisamos, sem dúvida alguma, é dessa liberdade à qual Churchill se referia. E da qual, até agora, vimos gozando. Que continuemos a poder vaiar os nossos dirigentes quando não estivermos satisfeitos com eles. Que a Imprensa continue a poder noticiar o que acontece em todos os cantos deste enorme e destrambelhado país. E que os governantes tenham bons exemplos para mencionar.

O dinheiro é essencial, claro. Mas não é o mais importante: para que o Brasil desempaque, é vital que tudo seja feito às claras e que o Lula possa assistir ao JN, e aos outros noticiários, diariamente, a fim de se inteirar da vida real e não da vida de fantasia que lhe pintam esses que o cercam e que não são, mas não são mesmo, seus amigos.

Que vivam as causas! Morte aos efeitos?

por Percival Puggina, site Diego Casagrande

A contradição exclamada no título deste artigo caracteriza perfeitamente a maneira como se pretende lidar com a maior parte das dificuldades nacionais: trata-se de acabar com os efeitos preservando suas causas no sacrário das coisas intocáveis. É perfeitamente admissível que o povão se deixe iludir pela denúncia e pelo aparente combate dos males visíveis. No entanto, quando essa é a atitude do intelectual, ou daquele que se dedica à vida pública, ou do detentor de mandato, ou do que tem responsabilidades perante a opinião pública, bem, nesse caso, embusteiro é a palavra que melhor o designa. Pretender corrigir efeitos sem atacar aquilo que os produz é evidência de desavergonhado afeto a ambos.

Está na ordem do dia essa coisa horrorosa chamada Agência Nacional de Aviação Civil, aparelho petista e cabide de empregos para companheiros tão estranhos e alheios às funções do órgão quanto íntimos e próximos do partido e da base do governo. Mas, sabemos todos, a ANAC é, neste exato momento, apenas a cabeça mais visível da monstruosa Hidra de Lerna da administração federal, com centenas de cabeças, onde dezenas de milhares de operadores correspondem ao mesmo perfil e reproduzem os mesmos males. Como se resolve isso? Atacando a causa. Organizando a administração pública do modo como fazem os países bem geridos, aqueles onde as coisas funcionam, ou seja, retirando da mão do governo a caneta que dispõe sobre os postos administrativos, sobre as estatais e sobre as portas de tantos cofres. Simples como isso, mas tão difícil de acontecer quanto o leitor bem pode imaginar, até porque o olho de quem está na oposição enfoca, com volúpia, exatamente essa caneta, esses cargos e esses cofres.

Temos partidos em excesso? O Congresso Nacional, com tantos líderes de bancada revestidos de prerrogativas regimentais, ou está congelado ou se arrasta em câmera lenta? É impossível conter o abuso do poder econômico nos pleitos parlamentares? As corporações dominam o parlamento? Quem pode controlar os gastos reais da campanha de um candidato em quinhentos municípios? Pois é. Nossos legisladores querem resolver tais coisas com financiamento público, cláusulas de barreira e proibindo a distribuição de chaveirinhos e camisetas... Fala sério! Num sistema de eleições distritais o número de partidos cai, se tanto, para meia dúzia, todas as campanhas se fazem sob os olhos do juiz eleitoral e do promotor do distrito, as distorções saltam às vistas de todos, inclusive dos eleitores e acaba a representação política dos grupos de interesse.

Mensalão, distribuição de emendas parlamentares, o escambau? Precisamos de ética e a ética resultará da justa indignação dos bons! Será isso suficiente? E por que não atacar a causa, atribuindo as responsabilidades de governo à maioria parlamentar em vez de obrigar o governo a compor e manter essa base aos custos conhecidos? Você sabe porquê. É o desavergonhado amor às causas e suas conseqüências.

TRAPOS & FARRAPOS...

E SE AO INVÉS DE FHC TIVESSE SIDO LULA EM 1995?
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

É difícil comparar governos, às vezes, se cometem injustiças, por fazermos avaliações sem considerar-se as condições de governabilidade do país entre um período e outro. Não é este o caso de Fernando Henrique, 1995-2002, e Lula, desde 2003.

Ao assumir seu primeiro mandato, Fernando Henrique encontrou o seguinte Brasil: inflação galopante e sem controle, dívida externa fora de controle, total desequilíbrio fiscal, uma enxurrada de empresas estatais sugando o orçamento com monumentais déficits, sem a menor condição de investimento, comércio internacional querendo recuperar-se ainda das atrapalhadas da moratória de Sarney e das atrapalhadas de Collor, instabilidade econômica com total vulnerabilidade a qualquer espirro, instabilidade política em razão da renúncia de Collor.

Durante aquele período, o mundo sofreu cinco graves crises financeiras internacionais, México, Argentina, Rússia, Turquia e Sudeste Asiático, e4 cresceu na média em torno de 2%. O Brasil fechou o período com média ligeiramente superior a 2,3%. Apesar dos problemas, das instabilidades, das crises, conseguimos domar a fera da inflação, equilibrar as contas públicas, criar uma moeda valorizada, criar um leque de proteção social, reduzir o analfabetismo, reduzir a mortalidade infantil, reduzir sensivelmente o trabalho escravo infantil, recuperar mercados internacionais para os produtos brasileiros. Chegamos ao final do período com estabilidade econômica e política, e com uma série de avanços sociais e educacionais, bem como conseguimos implantar uma longa série de políticas de saúde pública, bastante elogiadas por organismos internacionais.

Vejamos Lula: recebeu o governo com inflação dominada, equilíbrio fiscal, déficit contido, endividamento renegociado em condições bastante favoráveis, indicadores econômicos favoráveis, o mundo no seu período cresceu em médias superiores a 5%, todo um programa de planejamento no campo da energia traçado e implantado, nenhuma crise financeira internacional, políticas sociais em pleno vigor. Ou seja, o Brasil que Lula encontrou já não tinha mais inflação, desequilíbrio fiscal, vulnerabilidades a acontecimentos externos, estabilidade política garantida, além de franco avanço nos indicadores de saúde, educação e sociais. Bastava a Lula terminar o trabalho iniciado e pronto: o país estaria galopando na mesma velocidade com que os demais emergentes galoparam nestes últimos cinco anos. Porém, a média de crescimento é inferior a 3,0%, metade dos demais países, os indicadores de educação e saúde perderam velocidade e alguns até retrocederam, e apesar da balança comercial com superávits históricos, perdemos posições no ranking do comércio mundial, e, bem dentro do governo, instalado uma rede de corrupção vergonhosa, além de uma crise aérea que não existia, e que está simplesmente destroçando o país.

A pergunta que fica não é quem é melhor, e sim, se Lula tivesse encontrado o país nas mesmas condições que FHC encontrou, ou, se ao invérs de FHC haver ganho a eleição, o vencedor tivesse sido Lula, o país teria avançado o quanto avançou no período até chegar à esta estabilidade e política de hoje ?

Olhando-se para dentro do governo Lula a conclusão a que chega é de que não estaríamos vivendo o bom momento econômico atual com Lula no poder em lugar de FHC. Pela simples razão de que este governo Lula é ruim de serviço mesmo.

Naquilo que Lula mexeu, o país deu marcha ré. No que ele manteve da herança recebida, o país anda bem e avança.

Não é apenas a crise aérea, fabricada pelo governo atual, que nos espelhamos para chegarmos a esta conclusão. Bastante seria retroceder no passado para sabermos que a relação entre os poderes nunca foi tão promíscua como agora com Lula e Petê no poder.

Nunca as instituições foram tão destroçadas como agora estamos vendo, o crime aumentou, a infra-estrutura a cada dia mais se desmorona, os níveis de educação recuaram muito comparando-se os dois períodos, o apagão volta à cena e sua ameaça ainda é real, nosso comércio internacional se sustenta muito mais em comoditties valorizadas pelo crescimento dos demais países e não por políticas internas, nunca tantos brasileiros emigram tanto para tantos países em busca de melhor condição de vida como agora se vê e se assiste, nunca a segurança pública foi tão crítica como agora, e a cada dia que passa e novos rankings de qualidade de país são divulgados, mais e mais percebemos que estamos perdendo para nações com muito condições e riquezas do que o Brasil. Estamos andando para trás, enquanto o mundo segue em frente.

Tivesse Lula sucedido Itamar Franco, e deste recebido o país que FHC herdou, considerando-se o conjunto da obra do governo atual, dá até medo imaginar-se o país que seríamos.

Nos artigos de hoje, vocês lerão uma síntese excelente da Lucia Hippolito sobre a questão aérea, um artigo também excelente do Pedro do Coutto, da Tribuna da Imprensa sobre estilos diferenciados de presidentes que o Brasil já conheceu, e concluirão que o problema do governo atual não é a capacidade política de Lula, e sim, a dubiedade com que age na administração dos principais problemas nacionais. Segue ainda um artigo relembrando da VARIG e a carta triste e angustiada de uma das muitas mães atingidas na tragédia com o Airbus da TAM, e o sentimento de repulsa à fala de Lula na sexta-feira, considerando-a falsa e mentirosa. E encerrando, nesta e4dição mais algumas pérolas do jeito TAM de anarquizar a segurança dos vôos com manutenção de aeronaves que mereciam a medalha do demérito aeronáutico. Ah, quase que esquecia: num artigo do Correio Braziliense, apresentaremos os currículos dos “profissionais” (ir)responsáveis que comandam e infernizam a vida dos passageiros com uma crise fruto da incompetência, descaso, falta de respeito e, claro, fruto disto tudo, da falta de autoridade, da falta de governo, já que seu ocupante está muito mais preocupado com sua imagem populista (e canalha), e foge covardemente dos problemas criados por seu desgoverno, para atirar-se nos braços da claque contratada para afagar-lhe o ego, apesar das fumaças que ainda ardem no local da maior tragédia da aviação brasileira de todos os tempos.

O Brasil foi na Venezuela com um time de reservas e venceu a Argentina com seu time de estrelas de goleada e foi campeão da Copa América. No Pan, bastou escalar Lulinha e tomamos um baile do Equador no futebol masculino. Nem medalha disputaremos. E como desgraça pouca é bobagem, deu apagão até na tocha olímpica do PAN. Inédito o fiasco.

O que me preocupa é como chegaremos em 2010, data das próximas eleições presidenciais. Se Lula continuar ignorando os problemas reais do país, investindo sua imagem unicamente no assistencialismo ordinário, e apostando todas suas fichas que a crise se resolverá por um passe mágica e sem afetar as demais instituições democráticas do país, vai pagar muito caro pela imprevidência. Seria bom que ele começasse a se preocupar e cuidar com mais atenção da classe que sua política imbecil insistir em ignorar e escarrar: vai precisar muito dela ainda, nem tanto ele politicamente, mas o povo brasileiro é feito não apenas por pobres e os muito ricos, mas também pelo contingente formado pela classe média. E nenhum país, fosse na história antiga ou contemporânea conseguiu atingiu grau elevado de desenvolvimento com os governantes louvando desprezo e ódio aos “pequenos burgueses”. Eles são o esteio da nação, sem eles governante algum consegue se sustentar...

Os sinais de deterioração do governo são muitos e bastante visíveis. Seria bom que alguém começasse a se dar conta disto enquanto é tempo... Senão, depois quem vai fazer top-top-top somos nós, e ao menor sinal de reclamação, bradaremos com a maior simplicidade: “Não esquenta, não, relaxa e goza que a zorra é tua, seu cretino!”.

terça-feira, julho 24, 2007

TOQUEDEPRIMA...

***** Governo tenta prorrogação da CPMF dando cargos

De acordo com reportagem da Agência Estado, o governo do presidente Lula decidiu distribuir cargos nos estados e liberar emendas individuais dos parlamentares até atingir a cifra de R$ 3 bilhões.

A tentativa seria impedir que a oposição se revolte contra a prorrogação da CPMF e da DRU (Desvinculação das Receitas Orçamentárias da União) na volta do recesso parlamentar.

O ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, admitiu que o governo vai liberar as emendas e quer velocidade no processo. "A partir de agora, todo mês vamos empenhar R$ 500 milhões até chegarmos ao valor das emendas individuais ao Orçamento. poderia estar mais acelerada, mas esbarrou na burocracia. Vamos empenhar as emendas respeitando o programa dos ministérios e todos serão contemplados, inclusive a oposição", concluiu o ministro de Lula.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Sem dúvida, este governo continua espalhando corrupção, incompetência, irresponsabilidade, omissão, negligência, tudo para ver implantado seu colossal projeto de poder. E eles não vão sossegar enquanto não conseguirem instalar o estado mais caótico do planeta.

***** Petista critica omissão de Lula para solucionar crise aérea

O petista Marco Maia (RS), relator da CPI do Apagão Aéreo na Câmara, cobrou do governo federal uma posição em relação ao acidente com o vôo 3054 da TAM. Maia quer que Lula tome decisões pontuais, incluindo a demissão dos responsáveis pelo agravamento da crise aérea.

"É uma responsabilidade que tem de ser tomada pelo chefe do Executivo. Essa é uma posição que está se consolidando cada vez mais aqui na Câmara", afirmou Maia. "O presidente da República tem de refletir sobre todas as possibilidades [inclusive pensar em demissões]. Não cabe à CPI dizer quem deve ser demitido", declarou.

Maia disse que a sociedade espera uma resposta rápida e objetiva do governo. "Não existe mais justificativa nenhuma para inoperância nesta área". Ele ainda afirmou que a CPI vai investigar o caso. Segundo o petista, dois parlamentares devem ser designados para acompanhara a perícia nas caixas pretas do Airbus.

***** OAB-RJ: Tragédia pode ser conseqüência de loteamento de cargos

O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Rio Janeiro, Wadih Damous, afirmou que o acidente com o vôo 3054 da TAM pode ser uma conseqüência da política do governo Lula de "loteamento de cargos" em órgãos federais, como a Infraero, e da má gestão decorrente dessa realidade. "A partir do momento em que não se adotam critérios técnicos e objetivos de competência para o preenchimento de determinados cargos, isso pode acontecer. A Infraero é parte desse loteamento", disse Damous.

O presidente da OAB carioca defendeu que o governo demita as pessoas que foram indicadas politicamente cargos no setor aéreo e que as substitua por pessoas com competência no ramo. "É preciso que o preenchimento desses cargos se dê conforme o critério técnico e da competência, ou seja, que haja uma mudança radical na administração dos serviços aéreos no Brasil. Se isso não ocorrer no curtíssimo prazo, tragédias como essa que envolveu o vôo da TAM podem se repetir", reiterou o presidente da OAB-RJ.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Não só “pode” como é “mesmo”. Aliás, toda a corrupção e incompetência do governo Lula, em quantidade jamais vista neste país, deriva desta promiscuidade de loteamento e compadrio. A irresponsabilidade dos ocupantes também deriva do fato de que os cargos estão ocupados, mas o país permanece sem governo.

***** Especialistas falam em seqüência de falhas
Marcelo Ambrosio

A imagem do pouso do Airbus 320 é um divisor de águas na investigação do acidente em Congonhas. Na internet, fóruns de especialistas e pilotos avaliam todos os fatores, incluindo o funcionamento dos reversos - o esquerdo funcionava como mostra a imagem. O direito, não.

Como as tragédias são um conjunto de fatores: uma pista excessivamente emborrachada, lisa e sem aderência, pouso sob chuva, um início de aquaplanagem, um reverso apenas funcionando, a decisão da arremetida, a reação do gerenciamento ao proteger os motores de um comando acionado de forma abrupta, a falta de sustentação e o peso do avião lotado e com duas toneladas abaixo do máximo de 64, 2 t.

A discussão também gira em torno do comando do Airbus, no qual o piloto gerencia um computador, que controla a aeronave. Uma das funções desse sistema é, justamente, a de evitar que o acionamento de forma brusca - e fora dos parâmetros estabelecidos - comprometa a integridade. A reação do piloto, ao tentar a arremetida, teria sido interpretada como anômala pelo computador, que gastou segundos preciosos até reconfigurar os padrões. Um indício seria a chama notada segundos antes de o jato sair da pista: segundo um especialista, seria a queima do combustível jogado a mais justamente para garantir a potência necessária à manobra.

***** Governo vai multiplicar por 10 verba de centrais sindicais
De Carlos Marchi em O Estado de S. Paulo

Entidades terão R$ 124 milhões por ano à disposição, prevê projeto

"As centrais sindicais acertaram no milhar: graças a um projeto de medida provisória já negociado por governos e líderes sindicais, elas serão legalizadas e receberão 10% do bolo da contribuição sindical, que arrecada um dia de trabalho de todos os empregados registrados do País. De janeiro a maio de 2006, a contribuição sindical recolheu R$ 1,24 bilhão, segundo o Ministério do Trabalho. Feita a conta a partir desse valor parcial, R$ 124 milhões estariam à disposição das centrais no ano. A medida significará forte impacto sobre a estrutura sindical brasileira e já provoca uma rearrumação entre as centrais".

***** Chávez avança na intenção de criar partido único

Seis milhões de simpatizante do presidente venezuelano Hugo Chávez assinaram fichas de filiação do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela). Boa parte do parlamento venezuelano, formado amplamente por governistas de diferentes partidos, deve aderir à nova sigla.

Muitos críticos do governo manifestaram preocupação, julgando uma ameaça à pluralidade. Os organizadores do novo partidos acreditam que a sigla será eficaz para a construção do socialismo. O ditador Chávez resumiu: "A revolução socialista começou."

***** Governo Lula "afrouxa" critério de obras prioritárias

De acordo com reportagem do jornal Folha de São Paulo, o governo federal "afrouxou" o critério de obras prioritárias no Orçamento para encaixar investimentos em habitação e saneamento previstos pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

A seleção das obras deixou de ser feita apenas com critérios econômicos objetivos e incluiu considerações sócio-econômicas. Segundo técnicos que trabalham na seleção das obras, a comissão interministerial que avalia os projetos levou em conta estudos econômicos no caso de setores como transportes, metrôs e ferrovias, mas não nos casos de saneamento e habitação.Na lista das obras que receberão parte dos R$ 11,3 bilhões em 2007, há cerca de R$ 2,5 bilhões em obras de saneamento e habitação, comandadas pelo Ministério das Cidades.