Adelson Elias Vasconcellos
A censura, além de execrável forma de calar a voz dos críticos, é inconstitucional. Apesar disto, alguns “juízes” parecem ignorar o texto constitucional, e este é o caso de alguém que, no TSE, resolveu aplicar uma “dura” na lei. É lamentável. Isto em nada engrandece o país, tão pouco eleva o debate político tão necessário quanto ausente no Brasil dos dias atuais.
Mas não apenas algumas alas do judiciário resolveram empobrecer a democracia do país com liminares acolhendo a censura mas, também, criticar o poder central, seus membros dirigentes, e o bando de parasitas que circula entre eles, é um pecado a ser evitado a qualquer custo. Ora, se indaga se uma opinião sobre o cenário eleitoral do país é capaz de mudar este cenário. Ou, por outra, se cassar e calar a voz de quem analisa este cenário é capaz de alterar sua essência.
O blog foi, quiçá, um dos primeiros espaços a qualificar o governo da senhora Rousseff de medíocre. Digamos que alguém achasse isto ofensivo e mandasse o blog retirar o comentário do ar. Isto faria o governo desta senhora ser melhor ou pior? Não, em absoluto, ele continuaria tão medíocre como sempre foi. Assim, esta ação babaca de se pretender calar a opinião de consultorias privadas, que não dependem do ervanário oficial para sobreviver – porque trabalham -, goste ou não o juiz que determinou a retirada das páginas na internet que publicaram-nas, é golpe contra a democracia e o direito da livre manifestação, garantido na carta magna do país. Ou será que qualquer pilantra que não gostar da opinião sobre o governo, vai se achar no direito de cassar o direito sagrado da livre manifestação. É, sim, uma forma autoritária de poder, porque o poder não é apenas exercido pelo Executivo Federal, também o é pelo Judiciário, tanto quanto pelo Legislativo. Da forma como se procede, fica-nos o direito de pensar ou que a decisão foi fruto de retribuição na prestação de algum favor, ou por absoluta simpatia ideológica com o partido no poder. Nada, além disto, explica melhor este verdadeiro golpe à uma garantia legal.
E, é exatamente para evitar estes golpismos indecentes, que os eleitores precisam retirar, em outubro próximo o PT do poder. Há muito de retrocesso institucional em marcha, e muitos outros há prontos e desenhados para serem impostos ao país. Estes profanadores da democracia, que detestam-na por ela não lhes permitir o vale tudo político, e porque ela cria condições para a alternância no poder, precisam ser expurgados da vida política brasileira. São traidores da pátria, são malfeitores do povo, são demônios que depravam e degradam a liberdade. Jamais levantaram sua voz durante a ditadura, jamais ofereceram alguma forma de resistência contra o regime totalitário. São amantes de outras tantas ditaduras espalhadas pelo mundo, e que ajudam a financiar desviando dinheiro do povo brasileiro para enriquecer os totalitários que oprimem seus povos. Ou alguma vez o leitor leu alguma crítica de algum petista, seja ele cacique ou militante, ao regime de Cuba? Ou ao que acontece na Venezuela bolivariana?
Em 2002, já publicamos aqui, o mesmo Banco Santander que enviou uma análise a alguns de seus clientes, também fez a mesma crítica ao governo de então, de Fernando Henrique Cardoso, e se desconhece que o ex-presidente tenha pedido a Justiça que se decretasse censura e se demitisse os funcionários por aquele texto. Aliás, bem que a senhora Rousseff, juntamente com a turma do PT, poderiam esclarecer ao distinto público, qual lei o texto do Banco Santander infringiu? Dizer que se tratou de “uma interferência” não significa zorra nenhuma. Em 2010, e a pedido do PT, rolaram na rede muitos textos relatando sobre o “risco Serra”. Também naquele momento, não se soube de que Serra ou alguém de seu partido tenha pedido por censura.
E o arquivo do blog está cheio de textos a comprovarem duas coisas: que a política econômica do governo Dilma é e tem sido danosa para o país. E que a presidente não tem a menor competência para, com os rumos dados por seu governo, revigorar o crescimento brasileiro. É péssima gestora, incompetente e arrogante demais para conhecer os caminhos para tanto.
Basta recuperar as críticas que fizemos à intervenção descabida e desastrosa no setor elétrico; o excesso de incentivos à indústria automobilística dando prioridade ao transporte individual em detrimento do coletivo – razão para a loucura que se transformou o trânsito dos grandes centros; os bilhões repassados ao BNDES para impulsionar o crescimento – foram mais de 300 bilhões de reais – sem resultados; a deterioração dos serviços públicos; a mistificação do legado da copa, que deixa dívidas, elefantes brancos e dezenas de obras inacabadas; a queda vertiginosa da balança comercial – hoje negativa; o aumento crescente do déficit nas contas correntes; o aumento da dívida pública em níveis preocupantes; queda da arrecadação em detrimento do aumentos de gastos; os entraves já conhecidos que dificultam o ambiente de negócios no país e que nos leva a ver redução de investimentos. o baixo crescimento, maldosamente combinado com juros e inflação alta. Gostem ou não, mas esta herança maldita vai consumir meio mandato do eleito em outubro, para corrigir a rota. Dai porque as consultorias , em sua maioria, preveem que uma possível reeleição da senhora Rousseff poderá ser danosa para a economia brasileira. .
Aliás, nem precisa haver reeleição de Dilma para a situação econômica do país deteriorar-se. Seu primeiro mandato já fala por si.
E quando chegarem os debates na tevê, ministro Admar Gonzaga, vossa excelência também decretará censura aos candidatos de oposição que ficarão impedidos de falarem da ruindade do governo Dilma? Serão tolhidos no seu direito de expressar apreensão pela reeleição da atual presidente e as consequências danosas para a economia e desenvolvimento do país?
Ter um juiz no TSE jogando contra a democracia, apenas para proteger seus padrinhos no poder, além de vergonhoso, é preocupante. Nosso país não pode admitir este tipo de retrocesso. É preciso que o povo dê sua resposta e faça a devida higienização da política nacional no próximo pleito. E um recado ao juiz do TSE amante da censura: calar a voz dos críticos só tornará este governo defendido por vossa excelência mais medíocre e ridículo ainda. Porque, além da internet, há outros meios de comunicação possíveis de serem usados para melhor informar o eleitor brasileiro. E uma pergunta final: a censura idolatrada por vossa excelência tornou a economia menos ruim do que ela já está? Creio que em suas idas ao supermercado vossa excelência encontrará as respostas.
É inadmissível num país democrático, um juiz eleitoral achar-se no direito de cassar a palavra de um analista de mercado financeiro sobre os cenários da realidade. Se este cenário é ruim, a culpa não é do analista que o revela, e sim de quem, tendo a responsabilidade de governar, permitiu que a situação chegasse a tal ponto. É o mesmo que querer matar o mensageiro.
Nem parte do Judiciário, nem a senhora Rousseff, tampouco a tropa toda do PT entenderam ainda que vivem num país democrático. Não por outra razão, são adoradores de um totalitarismo rombudo e retrógrado.
Cardozo explica mas não justifica
Na semana passada, já se informava que ninguém menos do que o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, intercedeu nos Estados Unidos em favor do procurado pela Interpol, Paulo Maluff, que diz ser petista desde criancinha. O ministro desejava que o nome do deputado fosse retirado da lista de “procurados”. Então, tá...
Hoje, a Folha de São Paulo nos informa mais uma proeza do ministro Cardozo, a de que ele teria pressionado o TCU para adiar o julgamento do relatório sobre a fantástica compra da Refinaria de Pasadena. Como Lula já pressionara José Múcio, que fora seu ministro, hoje no TCU, para que embromasse a votação do relatório, correndo promessa até de vaga no STF.
Cardozo tentou enrolar com a explicação de que se tratava de “atividade ordinária do ministério”. Ok, vamos supor que “acompanhar” processos que digam respeito à União e estatais seja uma de suas atribuições. Porém, o que o ministro praticou foi um vergonhoso tráfico de influência, tentando barrar e adiar a votação de um relatório sobre uma atividade da Petrobrás. Ministro, entre acompanhar processos e pedir para adiar julgamentos há uma enorme e quilométrica diferença...








