terça-feira, julho 29, 2014

Dilma admite efeitos de crise financeira: 'Todos nós erramos'. “Nós” quem, cara pálida?

Gabriel Castro
Veja online

Em sabatina, presidente-candidata culpou cenário internacional por desempenho fraco da economia brasileira. Ela também disse que houve "dois pesos e 19 medidas" no caso do mensalão

(Pedro Ladeira/Folhapress) 
MAROLINHA – A presidente-candidata Dilma Rousseff
 em sabatina UOL/Folha/SBT/Jovem Pan: 
"Minimizamos os efeitos da crise sobre a economia brasileira" 

A presidente-candidata Dilma Rousseff admitiu nesta segunda-feira que o Brasil sofre os efeitos da crise financeira internacional e afirmou que a avaliação do então presidente Lula, que se referiu à turbulência como "marolinha", foi equivocada. "Todos nós erramos, sabe por quê? Porque a gente não tinha ideia do grau de descontrole que o sistema financeiro internacional tinha atingido", disse ela. Dilma participou de sabatina promovida pela Folha de S. Paulo, peloUOL, SBT e pela rádio Jovem Pan.

"Nós minimizamos os efeitos da crise sobre a economia brasileira", disse a presidente, quando tentava explicar os números acanhados do crescimento econômico em seu governo. Ela também afirmou que "nenhum país se recuperou" até agora.

Mensalão – 
Durante a sabatina, que durou cerca de uma hora e meia, Dilma também respondeu sobre o episódio do mensalão e, apesar de dizer que não comenta decisões judiciais, afirmou que falta critério à Justiça. "Nessa história da relação com o PT, tem dois pesos e umas dezenove medidas, porque o mensalão foi investigado, agora o mensalão mineiro, não", afirmou ela, esquecendo-se que o valerioduto mineiro foi investigado, porém ainda não foi julgado porque o processo mudou de instância no Judiciário. "No nosso caso, tomamos todas as providências. Nós não tivemos nenhum processo de interromper a Justiça, não pressionamos juiz, não falamos com procurador, não engavetamos processo", continuou.

Ainda falando sobre corrupção, Dilma admitiu que, para atender a um pedido do PR, trocou o ministro dos Transportes, César Borges, por Paulo Sérgio Passos – que ela havia demitido do mesmo ministério em 2011, em meio a denúncias de desvio de recursos.  Dilma negou, entretanto, que o episódio tenha caracterizado chantagem em troca do apoio do PR nas eleições – e dos minutos do partido na propaganda eleitoral na TV. "Eu me sentiria chantageada se eu colocasse no Ministério dos Transportes uma pessoa na qual eu não confio e que não conheço", disse.

A petista também se enrolou ao comentar por que voltou a se aliar a Carlos Lupi, demitido do cargo de ministro do Trabalho após recomendação do Comitê de Ética Pública da própria Presidência. "Não vou concordar em chamar o ex-ministro Lupi de um cara que fez malfeitos. O ministério pode ter cometido falhas administrativas que vários ministérios (sic), nem um, nem dois, nem três...", declarou, sem completar a frase.

No final, Dilma cometeu uma gafe e tentou corrigi-la a tempo: tentando explicar a mania de guardar dinheiro vivo em casa (152.000 reais, segundo a declaração entregue ao Tribunal Superior Eleitoral). Ela lembrou os tempos em que foi perseguida pela ditadura, mas não conseguiu apresentar uma explicação convincente: "Tenho essa mania com esses meus 150.000 reais que não vou mudar". Um dos entrevistadores afirmou que, se investisse esse montante na poupança, Dilma ganharia pelo menos 10.000 reais por ano. Dilma respondeu: "O que que é 10.000?". Segundos depois, ela percebeu o potencial negativo da frase e emendou: "Eu acho que 10.000 são muito, eu não jogo fora nenhum dinheiro".

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:

Criou-se um mito no nosso país, de que o povo brasileiro tem memória curta. Bem, talvez, grande parte deste povo, que só conhece noticiário pela tevê, pouco lê, isto quando “sabem” ler, porém, tem  muita gente por aí que cultiva boa memória. Em parte, até me orgulho da minha. E tenho viva a lembrança de que, no auge da crise financeira de 2009, o senhor Luis Inácio, o ex-presidente em exercício, cantou as glórias de seu governo e afirmou para o mundo inteiro de que a crise, no Brasil, não passaria de uma marolinha.

Ah, estes glutões de língua solta, como o tempo os faz cínicos e hipócritas, sem falar da sua memória que se apaga como por encanto, diante do fato que contesta suas “verdades”. 

Durante todo o restante do seu mandato, Lula dedicou-se a eleger Dilma como prioridade máxima, e a criar medidas após medidas para contornar os efeitos da marolinha. A grosso modo, tais medidas até que produziram seus efeitos positivos, muito embora a conjuntura interna propiciaram para tais resultados acontecerem. 

A partir de janeiro de 2011, outra copisa não se ouviu do governo petista, a não se escorar na tal “crise internacional’ para justificar seus fracassos. Há algumas semanas atrás, de centésima vez, a senhora Rousseff justificou os tropeços e os maus indicadores como frutos da “crise internacional”, muito embora países que mergulharam fundo na crise, há a tenham superado.  Mesmo outros emergentes, tão ou mais afetados pela crise de 2009, também superaram suas dificuldades e hoje crescem mais e com maior dinamismo do que o Brasil. 

Assim, quem errou não foram os analistas, e sim o próprio governo petista que, num primeiro momento desdenhou da própria crise, esquecendo que ela afetaria o crédito externo, do qual somos grandes dependentes, e a redução no comércio de commodities do qual somos grandes exportadores. 

Depois, errou em tentar repetir a fórmula superada pelos fatos.Errou ao apostar excessivamente no mercado interno, limitado que é pela renda média dos brasileiras, ainda baixa. Errou em insistir na concessão de incentivos para determinados ramos industriais, quando já se verificava redução de consumo por parte das famílias. Errou em não promover as reformas estruturais para revigorar não apenas a indústria mas a economia de um modo geral. Em suma, errou em não ter percebido que o modelo havia se esgotado e era preciso criar novos caminhos. 

Portanto, senhora Rousseff, não venha imputar e transferir a terceiros as culpas que pertencem exclusivamente a seu governo, pelo muito de improviso, de feitiçarias e intervencionismo exacerbado. Saiba assumir sua responsabilidade, (se é que consegue saber o que é isto).

Abaixo, o vídeo do jornalista Josias de Souza sobre a as declarações da senhora Rousseff na sabatina feita pela Folha. Como se perceberá, a senhora Rousseff ainda mora e vive numa fantasia criada pelo seu ego, mas que nada tem a ver com a realidade do pais que imagina governar. 

Falta à retórica de Dilma uma dose de autocrítica