quinta-feira, abril 09, 2020

Do nipah ao coronavírus: destruição da natureza expõe ser humano a doenças do mundo animal

Juliana Gragnani - @julianagragnani
Da BBC News Brasil em Londres


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Alta densidade de humanos em cidades e degradação de habitat 
de animais provocam a emergência de mais epidemias

Em 1998, morcegos na Malásia começaram a migrar em busca de alimento. Desmatamento na região para abrir espaço para agricultura e pecuária havia eliminado suas fontes de comida.

Estabeleceram-se em uma nova região onde havia produção de mangas ao lado de criações de porcos e passaram a se alimentar das frutas. Parcialmente comidas, elas caíam em cima dos porcos, que as comiam também.

Vírus carregados por morcegos muitas vezes não causam doenças neles. Em outros animais, contudo, esses vírus podem causar patologias graves.

E foi assim que um vírus saiu do morcego, pulou para porcos, onde passou por uma mutação que o deixou mais perigoso para seres humanos. Depois, espalhou entre os porcos, vendidos entre fazendeiros, e finalmente pulou para pessoas.

Chamado de "vírus Nipah", por causa de um vilarejo na Malásia, desde 1998 este vírus já infectou centenas de pessoas na Malásia, Cingapura, Bangladesh e Índia, com alta taxa de letalidade.

É um exemplo de como a interferência do ser humano no meio-ambiente dá meia-volta e nos devolve doenças infecciosas, algo que cientistas apontam ser um problema recorrente e cada vez maior.

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O morcego-de-ferradura-grande chinês (Rhinolophus ferrumequinum)
 é considerado o principal suspeito de ser a origem do surto de coronavírus


Coronavírus

Ainda não há conclusões sobre como o novo coronavírus pulou de animais para seres humanos. Uma das hipóteses é que tenha sido em um mercado de alimentos em Wuhan, na China, o que fez com que muitos defendessem o fechamento de mercados do tipo, com venda de animais vivos e silvestres. Há outras hipóteses correntes.

"Nós estamos negligenciando o cenário maior", diz à BBC News Brasil o ecologista especializado em doenças Richard Ostfeld, do Cary Institute of Ecosystem Studies, nos Estados Unidos.

"Tivemos alguns exemplos de surgimento de doenças nesses mercados com animais selvagens, como a Sars. E é importante entender que essas atividades humanas de agrupamentos estranhos de espécies que nunca ocorrem juntas na natureza influenciam esses eventos. Mas há outras maneiras pelas quais nossas atividades humanas podem facilitar o surgimento ou transmissão de doenças, como o desmatamento, a abertura de terra para agricultura, entre outros. Isso não pode ser esquecido."

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Essa é a aparência do coronavírus, de acordo com esta ilustração criada 
pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos

Como isso acontece?

Bom, vamos voltar ao começo de tudo. Esta doença com que estamos lidando agora é uma zoonose, uma doença infecciosa transmitida de animais para seres humanos.

Isso pode acontecer diretamente, quando um vírus "pula" de uma espécie para outra - no chamado efeito "spillover" (transbordamento) -, ou então por meio de um animal intermediário.

É bastante provável que os animais hospedeiros, que originalmente carregavam este novo coronavírus, tenham sido os morcegos. Não sabemos se houve animal intermediário ou não.

Os morcegos também foram os hospedeiros originais de outros vírus que causaram doenças em seres humanos nos últimos anos, como a Sars, o Ebola, a Mers e o vírus Nipah.

"O efeito 'spillover' [de transbordamento] requer duas coisas: primeiro, exposição. O morcego, por exemplo, solta um pedaço de fruta que já mordeu. Deixa ali sua saliva com o vírus, e outro animal come essa fruta. A segunda coisa é a capacidade do patógeno (organismo capaz de produzir doenças infecciosas a seus hospedeiros) de persistir no sistema da nova espécie. É preciso haver exposição e compatibilidade", explica à BBC News Brasil o ecologista especializado em doenças Thomas Gillespie, da Emory University, dos EUA.

Quando estávamos no processo de domesticar animais, há milhares de anos, também nos expusemos a novos patógenos, explica ele. O sarampo, por exemplo, veio da interação dos humanos com rebanhos de gado. A tuberculose, por sua vez, já foi transmitida por meio do leite não pasteurizado de vacas.

Agora, estamos entrando mais em contato com patógenos de animais silvestres quando alteramos seu habitat, e em um contexto pior para nós: a densidade populacional dos seres humanos é muito mais alta, e estamos muito mais conectados, o que favorece o espalhamento da doença.

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Os morcegos são a origem de muitos vírus


Nosso papel

Quando destruímos uma floresta para abrir terras para agricultura ou pasto para pecuária, quando fazemos mineração, construímos barragens ou derrubamos árvores, eliminamos a biodiversidade ao tirar o espaço de alguns animais e criar condições para a proliferação de outros, segundo Ostfeld, do Cary Institute of Ecosystem Studies.

Acontece o seguinte: espécies maiores e mais carnívoras e predatórias que normalmente estão na região em menor densidade, precisam de mais espaço e são sensíveis a terem seus habitats diminuídos e removidos, deixam uma região quando os seres humanos interferem com suas construções, quaisquer que sejam.

Então, populações de animais menores, pragas que prosperam quando o habitat é degradado e quando animais maiores e predatórios vão embora, proliferam na região, atingindo altas densidades. São espécies como alguns tipos de morcegos, ratos e ratazanas, por exemplo, alguns dos mais relevantes para o pulo de doenças entre espécies.

"São os roedores e morcegos que ocupam nossas casas, moradias, fazendas. Eles tendem a hospedar mais patógenos danosos e a tirar vantagem dos habitats que destruímos e os que artificialmente criamos", diz Ostfeld.

Além disso, observa a ecologista Felicia Keesing, do Bard College, no Estado de Nova York, não só convertemos habitats selvagens em áreas para agricultura para criar animais domesticados, erodindo a biodiversidade, como também criamos uma situação de alta densidade populacional de um animal domesticado e o colocamos ao lado das espécies com maior número de patógenos. Como aconteceu com os morcegos e os porcos na Malásia, por exemplo.

Aaron Bernstein, do Centro para Clima, Saúde e Meio-Ambiente da Universidade de Harvard, propõe o seguinte cenário: "Imagine que alguém chega do exterior para o Brasil e essa pessoa está com uma tosse, febre, um ferimento esquisito. Você isola essa pessoa e lhe dá o melhor tratamento médico, certo?"

"Pois bem, veja o que estamos fazendo na Terra: estamos drasticamente reduzindo o habitat para as espécies, fazendo com que seja fácil que elas se espalhem. Estamos fazendo o contrário que faríamos com uma pessoa doente: um animal que pode estar carregando um patógeno está sendo forçado a conviver com outros, aumentando a presença de patógenos em populações selvagens e aproximando essas populações aos humanos", diz ele à BBC News Brasil.

Keesing aponta outra maneira pela qual a ação humana contribui para o surgimento de doenças. "Alguns fazendeiros dão antibióticos para os animais que criam, uma medida para eliminar bactérias que possam afetá-los. Ao fazer isso, estamos criando uma seleção natural, selecionando as bactérias mais fortes que vão prosperar no animal e ter muitos outros animais para onde se espalhar, por causa da alta densidade", explica ela. "E, assim, essas bactérias bastante fortes podem pular para nós." 

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Animais de criação podem ser fontes de superbactérias quando
 são tratados com antibióticos, defendem alguns especialistas

Questionado sobre o papel da agropecuária na emergência de doenças, o especialista em comércio internacional e coordenador do Insper Agro Global, Marcos Jank, diz que é "exatamente o contrário".
"É a agricultura mais moderna, com controle sanitário, alimentação controlada e uso de medicamentos que evitou que a gente tivesse mais pandemias."

O processo de mecanização e modernização fez aumentar a produtividade, diz ele, além de melhorar a sanidade e nutrição dos rebanhos. "A modernização agrícola foi justamente para evitar contaminações e melhorar a genética dos animais", afirma.

Sobre o desmatamento para abrir espaço para pecuária e agricultura, Jank e Janice Zanella, veterinária e chefe-geral da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Suínos e Aves, dizem concordar que a modernização do setor deixou as terras mais produtivas, o que faz com que menos terras sejam desmatadas para abrir pasto.

Em cinco décadas, diz Zanella, o Brasil, por exemplo, teve incremento de cinco vezes na produção de grãos, com aumento de só duas vezes na área plantada. Assim, "isso diminui a pressão de desmatamento", diz Jank. "O que não quer dizer que não aconteça."

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Coronavírus visto em microscópio; ainda não se sabe qual é a origem do vírus

Mudanças climáticas

As mudanças climáticas, causada pelos humanos, também exercem seu papel no surgimento de novas doenças, segundo cientistas.

Gillespie exemplifica: por causa delas, muitas árvores mudaram os padrões de quando dão frutas. Isso fez com que alguns animais buscassem as mesmas árvores para se alimentar, já que não podiam contar com as árvores de antigamente.

"Imagine que morcegos, chimpanzés e gorilas procurem a mesma árvore para se alimentar, quando isso não era o normal, ou não deveria acontecer", diz ele. Podem comer da mesma fruta, trocando fluidos. "E depois, as pessoas caçam chimpanzés", diz ele - o processo é um caminho para o "pulo" de um vírus entre espécies.

"Sabemos muito pouco sobre o papel das mudanças climáticas e da redução da biodiversidade na emergência de doenças. Mas o pouco que sabemos é bastante significativo, e seria inteligente se fizéssemos todo o possível para barrar e destruição da vida na Terra e estabilizar o clima", diz Bernstein, de Harvard.

"Se mais doenças estão surgindo por causa desses fatores, não queremos esperar para ver. Já estamos atrasados."

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Autoridades governamentais apreendem animais em mercado
 em Xinyuan para prevenir a dispersão do Sars em 2004

Soluções

Se sabemos, então, que nosso comportamento pode provocar a emergência de mais doenças e, possivelmente, mais pandemias, o que devemos fazer?

"Podemos nos preparar melhor nas respostas para epidemias, comprando mais respiradores, preparando nosso sistema de saúde. Mas não estaremos solucionando a causa disso tudo", afirma Keesing. Primeiro, diz ela, é preciso regular mercados com vendas de animais selvagens e a produção de carne com alta densidade de animais.

Já que banir mercados pode levar a mercados ilegais, ela sugere criar incentivos para as pessoas fazerem as coisas de forma diferente, dentro das normas e com higiene.

O antropólogo Lyle Fearnley, da Universidade de Cingapura, passou dois anos em uma região rural da China investigando a criação de animais selvagens.

Ele diz que a melhor forma é tentar reinventar a forma como esses mercados funcionam. "Fechar o mercado uma vez por semana para limpeza e exigir que espécies diferentes fiquem separadas e em locais diferentes pode diminuir as possibilidades de circulação de vírus", sugere.

Ele também aponta que há muito preconceito em relação aos mercados, chamados de "wet market" (mercado molhado), em inglês. "Não existe esse termo em mandarim. Há uma série de mercados diferentes com uma grande variedade do que é vendido. A grande maioria desses mercados não vende animais selvagens vivos ou apresenta riscos", diz.

"As pessoas têm medo e preconceito porque não conhecem essas feiras. Além disso, elas são minoritárias, então não podemos generalizar."

Keesing destaca que também "precisamos levar a conservação da biodiversidade muito mais a sério". "Muitos países preservam 11%, 12% de seus territórios. Isso não é nem perto do que precisamos de diversidade."

Gillespie, da Emory University, diz que precisamos incluir a avaliação do risco de "spillover events", os eventos que promovem o "pulo" do vírus de uma espécie para a outra, no momento de decidir sobre o uso de terra em larga escala.

"Nós não deveríamos subsidiar indústrias que provocarão resultados como esses, especialmente em áreas selvagens na região dos trópicos, onde o risco é mais elevado", afirma.

"A ciência está nos dizendo que devemos reavaliar nosso relacionamento com a natureza."

Por que os morcegos, considerados possível fonte do coronavírus, transmitem tantas doenças

Redação
BBC News Mundo

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O morcego-de-ferradura-grande chinês (Rhinolophus ferrumequinum)
 é considerado o principal suspeito de ser a origem do surto de coronavírus

Embora ainda não se saiba ao certo qual animal é o vetor do surto de coronavírus que surgiu na cidade chinesa de Wuhan e já infectou mais de 25 mil pessoas em todo o mundo, todos os olhos estão voltados para o morcego. Mais recentemente, o pangolin, animal semelhante ao tatu, também chegou a ser apontado como vetor inicial do surto, mas, por serem notoriamente portadores de vários tipos de doenças, os morcegos continuam listados entre as grandes possibilidades.

Esses animais - os únicos mamíferos capazes de voar - já haviam sido a origem de outras epidemias de coronavírus.

No início deste século, eles foram a causa da transmissão da síndrome respiratória aguda grave, mais conhecida como Sars, que infectou mais de 8 mil pessoas, das quais cerca de 800 morreram.

Em meados da década de 2010, os morcegos foram a origem de outra doença respiratória semelhante à Sars: a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers), que afetou menos pessoas (cerca de 2,5 mil), mas foi mais letal, causando a morte de mais de 850 pessoas.

Quanto a este novo coronavírus - formalmente chamado 2019-nCoV e agora batizado de covid-19 -, as autoridades chinesas acreditam que ele se originou em um mercado de Wuhan que vendia frutos do mar e carne de animais selvagens, incluindo morcegos e víboras.

Originalmente, pensava-se que as últimas poderiam ser vetores, mas os estudos genéticos descartaram isso.

Além disso, um grupo de cientistas chineses revelou que o 2019-nCoV é quase idêntico aos outros coronavírus transmitidos por morcegos.

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Essa é a aparência do coronavírus, de acordo com esta ilustração criada pelo 
Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos

E, no final de janeiro, o jornal americano The New York Times publicou um relatório sugerindo que o morcego-de-ferradura-grande chinês (Rhinolophus ferrumequinum) poderia ser o principal culpado.

O artigo, escrito pelo jornalista científico James Gorman, destaca que os morcegos são capazes de conviver com vários vírus, sem adoecer. E não apenas o coronavírus.


Transmissor

Os morcegos não apenas transmitem diferentes cepas de coronavírus, um patógeno que em humanos pode causar inflamação pulmonar grave e febre.

Eles também são um reservatório natural de outros vírus, como raiva e Marburg, Nipah e Hendra, que geraram surtos na África, Malásia, Bangladesh e Austrália.

Os cientistas que estudam o processo evolutivo do ebola também acreditam que a doença poderia ter sido originada nesses mamíferos.

Embora não sejam os únicos animais portadores de doenças com potencial de serem transmitidas aos seres humanos - roedores, primatas e aves também são vetores conhecidos - os morcegos costumam causar mais problemas do que outros.

Isso não é realmente sua culpa, alertam os naturalistas. As transmissões geralmente ocorrem quando o ser humano invade os espaços onde habitam, algo cada vez mais frequente à medida que a população aumenta e os espaços naturais são urbanizados.

Também acontece quando esses animais são caçados, para comer ou para serem comercializados, como parece ter acontecido em Wuhan.

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Comer morcegos - como acontece em vários países - é muito perigoso


Perigo

No entanto, o que torna os morcegos particularmente perigosos é sua tolerância a vírus, que excede a de outros mamíferos.

O perigo também é grande pelo fato de serem uma espécie tão numerosa: representam cerca de um quarto de todo os mamíferos existentes. Somente os roedores - que têm uma população com quase o dobro do tamanho - excedem os morcegos em número de indivíduos.

E eles estão por toda parte. O único continente que não tem morcegos é a Antártica.

Além disso, o fato de voarem ajuda a espalhar doenças, principalmente por meio de vírus nas fezes.

Mas por que esses animais são invadidos por patógenos, os organismos capazes de causar doenças?

A resposta parece estar na dieta deles, que consiste em insetos transmissores de doenças.

Tolerância

Quanto à sua capacidade de sobreviver apesar de portar vários vírus, os cientistas continuam a estudar o tema, mas acreditam que encontraram uma possível explicação.

"Pesquisas recentes sugerem que a resposta pode estar na maneira pela qual as adaptações evolutivas dos morcegos, que lhes permitem voar, modificaram seu sistema imunológico", escreve Gorman.

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O sistema imunológico dos morcegos teria sido adaptado 
para permitir que eles voassem, acreditam os especialistas

A teoria (proposta por cientistas da China e de Cingapura em 2018) é a de que para a geração de energia suficiente para alçarem voo, as células dos morcegos se rompem e liberam fragmentos de DNA.

Normalmente, o sistema imunológico de um mamífero responde a esses fragmentos como se fossem um organismo invasor e os destrói.

Mas os morcegos parecem ter desenvolvido uma adaptação que modifica a resposta imune de seu organismo, fazendo com que não ataquem esses fragmentos não identificados.

Essa modificação faria seu sistema imunológico agir "efetivamente, mas não de maneira exagerada" na presença de um vírus.


Em alerta

A resistência dos morcegos aos vírus e o fato de existirem em grande número colocam esses animais na mira dos cientistas há anos.

Em 2017, a EcoHealth Alliance, que está na China há uma década e meia estudando doenças que passam de animais para humanos (conhecidas como zoonoses), publicou um relatório na revista Nature alertando sobre os riscos.

"Os morcegos são hospedeiros de uma proporção muito maior de zoonoses em comparação com outros mamíferos", escreveram especialistas da ONG.

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Os morcegos são os mamíferos mais numerosos, depois dos roedores

No início de 2019, um grupo de cientistas do Instituto Wuhan de Virologia e da Universidade da Academia Chinesa de Ciências, que estudaram coronavírus (CoV no jargão científico) em morcegos alertou diretamente que uma nova infecção era provável.

"Acredita-se que os CoVs originários de morcegos ressurgiram para causar o próximo surto da doença", previram os cientistas. "Nesse sentido, a China é um ponto provável", eles detalharam.

Apesar disso, muitos cientistas lembram que os morcegos desempenham um papel importante na natureza.

Eles são essenciais para a polinização de muitas frutas, como bananas, abacates e mangas, e também comem toneladas de insetos vetores de doenças.

Nesse sentido, Peter Daszak, presidente da EcoHealth Alliance, enfatizou que uma das medidas mais importantes que podem ser tomadas para evitar zoonoses é proibir o comércio de animais selvagens, como a China está fazendo temporariamente.



Áustria e Dinamarca são primeiros países da União Europeia a relaxar quarentena

Redação, O Estado de S.Paulo
Com The Washington Post

Governos decidiram afrouxar restrições aos poucos, com aval para abertura de pequenas lojas, mas veto a eventos públicos

  Foto: Leonhard Foeger/Reuters
Na Áustria, pequenas lojas estão programadas para reabrir
 no dia 13 – as maiores só vão funcionar a partir de 1.º de maio 

BRUXELAS - A Áustria e a Dinamarca se tornaram ontem os primeiros países europeus a anunciar planos de aliviar o confinamento. Os governos dos dois países avaliaram que já passaram pelo pior na primeira onda da pandemia. 

Bélgica, França e Espanha já estudam afrouxar algumas restrições à vida pública. No entanto, líderes europeus são cautelosos, pois alguns países que tentaram retomar a sua rotina, como Cingapura e Japão, viram novas ondas de infecções.

Austríacos e dinamarqueses planejam suspender as restrições em etapas. 

Na Áustria, pequenas lojas estão programadas para reabrir no dia 13 – as maiores só vão funcionar a partir de 1.º de maio. Restaurantes, hotéis e escolas reabrirão em meados do mês que vem, mas essa decisão ainda depende de uma avaliação que será feita no final de abril. Regras rígidas sobre máscaras, distanciamento social e número de pessoas autorizadas a entrar em uma loja a qualquer momento permanecerão em vigor. Já os eventos públicos poderão ser retomados só em julho. 

Na Dinamarca, o plano é reabrir as escolas de ensino fundamental e médio no dia 13, enquanto as empresas retomarão os negócios gradualmente. 

O chanceler austríaco, Sebastian Kurz, creditou a boa resposta do país à crise ao bloqueio nacional feito em 16 de março, antes de alguns de seus vizinhos. “Reagimos de forma mais rápida e restritiva do que em outros países e, portanto, fomos capazes de impedir que o pior acontecesse até agora”, disse. “A reação restritiva agora também nos dá a oportunidade de sair da crise mais rápido.”

A Áustria passou três dias consecutivos em que o número de recuperações de coronavírus excedeu o de novos casos. Na segunda-feira, 6, as autoridades austríacas relataram 241 novas infecções e 465 recuperações nas últimas 24 horas. A propagação mais lenta aliviou a pressão sobre o sistema médico e permitiu ao país pensar no fim do confinamento. 

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, adotou a cautela para falar sobre o fim dos bloqueios. “Se formos muito rápidos, as coisas podem dar errado. Portanto, devemos dar um passo cauteloso de cada vez.” Os controles de fronteira continuarão valendo e as reuniões com mais de 10 pessoas permanecerão proibidas. Se o número de infecções subir, o país restabelecerá as restrições. O país tem 187 mortes para 4,6 mil casos. 


Turquia proíbe venda de máscaras contra covid-19 e as distribuirá de graça

Redação, O Estado de S.Paulo
Com informações Agência EFE

Desde sábado, é obrigatório usar equipamento em qualquer área do país onde haja aglomerações de pessoas; país já contabiliza 649 mortes

  Foto: Sedat Suna/EFE/EPA
Uma mulher usa máscara de proteção enquanto caminha pela cidade
 de Istambul, na Turquia; país vai distribuir equipamento gratuitamente 

ISTAMBUL - A Turquia proibiu a venda de máscaras contra covid-19 e vai distribuí-las gratuitamente aos cidadãos do país, anunciou nesta segunda-feira o presidente Recep Tayyip Erdogan em discurso transmitido pela televisão em Istambul.

"É proibido vender máscaras a troco de dinheiro. Temos uma reserva de máscaras que será totalmente suficiente para os nossos cidadãos até o fim da pandemia. O Estado vai disponibilizar máscaras gratuitamente", afirmou Erdogan, que também explicou que o limite semanal de distribuição nas residências será de cinco máscaras por pessoa.

O presidente turco disse que está acompanhando a evolução da pandemia na Europa e nos Estados Unidos e voltou a acusar o Ocidente de ser responsável pela chegada do vírus à Turquia.

"Uma proporção significativa dos nossos pacientes com covid-19 e daqueles que lhes transmitiram tinha viajado à Europa ou aos EUA em uma altura em que estes países não tinham tomado precauções", criticou.

"Se estes países tivessem mostrado a mesma sensibilidade do que a gente desde o início, hoje estaríamos todos muito melhor", disse Erdogan.

Desde sábado, é obrigatório usar máscara em qualquer área do país onde haja aglomerações de pessoas, embora no primeiro dia o controle desta regra tenha sido bastante irregular, como a reportagem da Agência Efe pôde constatar.

Erdogan anunciou no discurso que em 45 dias estarão prontos dois hospitais de campanha, com mil camas cada, sendo um no antigo aeroporto Atatürk, em Istambul, e o outro em uma base aérea militar no lado asiático da cidade, onde também máscaras já começaram a ser distribuídas gratuitamente em ônibus.

Com 75 mortes registradas nas últimas 24 horas por covid-19, a Turquia contabiliza um total de 649. Outras 1.425 pessoas estão internadas em unidades de tratamento intensivo, de um total de 30 mil casos de infecção pelo novo coronavírus, segundo o Ministério da Saúde. 


Finlândia, ‘a nação nórdica mais preparada’, não está preocupada com máscaras

Christina Anderson e Henrik Pryser Libell / The New York Times, 
O Estado de S.Paulo

País mantém estoque invejável de equipamentos de proteção individual, considerado um dos melhores da Europa e construído ao longo de anos

  Foto: Markku Ulander via Reuters
Exército ajuda a controlar as estradas na Finlândia 
em meio à pandemia de coronavírus  

ESTOCOLMO – Enquanto alguns países lutam para encontrar equipamentos de proteção para combater a pandemia de coronavírus, a Finlândia mantém um estoque invejável de equipamentos de proteção individual, como máscaras cirúrgicas, ficando à frente dos vizinhos nórdicos menos preparados.

O estoque, considerado um dos melhores da Europa e construído ao longo de anos, inclui não apenas suprimentos médicos, mas também petróleo, grãos, ferramentas agrícolas e matérias-primas para fabricar munição. A Noruega, a Suécia e a Dinamarca também acumularam grandes estoques de equipamentos médicos e militares, combustível e alimentos durante a era da Guerra Fria. Mais tarde, quase todos abandonaram essas reservas.

Mas não a Finlândia. Sua preparação lançou um holofote sobre os estoques nacionais e expôs a vulnerabilidade de outras nações nórdicas.

Quando o coronavírus chegou, o governo finlandês recorreu ao fornecimento de equipamentos médicos pela primeira vez desde a 2ª Guerra. "A Finlândia é a nação mais preparada entre os países nórdicos, sempre pronta para uma grande catástrofe ou a 3ª Guerra", disse Magnus Hakenstad, um estudioso do Instituto Norueguês de Estudos de Defesa.

Embora ano após ano a Finlândia tenha se destacado na lista das nações mais felizes, sua localização e lições históricas ensinaram à nação de 5,5 milhões a se preparar para o pior, disse Tomi Lounema, presidente da Agência Nacional de Suprimentos de Emergência da Finlândia.

"Está no DNA do povo finlandês estar preparado", disse Lounema, referindo-se à proximidade de seu país com a Rússia, seu vizinho oriental (A Finlândia lutou contra uma invasão soviética em 1939).

Além disso, a maior parte do seu comércio passa pelo Mar Báltico. Isso, disse Lounema, é considerado uma vulnerabilidade, porque, diferentemente da Suécia, que tem acesso direto ao Mar do Norte na costa oeste, a Finlândia precisa confiar nas condições de segurança e no tráfego marítimo do Báltico.

"Se houver algum tipo de crise, pode haver alguma confusão" na cadeia de suprimentos, explicou. 

Há duas semanas, enquanto os casos de coronavírus aumentavam – até o domingo o país registrou mais de 1.880 casos e 25 mortes – o Ministério de Questões Sociais e Saúde ordenou que o estoque de máscaras fosse enviado para os hospitais em todo o país. "As máscaras são antigas - mas ainda estão funcionando", disse Lounema por telefone.

Há pouca informação pública disponível sobre o número de máscaras e outros materiais que a Finlândia tem ou onde tudo está armazenado.“Todas as informações em relação aos armazéns são confidenciais”, disse Lounema.

Mas, embora os detalhes sejam mantidos em segredo de estado, as autoridades confirmaram que os estoques são mantidos em uma rede de instalações espalhadas por todo o país e que o sistema atual existe desde os anos 50.

Isso colocou a Finlândia em uma posição mais sólida para enfrentar a pandemia.

Enquanto autoridades de outros países como os Estados Unidos lamentam a escassez de máscaras, respiradores e aventais e os casos globais de coronavírus aumentaram para mais de 1,2 milhão no domingo, com mais de 64 mil mortes, sobram histórias de trapaça internacional e de preços domésticos exorbitantes. Os países estão competindo por suprimentos médicos e correndo para criar uma vacina.

Autoridades francesas disseram que foram ultrapassadas no último minuto por compradores americanos desconhecidos na compra por um estoque de máscaras na pista de um aeroporto chinês.

E autoridades alemãs disseram anteriormente que o governo Trump havia tentado convencer uma empresa local a desenvolver uma possível vacina contra o coronavírus e transferir sua pesquisa para os Estados Unidos, onde presumivelmente qualquer inoculação estaria disponível primeiro.

Talvez em resposta à ameaça de escassez, a Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia, anunciou em 19 de março que estava criando seu primeiro estoque de equipamentos médicos de todos os tempos “para ajudar os países da União Europeia no contexto da pandemia de covid-19”.

Vários países da União Europeia também aprovaram uma nova legislação que proíbe a exportação de materiais essenciais.

Fogo amigo

Semanas atrás, quando a empresa de equipamentos médicos Mölnlycke Health Care, com sede em Gotemburgo, na Suécia, tentou enviar máscaras e luvas descartáveis, que estavam em sua central de armazenamento em Lyon, na França, para hospitais desesperados na Itália e na Espanha, foi barrada pela lei francesa que proíbe exportações.

"É muito perturbador, pois nada do que foi enviado para a França pode ser enviado para fora do país ”, disse Richard Twomey, executivo-chefe da Mölnlycke Health Care, à emissora pública sueca Sveriges Radio.

Um jornal francês descreveu o conflito entre a empresa sueca e as autoridades francesas como a “Guerra de máscaras entre Suécia e França”. 

No sábado, no entanto, a ministra das Relações Exteriores da Suécia, Ann Linde, disse no Twitter que, depois da pressão da Suécia, a França finalmente cedeu às restrições à exportação de máscaras da Mölnlycke. Era "muito importante que o mercado interno funcionasse mesmo em tempos de crise!", ela disse.

Na Suécia, que foi acusada de tomar medidas muito lentamente contra o coronavírus, os suprimentos têm diminuído ao longo das últimas três décadas por conta da mudança de pensamento após a Guerra Fria, de acordo com Fredik Bynander, diretor do Centro de Segurança Societária da Universidade de Defesa Sueca.

"A 'paz eterna' havia chegado e não precisaríamos mais desses estoques", disse ele, acrescentando que o governo viu uma oportunidade de vendê-los, incluindo suprimentos médicos e de saúde.

A adesão da Suécia à União Europeia em 1995 também teve impacto nisso. Desde então, o sistema de saúde e assistência médica sueco foi construído com entregas “just in time”, com hospitais estocando suprimentos para durar apenas dois ou três dias, disse Anders Melander, analista da Agência de Pesquisa de Defesa da Suécia.

"Esperávamos que, com o livre mercado, sempre poderíamos comprar o que precisávamos", disse Melander por telefone.

A Noruega costumava ser mais flexível e equipada para se autossustentar em uma crise nacional, de acordo com Leif Inge Magnussen, professor associado de liderança da Universidade do Sudeste da Noruega. Mas uma análise de risco realizada no ano passado pela Direção Norueguesa de Proteção Civil concluiu que pandemias e escassez de medicamentos eram preocupações-chave, disse ele.

Audun Haga, diretor da Agência Norueguesa de Medicamentos, disse que o país pode esgotar o suprimento de medicamentos essenciais dentro de semanas, já que boa parte vem da China, que está apenas começando a reabrir suas fábricas. "A sociedade se tornou muito dependente de outros países e cadeias de suprimentos just in time", disse Magnussen. 

Tradução De Romina Cácia


Maioria dos mortos pelo novo coronavírus em Nova York são latinos

Gazeta do Povo (Paraná)
Com informações Estadão Conteúdo

Foto: Bryan R. Smith / AFP
Corpos são levados a um caminhão refrigerado que funciona como necrotério 
improvisado em frente ao Wyckoff Hospital, em Nova York, 4 de abril. Latinos e negros 
são afetados desproporcionalmente pela pandemia de coronavírus nos Estados Unidos|


A maioria dos mortos pelo novo coronavírus na cidade de Nova York, a mais afetada pela pandemia nos Estados Unidos, são latinos, informou nesta quarta-feira o prefeito Bill de Blasio.

Um relatório preliminar aponta que 34% dos 3.602 mortos pela covid-19 até hoje são hispânicos, que constituem 29% da população da maior cidade americana, de 8,6 milhões de habitantes. "É uma disparidade flagrante", assinalou o prefeito, em entrevista coletiva.

De Blasio citou como um dos principais motivos o idioma, e anunciou uma nova campanha de informação sobre o coronavírus em 14 línguas. "O que aconteceu no último par de anos levou muitos imigrantes, principalmente os sem documentos, a se afastarem dos locais onde normalmente buscariam apoio ou atendimento médico", comentou, referindo-se à política anti-imigração do governo Trump.

Um terço dos hispânicos que vivem em Nova York, cerca de 1 milhão de pessoas, são imigrantes sem documentos ou seguro médico, segundo estimativas do governo municipal. Muitos deles não podem cumprir quarentena e são obrigados a trabalhar como entregadores, faxineiros ou babás para alimentar suas famílias. Vários deixam de buscar atendimento médico por medo de serem deportados.

A maioria das mortes em Nova York ocorreu nos distritos do Queens e Bronx, de maioria imigrante. Na mesma entrevista coletiva de De Blasio, a médica e comissária de Saúde de Nova York, Oxiris Barbot, porto-riquenha, reforçou que a disparidade obedece à baixa remuneração da comunidade hispânica, que a obriga a continuar trabalhando.

Assim como acontece em outras cidades do país, como Chicago, o novo coronavírus também afeta os afro-americanos de forma desproporcional em Nova York, com 28% das mortes, quando eles representam 22% da população.

Cerca de 27% das mortes pela covid-19 em Nova York envolveram pessoas brancas (32% da população) e 7%, asiáticas (14% da população).

Nos Estados Unidos, o número de casos confirmados de covid-19 chegou a 431.838 nesta quarta-feira, com 14.768 mortes. Entre esses pacientes, 23.865 se recuperaram.

EUA têm quase 2 mil mortos por coronavírus em 24 horas

Redação, 
O Estado de S.Paulo

País é terceiro com maior número de mortos, atrás de Itália e Espanha

  Foto: David Dee Delgado/Getty Images/AFP
Estados Unidos já somam quase 13 mil mortes por coronavírus 

Os Estados Unidos registraram 1.939 mortes pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, segundo boletim da Universidade Johns Hopkins divulgado na noite desta terça-feira, 7.

Este número diário de óbitos é o mais elevado para um país em todo o planeta desde o início da pandemia, e coloca os EUA com 12.722 mortes no total, atrás apenas da Itália (17.127 mortos) e da Espanha (13.798).

Os EUA respondem ainda por mais de um quarto dos casos declarados oficialmente de COVID-19 em todo o mundo: 396.223, sendo 29.609 apenas no último dia, segundo números atualizados da Johns Hopkins.

"Os Estados Unidos continuam fazendo mais testes do que qualquer outro país e acredito que isto contribui para que tenhamos mais casos" registrados, disse nesta terça-feira o presidente Donald Trump em sua coletiva diária sobre a crise, detalhando que foram feitos 1,8 milhão de testes no país.

"Sei muito bem que países muito povoados têm mais casos do que nós, mas não declaram isto". 

Desde meados da semana passada, os Estados Unidos registram mais de mil mortes por dia por covid-19, apesar de medidas de isolamento para conter a epidemia.

O estado de Nova York é o principal foco da epidemia nos EUA, com quase 5.500 mortes e 140 mil casos, principalmente na cidade de Nova York, a capital econômica do país e que hoje está praticamente paralisada.

As autoridades estimam que 100 e 240 mil pessoas poderão morrer de covid-19 nos Estados Unidos, mesmo se observados os protocolos de distanciamento social. 

A pandemia já deixou ao menos 80.142 mortos, em 192 países, segundo contagem da AFP baseada em fontes oficiais até às 19h00 GMT (16h00 no horário de Brasília) desta terça-feira. /AFP

Coronavírus: Nova York vive drama com necrotérios lotados e hospitais de campanha

Gerardo Lissardy
BBC News Mundo em Nova York


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Os pedidos de serviços em cemitérios de Nova York
 dispararam devido à pandemia da covid-19

Philip Tassi adverte que o cemitério onde trabalha está cheio de solicitações de enterros e que não há tempo para descanso: o governo do Estado de Nova York acaba de anunciar que entre segunda e terça-feira houve 731 mortes por coronavírus registradas.

"O número de pedidos de enterro e cremação que temos provavelmente subiu 300%", diz Tassi, do cemitério Ferncliff em Westchester, poucos quilômetros ao norte de Manhattan.

Atualmente, até 20 corpos passam por este crematório em 16 horas de trabalho, sete dias por semana. Mas, mesmo assim, operando com capacidade máxima, o cronograma está completo até o final da próxima semana.

A história se repete em outros lugares de Nova York, o epicentro da pandemia de coronavírus nos Estados Unidos, o país com os casos mais confirmados de covid-19 no mundo.

"A maioria dos cemitérios não tem unidades de refrigeração para lidar com uma pandemia. Portanto, o maior problema agora é que não temos armazenamento refrigerado para manter os corpos aqui por longos períodos", diz Tassi, que preside a Associação dos Cemitérios do Estado de Nova York e trabalha no setor há 23 anos.


'Nunca vi algo assim'

As casas funerárias também estão sobrecarregadas, e as autoridades enviaram dezenas de necrotérios móveis ou caminhões refrigerados para hospitais.

O objetivo é evitar que cadáveres se acumulem sem um local para recebê-los, como aconteceu em outros países atingidos pelo enfrentamento ao vírus.

"Eu nunca vi algo assim em toda a minha vida, tantas pessoas morrendo em um período tão curto", disse Tassi à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. "Nem no 11 de Setembro tivemos o número de corpos que temos agora com a pandemia", diz ele, referindo-se aos ataques de 2001 na cidade.

De fato, nos ataques que os Estados Unidos consideraram o maior ato terrorista em sua história, quase 3 mil pessoas morreram em Nova York.

Esse número de vítimas foi oficialmente ultrapassado nesta semana pelo coronavírus. Na cidade de Nova York, já morreram mais de 3.200 pessoas, enquanto em todo o Estado esse índice chegou a 5.489.

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Vários mortos por coronavírus de Nova York são levados a necrotérios móveis

O vírus e a cidade

A pandemia transformou Nova York: a cidade nunca esteve tão quieta e silenciosa por tanto tempo, a ponto de se poder atravessar avenidas sem esperar o semáforo ficar verde ou ouvir o barulho de uma moeda caindo na calçada deserta.

O silêncio só é quebrado quando uma ambulância passa com a sirene ligada.

Isso também ocorre às 19h, todos os dias, quando os nova-iorquinos aplaudem, das janelas, os profissionais de saúde que combatem a pandemia. Nesse momento, a cidade parece recuperar seu espírito barulhento por alguns minutos.

As autoridades locais estenderam o fechamento de escolas e empresas que não se enquadrem na categoria de serviços essenciais, bem como a proibição de reuniões até 29 de abril — as multas aos infratores podem chegar a US$ 1.000.

Embora a polícia não controle ostensivamente o movimento de pessoas, os 8,6 milhões de nova-iorquinos atenderam amplamente ao pedido de que permaneçam em suas casas pelo maior tempo possível.

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Um membro da tripulação do navio hospitalar enviado 
para Nova York testou positivo para coronavírus

Um hospital de campanha instalado no Central Park por uma organização religiosa humanitária recebe dezenas de pacientes de covid-19 diariamente , e ver aquelas tendas brancas no gramado desta cidade rica pode causar uma sensação de medo e estranhamento.

A catedral de São João, o Divino, em Manhattan, também está sendo convertida em um hospital. Ela é considerada a maior igreja gótica do mundo.

E os militares transformaram o Javits Convention Center, na mesma ilha, em outro hospital temporário com 2.500 leitos disponíveis.

O objetivo é aumentar a capacidade de assistência médica, que está no limite em um Estado com mais de 138.800 casos confirmados de coronavírus e mais de 17.400 pessoas hospitalizadas por causa da doença.

Nessa semana, o presidente Donald Trump autorizou que um navio-hospital militar comece a receber pacientes de covid-19 em Manhattan.

Mas, em outro sinal de que a doença está se espalhando incontrolavelmente, a Marinha dos Estados Unidos informou na terça-feira que um membro da tripulação do navio-hospital, o USNS Comfort, foi infectado pelo coronavírus — outros servidores foram isolados preventivamente.

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Andrew Cuomo, governador de Nova York, indicou que as 
medidas de isolamento social parecem estar funcionando

Apesar do recorde de 731 mortes no Estado de Nova York entre segunda e terça-feira, o governador Andrew Cuomo disse que as hospitalizações e a passagem de pacientes para tratamento intensivo diminuíram.

Luz de esperança

Cuomo indicou que, graças a medidas de isolamento social, Nova York pode estar atingindo uma tendência de queda em sua curva de hospitalização.

No entanto, ainda é muito cedo para saber o que vai acontecer.

"Ainda não estamos fazendo o suficiente para saber quantas pessoas estão infectadas", diz Theodora Hatziioannou, professora associada de virologia da Universidade Rockefeller, em Manhattan.

"Então, prevendo que o pico é esta semana, dizer o que vai acontecer na próxima ou na seguinte é impossível no momento", disse Hatziioannou à BBC News Mundo.

'Nossas vidas vão mudar'

Por outro lado, também surgiram alertas de que o número de mortes por coronavírus em Nova York pode ser maior que os dados oficiais.

O vereador Mark Levine, presidente da comissão de saúde da cidade, disse que as mortes em residências aumentaram 10 vezes em relação ao período anterior à pandemia — hoje, elas estão entre 200 e 215 por dia.

"Tenho certeza de que quase todo esse aumento são pessoas com coronavírus. Mas nem todos são contados dessa maneira", escreveu no Twitter.

Levine também causou choque nesta semana ao afirmar que a cidade em breve poderia começar a enterrar os mortos provisoriamente em parques, embora mais tarde ele tenha esclarecido que esse é um plano de contingência que pode ser descartado se o número de mortes cair o suficiente.

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Um hospital de campanha para pacientes com coronavírus
 foi instalado no Central Park, em Nova York

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, admitiu na segunda-feira que o plano de enterros temporários pode ser implantado, mas negou que eles iriam ocorrer em parques. E seu porta-voz indicou que os enterros poderiam acontecer na ilha Hart, no Bronx.

A verdade é que o vírus traça uma paisagem nova e sombria nesta cidade opulenta, mas já marcada por momentos de grande dor.

"O 11 de Setembro foi um ato terrorista e isso nos amedronta, consome todos os dias, seja no trabalho ou em casa com nossas famílias: parece que ele fala conosco o tempo todo, que conversamos sobre isso o tempo todo", reflete Phil Suarez, um paramédico que colaborou nos esforços para resgatar vítimas dos ataques em 2001.

Suarez também tratou de feridos no Iraque em 2017 e trabalhou em desastres, mas diz que o coronavírus o tornou "muito mais cauteloso" em seu trabalho, que aumentou significativamente em Nova York.

"Antes, atendíamos um paciente sem luvas, óculos ou máscara, mas agora temos que nos proteger completamente", explica o paramédico.

"Nossas vidas mudaram drasticamente em um mês", diz.


Coronavírus: 'isolamento seletivo’ da Holanda pode ser estratégia de alto risco

Anna Holligan
Da BBC News em Haia

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A Holanda não adotou confinamento rígido 
e a infecção está se espalhando rapidamente.

Os Países Baixos tentaram adotar um "confinamento inteligente" para enfrentar a pandemia de coronavírus, mas a infecção está se espalhando tão rapidamente que o país já tem uma das maiores taxas de mortalidade do mundo.

Os holandeses também foram acusados de não demonstrar solidariedade com os países do sul da Europa mais afetados pelo novo coronavírus.

Então, onde suas autoridades estão tentando chegar e quais são as reações que estão recebendo?


'Isolamento seletivo'

Os holandeses estão entre as poucas nacionalidades que abraçam abertamente a controversa teoria da imunidade de grupo ou efeito rebanho, que é a ideia de "gerenciar a disseminação" da doença para que a população ganhe imunidade.

Trata-se de uma abordagem considerada fria e calculista, segundo um especialista em saúde global holandês.

Depois de rejeitar medidas mais rígidas, como as tomadas por vizinhos, o governo holandês optou pelo isolamento "seletivo".

O objetivo é reduzir os custos sociais, econômicos e psicológicos do isolamento social.

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Primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, 
defendeu a tese da 'imunidade de rebanho'

No meu bairro em Haia, a florista, a loja de ferragens, a delicatessen, a padaria e a loja de brinquedos ainda atendem os clientes.

As placas na porta e a fita adesiva no chão incentivam as pessoas a manter distância umas com as outras. Os caixas usam luvas cirúrgicas.

E somente as empresas onde é necessário tocar os outros, como cabeleireiros, centros de beleza e bordéis, foram forçadas a fechar. Escolas, creches e universidades estarão fechadas até pelo menos 28 de abril.

Os bares, restaurantes e cafés que vendem cannabis estão fechados, embora pareçam estar indo bem com as vendas delivery.

"Acreditamos que estamos mantendo a cabeça fria", explica Louise van Schaik, do Instituto Clingendael de Relações Internacionais.

"Não queremos exagerar, trancar todos em suas casas. E aqui é mais fácil manter gerações separadas porque avô e avó não moram com seus filhos e netos."

As pessoas foram aconselhadas a ficar em suas casas, mas podem sair se não puderem trabalhar à distância, além de sair para comprar alimentos ou tomar ar fresco, desde que mantenham uma distância de 1,5 metro das outras.

Ajuda o fato de os holandeses parecerem cumprir amplamente o que lhes é pedido.

Uma pesquisa indicou que 99% das pessoas mantinham distância das outras e 93% ficavam em casa o maior tempo possível.

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Os bondes estão quase vazios, mas no confinamento holandês nem tudo está fechado.

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, descreveu a Holanda como um "país adulto".

"O que eu ouço ao meu redor é que as pessoas ficam felizes em serem tratadas como adultas, não como crianças", disse ele.

Às vezes, esse confinamento parece invisível. As cidades podem estar mais silenciosas, mas as crianças continuam subindo em parquinhos e os adolescentes andam de bicicleta de um lado para o outro.

Imunidade coletiva

Quando o principal consultor científico do Reino Unido apresentou um plano para desenvolver ampla imunidade na população, em poucos dias, especialistas revelaram que isso poderia levar a um número grande de mortes. O governo, então, mudou de rumo.

Permitir que um vírus letal se espalhe pela sociedade para criar um nível de imunidade significa, implicitamente, aceitar que as pessoas morram.

A princípio, o governo holandês também aceitou essa ideia, mas rapidamente a reapresentou como um dano colateral aceitável, e não como o objetivo principal.

Em um pronunciamento ao país em 16 de março, Rutte descreveu sua visão.

"Podemos atrasar a propagação do vírus e, ao mesmo tempo, aumentar a imunidade da população de maneira controlada", afirmou.

"Temos de perceber que a imunidade de um grupo pode levar meses ou até mais e, durante esse período, precisamos proteger o máximo possível as pessoas com maior risco."

O professor Claes de Vreese, da Universidade de Amsterdã, acredita que o governo do Reino Unido não tinha medidas específicas no âmbito dessa política. "Isso deixou as pessoas sentindo que faziam parte de um estranho experimento social", diz ele.

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Creches e centros de assistência à infância estão fechados,
 exceto para filhos de trabalhadores de setores essenciais


Pode funcionar?

A agência de saúde pública holandesa RIVM lançou um estudo para verificar em que medida os anticorpos criados quando as pessoas são expostas ao coronavírus continuam sendo eficazes na prevenção de novas infecções.

"É como criar sua própria vacina interna, expondo-se a ela e deixando seu corpo gerar esses anticorpos naturalmente, para transformá-la em uma vacina que ainda não existe", disse à BBC Aura Timen, integrante da agência de saúde pública holandesa.

Ela enfatizou que eles ainda estavam fazendo todo o possível para diminuir a taxa de transmissão da covid-19, doença causada pelo vírus, para "achatar essa curva".

O problema é que o número de mortes na Holanda parece relativamente alto para uma população de 17,2 milhões de pessoas.

"Temos um bom sistema de registro das pessoas que foram infectadas, que foram hospitalizadas, mas também para mortes", diz Timen.


Mortes em ascensão

A Holanda está agora lutando para aumentar sua capacidade hospitalar, com o pico da crise previsto para daqui duas semanas e mortes de até 175 pessoas em um período de 24 horas.

Mais de 2 mil morreram desde o início da crise na Holanda, até dia 8 de abril, e mais de 19,5 mil casos foram registrados. As hospitalizações superam 6,6 mil.

Alguns pacientes foram levados de avião para a Alemanha para liberar leitos e a sala de concertos de Ahoy Rotterdam, que deveria abrigar o concurso Eurovision 2020 e se tornará uma instalação de emergência.

Há planos para quadruplicar o número de testes, e os profissionais de saúde que não estão diretamente envolvidos no tratamento de pacientes com coronavírus também serão avaliados.

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As padarias podem continuar funcionando, 
mas as praias estão quase desertas.

O país também enfrenta contratempos no combate à pandemia.

Quando um milhão de máscaras enviadas da China foram consideradas defeituosas, o governo precisou ordenar urgentemente que fossem inutilizadas.

Faltam equipamentos de proteção individual (EPIs), motivo pelo qual os estudantes de Delft estão trabalhando para transformar máscaras de mergulho em máscaras cirúrgicas.

O artista local Space Fantastic também está coletando doações de tecidos e gerenciando uma legião de voluntários que costuram máscaras para os que estão na linha de frente.

Abordagem 'fria'

A ideia de um isolamento seletivo, alimentado por evidências e números, é muito diferente da abordagem mais rigorosa da vizinha Bélgica, onde o número de mortes também está alto.

Para Van de Pas, é uma abordagem holandesa fria, que talvez só possa funcionar em uma sociedade individualista acostumada a uma cultura médica não intervencionista, do berço ao túmulo.

Embora a imunidade de grupo possa amortecer efeitos da epidemia, ela deve ser aceita por uma parte substancial da população.

E no Brasil?

No Brasil, o Ministério da Saúde anunciou que, a partir da próxima segunda-feira (13/04), os municípios e Estados do país que não tiveram ultrapassado o percentual de 50% de ocupação dos serviços de saúde poderão iniciar uma transição para um formato onde apenas alguns grupos ficam em isolamento.

Isso deve ser feito onde há oferta de leitos e respiradores, equipamentos de proteção individual para o trabalho de profissionais de saúde e testes de diagnóstico.

"O objetivo é promover o retorno gradual à circulação de pessoas, incluindo as atividades de laborais, com segurança, evitando uma possível explosão de casos sem que o sistema de saúde local tenha tempo de absorvê-los e garantir a assistência adequada à população", informou o Ministério da Saúde.

Diferente do ministro da Saúde, Henrique Mandetta, o presidente Jair Bolsonaro vem defendendo a solução conhecida como isolamento vertical: restringir a circulação apenas de pessoas dos grupos de risco para covid-19 e manter a economia funcionando normalmente.



Crise do coronavírus avança na Espanha após país ignorar exemplos internacionais

Raphael Minder / The New York Times,
 O Estado de S.Paulo

Epidemia na Espanha é exemplo da tendência de governos ignorarem experiências de países onde o vírus já ocorreu

  Foto: Maria Contreras Coll/The New York Times
Mulher usa máscara em um cruzamento em Barcelona, 
uma das cidades mais afetadas pelo coronavírus na Espanha  

MADRI - No final de janeiro, um turista alemão se tornou o primeiro paciente de coronavírus da Espanha. Na época, a ameaça parecia remota. Duas semanas depois, o alemão saiu do hospital e a Espanha comemorou estar novamente "livre de vírus".

Mas, à medida que mais casos surgiram, as autoridades espanholas continuaram a enfatizar que o coronavírus estava sendo importado, principalmente por turistas da Itália. O argumento era de que a Espanha enfrentava uma ameaça externa e não havia risco de epidemia doméstica.

Mas então, em 26 de fevereiro, um morador de Sevilha, que não viajou, foi diagnostico com coronavírus. Uma semana depois, outro homem, na região de Valência, se tornou a primeira vítima de coronavírus da Espanha, iniciando uma contagem sombria que se aproxima de 14 mil mortos. A Espanha agora ocupa o segundo lugar no mundo, atrás dos Estados Unidos, no número total de casos - mais de 140 mil. 

Começando na China, o vírus passou por todo o mundo e ultrapassou um milhão de infecções na semana passada. Mas, como na maioria dos países, as autoridades espanholas trataram o vírus inicialmente como uma ameaça externa, em vez de considerar que o país poderia ser o próximo da fila. 

Os sindicatos da área da saúde estão levando as autoridades à Justiça por não protegê-las. A Espanha é o país que tem a maior taxa de profissionais da área da saúde infectados, às vezes até forçando médicos e enfermeiras a usar sacos de lixo no lugar de roupas médicas. Os pacientes dormem nos corredores do hospital. 

Em Madri, a maior pista de patinação do país se tornou um necrotério de emergência, enquanto seu principal centro de exposições foi transformado em um hospital de campanha. Segundo os sindicatos, as condições de trabalho são desastrosas. Em um dos episódios mais terríveis dessa crise, soldados espanhóis encontraram moradores mais velhos abandonados ou mortos em seus leitos de repouso.

"Foi chocante para uma sociedade enfrentar uma situação conhecida apenas por aqueles que se lembram da Espanha saindo da guerra", disse Cristina Monge, professora de sociologia da Universidade de Zaragoza. "Esse tipo de cenário era até agora pura ficção científica".

Como resultado, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez enfrentou críticas por não proibir aglomerações e por não armazenar equipamentos médicos quando o número de casos cresceu no norte da Itália no final de fevereiro. Em resposta, autoridades espanholas destacam também as deficiências de outras nações. 

O primeiro-ministro ressaltou que o Dia Internacional da Mulher, quando 120 mil pessoas se reuniram em Madri em 8 de março, também foi comemorado nas ruas de Bruxelas, Berlim, Viena e Paris. O evento foi responsabilizado por catapultar a propagação do vírus na capital. Três ministras do governo espanhol que lideraram a manifestação das mulheres mais tarde deram positivo para o vírus, assim como a esposa e a mãe de Sánchez.

"É evidente que, com o que sabemos hoje, todos nós teríamos agido de maneira diferente", disse Sánchez. A resposta do governo ao vírus também foi complicada pela natureza difusa do sistema político da Espanha, em que as 17 regiões do país ganharam progressivamente mais autonomia, incluindo a administração de hospitais, depois que a Espanha adotou uma nova Constituição em 1978. 

A diferença entre decisões regionais e nacionais também incentivou muitos moradores ricos de Madri a irem para suas casas à beira-mar, depois que todas as escolas de Madri foram fechadas, com o risco de espalhar ainda mais um vírus que já estava incorporado na capital da Espanha. 

"Um governo novo e fragmentado começa com uma enorme desvantagem nesse tipo de situação de crise, porque exige que decisões rápidas sejam tomadas sem se preocupar constantemente se outra pessoa está obtendo uma vantagem política", disse Toni Roldán, economista espanhol e ex-parlamentar do partido Ciudadanos.

"Cada região agiu de forma independente, e isso dificulta qualquer iniciativa de coordenação ou solidariedade", disse Carlos Rus, presidente da ASPE, a  associação que representa os hospitais privados da Espanha. Estima-se que cerca de 15% da população da Espanha já tenha sido infectada - de longe a maior proporção entre os 11 países europeus incluídos em um estudo recente de cientistas do Imperial College de Londres. 

"É provável que esta crise fortaleça os laços horizontais em nossa sociedade, entre os cidadãos que estão fazendo grandes sacrifícios, enquanto enfraquece ainda mais a vertical com a liderança no topo", prevê Narciso Michavila, sociólogo e presidente do GD3, espanhol. empresa de votação.