quarta-feira, dezembro 06, 2006

Imposto progressivo

por Rodrigo Constantino, economista, no Blog Diego Casagrande
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“Redistribution by progressive taxation has come to be almost universally accepted as just.” (Hayek)
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Muitos assumem como certo, ainda que sem a devida reflexão, o uso de imposto progressivo como veículo para a redistribuição de renda. A idéia de uma maior igualdade material, independente do valor gerado para a sociedade, costuma estar por trás dessa mentalidade. Entretanto, dedicando um pouco mais de atenção ao tema, fica mais evidente os riscos que tal medida carrega, como a perda de liberdade individual, o uso arbitrário de força contra uma minoria e a ineficiência do resultado final. Vários autores dedicaram-se a esta questão com conclusões similares. Mas o assunto demanda uma mente aberta e um verdadeiro interesse no questionamento sincero, pois como admite Hayek na frase da epígrafe, o conceito de justiça foi bastante deturpado ao longo do tempo.
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Em 1830, quando a idéia de uma taxação progressiva começou a ser mais difundida, J. R. McCulloch expressou sua objeção alegando que, no momento em que o princípio de extrair de todos os indivíduos a mesma proporção de suas rendas ou propriedades é abandonado, ficamos num mar sem norte, e não existe nenhum grau de injustiça que não pode ser cometido. Em 1848, Karl Marx e Engels propuseram abertamente que uma pesada progressão do imposto de renda seria uma das medidas para o proletariado usar, depois do primeiro estágio da revolução, como supremacia política para tomar todo o capital da burguesia, centralizando todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado. John Stuart Mill descreveu a progressão do imposto como pura forma de roubo. Pelo que parece, estava correto.
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Alguns utilizam o critério utilitarista para defender o imposto progressivo, alegando que os mais ricos não precisam de tanto para a felicidade. Mas partindo do conceito de utilidade decrescente por unidade monetária, a conclusão seria absurda, pois seria a inversa. Afinal, na medida em que a renda aumente, seria necessário incentivos adicionais para que a mesma utilidade fosse mantida. Dez dólares para um rico não trariam, por essa linha de raciocínio, o mesmo benefício que dez dólares para um pobre. Se a felicidade de todos fosse o objetivo, o rico teria que ter mais, e não menos, para manter seu grau de felicidade. Falaríamos em impostos regressivos! Não obstante o fato de que a felicidade não se mede pela conta bancária e que é algo extremamente subjetivo, fica claro que o argumento utilitarista seria um grande erro para a defesa de impostos progressivos.
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Historicamente, foi na Alemanha das “reformas sociais” que os advogados do imposto progressivo derrubaram a resistência e iniciaram sua evolução. Em 1891, a Prússia introduziu um imposto progressivo chegando a 4% da renda. Foi somente em 1910 e 1913 que a Inglaterra e os Estados Unidos adotaram impostos graduais chegando ao então espetacular montante de 8,25% e 7%, respectivamente. Em 30 anos, no entanto, esses números elevaram-se para o patamar de até 90%! A ilusão de que o peso dos impostos poderia cair todo sobre os realmente muito ricos foi um dos motivos que levou a este acelerado aumento. O único resultado concreto, entretanto, foi a severa limitação da renda que poderia ser gerada pelos mais bem sucedidos, afetando negativamente os mais pobres por tabela. A gratificação desta medida veio apenas para os invejosos, que regozijam-se com a perda dos outros ainda que não ganhem nada com isso.
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Em termos práticos, o impacto dessa política de impostos progressivos é negativo, e a contribuição dos impostos dos mais ricos no total sempre foi ínfima. Em 1962, nos Estados Unidos, apenas 6,4% do total arrecadado foi proveniente dos impostos acima de 30% da renda. Para um imposto de 50% da renda, a receita foi de apenas 1,9% do total. Como fica claro, o imposto altamente progressivo não tem fins reais de arrecadação, já que inúmeras outras maneiras mais eficientes existem para que o governo consiga financiamento. Em um mundo com mobilidade de capital, os incentivos não são adequados quando os mais ricos sabem que terão boa parte de suas rendas tomadas pelo governo, e estes acabam assim migrando para países mais amigáveis. Os mais pobres, que precisam desse capital e dos empreendimentos realizados por ele, são os que mais saem perdendo. Isso para não falar do planejamento tributário, já que várias faixas de impostos criam uma complexidade enorme que agrada somente os advogados, penalizando os mais pobres que não conseguem montar esquemas legais de desvio. Vários países do Leste Europeu entenderam isso, e saíram do comunismo para impostos com taxa única para todas as faixas de renda, com grande sucesso e aumento na arrecadação total.
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Como Hayek disse, o imposto progressivo, diferente do proporcional, não garante nenhum princípio o qual limite o tamanho da carga para os mais ricos. Representa a rejeição de um princípio de isonomia em favor da discriminação contra os mais ricos, sem critério algum que limite a extensão dessa discriminação. O mesmo “argumento” para tirar 50% dos mais ricos serve para tirar 75%, ou mesmo 90%. O céu é o limite! Falar que o rico deve pagar mais em termos proporcionais apenas porque pode não é um conceito decente de justiça, pois levaria ao absurdo de achar que Bill Gates tem que pagar milhões por um café somente porque pode, ainda que esteja consumindo o mesmo produto que alguém mais pobre.
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Mas infelizmente, a maioria, motivada basicamente pela inveja, acaba discriminando contra uma minoria, e o princípio de justiça cede lugar ao pretexto pela pura arbitrariedade. Aristóteles questiona em seu livro Política: “Se, por serem superiores em número, aprouver aos pobres dividir os bens dos ricos, não será isso uma injustiça?”. Será. E é justamente o que ocorre com o imposto progressivo.

Tributo A Milton Friedman

por Ipojuca Pontes, no Blog Diego Casagrande
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“Não existe almoço grátis” – Milton Friedman (1912-2006)
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Morreu Milton Friedman, norte-americano de descendência judaica e prêmio Nobel de Economia. Ele foi o grande combatente pela liberdade econômica num mundo que se afoga na crescente e devastadora intervenção do Estado em quase todos os setores da atividade humana. Filho de emigrantes da Ruthenia, viveu a adolescência na parte pobre do Brooklyn, em New York. Desde cedo, no entanto, em vez de cair na cantilena socialista, se deixou encantar pela lógica infalível de “A Riqueza das Nações”, obra fundamental de Adam Smith, especialmente quando o pai da ciência econômica moderna declarou: “Ao perseguir seus próprios interesses, o indivíduo em geral promove os da sociedade de um modo mais efetivo do que quando o governo promete fazê-lo”.
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As teses de Friedman sobre a importância da estabilidade da moeda, depois da segunda Guerra Mundial, no apogeu das teorias keynesianas, fez muita gente considerá-lo um tipo absurdamente tolo. Em resposta, para fazer valer suas idéias, levou, então, com suas pesquisas arrojadas, a ciência econômica para o campo dos estudos históricos e empíricos.
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Neste sentido, suas obras lapidares são “Capitalismo e Liberdade” (University of Chicago Press, 1962), hoje um clássico, e “Uma história monetária dos Estados Unidos – 1867/1960” (em 1963, pela mesma Chicago Press). No primeiro livro, Friedman desmontou de vez a “revolução keynesiana”, tocada pelo “dandy” John Maynard Keynes, com sua “Teoria Geral do emprego, do juro e da moeda”, que levou, mais tarde, a Inglaterra (e muitos países que entraram na onda) ao desemprego, à imobilidade econômica e à inflação galopante. Na sua “contra-revolução”, à frente da Escola de Chicago, onde lecionou por mais de 30 anos, o monetarista observou que a provisão de dinheiro era o “fator central de controle no processo de desenvolvimento econômico”. Para ele, as “variações da atividade econômica não se explicam pelas variações de investimentos, mas pelas variações da oferta da moeda”. Para Friedman, as intervenções do Estado na vida econômica de um país podem e devem ser substituídas pelo controle da evolução da massa da moeda em circulação. Quanto menos regulamentação do governo e a introdução de um sistema de auto-regulação dos agentes econômicos – melhor.
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Milton Friedman era um homem fisicamente insignificante, de baixa estatura e incrivelmente modesto para o seu grau de conhecimento, em que pese ser um analista vigoroso e debatedor implacável. Na luta travada contra os postulados de Keynes, que pregava de um modo sedutor a intervenção do Estado por meio de uma política de gastos para fomentar o “pleno emprego”, assumiu uma posição ferozmente antagônica. Para o pai da Escola de Chicago, os gastos do Estado puniam os contribuintes ou eram inflacionários. “A inflação é sempre e em toda parte um fenômeno monetário” – afirmava. “Excesso de papel moeda pode significar escassez de mercadorias e aumento dos preços”. Vale dizer: muita pobreza ou miséria.
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Na sua dialética, para dar a pancada final na cabeça do intervencionismo keynesiano, Friedman indagava sobre a origem do dinheiro para os gastos governamentais: se a oferta da moeda permanece constante e o governo gasta dinheiro, alguém deve ter menos dinheiro para gastar. Se o governo toma dinheiro vendendo títulos do tesouro ao público, elevando as taxas de juros, as empresas não têm condições de competir com o governo e tomar os empréstimos para investimentos.
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No segundo livro, relatório minucioso de 150 anos da história das instituições monetárias dos Estados Unidos, escrito em parceria com Anna Schwartz, o economista ressaltou com ênfase a importância do papel da moeda e a contribuição da política monetária para estabilizar a economia. No levantamento, atribuiu (corajosamente) a Grande Depressão de 1929 à paralisia do Federal Reserve. Como um Sherlock, depois de examinar a catástrofe, deixou claro que a instituição do sistema bancário central dos Estados Unidos tinha se negado a fornecer liquidez aos bancos privados quando os clientes em pânico correram atrás dos seus depósitos. Ao contrário do que dizia Keynes, o fato atestava o poder da política monetária e, não, a sua impotência.
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Nos últimos anos, no combate pela liberdade econômica e política, tornou-se um inimigo frontal da crescente transferência do poder dos Estados e do sistema produtivo para o Estado federal e sua burocracia centralizadora, que, a pretexto de criar “igualdade e segurança”, se esmera no jogo de tirar recursos das forças produtivas para entregá-los às crescentes hordas de parasitas. Então, nas suas palestras e conferências, para deter o avanço incessante dos burocratas e seus projetos daninhos, passou a exigir da opinião pública em geral uma atitude de mudança em favor da maior confiança na iniciativa privada e da cooperação voluntária, como reação às propostas insolventes do coletivismo totalizador.
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No plano político, para o mentor da Escola de Chicago a liberdade econômica é a condição básica para a liberdade política: “Ao permitir que as pessoas cooperem entre si sem a coerção de um centro decisório, a liberdade econômica reduz a área sobre a qual se exerce o poder político. Além disso, ao descentralizar o poder econômico, o sistema de mercado compensa qualquer concentração do poder político que se possa produzir. A combinação, numa só mão, do poder político e econômico é a fórmula segura para se chegar à tirania”.
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Ao ganhar o Prêmio Nobel de Economia, em 1976, foi forçoso reconhecer o valor do trabalho de Milton Friedman. O próprio John Kenneth Galbraith, um defensor do intervencionismo governamental, escreveu: “Ele foi talvez a mais influente figura econômica da segunda metade do século 20”.
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Grande Friedman! Que Deus o tenha.

Lula articula contra Serra e Aécio

Por Kennedy Alencar
Colunista da Folha Online
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Vocês vão ficar parados esperando que o Serra e o Aécio decidam qual dos dois será o presidente em 2010?." Num misto de provocação e ironia, essa pergunta foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a petistas e peemedebistas com os quais se reuniu nas últimas duas semanas.
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Lula não está empenhado apenas em viabilizar uma coalizão governamental entre PT e PMDB. Quer criar uma alternativa de poder ao PSDB pensando longe. Como não poderá ser candidato em 2010, avalia que precisa desde já fazer florescer no seu campo político uma expectativa de poder real para daqui a quatro anos, quando ele deixar a Presidência.
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Nesse contexto, começa a alinhavar o que seria uma grande coligação eleitoral para a sucessão de 2010. Sua intenção é formar uma aliança formal com três legendas centrais: PT, PMDB e PSB. Outros partidos poderiam se integrar ao plano, mas esses três seriam a base de sua coalizão governamental e o eixo de uma forte coligação para se opor aos tucanos na próxima disputa presidencial.
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As eleições de 2006 fizeram surgir no PT um novo presidenciável: Jaques Wagner, governador eleito da Bahia. Wagner terá o mais importante Estado sob comando do PT, num momento em que a forte seção paulista do partido está em crise.
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A ex-prefeita Marta Suplicy é a única liderança paulista que sobrou com força após as crises do mensalão e do dossiegate. No entanto, lida em território tucano contra um poderoso José Serra, governador eleito de São Paulo. Marta não terá vida fácil. E Wagner, além de político habilidoso, é amigo do peito de Lula.
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Nomes do PMDB e do PSB, respectivamente o ex-presidente do STF Nelson Jobim e deputado federal eleito Ciro Gomes (CE), também são aventados como possíveis candidatos a presidente da coligação que Lula já costura nos bastidores. O fato é que o presidente, apesar dos afagos que pretende fazer em Serra e no governador Aécio Neves, com os quais se reunirá em breve, não pretende se aposentar. Vai lutar para fazer o sucessor.
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Obviamente, precisará terminar bem o governo. Se isso se concretizar, um candidato apoiado por ele poderia bombardear o antecipado favoritismo dos tucanos.
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Os quatro preferidos
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Da nova safra de governadores, Lula está "apaixonado" por quatro. Wagner, que lhe deu o maior presente nos Estados ao derrotar o carlismo. Sérgio Cabral, governador eleito do Rio e peemedebista que o apoiou firmemente no segundo turno. Eduardo Campos, governador eleito de Pernambuco que venceu uma forte coligação entre PSDB e PFL. E o governador eleito de Sergipe, Marcelo Déda, um "amor antigo" como Wagner. Aliás, Wagner e Déda sempre mantiveram distância prudente do "núcleo de aloprados" do PT.
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No deserto
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Governadores eleitos, Serra e Aécio não pediram a Geraldo Alckmin indicações para suas equipes de governo. O tucano Alckmin foi derrotado na eleição presidencial, na qual se apresentou como o craque do "choque de gestão".
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Em respeito aos leitores
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No domingo 26 de novembro, reportagem da versão impressa da Folha assinada por este jornalista revelava que a Polícia Federal e o Ministério Público federal "firmaram a convicção de que a decisão de compra do dossiê contra tucanos partiu de Ricardo Berzoini, então presidente do PT e coordenador-geral da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva". E dava-lhe bastidores com novos personagens e revelações inéditas.
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O texto não dizia que o relatório parcial do delegado Diógenes Curado, responsável pelo inquérito do dossiegate, acusaria Berzoini. Logo no início da reportagem, houve o cuidado de registrar que informações ali reveladas poderiam não estar no relatório parcial. Talvez não venham a público tão cedo, dada a operação montada pelo PT e os "aloprados" para proteger Berzoini.
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O jornal cumpriu o seu papel. Deu amplo espaço aos personagens para que apresentassem as suas versões. Mostrou os bastidores da investigação. Fez jornalismo, apesar de o PT não gostar disso quando as suas mazelas são escarafunchadas. A movimentação da PF e do Ministério Público na semana que passou só reforçou os dados trazidos a público pelo jornal.
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Por último, não é verdadeira a versão que Berzoini e seu advogado divulgaram a respeito de um telefonema entre o delegado Curado e este jornalista.

PT faz operação de altíssimo risco

Por Tales Faria – Informe JB
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A bancada do PT na Câmara deve lançar hoje o nome do líder do governo Arlindo Chinaglia (SP) para candidato da legenda a presidente da Câmara. A única hipótese de se voltar atrás é se o presidente Lula determinar que os petistas abortem o processo. Até ontem à noite, como não havia vindo uma ordem explícita do Planalto, Arlindo continuava trabalhando seu nome.
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O petista combinou com o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) que o lançamento de seu nome será acompanhado de uma nota da bancada do PT acenando para a negociação com os partidos da base e, mais especificamente, para a negociação com o PMDB.
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Arlindo também esteve no gabinete do atual presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), cuja reeleição o presidente Lula tem dito a assessores que seria o quadro de sua preferência. Aldo também conta com a simpatia anunciada dos líderes do PFL e do PSDB. Arlindo foi tentar convencer Aldo a desistir da reeleição.
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No fundo o PT está repetindo uma operação de altíssimo risco na sua relação com os partidos aliados e com a oposição na Câmara. Está principalmente atropelando o PMDB. Trata-se do maior partido na Casa e que, portanto, teria o direito de indicar o presidente.
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O PT também não está dando voz aos partidos menores da base, como o PSB e o PCdoB, que preferem Aldo. Na verdade, está ignorando uma candidatura natural e aceita pela oposição sem crises, como seriam a do PMDB e a de Aldo Rabelo, para tentar impor um nome petista.
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Fim do Conselhão?
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O ministro da Coordenação Política, Tarso Genro, irá se reunir com o presidente Lula nos próximos dias para discutir o novo papel do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social no segundo mandato. A última reunião do ano ocorre hoje. Para Tarso, como o conselho, hoje sob sua batuta, já esgotou sua agenda, "ao ver acolhida pelo governo a maioria de suas propostas", é imperativo uma reavaliação de seu funcionamento.
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Ou só o começo?
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Uma das sugestões do ministro, no entanto, pode não ser bem recebida pela equipe econômica. Tarso quer que as medidas para o crescimento econômico, tão logo anunciadas pelo governo, sejam submetidas ao conselho para um "exame crítico". "A idéia é avaliar se as iniciativas propostas poderão mesmo levar ao prometido crescimento de 5%", disse. O ministro admite que a proposta é controversa e pode provocar mal-estar. Mas pretende defendê-la até o fim. "Pode até haver tensão, mas o Conselho está aí para isso".

Trapalhada desnecessária

Por Carlos Chagas, na Tribuna de Imprensa
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BRASÍLIA - Imprevista pedra apareceu no caminho do presidente Lula na tentativa de assegurar maioria parlamentar a partir do apoio do PMDB. Pedra por enquanto capaz de ser afastada com as mãos, mas que se não for logo removida exigirá uma pá mecânica. Senão em pé de guerra, os senadores do PMDB cuidam de infligir desagradável derrota ao governo.
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Tudo começou com a grosseria praticada pelo chanceler Celso Amorin, por telefone, contra o embaixador do Brasil em Portugal, Paes de Andrade, presidente de honra do PMDB. Do jeito que as coisas se passaram, fica impossível supor o presidente sem saber de nada. Se não autorizou o episódio, ao menos dele participou. É claro que depois de quatro anos em Lisboa Paes percebeu estar se encerrando sua missão.
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Mas recebeu áspero telefonema de Celso Amorin, determinando-lhe entregar ao governo português o pedido de agreement de seu substituto, o embaixador Celso Marcos Vieira de Sousa. Essa prática não é usual. Esses pedidos são feitos de governo a governo, tanto que o documento em curso estava assinado pelo presidente Lula.
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Paes insurgiu-se e disse ao ministro das Relações Exteriores que não serviria de portador da própria demissão. Havia sido convidado para embaixador pelo presidente Lula e aguardava do presidente Lula a sua dispensa. Celso Amorim enviou diretamente ao presidente de Portugal o pedido de indicação do novo embaixador, evidentemente assinado pelo presidente, que até ontem não havia telefonado a Paes de Andrade, no mínimo para agradecer seus serviços.
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Uma questão menor, dos meandros da diplomacia? Seria, caso Paes de Andrade não fosse o presidente de honra do PMDB. Imediatamente ele recebeu a solidariedade dos senadores do partido, de Renan Calheiros a José Sarney, de Pedro Simon a Mão-Santa, entre muitos.
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Os senadores, por enquanto, mostram-se dispostos a não marcar data para a sessão onde, pela Constituição, o novo embaixador deve ser sabatinado. Pior, alguns sustentam deva a indicação ser rejeitada. Seria, para Lula, uma crise, com derrota de sérias conseqüências. A ministra Dilma Rousseff reconheceu a trapalhada e tenta superá-la, mas como? Não se admite no Itamaraty um pedido de desculpas por parte de Amorim.
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O presidente não deseja desprestigiar seu chanceler, não tendo até agora procurado falar com o ainda embaixador Paes de Andrade. Este se mantém isolado na embaixada, deixando de ir a compromissos diplomáticos. Enfim, uma trapalhada desnecessária...
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Sem tutela
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O que pretendem PT e PMDB, procurando aliar-se para eleger o novo presidente da Câmara? Sentem necessidade de demonstrar serem maiores de idade. Que dispõem de personalidade e independência necessárias para tratar de seus negócios. Reagem à ingerência de Lula, esmaecida, de impor a reeleição de Aldo Rebelo. Não se trata de uma rebelião contra o Planalto.
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Ao contrário, estão antecipando a aliança parlamentar, antes que o presidente termine as costuras em torno da coalizão. O PT deve formalizar, amanhã, a candidatura de Arlindo Chinaglia, e o PMDB decidirá entre a apresentação de um nome próprio e o apoio ao petista. Esse raciocínio explica a cautela com que Lula passou a referir-se à disputa, depois de convencido da influência de poder reeleger Aldo.
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Terá motivos para inquietar-se, porque se o seu futuro pano-de-fundo já começa assim, cada projeto que enviar ao Congresso passará pelo crivo da opinião de suas bases. Pratos-feitos poderão ser rejeitados, fazendo malograr a monolítica base que tenta construir. PT e PMDB querem passar a impressão de unidade com o governo, mas estão delimitando espaços. Tudo pode mudar. Renovadas, as bancadas de aliados precisam demonstrar personalidade.
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Chávez
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Muda alguma coisa para nós? Nada. Afinal, Chávez se viu reeleito, como Lula. Mudará o ministério, como Lula. O venezuelano continuará hostilizando retoricamente os Estados Unidos mas manterá intactos os contratos de fornecimento de petróleo. Nós, que nem hostilizamos os gringos, da mesma forma vamos continuar fazendo tudo o que eles quiserem. Só o futuro dirá de uma diferença capaz de tornar-se fundamental, se continuar mesmo diferença: Chávez envia ao Congresso projeto de emenda constitucional permitindo-lhe disputar terceiro, quarto e até quinto mandato. Aqui no Brasil, pelo menos até agora...

TOQUEDEPRIMA...

Federais estudam implantar ciclo básico e fim do vestibular
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SALVADOR - Reitores, diretores e professores das 57 Instituições Federais de Ensino Superior do Brasil (Ifes) e representantes do Ministério da Educação (MEC) devem apresentar hoje, em Salvador, um projeto de reestruturação do ensino superior conhecido como Universidade Nova. Pela proposta, estudantes seriam admitidos com base na nota no Exame Nacional de Cursos (Enem). Além disso, o curso superior teria uma formação básica de três anos sobre áreas como saúde, artes e humanidades, que seria chamada de Bacharelado Interdisciplinar (BI). Seria o fim da formação específica desde o primeiro ano.
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O 1º Seminário Nacional da Universidade Nova - Reestruturação da Arquitetura Acadêmica da Educação Superior no Brasil começou ontem e foi marcado por manifestação de estudantes contrários às mudanças. A proposta final será apresentada aos conselhos reguladores do ensino superior no Brasil, o Conselho Universitário (Consuni) e o Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe).
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"Depois de três anos, o estudante torna-se bacharel na área escolhida e tem a opção de continuar a graduação em áreas específicas", explica um dos principais criadores da proposta, Naomar Almeida Filho, reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), ao defender a idéia do ciclo básico.
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Ele aponta como outra vantagem o fim da precocidade na escolha profissional, a volta da cultura como eixo na formação universitária e a reintrodução do Brasil no meio do ensino superior internacional. "O que estamos propondo já é aplicado em algumas das melhores universidades do mundo."
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A proposta tem o apoio de outras 11 instituições federais - entre elas a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Federal do Ceará (UFC) - que contribuem na elaboração do projeto - e do próprio MEC. "Trabalhamos em uma perspectiva acadêmica antiga, ultrapassada para as demandas da sociedade de hoje, que exige mudanças", afirma o secretário-executivo do MEC, Manuel Palácios.
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Ele conta um problema relativo à estrutura atual do ensino superior que sofreu em família - e que não existiria caso o Universidade Nova já funcionasse. "Meu filho prestou vestibular para Economia, passou, mas não gostou do curso", lembra. "A saída foi ele trancar a matrícula e voltar a fazer cursinho para prestar vestibular para Direito - tudo isso na mesma universidade."
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Oposição
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Enquanto representantes das instituições e do MEC apresentavam os pontos da proposta a seus colegas no seminário, do lado de fora da sala de conferências do Hotel Mercury, representantes do Diretório Central dos Estudantes da UFBA (DCE) distribuíam panfletos e conversavam com os pedestres sobre os pontos negativos do projeto.
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"A Universidade Nova tem um problema central: apesar de atrair mais alunos para os Bacharelados Interdisciplinares, não dá condições às instituições de ensino para formar mais pessoas nas carreiras profissionalizantes", diz Rafael Bastos, do DCE. "Se o estudante é bacharel em uma área do conhecimento e não consegue vaga em um curso profissionalizante, como vai para o mercado de trabalho?"
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Alguns professores também temem efeitos negativos da proposta. "Se houver mais ingresso de estudantes nas instituições, é possível que a qualidade dos cursos, de forma geral, caia", acredita um docente da faculdade de Física da UFBA que preferiu não se identificar.
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De acordo com o reitor da universidade, essas dúvidas serão eliminadas até a elaboração final do projeto. "Ainda não chegamos a um acordo, por exemplo, sobre como vamos promover a passagem dos estudantes dos BIs para os cursos profissionalizantes", conta Almeida Filho. "A questão da qualidade de ensino não está tão ligada à relação professor por aluno, mas à grade curricular dos cursos."
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O que pode mudar
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Estrutura acadêmica
Nos três primeiros anos de curso, os alunos freqüentariam Bacharelados Interdisciplinares (BIs), divididos por áreas de conhecimento - ciências, artes, humanidades, tecnologia. Após a conclusão, o estudante receberia o diploma de bacharel na área e poderia optar por fazer complementação profissionalizante, bacharelado ou licenciatura em uma disciplina específica ou pós.
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Benefícios
Ampliação de conhecimentos e competências cognitivas, adiamento do processo de escolha profissional e flexibilização curricular.
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Problemas
Ao fim do BI, o estudante teria um diploma de curso superior, mas não estaria apto a ingressar no mercado de trabalho em profissões que exigem formação superior específica (Medicina, Engenharia e Direito, por exemplo), não há garantia de que ele consiga vaga para continuar os estudos.
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Vagas
Como nos BIs estudantes de várias carreiras acompanham as mesmas aulas, tende a crescer o número de vagas durante os três primeiros anos do ensino superior.
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Seleção

Os estudantes seriam selecionados pela nota no Enem. Como não está prevista a ampliação da estrutura física das universidades, ainda não se sabe como vai ser a seleção dos alunos para os cursos após os BIs. As vagas poderiam ser preenchidas pelos alunos com melhores notas.

TOQUEDEPRIMA...

Eletrobrás nega plano interno para venda de ações da União
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No entanto, no fato relevante solicitado pela CVM, companhia deixa em aberto a possibilidade de um projeto elaborado pelo próprio governo federal
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Daniela Milanese - Estadão
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SÃO PAULO - A Eletrobrás acaba de negar a existência de um plano interno para a venda de uma fatia das ações em poder da União. No entanto, no fato relevante, a companhia informa que "não existe nenhum estudo no âmbito da Eletrobrás, relativo à redução da participação acionária da União". Ou seja, deixa em aberto a possibilidade de um projeto elaborado pelo próprio governo federal.
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Na quarta-feira da semana passada, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, anunciou a intenção do presidente Lula de transformar a companhia em uma "Petrobras do setor elétrico". Para isso, seriam estudadas uma série de medidas, como a venda de uma parte da fatia do governo na estatal a fim de levantar recursos para investimentos.
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Outra idéia é mudar a legislação que impede a empresa de captar recursos no mercado externo. As declarações fizeram os papéis da companhia disparar na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Só no mês de novembro, a alta foi de mais de 8%.
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O fato relevante divulgado na tarde desta sexta-feira também não menciona a análise de outras medidas em relação à Eletrobrás. O comunicado atende a uma determinação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que pediu explicações após as declarações do ministro.
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Veja a íntegra do texto:
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"Centrais Elétricas Brasileiras S.A. - ELETROBRÁS
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FATO RELEVANTE
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Informamos aos Senhores Acionistas e ao Mercado em Geral que não existe nenhum estudo no âmbito da Eletrobrás, relativo à redução da participação acionária da União Federal no capital da Empresa, conforme já divulgado mediante Comunicado ao Mercado, veiculado no site da Eletrobrás no dia 29 de novembro último.
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Esclarecemos que quaisquer iniciativas que afetem os interesses dos acionistas são e serão sempre, preliminarmente, submetidas à Diretoria Executiva e ao Conselho de Administração da Eletrobrás, e objeto de imediato Comunicado ao Mercado.
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Reafirmamos aos Senhores acionistas e ao Mercado em Geral nosso incondicional compromisso com a transparência das informações, dentro de nossa política de relações com os investidores, e em consonância com os esforços que vimos empreendendo para a adesão da Eletrobrás ao Nível 1 de Governança Corporativa, ao Pacto Global, à perseguição da listagem ao ISE - Bovespa, à adaptação aos requisitos da Lei Sarbanes & Oxley, à futura listagem de nossas ações na Bolsa de Valores de Nova York, através de programas de ADR do Nível II e a outras atividades no campo da Governança Corporativa.
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Rio de Janeiro 01 de dezembro de 2006.
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José Drumond Saraiva
Diretor Financeiro e de Relações com Investidores"

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Câmbio leva importações a crescimento de 26% no ano
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Pedro Soares
da Folha de S.Paulo, no Rio de Janeiro

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O saldo da balança comercial somou US$ 3,194 bilhões em novembro e acumulou US$ 41,074 bilhões no ano --a cifra é recorde e representa expansão de 1,7% ante o desempenho registrado em igual período de 2005 (R$ 40,379 bilhões)..Em novembro, as exportações atingiram US$ 11,866 bilhões, e as importações ficaram em US$ 8,672 bilhões. No período de janeiro a novembro, as vendas ao exterior chegaram ao recorde de US$ 125,236 bilhões, mais do que os US$ 118 bilhões de todo o ano passado. A importações, por sua vez, totalizaram R$ 84,162 bilhões --também a maior da história.
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No acumulado do ano, as exportações cresceram 16,6% ante o mesmo período do ano passado. Impulsionadas pelo câmbio, as importações, porém, avançaram em um ritmo mais acelerado --25,6%.
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Apesar dos resultados recordes, especialistas alertam que as exportações só crescem por conta dos bons preços de commodities, já que as quantidades exportadas têm crescido muito pouco, num ritmo menor do que a média mundial.."Não podemos viver de ilusão. Os números aparentemente são muito bons, mas, se olharmos por dentro, vamos ver que temos um crescimento de 12,5% dos preços e de apenas 3,5% da quantidade exportada, que no comércio mundial cresceu 8%. Significa que estamos crescendo menos do que o comércio mundial", disse Roberto Giannetti da Fonseca, diretor de Relações Internacionais da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
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Segundo Fonseca, o forte saldo comercial neste ano foi "acidental". "Os preços melhoraram muito", disse.
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Tal cenário, diz, é prejudicial à indústria, que não amplia sua produção (ou seja, não aumenta o nível de emprego), embora se beneficie dos preços melhores, especialmente de commodities como açúcar, produtos siderúrgicos e minério de ferro.
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O pior, afirma Giannetti, é que as indicações são de preços estáveis ou em queda no próximo ano. "Se a quantidade não crescer, o desempenho de 2007 pode ser muito fraco", prevê.
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O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Armando Meziat, reconhece que o crescimento das exportações tem ocorrido mais em razão dos preços do que por conta do aumento das quantidades. Diz ainda que o câmbio reduziu a competitividade de alguns setores, que diminuíram as exportações, focando as vendas em produtos mais sofisticados (de maior valor) para manter sua receita de exportação.
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"Um exemplo é o setor de calçados, que não tinha preço para competir com os produtos chineses e passou a vender peças com maior valor agregado, embora tenha reduzido a produção. O que é perverso, de um certo modo, porque há redução de emprego", avalia Meziat.
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"Bom perfil"
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A forte expansão das importações, segundo o secretário, ocorre graças ao estímulo do câmbio e à crescente demanda por produtos importados. Ele ressalta que o "bom perfil" das importações, concentradas em matérias-primas (49,5% do total) e máquinas e equipamentos (20,5%) --itens usados na fabricação de outros produtos ou no investimento na ampliação da capacidade produtiva.
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Já Giannetti recomendou o incremento das importações para conter a apreciação do real, puxada pelos fortes saldos comerciais, e favorecer, assim, a indústria. Mas diz que, para ampliar importações, é preciso mais crescimento econômico.

TOQUEDEPRIMA...

Governo estuda vender sua parte nas ações da Eletrobrás
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Ministro do Planejamento afirmou que o presidente quer reforçar o papel da Eletrobrás, de modo a transformar a empresa em uma "Petrobras do setor elétrico"
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Fabio Graner – Estadão
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SÃO PAULO - O governo estuda vender sua participação nas ações da Eletrobrás. A idéia foi anunciada pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ao final da reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os ministros para discutir infra-estrutura. Segundo Bernardo, Lula quer transformar a empresa em uma "Petrobras do setor elétrico". Nesse sentido, foi colocada a necessidade de alavancar a capacidade de investimento da empresa. Uma das hipóteses mencionadas na reunião e que será mais aprofundadamente estudada pelos ministros é a de vender participação acionária do governo na empresa para captar mais recursos para serem investidos.
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Esta idéia já havia partido do governo de São Paulo para uma outra empresa. Contudo, a pressão das eleições fez com que o governador do Estado, Cláudio Lembo, suspendesse a oferta de 18.847 milhões de ações da Nossa Caixa, que representariam cerca de 20% das ações da instituição. Ou seja, a intenção do governo Lula de vender ações da Eletrobrás vai contra o que foi apregoado durante a campanha do presidente e, especificamente, é incoerente com a pressão feita durante as eleições sobre o governo de São Paulo, do PSDB.
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Outra idéia que partiu da reunião desta quarta entre Lula e os ministros foi mexer na legislação que impede a empresa de captar recursos no mercado externo. "A Eletrobrás não pode captar recursos no exterior e estudamos mudar isso", disse Bernardo. "O presidente pediu que trabalhássemos para que a Eletrobrás tenha o status administrativo semelhante ao da Petrobras", declarou. Na reunião, foram mencionadas ainda as dificuldades de financiamento do setor elétrico e ficou acertado que o BNDES terá papel importante no financiamento dos projetos privados no segmento.
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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que também participou da reunião, disse que o presidente pediu que fossem criados também mecanismos mais eficientes para financiar o setor de infra-estrutura. Durante a reunião, de acordo com relato de Mantega, o presidente enfatizou que não quer que a infra-estrutura "atravanque" o desenvolvimento econômico. Ele destacou que a infra-estrutura é um setor importante para a economia para alavancar os investimentos.
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Mantega disse que algumas medidas do pacote fiscal do governo poderão ser anunciadas nesta quinta-feira. Isto, segundo ele, ocorrerá se houver definição sobre essas medidas na reunião a ser realizada na Quinta-feira no Palácio do Planalto. Ele também comentou que o governo decidiu editar uma medida provisória criando o Fundo de Investimento em infra-estrutura. O fundo, de acordo com Mantega, será administrado pela Caixa Econômica Federal e terá cerca de R$ 5 bilhões.
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Saneamento básico
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Bernardo destacou ainda que o presidente Lula mostrou preocupação em aumentar os recursos para investimento em saneamento básico. Além de ações como apoiar a votação da Lei de Saneamento na Câmara dos Deputados, já aprovada no Senado, o governo vai estudar como resolver o problema da falta de capacidade de endividamento dos "entes públicos", que é um dos problemas do setor. Nesse sentido, "ficamos encarregados de ver alternativas para isso", disse Bernardo.
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Uma das possibilidades, segundo Bernardo, é alterar o limite de endividamento dos Estados definido pelo Conselho Monetário Nacional, de modo a permitir mais investimentos no setor. A mudança seria associada a investimentos em saneamento. Mantega e Bernardo deixaram claro que não haverá mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal.
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A idéia, de acordo com o ministro do Planejamento, é permitir que Estados que reúnem as condições necessárias para tomar empréstimos para investir em saneamento não tenham essa pretensão esbarrada na limitação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que ele não mencionou.
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Bernardo também afirmou que o governo vai estudar como melhorar as condições de financiamento das empresas. "Hoje não temos mais que doze empresas no País em condições para isso. Vamos ver a situação das empresas, individualmente, e buscar alternativas", afirmou. Questionado se há possibilidade de o governo injetar recursos nessas empresas, Bernardo respondeu: "Nós nos dispomos a colocar dinheiro para o saneamento básico".
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Segundo Bernardo, o presidente Lula considera o tema do saneamento uma prioridade porque afeta indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e também as condições de saúde da população. Na reunião, foi colocada também a idéia de colocar projetos de investimento em saneamento no PPI, se este for elevado, como estuda a equipe econômica. A idéia do governo é subir de 0,2% para 0,5% do PIB a dotação orçamentária do PPI como um todo.
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Encontro
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Lula reuniu-se, na manhã desta quarta-feira, com ministros e representantes de estatais, para discutir medidas de infra-estrutura que ajudem o País a crescer 5% a partir do próximo ano. A idéia era discutir um conjunto de medidas capazes de incentivar os investimentos e também impor limites aos gastos públicos. Uma das propostas em estudo era a criação de um fundo de investimento para saneamento.
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Participaram do encontro os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff; da Fazenda; do Planejamento; de Minas e Energia, Silas Rondeau; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan; das Cidades, Marcio Fortes; do Trabalho, Luiz Marinho; dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende.
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Também participaram o diretor-geral do DNIT, Mauro Barbosa, e os presidentes da Petrobras, Sergio Gabrielli, do BNDES, Demian Fiocca, e da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho; o secretário de saneamento do Ministério das Cidades, Abelardo de oliveira Filho e o superintendente nacional de saneamento da CEF, Rogério de Paula Tavares.

Modelo esgotado

por Ives Gandra Martins, no Jornal do Brasil
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Nos três últimos mandatos (dois de Fernando Henrique e um de Lula), a economia do Brasil cresceu menos que a do mundo inteiro, segundo estudo revelado por Vinicius Torres Freire e elaborado pela Febraban. Mais do que isto, todos os anos o percentual de seu crescimento também decresceu. Foi 70% do crescimento global, no primeiro mandato de FH (1995-1998), de 60%, no segundo (1999-2002), e será de 56% no primeiro mandato de Lula (2003-2006)..Lula exibe, pois, a pior performance dos três períodos, sem grandes possibilidades de melhorar seu desempenho futuro, segundo o Ipea (órgão do governo federal) que prevê que o Brasil, com o atual modelo, só começará a crescer 5% ao ano em 2017, ou seja, daqui a três mandatos presidenciais.
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O trunfo maior do presidente Lula - de resto, o que lhe garantiu a reeleição - ou seja, o Bolsa Família, foi duramente criticado pela CNBB, que o considera um programa de primário assistencialismo, que não promove o homem, mas desestimula sua luta por uma auto-realização através do estudo e do trabalho, que promovem a inserção na sociedade. Embora de maior espectro, o programa Bolsa Família, herdeiro da Bolsa Escola de Fernando Henrique, tem menor qualidade que o anterior, o qual condicionava o usufruto do estímulo a que o beneficiário mantivesse os filhos na escola, vislumbrando o semear de um futuro melhor.
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Por outro lado, as benesses eleitorais previdenciárias e salariais - justas, do ponto de vista da promoção humana - não foram acompanhadas de redução das monumentais despesas oficiais causadas por uma máquina administrativa esclerosadíssima, com denso impacto nas contas públicas das demais entidades federativas (Estados, Distrito Federal e municípios). E a máquina burocrática continuou mais ineficiente e mais inchada que nos governos passados, com o que o verdadeiro "nó górdio" do modelo não foi nem desatado, nem cortado.
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Para sustentar tal modelo exaurido, foi, o governo federal, obrigado a manter a escandalosa carga tributária - a maior do mundo na relação "PIB e qualidade de serviços públicos prestados" - única forma de obter recursos para sustentar as ciclópicas necessidades da máquina, e juros atrativos para não perder investimentos..O sucesso da balança comercial positiva e do aumento das exportações foi devido ao boom econômico mundial. Ainda assim, o país exportou em torno de US$ 130 bilhões este ano, e o México, com 3/5 de nossa população, exportou US$ 260 bilhões!
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Os saldos positivos da balança comercial, que porporcionaram reserva na casa dos US$ 75 bilhões, todavia, supervalorizaram o real, gerando descompetitividade empresarial e perda de investimentos. O Brasil perdeu 17% dos investimentos, em ano no qual houve crescimento médio de investimentos na ordem de 29%.
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Tudo isto está a demonstrar que o modelo se exauriu. Há necessidade de um novo modelo, que, a meu ver, só poderá começar com uma dramática compactação da máquina, através de um sério programa de desburocratização, pois o país se tornou modelo da ineficiência oficial.
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Para isto, terá, o presidente Lula, que administrar o açodamento de seu partido político e dos aliados que buscam, com incrível sanha, apoleirarem-se no novo governo mediante a distribuição de cargos, funções e benesses.
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Que o presidente seja presidente do Brasil e não apenas um usufrutuário do poder.

A vanguarda do retrocesso

Por Reinaldo Azevedo
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Lula participou hoje da entrega do Prêmio Innovare — falo dele daqui a pouco — e, quem diria?, reclamou da lentidão da Justiça. Foi na parte informal do discurso. Na formal, a lida, elogiou o Poder e a Criação do Conselho Nacional de Justiça. Mas sabem como é: deixa o homem improvisar. Não fosse assim, o Conselheiro Acácio não teria recebido de Sua Majestade a enésima homenagem: “Toda vez que a gente tiver que tomar uma atitude, a gente tem que pensar em todas as regras legais. Mas, se a gente colocar 30 segundos da nossa cabeça para saber que o resultado daquilo pode beneficiar a sociedade como um todo ou pode prejudicá-la, eu penso que as mudanças que nós queremos fazer no Brasil serão muito mais fáceis e os ganhadores serão os 190 milhões de brasileiros". Quando Lula dá aula aos doutores, o céu da razão se ilumina, diria Marxilena Oiapoque.
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Eu posso falar mal do Judiciário. Acho que é até um dever — falar mal de todos os Poderes, na verdade. Você pode, leitor amigo. Jamais se conforme com o Legislativo, o Executivo, o Judiciário, os radicais livres, a oxidação das células, o Bolero de Ravel, as pessoas que varam o sinal vermelho. Mas Lula reclamando da Justiça de novo? Não tenho mais paciência. Quem tem a maioria que ele tem pode encaminhar, se quiser, uma reforma do Judiciário para valer. Por que não encaminha? Vivemos num ambiente em que todos reclamam de e contra todos. Vira uma profissão.
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Não tarda, e Lula vai atribuir ao Judiciário o crescimento medíocre do Brasil. Os juízes terão de dividir esse peso com a ministra Marina Silva e os povos da floresta... É claro que também o presidente da República é assistido pelo direito de reclamar da lentidão da Justiça. Mas a ele cabe tomar a iniciativa de mudar, em vez de perorar.
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“Innovare” é o infinitivo de “innovo” (o verbo aparece no dicionário de latim na primeira pessoa do indicativo) e quer dizer “renovar”. O prêmio é uma iniciativa da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas, da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), do Ministério da Justiça (Secretaria de Reforma do Judiciário) e do Ministério Público. Contam com o apoio da Companhia Vale do Rio Doce. Vá lá.
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Encantou-me saber que Marcio Thomaz Bastos recebeu um prêmio extra. Pelo conjunto da obra. Como se vê acima, foi o dia em que o Ministério da Justiça premiou o ministro. As inovações de Bastos são inequívocas e inegáveis. A mais notável de que me lembro consiste em proteger da expiação pública gente que tentou fraudar as eleições — como é o caso dos aloprados — e submeter ao corredor polonês donas de butique e assemelhados. É preciso provar que, no Brasil, os ricos também choram... Inovou também quando censurou o que chamou de “tempo político” na investigação do dossiê. Foi originalíssimo quando disse não estar certo da gravidade do caso. Mais ainda quando foram detectadas pegadas do ministério na operação que quebrou o sigilo do caseiro Francenildo. Se inovações faltassem, acabou endossando o coro dos que viam tentações golpistas no debate sobre uma eventual ação de impeachment contra o governo Lula.
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Foi justamente premiada. Paulo Francis — que falta faz! — dizia que um dos principais problemas do Brasil era o “nariz marrom”. Pesquise quem não souber o que isso quer dizer.

Orçamento e chantagem

O Estado de S.Paulo – Editorial
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É um caso de chantagem: parlamentares ameaçam não votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) nem, portanto, o Orçamento de 2007, se não saírem verbas para suas emendas. O alvo da extorsão é o Tesouro, mas a vítima real é o País. Políticos da oposição e da base governista participam da extorsão. Mas não há inocentes nesse embate entre membros do Congresso e do Executivo. As piores opiniões sobre os políticos brasileiros são justificadas pelas ações dos dois lados.
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Até o fim de novembro, o Tesouro havia liberado R$ 1,55 bilhão para os gastos contemplados nas emendas ao Orçamento deste ano, apenas 29% do valor previsto. Assim, o governo pôde manter-se, até o mês passado, pouco acima da meta fiscal definida para 2006. Mas a lenta liberação de recursos foi feita segundo critérios altamente contestáveis. Os partidos da aliança governista, como tem sido habitual, foram os principais beneficiários.
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As emendas fazem parte dos chamados gastos discricionários do Orçamento. A lei orçamentária apenas autoriza essas despesas. Sua realização não é obrigatória e isso confere ao Executivo um perigoso poder de arbítrio. A liberação de recursos para os projetos apresentados por parlamentares e por suas bancadas fica sujeita, com freqüência, a interesses partidários e pode funcionar também como prêmio ou pagamento em barganhas políticas. Esse fato é o principal argumento usado pelos defensores da adoção, no Brasil, do Orçamento impositivo, sistema adotado nas democracias mais desenvolvidas.
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Mas há, no caso brasileiro, bons argumentos favoráveis à manutenção do sistema em vigor. A responsabilidade pelo equilíbrio fiscal é tradicionalmente atribuída ao Executivo. O tratamento da proposta de lei orçamentária, durante a tramitação no Congresso, fica abaixo dos padrões desejáveis de seriedade financeira.
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Sendo o único responsável pela saúde das finanças públicas, o Executivo conserva, também, um grande poder de arbítrio. Isso pode ser perigoso para a democracia, mas o comportamento dominante no Congresso também é. Se os parlamentares cuidassem dos assuntos fiscais com um pouco mais de respeito, a LDO, com as linhas gerais do Orçamento de 2007, já estaria em vigor. Os congressistas deveriam ter aprovado o projeto até o dia 30 de junho, antes do início do recesso normal do meio de ano.
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Mas a oposição, para retardar oficialmente o recesso e manter as CPIs em funcionamento, decidiu bloquear a votação da proposta. Como os parlamentares se dispersaram logo depois, para participar da campanha eleitoral, a LDO ficou abandonada.
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Sem a aprovação desse projeto, não se poderá votar a proposta do Orçamento da União, enviada ao Congresso no fim de agosto. Em condições normais, o Parlamento deve aprovar a lei orçamentária de um exercício até dezembro do ano anterior, pouco antes do recesso de verão.
No Brasil, no entanto, o atraso na aprovação do Orçamento tem sido freqüente. Quando isso ocorre, o governo opera em condições precárias, podendo realizar apenas gastos inadiáveis, para não paralisar totalmente a administração pública.
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Neste ano, o governo funcionou durante 108 dias sem um Orçamento aprovado. A aprovação só ocorreu depois de concessões negociadas com a oposição. O uso da extorsão, portanto, não é novidade, e também não foi inventado pelos atuais oposicionistas.
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O ritual da lei orçamentária submetida ao Parlamento é um componente importante da história das democracias modernas. Esse processo permitiu ao povo, por meio de representantes eleitos, participar das decisões sobre o uso dos impostos pagos pelos contribuintes.
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O orçamento público não é apenas um instrumento de planificação de governo. Se fosse só isso, já seria necessário tratá-lo com o máximo cuidado. Mas isso vale para outros países. No Brasil, o processo de elaboração do orçamento tem pouca relação com qualquer esforço de planejamento governamental. Tem menos relação, ainda, com a idéia de realização de objetivos nacionais definidos publicamente. Não surpreende, portanto, que seja tratado de forma desrespeitosa no Executivo e no Congresso.

Milton Friedman & L.F. Verissimo

por Ralph J. Hofmann, no Blog Diego Casagrande
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Ao fazer sua diatribe contra Milton Friedman, Luiz Fernando Verissimo aplicou uma filosofia de halterocopista. Não que eu chame o nosso contista de ébrio, mas é certamente do tipo que gosta de ficar numa mesa botando conversa fora. Aliás, como eu também. O problema é que se entusiasma por bordões de sua ‘tchurma’, que na realidade receberam suas informações ou noutra mesa de bar ou restaurante, ou de pessoas francamente engajadas em seguir batalhando por políticas sociais que já tiveram sua chance e fracassaram.
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Quem é LFV para falar de economia? No tempo em que eu lia suas crônicas, uma em particular me agradou muito. Foi “O Popular” que deu nome a um de seus livros. Mas poucos anos atrás, relendo o conjunto de contos de O’Henry, redescobri o conto “Man About Town”. Não é idêntico, mas todo o raciocínio da crônica de LFV está no conto do O’Henry. Mais ou menos com a mesma progressão de fatos.
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E tudo indica que LFV conhece esse conto, pois é um dos textos escolares de leitura em muitas escolas dos Estados Unidos, onde o LFV estudou. Não que tivesse plagiado. As mentes assumem idéias boas e bloqueiam suas origens. O tratamento dado por LFV foi muito simpático. Mas digamos que foi influenciado. É influenciável.
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Mas, economia é algo diferente. Não é bem uma ciência, pois os economistas erram muito, mas precisa haver uma certa afinidade e perspicácia educada por muita leitura e estudo. Material árido em grande parte. E, sinceramente, neste campo acho que o LFV pende para o diletantismo. Para o que lhe vem fácil. Senão, com o talento que tem, teria produzido obras de mais peso. Não o vejo entrando noites adentro digerindo periódicos, livros de história econômica, acompanhando tendências de mercado ou marketing.
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Entre outras coisas que o Friedman defendia, dentro de sua bandeira de “Liberdade de Escolha”, está a diminuição do tamanho da fatia do estado no PIB, alegando que o estado sempre acaba fazendo aplicações que beneficiem seus amigos e chegados, o fim do serviço militar obrigatório em tempo de paz, o Imposto de Renda negativo, e os créditos escolares em substituição ao ensino púbico, fazendo com que os pais possam escolher as escolas de seus filhos recebendo bônus do governo para pagar. Assim as escolas públicas batalhariam por receber esses bônus e dariam um ensino melhor, fiscalizando melhor o rendimento de alunos e professores.
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Mas as idéias de Milton Friedman se tornam mais simpáticas ainda a brasileiros se considerarmos que era inimigo jurado dos subsídios agrícolas que o primeiro mundo insiste em dar aos seus produtores rurais ineptos.
.As idéias de Friedman devem ser discutidas em bar. As idéias. Não as impressões de um cronista indolente trazidas por seus amigos diletantes, que na realidade não reconhecem os imensos resultados atingidos pelos que adotaram suas idéias contra os míseros e instáveis resultados obtidos por quem nunca as aceitou.
.Quem nasce para Delfim não vira Friedman.

Aparelhamento e louvação

por Carlos Alberto Di Franco, no Estado de Minas
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Estava na Costa Rica. Lá, participei de interessante seminário promovido pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). O encontro foi aberto por Oscar Arias, presidente da República e prêmio Nobel da Paz em 1987. Impressionou-me a qualidade intelectual e a entranha democrática do presidente Arias. Suas palavras foram um panegírico à liberdade de imprensa: “Junto com eleições periódicas e com a separação dos poderes, a liberdade de imprensa é o instrumento mais poderoso para realizar, efetivamente, uma das grandes conquistas da civilização ocidental: a idéia de que o poder político, se pretende ser legítimo, deve estar submetido a limites, e que o poder absoluto, como intuía Lord Acton, não é senão uma forma absoluta de corrupção. Quanto mais livre for a imprensa, mais limitado estará o exercício do poder e maior será a probabilidade de que nossas liberdades individuais permaneçam a salvo”, sublinhou o presidente. O discurso de Arias tem a força da coerência. Na Costa Rica, a democracia é sólida e operativa. Dois ex-presidentes, julgados e condenados por crime de corrupção, estão na cadeia. Guerra à impunidade e educação de qualidade fizeram daquele pequeno país um belo modelo de democracia possível. Lá estando, caro leitor, recebi duas penosas notícias do Brasil. Um contraponto nada edificante. “PT deseja Radiobrás mais partidária”.
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“Lula vira cabo eleitoral de Chávez e ataca a imprensa.” As duas manchetes foram um soco no estômago. Trouxeram-me de volta a uma realidade que eu desejaria que estivesse superada. Não está. Por isso, aqui vai meu comentário. Comecemos pela Radiobrás. Setores do PT querem aproveitar a reforma ministerial para mexer na direção da estatal de comunicação do governo, porque não é suficientemente “aparelhada”, segundo esses petistas. O jornalista Eugênio Bucci, presidente da empresa, ocupou importantes cargos na imprensa brasileira. Trata-se de um profissional sério e competente. Sua atividade à frente da Radiobrás tem sido marcada pelo profissionalismo. Ele procurou implantar na estatal um modelo de jornalismo republicano. Entende que a informação deve ser um serviço público e não uma louvação de governos e, muito menos, de partidos. Nota 10 para Bucci; nota zero para os xiitas do PT. Esperemos que Bucci não saia. Se sair, será mais uma evidência de que o modelo autoritário de comunicação estará ganhando a parada.
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Segunda má notícia: os ataques de Lula à imprensa brasileira em palanque estrangeiro. Em sua viagem eleitoral à Venezuela (o respeito aos assuntos internos dos países recebeu um tiro de morte desfechado pela multinacional Lula, Morales, Chávez & Cia.) para apoiar a reeleição do companheiro latino-americano, o presidente Lula se comparou ao ditador venezuelano, no que diz respeito ao “preconceito” sofrido, por parte da imprensa, empresários, banqueiros e dos ex-governantes. Trata-se de mais uma declaração de Lula em escancarada linha de colisão com o seu anunciado desejo de inaugurar um relacionamento mais civilizado com os meios de comunicação.
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Afinal, caro leitor, qual é a perversidade que deve ser debitada na conta dessa imprensa tão questionada pelo presidente da República? Creio, sinceramente, que os meios de comunicação têm tido papel decisivo no processo de purificação, demorado e pedregoso, dos nossos costumes políticos. A mídia não é antinada. Causam-nos profunda repugnância quaisquer tentativas de engajamento. Como dizia Rui Barbosa no seu magnífico texto “A imprensa e o dever da verdade”: “A imprensa é a vista da nação. Por ela é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que malfazem e tramam, devassa o que lhe sonegam, ou roubam (...) O poder não é um antro: é um tablado. A autoridade não é uma capa, mas um farol. A política não é uma maçonaria, e sim uma liça”. Se o presidente Lula, entre um palanque e outro, se der ao trabalho de ler o pensamento de Rui Barbosa, um texto direto e sem ambigüidades, certamente encontrará muitos motivos para melhorar, de fato e não só com palavras, suas relações com a mídia.

O tamanho absurdo do Ministério

por Ricardo A. Setti, no Jornal do Brasil
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Quem percorreu, mesmo que por cima, a maravilha que é a mitologia grega certamente se lembra dos 12 trabalhos de Hércules, o semideus filho adulterino de Zeus com a esposa do rei de Tebas. Não vem ao caso relembrar a complicada história que levou Hércules a, em busca de expiação e da imortalidade, ter que se haver com uma dúzia de tarefas impossíveis. O fato é que o segundo trabalho hercúleo já era enfrentar a Hidra de Lerna, monstro aquático de nove cabeças, uma delas imortal. Para cada cabeça que o herói cortava, nasciam mais tantas quantas faltavam ainda a decepar. Hércules, naturalmente, triunfou. Não sobrou nem a cabeça imortal.
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Descendo muitíssimo - do Olimpo direto para o Planalto de Brasília -, a história da Hidra de Lerna, com sinal trocado, nos faz lembrar desse interminável lenga-lenga que é a montagem do Ministério do presidente Lula. Ao contrário, muito ao contrário do semideus grego, Lula, que tem diante de si uma hidra ministerial de 34 cargos, não quer cortar nenhum. O presidente acha ótimo dispor desse interminável elenco de ministros e chegou a dizer que não se mexe na estrutura de "time que está ganhando".
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Mesmo deixando de lado a pergunta óbvia - ganhando onde, e em quê? -, o que o presidente poderia fazer é perguntar a um de seus freqüentes interlocutores entre o grande empresariado qual deles acha que tem alguma chance de dar certo o trato direto com 34 diretores. O presidente constataria sem dificuldade que lidar com 34 direct reports seria um absurdo que tornaria a empresa burocratizada, aparvalhada e pesadona - sem contar que o CEO, presidente ou dono provavelmente enlouqueceria. Pois um dos segredos da boa governança empresarial é, via delegação e outras formas, diminuir o quanto possível o número de interlocutores obrigatórios de cada gestor em seu respectivo nível.
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Lula pretende acomodar o máximo de partidos políticos possível no Ministério, almeja um mandato "de convergência", quer que só lhe façam oposição quando despedir-se do Palácio do Planalto, no primeiro dia de 2011, mas nem pensa em focar precisamente um dos fundamentos de qualquer alteração de gabinete, além da necessária conveniência política: a busca de maior eficiência da máquina - no caso, a mais numerosa desde a Independência, em 1822. Nem nossos dois imperadores, Pedro I e Pedro II, dispuseram de tamanho séqüito administrativo.
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A atual multidão de ministros é tal que alguns raramente tratam a sós com o presidente. Basta fazer as contas: levando-se em consideração périplos pelo país e viagens ao exterior, Lula passa cerca de um terço do ano, pouco mais que isso, em Brasília. Digamos que sejam 100, ou até 120 dias úteis. Ainda que despachasse diariamente com um ministro diferente, o que não ocorre, eles passariam mais de três meses sem contato com o presidente. (Lembremo-nos de que no primeiro ano do atual lulalato, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, politicamente próxima ao presidente, só despachou com ele uma única vez).
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Lula adora se comparar a presidentes com marca de realizadores, como Getúlio Vargas ou Juscelino Kubitschek. Certamente, porém, deixou de lado o item tamanho do time. Embora os tempos sejam outros, Getúlio, em seus quatro diferentes períodos de governo e 18 anos de poder (de 1930 a 1945 e, depois, de 1951 a 1954), teve um mínimo de sete e um máximo de 11 ministros. JK (1956-1961) contou com 11 ministros, e cinco titulares de "órgãos de assessoramento", como os gabinetes Civil e Militar.
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Mundo afora, quase todo país sério é governado por equipe enxuta. Os presidentes americanos, por exemplo, conseguem tocar adiante a superpotência de 300 milhões de habitantes e uma economia colossal de 13,3 trilhões de dólares com 15 ministros. Naturalmente a eficiência de uma máquina pública não se mede somente pelas dimensões do Ministério. Para que ela ande a contento, porém, o tamanho exagerado é o primeiro e grande empecilho, que o presidente não enxergou durante o primeiro mandato e continua a não enxergar quando o segundo se aproxima.

TOQUEDEPRIMA ...

Adesista, oportunista e fisiológico, além de demagógico
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Avaliação do PMDB
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A avaliação é do ministro Tarso Genro sobre a participação do partido no governo de coalizão. Segundo ele, PMDB é o mais forte, do ponto de vista de bancada
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Sandra Hahn – Estadão
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PORTO ALEGRE - O ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, avaliou nesta sexta-feira que o PMDB "está se tornando aquilo de que a sociedade brasileira precisa, um partido centrista, progressista e democrático", ao comentar o fato de a legenda ter aprovado participar do governo de coalizão em montagem pelo Planalto.
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Tarso observou que o PMDB é o partido mais forte da coalização, do ponto de vista de bancada, numa referência ao fato de a legenda ter conquistado na eleição deste ano o maior número de deputados na Câmara. Depois vem o PT, situou Genro, dizendo que os dois "terão espaços muito fortes no governo".
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Ao avaliar a participação dos partidos no governo, Genro disse que "os espaços institucionais não podem ser medidos pelo número de cargos". O cálculo é "pela força que têm esses cargos em sua relação com as medidas econômicas e de políticas públicas que o governo está tomando para o próximo período", conforme ele.
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O ministro salientou em dois momentos, em entrevista e durante reunião com prefeitos que teve na Assembléia Legislativa gaúcha, a chamada "porta de saída" do Bolsa Família. Conforme Genro, este item e os sete pontos de coalizão serão chaves para a formação do Ministério.
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Questionado em entrevista, Genro voltou a comentar as declarações do ex-ministro Ciro Gomes, que criticou o baixo crescimento econômico e a Petrobras nas negociações com o Ceará para fornecer gás a uma usina siderúrgica no Estado. "Ciro está verbalizando de acordo com interesses regionais e com as funções políticas que ele tem no Nordeste", declarou Genro.
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"É uma situação facilmente solucionável pelo diálogo", acrescentou, dizendo que as críticas não tem "nenhum significado negativo na sua relação (de Ciro) com o governo". O ministro voltou a afirmar que, em uma frente heterogênea como a que o governo está formando, sempre haverá pontos de vista diferentes.
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O ministro também reiterou que o desempenho da economia - com crescimento de 0,5% do terceiro trimestre, ante o segundo - não surpreende. O mais importante, afirmou ele, é a orientação para as medidas que irão sustentar um crescimento de 5% em 2007. Ele também observou que a renda da população de menor poder aquisitivo cresceu em ritmo "chinês" de 8%.
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Sobre as negociações com o Rio Grande do Sul em torno da dívida com a União, Genro disse que a agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está aberta para receber o governador Germano Rigotto (PMDB), mas previu que deve haver uma reunião quando for concluída análise feita por um grupo de trabalho designado especialmente para isso. Genro afirmou também que não tratou com o presidente sobre sua possível ida para o Ministério da Justiça em 2007.
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INSS divulga tabela que reduz valor das aposentadorias
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da Folha Online
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O Ministério da Previdência divulgou no final da tarde desta sexta a tabela do fator previdenciário que começou a valer hoje, alterada pelo aumento da expectativa de vida do brasileiro.
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A tabela pode ser acessada no site da Previdência. Com ela, o segurado pode multiplicar a média do rendimento mensal pelo número correspondente à idade e ao tempo de contribuição para saber de quanto seria o seu benefício se a aposentadoria fosse solicitada hoje.
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Por exemplo: um segurado de 57 anos de idade e 37 anos de tempo de contribuição tinha, até ontem fator previdenciário igual a 0,843. A partir de hoje, esse número cai para 0,840.
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Na prática, se ele tem rendimento mensal médio de R$ 500, seu benefício, que seria de R$ 421,91 até ontem, cairá para R$ 420,08 hoje.
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Se o rendimento médio mensal for como o teto do INSS, de R$ 2.801,82, o benefício será reduzido de R$ 2.364,24 para R$ 2.353,96.
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Fator
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O fator previdenciário é uma fórmula usada pelo governo para calcular o valor dos benefícios e leva em conta o tempo de contribuição, a idade e a expectativa de vida do segurado. Na prática, o fator previdenciário reduz o benefício de quem se aposenta antes e premia o trabalhador que contribui por mais tempo.
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O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) divulgou nesta sexta-feira que a expectativa de vida do brasileiro aumentou em dois meses, pulando de 71,7 para 71,9. A tabela do fator previdenciário é refeita a cada divulgação anual do IBGE.
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O resultado, segundo Newton Conde, atuário especializado em previdência, diretor da Conde Consultoria e professor da USP, é que o trabalhador que resolver se aposentar a partir de agora receberá um benefício em média 0,44% menor daquele que ganharia até ontem. Se optar por manter o valor antigo, o brasileiro deverá trabalhar --e contribuir para a Previdência-- entre um e dois meses a mais.

TOQUEDEPRIMA...

Governo concederá área a sem-terra que invadiram porto
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O porto de Maceió foi bloqueado por cerca de cinco mil sem-terra na última quinta. A reunião será para oficializar a posse de uma área para 12 mil famílias
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Ricardo Rodrigues- Estadão
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MACEIÓ - Uma comissão de técnicos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) devem se reunir na próxima terça-feira, em Maceió, com lideranças dos três movimentos de trabalhadores rurais sem-terra a fim de formalizar a posse da área do complexo Agrisa, que tem cerca de 20 mil hectares e é reivindicado por cerca de 12 mil famílias.
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A reunião, que acontece na sede da superintendência do Incra em Alagoas, foi agendada em Brasília, durante a ocupação do Porto de Maceió, na última quinta-feira.
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Os cerca de cinco mil sem-terra - que bloquearam o porto durante todo o dia - só desocuparam a área na noite da última quinta, depois que a direção nacional do Incra prometeu ajuizar a ação de desapropriação de mais um lote da Usina Agrisa, de 10 mil hectares, localizado na região da zona da mata do Estado, entre os municípios de Flexeiras e Joaquim Gomes. A administração do porto calculou em mais de US$ 15 mil os prejuízos com a ação dos sem-terra.
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Histórico
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A desapropriação da Agrisa é uma reivindicação dos quatro movimentos: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL), Movimento para Libertação dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MLST) e Comissão Pastoral da Terra (CPT).
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Ao todo, o complexo tem uma área de 23 mil hectares, distribuídos em 28 propriedades e já possui cinco assentamentos desde 2002: Serrana, Bebidas, Papuã, Caldeirões e Santa Luzia do Riachão, num total de cinco mil hectares. O restante está divido em dois blocos de 17 mil hectares. A ocupação da área começou há cinco anos.
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Nesta sexta-feira, mais de 3,5 mil famílias estão acampadas no local. Com a desapropriação, a Incra espera assentar 1,6 mil famílias. O complexo representa a maior concentração de áreas contíguas destinadas à reforma agrária no Estado de Alagoas.
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Processo
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De início, serão ajuizados 22 imóveis correspondentes a cerca de 10 mil hectares. Seis outros imóveis ainda dependem de ações judiciais e outros dois, onde estão localizados os parques industriais, ainda dependem de questões técnicas.
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Índios deixam mosteiro e invadem assentamento em SP
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A área foi ocupada na última quinta-feira, mas a polícia só foi avisada na sexta
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José Maria Tomazela - Estadão
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SOROCABA - Um grupo de 85 índios que desde maio ocupava a fazenda dos monges da Ordem dos Cistercienses em Itaporanga, no sudoeste do Estado, a 350 km de São Paulo, deixou a área e invadiu um assentamento do Banco do Povo, em Riversul, município da região. A área, de 221 hectares, foi ocupada na tarde da última quinta-feira, mas a Polícia Civil só foi informada na manhã desta sexta, 1. Os índios, da etnia guarani, alegam que, a exemplo das terras dos monges, também a área do assentamento pertence aos seus antepassados.
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Eles são procedentes da Aldeia Tereguá, no município de Avaí, região de Bauru. Segundo o cacique Darã Marcolino, o grupo pretende cultivar lavouras em 20 lotes do assentamento que estão abandonados.
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Das 30 famílias de trabalhadores rurais assentadas no local em 2001, pelo programa Banco do Povo, do Governo do Estado, apenas 10 permanecem na área. De acordo com o presidente da Associação Familiar Campo Alegre, Jurandir Fernandes, não houve resistência à entrada dos índios.
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O cacique informou que a Fundação Nacional do Índio (Funai) deve enviar representantes na próxima semana para analisar a situação. Segundo ele, o grupo concordou em sair da fazenda dos monges com a condição de que o órgão federal realize estudos antropológicos para determinar se as terras são indígenas.
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A fazenda, com 1.161 hectares, é a maior propriedade da Igreja Católica no Estado de São Paulo. Parte das terras estava arrendada para custear as atividades dos 26 monges cistercienses de Itaporanga.
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Além da fazenda, os índios ocupavam o Mosteirinho, como é chamado o segundo mosteiro dos monges na cidade. A ordem não entrou com ação de reintegração de posse na justiça contra os invasores. A saída dos índios estava sendo negociada, através da Funai, com a Procuradoria da República de Ourinhos. Ao invés de se alojar numa escola, num bairro próximo, como havia sido proposto, o grupo optou por invadir o assentamento.

CARTA ABERTA

Publicada no Prosa & Política
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Exma Sra Juíza Ellie Gracie.
Presidente do Supremo Tribunal Federal

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Consternado e entristecido ouvi ontem, em cadeia Nacional, a melancólica e triste entrevista de Vª Excelência tentando justificar direitos salariais e jetons para si e seus pares. Tenha certeza Sra. Gracie, permita-me assim chamá-la, eu e milhões de Brasileiros fomos dormir, ontem, mais tristes, mais desesperançados e muito, muito mais melancólicos com os destinos de nossa pobre e explorada Nação.
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Confesso de coração aberto e com alma de cidadão, que fiquei feliz e Emocionado quando a Sra. foi escolhida para presidir a mais alta corte da Justiça Brasileira. Em boa e alvissareira hora, substituindo seu antecessor de triste memória e questionável desempenho ético.
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Li, nas páginas de uma revista semanal, o belíssimo artigo de sua conterrânea Gaúcha, a admirável e amada LYA LUFT, discorrendo sobre a escolha pelo voto para Governadora de seus estados, três MULHERES. Em seu lúcido artigo, transparecia a esperança depositada nestas mulheres, mães, esposas - reserva moral da família - e talvez a redenção da Pátria.
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Decorridos apenas alguns dias, deparo-me com a sua entrevista no citado tele-jornal. Charmosa nos seus anos maduros, simpática e com postura de autoridade, como sempre elegante, com o domínio completo de suas atribuições. Mas, Sra Presidente, que desilusão, que desgosto, que inversão de valores a Senhora nos passou com a defesa intransigente sobre o aumento de seus próprios salários e de uma novíssima modalidade de reforçar seus já generosos contra-cheques - JETONS, JETONS - pagamentos específicos para Vªs Excelências, por reuniões em hora de expediente e com finalidades não devidamente esclarecidas. E mais, retroativos a JULHO de 2005, com os devidos ressarcimentos. E ainda, Sra Presidente, totalmente isentos de Imposto de Renda, esta coisa comezinha e degenerada que só a ralé deve descontar religiosa e mensalmente para que Vªs Excelências tenham seu contra-cheques, mordomias mil e JETONS inexplicáveis garantidos.
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Penso que Juízes e assemelhados devam ser bem remunerados. Penso que um magistrado no sagrado dever de suas atribuições, não pode e não deve ficar preocupado com suas contas, suas faturas, e a condução administrativa de seus familiares e as despesas do dia-a-dia. Suas funções e suas atribuições são nobres, belas e importantes demais, para que Vªs Senhorias se desviem, durante seu "expediente" para tratar de assuntos tão corriqueiros. Mas entre salários - sim, salários - porque Vªs Senhorias são funcionários, e, portanto, são assalariados, assim como eu e milhões de brasileiros, e salários milionários, vai uma grande diferença.
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No momento em que se discute se o salário mínimo aumentará R$ 17,00 ou R$ 25,00, o Judiciário Brasileiro, o mais bem remunerado do Planeta, pleiteia descarada, abusiva e acintosamente um novo e fabuloso aumento. O legado iluminista de MONTESQUIEU, na sua mais bela obra "O Espírito das Leis-1748", modificou para sempre a História dos povos e das Nações modernas e socialmente justas, prevendo a separação dos poderes, como forma mais adequada de Governo. No entanto, esses conceitos, que para outras Nações privilegiadas foi uma benção e uma maneira eficaz e correta de governar os povos, para o nosso infeliz Brasil, é uma praga descontrolada. Ninguém controla nada, ninguém processa ninguém, e todos se locupletam.
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A Bielo-Rússia é ex-colônia da falecida URSS. Continua um estado totalitário, ineficaz e corrupto. Não tem grandes indústrias, seu comércio é pífio e suas riquezas naturais, modestas. Nem de longe comparar com o fantástico e imenso território Brasileiro, com suas incríveis reservas naturais. Nossa indústria é pujante e moderna, nosso povo é ordeiro e laborioso. Assim mesmo, Exma Sra Juíza, aquele pequeno e infeliz País da Europa Oriental teve seu IDH superior ao do Brasil. Por quê? Por que será que caminhamos céleres e firmes para o ralo da História? Não lhe ocorre nada? O que pensam Vªs Excelências, como estipulam seus estipêndios? De onde acham que saem os recursos que sustentam sua paralisada máquina? Afinal, para que tanta ganância? Porque um juiz da triste Nação Brasileira necessita ser milionário, quando a imensa maioria do povo humilde é miserável e passa fome, não tem saúde, não tem educação, não tem assistência JURÍDICA e não tem esperança?
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Acaso tiveram em sua bela e generosa existência Vª Excelência e seus pares a oportunidade de privar com o simples cidadão? O empregado da Indústria, o trabalhador rural, o peão de obra, a doméstica que levanta às 05:00hs para chegar a tempo no seu modesto emprego e receber um salário vil e famigerado? Tenho certeza que não. Vossas Excelências, todas, não sabem mais dos valores e das misérias da existência humana. A alegria e tragédia de um povo humilde, trabalhador, honrado, digno. Vªs Senhorias todos se perderam nos descaminhos viciados do imenso e fantástico poder que desfrutam e usam até o limite da tolerância da sociedade. Que espécie de Nação pensam estar legando para a posteridade? O que Vªs Senhorias pensam do futuro de nossos filhos e netos? Até onde aguentará a paciência generosa do povo Brasileiro? Até quando? Exma Sra Presidente Ellie Gracie, sou um simples cidadão, um pai de família, um funcionário público aposentado. Ainda assim trabalho para reforçar minha renda. Porque preciso, porque sei, porque gosto. Convivo diariamente com Homens, Homens com HHH maiúsculo. Peões de obra, assalariados, miseráveis, gente simples, modesta, inculta, pobre e desdentada - com suas roupas sujas, remendadas, com o cheiro inerente aos homens da labuta, o cheiro do suor, do trabalho. O cheiro inconfundível do progresso, da honra, da dignidade humana. O cheiro que certamente para as finas narinas de Vªs Excelências seria intragável, para mim, que os conheço e respeito, é o cheiro da esperança de um futuro melhor, de uma nação mais próspera, de uma sociedade mais justa e igualitária. Solicito respeitosamente a Vª Excelência, ou melhor, imploro Sra Presidente, como Brasileiro e cidadão, imploro humildemente do meu modesto e simples lugar: não destrua mais uma vez a esperança de milhões de compatriotas, não compactue com a ganância sem fim de seus pares, não sangrem mais a nação extenuada e prostrada até a última gota.
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Deposito no Judiciário Brasileiro a última esperança, o derradeiro lamento, o último grito de socorro. Todos os demais poderes, corrompidos, conspurcados, indiferentes à sorte da Nação - deles, nada mais espero - senão vergonha, dor, tristeza e desesperança.
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Respeitosamente
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Gerson Marquardt - Cidadão, pai, avô. Brasileiro.

Os lábios de Amorim

Por Sebastião Nery, na Tribuna da Imprensa
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Desde governador de Minas, Juscelino tinha o hábito de telefonar cedo, muito cedo, para seus auxiliares. Pascoal Carlos Magno, diplomata, anjo e príncipe da cultura brasileira, diretor da Casa do Estudante do Brasil e fundador de teatros, era assessor cultural de JK na presid6encia da República.
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Uma manhã bem cedo Juscelino ligou para a casa de Pascoal, que tinha ido dormir muito tarde:
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- Pascoal, aqui é o Juscelino.
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- Vá à merda.
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Bateu o telefone e continuou a dormir. Juscelino levou um susto, pediu a Geraldo Carneiro para ver o que estava acontecendo. O gentil e educado Pascoal tinha pensado que era trote. Juscelino entendeu e contava a história.
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Castelo Branco
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O telefone tocou na casa de Genaro de Carvalho, famoso tapeceiro da Bahia e britânico no humor, que morava no Campo Grande, em Salvador:
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- O senhor Genaro está? Aqui é o Castelo Branco.
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- Que Castelo Branco? O pai de todos nós, lá de Brasília? Detesto trote.
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- Não é trote não, seu Genaro. Estou aqui em Salvador, hospedado no Palácio da Aclamação, bem perto de sua casa, e gostaria que o senhor escolhesse um tapete seu e me trouxesse, pois quero adquirir.
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- Eu sei, seu Castelo, que o senhor é quem manda. Mas não vou não. Quem quer meus tapetes vem comprar aqui. Procure um trote mais inteligente. Daí a pouco, um Cadilac preto parou em frente à casa de Genaro. Era o governador Lomanto Junior, que tinha ido comprar um tapete para o presidente Castelo Branco, hospedado ali bem junto, no Palácio da Aclamação.
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Genaro vendeu o tapete e pediu a Lomanto que pedisse desculpas a Castelo. Ele tinha pensado que o telefonema era de Jorge Amado, que tinha a mania de passar trotes telefônicos nos amigos.
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Dom Newton
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Padre Godinho, deputado da UDN, da Arena e do MDB, cassado pelo AI-5, imitava perfeitamente as vozes alheias. Uma noite, já tarde, toca o telefone no apartamento do padre Nobre, do MDB de Minas, em Brasília:
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- É o senhor padre Nobre? Padre Nobre, aqui é dom José Newton, arcebispo. Li nos jornais que o senhor está na Comissão de Orçamento da Câmara e estamos precisando de ajuda para as obras de assistência aos menores da arquidiocese. O senhor poderia providenciar uma verba?
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- Pois não, senhor arcebispo, com todo o prazer.
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- Muito obrigado, padre. E receba minha bênção episcopal.No dia seguinte, na Câmara, padre Godinho encontra padre Nobre:
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- Nobre, sonhei com você, à beira da cama, recebendo uma bênção.
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Padre Nobre ficou uma fera. Um mês depois, de manhã bem cedo, toca o telefone no apartamento do Padre Nobre:
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- É o senhor padre Nobre? Aqui é dom José Newton, arcebispo.
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- Vá à puta que o pariu, seu arcebispo de merda!
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E desligou. À tarde, chega ao gabinete do padre Nobre, na Câmara, monsenhor Ávila, secretário do arcebispo:
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- Padre Nobre, o que houve hoje cedo durante um telefonema do senhor arcebispo para o senhor, que ele passou mal logo que desligou o telefone?
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Padre Nobre ligou aflito para o arcebispo, contando a história do trote de padre Godinho e pedindo desculpas. Dom José Newton ouviu e desculpou:
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- Está explicado, padre Nobre. Bem vi que havia alguma coisa errada. Mas, padre Nobre, que linguajar pouco nobre nos lábios de um sacerdote!
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Celso Amorim

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Piores são os lábios do ministro Celso Amorim. Ninguém entendeu o telefonema gratuito, antidiplomático, grosso, mal educado, estúpido, do ministro Celso Amorim para o embaixador em Lisboa Paes de Andrade, demitindo-o de sopetão, dando o nome do substituto e "ordens para obedecer imediatamente". Repetia o que fez com o embaixador Abdenur, de Washington, que, segundo Elio Gaspari, ele "demitiu com um telegrama de motorista".
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Mas no Ceará não tem disso não. Pego de surpresa, Paes de Andrade só teve tempo de mandar o ministro procurar o que fazer, gritar-lhe no ouvido uma "pedra 90", como se diz lá na Bahia, e bater o telefone. O presidente do Senado, Renan Calheiros, comunicou a Lula que Amorim esqueceu que ninguém nomeia embaixador sem o Senado aprovar e o Senado não concorda.
Lula, como sempre, disse que não sabia de nada, que Amorim havia "atropelado" e chamaria Paes para uma conversa. Este ano não há mais tempo para a Comissão de Relações Exteriores e o Senado aprovarem um novo nome. Só depois de 15 de fevereiro. E o "candidato" de Amorim ficou queimado.
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Depois de passar 17 anos puxando o saco de Paes, pedindo e ganhando o voto dele em todas as eleições, Lula não teve sequer a gentileza de mandar uma secretária ou assessor dar um telefonema para Paes. São uns grossos.
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Ciro
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Quem entende desse governo é Ciro Gomes: "A compra do dossiêfoi uma patuscada dos aprendizes de mafiosos do PT de São Paulo... O presidente Lula não pode ser feito de palhaço no Brasil e no Ceará... A Petrobras fez patrocínios culturais e políticos imorais, picaretagens".

Reforma política ideal jamais será aprovada

Por Valdo Cruz, na Folha de São Paulo
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O Conselho de Desenvolvimento Econômico Social, órgão mais conhecido como Conselhão, faz hoje sua última reunião no primeiro mandato do governo Lula. Promete fechar uma proposta de reforma política no mínimo interessante. Em alguns pontos, aproxima-se até da ideal.
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Além de temas como fidelidade partidária e financiamento público ou misto de campanha, pode sugerir algumas excelentes idéias, tais como: limitar o número de reeleições de deputados e senadores; proibir a renúncia de mandatos para disputar outro cargo e revogação de mandato mediante consulta popular.
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Entre os eleitores, creio que as três propostas teriam total aprovação. Afinal, limitar o número de reeleições forçaria uma renovação do Congresso Nacional, casa em que políticos profissionais acabam trabalhando mais em favor de seus interesses do que da população brasileira.
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Proibir a renúncia de mandatos para disputar outro posto acabaria com uma prática bastante comum, de usar uma eleição como escada para outra. Acontece muito com prefeitos que, no meio do caminho, viram candidatos a governador. Exemplos não faltam, de José Serra, em São Paulo, recentemente, a Pimenta da Veiga, em Belo Horizonte.
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Agora, fazer deputados e senadores aprovar uma reforma política nessa linha é muito difícil. Difícil, não, impossível. Desde que estou em Brasília, há mais de 18 anos, a cada crise política o santo remédio receitado por todos é uma reforma política profunda.
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Dizem ser a mãe de todas as reformas, aquela que daria mais solidez ao quadro partidário brasileiro, reduziria e muito a barganha política e facilitaria o encaminhamento de medidas vitais ao país no Congresso Nacional.
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Só que a crise passa, a vida continua e a reforma política cai no esquecimento. Tem sido assim. Dizem que será diferente dessa vez. Mas não se engane o eleitor. Se passar uma reforma política, jamais será uma proposta ousada. Para sê-lo, precisaria atingir em cheio os interesses individuais dos parlamentares, os mesmos que irão votá-la. A possibilidade de isso acontecer é zero.
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A turma do Congresso tem até como atacar a possível proposta do Conselhão para escapar de tema tão espinhoso. Basta dizer que o órgão teve pouca serventia no governo Lula. Só inventou propostas impossíveis e patrocinou debates que a nada levaram.
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Tarso Genro, ministro das Relações Institucionais e comandante do Conselhão, não concorda. Diz que algumas medidas importantes do governo Lula surgiram de debates promovidos pelo órgão, como o crédito consignado.
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O ministro cita que uma idéia sugerida pelos conselheiros foi propor uma Constituinte exclusiva para votar uma reforma política, sabedores das dificuldades de deputados e senadores de votarem um projeto que vai contra suas vantagens e benefícios. Tarso Genro reconhece, porém, que uma Constituinte seria inviável..A idéia é encaminhar ao Congresso o texto de reforma política a ser aprovado pelo Conselhão. Apesar de ser praticamente impossível sua aprovação tal como deve ser finalizado, terá pelo menos a utilidade de constranger deputados e senadores. Mais uma vez devem se mostrar, em sua maioria, corporativistas.

O atrevimento não tem limites

Augusto Nunes
Coisas da Política – Jornal do Brasil.

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Em países obedientes à lei, os chefes do MST e sucursais estariam na cadeia, recolhidos à ala dos compulsivos atropeladores das normas em vigor, sobretudo as que regem o direito de propriedade. Em países civilizados, estariam no circo, dividindo a curiosidade da platéia com outras extravagâncias e antiguidades. Como o Brasil não é uma coisa nem outra, esses nostálgicos de cartilhas do século 18 circulam livremente pelos campos e cidades, espancando com crescente desembaraço os códigos legais e o bom senso.
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Caso fossem obrigados a instalar-se nas terras que reivindicam, e a cultivá-las por conta própria, os líderes do buquê de siglas ficariam mal aos olhos dos lavradores de verdade. Quase todos sabem de cor longos textos de Karl Marx e dúzias de frases de Guevara. Mas não distinguem um boi de um bode. Se tivessem de lidar com foices e martelos que conhecem só de vista, poucos escapariam da auto-mutilação. Como trocaram desde sempre o trabalho pelo falatório, não se arriscam a estágios no pronto-socorro.
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Assim, sobra-lhes tempo para estudar a diversificação dos alvos. Há meses, Bruno Maranhão, único revolucionário do planeta que vive (muito bem) com a mesada da mãe, liderou a depredação do Congresso. Em liberdade, deve ter colaborado com Stédile e o resto da turma na escolha de outro alvo surpreendente: o porto de Maceió, no litoral de Alagoas.
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Na semana passada, mais de 5 mil militantes, adestrados na invasão de fazendas ou prédios e na interdição de rodovias, participaram do ataque ao porto com o ímpeto de quem conquista um forte sobre o penhasco. Durante horas, ficou proibida a entrada ou saída dos 3 mil caminhões que usam diariamente as instalações portuárias. Nenhum navio zarpou, nenhum pôde ancorar. Nenhuma carga embarcou, nenhuma foi desembarcada.
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Estariam os invasores inaugurando uma nova etapa na saga do movimento, agora para lançar-se à exploração de fazendas marinhas? Teriam os guerreiros sem-terra decidido subtrair aos aristocratas das águas o monopólio da lagosta, do camarão e do siri? Nada disso. A ofensiva foi concebida para exigir do governo federal "agilidade na desapropriação dos 20 mil hectares da Usina Agrisa", no interior do Estado.
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Enquanto o sertão não vira mar, o MST agiu na costa para extorquir terras na Zona da Mata alagoana. Deu certo. Com a rapidez dos pusilânimes, o ministro de Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, determinou ao Incra o pronto atendimento à reivindicação da companheirada, que topou liberar o porto.
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Com voz branda e modos polidos, Cassel limitou-se a lamentar a pressa dos invasores: poderiam ter esperado mais alguns dias pelas terras da usina. É bom que trate de acostumar-se. Segundo Stédile, o próximo ano será pior que este. "Lula, não nos tome como compadres", advertiu o comandante do MST, num recado direto ao presidente da República. "Nossa paciência tem limites".
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O que não tem limites é a tolerância de autoridades encarregadas de aplicar a lei e defender a ordem democrática. O que também parece sem limites é a paciência dos brasileiros decentes, agredidos sem tréguas pela bandidagem com padrinhos federais e movida pela certeza da eterna impunidade.

TOQUEDEPRIMA...

Waldir Pires nega haver pontos cegos no País
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A possibilidade de haver pontos cegos na área de cobertura do controle de tráfego aéreo de Brasília (Cindacta 1) parece não causar espanto ao ministro da Defesa, Waldir Pires, que esteve ontem no Rio, negando as denúncias feitas em reportagem exibida pelo programa Fantástico no domingo passado e assegurando que os níveis de segurança de vôo do País são os melhores do mundo. O Cindacta 1 é responsável pelo monitoramento do espaço aéreo onde ocorreu o acidente com o Boeing da Gol e o jato Legacy, no dia 29 de setembro, quando morreram 154 passageiros.
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Pires veio ao Rio participar do seminário "Sociedade: diálogo com as forças armadas", na Escola de Comando e Estado Maior do Exército, na Urca, Zona Sul, cujo objetivo é estimular uma maior integração entre a população e as Forças Armadas. "As informações que tenho são de que nós temos os melhores níveis de segurança de vôo do mundo contemporâneo. Esse é um resultado físico, é um dado histórico, não temos índices competitivos, de modo que é um jogo de linguagem. É um problema que a Aeronáutica vai ter de dizer, pronunciar-se", disse o ministro, que não viu a reportagem porque estava no show da cantora Maria Bethânia, no Rio.
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Para especialistas que atuam próximos às investigações do acidente do vôo 1907, causou estranheza à comissão que apura a queda do avião da Gol as imagens veiculadas pela TV "Globo" que comprovariam a existência do ponto cego. A matéria mostra um radar que monitorava dois aviões que sumiram repentinamente, após passarem por essa área sem cobertura.
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Os especialistas acham, no entanto, que um controlador pode apagar a imagem com um simples toque. Segundo os especialistas, a suposta insuficiência de cobertura radar do Cindacta 1 será investigada, embora a Aeronáutica tenha informado que não há esse problema.
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Pires também negou a afirmação dos controladores de tráfego aéreo que estavam de plantão no dia do choque dos aviões e que disseram à imprensa no fim de semana que uma falha nos equipamentos pode ter induzido os controladores ao erro. "As informações que a Aeronáutica me passa são consistentes. A Aeronáutica tem nos dado informações do acompanhamento adequado, que, de alguma forma, tranqüilizam o País, em função da segurança dos nossos vôos", reforçou.
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Sobre os acidentes que estiveram próximos de ocorrer no espaço aéreo brasileiro, também denunciados pelos controladores, o ministro demonstrou otimismo. "Em todos os países existem estatísticas parecidas. Nós vamos recuperar essa fase, recuperar estabilidade".
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Quanto ao boato espalhado pelo Sindicato das Empresas Áereas de que o sistema de segurança do céu do País está sucateado porque o dinheiro de investimentos teria sido usado para fazer superávit primário, Pires negou, mais uma vez, e disse que os investimentos do setor foram realizados.
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Segundo o ministro, os horários das decolagens dos vôos deverão atingir a normalidade até o Natal, mas não deu garantia aos passageiros. "A minha esperança é que cheguemos ao Natal em uma relativa tranqüilidade. Nós estamos caminhando para a normalidade. Estamos já contratando diversos controladores. A posição do governo é para preparar intensivamente os controladores", disse.
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Críticas
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O ministro Waldir Pires usou a diplomacia e preferiu não comentar as críticas feitas a ele, neste fim de semana, pelo presidente do Clube da Aeronáutica, brigadeiro Ivan Frota. Por meio de carta, Frota diz que Pires "fulminou" hierarquia e disciplina ao lidar diretamente com os controladores de vôo no período mais agudo dos atrasos e cancelamentos, em meados de outubro. "Guardo uma impressão boa do brigadeiro Frota. Ainda não li (as críticas), soube. De modo que juízos pessoais são direito de qualquer cidadão. Eu não discuto juízo pessoal e defendo a liberdade para que as pessoas possam dizer o que entendem", afirma Pires.
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Informações confirmam versão de pilotos, diz advogado
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As declarações de dois controladores de vôo, um dos quais monitorava o Legacy no momento do acidente com o Boeing da Gol, foram bem recebidas pela defesa dos pilotos do jato. Para Theo Dias, um dos advogados de Joe Lepore e Jan Paul Paladino, as novas informações mostram que eles não desrespeitaram as normas de aviação e que a queda do Boeing, que matou 154 pessoas, foi conseqüência de uma sucessão de falhas no sistema de radar e de comunicação.
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"As revelações reforçam o argumento de que é prematuro apontar culpados. Uma série de acusações imputadas aos pilotos já foram refutadas, desde a divulgação do relatório da Aeronáutica", disse Dias. Ele cita, por exemplo, a divulgação do diálogo em que os pilotos receberam autorização para voar a 37 mil pés até Manaus. E, também, a confirmação de que eles tentaram se comunicar com controladores de vôo pelo menos 20 vezes e que não faziam qualquer tipo de teste com a aeronave.
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Os controladores, que quebraram o silêncio dois meses depois do acidente, relataram que o choque ocorreu porque o sistema "corrigiu" a altitude do Legacy de maneira errada: o jato estava a 37 mil pés, em rota de colisão com o avião da Gol, mas, na tela, apareceu que a altitude era de 36 mil pés.O fato de o transponder do Legacy estar inoperante agravou o problema. O dispositivo fornece dados precisos ao centro de controle, ao passo que o radar primário disponibiliza informações aproximadas. Os pilotos sustentam que não desligaram o aparelho e que não sabiam que ele havia parado de funcionar.
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"Eles tentaram falar insistentemente com os controladores, o que mostra que não estavam tentando se ocultar, passar despercebido. Não teria cabimento desligar o transponder", afirmou Theo Dias. Ele disse que o depoimento dos pilotos à Polícia Federal ainda não foi marcado (ambos falaram à Aeronáutica, por duas vezes, e à Polícia Civil, mas não no inquérito aberto pela PF para apurar responsabilidades pelas mortes). Lepore e Paladino continuam hospedados em um hotel no Rio.
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COMENTANDO A NOTICIA: Considerando-se tudo o que já sabemos, testemunhos e vídeos comprobatórios das falhas existentes, previamente alertadas e totalmente ignoradas pelo governo, e ainda sabendo o pouco caso com que este mesmo governo tem tratado a questão do “apagão” aéreo, com os problemas de atrasos e cancelamentos de vôos por todos o país se sucedendo diariamente, pode-se, sem nenhuma dúvida, afirmar que o “ponto cego” do controle do espaço aéreo brasileiro chama-se governo. Totalmente cego e incompetente.