Waldir Pires nega haver pontos cegos no País
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A possibilidade de haver pontos cegos na área de cobertura do controle de tráfego aéreo de Brasília (Cindacta 1) parece não causar espanto ao ministro da Defesa, Waldir Pires, que esteve ontem no Rio, negando as denúncias feitas em reportagem exibida pelo programa Fantástico no domingo passado e assegurando que os níveis de segurança de vôo do País são os melhores do mundo. O Cindacta 1 é responsável pelo monitoramento do espaço aéreo onde ocorreu o acidente com o Boeing da Gol e o jato Legacy, no dia 29 de setembro, quando morreram 154 passageiros.
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Pires veio ao Rio participar do seminário "Sociedade: diálogo com as forças armadas", na Escola de Comando e Estado Maior do Exército, na Urca, Zona Sul, cujo objetivo é estimular uma maior integração entre a população e as Forças Armadas. "As informações que tenho são de que nós temos os melhores níveis de segurança de vôo do mundo contemporâneo. Esse é um resultado físico, é um dado histórico, não temos índices competitivos, de modo que é um jogo de linguagem. É um problema que a Aeronáutica vai ter de dizer, pronunciar-se", disse o ministro, que não viu a reportagem porque estava no show da cantora Maria Bethânia, no Rio.
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Para especialistas que atuam próximos às investigações do acidente do vôo 1907, causou estranheza à comissão que apura a queda do avião da Gol as imagens veiculadas pela TV "Globo" que comprovariam a existência do ponto cego. A matéria mostra um radar que monitorava dois aviões que sumiram repentinamente, após passarem por essa área sem cobertura.
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Os especialistas acham, no entanto, que um controlador pode apagar a imagem com um simples toque. Segundo os especialistas, a suposta insuficiência de cobertura radar do Cindacta 1 será investigada, embora a Aeronáutica tenha informado que não há esse problema.
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Pires também negou a afirmação dos controladores de tráfego aéreo que estavam de plantão no dia do choque dos aviões e que disseram à imprensa no fim de semana que uma falha nos equipamentos pode ter induzido os controladores ao erro. "As informações que a Aeronáutica me passa são consistentes. A Aeronáutica tem nos dado informações do acompanhamento adequado, que, de alguma forma, tranqüilizam o País, em função da segurança dos nossos vôos", reforçou.
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Sobre os acidentes que estiveram próximos de ocorrer no espaço aéreo brasileiro, também denunciados pelos controladores, o ministro demonstrou otimismo. "Em todos os países existem estatísticas parecidas. Nós vamos recuperar essa fase, recuperar estabilidade".
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Quanto ao boato espalhado pelo Sindicato das Empresas Áereas de que o sistema de segurança do céu do País está sucateado porque o dinheiro de investimentos teria sido usado para fazer superávit primário, Pires negou, mais uma vez, e disse que os investimentos do setor foram realizados.
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Segundo o ministro, os horários das decolagens dos vôos deverão atingir a normalidade até o Natal, mas não deu garantia aos passageiros. "A minha esperança é que cheguemos ao Natal em uma relativa tranqüilidade. Nós estamos caminhando para a normalidade. Estamos já contratando diversos controladores. A posição do governo é para preparar intensivamente os controladores", disse.
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Críticas
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O ministro Waldir Pires usou a diplomacia e preferiu não comentar as críticas feitas a ele, neste fim de semana, pelo presidente do Clube da Aeronáutica, brigadeiro Ivan Frota. Por meio de carta, Frota diz que Pires "fulminou" hierarquia e disciplina ao lidar diretamente com os controladores de vôo no período mais agudo dos atrasos e cancelamentos, em meados de outubro. "Guardo uma impressão boa do brigadeiro Frota. Ainda não li (as críticas), soube. De modo que juízos pessoais são direito de qualquer cidadão. Eu não discuto juízo pessoal e defendo a liberdade para que as pessoas possam dizer o que entendem", afirma Pires.
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Informações confirmam versão de pilotos, diz advogado
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As declarações de dois controladores de vôo, um dos quais monitorava o Legacy no momento do acidente com o Boeing da Gol, foram bem recebidas pela defesa dos pilotos do jato. Para Theo Dias, um dos advogados de Joe Lepore e Jan Paul Paladino, as novas informações mostram que eles não desrespeitaram as normas de aviação e que a queda do Boeing, que matou 154 pessoas, foi conseqüência de uma sucessão de falhas no sistema de radar e de comunicação.
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"As revelações reforçam o argumento de que é prematuro apontar culpados. Uma série de acusações imputadas aos pilotos já foram refutadas, desde a divulgação do relatório da Aeronáutica", disse Dias. Ele cita, por exemplo, a divulgação do diálogo em que os pilotos receberam autorização para voar a 37 mil pés até Manaus. E, também, a confirmação de que eles tentaram se comunicar com controladores de vôo pelo menos 20 vezes e que não faziam qualquer tipo de teste com a aeronave.
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Os controladores, que quebraram o silêncio dois meses depois do acidente, relataram que o choque ocorreu porque o sistema "corrigiu" a altitude do Legacy de maneira errada: o jato estava a 37 mil pés, em rota de colisão com o avião da Gol, mas, na tela, apareceu que a altitude era de 36 mil pés.O fato de o transponder do Legacy estar inoperante agravou o problema. O dispositivo fornece dados precisos ao centro de controle, ao passo que o radar primário disponibiliza informações aproximadas. Os pilotos sustentam que não desligaram o aparelho e que não sabiam que ele havia parado de funcionar.
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"Eles tentaram falar insistentemente com os controladores, o que mostra que não estavam tentando se ocultar, passar despercebido. Não teria cabimento desligar o transponder", afirmou Theo Dias. Ele disse que o depoimento dos pilotos à Polícia Federal ainda não foi marcado (ambos falaram à Aeronáutica, por duas vezes, e à Polícia Civil, mas não no inquérito aberto pela PF para apurar responsabilidades pelas mortes). Lepore e Paladino continuam hospedados em um hotel no Rio.
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COMENTANDO A NOTICIA: Considerando-se tudo o que já sabemos, testemunhos e vídeos comprobatórios das falhas existentes, previamente alertadas e totalmente ignoradas pelo governo, e ainda sabendo o pouco caso com que este mesmo governo tem tratado a questão do “apagão” aéreo, com os problemas de atrasos e cancelamentos de vôos por todos o país se sucedendo diariamente, pode-se, sem nenhuma dúvida, afirmar que o “ponto cego” do controle do espaço aéreo brasileiro chama-se governo. Totalmente cego e incompetente.
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A possibilidade de haver pontos cegos na área de cobertura do controle de tráfego aéreo de Brasília (Cindacta 1) parece não causar espanto ao ministro da Defesa, Waldir Pires, que esteve ontem no Rio, negando as denúncias feitas em reportagem exibida pelo programa Fantástico no domingo passado e assegurando que os níveis de segurança de vôo do País são os melhores do mundo. O Cindacta 1 é responsável pelo monitoramento do espaço aéreo onde ocorreu o acidente com o Boeing da Gol e o jato Legacy, no dia 29 de setembro, quando morreram 154 passageiros.
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Pires veio ao Rio participar do seminário "Sociedade: diálogo com as forças armadas", na Escola de Comando e Estado Maior do Exército, na Urca, Zona Sul, cujo objetivo é estimular uma maior integração entre a população e as Forças Armadas. "As informações que tenho são de que nós temos os melhores níveis de segurança de vôo do mundo contemporâneo. Esse é um resultado físico, é um dado histórico, não temos índices competitivos, de modo que é um jogo de linguagem. É um problema que a Aeronáutica vai ter de dizer, pronunciar-se", disse o ministro, que não viu a reportagem porque estava no show da cantora Maria Bethânia, no Rio.
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Para especialistas que atuam próximos às investigações do acidente do vôo 1907, causou estranheza à comissão que apura a queda do avião da Gol as imagens veiculadas pela TV "Globo" que comprovariam a existência do ponto cego. A matéria mostra um radar que monitorava dois aviões que sumiram repentinamente, após passarem por essa área sem cobertura.
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Os especialistas acham, no entanto, que um controlador pode apagar a imagem com um simples toque. Segundo os especialistas, a suposta insuficiência de cobertura radar do Cindacta 1 será investigada, embora a Aeronáutica tenha informado que não há esse problema.
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Pires também negou a afirmação dos controladores de tráfego aéreo que estavam de plantão no dia do choque dos aviões e que disseram à imprensa no fim de semana que uma falha nos equipamentos pode ter induzido os controladores ao erro. "As informações que a Aeronáutica me passa são consistentes. A Aeronáutica tem nos dado informações do acompanhamento adequado, que, de alguma forma, tranqüilizam o País, em função da segurança dos nossos vôos", reforçou.
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Sobre os acidentes que estiveram próximos de ocorrer no espaço aéreo brasileiro, também denunciados pelos controladores, o ministro demonstrou otimismo. "Em todos os países existem estatísticas parecidas. Nós vamos recuperar essa fase, recuperar estabilidade".
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Quanto ao boato espalhado pelo Sindicato das Empresas Áereas de que o sistema de segurança do céu do País está sucateado porque o dinheiro de investimentos teria sido usado para fazer superávit primário, Pires negou, mais uma vez, e disse que os investimentos do setor foram realizados.
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Segundo o ministro, os horários das decolagens dos vôos deverão atingir a normalidade até o Natal, mas não deu garantia aos passageiros. "A minha esperança é que cheguemos ao Natal em uma relativa tranqüilidade. Nós estamos caminhando para a normalidade. Estamos já contratando diversos controladores. A posição do governo é para preparar intensivamente os controladores", disse.
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Críticas
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O ministro Waldir Pires usou a diplomacia e preferiu não comentar as críticas feitas a ele, neste fim de semana, pelo presidente do Clube da Aeronáutica, brigadeiro Ivan Frota. Por meio de carta, Frota diz que Pires "fulminou" hierarquia e disciplina ao lidar diretamente com os controladores de vôo no período mais agudo dos atrasos e cancelamentos, em meados de outubro. "Guardo uma impressão boa do brigadeiro Frota. Ainda não li (as críticas), soube. De modo que juízos pessoais são direito de qualquer cidadão. Eu não discuto juízo pessoal e defendo a liberdade para que as pessoas possam dizer o que entendem", afirma Pires.
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Informações confirmam versão de pilotos, diz advogado
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As declarações de dois controladores de vôo, um dos quais monitorava o Legacy no momento do acidente com o Boeing da Gol, foram bem recebidas pela defesa dos pilotos do jato. Para Theo Dias, um dos advogados de Joe Lepore e Jan Paul Paladino, as novas informações mostram que eles não desrespeitaram as normas de aviação e que a queda do Boeing, que matou 154 pessoas, foi conseqüência de uma sucessão de falhas no sistema de radar e de comunicação.
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"As revelações reforçam o argumento de que é prematuro apontar culpados. Uma série de acusações imputadas aos pilotos já foram refutadas, desde a divulgação do relatório da Aeronáutica", disse Dias. Ele cita, por exemplo, a divulgação do diálogo em que os pilotos receberam autorização para voar a 37 mil pés até Manaus. E, também, a confirmação de que eles tentaram se comunicar com controladores de vôo pelo menos 20 vezes e que não faziam qualquer tipo de teste com a aeronave.
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Os controladores, que quebraram o silêncio dois meses depois do acidente, relataram que o choque ocorreu porque o sistema "corrigiu" a altitude do Legacy de maneira errada: o jato estava a 37 mil pés, em rota de colisão com o avião da Gol, mas, na tela, apareceu que a altitude era de 36 mil pés.O fato de o transponder do Legacy estar inoperante agravou o problema. O dispositivo fornece dados precisos ao centro de controle, ao passo que o radar primário disponibiliza informações aproximadas. Os pilotos sustentam que não desligaram o aparelho e que não sabiam que ele havia parado de funcionar.
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"Eles tentaram falar insistentemente com os controladores, o que mostra que não estavam tentando se ocultar, passar despercebido. Não teria cabimento desligar o transponder", afirmou Theo Dias. Ele disse que o depoimento dos pilotos à Polícia Federal ainda não foi marcado (ambos falaram à Aeronáutica, por duas vezes, e à Polícia Civil, mas não no inquérito aberto pela PF para apurar responsabilidades pelas mortes). Lepore e Paladino continuam hospedados em um hotel no Rio.
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COMENTANDO A NOTICIA: Considerando-se tudo o que já sabemos, testemunhos e vídeos comprobatórios das falhas existentes, previamente alertadas e totalmente ignoradas pelo governo, e ainda sabendo o pouco caso com que este mesmo governo tem tratado a questão do “apagão” aéreo, com os problemas de atrasos e cancelamentos de vôos por todos o país se sucedendo diariamente, pode-se, sem nenhuma dúvida, afirmar que o “ponto cego” do controle do espaço aéreo brasileiro chama-se governo. Totalmente cego e incompetente.