quinta-feira, abril 26, 2007

Déficit da Previdência cresce 67% e atinge R$ 4,6 bi

Investnews

O mês de março terminou com expressivo déficit na Previdência Social. De acordo com números divulgados nesta quarta-feira, o saldo negativo atingiu R$ 4,691 bilhões.

O valor representa crescimento real - descontada a inflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) - de 73,8% na comparação com igual mês de 2006 e salto de 67,1% ante fevereiro.

Conforme os números da Previdência, o resultado foi determinado pela arrecadação líquida de R$ 10,534 bilhões. O valor é 10,9% maior que o registrado em igual período do ano passado e apenas 0,5% superior ao observado em fevereiro.

No lado das despesas, o pagamento de benefícios previdenciários atingiu R$ 15,225 bilhões. O valor representa crescimento real de 24,8% na comparação anual e 14,6% ante fevereiro de 2007.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Para a correção deste “descontrole” no equilíbrio financeiro da Previdência, o caminho seria aumentar o universo de contribuintes para que a arrecadação cresça além dos benefícios pagos. Porém, o governo Lula adotou outro critério conforme nos referimos no TRAPOS E FARRAPOS: vai cortando benefícios para ajustar a despesa à receita. Assim, ainda no primeiro mandato, manteve o recolhimento sobre de contribuição sobre as aposentados. Não bastassem os 35 anos de contribuição, o brasileiro ainda recebe outro assalto para receber o benefício. Na mesa do Ministro Marinho, duas propostas: uma para barrar os valores pagos a título de pensão por morte, e outra, para mudar o do auxílio doença, também com a tendência de corte.

Ora, não seria preferível trazer para dentro da formalidade os mais de 40,0 milhões, no mínimo, de trabalhadores que trabalham sem carteira, sem seguro, sem benefícios, e que lá estão por conta do excessivo peso da mão do Estado sobre as folhas de pagamentos das empresas ? Ah, sim, isto seria o digamos assim, sensato. Mas o governo Lula lá está preocupado em tomar chá de bom senso ? O negócio é infernizar os prestadores de serviços, cerca de 4,0 milhões, que trabalham sobre a forma de contrato de prestação de serviços estabelecidos como pessoa jurídica ! E por quê ? Porque eles simplesmente, desafiando as leis do assalto sindical, estão longe das garras dos pelegos, e não lhes contribuem com nada. Isto é um acinte para esta tropa de vagabundos das centrais. Então, dê-lhe marretada. Assalta-se mais quem já está dentro da lei, e deixa-se livre, leve e solto os passarinhos, que cedo ou tarde, acabarão por infernizar as contas públicas, provocando um rombo maior ainda na Previdência. Só que, quando isto acontecer, e vai, é inevitável, o governo não será mais de Lula. E então deixe a bomba explodir no colo dos outros. Lula não corre riscos de fazer o que o país precisa. Ele prefere a periferia da demagogia e canalhice. É melhor e mais fácil para seu ego.

Marinho convocará Herodes

Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa

Tivessem sido prestadas num país sério, as declarações do novo ministro da Previdência Social, Luís Marinho, gerariam uma de duas conseqüências: sua interdição por alienação mental, com a óbvia demissão, ou processo por atentado ao pudor social.

Na "Folha de S. Paulo" de ontem o ex-presidente da CUT, antigo defensor dos humilhados e ofendidos trabalhadores, disse com todas as letras que a Previdência Social "tem que conter a explosão de pensões por morte". Queixou-se de que hoje são pagas cerca de seis milhões de pensões por morte e de que só no ano passado 144 mil novos benefícios somaram-se ao total.

Traduzindo: em 2006 morreram 144 mil trabalhadores e, para sobreviver, suas viúvas pleitearam receber o salário mínimo garantido pela lei. Sugeriu o ministro que se uma jovem ficar viúva, sem filhos, não deve mais fazer jus à pensão. Começando pelo fim, vale indagar se Luís Marinho está sugerindo que as viúvas encontrem logo outro marido? Ou que passem a rodar bolsinha para poder continuar almoçando e jantando? Quem sabe, propõe que a Previdência Social distribua o elixir da longa vida para interromper a morte de trabalhadores?

O governo Lula já fez o diabo com aposentados e pensionistas. Obrigou que passassem a descontar para a Previdência Social, como se depois de décadas de trabalho precisassem contribuir para outra aposentadoria, certamente na eternidade. Depois, o Palácio do Planalto desvinculou as pensões e aposentadorias do salário mínimo. Em seguida, concedeu 3% de reajuste para os aposentados que recebem acima do salário mínimo, ou seja, menos do que a inflação. Agora, mais essa, de cortar a pensão das jovens viúvas. E sem falar na redução do auxílio-doença, também sugerida na referida entrevista.

O pretexto de tudo é de que a Previdência Social dá prejuízo, afirmação falsa tão a gosto do neoliberalismo. Só falta mesmo Luís Marinho convocar o Herodes para uma das diretorias de seu ministério. Porque os bebês também dão prejuízo e logo constituirão o mais novo alvo da reforma da Previdência Social...

Contra o povo
São Paulo, mais uma vez, virou o caos. Motoristas e trocadores de ônibus, mais os metroviários, decidiram paralisar suas atividades na hora crítica em que o trabalhador vai para o emprego, da madrugada às oito horas da manhã. Podem até dispor de razão, mas quem saiu prejudicado? Atrasos, problemas, cancelamento de obrigações e indignação a quem atingiram?

Certas categorias cultivam o egoísmo sem se dar conta do princípio que vem desde os tempos de Ramsés II: greve se faz contra patrão e contra governos. Quando o governo é o patrão, melhor ainda. Mas greve contra o povo?

Teria sido simples aos grevistas de ontem protestar por seus direitos no exercício de suas funções. Bastaria que circulassem com as catracas abertas. Com ninguém pagando passagem. Não haveria polícia ou milícia particular em condições de obrigar o público a comprar bilhetes.

Manifestações de apoio à greve fluiriam de todos os lados, deixando na pior patrões e governo que não cumprem suas promessas. Seriam atingidos no bolso, ponto fundamental de suas preocupações. Perderam, os grevistas, mais uma oportunidade de mudar as relações de trabalho. O resultado é que não serão atendidos em suas reivindicações e aumentaram muito o grau de irritação do povo contra eles.

Confissão
Ontem, dialogando com líderes do PMDB, em pé-de-guerra por não terem sido atendidos na pretensão de ocupar milhares de cargos de segundo escalão, o ministro Walfrido dos Mares Guia abriu o jogo. Pediu a compreensão dos aliados para o fato de que este não é um governo novo, com dez mil cargos para preencher... A conclusão a tirar é de que no primeiro mandato Lula regalou dez mil companheiros com cargos públicos. Não há administração que dê certo. É por isso que o poder público não funciona, ou funciona mal.

Quantos estavam preparados para as funções? Pior fica a situação quando se verifica que muitos, entre os dez mil, depois de quatro anos nos cargos, conseguiram aprender e demonstrar desempenho no mínimo razoável. Quem sabe a metade? Se agora estão em vias de ser demitidos, devorados por essa nova nuvem de gafanhotos a sobrevoar Brasília, pelo menos que o governo mantenha os bons e livre-se dos maus. Nem isso, porém, deve ser esperado.

Justiça garante indenização de R$ 3 bilhões à Varig

Redação Terra

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou por maioria o agravo regimental da União e do Ministério Público Federal (MPF) cujo objetivo era reverter decisão que garantia indenização bilionária à Varig. À decisão cabe recurso no Supremo Tribunal Federal (STF).

A Varig cobra da União cerca de R$ 3 bilhões - em valores de 1992 - relativos aos prejuízos causados pelo congelamento de tarifas durante o governo do ex-presidente José Sarney, na segunda metade da década de 80.

Interrompido desde o dia 22 de novembro do ano passado, o julgamento recomeçou na tarde desta quarta-feira com a apresentação do voto-vista do ministro Herman Benjamin. Ao analisar o agravo - que tinha como objetivo permitir que a Primeira Seção julgasse embargos de divergência contra a decisão da Primeira Turma favorável à Varig -, o ministro Benjamin divergiu do relator da matéria, ministro Castro Meira.

O ministro Castro Meira havia votado pelo não-provimento do agravo por compreender que a argumentação da União e do MPF era baseada em provas novas, que não haviam sido apreciadas nas instâncias ordinárias. De acordo com o ministro, os novos elementos foram apresentados fora do prazo, já que deveriam ter sido incluídos na elaboração do laudo pericial. Em função disso, não haveria divergência entre a decisão da Primeira Turma e outras apontadas pela União e pelo MPF - por isso o não-provimento do agravo que permitiria o julgamento dos embargos de divergência.

Para o ministro Herman Benjamin, a posição do ministro Castro Meira "deixava de lado o ponto central dos embargos". O ministro considerou que era necessário um reexame da matéria "em sua totalidade", pois ele se convenceu, diante dos argumentos apresentados pelo MPF e pela União, que a perícia realizada para fixar o valor da indenização era "insuficiente" e apresentava "fragilidades". "Não se pode fazer uma auto-restrição do Tribunal para um reexame que é necessário. É preciso apreciar os memoriais apresentados pelos embargantes. É uma colaboração ao trabalho do juiz que pode ser apresentada a qualquer momento", disse Herman Benjamin, que apresentou um cálculo do valor da indenização que chegava a R$ 6 bilhões.

O voto divergente suscitou caloroso debate no plenário da Primeira Seção. Para o ministro José Delgado, não havia "matéria jurídica remanescente" que demandasse o julgamento dos embargos. Já o ministro João Otávio de Noronha afirmou que o ministro Herman Benjamin teve que buscar argumentos fora do acórdão contestado para dar provimento ao agravo. "Sou muito conservador nesse sentido e essa posição contraria o próprio propósito do embargo. O embargo não é um outro recurso", ressaltou o ministro Noronha.

Além de Noronha e Delgado, os ministros Humberto Martins, Denise Arruda e Teori Albino Zavascki votaram com o relator Castro Meira. Com isso, fica mantido o resultado do julgamento da Primeira Turma que negou provimento ao Recurso Especial 628806-DF no qual União e MPF tentavam reformar a decisão da instância ordinária em favor da Varig e, conseqüentemente, a indenização à empresa aérea.

TRAPOS E FARRAPOS...

O ódio de Lula com a VARIG e com os aposentados

O Superior Tribuna de Justiça, conforme se lerá mais adiante, manteve o que a VARIG já conquistara contra o governo federal, ou seja, o direito de ser indenizada em cerca de R$ 3,0 bilhões, luta esta que a companhia vem travando já há algum tempo.

E muito embora ainda caiba recurso da União junto ao STF, e estejam certos de que este governo vai recorrer, isto põe por terra todos os argumentos que o governo Lula se utilizou para não permitir a ajuda que a VARIG merecia. Houve tempo em que no Brasil apenas a VARIG apoiava movimentos e projetos culturais. Além de ter sido uma espécie de embaixador do Brasil no exterior. A excelência de seus serviços unido à qualidade de seus funcionários, sempre foram referenciais que fizeram da VARIG a maior companhia aérea brasileira de todos os temos. Apesar de sua administração ter provocada o débâcle da empresa, muitas das dificuldades financeiras vividas ficaram por conta dos “pacotes” cretinos lançados por Sarney e Collor, hoje aliados de última hora de Lula, que, de resto, também ajudaram a debilitar companhias como Transbrasil e VASP.

O governo já havia perdido a batalha. Porém, o governo Lula jamais se conformou com a derrota e muito menos em ter que indenizar valor tão expressiva aquela companhia. E mais: todas as negociações de subterrâneos promovidas pelo governo, foram no sentido de fortalecer outras companhias, e debilitar fosse a VARIG, ou a TAM que lhe sucedeu na liderança.

Talvez um dia a gente ainda vá saber dos detalhes escabrosos que se esconderam por detrás da ação deliberada do governo Lula em promover o afundamento da VARIG. Mas o que não se esconde é que, sim, foi uma ação premeditada. Apenas para vocês terem uma pálida idéia da cretinice que se cometeu: houve um momento, em que a VARIG se sustentar com um financiamento do BNDES em torno de R$ 190,0 milhões, dinheiro que a salvaria de sua agonia. Reparem: este montante mal ultrapassa a 6% do débito que judicialmente o governo foi condenado a pagar. Intransigente, o governo negou a liberação o empréstimo e ainda abriu caminho para o quase fechamento, lógico, que ela acabasse nas mãos de amigo chegado do poder. Hoje a VARIG pertence à Gol. Acredito que Lula, Dirceu e amigos devam ter comemorado muito tanto esforço. Porém, o mesmo BNDES tem sido pródigo em financiamentos de valores substancialmente mais elevados para empresas que lhe tem dado o calote.

Claro que o valor a que o governo foi condenado ainda sofrerá modificação. Para mais. Claro que isto não paga o prejuízo que causou no mercado da aviação, raiz do apagão aéreo. Mas pelo menos faz Lula ter de engolir sua raiva contra uma empresa que deveria receber do governo federal um mínimo de respeito. Faz o governo Lula ter de ajoelhar diante dos funcionários que ele desempregou, todos de alto padrão. Aliás, talvez seja por isto mesmo que Lula tenha forçado a barra: nota-se que ele adora é nivelar por baixo. Quanto mais cretino e safado, mais carinho recebe.

O déficit da Previdência e o ódio aos aposentados
Mais adiante vocês vão ler na crônica do Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa, um resumo das ações promovidas pelo governo Lula contra os aposentados.

No início do ano, Lula afirmou que o déficit da Previdência na verdade não existia, uma vez que muito do que era pago se tratava de encargos jogados nas costas da Previdência a partir da Constituição de 1988, e que, portanto, o tal déficit era muito mais obrigações do Tesouro Nacional.

Há uma mistura ordinária aqui: o déficit da Previdência e que muito se tem comentado se dá em razão de que muitas das receitas criadas para financiar, justamente, aqueles encargos previstos na Carta de 1988, simplesmente não eram considerados. Fosse o contrário, não haveria déficit, e sim superávit. Mas que tal ação era feita como desculpa porca para manter os benefícios defasados em relação à realidade econômica do país. Não se aumenta o salário mínimo acima de tanto, porque isto quebraria as prefeituras. Ou seja, o governo joga na contramão do interesse dos trabalhadores, ao aliar-se à elite econômica, para manter em níveis muito baixos, o padrão salarial do país. A verdade é esta. A que o governo conta é apenas para encobrir a realidade que tenta mascarar.

Pois bem, mesmo pondo-se de lado esta discussão, se sabe que o mês de março fechou com expressivo déficit nas contas previdenciárias: R$ 4,6 bilhões de reais, crescimento real em torno de 70%. Lula insiste que a Previdência não tem déficit, e que, por isso, não o que reformar. Conta outra, cara pálida.

A grande verdade é que este governo do “trabalhador” e devotado aos “pobres” vem aplicando9 uma surra implacável aos aposentados brasileiros, não do tipo que Lula representa, por conta de que “aposentou-se” antes de fechar 43 anos, com uma pensão de cerca de R$ 4,5 mil por mês. Mas aqueles que trabalharam duro por 35 anos ou mais, que entraram na fila do desespero após peregrinarem por gabinetes até que reconhecessem o tempo e idade que a lei exige, e recebem de um a três salários.

Contra estes, há um ódio inexplicável. E a “reforma” que o presidente se nega em fazer na verdade, está sendo feito, a custa de constrangimento, falta de respeito e cortes nos benefícios.

Quando Lula discutiu publicamente com Itamar pensei que se tratasse de uma rusga casual. Enganei-me: trata-se de uma ideologia e de um método. Um preconceito inexplicável, mas ainda assim preconceito. O Ministro Marinho, aquele que quase matou ou velhinhos num recadastramento imbecil, agora saiu-se com esta pérola: "tem que conter a explosão de pensões por morte". Queixou-se de que hoje são pagas cerca de seis milhões de pensões por morte e de que só no ano passado 144 mil novos benefícios somaram-se ao total. O Ministro queria o que, que morressem menos gente ? Ou está querendo cortar este tipo de benefício, pagos às viúvas e filhos menores ? Sem dúvida, que cortando benefícios, o déficit, se houver, tende a desaparecer por encanto. O que vai aumentar, sem dúvida, é a canalhice de um governo que se diz dedicado aos pobres e aos trabalhadores…

São estranhos os caminhos que este governo escolheu para governar o país! Muito estranhos...

TRAPOS E FARRAPOS...

Um nova coluna

Estamos criando mais uma coluna de informação, com a diferença que aqui reuniremos duas a três notícias e, resumidamente, emitiremos nossa opinião ou esclarecimento.

Seria mais ou menos um bate-papo com o leitor, sobre matérias que o COMENTANDO A NOTÍCIA publicará ou reproduzirá de um conjunto de notícias selecionadas. É um pouco diferente do nosso TOQUEDEPRIMA, uma vez que ali são as várias notícias que servem de enfoque para os comentários. TRAPOS E FARRAPOS seria uma espécie de crônica do dia ilustrada com as notícias que embasaram sua redação.

E assim, de novidade em novidade, nosso espaço do COMENTANDO A NOTÍCIA vai ganhando corpo e forma, com o objetivo sempre de oferecer informação e opinião, visando criar um canal de debates sobre os acontecimentos da vida diária.

SNA: Negociações da crise aérea estão paradas

Agência Brasil

O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) afirmou que as negociações com o governo federal estão paradas desde o início do mês, quando foi criado um grupo de trabalho para debater com os controladores de vôo. Para forçar o governo a retomar o diálogo, o sindicato foi pedir apoio nesta quarta-feira ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto.

A assessoria de imprensa do Ministério da Defesa confirma que as negociações estão paradas por causa da manifestação de controladores, no dia 30 de março, que parou todos os aeroportos do país. Segundo a assessoria, a decisão do ministério é de esperar que a situação se acalme, antes de retomar o diálogo.

De acordo com o chefe da Segurança de Vôo do sindicato, comandante Eugênio de Abreu Júnior, o setor enfrenta vários problemas e a OAB foi escolhida para servir de ponte entre os controladores e o governo federal. ¿Há defasagens tecnológicas, existem problemas de compatibilidade de hardware com softwares de controle do espaço aéreo e há problemas de carreira dos controladores de vôo", declarou o comandante.

O sindicalista lembrou também que existe, por parte dos controladores, a reivindicação pela desmilitarização do setor. Ele afirma que essa é a maior preocupação dos controladores e que para o sindicato a função de controlador, por se tratar de uma atividade civil, é incompatível com a gestão militar.

O presidente da OAB se mostrou preocupado com o problema dos controladores e afirmou que vai tentar ajudar a categoria. "Eu já tentei intermediar essa negociação e não obtive resposta, mas nós temos que aprender que a persistência é fundamental. Eu vou, mais uma vez, colocar aos setores do governo que recebi essa visita e pedir que se reabra a negociação", disse o Britto. O presidente da OAB ainda deixou claro que, caso o problema dos controladores não seja resolvido uma nova crise aérea pode voltar a ocorrer.

COMENTANDO A NOTICIA: Sempre que o governo se vê diante de uma crise, vai logo sacando do Manual de Bestialogia Trambiqueira, os tais grupos de trabalho. Quem ouve que o governo criou um GT pensa imediatamente que a solução será encontrado, que o problema será resolvido, e que o governo está preocupado em debelar as crises. Tolice. Perda de tempo. Os GTs é a forma política de não se resolver coisa alguma, de se empurrar o problema com a barriga e de se enganar a opinião pública.

A crise do apagão não foi resolvida. Poderia o governo federal aproveitar esta aparente calmaria para encaminhar soluções e providências para evitar que se repitam os tormentos nos aeroportos brasileiros. É ? Pois então, criou-se um GT para não fazer absolutamente nada a não ser engambelar, “embromation” puro e genuíno. Mistificação. Até que estoure outra crise, Lula não moverá uma palha. Primeiro, porque os prejudicados, no caso, os passageiros, não fazem parte da safra de eleitores potenciais para sua horda de enganados. Segundo, justamente por serem pessoas que não devotam nenhum amor pelo Lula e seu governo porco e incompetente, ele quer mais que todos se danem. Terceiro, porque este governo não se preocupa em resolver problemas. Ele gosta é de criá-los, depois torra montanha de milhares e milhões de reais em propagandand enganosa, e pronto: o povo segue enganado outra vez. Lula adora isto. É seu passatempo predileto. Claro que um estrume deste naipe não serve nem para porteiro de prédio de quinta categoria. Mas ele tá aí posando de presidente e fazendo de conta que governa. Quem quiser acreditar e se deixar enganar que esteja à vontade… Porém, seria bom Lula se precaver: de tanta molecagem, um dia ele pode quebrar a cara. E será merecido.

FGTS: aviso ao IBGE, Ipea e FGV

Pedro do Coutto , Tribuna da Imprensa

A publicação, no Diário Oficial de 13/4, do relatório da Caixa Econômica Federal sobre o desempenho do FGTS no exercício de 2006 deve representar um aviso ao IBGE, ao Ipea e à Fundação Getúlio Vargas, no sentido de que levem as informações em conta para os levantamentos que sempre fazem sobre o crescimento da renda do trabalho, da melhoria do nível de emprego e da evolução das condições de vida no País.

Não é necessário ler-se o texto todo, que se estende por onze folhas. Basta a página 26, na qual começa o relatório. O número de saques por demissão sem justa causa atingiu 16 milhões e 303 mil trabalhadores, superando as dispensas registradas em 2005, que somaram 13 milhões e 574 mil casos.

No que se refere ao desembolso financeiro motivado pelas demissões, no exercício passado foi ele de 19,9 bilhões. Em 2005, atingiu 17,1 bilhões de reais. Houve - nada tem a ver com demissão - 628 mil e 4 aposentadorias. Quase a mesma coisa que no período anterior. Como se observa, em 2006, um em cada cinco trabalhadores perdeu o emprego. Não quero dizer com isso que a mão-de-obra ativa desceu de 90 milhões de pessoas para 61 milhões. Uma quantidade enorme conseguiu reempregar-se.

Provavelmente com salário menor, mas retornou ao mercado de trabalho. Caso contrário, a receita do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço teria desabado. Não desabou. Ao contrário, alcançou 36,3 bilhões, incluindo a recuperação de créditos em atraso. Superou a de 2005 pela margem de 8,3 por cento. Descontada a inflação de 3,1 por cento calculada pelo IBGE para o ano passado, verificou-se um crescimento real de 5,2 pontos, portanto.

A leitura do trabalho da Caixa Econômica Federal é importante e serve tanto de ponto de convergência de dados como de conferência de informações. Vale acentuar que o desembolso com as demissões, incluindo a multa de 40 por cento sobre o saldo do FGTS, correspondeu a 67,2 por cento da despesa global do Fundo de Garantia.

Através do FGTS, de outro lado, pode-se calcular aproximadamente a participação da massa salarial no PIB. Pois se a receita atingiu 36,3 bilhões de reais, e como as empresas recolhem 8 por cento da folha, podemos multiplicar 36,3 por 12,5. Nos 36,3 bilhões já está incluída a parcela relativa ao décimo-terceiro salário. Teremos então um montante em torno de 400 bilhões de reais.

Mas existem no País, no plano federal e nos segmentos estaduais e municipais, funcionários públicos estatutários em relação aos quais os poderes públicos não recolhem FGTS. São, também de acordo com o IBGE, mais ou menos 5 milhões e 500 mil servidores e servidoras. Podemos adicionar, creio, mais uns 200 bilhões à massa dos rendimentos provenientes do trabalho. Chegaremos assim ao terço do PIB de que tratou o professor Cláudio Contador em seu magnífico trabalho sobre a composição do produto, dividindo-o entre renda do trabalho e do capital.
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A primeira, que oscila em torno de 600 bilhões, não chega a um terço do que é produzido, pago e consumido no País durante os doze meses do ano. O capital absorve, hoje, mais de 70 por cento. Caiu a participação do trabalho. Em 1985, quando José Sarney assumiu a presidência da República, encerrando o ciclo dos militares no poder, o mesmo Cláudio Contador avaliava em 33 por cento a participação da massa salarial. O retrocesso social está aí. A concentração de renda também.

Problema gravíssimo o aumento da desigualdade. Comprova-se na favelização crescente dos centros urbanos, especialmente na cidade do Rio de Janeiro, fornecendo cenário às cavernas de onde se originam o comércio de drogas e a violência. Nos EUA, país mais desenvolvido do mundo, símbolo maior do capitalismo, para um PIB da ordem de 12 trilhões de dólares, 33 por cento de toda produção mundial, 60 por cento representam a massa de salários, 40 por cento a remuneração do capital.

Os salários absorvem assim 7,2 trilhões de dólares. Deste total, 1 trilhão e 560 bilhões (de dólares) destinam-se aos vencimentos do funcionalismo público. Depois do relatório a respeito do desempenho do FGTS em 2006, as estatísticas dos três grandes organismos de pesquisa, análise e estudo - IBGE, Ipea e FGV - deverão confrontar os dados que obtiveram com aqueles indicadores sociais contidos no Diário Oficial de 13 de abril.

Não se pode falar que o desemprego recuou, que os rendimentos do trabalho evoluíram, que os indicadores sociais avançaram. Se tudo isso tivesse acontecido, os números da CEF, a partir do FGTS, teriam que ser bem mais otimistas do que foram. Na verdade, é praticamente impossível falar-se em evolução do rendimento do trabalho, como tecnocratas às vezes tentam, quando o próprio IBGE, no seu levantamento de fevereiro deste ano, apontou um aumento do nível de desemprego de 9,3 para 9,9 por cento.

Não há espaço para crescimento do desemprego e evolução da massa salarial. Essa não. Para isso seria indispensável um aumento acentuado de quase todos os salários. Mas como? Os dos trabalhadores empataram com o índice de 3,1 por cento. Os vencimentos dos servidores públicos ficaram em zero. Em todo o País, só o mínimo subiu 8 por cento, rompendo a barreira inflacionária. Mas o mínimo é a remuneração da parcela de 27 por cento dos que trabalham. Vamos ficar na realidade, não na fantasia.

Seguindo o roteiro encomendado no jantar.

Mínimo em São Paulo, política e polícia
Reinaldo Azevedo

Vejam três notícias do Estadão On Line. Volto depois:

Primeira
“O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), assinou, nesta quarta-feira, 25, no Palácio dos Bandeirantes, um projeto de lei que institui um novo piso salarial para o Estado. O valor vai variar entre R$ 410 e R$ 490, distribuídos em três faixas salariais. Serra estima que o projeto irá beneficiar cerca de 1 milhão de trabalhadores.”
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Segunda
O bloqueio simultâneo das rodovias Raposo Tavares, Régis Bittencourt e Castelo Branco, na região metropolitana de São Paulo, na manhã desta quarta-feira, 25, por 1,5 mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), provocou muito mais do que congestionamentos e atrasos. (...) Na Raposo, um homem não identificado saiu de uma Blazer e partiu para cima dos manifestantes atirando para o chão. Três foram atingidos por estilhaços das balas calibre 9 milímetros.
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Terceira
Uma passeata dos professores da rede estadual de ensino, provocou transtornos aos motoristas da capital paulista, nesta quarta-feira, 25, segundo informações da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). De acordo com a CET, a passeata ocupou todas as faixas de rolamento da Avenida Pedro Álvares Cabral em direção à Avenida Brigadeiro Luis Antonio. A companhia chegou a recomendar que os motoristas evitassem as regiões do Ibirapuera, Jardins, Vila Mariana e Avenida Paulista, até a normalização do trânsito.
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Voltei
É assim que as coisas funcionam. É assim que eles são. Fosse o salário mínimo regional decidido por um governador petista, o movimento sindical estaria em festa, exaltando as virtudes do “companheiro”. Estima-se que a medida vá beneficiar um milhão de trabalhadores. Em vez disso, o que se tem?
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Os professores, que discordam de um projeto sobre aposentadoria, decidem que o conjunto dos paulistanos deve arcar com as conseqüências de suas reivindicações. Não basta apenas que tenham deixado de comparecer ao trabalho — vai ver, quase ninguém nota mesmo. Então eles agem como os sindicalistas do Metrô: infernizam a vida alheia. Quem comanda a “catchiguria”? A Apeoesp, que é associação dos professores da rede oficial de ensino. E quem comanda a Apeoesp? O PT.
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Em outro ponto da cidade, os ditos sem-teto, de uma entidade também petista, decide fazer a população refém de sua violência. Para quem não conhece São Paulo, informo: a Raposo Tavares é, num bom trecho, uma via urbana. É o principal acesso a condomínios da região de Cotia. A Castelo Branco leva a Barueri, onde está Alphaville. Bloquear essas estradas, como fizeram os petistas disfarçados de sem-teto, corresponde a ilhar milhares de pessoas, que não têm como chegar à capital, onde trabalham. Não são escolhas aleatórias.
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Os ditos sem-teto pretendem protagonizar uma espécie de arranca-rabo de classes com os “ricos” dos condomínios.
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Não, não estou dizendo que o PT organizou as duas manifestações com a finalidade de empanar a ação do governador tucano. O PT organizou os dois protestos porque essa é sua agenda — e o partido está pouco se lixando se o salário mínimo regional atende ou não aos trabalhadores. O PT organizou os dois protestos porque pretende que as pessoas fiquem irritadas, furiosas, o que leva boa parte a atribuir o caos ao governo. Lula diria que a oposição, em São Paulo, "não quer que o governo dê certo"...
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Aonde quero chegar? Os não-petistas têm de chamar as coisas pelo nome. A população precisa ser devidamente informada sobre quem está tentando impedir o seu direito constitucional de ir e vir. Como? Ela paga, por exemplo, para que a Rádio Cultura vá ao ar. Que seja também uma emissora de serviços, informando os motoristas, de forma sistemática, sobre a situação do trânsito na cidade. No caso de os valentões do PT promoverem desordem, o que será cada vez mais freqüente, os ouvintes saberão a que métodos recorrem e qual é a pauta. Uma campanha convidaria os motoristas a sintonizar a rádio antes de sair de casa. Uma emissora pública pode ter esse papel, não pode?
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E, é claro, Polícia neles! Problema social é questão de política. Bandistismo é questão de Polícia.

Quando o petê decide ser oposição, quem sofre é o povo

Postamos e comentamos aqui uma notícia da Folha de São Paulo, na qual se informava de um documento do PT dirigido aos seus “militantes”, recomendando aquela “oposição” xiita tão característica do partido enquanto esteve na oposição (clique aqui)

Dentre outras recomendações, dizia o documento: “(...) Tanto o PSDB quanto o PFL/DEM, embora muitas vezes com táticas diferentes, visam acumular forças para as eleições de 2008 e 2010. Inclusive por isto, o PT deve ter uma postura muito firme frente aos governadores de oposição, em particular os do PSDB(...)".

Fruto da eleição, três dos maiores colégios eleitorais do país acham-se governados pelo PSDB: São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Ao longo deste ano, foram justos nestes estados, com destaque para São Paulo e Rio Grande do Sul que a tropa de choque dos baderneiros do petê, principalmente MST, centrais sindicais e outros asseclas, mais promoveram invasões (de sem teto, sem terra, sem carro, sem picolé, sem vergonha na cara, sem moral, sem caráter), além das arruaças, greves e protestos variados. A ordem aqui é tumultuar a vida das pessoas para que se irritem com os governos estaduais e eles possam, nas próximas eleições, apresentarem-se como os cordeiros de Deus que tiram os pecados do mundo, e tranqüilizem as massas.

Muito embora o documento tenha saído do forno nesta semana, as “recomendações” vem sendo seguidas desde janeiro. O mais incisivo de todos é, claro, é o MST, gente bacana que adora invadir terra alheia com seus acampamentos de lona preta, motivação mais do que suficiente para receberem do governo milhões de reais em doações. Plantar que é bom, nada. Só baderna.

Tudo isto é o palco no o petê exibe sua desfaçatez. Esta gente quer dinheiro dos outros, propriedade dos outros, o emprego dos outros, e a paz e sossego dos outros. Para esta gente cidadã o que menos interessa é ganharem a vida trabalhando honestamente. Vão na base da baderna fazendo o sorriso de seus seguidores. Enquanto, do alto de sua canalhice, o poderoso guia os comanda rumo à salvação eterna.

No comentário que fizemos sobre a notícia da Folha, relembramos: “(...)Claro que, do modo mais cretino, o presidente vai dizer que não mandou ninguém fazer coisa alguma, que ele está “interessado” no entendimento, e blá, blá e blá... Papo furado. Lula sempre manda fazer, e depois se esconde, covardemente e cretinamente, nas saias do partido(...)”.

No Blog do Reinaldo Azevedo, eis a verdade desnudada. Não passou-se muito tempo para que a gente pudesse “conhecer” o entendimento que Lula quer da oposição: que eles não façam oposição ao seu governo. Mas mesmo que não façam (e não estão fazendo, é bem verdade), eles entendem que podem se antecipar aos fatos: vão infernizar as vidas dos governadores Aécio, Serra e Yeda Crusius. Assim, sem nem porquê. Vejam se eles vão promover suas invasões, passeatas e protestos lá na Bahia, no governo do companheiro Wagner ? Mas qual!

Então fica o recado para a oposição: ou se põem fogo no circo ou o petê vai governar mediocremente o Brasil por muitos anos mais. Todos queremos que o Brasil dê certo ! Menos o petê: para eles o Brasil só estará bem com eles no comando e o esculacho espalhado por todo o território nacional. O nível deles é o ordinário e rasteiro do “quanto pior, melhor”. Que se dane o povo.

Primeiro vamos à noticia do jantar. Junte o jantar e o documento e depois confira as notícias seguintes, no próximo post. Tudo se encaixa na ópera bufa.

Quanto a se esconder covardemente nas saias do partido e mentir que nada sabe, reparem na agenda de Lula, revisada e repassada por Cláudio Humberto. Um primor ... de hipocrisia:

Assédio explícito
Após assediar os senadores Democratas ACM (BA), Romeu Tuma (SP), Edson Lobão (MA) e Júlio Campos (MT), Lula ligou pessoalmente no fim de semana para o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).


É a política do ...engane a oposição que ela gosta.

Lula janta com os moralistas do PT e dá aula aos tucanos
Reinaldo Azevedo

Lula jantou ontem com deputados petistas na casa do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Estavam presentes, entre outros, os seguintes moralistas: José Genoino, irmão daquele cujo assessor escondia dólares na cueca; Carlos Wilson, o da Infraero, e a “formiga” Antonio Palocci, aquele que tratou o caseiro Francenildo como se fosse uma cigarra. Acreditem: no jantar, Lula deu uma importante lição aos tucanos.
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Eu me confundi? Não. Escrevi direito. Lula deu um recado aos tucanos: recomendou que seus "companheiros" sempre saiam em defesa de um petista quando este for criticado pela oposição. Deixou claro: não tem essa de primeiro examinar o mérito, não. É para sair em defesa. Depois se vê o caso. É claro que a recomendação não será seguida ao pé da letra — bem poucos petistas chamam Wilson de “meu louro”, por exemplo, o que é uma injustiça: eles são todos iguais —, mas está feito o chamamento à unidade. Com tucano, por exemplo, não tem disso, não. Vinte por cento do tempo, eles, de fato, dedicam às críticas ao PT. Os outros 80% são consumidos atirando no pé (às vezes, mirando na cabeça) dos próprios aliados.
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O jantar também serviu para deixar clara a disposição de Lula de se entender com a oposição. No encontro, em que se debateu profundamente a ética spinoziana, o Apedeuta ensinou que a “oposição não quer que o governo dê certo”. Não sei se chegou a tal conclusão de alta complexidade política depois do encontro que teve com Tasso Jereissati, presidente do PSDB.

Novas contas nacionais: o Brasil está melhor?

por Armando Castelar Pinheiro, Valor Econômico

Roberto Campos dizia que as estatísticas são como um biquíni: mostram tudo menos o essencial. Seguindo a analogia de Campos, pode-se dizer que a revisão das contas nacionais foi como passar de um “duas peças” para um fio dental. As novas contas trazem mais detalhes da economia brasileira, baseiam-se em melhores informações e, talvez por isso, mostram um quadro mais consistente do país. Está de parabéns o IBGE. Infelizmente, porém, nem tudo agora desnudado pelo Instituto enche os olhos de alegria. As novas contas mostram um PIB 10% mais alto. Mas apenas metade (53%) desse aumento decorre da reestimação do valor adicionado. O restante resulta da reavaliação (para cima) da carga de impostos, em especial “a reclassificação da Cofins de imposto por atividade para imposto por produto”. É uma tecnicalidade estatística, fumaça, por assim dizer.

O PIB também cresceu mais nas novas séries: em 2001-06, 2,9%, ao invés de 2,3% ao ano. Pela ótica do valor adicionado, pouco mais de 70% desse aumento são explicados pela elevação das taxas de expansão da administração pública e das atividades imobiliárias e aluguel; respectivamente, de 1,4% para 3% ao ano, e de 1,7% para 4,1% ao ano. Os impostos também contribuíram mais para o crescimento na nova série. Não foi, portanto, um maior dinamismo da indústria ou da agricultura que elevou a estimativa do ritmo de expansão do PIB.

Isso significa que nada de muito relevante mudou com relação à discussão sobre o PIB potencial e a política monetária. O crescimento mais forte da produção deve-se, principalmente, à reavaliação do ritmo de expansão dos serviços produzidos pelo governo e pelos imóveis já existentes (aluguéis imputados), que já trazem embutidos uma elevação exatamente igual do consumo. Por exemplo, eles mostram que as famílias estavam consumindo mais serviços de moradia do que antes imaginavam. Eles não significam que a economia tem capacidade para produzir bens industriais, por exemplo, a um ritmo mais forte do que antes se imaginava. De fato, o crescimento da indústria de transformação em 2001-06 é exatamente igual nas duas séries, 2,3% ao ano.

Pela ótica da despesa, o destaque foi o consumo da administração pública. Na série antiga, este aumentava 1,3% ao ano; na nova, 3% ao ano, um valor mais coerente com a forte elevação observada no gasto público corrente. Esta revisão explica, sozinha, 58% do aumento no crescimento do PIB pelo lado da demanda. O consumo do governo também foi reavaliado para cima na nova série, com uma elevação média de 11% no seu valor em 2001-06. Com isso, passou a responder por precisos 19,9% do PIB, quase o dobro do registrado em 1967-86 (10,3% do PIB).

Trata-se de um patamar elevadíssimo, semelhante ao observado, na média dos anos 1990, para os países da OCDE (19,8%), e muito superior ao que registram países que crescem rápido e fornecem serviços públicos de melhor qualidade aos seus cidadãos, como Coréia (12,7%), Chile (12,6%), Irlanda (14,8%) e Estados Unidos (15,4%). Ainda mais assustador é perceber que, apesar de consumir muito, o setor público gasta pouco em educação: em 2005, apenas 4,1% do PIB, contra 5,4% do PIB na média da OCDE. Seria de se esperar que, com uma população mais jovem, o Brasil gastasse mais, e não menos, em educação.

Esse alto nível de consumo faz com que, apesar da carga tributária elevada, o setor público invista e poupe pouco. Em 2000-2005, o investimento público foi de 1,8% do PIB, contra 3,5% do PIB em 1967-86 e uma média de 3% do PIB na OCDE. Excluindo-se o componente de inflação na despesa com juros, a poupança pública em 2000-2005 foi de 0,7% do PIB, contra 2,8% do PIB em 1967-86. Está aí, no patamar e na composição do consumo público, uma boa parte da explicação de por que, mesmo nas novas contas, o Brasil cresce bem menos que a média dos emergentes.

As novas contas mostram que o consumo privado de fato não caiu como proporção do PIB, como indicavam as contas antigas, o que parecia inconsistente com a expansão do crédito ao consumo observada desde o lançamento do Real. O outro lado da moeda, porém, é que a taxa de poupança é mais baixa e caiu mais que se pensava: em 2000-05, ela ficou em 15,6% do PIB, contra 18,6% do PIB em 1967-86. De fato, um dos importantes avanços nas novas contas foi corrigir as estatísticas de investimento e poupança. Nas séries antigas, havia uma grande discrepância entre o investimento a preços constantes e correntes, que sugeria que os preços do investimento haviam subido muito mais que os demais preços da economia. Essa discrepância é bem menor nas novas séries, o que, como resultado da metodologia de cálculo utilizada pelo IBGE, também levou à revisão da taxa de poupança.

Pelas novas contas, o Brasil cresceu mais, mesmo tendo investido menos do que se pensava. Isso significa que a meta de crescimento de 5% ao ano está mais próxima do que parecia? Decompondo a expansão do PIB em 1995-2006, obtém-se que o fator que mais contribuiu para elevar o PIB foi o aumento da população ocupada, em 2,1% ao ano. A produtividade total dos fatores, por sua vez, subiu 0,8% ao ano. Mantidas estas duas taxas, para que o PIB cresça 5% ao ano de forma sustentada o estoque de capital teria de aumentar 6,6% ao ano, bem mais que o 1,6% ao ano observado em 1995-2006. Para alcançar esse objetivo em cinco anos, o investimento teria de crescer 11,5% ao ano, atingindo 24% do PIB.

A resposta à pergunta-título deste artigo é sim. Agora se dispõem de melhores estatísticas e de um diagnóstico mais correto dos obstáculos à aceleração do crescimento econômico. Mas a realidade em si não mudou. É como ir a um restaurante a quilo e na saída ser informado que a balança subestimou o peso do prato - a comida ingerida é a mesma. Da mesma forma, a taxa de crescimento do PIB pode até aumentar, mantido o recente desempenho da administração pública e das atividades imobiliárias, mas isso não fará o bem-estar se elevar a ritmo mais acelerado do que se percebeu nos últimos anos. Para isso é preciso poupar e investir mais em capacidade produtiva e educação. Esta conclusão não mudou com a revisão do IBGE.

Entrada de dólares no país cresce e valoriza o real

Fernando Nakagawa, Jornal do Brasil

Dados divulgados ontem pelo Banco Central revelam que a entrada de dólares no país mantém forte ritmo de crescimento, contribuindo para a valorização do real. Nas duas primeiras semanas do mês, a conta que registra todas as entradas e saídas de moeda estrangeira teve saldo positivo de US$ 4,362 bilhões. O valor é 333,13% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

- O resultado pode ser visto todos os dias nas cotações do real, que se valorizou expressivamente - diz Ricardo Humberto Rocha, professor da Universidade de São Paulo.

Dos recursos que ingressaram no Brasil nas duas primeiras semanas de abril, US$ 3,332 bilhões são fruto de operações de comércio exterior. O valor equivale a 76,4% das entradas. Os 23,6% restantes, ou US$ 1,030 bilhão, vieram por movimentações financeiras, como investimentos em ações ou títulos de renda fixa. Há um ano, o resultado da conta financeira era negativo em US$ 903 milhões.

- O dinheiro não vem para o Brasil, como ocorria há 10 anos, só para arbitragem, para obter lucro com a diferença entre a taxa de juro brasileira e a americana - declara Rocha. - Hoje, o dinheiro vem para as ações, renda fixa, além dos investimentos produtivos. Isso é muito melhor porque o prazo de permanência dos recursos é maior.

O professor diz que parte dos dólares vem para o Brasil como uma antecipação à esperada melhora da nota brasileira de classificação de risco para grau de investimento. A entrada crescente de moeda estrangeira ocorre porque economistas já dão como certo o novo patamar da nota brasileira nos próximos anos. A vinda antecipada, acrescenta Rocha, potencializa os lucros nos ativos do país.

Parte importante dos recursos vindos do exterior foi investida em ações, segundo Rocha. No setor produtivo, o professor destaca o interesse cada vez maior pelo setor imobiliário. Com o resultado do fluxo financeiro de abril, o ano acumula US$ 21,756 bilhões. O valor é 16,34% superior ao registrado em igual período do ano passado.

COMENTANDO A NOTICIA: Bem que Ricardo Rocha poderia ficar na comemoração apenas dos ingressos expressivos de moeda estrangeira no país. Não precisava ironizar de forma imbecil e tola, que há dez anos tais ingressos eram assim ou assado. Eram outros tempos, a economia brasileira começava a sair da hiperinflação (lembram dela, teve mês de ser 85%), e o país começava a viver o clima das reformas estruturantes que lhe permitiram atingir a estabilidade econômica antes mesmo de Lula chegar ao poder. Além disto, o clima da economia mundial era bem diverso. Entre 1995 a 2000, a economia mundial sofreu 5 abalos sísmicos que perturbaram a vida de todos os países, e a média de crescimento mundial no período foi inferior a 3%. Querer comparar 2006 com 1996 é uma aberração tola e desnecessária. Melhor faria Ricardo Rocha se visse nesse ingresso excessivo não apenas o lado positivo que tais ingressos representam. Se apenas fizesse isto já estaria de bom tamanho. Não há necessidade de bancar o marqueteiro dos novos tempos.

A revolução das contas externas

Luiz Carlos Mendonça de Barros, especial para a Revista EXAME
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A verdadeira revolução que estamos vivendo no mercado financeiro nestes últimos dois anos tem uma origem muito clara: a melhoria incrível em nossas contas externas provocada pela demanda chinesa de commodities e outros produtos primários. O crescimento de nossas exportações, tanto pelo efeito dos aumentos das quantidades exportadas como dos preços internacionais, ganha impulso entre fins de 2003 e meados de 2004. Os dólares gerados em nossa balança comercial começam a trazer o real para valores anteriores à crise de confiança criada pela eleição do presidente Lula e, posteriormente, a nível ainda mais valorizado.
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Com o real forte e confiável pela primeira vez em muito tempo, a inflação cedeu rapidamente a partir de 2005 e permitiu ao Banco Central iniciar um longo processo de redução dos juros reais na economia. Isso porque o real forte levou a uma forte queda da volatilidade da taxa de câmbio nos mercados, elemento fundamental para que as importações passassem a ter significância no quadro de oferta interna de bens intermediários e finais. A competição dos produtos importados diminuiu o poder de preço das empresas nacionais e reforçou o processo de desinflação no Brasil.
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Outro fruto dessa sobra estrutural de dólares nos mercados de câmbio foi o aumento da confiança dos mercados financeiros na estabilidade de longo prazo do real. Nessa nova situação, os contratos financeiros, inclusive os de crédito, tiveram seus prazos ampliados, com efeitos positivos para o consumo de bens duráveis. Tem havido forte crescimento do volume de crédito, que converge para níveis de outras economias estáveis. Juros reais em queda, prazos mais longos e agressividade maior do sistema bancário na concessão de crédito criaram uma dinâmica financeira que não existia, no Brasil, havia mais 30 anos.
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Essas mudanças se deram de forma muito rápida em função da qualidade e eficiência de nosso sistema financeiro, principalmente no seu segmento de crédito e dos contratos futuros negociados na BM&F, uma das maiores e mais bem organizadas Bolsas de Futuros no mundo em desenvolvimento.
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Mas é preciso entender que os alicerces dessas mudanças, que são sólidos e confiáveis, foram construídos a partir do real forte e com baixíssima volatilidade. E isso foi possível pelos efeitos pela conjuntura mundial, especialmente pelo dinamismo da economia chinesa, que já atingiu dimensão expressiva no mundo, e representa hoje a principal fonte de crescimento de nossas exportações.

TOQUEDEPRIMA...

Uma rotina
Felipe Recondo, Blog do Noblat

Pelo que disse hoje em audiência na Câmara o ministro da Defesa, Waldir Pires, a crise no setor aéreo ainda levará muito tempo para ser solucionada.

Pires disse que o caos é fruto de falta de equipamento, de pessoal. E que isso é normal:

- Temos uma crise decorrente de fatores que têm de ser vencidos e modificados e estão sendo (...) Temos problemas de recursos humanos, problemas de equipamentos. Num país em desenvolvimento isso é uma rotina.

O ministro aproveitou para defender Lula das críticas de que teria desrespeitado a hierarquia militar ao mandar o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para negociar com os controladores em greve:

- Quando o presidente da República atribui diretamente a presença de outras instituições, ele faz isso no exercício de sua legitimidade -, afirmou.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Pode ser normal lá no cafofo dele, mas não num país onde se gasta desbragadamente em inutilidades. Estado perdulário e irresponsável, é normal sim haver problemas de recursos humanos, falta de equipamentos, ou sucateados. Contudo, não faltou verba para evitar a crise. Falta primeiro, vergonha na cara e competência pára usar a verba prevista no Orçamento. Segundo, faltou seriedade para considerar os inúmeros relatórios recebidos pela Presidência da República alertando para o risco do apagão. E isto não é recente. Data de 2004. Terceiro, faltou respeito para com o usuário que paga as tarifas de embarque mais caras do mundo, e é tratado por um governo moleque de forma desumana e indigna. Dentro deste perfil caótico, com autoridades sem moral e negligentes, sem dúvida que crises como esta, são até rotineiras. Até porque tivesse o país um presidente responsável, por certo que já teria mandado para casa todos os responsáveis pelo apagão, inclusive o próprio ministro que não faz a menor idéia de seu real papel nesta história.

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Tá feia a coisa
Na Câmara, o depoimento do presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, Milton Zuanazzi, só deixou uma certeza: ele é mesmo despreparado.

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Gol agora quer construir

A empresa aérea Gol está mesmo montada na grana. Seu dono, Nenê Constantino, tenta comprar da Marinha do Brasil, para posterior desmembramento, 104.000m² em área valorizada de Brasília (Sudoeste, perto do Memorial JK), e ingressar no ramo imobiliário. O mercado avalia em R$ 345 milhões a área que pode ter até 24 prédios de apartamentos. Só falta combinar com o Ministério Público Federal, que já monitora o caso.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Sem querer levantar falsas suspeitas, de onde estará saindo tanto dinheiro assim ? Convenhamos que com esta operação imobiliária, para quem investiu outro tanto na aquisição da VARIG, é pelo menos curioso o fato de alguém que está no mercado da aviação há apenas 6 anos, e vindo de baixo, consiga juntar tanta grana. Desejamos que tudo isto seja fruto apenas de trabalho. E trabalho bom...

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Passos de tartaruga
Felipe Recondo, Blog Noblat

Repetido o exemplo da CPI das ONGs no Senado, a CPI do Apagão Aéreo será instalada apenas às vésperas das férias de julho, muito depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar a criação da comissão parlamentar de inquérito na Câmara.

O requerimento para a criação da CPI das ONGs foi protocolado no dia 15 de março. E depois de um mês e três dias, nem todos os partidos cumpriram o pressuposto para que a CPI começasse a trabalhar: a indicação dos membros da comissão.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não pressiona os líderes para que façam a indicação. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que pediu a criação da CPI, não se movimentou para que a CPI seja instalada.

Como nas próximas duas semanas não há previsão para a instalação da CPI das ONGs, é de se esperar que a CPI do Apagão Aéreo vá demorar dois meses para promover sua primeira reunião.

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Indústria da Segurança
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Empregos formais ligados direta e indiretamente à segurança foram os que mais cresceram nos últimos 20 anos.
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Na cidade de São Paulo, o salto chega a 366,5%, enquanto os demais empregos cresceram 59,6%.
O crescimento da indústria da segurança é demonstrado no levantamento do economista Márcio Pochmann, baseado em relatório do Ministério do Trabalho.

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Nordeste deve gastar US$ 117,6 bilhões com compras
De O Estado de S.Paulo

"O Nordeste virou a menina-dos-olhos do mercado de consumo brasileiro. De cimento a perfumes, as famílias da região devem gastar só neste ano US$ 117,6 bilhões, um pouco mais que o Produto Interno Bruto (PIB) do Chile em 2006. São quase US$ 70 bilhões a mais em relação ao dinheiro que girou há cinco anos na região.

Desde 2002, o consumo dos nordestinos cresceu 143,5%. O resultado está acima da média do País para o período, de 126,3%, e do desempenho do Sudeste (120,9%), revela o estudo ''Brasil em Foco'', que acaba de ser concluído pela consultoria Target Marketing.

A consultoria, especializada em pesquisa de mercado, estimou o potencial de consumo de cada região do País em 2007 e 2002."
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Quem bancou?

Leio na coluna diária do Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa, a nota a seguir. Comento no final.

“Terça-feira, anteontem, Sarney recebeu para festejar os 77 anos. Multidão. Um senador que falava comigo no celular explicou: "Helio, tenho que desligar, estou engarrafando a porta da casa do ex-presidente".

O Senado quase todo, sem referência ou indicação de partidos. De Suplicy a Artur Virgilio, de Dornelles a Renan Calheiros, passando por Edson Lobão, o diretor geral quase senador Agaciel Maia e muitos outros.

Do Supremo foram os ministros Marco Aurelio Mello, Sepulveda Pertence, Gilmar Mendes.

Do TCU, Raymundo Carrero e Marcos Vilaça, presidente da Academia. (E que sabe desde já que será sucedido na presidência pelo próprio Sarney.)

Surpresa: as presenças de Nelson Jobim e Luís Otavio, derrotados em tudo o que disputavam ou pretendiam, em 2006 e 2007. Lula e Collor telefonaram, não puderam comparecer.

Satisfação de Sarney pelas presenças e por um fato inédito: seu livro, "O dono do mar", será transformado em filme.

COMENTANDO A NOTÍCIA; Adoraria saber quem pagou a festança ? Foi o senador mesmo, com din-din do próprio bolso ? O que se sabe é que as “festas” em Brasília, regra geral, acabam sendo invariavelmente, bancadas pelos contribuintes. Seria interessante alguém investigar a respeito...