quinta-feira, abril 26, 2007

Seguindo o roteiro encomendado no jantar.

Mínimo em São Paulo, política e polícia
Reinaldo Azevedo

Vejam três notícias do Estadão On Line. Volto depois:

Primeira
“O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), assinou, nesta quarta-feira, 25, no Palácio dos Bandeirantes, um projeto de lei que institui um novo piso salarial para o Estado. O valor vai variar entre R$ 410 e R$ 490, distribuídos em três faixas salariais. Serra estima que o projeto irá beneficiar cerca de 1 milhão de trabalhadores.”
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Segunda
O bloqueio simultâneo das rodovias Raposo Tavares, Régis Bittencourt e Castelo Branco, na região metropolitana de São Paulo, na manhã desta quarta-feira, 25, por 1,5 mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), provocou muito mais do que congestionamentos e atrasos. (...) Na Raposo, um homem não identificado saiu de uma Blazer e partiu para cima dos manifestantes atirando para o chão. Três foram atingidos por estilhaços das balas calibre 9 milímetros.
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Terceira
Uma passeata dos professores da rede estadual de ensino, provocou transtornos aos motoristas da capital paulista, nesta quarta-feira, 25, segundo informações da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). De acordo com a CET, a passeata ocupou todas as faixas de rolamento da Avenida Pedro Álvares Cabral em direção à Avenida Brigadeiro Luis Antonio. A companhia chegou a recomendar que os motoristas evitassem as regiões do Ibirapuera, Jardins, Vila Mariana e Avenida Paulista, até a normalização do trânsito.
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Voltei
É assim que as coisas funcionam. É assim que eles são. Fosse o salário mínimo regional decidido por um governador petista, o movimento sindical estaria em festa, exaltando as virtudes do “companheiro”. Estima-se que a medida vá beneficiar um milhão de trabalhadores. Em vez disso, o que se tem?
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Os professores, que discordam de um projeto sobre aposentadoria, decidem que o conjunto dos paulistanos deve arcar com as conseqüências de suas reivindicações. Não basta apenas que tenham deixado de comparecer ao trabalho — vai ver, quase ninguém nota mesmo. Então eles agem como os sindicalistas do Metrô: infernizam a vida alheia. Quem comanda a “catchiguria”? A Apeoesp, que é associação dos professores da rede oficial de ensino. E quem comanda a Apeoesp? O PT.
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Em outro ponto da cidade, os ditos sem-teto, de uma entidade também petista, decide fazer a população refém de sua violência. Para quem não conhece São Paulo, informo: a Raposo Tavares é, num bom trecho, uma via urbana. É o principal acesso a condomínios da região de Cotia. A Castelo Branco leva a Barueri, onde está Alphaville. Bloquear essas estradas, como fizeram os petistas disfarçados de sem-teto, corresponde a ilhar milhares de pessoas, que não têm como chegar à capital, onde trabalham. Não são escolhas aleatórias.
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Os ditos sem-teto pretendem protagonizar uma espécie de arranca-rabo de classes com os “ricos” dos condomínios.
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Não, não estou dizendo que o PT organizou as duas manifestações com a finalidade de empanar a ação do governador tucano. O PT organizou os dois protestos porque essa é sua agenda — e o partido está pouco se lixando se o salário mínimo regional atende ou não aos trabalhadores. O PT organizou os dois protestos porque pretende que as pessoas fiquem irritadas, furiosas, o que leva boa parte a atribuir o caos ao governo. Lula diria que a oposição, em São Paulo, "não quer que o governo dê certo"...
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Aonde quero chegar? Os não-petistas têm de chamar as coisas pelo nome. A população precisa ser devidamente informada sobre quem está tentando impedir o seu direito constitucional de ir e vir. Como? Ela paga, por exemplo, para que a Rádio Cultura vá ao ar. Que seja também uma emissora de serviços, informando os motoristas, de forma sistemática, sobre a situação do trânsito na cidade. No caso de os valentões do PT promoverem desordem, o que será cada vez mais freqüente, os ouvintes saberão a que métodos recorrem e qual é a pauta. Uma campanha convidaria os motoristas a sintonizar a rádio antes de sair de casa. Uma emissora pública pode ter esse papel, não pode?
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E, é claro, Polícia neles! Problema social é questão de política. Bandistismo é questão de Polícia.