segunda-feira, março 12, 2007

TOQUEDEPRIMA...

Planalto estimula crescimento de aliados
De O Globo:

"O troca-troca partidário no Congresso — ou "realinhamento político dos partidos", como disse ontem o presidente Lula — deve produzir nas próximas semanas uma nova leva de descontentes da oposição para a base governista. O Palácio do Planalto tem estimulado o crescimento de algumas legendas aliadas, principalmente o PR (ex-PL), que está na expectativa de atingir a marca de 45 deputados — saiu das urnas com uma bancada de 25.

Desde a eleição até ontem, 23 deputados formalizaram na Mesa da Câmara mudança de partido. O PR foi o que mais cresceu, estando ontem com 33 deputados. Fortalecido com as filiações, o PR conseguiu antecipar a nomeação do senador Alfredo Nascimento (PR-AM) para o cobiçado Ministério dos Transportes. A legenda espera garantir todos os cargos de direção do DNIT, responsável pelas estradas federais."

COMENTANDO A NOTICIA: E eles chamam a isto de “governo ético”! E percebam: este é o velho sistema do é dando que se recebe que tanto o PT condenou nos outros. Agora, no poder, pratica a mesma bandalheira, mudando-lhe apenas o nome !

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Erário une família no DF

O governador do DF, José Roberto Arruda, que pediu denúncias de casos de nepotismo no governo, não vai gostar de saber que a secretária-geral da empresa pública Novacap, Cleuza Campos, mantém no órgão o filho Tancredo, as sobrinhas Marina e Raquel e até Alexandre, o namorado desta última. Total: R$ 36 mil. D. Cleuza não respondeu às ligações da coluna.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Seria ótimo o dia em que a nefanda prática do nepotismo, seja em que nível da administração pública ela ocorra fosse punida com a condenação dos praticantes de devolução de todos os valores recebidos pela prática imoral. Além da condenação de se vedar o acesso de todos ao serviço público por um bom punhado de anos. É incrível como existem pessoas prontas e ávidas por assaltarem os cofres públicos ! E neste jogo de vale-tudo todos acabam se locupletando impunemente. Nada acontece, e o produto dos roubos acaba fazendo a festa e a alegria dos cretinos. Depois fica fácil culparem os outros pelos próprios crimes, no melhor estilo lula de serem canalhas.

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Chávez nacionaliza exploração de petróleo
Do Portal G1:

"O presidente venezuelano, Hugo Chávez, firmou ontem (27) um decreto que converte os quatro grupos petroleiros que operam na Faixa do Orinoco em empresas mistas sob o controle acionário do Estado.

"O estado terá um mínimo de participação acionária de 60%. Estamos recuperando a propriedade e a gestão destas áreas estratégicas", disse Chávez, ao anunciar que firmará o decreto.

O decreto dá às empresas quatro meses para negociar com a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) a transformação para empresa mista, e mais dois meses para sua aprovação na Assembléia Nacional.

"Acabou a privatização do petróleo na Venezuela, este era o último espaço que faltava recuperar (...) esta é a verdadeira nacionalização do petróleo, o petróleo é de todos os venezuelanos".

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Hóspede de luxo da cadeia
Jorge Serrão, Alerta Total
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O empresário do ramo hoteleiro José Farani, preso ontem sob a acusação de sonegação fiscal de R$ 7 milhões, continuará hospedado por mais uns tempos na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), em Brasília.
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O Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), com sede em Brasília, lhe negou habeas corpus.
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O empresário, que é dono da Academia de Tênis, um dos hotéis mais tradicionais de Brasília, situado às margens do Lago Paranoá, não se conforma com tamanha humilhação.

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Pagot diz que sua capacidade impõe temor

A indicação de Luiz Antônio Pagot para a diretoria do DNIT (ex-DNER) causou estranheza no Mato Grosso entre aqueles que sempre o ouviram jactar-se de ações contra esquerdistas, durante o regime militar. Chegou a ser confundido com um ex-agente do Cenimar, fato prontamente negado por ex-integrantes do serviço de informações da Marinha. Pagot agora acha que "a confusão que fazem a respeito da minha carreira na Marinha do Brasil é que durante três anos fui instrutor e encarregado da escola de informações de combate do comando-em-chefe da esquadra (Camaleão)." Ele diz que até recebeu comendas e referências elogiosas dos comandos aos quais serviu. "O que temem meus detratores" - afirma - "é a minha capacidade de trabalho, aliada ao conhecimento que tenho da infra-estrutura nacional", referindo-se à sua suposta nomeação para o DNIT.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Pagot, que já não é nenhuma criança, já deveria saber que o peixe morre pela boca. Por mais que tente se explicar, o fato é que sua máscara caiu. Resta saber se o chefe Blairo sabia ou se foi enganado também...

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"Quem ele pensa que é?"
Radar, Veja online

Eis uma historinha ocorrida há três semanas, bem ilustrativa do relacionamento entre Lula e José Dirceu. Quando Dirceu, em seu blog, bateu pesado no Banco Central, bradando pela destituição de Henrique Meirelles e sua diretoria, Lula mandou um recado a ele. Através de Gilberto Carvalho, reclamou: "Quem o Zé Dirceu pensa que é?". Dirceu, também por meio do pombo-correio Gilberto Carvalho, respondeu: "Não sou mais ministro, não sou mais deputado, não sou mais dirigente do PT. Por que não posso dar a minha opinião?".

COMENTANDO A NOTICIA: Existem dois aspectos a ressaltar: o primeiro é, será apenas uma “opinião”? Será que Dirceu não está indo um pouco além da simples “opinião”? Talvez a eleição da Câmara diga um pouco mais sobre Dirceu emitir simples opiniões. A segunda, é o seguinte: Dirceu não pode exigir para si aquilo que ele próprio não consente para os outros. Ou porque ele se exaspera quando alguém emite uma opinião de crítica ao governo Lula, ou ao PT, ou ainda, sobre ele próprio? Esta avenida, senhor Dirceu, é feita de mão dupla. Nunca se esqueça disto!

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A classe turística, a executiva e o patrulhamento
Radar, Veja online

A propósito de Dirceu: ele está ganhando muito, muito dinheiro em sua vida de consultor privado. Mas continua preocupado com as aparências. Tem dificuldade para assumir os seus ganhos publicamente. Agora mesmo, por exemplo, passou o Carnaval na Patagônia. Foi da classe turística, pela Lufthansa. A um amigo, Dirceu comentou: "Eu poderia ir de executiva. Mas quis evitar o patrulhamento da imprensa".

Farra do boi, do homem e dos políticos

por Timothy Halem Nery, Blog Diego Casagrande

Está chegando o período de maior concentração de “brincadeiras” com bois. Embora as crueldades ocorram durante o ano inteiro, é na quaresma que são intensificadas. Alguns municípios do estado de Santa Catarina se transformam em palcos para uma das maiores provas de estupidez do ser humano. Ah, é crime previsto em lei!
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Para quem não conhece a “festa popular”, cabe alguns esclarecimentos: a “brincadeira” começa quando um boi é mantido preso durante alguns dias sem alimentos ou água, deixando o animal desesperado; no dia da “farra” o boi é solto e perseguido por homens, mulheres e crianças portando paus, pedras e facas, que servem para torturar o animal; na fuga, normalmente o bicho provoca danos materiais e físicos.
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A morte do animal pode levar até alguns dias, e enquanto não consumam o ato os participantes realizam diversos tipos de tortura: jogam pimenta nos olhos, geralmente arrancados mais tarde; esfaqueiam e espancam com o cuidado de mantê-lo vivo até a hora que bem entendem; quebram os cornos e patas; cortam o rabo; banham com gasolina e incendeiam; entre outros tipos de “brincadeiras”. (Fonte: World Society for Protection of Animals – Brasil).
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Muitas vezes os participantes afirmam se tratar de um ritual simbólico, onde o animal seria Judas, numa suposta encenação da Paixão de Cristo. Outros acreditam que o boi representa Satanás, e no momento em que torturam o bicho se livram dos pecados. Veja só. Eu poderia enxergar o Diabo em cada um desses seres racionais cruéis, e praticar os mesmos atos? Seria a farra do homem.Não bastando este quadro assustador, uma comissão criada por decreto municipal em Governador Celso Ramos trata de recolher assinaturas para encaminhar projeto de lei que regulamente a prática. Para atingir 1.500 nomes no abaixo-assinado, estão utilizando até mesmo agentes de saúde. Tal projeto contém a preciosidade de propor a mudança do nome, passando de “Farra do Boi” para “Brincadeira do Boi”. Estas informações foram divulgadas no jornal Diário Catarinense, de 07/03/2007.
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Portanto, por se tratar de um tema já abordado em Lei Federal (9.605/98), que prevê até um ano de detenção, além de multa, para quem maltratar animais, o projeto de lei consome recursos públicos para não atingir o fim a que se propõe. É desperdício puro. É a farra dos políticos.
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Ora, se já estamos aceitando a situação em que nosso Brasil se encontra, com assassinos, seqüestradores, estupradores e traficantes sendo tratados como “excluídos”, deve ser demais pedir atenção e repúdio à Farra do Boi. Mas mesmo assim fica o protesto. “O boi é bicho, mas tem alma sobre o couro...”.

Lula já sondou 4 nomes para o lugar de Furlan

Folha de S. Paulo
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem enfrentado dificuldades para encontrar um substituto para o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento). Pelo menos quatro nomes já foram sondados, e três recusaram. O último, Maurício Botelho, diretor-presidente da Embraer, analisa o convite.
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Caso não encontre um nome considerado ideal, Lula já recebeu a promessa do atual ministro de que ele ficaria por mais algum tempo à frente da pasta.
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O petista analisou com Furlan potenciais candidatos. Disse ao ministro que gostaria de alguém com suas características, empresário ou executivo, e pediu que fizesse as sondagens.
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Dois empresários recusaram alegando conflito de interesses: Jorge Gerdau Johannpeter e Eugênio Staub (Gradiente). Disseram que suas empresas têm financiamentos com o BNDES, subordinado à pasta.
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Em relação a Gerdau pesou ainda a avaliação deste de que a pasta seria pouco poderosa. Ele só aceitaria a Fazenda, segundo apurou a Folha. E essa pasta Lula não lhe ofereceu.
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Horácio Lafer Piva, ex-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de SP), também foi sondado. Recusou a oferta.
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Agora o governo aguarda a resposta de Maurício Botelho, que deixa a presidência da Embraer em abril, mas deve ser indicado para presidir o conselho de administração da empresa.
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Se trocar o posto pelo de ministro, cujo salário é R$ 8.200, terá perda financeira expressiva. É isso o que analisa agora.
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Lula e Furlan conversaram na semana passada sobre a pasta. O ministro insistiu em deixar o governo por questões familiares. Disse a Lula, porém, que não irá "deixá-lo na mão" caso não se ache nome ideal.
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Na reta final da reforma, Lula tem dito que não dará uma quinta pasta ao PMDB. Ou seja, consumada a indicação de Geddel Vieira Lima (BA) para a Integração Nacional, o PMDB teria de aceitar o médico José Gomes Temporão na Saúde.
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O destino de Marta Suplicy só deverá ser decidido após conversa com Lula. Se ela não for para Turismo, Jorge Viana (PT-AC) é cotado para o posto.
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Ontem, auxiliares de Tarso Genro já despacharam na Justiça. A Previdência deve ficar com o presidente do PDT, Carlos Luppi. Lula pensa em criar uma secretaria de Portos e Aeroportos, sem status de ministério, que pode ir para o PSB.

Didi, Dedé, Mussum, Zacarias E Jobim

por Paulo G. M. de Moura, cientista político
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O ex-deputado federal, ex-presidente do STF e ilustre advogado, senhor Nelson Jobim, acaba de protagonizar, na ribalta do tabuleiro político nacional, o papel de bobo da corte. Mereceu. Didi, o único sobrevivente dos quatro humoristas que faziam a alegria da criançada nas manhãs televisivas de domingo com seu humor sem graça, ganhou um concorrente à altura.
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Enquanto desempenhou sua carreira parlamentar, o senhor Nelson Jobim gozava de uma reputação sólida de seriedade e competência perante a opinião pública gaúcha. Pelo menos era essa a imagem que sempre se teve dele por aqui. Quando o ex-presidente FHC nomeou-o ministro da Justiça, Jobim parecia fazer jus à reputação.
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Mas, seus “problemas” começaram quando Fernando Henrique Cardoso indicou-o para substituir Maurício Correa na presidência do STF. Não demorou muito para que o então integrante das instâncias superiores de uma das mais importantes instituições republicanas, que, dentre outras coisas, deveria primar pela atuação orientada pelo interesse público - portanto, isento da contaminação provocada pela influência do jogo político menor -, receber a alcunha de “líder do governo” no STF.
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Ali, senhoras e senhores, em pleno governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e não apenas agora, no governo petista de Lula, teve início a prática nefasta da ingerência do Poder Executivo nos poderes Legislativo e Judiciário, e de politização, no sentido menor da palavra, das instituições republicanas. Faltam-me a memória e o tempo para pesquisa jornalística sobre fatos pregressos, mas o exercício da influência do governo, impondo seus interesses às decisões dos outros poderes republicanos, mais uma das “políticas públicas” que o governo Lula clonou e “aperfeiçoou” do governo tucano-pefelista que o antecedeu, certamente teve, na atuação e nas decisões do então ministro Jobim, uma marca inolvidável.
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Ao prosseguir no cargo com a transição de mandato entre o anterior e o atual presidente da República, o senhor Nelson Jobim só fez ampliar a forte e difundida suspeita de que julgava pautado pelo interesse de voltar à ribalta da política em posição de destaque, após sua controvertida passagem pelo Judiciário.Essa prática de transitar da política partidária para as instituições do Judiciário, e vice e versa, deveria ser vedada pela Constituição, em nome da ética republicana. Não sendo, por orientação pessoal de gente com formação acadêmica nas lides jurídicas, cidadãos que transitassem na zona cinzenta que marca a mudança de cargo entre os três diferentes poderes republicanos, deveriam, pelo menos, guardar voluntária quarentena.
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Não foi o que fez o senhor Nelson Jobim. Pelo contrário, não bastasse sua controvertida passagem pela presidência, cujo período final foi marcado por especulações de que almejava ser candidato à vice-presidente da República na chapa do senhor Luis Inácio Lula da Silva, ao deixar o Poder Judiciário, imediatamente filiou-se novamente ao PMDB.
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Sem ter almejado o objetivo que orientou sua rápida volta à vida partidária, o senhor Nelson Jobim atirou-se à disputa pela presidência de seu partido, recebendo, rapidamente, a alcunha de candidato de presidente Lula, imbuído da missão de submeter totalmente, o maior partido brasileiro, aos interesses do governo federal.
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Tal como peru de Natal, a candidatura Jobim morreu na véspera. Não sem antes sair atirando contra o presidente Lula, acusando-o de tê-lo abandonado em favor da candidatura vitoriosa - por W.O. - do deputado federal Michel Temer. Não obstante o procedimento eticamente questionável, Jobim deve ter razão na acusação de que foi vítima de cristianização.
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No entanto, carece de fundamento na verdade completa a acusação de que perdeu por ter sido abandonado. Na realidade, Jobim foi abandonado por Lula porque já era visível, na véspera, sua iminente derrota. Michel Temer aplicou-lhe um autêntico cheque mate ao dar-lhe um ultimato para corrigir, em prazo exíguo, a saraivada de irregularidades que marcava e inscrição de sua chapa à presidência do partido.
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Mas, não é somente Jobim que sai arranhado desse episódio. Outras eminentes figuras, como o senador Renan Calheiros, que ocupa estratégica posição na presidência do Senado Federal, empenharam o prestígio no apoio à candidatura do protagonista de tamanhas trapalhadas, e também ficaram muito mal na foto. Isso sem falar na seção gaúcha do PMDB e numa longa lista de seus apoiadores em outros estados, que chegaram a ensaiar o anúncio de boicote à convenção partidária, e logo tiveram que recuar ante o adesista desenfreado de governadores e outros ilustres próceres peemedebistas, à chapa neogovernista do deputado Michel Temer. Como se vê, não é só Nelson Jobim que patrocina trapalhadas no PMDB.
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Enfim, apesar de o senhor Nelson Jobim ser a principal vítima dessa seqüência incrível de atentados, auto-impingidos, à sua outrora brilhante reputação, o fato é que a eleição para a presidência nacional do PMDB teve somente um grande vencedor: o petista Luis Inácio Lula da Silva, que conseguiu transformar a eleição interna do maior partido brasileiro, antes divido entre governistas e não-governistas, numa corrida desabalada pela adesão ao seu governo.
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Seria cômico, não fosse trágico, constatar que o ingresso, inédito porque quase unânime, do PMDB no governo petista, está sendo comandada pelo mais ilustre dos ex-líderes da ala tucana do partido.

A ilusão antiamericana

Por Demétrio Magnoli(*) , O Globo, transcrito do site do Instituto Millenium

Dias antes da chegada de George Bush ao Brasil, em diálogo telefônico, Fidel Castro e Hugo Chávez qualificaram o etanol como uma “tragédia”, argumentando que converter culturas agrícolas em biocombustíveis equivale a provocar escassez de alimentos e de água. “Os EUA precisam reduzir o consumo de energia, essa é a solução”, pontificou o presidente venezuelano. O retrato dos EUA como um ogro devastador assume formas mutáveis, mas sempre adaptadas às circunstâncias. Ontem, a acusação versava sobre o vício americano em petróleo. Hoje, sobre um plano maléfico para disseminar a fome.
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A visita de Bush desperta atenções inauditas, por óbvias razões geopolíticas. Há mais que isso, contudo. Enquanto, Lula assina os protocolos de cooperação com aquele que Chávez qualifica como “demônio”, bonecos de Bush são queimados na rua por militantes do PT, da CUT e da UNE. A tensão dilacerante opera numa camada profunda da política, que se confunde com a cultura. A parceria entre Lula e Bush está golpeando o tronco do antiamericanismo, sobre o qual se ergue a copa da esquerda latino-americana.
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Alain Rouquié qualificou a América Latina como o “Extremo-Ocidente”. A conquista européia semeou, nessa parte do mundo, sociedades “inferidas”, que querem ser Ocidente e se miram no modelo dos EUA, a epítome da modernidade ocidental. Mas a América Latina é, ao mesmo tempo, o “Terceiro Mundo ocidental”, ou seja, um Ocidente incompleto, que inveja e rejeita o seu modelo. Os EUA são alvo, em graus variados, de ressentimentos no mundo todo. Mas só na América Latina o antiamericanismo figura como alicerce estrutural do pensamento de esquerda.
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Em “O espelho indiscreto”, o mexicano Octavio Paz reflete sobre o lugar dos EUA na produção da identidade de seu país: “A paixão dos nossos intelectuais pela civilização norte-americana oscila do amor ao ódio e da adoração ao horror. Formas contraditórias, porém coincidentes, da ignorância: num extremo, o liberal Lorenzo de Zavala, que não vacilou em tomar o partido dos texanos na guerra contra o México; no outro, os marxistas-leninistas contemporâneos e seus aliados, os ‘teólogos da libertação’, que fizeram do imperialismo norte-americano a prefiguração do anticristo.”
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A contigüidade geográfica acentua as cores, mas o desenho se aplica, de modo geral, à América Latina. Os EUA são o avesso e, sobretudo, o avesso do avesso: a modernidade idealizada, almejada tão intensamente quanto temida e caluniada. A Revolução Americana, fonte da primeira república contemporânea, inspirou Bolívar. Hoje, o programa dos “bolivarianos” é a unidade latino-americana contra os EUA.
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Durante a Guerra Fria, o antiamericanismo da esquerda latino-americana veiculava apenas a adesão a Moscou e ao “socialismo real”. A queda do Muro de Berlim representou a perda de uma visão de futuro. Socialismo converteu-se em pouco mais que uma expressão vazia: no máximo, como acontece na Venezuela, uma moldura em busca de uma paisagem. Do colapso, restou um sedimento ideológico, que é o nacionalismo e a aversão à globalização. O antiamericanismo sintetiza essa doutrina em fiapos, que eventualmente funciona como ponto de encontro entre representantes dos extremos do espectro político.
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Karl Marx escreveu, em novembro de 1864, uma carta ao presidente americano Abraham Lincoln, congratulando-o por sua reeleição, que assegurou a continuidade da guerra contra os confederados. Nela, Marx prestou homenagem à “grande República Democrática” e à sua pioneira Declaração dos Direitos do Homem. O fio de continuidade entre democracia e socialismo, imaginado pelos líderes de esquerda do século XIX, foi rompido pelos Estados totalitários do “socialismo real”, no século XX. O antiamericanismo de esquerda dos nossos dias é um fruto retardatário dessa ruptura histórica.
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A delinquência política e intelectual dos antiamericanos deita raízes num solo arado pela tragédia do 11 de setembro de 2001. A figura de Bush, o presidente de Abu Ghraib e Guantánamo, cumpre uma função de álibi incondicional. Escondidos atrás do pretexto de combatê-lo, os órfãos do totalitarismo pintam tiranos como heróis e sonham com a restauração de sociedades carcerárias.
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Na sua resposta a Marx, Lincoln afirmou que as “nações não existem apenas para si mesmas, mas para promover o bem estar e a satisfação da humanidade, pelo intercâmbio benevolente e pelo exemplo. É sob essa luz que os EUA enxergam sua causa no presente conflito contra a escravatura, sustentando a insurgência como uma bandeira da natureza humana.” Eis o motivo pelo qual, de certo modo, todos somos americanos. Apesar de Bush.
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(*) Por Demétrio Magnoli, sociólogo e doutor em geografia humana pela USP.

TOQUEDEPRIMA...

China desvia mais de 20 navios após alta de imposto na Índia
Fonte: Reuters

Compradores chineses desviaram mais de 20 navios da Índia após decisão inesperada de Nova Délhi de introduzir taxas de exportação de minério de ferro no início deste mês.

Operadores e representantes da indústria afirmaram que muitos dos navios foram enviados para a América do Sul para transportar cereais, embora alguns estejam sendo carregados como o previsto apesar do alerta da China para não aceitação de preços maiores para cargas de concentrado.

Na quarta-feira da semana passada, a Índia, terceiro maior país exportador de minério de ferro para a China depois da Austrália e Brasil, anunciou a introdução de uma taxa de exportação de 300 rúpias (US$ 6,74) por tonelada de minério de ferro, independente da qualidade.

A taxação lançou uma onda de choque na indústria tanto na China quanto na Índia uma vez que os chineses estavam importando mais minério de ferro antes do aumento de preço de 9,5%, que entrará em vigor a partir de abril.

"As maiores empresas têm poder para exigir que os navios continuem sendo carregados", disse um operador de Pequim. "Muitos navios foram desviados. Provavelmente mais de 20. Mesmo nós temos um ou dois desviados."

A Câmara de Comércio dos Importadores e Exportadores de Metais, Minerais e Produtos Químicos da China realizou uma reunião na terça-feira para discutir como lidar com o aumento do imposto.

A tributação eleva os preços do minério indiano para cerca de 95 dólares a tonelada entregue na China, bem acima dos preços do Brasil, que estão em cerca de US$ 90.

Representantes da Câmara não comentaram o assunto, mas operadores de minério de ferro disseram que ela recomendou a não aceitação do aumento de preço por um mês sobre as cargas contratadas antes do anúncio da taxa.

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ACM grave
Alerta Total
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Médicos amigos do Alerta Total no Instituto do Coração, em São Paulo, dão uma má notícia para os baianos. É muito grave e delicado o estado de saúde do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
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Aos 79 anos de idade, ele permanece internado na UTI do Incor com quadro de pneumonia e complicações renais. ACM foi levado às pressas ao hospital, anteontem, para a realização de um check-up após ter se queixado de dores e febres decorrentes de uma gripe forte.
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Guerra perdida
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Uma em cada quatro empresas industriais do País sofre a concorrência de produtos chineses no mercado brasileiros.
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Os mais afetados são os setores têxtil, de vestuário, equipamentos hospitalares e calçados.
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Os dados da sondagem feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram ainda que 12% das grandes empresas brasileiras já transferiram parte da produção para a China, em busca de menores custos de produção.

COMENTANDO A NOTICIA: Desde o início de 2006 este problema só tem se agravado, com conseqüências cada mais terríveis para o país. O governo Lula parece não se importar nenhum um pouco com as conseqüências. Por ser um governo medíocre devotado unicamente ao personalismo de seu mandatário, tem olhos postos apenas no curto prazo dos índices de popularidade, sem ligar para os milhares de empregos que sendo jogado no lixo, das centenas de fábricas que estão fechando, para perda de renda, de arrecadação de tributos, para perda de mercados internacionais por deixarmos de exportar (calçados e têxteis principalmente). A falta de conscientização para o processo de desnacionalização é um crime imperdoável. E haja recursos para cobrir esta mão de obra desempregada, e sem perspectivas. Haja miséria para ser repartida entre tantos !!!

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O bandido da Motoserra. Livre, leve e solto. Que país !

O ex-deputado e presidiário Hildebrando "Motoserra" Pascoal almoçava às gargalhadas, quarta (7), no restaurante Retiro dos Pescadores, à beira do Lago Paranoá, em Brasília. Ele estava acompanhado de três pessoas.

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Justiça da Itália investiga Brasil Telecom

A Brasil Telecom foi envolvida em investigações da Procuradoria de Milão sobre a Telecom Itália. Segundo informações do jornal La Repubblica, a companhia telefônica italiana estaria subornando autoridades brasileiras para favorecer a Brasil Telecom. De fevereiro a dezembro de 2005, conforme as autoridades italianas, foram efetuados pagamentos pela Telecom Itália para contas de brasileiros na ordem de R$ 980 mil.
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A investigação sobre a formação de uma quadrilha internacional na Itália começou em 1º de novembro de 2001, e envolve empresários, representantes da polícia e agentes do serviço secreto.
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Os brasileiros Mauro Marcelo, Luís Demarco e Marcelos Elias Toledo foram incluídos nos documentos. Marcelo, ex-delegado da Polícia Civil de São Paulo, participou em 2004 de conferência sobre crimes de informática organizada pela TIM. Três meses depois, foi promovido a chefe da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

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Garibaldi: oposição foi diminuída
Cláudio Humberto

O senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), em discurso no Plenário há pouco, afirmou que a oposição sentiu-se diminuída por ter sido impedida de formar a CPI do Apagão Aéreo na Câmara dos Deputados. O senador se referiu à mobilização da base governista para suspender a criação da CPI. O Plenário da Câmara aprovou o pedido de efeito suspensivo feito pelo líder do PT na Casa, Luiz Sérgio (RJ), contra a criação da CPI. Segundo o senador, as prerrogativas concedidas para a criação de uma CPI não foram devidamente observadas.

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MP comemora indiciamento de Maluf
Miriam Leitão

Quem mais comemorou o pedido de indiciamento do deputado Paulo Maluf (PP-SP) pela promotoria de Nova Iorque foram os procuradores do Ministério Público brasileiro.

Lá Maluf foi indiciado por enviar ilegalmente dinheiro desviado de obras públicas. Aqui, Maluf é protegido pelo foro privilegiado e pela lentidão da Justiça.

Por isso, os promotores brasileiros agradecem aos promotores dos Estados Unidos. Na lista de discussão que os procuradores mantém na internet, aproveitam para fazer uma campanha em letras garrafais:

- NOS EUA NÃO EXISTE FORO PRIVILEGIADO PARA NENHUMA AUTORIDADE.
COMENTANDO A NOTÍCIA: E ainda tem imbecil que nutre verdadeiro ódio antiamericano. Como já dissemos, na raiz deste sentimento, o que existe é uma total inveja deles serem o que são, enquanto,nós, tão "inteligentes", não conseguimos deixar de ser medíocres e ridículos.

O contra-ataque que o país exige

Editorial do Jornal do Brasil

Mais uma vez os governadores do Sudeste fizeram o que deles esperam fluminenses, paulistas, mineiros e capixabas - além de milhões de brasileiros de outras paragens assoladas pelo medo. Sérgio Cabral, José Serra, Paulo Hartung e Aécio Neves cobraram mais empenho e agilidade do Congresso na aprovação de leis de combate à violência, entregando aos presidentes da Câmara e do Senado um pacote com 13 projetos de lei. Todos contêm medidas essenciais para apertar o cerco ao crime organizado. Os governadores não tentaram reinventar a roda. Não buscaram vender outro lote de ilusões a uma população amedrontada.

Fizeram o óbvio: lembraram a deputados e senadores que dormitam nas gavetas do Parlamento medidas capazes de fechar as porteiras franqueadas à criminalidade. Implantadas, ajudariam a materializar avanços notáveis. É o caso do projeto que determina que a a legislação que regula as atividades na área de telefonia seja modernizada de forma a contribuir efetivamente para o bloqueio do sinal de celulares camuflados nas celas dos presídios. Outro prevê o aumento da pena caso o prisioneiro participe de rebeliões nas cadeias. Há também o que amplia o tempo máximo da chamada internação sócio-educativa de bandidos mirins. No caso dos autores de delitos violentos ou contra a vida (como homicídios e crimes hediondos), a internação passaria a durar até 10 anos, e não apenas três, como ocorre atualmente.

É injustificável - e exasperadora - a morosidade do Congresso no trato de questões ligadas à segurança pública. Alguns projetos aguardam votação há inverossímeis oito anos. Nesse período, ficou evidente que a maioria dos parlamentares prefere a bravata à ação, a discurseira à prática. Passados os surtos de indignação causados por casos especialmente espantosos, encerrado o período de luto, abrandada a comoção popular, a mobilização simulada pelos pais da pátria é substituída pela inércia institucionalizada.

Depois da inacreditável seqüência de atrocidades contra o menino João Hélio, imaginou-se que desta vez não seria assim. Engano. Parlamentares resolveram engavetar o projeto que reduz a maioridade penal, baseados no fato de que precisam de mais tempo para discutir melhor o tema. Que seja. Mas existem medidas inadiáveis que se tornaram um raro consenso no país. Faltam, por exemplo, mudanças que acabem com a fantasia vigente. No Brasil, graças a uma legislação penal complacente, frouxa e estimuladora da impunidade, ninguém fica preso mais de 10 anos. Criminosos condenados a 30 anos são beneficiados pelo regime de progressão da pena e devolvidos ao crime.

O tempo de permanência em instituições correcionais precisa aumentar. Assassinos psicopatas, considerados irrecuperáveis por psiquiatras, não podem receber licença para voltar a matar. A impunidade, seja qual for a idade do criminoso (e a faixa sócio-econômica a que pertença), precisa acabar. É hora de modernizar e aplicar a lei. Penas impostas aos bandidos têm dois objetivos essenciais: castigo e ressocialização. Assim ensinaram há séculos os pais das doutrinas jurídicas. O Brasil não cumpre nem uma coisa nem outra.

A correção de rumos exige coragem e disposição para enfrentar o debate de temas complexos. Foi o que fez Sérgio Cabral. Fora da pauta dos seus colegas, o governador recorreu a um assunto que, no mínimo, merece análise: a descriminalização do consumo de drogas leves, como a maconha. Não há consenso sobre a conveniência de tal medida, mas certamente este é um dos pontos à espera de um debate sério. Só com esbravejos, afinal, não se atingirá a paz esperada. Mínima que seja.

EUA: o indiciamento de políticos brasileiros

Justiça norte-americana vai indiciar novos políticos brasileiros por lavagem de dinheiro, além de Maluf
Por Jorge Serrão, Alerta Total
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Os políticos brasileiros, suspeitos de lavagem de dinheiro, devem pensar duas vezes antes de entrar nos EUA. Correm o risco de ficar por lá, presos. O próximo alvo da Justiça norte-americana será o marketeiro baiano Duda Mendonça, que fez a campanha do presidente Lula e que por muitos anos cuidou da imagem de Paulo Salim Maluf. Ontem, o atual deputado federal (PP-SP) e ex-prefeito de São Paulo foi indiciado em Nova York. Teve a prisão preventiva decretada. Entrou para a lista de procurados da Interpol. Se entrar nos states, vai para a cadeia.
A imunidade parlamentar brasileira não é reconhecida pelas autoridades norte-americanas. Maluf é acusado pelo envio de US$ 11 milhões e 600 mil dólares para uma conta secreta em Nova York. Maluf responde a 17 acusações, e sua prisão pode ser efetuada em qualquer país com o qual os EUA tenham tratado de extradição, menos o Brasil. A sorte de Maluf é que a República Tupiniquim não extradita cidadãos brasileiros. Nossas leis impedem.
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Maluf e outras quatro pessoas foram indiciados em Nova York por suspeita de desvio de mais de dinheiro na construção da avenida Jornalista Roberto Marinho, antiga Água Espraiada, Zona Sul de São Paulo. O dinheiro arrecadado teria sido transferido para uma conta bancária em Nova York e de lá para outra conta, na ilha de Jersey, segundo nota do procurador regional de Manhattan. Maluf está no Brasil, mas pode ser preso se viajar para um país que permita a extradição para os Estados Unidos.
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O tribunal de Manhattan indiciou Maluf por suposto envolvimento num esquema de pagamento de suborno quando ele era prefeito de São Paulo. Os outros indiciados são seu filho Flávio Maluf; Simeão Damasceno de Oliveira, diretor financeiro de uma empreiteira brasileira; Joel Guedes Fernandes, tesoureiro da empresa; e o doleiro Vivaldo Alves.
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Inocente, sempre...
A assessoria de imprensa de Maluf afirmou em nota que "as declarações da Promotoria Distrital de Nova York permitirão, finalmente, que Paulo Maluf possa se defender e provar que é inocente das acusações que lhe fazem".
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Diz a nota que "Paulo Maluf não tem e nunca teve conta bancária em Nova York" e que todas as acusações que lhe foram feitas "jamais foram provadas e são fruto de perseguição política".
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Ou seja, Maluf é sempre inocente... Culpados são os que acusam ele de alguma coisa...

Lula anunciará acordo para destravar Doha

Por Jeferson Ribeiro, INVERTIA
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na tarde dessa quinta-feira, após se reunir com o presidente da Alemanha, Horst Köhler, que pretende anunciar um acordo para destravar as negociações da Rodada de Doha, de liberalização do comércio mundial.

Primeiro, Lula disse que vai falar com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, para avançar nos pontos que interromperam o avanço das negociações sobre maior abertura do mercado internacional. "Amanhã vou falar com o presidente Bush e depois vou telefonar para a chanceler Angela Merkel para que nas próximas três ou quatro semanas possamos anunciar que os países mais pobres poderão se desenvolver", comentou em referência às negociações de Doha.

A retomada das negociações pode ser feita no próximo encontro Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo do G-8 (grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo e a Rússia). A reunião será ampliada e contará com a participação dos presidente do Brasil, México, Egito, Argélia, Nigéria, África do Sul, Marrocos, Senegal, Suíça, China, Arábia Saudita, Malásia e Índia.

Os presidentes africanos presentes ao encontro participam também do Nepad (Nova Parceria para o Desenvolvimento da África), e terão uma agenda específica de encontros com o G-8, que é formando por França, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Japão, Itália e Rússia.

A reunião, que será realizada em Heiligendamm, na Alemanha, em 8 de junho, é aguardada com grande expectativa justamente porque pode marcar a retomada das discussões da rodada de Doha. Lula disse que o Brasil está preparado para avançar e abrir mais espaço para importações nas áreas industrial e de serviços. Mas espera que os Estados Unidos e a União Européia estejam preparados para reduzir seus subsídios aos agricultores.

"O que nós queremos é que a União Européia flexibilize seu mercado interno para os países mais pobres. Nem falo Brasil que em se tratando de agricultura tem muita competitividade. Queremos que os Estados Unidos reduzam os subsídios para os agricultores, que são tão importantes para os produtores americanos e tão nefastos para o livre comércio mundial. Da parte do Brasil, mais abertura industrial e dos serviços", disse Lula em seu discurso.

O presidente da Alemanha se disse disposto em ajudar nas negociações e falar com sua chanceler sobre as propostas brasileiras. A posição dos alemães é muito importante porque nesse momento é Merkel que está ocupando a presidência da União Européia. "Meu conselho é: não vamos só levar a sério da voz do Brasil, mas tirar conclusões comuns de uma globalização com rosto humano", discursou Köhler.

Ele salientou ainda que é preciso "enviar sinais de confiança" para o mundo de que é possível aumentar a cooperação entre as nações. Para Köhler, mais chances de comércio podem diminuir as tensões terroristas. "Essa negociação é uma prioridade para a nossa chanceler", disse.

"Estou otimista e sublinho as palavras do presidente Lula. Quem vai ganhar não é só o Brasil ou os países desenvolvidos ou a Alemanha. Os vencedores serão os países mais pobres". Antes do discurso de Köhler, Lula disse que pela primeira vez as negociações sobre comércio mundial "têm como palavra principal o desenvolvimento". "Nós sabemos que se não houver um acordo para possibilitar mais chances aos países mais pobre nós não iremos combater com muita facilidade a pobreza, a fome e nem o terrorismo", acrescentou o presidente brasileiro.

O futuro do Brasil

por Ipojuca Pontes, Blog Diego Casagrande
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Escrevi no artigo anterior que o futuro do Brasil era voltar ao passado. Para chegar a tal conclusão, me apoiei em dados substantivos de “Brasil, um país do futuro”, lançado simultaneamente em nações da Europa e nos Estados Unidos, no ano de 1941, em que o autor do livro, o romancista e biógrafo austríaco Stefan Zweig, fugindo dos totalitarismos então reinantes, nos via como uma gente fraterna, capaz de esboçar uma nova e pacífica civilização sobre a face da terra. Segundo Zweig, o Brasil assegurava um porvir venturoso primordialmente pela tolerância racial, harmonia e o bom conviver entre as distintas classes sociais – muito diferente, óbvio, do Brasil da Era Lula, onde impera, a um só tempo, o estimulo ao conflito social, o predomínio ideológico “politicamente correto”, a violência institucional e a deflagração da divisão e do estranhamento racial, cuja política de quotas, no plano da educação, pode ser visto como uma de suas distintas faces.
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Por sua vez, em 2005, desprezando o presente e lançando um olhar otimista sobre o nosso futuro, o recém lançado (no Brasil) Relatório da Central Intelligence Agency dos Estados Unidos - para nós, simplesmente, a controvertida CIA -, fazendo uma previsão de como será o mundo em 2020, o Brasil figura entre os países que atingirão elevados índices de desenvolvimento econômico, sem exercer, no entanto, a influência política da Índia e da China. Na suas “especulações não-sigilosas”, que projeta o futuro numa perspectiva geopolítica global, os analistas da central de inteligência americana profetizam que o Brasil será “um país-pivô com sua vibrante democracia, uma economia diversificada e uma população empreendedora”, contando, ainda, com “um grande patrimônio e sólidas instituições econômicas”.
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E mais: para os agentes e observadores (“espiões do futuro”) da CIA, avaliadas as nossas possibilidades dentro do contexto subcontinental, a partir do “sucesso ou o fracasso em equilibrar as medidas pró-crescimento com uma agenda social ambiciosa, que busca reduzir a pobreza e igualar a distribuição de renda, o Brasil terá um profundo impacto no desempenho econômico e político da região durante os próximos 14 anos”.
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No caso brasileiro, em particular, o Relatório da CIA passa ao largo dos intrincados problemas do presente, que são imensos e atravancam o pleno desenvolvimento, e não aprofunda a análise ou justifica com clareza a previsão de como chegaremos ao nirvana em 2020. Só para levantar alguns dos seus aspectos: os “espiões” não levam em conta de forma suficiente o nosso atraso científico e tecnológico, os efeitos maléficos do estatismo selvagem sobre as forças produtivas, os entraves para o real desenvolvimento da economia de mercado com a provável retração dos investimentos externos, a carência de uma infraestrutura básica para o transporte das riquezas, a crise energética com os seus projetados “apagões”, etc, etc. - para não falar na permanente crise do desemprego, na expansão da pobreza e até mesmo da miséria e, por efeito de conseqüência, no explosivo crescimento da violência e do descontentamento social.
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Por outro lado, é subestimado pelo conveniente relatório da CIA o fato de que em 2020 o Brasil contará com uma população de cerca de 220 milhões de habitantes para comer, beber, habitar, trabalhar, estudar e se divertir; também não se toca na questão da previdência social em crise pelo aumento galopante do número de velhos aposentados, desproporcional ao número de pessoas economicamente ativas; não se aborda suficientemente o incontornável aumento da imigração; na ascensão irradiadora do castro-comunismo levado adiante pela ditadura energética de Hugo Chávez; não se aborda a inserção do Brasil na incerteza de um mundo externo conflagrado pela intensificação e ameaça do terrorismo global detentor de armas de destruição em massa; dos riscos irrecorríveis dos conflitos religiosos, ideológicos e ambientais - de perspectivas funestas para toda humanidade.
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A principal falha dos analistas americanos consiste em desprezar os efeitos deletérios do estatismo selvagem promovido pelo PT e a propagação vertiginosa do crime organizado no Brasil. São problemas que afetam em definitivo o desenvolvimento nacional e que estão a merecer diagnósticos profundos e sistemáticos. Com efeito, nada pode ser mais daninho para a frágil democracia brasileira do que os métodos de predomínio do poder adotados pelo petismo e pelo governo: compra do voto parlamentar pelos esquemas do mensalão e das sanguessugas, ampla ocupação da máquina pública pelos militantes do PT e a busca sub-reptícia ou declarada do controle dos meios de comunicação para fins da imposição do pensamento único - são, todos eles, isoladamente ou em conjunto, sintomas de uma ameaça fatal.
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Quanto ao crescimento e a estabilidade do crime organizado no País, ele é público e já se institucionalizou. Hoje, as grandes redes ilícitas, nacionais e internacionais, ocupam uma posição de vanguarda na vida econômica nacional, atuando não só no bilionário campo do narcotráfico, contrabando de armas leves e pesadas, lavagem de dinheiro, pirataria, prostituição e tráfico de órgãos e seres humanos, mas como agentes camuflados de muitas organizações não-governamentais filantrópicas, negócios considerados “lícitos”, partidos políticos, parlamentares, empresas de comunicação, juizes, desembargadores e o próprio e mais importante aparelho de segurança do Estado: a policia.
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A expansão da corrupção política e o controle que o crime organizado exerce sobre os destinos da nação, decerto impossibilitam a materialização do cenário otimista traçado pela CIA, o que nos leva, ainda uma vez, ao refúgio de um Brasil visto e antevisto por Stefan Zweig que, curiosamente, suicidou-se (na companhia da mulher) em Petrópolis, Rio de Janeiro, no ano de 1942.
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Voltaremos ao assunto.

TOQUEDEPRIMA...

Telecom Itália: temor e tremor

O escândalo do dossiê ilegal da Telecom Itália, envolvendo a disputa pela Brasil Telecom, deve aportar em breve no Brasil. O caso anda célere na justiça italiana, com prisões anunciadas. Tem até "japonês" tremendo.

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Mandatos para toda a família
De Lúcio Vaz no Correio Braziliense:

"A nova Câmara continua sendo uma grande família. O mandato está apenas começando, mas os boletins administrativos dos 15 primeiros dias já registram dezenas de novas contratações e alterações de contratos de parentes de deputados. Somando os novos apadrinhados com aqueles que já estavam abrigados desde a legislatura passada, já há 61 parentes empregados nos gabinetes de 51 deputados como secretários parlamentares. São pelo menos 16 filhos e 12 mulheres de parlamentares, além de irmãos, cunhados, sobrinhos, primos, genros, noras e netos.

A prática do nepotismo segue livre no Legislativo e no Executivo. Na gestão do então presidente da Câmara Aldo Rebelo (PCdoB-SP) foi proibida a contratação de parentes para os cargos de natureza especial (CNEs), que servem as lideranças partidárias e os cargos da Mesa Diretora, mas a família ainda pode ser abrigada nos cerca de 10 mil cargos de secretário parlamentar — assessores que dão assistência direta ao deputado, no gabinete em Brasília ou no escritório instalado no seu estado de origem.

Os salários podem chegar a R$ 8 mil. Os maiores são reservados para as mulheres e filhos, servindo como uma complementação da renda familiar. Na divisão do nepotismo por partidos, destacam-se o PMDB, com dez parlamentares, o recém-formado Partido da República (PR) e o PFL, com nove cada um. Mas o nepotismo é praticado pela maioria dos partidos, incluindo o PSB, o PV e o PT. Há seis casos na bancada baiana, cinco entre os mineiros e quatro entre os cearenses".

"Na tentativa de esconder a prática do nepotismo, os parlamentares criaram há tempos o nepotismo cruzado: a troca de nomeações de parentes entre gabinetes. Nas legislaturas passadas, foram registrados vários casos de troca de mulheres. Um deputado contratava a mulher do outro, e vice-versa. Geralmente, com salários iguais. No mandato que se iniciou no dia 1º de fevereiro, novamente parentes de parlamentares foram abrigados em gabinetes dos colegas".

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Compra chocante de pistolas no STJ
Cláudio Humberto

Pesquisa rápida na internet mostra que duas sofisticadas pistola Taser, que dão choque, e que o Superior Tribunal de Justiça quer comprar por R$ 163 mil, como informou a coluna, não ultrapassam US$ 1,2 mil. Mais modestas, porém com o mesmo efeito 'chocante', são vendidas por US$ 20 no site de leilões e-Bay. Já foi moda há alguns anos nas bolsas femininas. Um especialista nesse tipo de armamento acha que alguém levou "choque" na licitação. Deveriam ser quarenta, e não duas pistolas, e até o preço do treinamento- R$46 mil - está errado.

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Calheiros diz que não se sente mais obrigado a apoiar Lula

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que se sente “liberado” do apoio que vinha dando ao governo Lula. Do ponto de vista de Lula, Calheiros é essencial para não fortalecer a oposição, que hoje tem 31 das 81 cadeiras da Casa. A maioria absoluta dos senadores do PMDB estava na chapa de Jobim, candidato de Calheiros à presidência do partido e que renunciou alegando interferência do Planalto.
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O Senador alagoano ligou para Lula protestando contra a aproximação do Planalto com o presidente do partido, Michel Temer: “O Jobim vai sair da disputa diante do que considera uma interferência do Planalto na disputa interna do PMDB. Diante disso, nós, senadores e governadores que sempre o apoiamos nos momentos mais difíceis, nos sentimos liberados", disse o presidente do Senado.
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Calheiros reuniu seu grupo em sua casa para avaliar a vantagem de Temer sobre Jobim. Constatou-se que o convite de Lula a Temer deveria ter uma boa resposta política. Aliados afirmaram que o Senador disse a Lula que a renúncia seria inevitável se o presidente não fizesse uma reaproximação com Jobim. O ex-candidato contava com apoio de Lula.

A renúncia do ex-candidato e ex-ministro descartou o que o presidente da república desejava: unificar o PMDB. Com a saída de Jobim da corrida, Calheiros e o ex-presidente José Sarney ficarão de fora do Diretório Nacional do partido.

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Tarso Genro nega interferência no PMDB

O ministro das Relações Institucionais do governo Lula, Tarso Genro, disse nesta terça-feira (06.03) que o Palácio do Planalto não interferiu em nada na disputa pelo comando do PMDB. Tarso também negou que o aliado de Michel Temer, deputado federal Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), tenha sido convidado para ser o ministro da Integração Nacional.
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“Na conversa do presidente com o deputado Geddel não se tratou de nomes de ministros, mas da participação da bancada do PMDB na Câmara no governo”, disse Tarso, reiterando que são os deputados do PMDB que indicam os nomes do partido. Parlamentares do grupo de Jobim consideram que o ministro das Relações Institucionais seja o responsável por favorecer Temer.
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Com isso, Genro anunciou um novo adiamento da novela da reforma ministerial. O ministro disse faltam poucos detalhes para conclusão das altertações, e que o presidente deve anunciar o novo ministério na próxima semana.

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Assembléia chinesa decidirá reformas

"A sessão anual da Assembléia Nacional do Povo (o Parlamento chinês) tem início amanhã com uma atenção redobrada da comunidade internacional. Parte da instabilidade dos mercados mundiais registrada na semana passada foi atribuída às especulações sobre o que os 3 mil delegados iriam debater e aprovar durante os 12 dias de sessão. O maior temor é que a Assembléia Nacional adote medidas para desacelerar a economia chinesa - que cresceu 10,7% em 2006."

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Feliz é a lua
Eclipse do Lula não tem data para terminar. Até porque, antes, é preciso saber quem está fazendo sombra ao presidente.

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Voto aberto: Urgência, urgentíssima
Radar, Veja online

Em menos de uma hora, ontem, logo após o almoço, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) conseguiu cerca de 100 assinaturas para o pedido de prioridade na votação do projeto que acaba com o voto secreto nos parlamentos brasileiros. São necessárias 51 assinaturas. A medida foi aprovada em setembro do ano passado e precisa passar por nova votação antes de ir para o Senado. Geralmente pedidos desse tipo são feitos pelas lideranças. Mas Valente acha que são justamente elas que não têm interesse algum em ver o projeto votado algum dia.