segunda-feira, março 12, 2007

Lula anunciará acordo para destravar Doha

Por Jeferson Ribeiro, INVERTIA
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na tarde dessa quinta-feira, após se reunir com o presidente da Alemanha, Horst Köhler, que pretende anunciar um acordo para destravar as negociações da Rodada de Doha, de liberalização do comércio mundial.

Primeiro, Lula disse que vai falar com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, para avançar nos pontos que interromperam o avanço das negociações sobre maior abertura do mercado internacional. "Amanhã vou falar com o presidente Bush e depois vou telefonar para a chanceler Angela Merkel para que nas próximas três ou quatro semanas possamos anunciar que os países mais pobres poderão se desenvolver", comentou em referência às negociações de Doha.

A retomada das negociações pode ser feita no próximo encontro Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo do G-8 (grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo e a Rússia). A reunião será ampliada e contará com a participação dos presidente do Brasil, México, Egito, Argélia, Nigéria, África do Sul, Marrocos, Senegal, Suíça, China, Arábia Saudita, Malásia e Índia.

Os presidentes africanos presentes ao encontro participam também do Nepad (Nova Parceria para o Desenvolvimento da África), e terão uma agenda específica de encontros com o G-8, que é formando por França, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Japão, Itália e Rússia.

A reunião, que será realizada em Heiligendamm, na Alemanha, em 8 de junho, é aguardada com grande expectativa justamente porque pode marcar a retomada das discussões da rodada de Doha. Lula disse que o Brasil está preparado para avançar e abrir mais espaço para importações nas áreas industrial e de serviços. Mas espera que os Estados Unidos e a União Européia estejam preparados para reduzir seus subsídios aos agricultores.

"O que nós queremos é que a União Européia flexibilize seu mercado interno para os países mais pobres. Nem falo Brasil que em se tratando de agricultura tem muita competitividade. Queremos que os Estados Unidos reduzam os subsídios para os agricultores, que são tão importantes para os produtores americanos e tão nefastos para o livre comércio mundial. Da parte do Brasil, mais abertura industrial e dos serviços", disse Lula em seu discurso.

O presidente da Alemanha se disse disposto em ajudar nas negociações e falar com sua chanceler sobre as propostas brasileiras. A posição dos alemães é muito importante porque nesse momento é Merkel que está ocupando a presidência da União Européia. "Meu conselho é: não vamos só levar a sério da voz do Brasil, mas tirar conclusões comuns de uma globalização com rosto humano", discursou Köhler.

Ele salientou ainda que é preciso "enviar sinais de confiança" para o mundo de que é possível aumentar a cooperação entre as nações. Para Köhler, mais chances de comércio podem diminuir as tensões terroristas. "Essa negociação é uma prioridade para a nossa chanceler", disse.

"Estou otimista e sublinho as palavras do presidente Lula. Quem vai ganhar não é só o Brasil ou os países desenvolvidos ou a Alemanha. Os vencedores serão os países mais pobres". Antes do discurso de Köhler, Lula disse que pela primeira vez as negociações sobre comércio mundial "têm como palavra principal o desenvolvimento". "Nós sabemos que se não houver um acordo para possibilitar mais chances aos países mais pobre nós não iremos combater com muita facilidade a pobreza, a fome e nem o terrorismo", acrescentou o presidente brasileiro.