quinta-feira, outubro 28, 2010
Pensamentos desconexos que afligem a Nação:
De Dilma Rousseff, presidenciável eleita pelo Lula:
“Nós podemos dividir a história do pré-sal em dois momentos: antes do pré-sal e depois do pré-sal.”
Brilhante, candidata: concordo integralmente com sua máxima.
Assim como podemos dividir a história da humanidade em, antes do homem e depois do homem. Ou, ainda, a era da jumentice, separada em dois períodos: antes dos jumentos e depois dos jumentos...
Nem Einstein, em seu melhores momentos, seria capaz de tanto...
Uma real ameaça ao estado de direito democrático
Dia 25 de setembro, publiquei um artigo sob o título Ficha Limpa: culpem o Michel Temer, não o STF! , através do qual expunha a posição de se defender o código de leis do país, principalmente a carta constitucional.
Escrevi então e reintero agora:
(...)
"Em 2009, principalmente no segundo semestre, iniciou-se uma enorme pressão popular para que o projeto ganhasse maior velocidade. Por quê? Porque o ano seguinte, 2010, seria ano de eleições e, conforme exige a Constituição, para que a lei tivesse e produzisse efeitos agora, precisaria ser votada e aprovada no ano anterior ao pleito.
Contudo, o senhor Michel Temer, presidente da Câmara de Deputados, onde o projeto estava parado, por diferentes maneiras e vezes, afirmou que o projeto era importante sim, mas não ele não era prioritário. Este parlamentar segurou o quanto pode o encaminhamento do projeto à votação até que o ano se encerasse. E aqui, em novembro, acusei que no Congresso, tudo seria feito para retardar o Projeto Ficha Limpa até a virada do ano, para que seus efeitos não mais pudessem ser aplicados nesta eleição. Claro, sabemos que, pelo menos 1/3 do atual Congresso, é composto por gente com contas a ajustar na Justiça.
Senhores, o projeto foi aprovado e sancionado, tornando-se lei em 2010. Ela fixa regras novas para o registro de candidaturas. Se altera a regra eleitoral, deve ser submetido ao que determina a Constituição do país, e ela é clara quando fala da anualidade.
Os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso Mello e Cezar Peluzo, em seus votos, obedeceram estritamente ao texto constitucional. Todos reconheceram a necessidade e urgência da Lei Ficha Limpa e sua importância para moralização dos costumes políticos. Todos concordam que ela deveria estar em vigor há muito tempo. Porém, ao não reconhecer para esta eleição os efeitos da lei, eles não agiram contra a sociedade como é possível se ler na imprensa e em alguns blogs, ou até em pronunciamento de alguns honoráveis, como o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, no dia de hoje.
Os ministros do STF que votaram contra, não o fizeram contrários à própria lei, mas contra a sua aplicação em 2010, por ser inconstitucional assim fazê-lo, e, em consequência, agiram em favor da própria sociedade ao preservar o cumprimento da exigência Constitucional. Como disse o ministro Marco Aurélio, em um oportuno aparte, ninguém ignora a importância da lei, contudo, não se pode aviltar a Constituição para encobrir o atraso do Congresso em votá-la. Perfeito e incontestável!!!"
(...)
(...)
Ontem, como vocês já sabem, apesar de se ter mantido o mesmo resultado quando do julgamento do recurso do Joaquim Roriz, ao julgar o recurso do Jáder Barbalho, o STF resolveu inovar: para que não se criasse uma insegurança jurídica em relação à Lei Ficha Limpa, o STF decidiu criar uma insegurança jurídica ainda maior.
O precedente que se abre com tal decisão é perigosíssimo. Nada impede, doravante, que tanto o Congresso quanto o Executivo editem leis contrárias aos dispositivos constitucionais, ceifando direitos e garantias. Que o Brasil todo desejasse ver Jader Barbalho e Joaquim Roriz fora da vida pública, é um sentimento simples de resolver, sem que se recorresse ao expediente de contrariar a ordem jurídica. Bastava que neles não votasse. Inadmissível é assistir o guardião das leis sucumbir a um apelo de caráte3r populista, apenas para preservar sua imagem. Ao fazê-lo, ao cair na armadilha, o STF abriu mão de suas prerrogativas e estabeleceu uma insegurança jurídica sem paralelo.
No artigo a que refiro acima, demonstrei e deixei claro que a culpa da lei Ficha Limpa não poder ser aplicado neste pleito, é de exclusividade do senhor Michel Temer, presidente da Câmara de Deputados e retardou sem nenhuma justificativa, sua votação em plenário, liberando esta votação apenas em 2010, o que, de antemão, já assegurava que sua aplicação só poderia acontecer no ano seguinte, ou seja, a partir de 2011. Também demonstrei que a lei não pode, e isto está na constituição, ser aplicada de forma retroativa para punir. É preciso deixar claro que as leis visam garantir os direitos dos homens de bem e, por consequência, deve prever punições para seus transgressores. Mas o propósito básico é a primeira parte, a segunda é mera consequência.
Um tribunal, de qualquer instância, deve julgar nãop segundo o apelo vindo das ruas ou dos gabinetes, e, sim, de acordo com os princípios determinados pela lei maior que regula e submete todas as demais.
O passo dado ontem pelo STF é sintomático: o Brasil anda a passos largos rumo a uma instabilidade institucional, cujos pontos de ruptura, agora já somando diversos fatos, serão a irrelevância das instituições, o estabelecimento do arbítrio, o atropelo ao código legal e, claro, à real ameaça ao estado de direito democrático.
Aqueles ministros que votaram pela aplicação imediata da lei, deixaram de pensar e considerar a missão principal que os guia. Não há princípio da moralidade capaz de justificar a insegurança jurídica gerada pela decisão equivocada, como, ainda, instaurar um precedente perigoso capaz desordenar, por completo, o estado democrático de direito.
Ao STF competia apenas fazer cumprir a lei. Não é conveniente que tenhamos um tribunal sujeito e afeito à pressão externa. Não é legítimo rasgar as leis que já temos para acatar outras feitas contrariando os dispositivos que a Constituição garante. Não podia ele, como fez, tentar corrigir o erro e a incompetência do Legislativo no desempenho de seu papel. Dar guarida à inconstitucionalidade é por a corda no pescoço que, a qualquer um, se permitirá puxá-la para embutir regras ilegítimas e que afrontam direitos e garantias pétreas. Decidir com base em analogias, e não ao que está escrito e consagrado, é, por assim, encontrar arranjos mágicos para justificar claras inconstitucionalidades, e este era o caso. Encerro com o trecho final do artigo escrito pelo jornalista Reinaldo Azevedo sobre a infeliz decisão do Supremo:
O corpo de uma democracia são as leis, é o estado de direito. E nem mesmo para punir “os maus” se deve corrompê-lo com um mau regime, com uma má disciplina. Se as leis que temos não são suficientes ou eficientes para enfrentar os problemas dados, que sejam mudadas — coisa que o Supremo não pode fazer —, mas jamais aviltadas, ainda que com propósitos nobres.
Quem semeou medo e ódio na campanha : a desfaçatez tem limites ?
Bolívar Lamounier, Portal Exame
Ontem, em campanha pelo Nordeste, Dilma Rousseff acusou Serra de semear medo e ódio a fim de encobrir a falta de um projeto para o país. Mas o povo – afirmou – “vai responder com esperança e amor.”
Ao ler a afirmação de Dilma, logo me lembrei de uma mensagem que recebi há poucos dias de uma leitora . Ei-la :
“Vindo para o trabalho, cruzei com um grupo de militantes do PT a caminho de alguma bandeirada ou coisa parecida. Me ofereceram um adesivo pró Dilma, eu recusei. Fui muito hostilizada. Me chamaram de “burguesa”, de “loira metida”, me disseram que “a moleza vai acabar” e por aí afora. Tudo muito baixo e fora de propósito. Continuei meu caminho sem me manifestar, mas me assustei…
Medo e ódio. Realmente, é disso que se trata.
Abstratamente, podemos admitir que episódios isolados de intimidação ou confronto podem ocorrer em qualquer eleição e em qualquer país. Sempre há ânimos acirrados. Algum militante ou grupo de militantes pode passar dos limites.
Em tese, é assim. Mas falar “em tese” sobre o que vem ocorrendo entre nós seria dar prova de uma imensa pusilanimidade. Disseminar o medo (e em larga escala) é, por exemplo, espalhar que a vitória adversária implicará a perda do emprego ou de algum benefício.
Aos beneficiários do bolsa-família, cujo voto já foi de certa forma sequestrado pelo governo e pelos partidos que o apoiam, mentiu-se, ademais, que poderiam perder o benefício. Aos empregados de algumas estatais foi dito que o adversário promoveria demissões em massa.
Essa é a forma elementar do chamado “uso da máquina pública” – e sem dúvida também a técnica mais perversamente eficiente da intimidação eleitoral. A história brasileira não tem registro de nada comparável ao que se fez este ano.
O fulcro de todo esse processo, como não me canso de dizer, é o comportamento
do presidente da República. Lula desvestiu-se simplesmente (se é que chegou a se investir) dos deveres e obrigações compreendidos na expressão “liturgia do cargo”.
Para eleger de um jeito ou de outro a sua candidata, Lula não hesitou em abdicar da condição de presidente de todos os brasileiros, assumindo por completo a postura de chefe de facção.
Isto não sou eu quem diz . Disseram-no com todas as letras os governadores que ele reuniu no Alvorada logo após o primeiro turno. Com esforço, evidentemente, eles conseguiram abrir o bico e dizer ao chefe que ele se excedera bastante; dois ou três até ousaram apontar a agressividade do presidente como um dos fatores que levaram a decisão para o segundo turno.
Irretocável, neste aspecto, o artigo de Eliane Catanhede na FSP de 24.10 :
“Bastou a eleição de Dilma ser dada como certa no primeiro turno, e lá foi Lula, vermelho, com ar de ódio, xingar a imprensa e conclamar o extermínio de adversários. Bastaram as pesquisas prevendo a vitória no segundo turno, e lá foi Lula, vermelho, com ar de ódio, acusar Serra de encenar ‘uma farsa’, uma ‘mentira descarada’. Duplo erro: tentou transformar a vítima em réu e estimulou a militância petista a cair de pau”.
Se Dilma Rousseff e seus marqueteiros quiserem então saber o motivo do acirramento que o país está vivendo, a resposta é simples. Chama-se Lula.
Admitamos, entretanto, que os desmandos verbais e comportamentais do presidente não são o único motivo. Há outros.
Subjacente ao lulismo, existe o petismo. E perderá tempo quem tentar compreender a mentalidade petista sem se deter no fenômeno do ressentimento.
Antes que os meus leitores petistas se exaltem : eu não estou dizendo que todo petista seja um ressentido, seja no sentido pessoal, seja no social. Todo petista, não, embora me pareça que, desde os primórdios, o PT atraiu muitos militantes ressentidos, ou mais ressentidos que a média da sociedade, sei lá.
Mais importante, porém, é que o PT criou um vocabulário e um fabulário (uma pseudo-história, uma pseudo-sociologia…) que até parecem cortados sob medida para a articular certos ressentimentos que existem difusos na sociedade. A “zelite”, por exemplo, tem funcionado como senha, palavra de ordem e toque de avançar. Que o diga a autora da mensagem que citei lá em cima.
Alguns amigos petistas ficam muito bravos quando eu lhes falo do ranço totalitário que o PT traz embutido desde a sua mais tenra infância. “Mas afinal - me interpelam -, o Brasil não se caracteriza ao longo de toda a sua história e ainda hoje por uma terrível desigualdade de renda, de oportunidade, o escambau ?” É claro que sim. Eu precisaria ser muito ignorante ou alienado para negar tal afirmação, ainda mais nesse nível de generalidade.
O que esses amigos não compreendem é que muitos dos piores ditadores compartilharam em algum momento um sentimento de repulsa em relação à desigualdade social.
Se nobres intenções bastassem, as soluções que buscamos estariam ao alcance da mão. Mas não bastam, e não raro até preparam o local onde a serpente põe seus ovos.
Mais cedo ou mais tarde – como escreveu Ingmar Bergman – “através das finas membranas, poderemos discernir o réptil já perfeitamente concebido”. Oxalá não seja tarde demais.
Ministros 'estarrecidos' com baixarias. E de quem é a culpa?
Comentando a Notícia
Há uma nota na página do Cláudio Humberto, que informa o seguinte:
Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral estão "estarrecidos" com o baixo nível da campanha presidencial no segundo turno. Para eles, as coligações de Dilma Rousseff e de José Serra promovem um "show de horrores". "O que estamos vendo não é mais horário eleitoral, é um tiroteio eleitoral”, disse o ministro Aldyr Passarinho Junior. Ele cogitou até mudanças para eleições futuras, como tornar responsáveis os marqueteiros nos casos de propagandas destinadas apenas a ofender adversários.
E de quem é a culpa, senhores ministros? Há quanto tanto tempo este blog e outros mais, além da própria imprensa, vem noticiando, dia após dia, o cometimento de crimes eleitorais em volumes jamais conhecidos de parte do presidente da república, e não apenas agora, mas há precisamente dois anos? Quem deveria punir este detrator do regime de leis eleitorais em vigor? Quem tem, repetida e acintosamente, zombado do próprio TSE, além de criticá-lo pelas multinhas que são aplicadas? Quem, se não o TSE, tem sido omisso e negligente no cumprimento de sua constitucional missão? Quem, se não o próprio TSE, tem esquecido de seu próprio dever de fazer cumprir as leis existentes? Não venham agora os senhores ministros do TSE dizerem-se estarrecidos pela lama escorrendo o país de norte a sul, quando eles próprios assentiram que tal ocorresse, e jamais sequer admoestaram o senhor Lula para que não se tornasse reincidente na infração à lei eleitoral, e de que, prá tudo, há um limite a ser acatado, inclusive e principalmente, por parte de um presidente da república!
Há mais de seis meses que aqui e em todo o país se noticiam barbaridades cometidas por Lula. O governo do país simplesmente está estagnado e à deriva, haja visto que toda a máquina pública se atirou de ponta a cabeça para a prática ilegal de campanha e propaganda eleitoral. Os recursos públicos estão bancando uma fraude eleitoral que o TSE insiste em ignorar. Os prédios públicos estão sendo usados com um único propósito: a descarada e ilegal campanha eleitoral de parte do aparelhamento do Estado em favor de Dilma Rousseff, sob comando e coordenadção pessoal do senhor Lula da Silva. Neste sentido, senhores ministros do TSE, que providências vossas excelências têm tomado no sentido de coibir o abuso e a ilegalidade?
Está mais do que comprovada a prática ilícita de abuso de poder político e econômico. E qual a atitude do TSE? Fazer de conta que não vê. Quando o árbitro do jogo simplesmente faz vistas grossas para as faltas e jogadas desleais dos jogadores em campo, a tendência é tal permissividade incentivar mais violência ainda.
Não fosse pela covardia e leniência dos senhores ministros do TSE, sua passividade injustificável diante do atropelo à legislação eleitoral de parte do presidente da república e sua candidata, e por certo, não estariam agora a lamentar e se “estarrecendo” pelo jogo do vale-tudo que passou a imperar nesta campanha eleitoral. Neste caso, o estarrecimento dos senhores ministros deve ser para consigo mesmo. Mirem-se no próprio espelho, senhores ministros, e digam de si para si: “Como pudemos deixar a situação chegar a tal ponto?”. Os candidatos em campo estão se guiando apenas pelo árbitro do jogo que, conforme se vê, resolveu ficar no vestiário.
Paulo Bernardo critica editorial de jornal britânico que defende Serra. E o Hugo Chavez pode, Bernardo?
Texto Graciliano Rocha, para a Folha de São Paulo. Comento em seguida.
*****
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) criticou o editorial do jornal britânico "Financial Times", que defende a eleição de José Serra (PSDB) como melhor escolha para o Brasil.
Ele disse estranhar que uma publicação estrangeira "se meta a fazer esse tipo de avaliação" e afirmou que o "imperialismo britânico acabou".
No editorial, publicado na edição desta terça-feira, o jornal afirma que, embora Dilma e Serra tenham perfis parecidos, a eleição do tucano diminuiria a influência de Lula no próximo governo. Comparou o papel do petista em eventual governo de Dilma como "presidência paralela" exercida pelo primeiro-ministro Vladimir Putin na Rússia.
"Se a gente for se pautar por um jornal britânico é o fim da picada. Nós fomos colônia da Inglaterra nos anos mil oitocentos e qualquer coisa. O imperialismo britânico acabou há muito tempo", disse.
Licenciado do ministério para se dedicar à campanha petista no Sul, Paulo Bernardo afirmou em encontro com prefeitos catarinenses na segunda que a eleição de Dilma representa a continuidade do governo Lula.
***** COMENTANDO A NOTICIA:
É impressionante a imbecilidade, a má fé, a ignorância desta tropa petista assentada no governo. Quando no exterior, os jornais rasgam elogios a Lula, então pedem reconhecimento e não se fartam de dar vazão aos elogios. Na crítica, acham-se no direito de desqualificar a informação.
Ou seja, quando um editorial defende a candidatura de oposição, isto é intromissão indevida a ser qualificada como “imperialismo”. Agora, e o presidente venezuelano, Hugo Chavez, usar parte de seus discursos para fazer campanha eleitoral em favor da candidata governista, está liberado senhor Bernardo? Dois pesos e duas medidas, senhor ministro? Ou será subserviência para com os tiranos do planeta? Um pouco de coerência não lhe faria mal nenhum!!!
A propósito disto, sempre é oportuno lembrar quais parceiros estão do lado de Dilma, entre os quais o tiranete da Venezuela. O vídeo abaixo não deixa dúvidas.
Dilma 13 e seus apoios.
Uma agressão imerecida à Romeu Tuma e ao Senado Federal.
Comentando a Notícia
Romeu Tuma era um senador da República em pleno exercício de mandato. Seu falecimento mereceria de parte do senhor presidente da República, ao menos, um pouco mais de respeito e consideração. Infelizmente não foi o que se viu. Esta agressão à instituição chamada de Congresso Nacional, é um descaso injustificável. Tanto a instituição da Presidência da República, quando sua casa de representantes, são patrimônios da sociedade brasileira. Não pertencem a partidos nem a ninguém, além do povo brasileiro. O respeito entre ambas deve coexistir, independendo, para tanto, de ideologias. A grandeza de um homem público está em saber a noção exata desta harmonia.
Lula, de pronto, deveria ter decretado luto nacional por três dias. Deveria estar presente ao velório. Deveria ter suspendido toda e qualquer ação, de governo, pessoal ou política, para honrar e homenagear um homem honrado que dedicou grande parte de sua vida à causa pública, e em favor da sociedade. Não se viu, lamentavelmente, nenhuma destas iniciativas de parte de Lula. Onde estava, ficou. E ainda se valeu de um palanque para agredir, sordidamente, um adversário político, de forma desonesta diga-se de passagem.
Contudo, em meio à discurseira cretina, em Itajaí, ao ser informado do falecimento do ex-presidente Nestor Kirchner, da Argentina, não fez de rogado. Voltou ao mesmo palanque para lamaentar a morte do ex-presidente argentino, ordenou que se Divulgasse nota por meio da assessoria do Palácio do Planalto, afirmando estar consternado com a notícia. Lula ainda decretou luto oficial por três dias, e enviou uma mensagem de condolência a presidente Cristina, mulher do ex-governante. Promete ir ao enterro daquele que, por muito pouco, não enterrou o Mercosul com medidas que muito prejudicaram os parceiros, principalmente, o próprio Brasil. Que fizesse assim com o ex-presidente argentino, nada a recriminar nos gestos e iniciativas. Brasil e Argentina são países irmãos. Contudo, o silêncio e falta de medidas de solidariedade em relação à Romeu Tuma é algo inadmissível e totalmente reprovável para quem ainda verga a faixa presidencial.
Em outros tempos, quando morria um senador da república, o presidente decretava três dias de luto oficial. Ia ao enterro e era um momento em que adversários políticos esqueciam suas diferenças e rendiam homenagem ao ser humano.
“O Tuma me prendeu na década de 80 e lembro dele, pois ele me liberou para acompanhar o enterro de minha mãe. Isso não era muito comum na época da ditadura", palavras do próprio Lula. Contudo, não se dignou o excelentíssimo em comparecer ao enterro e velório do próprio Tuma. Especificamente, em relação ao senador, Lula devia agradecer eternamente ao amigo Tuma por ele nunca ter revelado nada sobre a atuação do próprio Lula contra seus inimigos no campo sindical.
Um tapa na cara do Senado. Um péssimo exemplo de solidariedade. Um gesto mesquinho e rasteiro, que mostra bem o caráter do atual presidente.
Homens públicos íntegros e honrados como o senador, o país precisa de muitos. A ausência de um deles, nos faz muita falta. Para Tuma, porém, amigos como Lula, definitivamente, e como se viu ontem no cortejo, nunca fizeram falta. Lula teve muito que aprender com o senador, este, porém, jamais precisou do presidente para exercer seu mandato com brilho próprio e manter altiva sua dignidade. A covardia e vilania presidenciais é um empobrecimento miserável nas relações humanas no campo da política e da cidadania.
Como já disse em outras ocasiões, mais uma vez, Lula se mostrou o eterno grande ausente.
Isabelita sem Péron
Sebastião Nery
RIO – Em agosto de 1955, a Argentina sangrava numa das mais dramáticas historias da America Latina no século. Fui a Buenos Aires. De ônibus para Porto Alegre, de lá para a Argentina. E vi o mundo pela primeira vez. Muitos jornalistas brasileiros, sobretudo gaúchos, entre europeus e latino-americanos. Os fins de tarde no bar do hotel Plaza pareciam uma redação enlouquecida.
Os boatos se multiplicavam. Todos os dias o Exercito e a Marinha aderiam à Aeronáutica e derrubavam Perón. Mas Peron continuava, como continuava nas ruas, em furiosas manifestações, a Confederação Geral dos Trabalhadores, a CUT peronista. Até que uma manhã era mesmo verdade.
Buenos Aires
Em um pequeno hotel perto do Plaza e da rua Florida, ouvi bombas a cada instante mais continuadas. Corri para a Casa Rosada, com seus balcões cor de terra-cota avermelhada. Perón e Evita já não estavam mais lá, falando ao povo, como em outros tempos. Evita havia morrido desde 1952. De Perón não se tinha noticia. O Exercito já havia cercado a praça.
Ninguém passava. Ainda bem. Assim nos livramos, outros jornalistas e eu, das pesadas bombas da Aeronáutica jogadas sobre os jardins do palácio, por seus aviões de caça dando rasantes. Passavam sobre nossas cabeças, nos cantos da praça, mergulhavam, soltavam as bombas, subiam.
Algumas caiam pertinho de nós, protegidos atrás das colunas dos edifícios. Foram três dias de furor, de 16 a 19 de setembro. Exercito, Marinha, Aeronáutica exigiram que Perón renunciasse. Numa canhoneira paraguaia, fundeada no porto,Perón foi-se embora para o exílio,em Madrid.
Borges
A imprensa foi entrevistar o poeta-genio Jorge Luis Borges, que havia sido por ele demitido da Biblioteca de Buenos Aires, e estava na varanda de sua casa, lendo. Borges disse apenas:
- O Exmo Senhor general e ex-presidente da Republica, Juan Domingo Perón, é um canalha.
Quase vinte anos depois, em 1974, já cego, Jorge Luis Borges estava na varanda de sua casa ouvindo a secretaria ler para ele, quando a
imprensa chegou para ouvi-lo sobre a morte de Peron. Borges disse apenas.
- O Exmo Sr. General e ex-presidente da Republica, Juan Domingo Perón, era um canalha.
O general Aramburo, adido militar no Brasil em 1951, assumiu o governo. Em maio de 70, foi sequestrado e encontrado morto nos arredores de Buenos Aires. E durante quase 30 anos, com os intervalos civis de Arturo Frondisi, José Maria Guido e Arturo Ilia, os generais, inclusive Perón, ensanguentaram a Argentina e mataram mais de 30 mil argentinos.
Evita
Peron era capitão em 1930 e ajudou a derrubar o presidente Hipólito Yrigoyen. Foi adido militar no Chile e Itália de 39 a 41: - “Mussolini é o maior homem do século, mas cometeu erros que não cometerei”.
Com ele, um grupo de jovens militares criou o GOU (Grupo de Oficiais Unidos), simpático ao nazismo e fascismo da Alemanha e da Itália. Em junho de 43, derrubaram mais um presidente, Ramon Castillo. Em 44, o já coronel Perón foi nomeado secretário do Trabalho. Depois, vice-presidente e ministro da Guerra. Em 45, fim da guerra, preso e logo solto.
Casou com Evita Perón. Em 46, elegeu-se presidente da República. Em 49, reformou a Constituição para poder reeleger-se. Fechou o jornal “La Prensa”, interveio nas Universidades, brigou com a Suprema Corte. E em 51 se reelegeu. Governava com os sindicatos. Era o ovo da serpente.
Incendiou a Argentina e jogou-a nos quartéis dos militares.
Isabelita
Em 1973, os militares não tinham mais como sustentar sua sangrenta ditadura. Peron lá da Espanha elegeu seu laranja Hector Campora, que logo renunciou para ele voltar, candidatar-se e ganhar, tendo como vice a nova mulher, Maria Estela, a Isabelita. Durou um ano, morreu em julho de 74 e a Isabelita assumiu o governo. Agravou-se a tragédia argentina.
Medíocre, despreparada, pau-mandado, sem experiência política e administrativa anterior, Isabelita entregou o governo à direita negocista e terrorista, a Tríplice A, e à pelegada sindical da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores), a CUT deles, cheia do dinheiro do FAT deles.
O pais caiu na baderna. Era inevitável. Os militares voltaram mais uma vez e a Argentina caiu numa nova rodada de violência e assassinatos.
Dilma
A sorte do Brasil é que Lula não é Perón, não é Hugo Chavez, que sempre tiveram grupos militares atrás deles, sustentando suas loucuras. O Peronismo tinha canhões. O Chavismo tem. Lula, para tentar implantar seu Lulismo, teve que sustentar-se na corrupção, cevando o Congresso nos cochos do Mensalão, comprando centrais sindicais, movimentos sociais, jornalistas e intelectuais de aluguel, até nossa outrora gloriosa UNE.
Quando vejo a Dilma na TV, com aquele atravessado sorriso botox, repetindo sempre o que mandam dizer, penso logo na Isabelita, marionete ventríloqua como a nossa, uma Isabelita falando português e fazendo tudo que Lula, Franklin,Dirceu, Palocci, Eduardo Cunha,Gim Argelo ordenam.
A Erenice, aquele charme de anta de óculos, instalou uma fabrica de corrupção dentro da Casa Civil. O perigo é Dilma ser dominada pela gula insaciável dos cuequeiros aloprados do PT e virar uma Isabelita sem Perón.
Morte de ex-presidente atropela consolidação do poder dos Kirchner e seu projeto autoritário na Argentina
Ricardo Setti, Veja online
A morte, aos 60 anos, do ex-presidente Néstor Kirchner atropela dois fenômenos em curso na Argentina: a consolidação dos Kirchner no poder com candidatura do marido à sucessão da mulher, a presidente Cristina Fernández de Kirchner, que por sua vez o havia sucedido no final de 2007 e deixa a Casa Rosada em dezembro do próximo ano, e o projeto autoritário francamente em curso na Argentina sob a inspiração do casal.
Apesar de sua saúde visivelmente frágil, de que foram sinais só no último ano duas intervenções cirúrgicas ligadas ao coração, o ex-presidente era candidatíssimo, a despeito da queda de prestígio de Cristina. Agora, o candidato do “kirchnerismo” à Presidência é uma interrogação, e desata-se uma briga interna no Partido Justicialista (peronista) que nem os mais experientes analistas argentinos se animam a prever como terminará.
Uma divisão do peronismo pode favorecer a possível candidatura do líder oposicionista Ricardo Alfonsín, deputado pela União Cívica Radical e filho e sósia quase perfeito do falecido presidente Raúl Alfonsín (1983-1989).
ESCALADA AUTORITÁRIA — Exceto pela condução da economia, em situação razoavelmente estável, a presidente vive uma escalada autoritária que pretende sufocar os dois principais conglomerados de mídia do país, críticos a seu governo — o grupo do jornal Clarín e o do centenário jornal La Nación –, tem oposição cerrada e militante do setor produtivo mais importante da argentina, a agroindústria, mantém difíceis relações com o empresariado industrial, apresenta crescentes dificuldades em aprovar medidas no Congresso e, como se não bastasse, anda às turras com a Suprema Corte em razão de decisões que contrariaram os interesses da Casa Rosada.
Colaboraram também consideravelmente para erodir seu prestígio fatos impensáveis na Argentina até há pouco tempo, como um surto de dengue ocorrido no verão passado, e um brutal, inédito aumento da criminalidade, em especial na capital e na grande Província de Buenos Aires, que a envolve.
A tentativa de sufocar o Clarín e La Nación passa por episódios tipicamente autoritários e sórdidos, como a montagem de uma história falsa destinada a provar que as famílias controladoras dos dois grupos adquiriram a maioria das ações da maior fornecedora de papel de imprensa do país, a empresa Papel Prensa — em que o governo argentino detém posição minoritária –, graças ao favorecimento da ditadura militar.
Os generais teriam pressionado, inclusive submetendo a prisão e a torturas, integrantes da família Graiver, que então controlava a Papel Prensa, a vender suas ações aos dois grupos de mídia. A história, desmentida por testemunhas que incluem integrantes da família Graiver, não se sustenta, mas Cristina ainda não desistiu. Recentemente, sem esclarecer em detalhes de que se tratava, defendeu a “nacionalização” da imprensa argentina, em grande parte crítica a seu errático governo.
Lembrando Millôr Fernandes
Apenas constatando a constatação que o PT nos oferece: o caminho mais curto entre a ideologia e o poder é a corrupção
***
• Fique tranquilo: sempre se pode provar o contrário.
• Em terra de cego abrir cinema é idiotice.
• Era a cara escarrada do pai, sobretudo quando estava resfriado.
• Que seria dos economistas se não fosse a extrema miséria do mundo?
***
***
FÁBULAS FABULOSAS
O grande sábio e o imenso tolo
Por um acaso do destino, um velho e sábio professor e um jovem e estulto aluno se encontraram dividindo bancos gêmeos num ônibus interestadual. O estulto aluno, já conhecido do sábio professor exatamente por sua estultície, logo cansou o mestre com seu matraquear ininterrupto e sem sentido. O professor aguentou o quando pôde a conversa insossa e descabida. Afinal, cansado, arranjou, na sua cachola sábia, uma maneira de desativar o papo inútil do aluno. Sugeriu:
- Vamos fazer um jogo que sempre proponho nestas minhas viagens. Faz o tempo passar bem mais depressa. Você me faz uma pergunta qualquer. Se eu não souber responder, perco cem pratas. Depois eu lhe faço uma pergunta. Se você não souber responder, perde cem.
- Ah, mas isso é injusto! Não posso jogar esse jogo – disse o aluno, provando que não era tão tolo quanto aparentava -, eu vou perder muito dinheiro! O senhor sabe infinitamente mais do que eu. Só posso jogar com a seguinte combinação: quando eu acertar, ganho cem pratas. Quando o senhor acertar, ganha só vinte.
- Está bem – concordou o professor – pode começar.
- Me diz, professor – perguntou o aluno , o que é que tem cabeça de cavalo, seis patas de elefante e rabo de pau?
O professor, sem sequer pensar, respondeu:
- Não sei; nem posso saber! Isso não existe.
- O senhor não disse se devia existir ou não. O fato é que o senhor não sabe o que é – argumentou o aluno – e, portanto, me deve cem pratas.
- Tá bem, eu pago as cem pratas – concordou o professor pagando -, mas agora é minha vez. Me diz aí: o que é que tem cabeça de cavalo, seis patas de elefante e rabo de pau?
- Não sei – respondeu o aluno. E, sem maior discussão, pagou vinte pratas ao professor.
Moral: A sabedoria, nos dias de hoje, está valendo 20% da esperteza.
***
Top Five Dilma Rousseff
Desde sexta-feira, o YouTube exibe um vídeo de quase cinco minutos que compila falas confusas de Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral. O Top Five ironiza declarações gaguejantes da petista sobre o meio ambiente, literatura, PAC e a montagem da equipe ministerial.
Em uma delas, Dilma tentou explicar porque queria ver Ganso e Neymar na Copa do Mundo. Disse Dilma:
- Eu vi. Você, veja. Eu já vi, parei de ver. Voltei a ver e acho que Neymar e o Ganso têm essa capacidade de fazer a gente olhar.
Um mito de papel
Demétrio Magnoli (*) - O Estado de São Paulo
"Não me importo de ganhar presente atrasado. Eu quero que o Brasil me dê de presente a Dilma presidente do Brasil", conclamou Lula, do alto de um palanque, dias atrás. Não foi um gesto fortuito. Antes, a Executiva do PT definira a campanha "Dê a vitória de Dilma de presente a Lula". Aos 65 anos, a figura que deixa o Planalto cumpre uma antiga profecia do general Golbery do Couto e Silva. O "mago" da ditadura militar enxergara no sindicalista em ascensão o "homem que destruirá a esquerda no Brasil". Quando o PT trata a Presidência da República como uma oferenda pessoal, nada resta de aproveitável no maior partido de esquerda do País.
Lula vive a sua quarta encarnação. Ele foi o expoente do novo movimento sindical aos 30, o líder de um partido de massas aos 40, o presidente salvacionista aos 60. Agora, aos 65, virou mito. O mito, contudo, é feito de papel. Ele vive nos ensaios dos intelectuais que se rebaixam voluntariamente à condição de áulicos e nos artigos de jornalistas seduzidos pelas aparências ou atraídos pelas luzes do poder. Todavia ele só existe na consciência dos brasileiros como fenômeno marginal. Daqui a três dias, Lula pode até mesmo ficar sem seu almejado carrinho de rolimã. A mera existência da hipótese improvável de derrota de Dilma evidencia a natureza fraudulenta da mitificação que está em curso.
"É a economia, estúpido!", escreveu James Carville, o estrategista eleitoral de Bill Clinton, num cartaz pendurado na sede da campanha, em 1992. George H. Bush, o pai, disputava a reeleição cercado pela auréola do triunfo na primeira Guerra do Golfo, mas o país submergia na recessão. Clinton venceu, insistindo na tecla da economia. Por que Dilma não venceu no primeiro turno, se a economia avança em desabalada carreira, num ritmo alucinante propiciado pelo crédito farto e pelos fluxos especulativos de investimentos estrangeiros?
A pergunta deve ser esclarecida. Lula abordou a sua sucessão como uma campanha de reeleição. No Brasil, como na América Latina em geral, o instituto da reeleição tende a converter o Estado numa máquina partidária. A Presidência, os Ministérios, as empresas estatais e as centrais sindicais neopelegas foram mobilizadas para assegurar o triunfo da candidata oficial. Nessas condições, por que a "mulher de Lula", o pseudônimo do mito vivo, não conseguiu reproduzir as performances de Eduardo Campos, em Pernambuco, Jaques Wagner, na Bahia, Sérgio Cabral, no Rio de Janeiro, Antonio Anastasia, em Minas Gerais, ou Geraldo Alckmin, em São Paulo?
"Há três tipos de mentiras - mentiras, mentiras abomináveis e estatísticas", teria dito certa vez Benjamin Disraeli. Os institutos de pesquisa registram uma taxa de aprovação de Lula em torno de 80%. Cerca de dois terços da aprovação recordista se originam de indivíduos que conferem ao presidente a avaliação "bom", não "ótimo". Nesse grupo, uma maioria não votou na "mulher de Lula" no primeiro turno. Mas a produção intelectual do mito, a fim de fabricar uma "mentira abominável", opera exclusivamente com a taxa agregada. Há muito mais que ingenuidade no curioso procedimento.
As águas que confluem para o rio da mitificação de Lula partem de dois tributários principais, além de pequenas nascentes poluídas pelos patrocínios oriundos do Ministério da Verdade Oficial, de Franklin Martins. O primeiro tributário escorre pela vertente dos intelectuais de esquerda, que renunciaram às suas convicções básicas, abdicaram da meta de reformas estruturantes e desistiram de reivindicar a universalização efetiva dos direitos sociais. Eles retrocederam à trincheira de um antiamericanismo primitivo e, ecoando uma melodia tão antiga quanto anacrônica, celebram a imagem de um líder salvacionista que fala ao povo por cima das instituições da democracia. Nesse conjunto, uma corrente mais nostálgica, que se pretende realista, enxerga em Lula a derradeira boia de salvação para a ditadura castrista em Cuba. A Marilena Chaui pós-mensalão, transfigurada em porta-estandarte do "controle social da mídia", é a síntese possível do lulismo dos intelectuais.
"As pessoas ricas foram as que mais ganharam dinheiro no meu governo", urrou Lula num comício eleitoral em Belo Horizonte, pronunciando um diagnóstico inquestionável. O segundo tributário da mitificação desce da vertente de uma elite empresarial avessa à concorrência, que prospera no ecossistema de negócios configurado pelo BNDES e pelos fundos de pensão. Essa corrente identifica no lulismo o impulso de restauração de um modelo econômico fundado na aliança entre o Estado e o grande capital. Os empresários da Abimaq divulgaram um manifesto em defesa do BNDES, enquanto Eike Batista, um sócio do banco estatal, o cobria de elogios. Na noite do primeiro turno, os analistas financeiros quase vestiram luto fechado. Tais figuras, tanto quanto os controladores da Oi e os proprietários da Odebrecht, representam o lulismo da elite econômica.
O mito ficou nu no primeiro turno. Todos os indícios sugerem que o aguardado triunfo de Dilma foi frustrado exatamente por Lula - que, na sequência do escândalo de Erenice Guerra, afrontou a opinião pública ao investir contra a imprensa independente. "Nem sempre é a economia, estúpido!": os valores também contam. Naquele momento as curvas de tendências eleitorais se inverteram, expressando a resistência de mais de metade dos brasileiros ao lulismo. O jornalismo honesto deveria refletir sobre isso, antes de reproduzir as sentenças escritas pelos fabricantes de mitos.
Os mitos fundadores pertencem a um tempo anterior à História. No fundo, desde a difusão da escrita na Grécia do século 8.º a.C., só surgiram mitos de papel - isto é, frutos da obra política dos filósofos. Por definição, tais mitos estão sujeitos à desmistificação. Já é hora de submeter o mito de Lula a essa crítica esclarecedora.
(*) Sociólogo, e Doutor em Geografia Humana pela USP.
O segundo nariz
Olavo de Carvalho, Mídia Sem Máscara
O personagem do sr. José Dirceu - o homem que trocou de nariz para enganar a esposa e o mundo - é a condensação simbólica mais perfeita do partido ao qual ele serviu, com o melhor dos seus talentos, na condição dupla de eloquente acusador da corrupção alheia e hábil organizador da roubalheira em família.
Que significa a pressa obscena com que, ao primeiro abalo sofrido pela candidatura Dilma Rousseff, o governo Lula partiu para a prática dos crimes eleitorais mais descarados e cínicos de todos os tempos? Significa, antes de tudo, que durante décadas o PT se preparou para chegar ao governo, mas não para deixá-lo.
A perspectiva de ter de voltar à oposição depois de oito anos de poder absoluto parece-lhe um pesadelo aterrorizante, uma catástrofe apocalíptica, a ameaça do retorno a um estado de coisas em cuja liquidação definitiva o sr. Presidente da República e seus seguidores, admiradores e bajuladores apostaram todas as suas energias - e também as do restante da população, que jamais foi consultada quanto às vantagens e desvantagens de tão singular investimento.
O eleitorado brasileiro escolheu o PT em 2002 e 2006 acreditando que votava num partido como os outros - diferente pelo seu programa de governo, como é próprio dos partidos em geral, mas idêntico a eles pela sua estrutura e funções no sistema constitucional.
Não lhe foi informado que o PT não era uma agremiação nacional como seus concorrentes, e sim o fundador, cabeça e sustentáculo de uma organização revolucionária internacional empenhada em salvar o comunismo da sua iminente destruição, anunciada pela queda da URSS. Não lhe foi informado que o PT tinha compromissos secretos ou pelo menos discretos com quadrilhas de terroristas e narcotraficantes, irmanadas com partidos comunistas no esforço conjunto de destruir a ordem vigente e preparar a instauração do socialismo na América Latina. Não lhe foi informado que o PT era o braço político da "Teologia da Libertação" - uma seita satânica dedicada a macaquear a Igreja para esvaziá-la de seu conteúdo espiritual e transformá-la em instrumento da subversão comunista (é uma lindeza que hoje esse órgão do pseudocatolicismo militante acuse os outros de "uso eleitoral do discurso religioso").
Não lhe foi informado que o PT só aceitava as regras do jogo democrático a título de mal provisoriamente necessário, pronto a substituí-las por um "novo paradigma" hoje triunfante, calculado para eliminar todo antagonismo ideológico e reduzir a oposição às funções de ombudsman do partido governante, numa atmosfera de "centralismo democrático", meio leninista, meio gramsciano, onde o direito de divergir é monopólio dos amigos do Príncipe. A ocultação, a falsa identidade, o engodo premeditado e sistêmico - tais foram os traços que desde o início definiram, mais que a estratégia do PT, a sua natureza mesma. O personagem do sr. José Dirceu - o homem que trocou de nariz para enganar a esposa e o mundo - é a condensação simbólica mais perfeita do partido ao qual ele serviu, com o melhor dos seus talentos, na condição dupla de eloquente acusador da corrupção alheia e hábil organizador da roubalheira em família. Roubalheira à qual, por meio do Mensalão, ele deu as dimensões majestosas do impensável e inconcebível, reduzindo os Anões do Orçamento à escala de miniaturas de anões.
O ingresso dessa organização no cenário político nacional foi como a inoculação de um vírus mortífero ao qual o sistema não poderia sobreviver senão por milagre. Ora, milagres não acontecem quando todo mundo está rezando para que não aconteçam. Afinal, quem deu respeitosa credibilidade à farsa petista foi menos o próprio PT do que o consenso de seus adversários nominais, transfigurados em bando alegre de sicofantas.
Para qualquer observador capacitado, em 2002 o perfil político-estratégico do PT como cabeça da revolução continental já estava mais que definido, e o "novo paradigma" já estava em pleno vigor numa eleição em que todos os candidatos eram de esquerda sem que ninguém quisesse notar nisso nada de anormal.
Quem, entre os políticos ou na mídia dita "conservadora", não celebrou aquele exagero de opacidade como uma apoteose da transparência democrática? Quem, nesses meios, não ajudou o PT a repartir a arena eleitoral entre a esquerda daesquerda e a direita da esquerda, jogando os conservadores e liberais na lata de lixo do "extremismo" indecoroso e até ilícito? Quem se absteve de colaborar na mentira visceral, ante cujos efeitos de longo prazo agora todos choramingam sem querer lembrar de onde eles vieram? Quem pode se dizer inocente do crime de ter ajudado a colar no rosto grotesco de uma organização maligna o segundo nariz que a embelezou ante um eleitorado que não sabia de nada?
Se bem me lembro, só eu, naquela ocasião, denunciei a normalidade simulada e adverti para as consequências que adviriam fatalmente da aliança entre o maquiavelismo de uns e a covardia de outros. Leiam meu artigo de 7 de novembro de 2002 (http://www.olavodecarvalho.org/semana/07112002jt.htm) e digam se tudo o que hoje se lamenta e chora na política nacional não poderia ter sido evitado com um pouquinho, só um pouquinho, de realismo, de sensatez e de coragem.
A democracia agredida
Paulo Brossard, Zero Hora
Eu era estudante em 1945 e participei da campanha pela redemocratização do país e votei na eleição de 2 de dezembro daquele ano para presidente da República e para a constituinte que elaboraria a Constituição de 18 de setembro de 1946.
Encerrava-se o longo e triste ciclo do Estado Novo, durante o qual houve de tudo, a começar pela destruição dos valores democráticos e pelo endeusamento do ditador, à semelhança do que se fizera nos países totalitários da Europa. E continuei a participar de campanhas e eleições até ser nomeado para o Ministério da Justiça e, posteriormente, para o Supremo Tribunal Federal. Sempre entendi que o ministro da Justiça não deveria ser parte da campanha, mais do que qualquer outro não podendo ser, ao mesmo tempo, autoridade e ator, pois a ele competiria a adoção de medidas que se fizessem necessárias no período eleitoral.
Digo isto para salientar que em mais de 40 anos fui testemunha de muito “excesso” e “abuso”, mas nunca tinha visto o que passei a ver e continuo a assistir dia a dia se agravando. E isto é tanto mais significativo quando em quase todos os sentidos o país tem progredido e em muitos deles o progresso chega a ser notável; no que tange à instrumentalidade eleitoral, por exemplo, é quase inacreditável o aperfeiçoamento, mas no momento em que o chefe do Estado se despe da faixa presidencial e assume a chefia real e formal da campanha de um candidato e em cerimônia oficial insulta o candidato, por sinal, da oposição, chamando-o de mentiroso, ele se despe da magistratura presidencial, inerente à Presidência, e ingressa no mundo da ilicitude, que, para um presidente, é a mais grave das infrações às suas indisponíveis responsabilidades.
De resto, isto é a porta aberta para a consumação de todas as truculências verbais e físicas. É preciso não esquecer que a violência é doença contagiosa, e com a publicidade que o governo dispõe ele pode incendiar o país. O presidente quer ganhar a eleição a qualquer custo e pode ganhar, mas a sua eleita pode não governar. Já vi coisa parecida e não terminou bem. O presidente alinhou o Brasil na maçaroca do coronel Chávez. A partir de agora alguém pode sair às ruas portando um cartaz, seja do que e de quem for, sem correr o risco de ser agredido pela guarda de choque do presidente. Foi assim na Itália fascista e na Alemanha nazista.
O que efetivamente aconteceu ganhou uma versão cor-de-rosa na publicidade do governo. O agredido de ontem não foi o cidadão apontado de “mentiroso” pelo presidente da República, foi cada um de nós, foram as instituições democráticas. Para começar um incêndio basta um fósforo, para extingui-lo pode custar o incalculável.
Não preciso dizer que estou profundamente impressionado com o rumo que o presidente está dando à sua incursão empreendida na orla da horda. Ele fez um pacto com a fortuna, do qual o imprevisto é sempre possível.
À moda do PT
O Estado de São Paulo
Seria inacreditável, não fosse notória, a falta de cerimônia com que os petistas criam verdades ao sabor de seus interesses de momento e imaginam que tudo possa ser aceito acriticamente pela opinião pública. Das duas, uma: ou subestimam o discernimento das pessoas ou estão se lixando para ele. Na verdade, valem as duas hipóteses: na primeira, confiam no nível de instrução da massa de seus eleitores, conforme demonstram os mapas eleitorais; na segunda, estão se lixando mesmo. A divulgação, numa reunião improvisada a cinco dias das eleições presidenciais, de Os 13 compromissos programáticos de Dilma Rousseff foi o de sempre: puro jogo de cena. A propósito, o candidato José Serra nem se deu ao trabalho de elaborar um programa para fins de campanha. Limitou-se a reunir seus próprios discursos a respeito de temas variados e apresentá-los ao TSE no cumprimento de uma exigência legal. Lamentável.
Mas voltemos aos "compromissos programáticos" da candidata de Lula.
Para começar, o documento, na verdade uma simples carta de intenções que dribla cuidadosamente qualquer tema polêmico, é um amontoado de obviedades (13 itens, que tanto poderiam ser 10 ou 20, se a intenção não fosse associar a coisa ao número eleitoral do PT), aos quais ninguém sensato pode se opor. Belos propósitos como "crescer mais, com expansão do emprego e da renda", "erradicar a pobreza absoluta" ou "governar para todos os brasileiros". Tantas generalidades que o presidente nacional do partido se viu constrangido a explicar que "ações mais concretas" constarão de "cadernos setoriais" que - detalhe - não serão divulgados antes de 31 de outubro. Ou seja, são perfeitamente inúteis para lançar alguma luz sobre o debate eleitoral. Mas certamente de grande utilidade na geração de imagens para os últimos dias do horário gratuito na televisão.
Mas se nada esclarece quanto a questões polêmicas - embora não necessariamente as mais relevantes - que andaram aquecendo o bate-boca das últimas semanas da campanha eleitoral, tanto o "documento" divulgado como as atitudes e declarações da candidata e de dirigentes petistas por ocasião do evento confirmam a competência da companheirada de Lula na arte da engabelação que aprenderam com o chefe. Não têm o menor pudor de dar o dito por não dito ou de contrariar evidências. E perseveram na megalomania, escancarada logo na abertura do texto: "Há quase oito anos, o Governo Lula deu início a profundas transformações econômicas, sociais e políticas em nosso país. (...) O governo do Presidente Lula conseguiu, pela primeira vez em nossa história, articular crescimento da economia com forte distribuição de renda, inclusão e ascensão social." Ou seja, os petistas não admitem compartilhar com toda a Nação - muito menos com governos anteriores - o crédito pelos inegáveis avanços econômicos e sociais obtidos nos últimos anos, porque isso está acontecendo, graças a eles, "pela primeira vez em nossa história". Antes de Lula foram cinco séculos perdidos. Já quanto às transformações políticas, não há referências mais específicas, o que certamente não faz justiça ao importante papel desempenhado na base de sustentação de Lula por José Sarney, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Paulo Maluf, Fernando Collor e outros que tais.
A própria candidata sustentou, na ocasião, que é sua intenção, se eleita, zelar pela "qualidade dos serviços públicos prestados por um Estado cada vez mais meritocrático e profissional". Deve ter deixado a companheirada de cabelo em pé.
Mas a nota mais pitoresca do evento foi a participação de Marco Aurélio Garcia - cuja admiração incontida por Hugo Chávez, Evo Morales, Mahmoud Ahmadinejad e companhia diz o suficiente - ao desafiar os repórteres: "Fizemos uma opção muito clara por um documento sintético. Se você faz um documento muito longo os únicos que vão ler são vocês (sic), jornalistas, para tentar descobrir um probleminha aqui, outro ali. Se vocês quiserem outra coisa, criem um partido e façam diferente." Gente fina.
A inteligência do PT
Guilherme Fiuza, Revista Época
Um dos mais valorizados dons humanos, especialmente importante quando se trata do exercício do poder, a inteligência está no centro dessas eleições. Graças ao PT.
Na hipótese de Dilma Rousseff ser a próxima presidente do Brasil, pelo que se tem visto ultimamente, não vai faltar inteligência no governo.
Uma das expressões mais repetidas pelo noticiário, a inteligência do PT tem sido quase onipresente na campanha. Está por trás de boa parte dos episódios mais eloqüentes da disputa.
Há bem pouco tempo, por exemplo, Lula vociferava no palanque perguntando “cadê esse tal de sigilo?”. Como se vê, o próprio presidente subestimou a inteligência do PT. Ela sabia como ninguém onde estava o tal do sigilo, conforme revelado agora pelo jornalista que o comprou.
A violação dos dados fiscais de pessoas próximas do candidato adversário serviria à inteligência do PT. Mas como ela é muito inteligente, já lançou a versão de que era intriga de Aécio Neves contra José Serra. Muito inteligente e muito criativa.
A versão durou pouco, porque a esperteza nem sempre é amiga da inteligência. A tese de que o jornalista caçador de sigilos servia a um jornal obediente a Aécio seria perfeita, se o jornalista não tivesse decidido se demitir, já a caminho do novo emprego – na inteligência do PT.
Não seja por isso. Lula assumiu imediatamente o posto de porta-voz da Polícia Federal, e anunciou o que a instituição deveria concluir sobre o caso.
O diretor da PF, que também é suficientemente inteligente para não contrariar o chefe, declarou que o escândalo nada tinha a ver com a campanha de Dilma. O Brasil então ficou conhecendo uma nova modalidade de inteligência: o grito.
Lula falou, tá falado. Com esse nível de clareza, quem é que vai ficar exigindo inquérito, processo legal e outras formas primitivas de inteligência?
Foi assim também no caso da intervenção de Dilma na Receita Federal para aliviar os Sarney, no caso do dossiê FHC montado a quatro mãos com Erenice, a grande mãe da Casa Civil, e outras obras da inteligência do PT. No que a coisa desanda, vem a ordem de cima para o cala a boca dos órgãos estatais de investigação.
Se o silêncio pode ser uma forma superior de inteligência, como dizem alguns sábios, o PT chegou ao topo da sabedoria.
Não existem más intenções no partido de Lula e Dilma. É tudo uma questão de dialética. A finalidade é permanecer no poder, causa nobre que a tudo sintetiza. No meio do caminho há percalços, como oposição, imprensa livre e outros ruídos.
É deles que a inteligência do PT cuida, para limpar o terreno rumo ao final feliz que esses desafortunados não enxergam.
Seria melhor se José Serra tivesse simulado o atentado com uma bolinha de papel. Lula já tinha até comparado o incidente com o teatro do goleiro Rojas no Maracanã. O fato de Serra ter sido realmente atingido por um objeto contundente só polui o triunfal enredo petista.
A vida real é burra. Não entende a inteligência do PT.
Agência das versões oficiais
O Estado de São Paulo
Má notícia, embora de forma alguma inesperada: o Brasil, por meio da empresa estatal de comunicação EBC, ligada à Presidência da República, será um dos nove países da região a participar da União Latino-Americana de Agências Noticiosas (Ulan), cuja criação foi decidida na semana passada, numa reunião paralela ao 3.º Congresso Mundial de Agências de Notícias, que se realizava em Bariloche.
A notícia é má, em primeiro lugar, porque a iniciativa atende a uma pregação do dirigente venezuelano Hugo Chávez - para quem a liberdade de imprensa nesta parte do mundo é a liberdade de exaltar a sua assim chamada Revolução Bolivariana e o "socialismo do século 21" que intenta propagar entre os vizinhos. Há tempos, já, o caudilho vem defendendo a formação de uma empresa jornalística regional para contrapor ao noticiário das grandes agências internacionais uma versão supostamente idônea dos fatos na América Latina.
A notícia é má também porque, juntamente com a EBC brasileira, assinaram a carta de intenções para a criação da Ulan, prevista para março do próximo ano, as agências oficiais de países onde ou não há o menor vestígio de imprensa livre - caso de Cuba - ou onde ela está sob fogo cerrado dos governos. É o que acontece na Argentina, Bolívia e Equador.
Pela importância do país, chamam a atenção em especial as operações desatadas pela presidente argentina, Cristina Kirchner, para asfixiar as empresas de comunicação, cujos veículos criticam o governo, e beneficiar aquelas que a ele se submetem, enquanto vai montando uma rede de canais ditos públicos para servir de correia de transmissão dos interesses da Casa Rosada.
É verdade que entre os signatários figuram ainda empresas do gênero do México, Paraguai e Guatemala, onde as principais ameaças ao exercício do jornalismo não vêm propriamente dos governantes de turno. Mas os outros tendem a funcionar como um ativo bloco ideológico. Além disso é de notar a ausência, nesse consórcio, de representantes do Peru e Colômbia, onde o chavismo não conseguiu medrar.
A adesão brasileira era apenas previsível por causa da guerra particular que o presidente Lula trava com a imprensa que se recusa a se dobrar aos seus 80 e tantos por cento de aprovação, insistindo em destampar os podres de sua administração - para que não se diluam nos vapores inebriantes da prosperidade econômica. E porque o petismo é uma usina de produção continuada de tentativas de amordaçamento do livre fluxo de informações e opiniões na mídia brasileira, a começar da televisão.
Dado que essas tentativas não prosperam no plano nacional, estão aí as manobras para corroer pelas bordas a atividade jornalística, com a pretendida criação de conselhos controladores da programação das emissoras no Ceará, Bahia, Piauí e Alagoas. Por fim, embora Lula procure apresentar ao mundo uma imagem contrastante com a de Chávez, o seu governo não perde oportunidade de demonstrar as suas afinidades com o caudilho venezuelano. O caso da Ulan é apenas mais um.
Os defensores da futura empresa se esforçam para afastar outra suspeita - a de que ela se destina a ampliar o papel dos governos da área como provedores de informação, ou melhor, propaganda disfarçada, para consumo das respectivas populações. É o que receia, por exemplo, o diretor executivo da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Julio Muñoz. "Uma agência estatal de notícias é a voz oficial de um governo", argumenta. "Portanto, a informação que difunde deve, necessariamente, ser a de defesa e proteção do seu patrão."
"Nossa proposta", reage a diretora-presidente da EBC, Tereza Cruvinel, "é somente oferecer apoio mútuo entre as agências, fortalecendo-as reciprocamente." Parece ser mais do que isso. A carta de intenções para a formação da Ulan fala em "tornar visível as conquistas dos povos do continente para aprofundar a democracia e alcançar sociedades de justiça social". O papel aceita tudo. Chávez, para não falar dos irmãos Castro, também usa essas belas palavras para justificar as suas práticas ditatoriais. De mais a mais, por que a América Latina precisa de uma associação de agências estatais de notícias?
Tuma Jr. gravou diálogos contra o governo, aponta PF
Mario Cesar Carvalho, Folha de São Paulo
O diálogo em que o atual secretário nacional de Justiça, Pedro Abramovay, diz que não suporta mais os pedidos de Dilma Rousseff e de Gilberto Carvalho para fazer dossiês não faz parte do inquérito da Polícia Federal aberto para apurar supostas irregularidades cometidas por Romeu Tuma Jr., seu interlocutor na conversa, de acordo com delegados ouvidos pela Folha.
A conclusão dos policiais é que foi o próprio Tuma Jr. quem gravou a conversa com seu colega no Ministério da Justiça. Tuma Jr. ocupou o mesmo posto de Abramovay e foi afastado em junho deste ano sob suspeita de beneficiar um suposto integrante da máfia chinesa, conhecido como Paulo Li.
Não se sabe ao certo quando foram feitas as gravações. Abramovay era secretário de assuntos parlamentares até abril deste ano.
Tuma Jr. é investigado desde outubro de 2009 pela PF sob a suspeita de conceder vistos a chineses ilegais no país, o que não foi provado.
As gravações, na interpretação da PF, seria uma tentativa de tentar neutralizar os que queriam tirá-lo do cargo. Tuma Jr. deixou o posto, segundo a versão dele próprio, após conflitos com o atual diretor geral da PF, Luiz Fernando Corrêa.
GRAVAÇÃO
Se é verdadeira a hipótese de que foi Tuma Jr. quem gravou os diálogos, não há crime nenhum nessa atitude, afirma Antonio Sérgio de Moraes Pitombo, doutor em direito penal pela USP.
De acordo com a lei brasileira, qualquer pessoa tem o direito de gravar suas conversas, afirma ele.
Há, porém, duas questões controversas sobre esse tipo de gravação: 1) em que situações ela é lícita?; 2) a sua divulgação é legal?
O judiciário considera lícitas, por exemplo, as gravações de conversas feitas numa tentativa de extorsão.
Já a divulgação dos diálogos pode caracterizar violação de privacidade, na visão de Moraes Pitombo.
"Acho que é ilícito divulgar esse tipo de conversa, ainda mais quando são dois funcionários do alto escalão do Ministério da Justiça, que trabalham o tempo todo com questões de segurança."
Há ainda a questão da eventual omissão de comunicação de um ato ilícito se os dossiês eram mesmo para desqualificar adversários.
Para Moraes Pitombo, tanto Tuma Jr. quanto Abramovay podem ter cometido, em tese, o crime de prevaricação _quando funcionário público deixa de comunicar uma ilegalidade que chegue ao seu conhecimento.
Procurado pela Folha, Tuma Jr. não atendeu aos pedidos de entrevista.
O inquérito da PF sobre o ex-secretário está parado no Tribunal Regional Federal de São Paulo por conta de conflitos de competência.
Investigações dentro da Justiça não encontraram provas de que ele tenha cometido irregularidades na concessão de vistos.
Alerta Total alertou: Dilma escorregou no Escândalo Gemini
Jorge Serrão, Alerta Total
Em artigo publicado em 13 de outubro de 2010, o Alerta Total foi categórico: ao acusar o tucano José Serra de ser favorável à privatização de setores da Petrobras, Dilma corria o forte risco de escorregar. Ela poderia ser instada a explicar o que a levou, como Ministra de Minas e Energia e Presidente do Conselho de Administração da Petrobras, a avalizar a constituição da Gemini – sociedade por meio da qual o governo Lula transformou uma empresa pertencente a um grupo norte-americano na maior beneficiária de nosso gás natural liquefeito (GNL).
Posteriormente, em 19 de outubro de 2010, o Alerta publicou a íntegra da denúncia protocolada no mesmo dia junto ao Ministério Público Federal pelo engenheiro João Vinhosa. Em tal denúncia, Vinhosa afirmou que Dilma foi a principal avalista da sociedade e anexou provas que o sindicato dos petroleiros (Sindipetro) já havia acusado a existência de corrupção explícita no caso Gemini desde 2006.
Não deu outra. Dilma escorregou feio no debate realizado pela TV Record nesta segunda (25), Serra repercutiu a denúncia de João Vinhosa, que tem grande repercussão na internet, mas que não ganha o devido espaço na mídia tradicional. Serra cutucou Dilma: “O atual governo cedeu para a White Martins, uma multinacional, a sociedade do fornecimento de gás liquefeito. A Petrobrás ficou com a menor parte, 40%. Ela favoreceu uma multinacional em relação à ação da Petrobrás, que tinha toda a condição para fazer esse trabalho”.
Embora Serra tenha citado duas vezes tal espúria sociedade, Dilma não se manifestou sobre o assunto. O silêncio e omissão dela sobre o grave caso de privataria petista é sintomático. Ainda na Casa Civil, embora tenha recebido denúncias por escrito de João Vinhosa, Dilma e seus aspones nunca se manifestaram sobre o caso.
Em entrevista concedida ao final do debate, o candidato tucano José Serra ainda alfinetou, ironizando que havia ficado curioso para saber o pensamento de Dilma sobre “essa associação estranha da Petrobras com a White-Martins, que entregou a essa multinacional o controle do gás liquefeito no Brasil”. Serra tocou no assunto porque vários leitores do Alerta Total enviaram à coordenação de campanha do PSDB as denúncias de João Vinhosa publicadas no Alerta Total. Ponto para a cidadania, que premiou a coragem do incansável Vinhosa em oficializar tais denúncias ao governo e ao Ministério Público Federal.
O caso Gemini, que agora está começando a atingir a relevância que merece, pode ser acompanhado em detalhes pela série de matérias publicadas no Alerta Total. Porém, devido à urgência e a gravidade da situação, recomenda-se, inicialmente, uma leitura das matérias publicadas pelo jornal Sindipetro – sindicato de notória tendência petista no meio dos petroleiros.
As acusações do Sindipetro podem ser vistas nos endereços a seguir indicados:
HTTP://www.sindipetro.org.br/101/b1063/1063.pdf (Jornal do Sindipetro, 23/03/06)
HTTP://www.sindipetro.org.br/101/b1109/1109.pdf (Jornal do Sindipetro, 03/08/07)
HTTP://www.sindipetro.org.br/101/b1133/1133.pdf (Jornal do Sindipetro, 29/05/08)
A incoerência de Dilma revela seu desprezo ao Nordeste
Comentando a Notícia
Em Fortaleza, por onde passou em ato de campanha, a candidata do Lula pediu voto no modelo que ‘sempre valorizou o Nordeste’.
Interessante como ela se refere ao Nordeste na hora de pedir votos. Contudo, em duas ocasiões, em que podia se revelar ao eleitorado e exibir suas propostas e ideias para a região, Dilma fugiu da raia, e deu um chega prá lá para os nordestinos.
Aliás, sua fuga neste que seria o penúltimo debate entre os presidenciáveis, há muito para ser esclarecido. O comportamento do SBT além de lamentável, revela algo que cheira muito mal, para um país em que se defende a liberdade de imprensa, justamente, para que não fique submissão ao oficialismo, exercendo seu papel de informar com total autonomia e transparência.
Se Dilma não perde pontos em relação ao eleitores, o SBT, por certo, perde credibilidade, ao revelar um comportamento subalterno em relação ao poder federal.
A notícia da Renata Lo Prete, para a Folha.
O SBT-Nordeste procurou a campanha de José Serra para cancelar a entrevista que faria com o candidato tucano à Presidência da República nesta quarta-feira, às 12h20, em substituição ao debate inviabilizado pela recusa de Dilma Rousseff (PT) em participar.
O evento, sobre temas específicos da região, seria transmitido por dez emissoras afiliadas ao SBT, com geração pela TV Aratu de Salvador.
Quando da negociação das regras do debate com as duas campanhas, ficou estabelecido por escrito que, em caso de desistência de um dos participantes, o outro seria entrevistado por 30 minutos, e a ausência do oponente seria mencionada pelo mediador no início de cada bloco.
O SBT-Nordeste, porém, alegou a assessores de Serra ter recebido pressão da cúpula nacional da emissora para não realizar a entrevista.
Para “Repórteres sem Fronteiras”, posição do Brasil no ranking mundial de liberdade de imprensa pode piorar
Instituto Millenium
A impunidade em crimes contra jornalistas pode fazer com que a posição brasileira no ranking mundial de liberdade de imprensa piore. A avaliação é da ONG “Repórteres sem Fronteiras”, que divulgou seu relatório anual na semana passada. De acordo com a notícia divulgada no “Portal Imprensa”, a entidade citou como exemplo o assassinato de dois jornalistas:
:”Segundo informou a “Deustche Welle”, a RSF mencionou o caso do assassinato do jornalista e radialista Francisco Gomes de Medeiros, conhecido como F.Gomes, morto a tiros na cidade de Caicó (RN), na última segunda (18).
De acordo com a lista divulgada na última quarta (20) pela entidade, o Brasil havia subido 13 posições e passou a ocupar o 58º lugar. A RSF alegou que o país teve uma evolução “favorável na legislação” sobre liberdade de imprensa, que ajudou na sua colocação no ranking. Além disso, o responsável pela atuação da RSF nas Américas, Benoît Hervieu, havia mencionado a ausência de violência grave contra a mídia, maior sensibilização do poder público ao acesso à informação e o fato de existir uma comunidade brasileira ativa na Internet.
Além da citação do radialista potiguar, a RSF lembrou a morte de Wanderley dos Reis, dono do jornal Popular News de Ibitinga (SP). Hervieu alegou que a pesquisa que indicou a evolução do Brasil em questões relacionadas a liberdade de imprensa foi feita entre setembro de 2009 a setembro deste ano, período anterior aos crimes cometidos contra os dois profissionais de imprensa.
Para a ONG, “ambas as mortes são um sinal alarmante, após a violência contra pessoas que atuam na mídia ter diminuído no Brasil nos últimos meses”. Além disso, a RSF pediu às autoridades brasileiras para investigar detalhadamente os crimes cometidos contra jornalistas, e ressaltou que seus autores “não devem escapar impunes”.”
A campanha envergonhada
Villas-Bôas Corrêa
Pela segunda e, provavelmente, última vez na minha longa vida, não votarei no segundo turno das eleições presidenciais do próximo domingo. E com mesmo desconforto de velho repórter, que sempre defendeu o óbvio compromisso democrático, o dever da cidadania de participar da escolha dos parlamentares, em todos os níveis, do vereador, do deputado estadual e federal, dos senadores e dos que administram o país, do presidente e vice- presidente, aos governadores e prefeitos.
Mas, é a única portinhola de saída, para escapar do remorso, tão certo como as contas do tratamento. Não votar é a omissão que azeda a alma. Pior só a decepção, absolutamente inevitável como alertaram as campanhas de Dilma Rousseff e do tucano José e que parecem cópias borradas da mesma omissão.
Da crise ética e moral do pior Congresso de toda a nossa história, os candidatos tiveram a malandrice de escapar nos debates das denúncias que preenchiam o oco entre um e outro debate, no modelito que foi da berzundela ( repeteco atendendo a pedido) do controle do tempo até os segundos à pauta da tagarelice.
A contribuição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai exigir longas pesquisas dos escritores e candidatos a concurso escolares para a listagem das contradições, do uso da máquina do estado para as inaugurações das obras do PAC e de cada uma das suas etapas. E este é um compromisso republicano de separar governo da caça ao eleitor.
E, abrindo o catálogo dos desafios insolúveis, a bagunça de Brasília, a capital que o presidente Juscelino Kubitschek, no delírio da campanha prometeu construir na lonjura do cerrado e que inaugurou em 21 de 1960, antes de estar pronta, pagando o preço das vantagens, das dobradinhas, das mutretas da semana parlamentar de dois dias uteis por semana, com as passagens aéreas pagas pela Viúva para fim de semana nos lençóis domésticos. O Senado e a Câmara ainda aguentaram até o fim do mandato, o nível do brilho oratório das bancadas do governo e da oposição e que lotavam a as galeria o espetáculo dos grandes debates. O Senado era mais tranquilo, com a maturidade de senhores de cabelos brancos ou da calvície da sabedoria.
É indesculpável a desatenção de JK e dos parlamentares em não aprovarem uma emenda constitucional definindo Brasília como o distrito federal, a sede dos três poderes e dos órgãos auxiliares. O que manteria a Brasília das curvas de Oscar Niemayer.
E os candidatos do governo e da oposição não tiveram coragem de prometer a salvação de Brasília das favelas do Roriz.
Mundo em chamas
Paulo Guedes, O Globo
Tenho destacado as dimensões épicas da crise atual. Foram devastadores os excessos cometidos por financistas anglo-saxões contra o regime fiduciário ocidental e os abusos da social-democracia europeia contra o financiamento das redes de solidariedade que sustentam a civilização contemporânea.
O noticiário europeu desta semana revela um continente em chamas. O rastilho da crise atravessou Grécia, Portugal, Espanha, Itália e Irlanda, atingindo agora em cheio a França e a Inglaterra.
Os franceses pararam em protestos contra o aumento da idade mínima de aposentadoria. Já o governo britânico anunciou o maior pacote de austeridade desde a II Guerra Mundial, com demissões em massa no funcionalismo público, elevação da idade mínima de aposentadoria, cortes em benefícios previdenciários, programas de auxílio habitacional e familiar e fim do seguro-desemprego por prazo indeterminado.
Foram décadas de abusos.
Chegou a hora de pagar a conta.
O mundo não será o mesmo depois da crise. Estamos diante de um novo fenômeno estrutural: o relativo declínio do Ocidente por seus próprios excessos.
Os ocidentais terão de se ajustar a uma nova realidade: o desafio de incorporar aos mercados de trabalho globais 3,5 bilhões de trabalhadores das economias emergentes eurasianas.
Mão de obra cada vez mais qualificada, sem encargos sociais e trabalhistas, sem benefícios previdenciários.
Os chineses, particularmente, elegeram os mercados globais o principal instrumento para a erradicação da miséria e a inclusão social de seu enorme contingente de mão de obra. O Partido Comunista mergulhou nos fluxos internacionais de comércio centenas de milhões de trabalhadores chineses. Essa integração da China ao capitalismo mundial não apenas sustenta o sucesso material e a longevidade de uma ditadura comunista como também se tornou um desafio existencial aos abusos cometidos pela civilização ocidental.
O excesso de poupança dos asiáticos financiou por muito tempo o extravagante consumo dos americanos, seus déficits fiscais e comerciais. Mas chegou a hora do divórcio entre as formigas chinesas e as cigarras ocidentais. Os chineses trabalham duro e poupam bastante.
Os americanos tentam construir pontes de papel para a riqueza. Os europeus querem viver do Estado, ou seja, de impostos pagos pelo trabalho alheio.
E nós, brasileiros, vamos encarar as reformas ou sonhar com o pré-sal?
Da “herança maldita” ao suposto privatismo de José Serra: nada como uma inverdade depois da outra
Bolívar Lamounier, Portal “Exame”
Adeptos do atual governo e do PT tem propagado (e parecem acreditar) que somente medidas diretas como o bolsa família ou o reajuste salarial acima da inflação têm importância no sentido de redistribuir renda e reduzir desigualdades.
Vou deixar de lado a apropriação indébita praticada pelo governo Lula, que as assumiu como se fossem suas, quando na verdade se sabe que tais medidas tiveram início no governo Fernando Henrique.
Para quem pensa em termos puramente ideológicos – como se tudo o que ocorre no mundo coubesse na dicotomia esquerda X direita -, e a isto adiciona boa dose de desinformação sobre o que aconteceu desde a Segunda Guerra, tal ideia deve fazer sentido.
No imaginário dos militantes políticos, “esquerdistas” são de fato os que professam perseguir sobretudo o bem-estar da maioria e a igualdade social, e “direitistas” os que defendem a estabilidade.
A esquerda quer o crescimento e vê virtudes miraculosas na tributação ou na expropriação pura e simples de patrimônios privados; a direita empenha-se em evitar a inflação e prefere redistribuir renda de maneira paulatina e por meios indiretos, como a ampliação de oportunidades através da educação.
Por último, mas não menos importante, a esquerda diviniza o Estado; acredita que ele pode e deve ter inclusive um amplo papel empresarial; a direita, ao contrário, pugna pela transferência da função empresarial ao mercado.
Agora vem o pulo do gato.
Ao cunhar a expressão “herança maldita” e orquestrar em torno dela uma verdadeira campanha contra o governo Fernando Henrique, Lula e o PT não agiram por ignorância.
Dizer isto seria imputar-lhes um grau extremamente elevado de desconhecimento a respeito não só da história brasileira desde os anos 60, mas até da realidade vivida do país dos anos 80 até meados dos 90.
Quem viveu aquele período como adulto tem obrigação de saber que a instabilidade inflacionária atingira níveis extremamente perigosos, desorganizando a economia e expondo o país a grave risco de convulsão social. Que a prioridade número um dos governos Sarney, Collor, Itamar e em grande parte do próprio governo Fernando Henrique foi a estabilização, sem a qual Lula evidentemente não teria colhido os bons frutos que logrou colher em seu mandato.
Mesmo tendo cumprido uma função sobretudo estabilizadora, o governo Fernando Henrique teve também um sentido distributivo. O próprio controle da inflação serviu para isso, num primeiro momento, mas as “bolsas” que viriam a ser reunidas no bolsa-família, o aumento real do salário, a política educacional e várias outras medidas tiveram igual finalidade.
Um governo propagar uma mensagem mentirosa obviamente não impede que ela seja assimilada como real e verdadeira por uma parte da sociedade. Pode-se em boa-fé acreditar em mensagens difundidas de má-fé.
Infelizmente, há fortes indícios de que um novo capítulo da novela da “herança maldita” está sendo ensaiado para a reta final da eleição.
Agora vamos ouvir que Fernando Henrique vendeu empresas públicas a “preço de banana” e que Serra pretende privatizar a Petrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica.
Lula, o PT e o “dilmismo” parecem entender que, se o objetivo é ganhar a eleição, há que fazê-lo a qualquer preço. Nesse diapasão, perguntas elementares ficam sem resposta.
Se as privatizações (por exemplo, da Vale e das telecomunicações) causaram ao país o dano que se propala, por que o governo atual não as reverteu, reincorporando tais empresas ao patrimônio público?
No mesmo pacote de sandices que se empenhou em distribuir aos eleitores, o petismo incluiu a insinuação de corrupção. Insistiu o tempo todo em caracterizar as privatizações como “privatarias”.
Como então explicar que o governo Lula, tendo 8 anos para tomar providências a esse respeito, não mandou fazer uma auditoria sequer? Será que 8 anos não foram suficientes para o governo cumprir o que seria simplesmente do seu dever?
Assinar:
Comentários (Atom)

