sábado, setembro 15, 2007

O álibi do senhor Silva...

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando Notícia
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Pretendia hoje escrever alguma coisa sobre o PIB do trimestre, tão efusivamente comemorado pelo Planalto, leia-se Lula e seus capangas, como também comentar alguns dados “rocambolescos” da pesquisa do IBGE, que um dia foi um instituto de pesquisa do Estado, e agora pouco a pouco está se tornando em uma agência de propaganda institucional político partidária. Os dados hoje divulgados sobre o tal censo, são uma tolice gigantesca pela leitura que se faz da informação deturpada por absoluta má-fé, e a serviço de uma ideologia suicida, porque mata a civilização e o bom senso, e homicida, porque destrói o pensamento, a consciência e o próprio indivíduo que se indispuser ao nefando pensamento único do partidão.

Mas vou deixar de lado estes dois temas para os artigos do final de semana. Vou me ater no clima que se percebe neste Brasil de Lula na Dinamarca, com o Renan liberado nas asas da FAB.

Na medida em que a vamos tomando ciência do que se passou no interior do quarto escuro, surdo e mudo do plenário do Senado, na sessão de polichinelo travada para livrar Renan, na medida em que vamos assistindo gente acusando que tudo não passou de um golpe perdedor da mídia, que por sinal não namorou Mônica Velloso, não pode ser culpada pela paternidade do filho bastardo que Renan sustenta e cujas contas foram bancadas não por ele próprio, como seria o caso de um pai responsável, mesmo que o filho nascesse fora de seu casamento, mas por um lobista de olho gordo em contratos de imensa obesidade com o governo do qual Renan é cúmplice, esta farsa armada vai caindo feito castelo de areia diante da fúria das ondas. Tanto o site do senado foi retirado do ar, quanto os telefones firam mudos. As redações de jornais e revistas nunca receberam tantas cartas de indignação como nos últimos dias. E na internet, são milhares de mensagens e comentários furiosos pela palhaçada que 41 senadores e mais cinco covardes praticaram contra o país. Talvez aí a maior justiça tenha sido feita: na tentativa de livrar o jumento truculento, gigolô elitista da nação, os senadores sórdidos, condenaram Renan diante de todo o país.

Renan, diante do povo, morreu politicamente e recebeu a pior sentença que um homem público poderia receber, a de um canalha, ladrão e safado que não merece estar exercendo mandato algum.

Também me alio a esta indignação nacional. Causa-nos nojo e repugnância ver o país sendo desgovernado da forma como se tem assistido desde 2003. Estamos retrocedendo no tempo. A sensatez está sendo substituída pela estupidez, pela animalidade, pelo primitivo, pela boçalidade. A ética e a honra, estão sendo esmagadas pela usura, pela promiscuidade, pela mentira, pelo descaramento. O país está sendo assaltado em todas as suas instituições por um bando de famélicos brucutus descarados, punguistas e peleguistas, quadrilha de infames que conspurcam a decência, compram consciências, destroem os laços mais sagrados do pensamento elevado e edificante. O esforço de milhões está sendo usado para alimento de belzebus satanizados, gente vinda do esgoto porque não tem dignidade, caráter, honra, que se apropriam dos recursos da nação para implantarem aqui a sua ideologia retrógrada, fundamentalista, regime de atraso, onde a degradação não tem limites para sufocar até o grito de dor e de simples protesto daqueles que ainda reagem e se indignam contra a súcia dos brigadeiros da miopia e do primarismo.

Há cerca de um ano atrás, um pouco mais talvez, publicamos aqui dois artigos que proximamente vamos reedita-los, e cujos títulos dão bem o clima que vive o Brasil de hoje: O luto de uma Nação, e os Gigolôs da Nação, onde mostramos que o país como pátria da ordem, do império da lei, e do pensamento liberto, estava sendo enterrado pelos trambiqueiros no poder. Trambiqueiros que se tornaram os gigolôs de um povo subjugado e sem força para reagir.

Para encerrar, reproduzimos a parte final do artigo “Geração perdida”, do Fausto Wolff, em seu artigo de hoje no Jornal do Brasil:

“(...)O sonho morreu em 1964 e depois disso o pesadelo tomou conta do país.

Quanto às últimas de Brasília: Renão Fiz Nada (agora Renão Entrega Ninguém) foi absolvido por seis pessoas. Cinco delas votariam pela condenação se o voto fosse aberto e o Mercador, réu confesso, se absteria. A excelente comentarista política Lúcia Hipólito resumiu tudo numa frase:

"A absolvição foi construída etapa por etapa no Palácio do Planalto". Não sei alguém levará a sério o álibi do sr. Silva: "Eu estava na Dinamarca" (...)”.

Boas e más notícias do PIB

Editorial d’O Estado de São Paulo
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A economia brasileira cresceu 4,8% no período de um ano encerrado em junho. Foi um desempenho bem próximo, portanto, daquele anunciado pelo governo como sua meta para este e para os próximos três anos. Essa é a primeira boa notícia embutida nas contas nacionais divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A segunda boa notícia é a expansão do investimento produtivo no mesmo período, 9,8%, medido pela formação bruta de capital fixo. A construção civil e a importação de máquinas, favorecida pelo dólar barato, são destaques nesse quadro. A terceira boa notícia é sobre a indústria de transformação: sua produção aumentou 4% nesse período. Nos quatro trimestres encerrados em março, a expansão do setor havia sido de apenas 1,5%. A recuperação do setor é especialmente importante, porque esse tipo de indústria ainda é o mais capaz de proporcionar grande número de empregos de qualidade, isto é, combinando produtividade e as melhores condições contratuais para os trabalhadores.

O consumo das famílias cresceu 5,2%, mais, portanto, que a produção industrial. A expansão da economia, portanto, tem sido acompanhada por melhora das condições de vida dos brasileiros, graças à ampliação do emprego, do salário real e do crédito aos consumidores e, muito provavelmente, às políticas de transferência de renda para os pobres. A produção agropecuária, com alta de 6,6% nos quatro trimestres, tem contribuído para o consumo se expandir sem pressão inflacionária. Além disso, as importações crescentes têm reforçado a oferta de produtos no mercado interno, atendendo tanto os consumidores quanto os empresários interessados em investir em equipamentos.

Mas nem todas as notícias são positivas. Entre abril e junho, a produção foi apenas 0,8% maior que no trimestre imediatamente anterior. Nessa comparação, os números são decrescentes: 2,8% no terceiro trimestre de 2006, 1% no quarto e 0,9% no primeiro deste ano. A economia tem-se mantido em expansão, mas parece perder impulso gradualmente.

A variação do desempenho em trimestres consecutivos é o dado mais importante para a avaliação de tendências, desde que se desconte a influência de fatores sazonais, como as condições climáticas, as férias, as datas comemorativas, etc.

Quando se confrontam os números de cada trimestre com os de igual período do ano passado, o resultado pode ser mais vistoso, mas esse tipo de análise é às vezes enganador. É arriscado formular conclusões quando se comparam números de períodos descontínuos. A economia pode ter crescido ao longo de algum tempo e, depois, ter entrado em estagnação ou mesmo em queda.
Ainda assim, os números do último trimestre podem situar-se em patamar bem mais alto que os de um ano antes. Não tem sentido, portanto, afirmar que o PIB do segundo trimestre “cresceu” 5,4% em relação ao de igual período de 2006. Pode-se apenas dizer que foi 5,4% “maior”. Essa diferença poderia ocorrer, hipoteticamente, mesmo com a economia em retração. Um homem que cai do 20º andar ainda está, ao passar pelo 15º, bem mais alto do que estava ao iniciar a subida pelo elevador. Mas nem os técnicos do IBGE fazem habitualmente essa distinção, que não é preciosismo.

Os números ficam um pouco mais feios quando se decompõe a taxa de crescimento do PIB. Nos quatro trimestres terminados em junho, o valor adicionado dos bens e serviços aumentou 4,4%, enquanto a arrecadação de impostos sobre produtos cresceu 6,9%. Em todas as comparações - com o trimestre anterior, com igual trimestre do ano passado, com os quatro trimestres anteriores ou com o primeiro semestre de 2006 - observa-se o descompasso entre o aumento da arrecadação de tributos e o da produção.

Segundo o governo, esse resultado decorre do crescimento da produção e das importações, não da majoração de alíquotas. Falta uma análise mais detalhada para se poder produzir uma explicação satisfatória. Mas um ponto é certo: o aumento da receita tributária não resultou em serviços melhores, nem no atendimento das necessidades de um número muito maior de pessoas. A economia teria certamente crescido mais, se os impostos pesassem menos sobre a produção e sobre o poder de consumo.

Lula ainda não entendeu

Carlos Sardenberg , Portal G1
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Declarou o presidente Lula que a crise internacional é um problema norte-americano e que, por isso, a solução, no essencial, cabe ao governo e ao banco central dos EUA. E que o Brasil não vai aceitar que “joguem prejuízos em nossas costas”.
Comentários: primeiro, o Brasil tem se beneficiado muito da pujança da economia mundial, em boa parte estimulada pelo mercado financeiro internacional. Em forte crescimento, o mundo demandou e pagou cada vez mais caro por produtos que o Brasil pode oferecer em qualidade e abundância. As exportações trouxeram os dólares que o BC brasileiro comprou e compôs as reservas que permitem passar a crise do crédito em maior segurança.

Segundo, apesar disso, a crise do crédito já afetou o Brasil. Os juros no interbancário local já estão mais caros, de maneira que os bancos vão cobrar mais caro do consumidor brasileiro. Os juros pagos pelo governo e por empresas brasileiras no exterior também estão mais caros.

E os investidores em bolsa perderam patrimônio. E é óbvio que não são apenas especuladores, mas pessoas comuns que colocaram sua poupança em ações de companhias sólidas, como a Vale.
A Vale, aliás, aumentou espetacularmente seus negócios graças à pujança mundial. Logicamente, se há alguma ameaça ao crescimento mundial, as perspectivas dessa companhias ficam piores, cai o preço de suas ações.

E haverá ameaça ao crescimento mundial se houver recessão nos EUA. Ou seja, ao contrário do que diz o presidente Lula, a crise não é americana, é mundial. Também ao contrário do que diz o presidente, não é apenas uma crise provocada pela ganância de especuladores, mas uma crise de excesso de crédito que, entretanto, beneficiou muitos setores da economia real e muitos países, inclusive o Brasil. E assim como o Brasil pegou carona na onda mundial também vai sofrer se essa onda morrer na praia.

Mas sabe por que Lula não acha isso? Porque ele acha que tudo o que aconteceu no Brasil é obra exclusiva dele e de seu governo. Ou seja, o governo brasileiro ainda não entendeu o tamanho do problema.

TOQUEDEPRIMA...

***** Informe Econômico: CPMF gera erro no Orçamento
Walter Diogo, Jornal do Brasil

O Congresso pediu à Advocacia Geral da União um parecer sobre um provável erro na proposta orçamentária do governo para 2008, porque o documento só apresenta como alternativa a prorrogação da CPMF para o próximo ano. Pela Constituição em vigor, a CPMF acaba no dia 31 de dezembro e o Orçamento elaborado pelo governo deveria conter os dois cenários: o da prorrogação e o da alternativa. O Congresso quer saber se devolve ou se tem valor jurídico a proposta como está. Para alguns parlamentares, a proposta do Orçamento não pode ser examinada como está, porque desrespeita a Constituição, que prevê sua extinção. Portanto, terá de aguardar a decisão sobre o futuro da CPMF para começar a ser estudada.

Hoje, o Congresso vai ouvir em audiência pública o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que está liderando o setor empresarial na campanha contra a CPMF. O Ministério da Fazenda, por sua vez, está estudando uma proposta que está na Receita Federal, de trocar a prorrogação da CPMF pela desoneração fiscal das empresas. O ministério quer reduzir em um ponto percentual a cobrança de INSS da parte patronal, para reduzir as despesas com a folha de pagamentos e estimular a contratação.

Extinção
Além disso, o ministério quer extinguir a contribuição para o Sebrae, que arrecada hoje mais de R$ 4 bilhões e reduzir para 0,5 ponto percentual o total da cobrança do imposto para a manutenção das entidades sindicais do chamado Sistema S (Sesc, Senac, Senai, Sesi, Sest e Senat). Essas entidades cobram hoje 1,5% da folha de salário de todas as empresas. Com essas três medidas, o governo reduziria a carga tributária das empresas em 2,5%, compensando a incidência da CPMF, que seria reduzida gradativamente a partir de 2011, quando começasse o novo governo.

***** Ministério Público investiga desvio de grana para o PT
De Ricardo Galhardo e Soraya Aggege em O Globo

O Ministério Público de São Paulo investiga o suposto desvio de dinheiro da Bancoop (cooperativa habitacional dos bancários) para campanhas eleitorais petistas. O sindicalista João Vaccari Neto, integrante do diretório nacional do PT, é um dos investigados por formação de quadrilha, apropriação indébita e estelionato contra 3.000 cooperados que até hoje não receberam seus imóveis. A investigação sobre desvios de recursos da cooperativa, entre outras irregularidades, foi revelada ontem pelo "Jornal do Brasil".

Levantamento feito pelo GLOBO, junto ao Tribunal Superior Eleitoral mostrou que a Germany Construtora e Incorporadora Ltda., empresa que, segundo o MP, foi criada por sindicalistas para "sangrar" recursos da Bancoop, doou pelo menos R$ 65 mil para candidatos do PT. O MP ouviu testemunhas que dizem ter participado de esquemas de caixa dois para campanhas do PT. Um empreiteiro cujo nome é preservado contou que prestou serviços para a Bancoop de 1998 a 2006, quando fornecia notas frias para a direção do partido, com valores superfaturados.

***** Ex-diretora da Infraero diz que há "clima de caça às bruxas"
Renata Giraldi, da Folha Online

Afastada há 20 dias da Direção de Engenharia da Infraero (estatal que administra os aeroportos), Eleuza Marzoni disse nesta terça-feira que há um "clima de caça às bruxas" devido às denúncias de corrupção que cercam ex-integrantes da direção da estatal.

Negando ter cometido irregularidades, Marzoni disse que faz parte da "cultura brasileira" buscar responsabilidades quando há troca de comando ---numa referência ao novo presidente da estatal, Sérgio Gaudenzi.

"Cada vez que muda uma presidência de um órgão estatal, qualquer hora que muda presidente ou diretores sempre tem [caça às bruxas]. Isso é da cultura brasileira. Mas não me preocupo com isso porque tenho certeza do trabalho que fiz", disse Eleuza Marzoni, que prestará depoimento na CPI do Apagão no Senado.

Em seguida, a ex-diretora afirmou que: "Mesmo que haja alguma uma caça às bruxas, não tenho bruxa alguma escondida".

A ex-diretora foi apontada como uma das supostas responsáveis por irregularidades em obras no aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo). O assunto foi objeto de investigação do TCU (Tribunal de Contas da União) e encaminhado para análise na CPI do Senado.

Eleuza Marzoni criticou ainda as acusações sobre a suposta existência de "quadrilha" atuando na Infraero.

"A gente fica chateada porque não há nada disso. Nunca vi nada na empresa. Nunca ninguém me pediu nada ilegal", disse a ex-diretora.

Marzoni foi inicialmente afastada e em seguida exonerada do cargo de diretora. Como é arquiteta concursada da estatal, ela voltou a trabalhar na seção, que agora é chefiada por Severino Pereira de Rezende Filho.

***** Petroquímica é novo foco da Petrobras na América do Sul
Ricardo Rego Monteiro

A Petrobras decidiu transferir o projeto do Pólo Gás-químico da fronteira com a Bolívia para outro país da América do Sul. O diretor da Área Internacional da empresa, Nestor Cerveró, não quis revelar o novo destino do empreendimento, tampouco o valor a ser desembolsado, mas justificou o projeto como uma oportunidade para potencializar as sinergias dos negócios petroquímicos da companhia no Brasil e nos vizinhos do continente.

Ontem, o executivo confirmou investimentos de US$ 15 bilhões da área internacional da empresa entre 2008-2012. Embora tenha anunciado o continente sul-americano como um dos focos estratégicos da empresa nos próximos anos, o novo plano de negócios que engloba o período 2008-2012 demonstra o contrário.

Apesar de prever US$ 2,8 bilhões de investimentos na Argentina, o segundo maior destino de recursos da empresa no mundo, os Estados Unidos tornaram-se o principal foco da companhia. Lá, de acordo com Cerveró, poderá ocorrer a aquisição de uma nova refinaria pela Petrobras. O investimento não está contemplado, por enquanto, no montante de US$ 4,9 bilhões - o equivalente a 32% do total - previsto pelo novo plano de negócios.

Com relação ao plano anterior, que englobava o período 2007-2011, a área petroquímica ganhou maior importância. Ao confirmar a novidade, Cerveró informou que estão previstos US$ 200 milhões, pelo novo planejamento da empresa, para investimentos em projetos do setor. Tal dotação, no entanto, não inclui o projeto da nova central gás-química. Como está prevista para depois de 2012, a unidade não foi incluída no montante separado pelo novo plano. A intenção, de acordo com o executivo, será desenvolvê-la em parceria com sócios do país no qual será construída.

***** Senadores rebatem petistas sobre estatização da Vale

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) rebateu a proposta petista da estatização da companhia Vale do Rio do Doce. Ele afirmou que o partido não tem moral para combater a empresa. "A Vale doou milhões ao PT. Fora aqueles milhões que saem do escurinho do cinema que, aliás, é o forte do PT. É o caixa dois, não é o contabilizado. O ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares foi muito claro: disse que o forte do PT eram os recursos não contabilizados", disse Heráclito.Ele também alertou para compras de estatais. "Enquanto apóia um plebiscito para discutir o assunto, o próprio PT articula a compra, pelo Banco do Brasil, do Banco de Santa Catarina, do Banco do Estado do Piauí e do Banco de Brasília. É exatamente o samba do crioulo doido", afirmou Heráclito.
O senador e ex-vice-presidente da República Marco Maciel pregou o contrário do proposto pelo PT. Maciel acredita que o país só avança com mais privatizações. "Se outras empresas tivessem sido privatizadas, certamente a economia brasileira estaria melhor", destacou o ex-vice.

Privatizada há dez anos, a companhia Vale do Rio Doce chegou a triplicar o volume de suas exportações. Dados oficiais mostram que, em 1997, as exportações da empresa eram de US$ 3,12 bilhões. No ano passado, chegaram a US$ 9,6 bilhões.

Duas agressões à sociedade

Por Alberto Dines, no Observatório de Imprensa


Foram duas as agressões: a primeira, escancarada, foi a absolvição do presidente do Congresso, Renan Calheiros, que segundo a Polícia Federal cometeu vários ilícitos. A segunda agressão, mais grave, aterradora, pode ser chamada de "apagão" institucional. O Senado da República foi convertido desde a terça feira num verdadeiro porão – fechado, lacrado, blindado ao escrutínio da sociedade, ilha autoritária em plena Praça dos Três Poderes.

A varredura eletrônica do plenário, a proibição do uso de computadores pelos senadores, a recomendação para que os celulares fossem desligados e finalmente o pugilato entre os leões-de-chácara e os deputados que foram autorizados pelo STF a assistir ao julgamento desvendam a razão do secretismo da sessão: impedir a presença da mídia.

Renan Calheiros e os cangaceiros de todo o país que o apóiam sabiam que a presença da imprensa seria a única força capaz de impedir a absolvição. Apostaram todas as fichas no sigilo. Não se importavam em agredir a sociedade, só não queriam testemunhas.

Os malfeitores trabalharam no escuro, eles têm prática, ganharam o primeiro round. Nos próximos, será diferente – terão que ser travados às claras.

Escárnio

Hélio Schwartsman, Folha online


O caso Renan Calheiros dá um novo significado ao termo "avacalhação" --sim, o trocadilho é intencional. Os senadores que o absolveram hoje escarnecem da opinião pública que deveriam representar. Poucas vezes se viu um espetáculo tão deslavado de corporativismo, e diante de evidências tão sólidas de irregularidades que constituem, para além de qualquer dúvida, quebra de decoro parlamentar.

Em seus primórdios, o escândalo despontou discreto, "familiar". Tudo começou em maio, quando a revista "Veja" estampou reportagem afirmando que o senador teve despesas pessoais pagas pelo lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. O dinheiro serviria para bancar pensão da filha que Renan teve com a jornalista Mônica Veloso --a mulher bonita da vez. Até aí, tudo normal, se procedêssemos a um escrutínio cuidadoso, muitos membros do Congresso teriam muitas explicações a dar. No mais, o país já se habituou a ver escândalos políticos revelarem beldades calipígias.

O que se seguiu à acusação inicial contra Renan é que redefine os padrões de corporativismo do Congresso e dá nova materialidade à noção de cara-de-pau.
Para rebater a denúncia, o senador afirmou que Gontijo era um velho amigo que, por imperativos de discrição --Renan é casado--, apenas repassava a Mônica dinheiro do próprio presidente do Senado. A tentativa de explicação é meio canhestra, mas, à luz do "in dubio pro reo", pode-se dizer que pelo menos parava em pé.

Surgiu, porém, um problema patrimonial. Para justificar as transferências, todas em espécie, sem registro bancário, o senador recorreu a seus dotes como pecuarista. Constatou-se que estávamos diante de um verdadeiro prodígio do mundo dos negócios, que, com um rebanho alagoano, conseguia lucros muito superiores aos auferidos por tradicionais criadores das mais produtivas regiões de São Paulo ou do Rio Grande do Sul. De novo, precisamos dar ao senador o benefício da dúvida. Seria injusto, afinal, pretender puni-lo apenas por ser mais eficiente que a média de um setor notoriamente arcaico.

Como que a submeter o Renan a nova provação, reportagem do "Jornal Nacional" mostrou as notas apresentadas pelo senador para sustentar sua versão incluíam recibos com irregularidades e emitidos por empresas de fachada. Renan, é claro, não se deu por vencido. Atribuiu os problemas fiscais a intermediários. Ele teria agido de boa-fé. E não se pode esperar de um senador da República que seja, além de bom amante, pai consciencioso e pecuarista exemplar, também um "expert" em fraudes.

O caso ganhou contornos ainda mais dramáticos quando um dos frigoríficos para os quais o senador teria vendido gado foi assaltado na véspera do dia em que entregaria documentos para serem periciados pela Polícia Federal. Papéis que interessavam à apuração foram levados pelos bandidos. É muito azar, considerando-se que o espicilégio poderia corroborar a defesa do parlamentar.

Apesar dos contratempos, a PF acabou concluindo sua investigação. Afirmou que os documentos apresentados pelo senador não eram suficientes para sustentar a sua história. Disse que a papelada apresentava lacunas graves, como a ausência de registro de despesas de custeio na atividade pecuária. O pagamento de mão-de-obra, por exemplo, só aparece na movimentação financeira de 2006 e não na dos anos anteriores.

Outro problema constatado foi a multiplicação do gado. Em 2004 surgiram cem reses na criação, sem que haja registro de compra ou de nascimentos. Dado que a ciência não acata mais a abiogênese, o senador fica com um problema. Não é só. Como os peritos apontaram um déficit nas contas de 2005, Renan Calheiros apareceu com um empréstimo de R$ 178 mil tomado à empresa Costa Dourada Veículos que ele antes "esquecera" de declarar.

Enquanto se desenrolavam tais batalhas em torno da contabilidade rural, surgiram outras denúncias contra o senador. Ele teria favorecido a cervejaria Schincariol, que comprou uma fábrica de Olavo Calheiros, irmão de Renan e teria adquirido, com recurso a testas-de-ferro, uma rádio e um jornal em Alagoas, no valor de R$ 2,5 milhões. O presidente do Senado, é claro, nega ambas as acusações.

Acreditemos ou não em sua inocência, precisamos reconhecer em Renan a virtude da tenacidade. Não sou especialista em análise probabilística, mas creio serem bastante reduzidas as chances de que as dificuldades do senador se devam apenas a uma conjunção de azares, talvez temperadas por erros menores.

Não estou, é claro, defendendo o linchamento do senador. Tantos e tamanhos indícios devem converter-se num processo ao longo do qual Renan terá a oportunidade de defender-se, longe da tão temida pressão da mídia. Mas um mínimo daquilo que alguns chamam de vergonha na cara exigiria que Renan se afastasse da presidência do Senado e do próprio mandato de senador até que a situação estivesse judicialmente esclarecida em seu favor. Por bem menos políticos asiáticos costumam praticar o suicídio. No Brasil, porém, Renan não apenas se mantém no cargo como ainda manobra descaradamente para dificultar os trâmites da representação no Conselho de Ética. Nas horas vagas, distribui ameaças veladas, contra colegas que não estariam dispostos a apoiá-lo, e abertas, contra a editora Abril, responsável pela "Veja". Até acredito que possa haver um complô. A Abril, afinal, também edita a revista "Playboy", que tem suas vendas multiplicadas por escândalos que envolvam mulheres bonitas que se disponham a posar nuas, como é o caso de Mônica Veloso.

Brincadeiras à parte, há um elemento-chave que torna possível tanta desfaçatez a céu aberto: o voto secreto em plenário para a cassação de parlamentares acusados de traquinagens éticas.

Costumo ser bastante cético em relação ao bem que grandes reformas políticas possam trazer, mas pôr fim ao voto secreto de deputados e senadores é uma medida urgente. Representantes da população, antes de satisfações a suas consciências, as devem ao eleitor. O circuito democrático simplesmente não se completa se o representado não tem como averiguar o desempenho de seu representante. É preciso retirar da cena este fio desencapado que coloca o próprio sistema democrático em curto-circuito.

Uma rápida passada pelo mais rumoroso escândalo dos últimos tempos --o mensalão-- dá bem a dimensão do mal que o voto secreto tem causado aos hábitos políticos do país. Nada menos do que 19 deputados foram acusados de empanzinar-se com recursos ilícitos do chamado valerioduto --o esquema criminoso de compra de parlamentares gerido pelo publicitário Marcos Valério de Souza. Destes, 12 foram inocentados em plenário; quatro renunciaram antes da abertura do processo para escapar à punição; e apenas três foram cassados.

Há no Congresso uma proposta de emenda constitucional que acaba com o voto secreto em plenário, só que, contrariando a praxe da Casa, ela dormita há um ano nos escaninhos da Câmara. Foi aprovada em primeiro turno pelo incrível placar de 383 a zero, mas precisa passar por uma segunda votação antes de ir para o Senado. Normalmente, o prazo entre as duas votações na Câmara --a segunda delas quase protocolar-- não passa de um mês. É a prova perfeita de que o Brasil conta com dois Congressos, um que opera sob os olhares atentos da sociedade, no qual as votações são abertas e a opinião pública é levada em conta, e outro, mais sombrio, no qual parlamentares representam apenas seus próprios interesses, nem sempre confessáveis. É nesse Congresso-fantasma que prosperam Renans, Severinos, mensaleiros e sanguessugas. Sombras se combatem com luz, transparência.

A sociedade dá aulas ao Senado

Editorial do Jornal do Brasil

O sargento Douglas Alves de Menezes é a alma boa com endereço certo: o cruzamento da Cardeal Arcoverde com a Tonelero, em Copacabana. Há 17 anos ostenta o apito, como um maestro empunha a batuta. Dita o tom do trânsito e da vida de 5 mil alunos das três colas da redondeza, dos adolescentes, dos transeuntes ocasionais, dos idosos. Entoa a alegria do comportamento perfeito, da vida sem negociatas, do exercício ético da profissão de policial militar. Tem orgulho do que faz: é um agente de trânsito.

Os soldados da Força Nacional estacionados no Rio de Janeiro não recebem as diárias desde os Jogos Pan-Americanos. O governo federal deve a cada um mais de R$ 6 mil. Tiram do bolso o dinheiro para se alimentar. Vivem longe da família, dos amigos, distantes da terra natal. Nem por isso deixaram de cumprir a missão. A cidade ganhou mais segurança com eles. Dignificam a corporação. Têm orgulho do que fazem: duelam cotidianamente contra a violência.

O presidente do Senado e do Congresso, senador Renan Calheiros, insiste em se manter no posto apesar de dividir as duas Casas que comanda. Não recebeu 40 votos favoráveis à sua inocência. Foram 39, descontado o dele próprio que, se tivesse um mínimo de semelhança com o sargento Douglas e os militares da Força, não teria apertado o painel eletrônico. Renan assegura que continuará sentado na cadeira de comando porque ninguém, como ele, tem condições de ocupar o lugar. Renan não dignifica o Senado. E o Senado ficou com a cara de Renan.

"Nós somos a bancada da abstenção", festejou a senadora Fátima Cleide, uma petista da Rondônia. Estava cercada pelos colegas Sibá Machado (o suplente que foi destronado, por manobra de Renan, da presidência do Conselho de Ética), pelo amazonense João Pedro e a raivosa catarinense Ideli Salvatti.

O grupelho dos poltrões inclui o senador de 10 milhões de votos Aloizio Mercadante. Outro que se revelou adepto da turma foi o folclórico - e agora, danoso - peemedebista Mão Santa. A covardia não se comemora. Os pusilânimes merecem o enterro político.

O Brasil da ética está em movimento. Pela pressão, mudou o comportamento de 35 senadores. Basta lembrar que, há 111 dias, todos os 81 parlamentares se perfilaram para cumprimentar Renan depois do seu primeiro discurso de defesa, logo após a denúncia de que teve contas pessoais pagas com dinheiro de um lobista de empreiteira. Depois da abominável absolvição da quarta-feira de cinzas do Senado, não houve beija-mão. O luto deu lugar à euforia.

Os três processos contra Renan já começaram a peregrinação pelo Conselho de Ética. A agonia do Senado não acabou. Nem a do governo, que agora terá no presidente que se esforçou para preservar, um problema a contornar para aprovar projetos como a prorrogação da CPMF.

O sargento Douglas e os soldados da FNS aliviam a decepção que os brasileiros acumulam, a cada dia, com os políticos. Mostram que no Brasil descarado do Congresso, ainda há quem sabe exercer a função pública com dignidade. Provam que os 40 de Renan, o voto dele incluído nesta conta, e os seis covardes da abstenção não representam a sociedade. O Brasil tem a cara de Douglas e se assemelha aos que vestem a farda camuflada da Força. Os senadores não entendem o país. Só resta aos brasileiros, que admiram os apitos de Douglas e a munição da paz dos soldados, reduzir esses políticos a pó nas urnas e lembrá-los apenas como personagens da História que envergonha a nação.

Brasileiros acordam indignados

Marcelo Copelli, Tribuna da Imprensa

Um dia após o Senado absolver o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), a população ainda permanecia envolvida por um misto de incredulidade, indignação e revolta com o cenário político do País. As fatídicas abstenções de seis senadores, o trabalho explícito das bases governistas a favor de Renan e o vexatório jogo de ameaças feitas em plenário, mais uma vez provaram que nem sempre a vontade do povo norteia seu próprio cotidiano. Nem a ação dos seus representantes políticos.

O paradoxo criado entre a expectativa popular e a nudez de sua realidade chegou a provocar em alguns a dúvida sobre o papel desempenhado pelo Senado. A cientista política Maria Victoria Benevides, ex-presidente da Comissão de Ética Pública, fez uma declaração revoltada.

"Minha primeira reação foi de nojo. Depois me senti ofendida quando o senador Almeida Lima (PMDB-SE) disse que a absolvição de Renan é uma vitória do povo. É um insulto, isso sim. Aquilo não foi uma sessão secreta, foi clandestina", afirmou Benevides.

A cientista acrescentou que o Senado é perfeitamente dispensável. "É um clube magnífico. Como cientista política, iniciarei um debate pela extinção do Senado e pregarei o voto nulo para senador em 2010. Apesar de tudo o que passamos neste longo período de democracia, continuamos com uma cultura política calcada no compadrio, coronelismo e clientelismo".

A ex-presidente da Comissão de Ética Pública teve sua opinião compartilhada por muitos brasileiros. Entre as diversas manifestações de repúdio da população ao fato que marcou a história do Senado, palavras como "nojo", "escandaloso" e "falta de decoro" caracterizaram a maior parte dos depoimentos.

O Fale com a Tribuna, da Tribuna da Imprensa On-Line, recebeu ontem centenas de e-mails de indignados brasileiros. De Belo Horizonte (MG), "Canalhas! Imorais! (...) que desgovernam mais e mais esta Nação. Torturada, vilipendiada em seus direitos".

De Alcobaça (BA), "a nação anoiteceu e acordou incrédula, tristonha, envergonhada pela falta de honradez de seus representantes (...) é triste assistir a um vexame desse porte". De Presidente Bernardes (SP), "eles sabem o que fazem. Nós, pobres e mortais é que não sabemos tudo o que eles fazem (...) Eu não creio em ninguém, faz muito tempo".

De Fortaleza (CE), "este Senado é o mais medíocre de toda a história da República", escreveram vários internautas.

O vôo teórico de Marxilena Oiapoque

Reinaldo Azevedo


Marxilena Oiapoque, a mãe da teoria do golpe da mídia — o pai é Wanderley Guilherme dos Santos — concedeu uma entrevista à revista argentina Debate. Pela primeira vez, esta especialista na fusão do pensamento de Spinoza com a capacidade operativa de Delúbio Soares, reconheceu que pode, sim, ter havido algo parecido com mensalão, mas voltou a insistir que a “mídia” (a não-petista, é claro) manipulou o caso para provocar o impeachment de Lula. E refletiu: “Nenhum governante governa sem fazer alianças e negociações com outros partidos. Essa negociação tende à corrupção. Essa compra e venda ocorreu sistematicamente nos governos José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, sem que os meios se manifestassem sobre o assunto".

Viram só?

Premissa maior: nenhum governante governa sem fazer alianças e negociações;

Premissa menor: alianças e negociações tendem à corrupção;

Conclusão inescapável: é impossível governar sem ser corrupto.

Nunca ninguém tinha tido a coragem de dizer isso antes com tanta e tão escancarada clareza. Os petistas já estão dando um passo a mais na sua célere evolução para a delinqüência pura e simples, que vai perdendo até mesmo aquela fantasia socialista. Antes, o PT era o partido dos “donos da ética” — segundo um leitor, ontem, no Programa do Jô, Tarso Genro disse que essa pregação era um erro. Depois, o PT avançou para outra posição: “Roubo, mas todo mundo rouba, embora a gente não ache isso correto”. Agora, atinge o estado da arte: “Roubo, todo mundo rouba, e é assim mesmo que se faz. Ou não se governa”.

Em tempo: é uma mentira vergonhosa, deslavada, estúpida, a afirmação de que a mídia não deu espaço às denúncias havidas durante o governo FHC. Eduardo Jorge Caldas Pereira que o diga. É o caso emblemático. Foi esmagado, dona Marxilena. E era inocente, como fez questão de provar em todas as instâncias. Até Josef Dirceuyevitch admitiu a má-fé petista — infelizmente comprada por boa parte da imprensa. Com o caso dos mensaleiros, é diferente. Há confissões. Há provas. Recupere-se, por exemplo, o noticiário à época das privatizações. Ou tudo o que se publicou sobre a tal “venda de votos”. A imprensa jamais foi condescendente com o governo FHC. Ao contrário: foi implacável. E, é óbvio, foi ainda mais dura com Collor. Ele, afinal, caiu. Marxilena mente aos argentinos, mente aos brasileiros, mente ao mundo. Mas duvido que minta a si mesma.

Falei que Marxilena Oiapoque fundiu Spinoza com Delúbio? Pois é. Do filósofo holandês, não sobrou nada. Restou só a teórica do petismo, com sua retórica emporcalhada. Mas ela foi adiante. E, desta feita, não copiou nenhuma tese de seu amiguinho Claude Lefort. Não! Pegou carona num artigo escrito por Rosemarie Muraro na Folha de 12 de setembro do ano passado. O que escreveu, então, a decente senhora? Leiam o que vai em vermelho (quem estiver de estômago cheio, cuidado):

A boa novidade no Brasil é que essas maiorias elegeram um presidente oriundo da classe dominada, de quem não se esperava que transgredisse a lei da honestidade e da moralidade. E quando ele se viu obrigado a jogar o jogo da classe dominante para continuar no poder, houve uma grita a partir da classe média, sinceramente honesta, contra a corrupção e a fraude que esse mesmo presidente antes condenava. E os pobres, que sabem desde o nascimento que são expropriados de quase tudo, crêem, também sinceramente, que, já que são sempre roubados pelos dominantes, pelo menos darão o seu voto a quem reparte com eles alguma fatia desse roubo.”

Num texto postado às 8h51 daquele dia (podem ver no arquivo), esculhambei Rosemarie e disse que ela era tudo o que Marxilena sempre quis ser, mas tinha vergonha de confessar. Não é que a danada perdeu também essa vergonha? Eu sabia. Para mim, era questão de tempo. Vejam o que ela afirmou à revista argentina e depois comparem com o texto de sua companheira de partido (também em vermelho):

“Há indícios de que alguns membros do primeiro governo de Lula negociaram com parlamentares, de acordo com essa mesma tradição. Mas o PT e seu presidente operário??? Como ousam fazer o mesmo que os partidos da classe dominante??? Que ousadia absurda!!! Resultado: os meios de comunicação transformaram a situação em um caso único, nunca visto antes, e construíram a imagem do governo mais corrupto da história do Brasil".

Pontuei as frases de Marxilena com três interrogações e três exclamações porque ela está tentando ser irônica, entendem? Ela está tentando debochar daquele que seria o espanto dos não-petistas quanto confrontados com os métodos do tal “partido operário”. E notem que a filósofa é o primeiro membro da legenda que atribui também a Lula a “negociação”.

Qual a diferença entre a tese desta senhora e a dos anões? Nenhuma. O que os diferencia é só o fato de ela ter ainda alguma credibilidade, ao menos nas madraçais acadêmicas. Eles já não têm mais nada — a não ser o salário pagos por seus estranhos patrões, que financiam suas momices.

E acreditem. A mulher não fez por menos. Lembrou-me Renan Calheiros negando o óbvio. Leiam isto: para Marxilena, “o falso moralismo ocupou o lugar de uma discussão de ética republicana porque permite atacar o PT naquilo que é seu ponto de honra: a ética na política".

Sim, já assisti a aulas desta senhora. Ela faz isso também em classe; isto é, atua com essa lógica que se vê. Acompanhem com Tio Rei:

1 - O PT, na melhor das hipóteses de Marxilena, fez o que todo mundo supostamente faz;

2 - Todo mundo, ela mesma diz, só governa com corrupção; logo, o PT também;

3 – A ética na política é um “ponto de honra” para o PT;

4 - Logo, mesmo quando está sendo corrupto, o PT está sendo ético.

O que a gente faz com ela? Manda prender, manda internar ou dá uma tigela de sopa?

TOQUEDEPRIMA...

***** Atenção: governo Lula trabalhando


***** União abre 300 vagas para área de infra-estrutura
O Globo

Preocupado com a falta de quadros qualificados para acompanhar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo federal criou, por meio da Medida Provisória 389, 300 vagas para servidores especializados em infra-estrutura. O texto institui a carreira de Analista de Infra-Estrutura e a de Especialista em Infra-Estrutura Sênior. Há pressa na contratação desses funcionários e, de acordo com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o primeiro concurso poderá ocorrer em até 30 dias.

- Há pouca gente para tocar o volume de projetos que temos. A máquina pública está diante do mesmo efeito que o setor privado já sente com o crescimento da economia, que é a falta de engenheiros e pessoal qualificado. Esse pessoal será uma espécie de pelotão de choque do PAC - disse o ministro.

Os analistas de infra-estrutura terão um salário em torno de R$ 5,5 mil, e os Especialistas Sênior poderão receber até R$ 10 mil, somando-se ao salário as gratificações de desempenho. As 300 vagas terão um impacto de cerca de R$ 33 milhões por ano na folha de pagamento da União.

***** Autor cobra promessa por música do PT

O compositor sergipano José Adaílton, o "Natar", denunciou numa rádio de Aracaju que o PT não cumpriu a promessa de "ajudá-lo", mais de um ano após a eleição, em troca da doação de uma das músicas de campanha do partido no estado, diz o site infonet.com.br. José Adaílton afirma que assinou documento durante comício, doando a música para obter um emprego. O refrão da música "eita que eles estão aperreados" foi amplamente veiculado em rádios e TVs. O presidente do PT local, Márcio Macedo, diz que não prometeu nada, e que "Natar" doou a música espontaneamente. O Democratas anunciou que processará o Partido dos Trabalhadores por crime eleitoral

***** Zeca do PT perde sua 'boquinha' vitalícia

O conselho federal da OAB acaba de derrubar, na sessão plenária do Supremo Tribunal Federal, a "bolsa-pijama" - aposentadoria vitalícia no valor de R$ 22,1 mil - que havia sido concedida ao ex-governador do Mato Grosso do Sul Zeca do PT, pela Assembléia Legislativa do Estado. Por 10x1, os ministros do STF acolheram a Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada pela OAB Nacional, e cassaram a mesada vitalícia apontada como ilegal pela entidade da advocacia. Os votos foram proferidos com base no voto da relatora da matéria, ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, que votou no sentido de julgar procedente a Ação para que fosse declarada a inconstitucionalidade do artigo da Constituição do Mato Grosso do Sul que criou a "boquinha". O único voto favorável ao bolsa-pijama do ex-governador Zeca do PT foi do ministro Eros Grau.

***** Absolvição de Calheiros é um "verdadeiro vexame", diz presidente da OAB

A absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), repercutiu negativamente na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). O presidente nacional da entidade, Cezar Britto, disse nesta quinta-feira que a votação foi um "verdadeiro vexame".

Britto também defendeu o fim das votações secretas. Segundo ele, a entidade estuda entrar com uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) no STF (Supremo Tribunal Federal) nos próximos dias. O objetivo é derrubar o artigo regimental do Senado que estabelece sessões secretas para votações de perdas de mandato.

O presidente da entidade afirmou ainda que a regra interna que fecha o Senado para o controle popular é "inconstitucional, imoral e antidemocrática".

***** Movimento cai 3,7% depois da tragédia. Assim até dá para acabar com a crise.

O movimento de passageiros nos vôos domésticos do país caiu 3,7% em agosto na comparação com o mesmo período no ano passado. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a ocupação média dos aviões também diminuiu: de 73% em agosto de 2006 para 59% no mês passado. Em julho, a taxa de ocupação havia sido de 72%. É o primeiro levantamento do tipo desde o acidente com o Airbus da TAM, em 17 de julho.

O presidente da Infraero (estatal que administra os aeroportos), Sérgio Gaudenzi, encaminhou ofício à Anac com o pedido para a liberação da pista principal do Aeroporto de Congonhas. Na semana passada, a estatal concluiu a colocação do grooving (ranhuras) na pista do terminal, mas Gaudenzi disse que ela só seria liberada depois de passar por uma inspeção e receber autorização formal. Ontem, um mecânico que trabalhava no prédio da TAM Express fez um memorial improvisado no local do acidente. Gaudenzi avaliou em R$ 800 milhões a construção da terceira pista no Aeroporto de Guarulhos, para desafogar o tráfego em Congonhas.

***** Senadores propõem fim de voto secreto

Senadores do PSDB, DEM, PDT, PSB, PMDB e PSOL entraram em acordo nesta quinta-feira sobre medidas que poderiam ser adotadas para tentar restaurar a credibilidade do o Senado. "Estamos demarcando o nosso território", afirmou o líder do DEM, senador José Agripino (RN). Os parlamentares prometem atuar de forma conjunta nas votações.

Ficou acertado que eles apresentarão pedido de urgência para a aprovação dos projetos de resolução que tornam abertas as sessões destinadas a votar perda de mandato e fim do voto secreto em plenário para a cassação de mandato. A última medida necessita da aprovação de uma emenda constitucional. Outro projeto prevê o afastamento automático de senadores que ocupem cargos em comissões, Mesa Diretora e no Conselho de Ética quando for aberta uma investigação contra eles por quebra de decoro parlamentar.

Também ficou decidido que os parlamentares do grupo irão adotar uma "pauta seletiva", priorizando matérias urgentes e de interesse da população. Outra decisão é não participar de reunião de líderes com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Essas medidas foram acertadas durante almoço no gabinete do presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati.