TRISTE ÉPOCA
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por Rodrigo Constantino
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por Rodrigo Constantino
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“Muitos valores vieram a parecer antiquados: falar a verdade, manter a palavra. Os bons parecem pertencer aos velhos bons tempos, embora sejam sempre queridos. Se é que ainda há alguns, são raros, e nunca são imitados. Que triste época esta, quando a virtude é rara e a maldade está no cotidiano.”
“Muitos valores vieram a parecer antiquados: falar a verdade, manter a palavra. Os bons parecem pertencer aos velhos bons tempos, embora sejam sempre queridos. Se é que ainda há alguns, são raros, e nunca são imitados. Que triste época esta, quando a virtude é rara e a maldade está no cotidiano.”
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Tal comentário poderia tranqüilamente ter sido obra de qualquer brasileiro mais atento dos nossos dias. Afinal, a ética foi jogada no lixo, a impunidade anda solta e mentir virou mania nacional. Vivendo nos tempos do “mensalão”, das sanguessugas, do presidente que repete que não sabia de nada enquanto seus principais aliados envolvem-se em escândalos onde ele próprio é o grande beneficiado, não dá para deixar de compartilhar do sentimento do autor que lamenta a triste época, quando a virtude é rara – mais rara que diamante.
Tal comentário poderia tranqüilamente ter sido obra de qualquer brasileiro mais atento dos nossos dias. Afinal, a ética foi jogada no lixo, a impunidade anda solta e mentir virou mania nacional. Vivendo nos tempos do “mensalão”, das sanguessugas, do presidente que repete que não sabia de nada enquanto seus principais aliados envolvem-se em escândalos onde ele próprio é o grande beneficiado, não dá para deixar de compartilhar do sentimento do autor que lamenta a triste época, quando a virtude é rara – mais rara que diamante.
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Mas o autor do comentário não vive em nossos dias, tampouco no Brasil. Trata-se de Baltasar Gracián, jesuíta espanhol que escreveu A Arte da Prudência em 1647. Neste mesmo livro, Gracián cunhou uma célebre frase que parece ter sido criada ad hoc para os eleitores de Lula: “A esperança é uma grande falsária da verdade”. Quem lembra da propaganda eleitoral de Lula nas eleições passadas, administrada por Duda Mendonça, sabe muito bem disso. “A esperança venceu o medo”, repetia a propaganda enganosa. Nisso que dá abolir o medo, fundamental na vida, para que busquemos mais informações na hora das decisões importantes. Sem medo, podemos pular pela janela e se espatifar no chão. Ou votar no Lula – o que dá praticamente no mesmo.
Mas o autor do comentário não vive em nossos dias, tampouco no Brasil. Trata-se de Baltasar Gracián, jesuíta espanhol que escreveu A Arte da Prudência em 1647. Neste mesmo livro, Gracián cunhou uma célebre frase que parece ter sido criada ad hoc para os eleitores de Lula: “A esperança é uma grande falsária da verdade”. Quem lembra da propaganda eleitoral de Lula nas eleições passadas, administrada por Duda Mendonça, sabe muito bem disso. “A esperança venceu o medo”, repetia a propaganda enganosa. Nisso que dá abolir o medo, fundamental na vida, para que busquemos mais informações na hora das decisões importantes. Sem medo, podemos pular pela janela e se espatifar no chão. Ou votar no Lula – o que dá praticamente no mesmo.
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Mas vamos deixar o pessimismo de lado e focar no aspecto bom da coisa: se em 1647 já era normal este tipo de lamentação, é sinal que sobrevivemos, mesmo com os Lulas da vida. A virtude pode ser rara, ainda mais quando alguém como Lula, mesmo depois de todos os escândalos, lidera as pesquisas e apresenta boas chances de ser reeleito ainda no primeiro turno. Mas ela não é nula! E isso faz toda a diferença do mundo.
Mas vamos deixar o pessimismo de lado e focar no aspecto bom da coisa: se em 1647 já era normal este tipo de lamentação, é sinal que sobrevivemos, mesmo com os Lulas da vida. A virtude pode ser rara, ainda mais quando alguém como Lula, mesmo depois de todos os escândalos, lidera as pesquisas e apresenta boas chances de ser reeleito ainda no primeiro turno. Mas ela não é nula! E isso faz toda a diferença do mundo.
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Os virtuosos conseguem sobreviver mesmo no meio dos pérfidos, e no final do dia, carregam o mundo nas costas. Parasitas e sanguessugas pegam carona e regozijam-se, como sempre. São maléficos para a saúde da sociedade como um todo, mas não são letais. Os hospedeiros, aqueles que criam a riqueza que será explorada por tais parasitas e sanguessugas, suportam o fardo. O mundo poderia ser infinitamente melhor sem tais exploradores, com certeza. Mas ele não vai acabar por conta dessa gente, por mais que se esforcem para tanto. A vida continua, com ou sem Lula no governo. Muito melhor sem, claro. Mas não vamos esquecer que a época é triste para os virtuosos...
Os virtuosos conseguem sobreviver mesmo no meio dos pérfidos, e no final do dia, carregam o mundo nas costas. Parasitas e sanguessugas pegam carona e regozijam-se, como sempre. São maléficos para a saúde da sociedade como um todo, mas não são letais. Os hospedeiros, aqueles que criam a riqueza que será explorada por tais parasitas e sanguessugas, suportam o fardo. O mundo poderia ser infinitamente melhor sem tais exploradores, com certeza. Mas ele não vai acabar por conta dessa gente, por mais que se esforcem para tanto. A vida continua, com ou sem Lula no governo. Muito melhor sem, claro. Mas não vamos esquecer que a época é triste para os virtuosos...
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A CULPA É DE TORDESILHAS
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Sebastião Nery (Publicado no site Tribuna da Imprensa)
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SALVADOR - Em 1965, foi criado o município de Anastácio, desmembrado de Aquidauana, em Mato Grosso do Sul, entre Campo Grande e Corumbá. O governador Pedro Pedrossian, adversário do primeiro prefeito de Anastácio, Vicente Medeiros, fez uma estrada ligando Aquidauana a Jardim, mas, por birra, o DER tirou Anastácio do caminho e fez a placa assim: "Rodovia MT-65, Aquidauana/Jardim".
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Anastácio ficou indignada. Houve um congresso de municípios em Cuiabá. Na sessão de encerramento, o prefeito de Anastácio pediu a palavra:
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- Gostaria que mandassem providenciar a escritura do município de Anastácio, já que não é reconhecido nem pelo senhor governador.
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E mostrou uma foto da placa. O deputado René Burbour, aliado do governador, que presidia a solenidade, respondeu:
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- O senhor prefeito tem toda a razão. Eu, inclusive, já escrevi a Portugal, pedindo a escritura do Brasil. Assim que chegar, faremos um desmembramento e mandaremos a sua escritura. A culpa é do Cabral, que nos descobriu, não fez o desmembramento e esqueceu de mandar fazer a escritura.
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Eike e Dirceu
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O playboy Eike Batista e seu lobista José Dirceu estão com ódio dos reis Dom João II de Portugal e Fernando e Isabel de Castela e Aragão, e do papa Eugenio IV, que, no Tratado de Tordesilhas, de 1494, deixaram a Bolívia para os espanhóis. Pensavam que era mais fácil fazer corrupção lá nas bandas do Evo Morales e agora viram que nos governos de Lula e PT é muito mais.
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O Eike havia corrompido um punhado de autoridades bolivianas anteriores e estava construindo uma imensa carvoaria, que ele chamava de Siderúrgica EBX, em Puerto Suarez, do lado de lá do rio Paraguai, em frente a Corumbá, para fazer ferro-gusa queimando a madeira do Pantanal boliviano.
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As leis bolivianas de meio ambiente proíbem qualquer tirada de madeira às margens dos rios. Eike comprou as leis, como compra escolas de samba no Brasil. Mas veio o Evo Morales e pôs o Eike para correr. Ele pôs seu guarda-costa-mor José Dirceu em um jatinho e mandou ir lá negociar. Não adiantou.
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Marina Silva
A CULPA É DE TORDESILHAS
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Sebastião Nery (Publicado no site Tribuna da Imprensa)
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SALVADOR - Em 1965, foi criado o município de Anastácio, desmembrado de Aquidauana, em Mato Grosso do Sul, entre Campo Grande e Corumbá. O governador Pedro Pedrossian, adversário do primeiro prefeito de Anastácio, Vicente Medeiros, fez uma estrada ligando Aquidauana a Jardim, mas, por birra, o DER tirou Anastácio do caminho e fez a placa assim: "Rodovia MT-65, Aquidauana/Jardim".
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Anastácio ficou indignada. Houve um congresso de municípios em Cuiabá. Na sessão de encerramento, o prefeito de Anastácio pediu a palavra:
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- Gostaria que mandassem providenciar a escritura do município de Anastácio, já que não é reconhecido nem pelo senhor governador.
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E mostrou uma foto da placa. O deputado René Burbour, aliado do governador, que presidia a solenidade, respondeu:
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- O senhor prefeito tem toda a razão. Eu, inclusive, já escrevi a Portugal, pedindo a escritura do Brasil. Assim que chegar, faremos um desmembramento e mandaremos a sua escritura. A culpa é do Cabral, que nos descobriu, não fez o desmembramento e esqueceu de mandar fazer a escritura.
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Eike e Dirceu
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O playboy Eike Batista e seu lobista José Dirceu estão com ódio dos reis Dom João II de Portugal e Fernando e Isabel de Castela e Aragão, e do papa Eugenio IV, que, no Tratado de Tordesilhas, de 1494, deixaram a Bolívia para os espanhóis. Pensavam que era mais fácil fazer corrupção lá nas bandas do Evo Morales e agora viram que nos governos de Lula e PT é muito mais.
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O Eike havia corrompido um punhado de autoridades bolivianas anteriores e estava construindo uma imensa carvoaria, que ele chamava de Siderúrgica EBX, em Puerto Suarez, do lado de lá do rio Paraguai, em frente a Corumbá, para fazer ferro-gusa queimando a madeira do Pantanal boliviano.
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As leis bolivianas de meio ambiente proíbem qualquer tirada de madeira às margens dos rios. Eike comprou as leis, como compra escolas de samba no Brasil. Mas veio o Evo Morales e pôs o Eike para correr. Ele pôs seu guarda-costa-mor José Dirceu em um jatinho e mandou ir lá negociar. Não adiantou.
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Marina Silva
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Na época, os jornais contaram que Eike estava querendo fazer do lado brasileiro o que não conseguiu do lado boliviano: trazer os fornos de sua carvoaria para a outra margem do rio Paraguai, em Corumbá, Mato Grosso do Sul, e queimar o que resta de madeira virgem no Pantanal mato-grossense.
Na época, os jornais contaram que Eike estava querendo fazer do lado brasileiro o que não conseguiu do lado boliviano: trazer os fornos de sua carvoaria para a outra margem do rio Paraguai, em Corumbá, Mato Grosso do Sul, e queimar o que resta de madeira virgem no Pantanal mato-grossense.
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O Eike e o Zé Dirceu estão acostumados a queimar propinas e mensalões pagando corrupção. E a moral do governo Lula e do PT hoje é a dos espertos faturantes públicos Paulo Betti ("não há governo sem as mãos sujas, não dá para governar sem botar a mão na merda") e Wagner Tiso ("não estou preocupado com a ética do PT nem com qualquer tipo de ética"). Mas ninguém acreditava que eles conseguiriam dobrar a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, com todo seu passado e seu penache.
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"Veja"
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Pois esta semana, no "Radar" da "Veja", o Lauro Jardim contou:
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"O ferro de Eike - Sabe aquele projeto de uma usina de ferro-gusa, empreendimento de Eike Batista que deu uma tremenda confusão na Bolivia? A alegação inicial, da turma de Evo Morales, era que havia problemas ambientais no projeto. Mas, na semana passada, foi dada (sic) uma licença ambiental para o mesmíssimo projeto (ou seja, dois fornos de ferro-gusa para 400 mil toneladas por ano) num local distante 8 quilômetros daquele. Mas foi em Corumbá, Mato Grosso do Sul, Brasil"...
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Zeca do PT
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Agora, recebi, de Corumbá, a denúncia com a história toda, gravíssima, mandada pelo jornalista Leonardo Campos, em nome da Associação de Moradores de Maria Coelho, distrito a 40 quilômetros de Corumbá (MS):
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1 - "Mato Grosso do Sul aguarda apreensivo pela decisão da Justiça no caso da doação de um terreno à EBX Siderurgia, do empresário Eike Batista. A EBX recebeu um terreno de 250 hectares do governador do Mato Grosso do Sul, José Orcirio Miranda dos Santos, o Zeca do PT (que está muito guloso e vai deixar o governo levando uma surra de dar bicho), pertencente à EGRHP (Empresa de Gestão de Recursos Humanos e Patrimônio do Estado)".
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Pantanal
O Eike e o Zé Dirceu estão acostumados a queimar propinas e mensalões pagando corrupção. E a moral do governo Lula e do PT hoje é a dos espertos faturantes públicos Paulo Betti ("não há governo sem as mãos sujas, não dá para governar sem botar a mão na merda") e Wagner Tiso ("não estou preocupado com a ética do PT nem com qualquer tipo de ética"). Mas ninguém acreditava que eles conseguiriam dobrar a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, com todo seu passado e seu penache.
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"Veja"
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Pois esta semana, no "Radar" da "Veja", o Lauro Jardim contou:
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"O ferro de Eike - Sabe aquele projeto de uma usina de ferro-gusa, empreendimento de Eike Batista que deu uma tremenda confusão na Bolivia? A alegação inicial, da turma de Evo Morales, era que havia problemas ambientais no projeto. Mas, na semana passada, foi dada (sic) uma licença ambiental para o mesmíssimo projeto (ou seja, dois fornos de ferro-gusa para 400 mil toneladas por ano) num local distante 8 quilômetros daquele. Mas foi em Corumbá, Mato Grosso do Sul, Brasil"...
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Zeca do PT
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Agora, recebi, de Corumbá, a denúncia com a história toda, gravíssima, mandada pelo jornalista Leonardo Campos, em nome da Associação de Moradores de Maria Coelho, distrito a 40 quilômetros de Corumbá (MS):
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1 - "Mato Grosso do Sul aguarda apreensivo pela decisão da Justiça no caso da doação de um terreno à EBX Siderurgia, do empresário Eike Batista. A EBX recebeu um terreno de 250 hectares do governador do Mato Grosso do Sul, José Orcirio Miranda dos Santos, o Zeca do PT (que está muito guloso e vai deixar o governo levando uma surra de dar bicho), pertencente à EGRHP (Empresa de Gestão de Recursos Humanos e Patrimônio do Estado)".
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Pantanal
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2 - "O terreno fica em Maria Coelho, distrito de Corumbá. Foi doado ilegalmente e sem nenhuma licitação. Além de improbidade administrativa - terreno público doado para fins privados -, 70 famílias, que residem em área de 60 hectares do terreno, estão ameaçadas de expulsão. São crianças, mulheres e idosos, que moram em pequenas propriedades rurais, próximas ao maciço de Urucum, segunda maior reserva de managanês da América Latina".
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3 - "As questões sociais e administrativas são dois problemas que se somam ao risco ambiental. É uma área com nascentes de água mineral e cujos córregos podem secar, após a implantação da exploração da siderúrgica. Os empresários locais temem que o lobby de Eike Batista (e de seu agora sócio José Dirceu) se sobreponha à lei e aos direitos dos moradores da região". Com a palavra, a ecológica (ainda?) ministra Marina Silva.
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sebastiaonery@ig.com.br,
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3 - "As questões sociais e administrativas são dois problemas que se somam ao risco ambiental. É uma área com nascentes de água mineral e cujos córregos podem secar, após a implantação da exploração da siderúrgica. Os empresários locais temem que o lobby de Eike Batista (e de seu agora sócio José Dirceu) se sobreponha à lei e aos direitos dos moradores da região". Com a palavra, a ecológica (ainda?) ministra Marina Silva.
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sebastiaonery@ig.com.br,
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O BRASIL EM PONTO MORTO
por Guilherme Fiúza, do site NoMínimo
As matérias sobre o programa de governo de Lula para o segundo mandato, apresentado ao país nesta terça-feira, estão partindo todas de uma abordagem equivocada. Começam sempre dizendo o que o presidente pretende fazer nos próximos quatro anos. A regra básica do jornalismo determina que uma matéria deve começar pela informação mais importante (o famoso lead). Portanto, o correto no caso é iniciar a notícia pelo que Lula não pretende fazer.
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No novo programa de governo do PT, o mais importante é, disparado, o que não está escrito nele.
No novo programa de governo do PT, o mais importante é, disparado, o que não está escrito nele.
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Não vai haver, por exemplo, reforma da Previdência. O rombo anual de 40 bilhões de reais que representa hoje o maior problema das finanças públicas vai ficar lá mesmo (crescendo, evidentemente). O governo acredita que não há necessidade de mexer nesse sistema falido.
Não vai haver, por exemplo, reforma da Previdência. O rombo anual de 40 bilhões de reais que representa hoje o maior problema das finanças públicas vai ficar lá mesmo (crescendo, evidentemente). O governo acredita que não há necessidade de mexer nesse sistema falido.
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Não vai haver reforma tributária. A carga de impostos que acaba de chegar à mordida recorde de 37,3% de tudo o que o Brasil produz (cálculo conservador) vai ficar onde está, na melhor das hipóteses. Este cipoal de taxas e contribuições, que explodiu no governo Fernando Henrique e foi incrementado no atual, essa forma desvairada de ajuste fiscal que esculhamba a economia nacional, ficará intacta.
Não vai haver reforma tributária. A carga de impostos que acaba de chegar à mordida recorde de 37,3% de tudo o que o Brasil produz (cálculo conservador) vai ficar onde está, na melhor das hipóteses. Este cipoal de taxas e contribuições, que explodiu no governo Fernando Henrique e foi incrementado no atual, essa forma desvairada de ajuste fiscal que esculhamba a economia nacional, ficará intacta.
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Não vai haver contenção de gastos públicos. As despesas do governo, que vêm se espalhando com a inflação de ministérios e novos cargos de confiança, e que fechou este semestre 14,8% acima do período anterior, continuarão subindo alegremente. O governo diz que a oposição quer cortar gastos públicos para reduzir os programas sociais, e a ministra Dilma já declarou que “gasto corrente é vida”. Ou seja, a máquina vai continuar devorando a mesma fatia do seu dinheiro.
Não vai haver contenção de gastos públicos. As despesas do governo, que vêm se espalhando com a inflação de ministérios e novos cargos de confiança, e que fechou este semestre 14,8% acima do período anterior, continuarão subindo alegremente. O governo diz que a oposição quer cortar gastos públicos para reduzir os programas sociais, e a ministra Dilma já declarou que “gasto corrente é vida”. Ou seja, a máquina vai continuar devorando a mesma fatia do seu dinheiro.
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Não vai haver projeto de infra-estrutura. As agências reguladoras, órgãos de Estado criados para despolitizar as regras dos serviços públicos, aparentemente continuarão esvaziadas, como apêndices dos ministérios, usadas como cabides partidários. Como o único dinheiro que pode alavancar a infra-estrutura é o dinheiro privado, pode-se imaginar que o setor continuará à míngua.O programa de governo de Lula tem uma idéia: manter a política econômica de Fernando Henrique, com superávit primário de 4,25% do PIB e metas de inflação. Em time que está ganhando não se mexe. Não obstante, o documento dedica um bom espaço para algo estranho a programas de governo: fazer acusações ao governo anterior. Acusações a que? À política econômica de Fernando Henrique. Eis um documento verdadeiramente irreverente.
Não vai haver projeto de infra-estrutura. As agências reguladoras, órgãos de Estado criados para despolitizar as regras dos serviços públicos, aparentemente continuarão esvaziadas, como apêndices dos ministérios, usadas como cabides partidários. Como o único dinheiro que pode alavancar a infra-estrutura é o dinheiro privado, pode-se imaginar que o setor continuará à míngua.O programa de governo de Lula tem uma idéia: manter a política econômica de Fernando Henrique, com superávit primário de 4,25% do PIB e metas de inflação. Em time que está ganhando não se mexe. Não obstante, o documento dedica um bom espaço para algo estranho a programas de governo: fazer acusações ao governo anterior. Acusações a que? À política econômica de Fernando Henrique. Eis um documento verdadeiramente irreverente.
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O programa de Lula informa que o governo vai priorizar o crescimento econômico. Ótima idéia. Como se faz isso? Eles devem ter a fórmula, mas não revelam. Vai ver, não querem dar munição ao inimigo. Faz sentido.
O programa de Lula informa que o governo vai priorizar o crescimento econômico. Ótima idéia. Como se faz isso? Eles devem ter a fórmula, mas não revelam. Vai ver, não querem dar munição ao inimigo. Faz sentido.
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Outra decisão corajosa: reduzir os juros. Finalmente um governante com peito para realizar essa tarefa. Não está escrito como isso vai ser feito, deve ser para não estragar a surpresa. A única dúvida que fica é que, como até Cristovam Buarque já avisou, juros só caem com o equilíbrio das contas públicas – estas que o programa Lula II resolveu deixar bem à vontade. Talvez o PT vá pedir emprestada a varinha de condão de Heloísa Helena.
Outra decisão corajosa: reduzir os juros. Finalmente um governante com peito para realizar essa tarefa. Não está escrito como isso vai ser feito, deve ser para não estragar a surpresa. A única dúvida que fica é que, como até Cristovam Buarque já avisou, juros só caem com o equilíbrio das contas públicas – estas que o programa Lula II resolveu deixar bem à vontade. Talvez o PT vá pedir emprestada a varinha de condão de Heloísa Helena.
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Mas nem tudo são palavras bonitas. Há um número no programa: aumento da taxa de investimento de 20% para 25% do PIB. Como se sabe, taxa de investimento é conseqüência direta daquilo que o país consegue poupar. Ou seja: Lula, o homem e o mito, será também o santo padroeiro dos endividados. Vai sobrar mais dinheiro no Brasil. Deus seja louvado.
Mas nem tudo são palavras bonitas. Há um número no programa: aumento da taxa de investimento de 20% para 25% do PIB. Como se sabe, taxa de investimento é conseqüência direta daquilo que o país consegue poupar. Ou seja: Lula, o homem e o mito, será também o santo padroeiro dos endividados. Vai sobrar mais dinheiro no Brasil. Deus seja louvado.
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E é claro que numa peça tão objetiva e contundente não poderia faltar ela, a inimiga de todos os males, a redenção nacional recitada por dez entre dez sociólogos de plantão, a panacéia preferida do público esclarecido: a reforma política. Entre outras medidas salvadoras da moral pátria, como a votação em lista fechada e o voto distrital (esse já quase um mantra), aparece o milagroso “financiamento público de campanhas” – aquela saída genial que distribui dinheiro do contribuinte entre os políticos e desloca o caixa um para a coluna do caixa dois.
E é claro que numa peça tão objetiva e contundente não poderia faltar ela, a inimiga de todos os males, a redenção nacional recitada por dez entre dez sociólogos de plantão, a panacéia preferida do público esclarecido: a reforma política. Entre outras medidas salvadoras da moral pátria, como a votação em lista fechada e o voto distrital (esse já quase um mantra), aparece o milagroso “financiamento público de campanhas” – aquela saída genial que distribui dinheiro do contribuinte entre os políticos e desloca o caixa um para a coluna do caixa dois.
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Um crítico mal-humorado, com inveja do triunfo iminente de Lula, poderia perguntar por que um programa de governo, isto é, uma plataforma do Poder Executivo, num país com tudo por fazer, está prometendo prioridade para uma reforma que é essencialmente do Poder Legislativo. Evidentemente, uma pergunta dessas, a esta altura, seria inaudível em meio ao estouro do champanhe.O programa de Lula traz ainda, é bom assinalar, duas metas de alta precisão: combate à exclusão e educação de qualidade.
Um crítico mal-humorado, com inveja do triunfo iminente de Lula, poderia perguntar por que um programa de governo, isto é, uma plataforma do Poder Executivo, num país com tudo por fazer, está prometendo prioridade para uma reforma que é essencialmente do Poder Legislativo. Evidentemente, uma pergunta dessas, a esta altura, seria inaudível em meio ao estouro do champanhe.O programa de Lula traz ainda, é bom assinalar, duas metas de alta precisão: combate à exclusão e educação de qualidade.
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Com um plano de vôo tão minucioso quanto este, talvez o presidente possa até deixar o país no piloto automático e curtir melhor as delícias do paraíso. Não há dúvidas: o ex-operário chegou lá.
Com um plano de vôo tão minucioso quanto este, talvez o presidente possa até deixar o país no piloto automático e curtir melhor as delícias do paraíso. Não há dúvidas: o ex-operário chegou lá.
Texto Completo
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A FILOSOFIA DAS MÃOS SUJASEditorial do Estado de S. Paulo
30.08.2006
Perto da aula magna de ética na política que o presidente Lula ministrou segunda-feira em São Paulo a uma classe de dóceis intelectuais selecionados a dedo, as manifestações dos artistas Paulo Betti, Wagner Tiso e do produtor de cinema Luiz Carlos Barreto, na semana passada, apoiando a corrupção no governo do PT porque os fins justificam os meios, parecem balbucios de crianças puras numa escola maternal. Nunca antes se viu um presidente brasileiro - e nunca antes esse bordão de Lula há de ter sido tão apropriado - ir tão longe em defesa das mãos sujas na vida pública, embora as suas palavras, tomadas pelo valor de face, fossem de resignação diante do que seria uma realidade amarga, porém imutável.
Ele pode não ter se dado conta disso, muito menos desejado, mas sem sombra de dúvida entrou para a história do Brasil como o chefe de Estado que disse para quem quisesse ouvir: “Política a gente faz com o que a gente tem, e não com o que a gente quer. Esse é o jogo real da política que precisou ser feito em quatro anos para que chegássemos a uma situação altamente confortável.” A primeira sentença é uma meia verdade. Faz-se política, de fato, com o que se tem. Nem por isso se precisa necessariamente fazer política cultivando o que há de pior no que se tem. Mas foi esse, e nenhum outro, o ponto de partida do sistema petista de poder para dar a Lula, por meios espúrios, maioria na Câmara.
Os políticos venais - “o que se tem” - não fizeram fila na rampa do Planalto pedindo mesada para votar com o governo. Foi o partido do presidente que os procurou, diretamente ou por interpostos cúmplices, para mudarem de sigla ou, ficando onde estivessem, apoiassem as suas propostas. O suborno sistemático de deputados - chame-se mensalão, valerioduto, uso de recursos não contabilizados, o que se queira - foi a indelével e, pela amplitude e freqüência, inédita marca de Caim do “jogo real da política” jogado na era Lula. Em benefício dele e do seu partido, por iniciativa de sua gente, pouco importando, a esta altura, se com ou sem o conhecimento do chefe, ou, por que não?, com ou sem o seu incentivo.
Já a segunda sentença, em que ele fala da situação a que se chegou, é uma trapaça. À primeira vista, o sujeito oculto da frase é o Brasil: fez-se o que “precisou ser feito” para o País desfrutar de um alto grau de conforto. Na realidade, fez-se o que se escolheu fazer para que ele, ao fim e ao cabo, pudesse chegar à antevéspera da sucessão numa situação altamente confortável. A meta última do mensalão, como de tudo mais que o presidente e seus companheiros fizeram, era a reeleição. Mas a lição enganosa não terminou aí. O professor deixou claro que os puros - ou os menos impuros, como o PT, criado, segundo ele, “para errar (grifo nosso) menos do que os outros partidos” - não tinham saída, sendo o que é o que se tem.
Ora, seja lá para o que se criou o PT, é fato documentado que a sua conduta, tão logo começou a conquistar municípios importantes, se tornou cópia fiel, ou aperfeiçoada, daquilo que atribuía aos adversários muito antes de abraçá-los como aliados. A ética administrativa da atual deputada Angela Guadagnin - a Isadora Duncan do mensalão - na prefeitura de São José dos Campos, em meados dos anos 1990, não foi o avesso, por exemplo, da que os petistas execravam no atual neolulista “Newtão” Cardoso, quando prefeito de Contagem, mais ou menos na mesma época. E a indesmentível extorsão institucionalizada em Santo André, na gestão Celso Daniel, morto ao que tudo indica por se opor ao desvio do butim destinado ao PT.
Em 2002, era o partido fazendo mais do mesmo - dessa vez para enfim eleger Lula - quando o seu presidente José Dirceu pagou R$ 10 milhões ao então homólogo do PL, Waldemar Costa Neto, segundo ele próprio viria a revelar, pelo apoio da sigla que entrou com o candidato a vice, José Alencar. E quando pagou o marqueteiro Duda Mendonça no exterior, com dinheiro ilegal.
O “conforto” moral que Lula sente, ele quer que todos os companheiros sintam. Para isso sugere que “o PT vai ter que responder por seus erros (grifo nosso) e as pessoas que erraram - ou seja, os membros da ‘sofisticada organização criminosa’ denunciada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza - precisam pedir desculpas ao povo brasileiro”. E pronto!