Por Alexa Salomão / Portal Revista Exame
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Há uma revolução em curso no financiamento da infra-estrutura no Brasil. O setor, há mais de duas décadas dependente do caixa minguado do Estado e de empréstimos fornecidos por bancos de fomento, começa a receber maciças aplicações de fundos de investimento constituídos exclusivamente para as áreas de transporte, logística, saneamento e energia. Cinco deles foram criados com a perspectiva de arrecadar quase 4 bilhões de reais. Mais do que o dinheiro reunido até o momento, chamam a atenção os nomes dos parceiros envolvidos na empreitada. À frente da gestão dos recursos estão equipes de instituições experientes, como o GP Investimentos e o Angra Partners, que fez sociedade com a construtora Andrade Gutierrez.
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O grosso dos recursos já amealhados saiu do caixa dos mais robustos investidores do país -- os fundos de pensão, como Previ, dos funcionários do Banco do Brasil; Funcef, da Caixa Econômica Federal; e Petros, dos petroleiros. "As oportunidades de investimentos em infra-estrutura são imensas no Brasil", diz Marcus Regueira, presidente da AbevCap, entidade que reúne fundos de investimento interessados em aportar dinheiro em empresas.
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Há uma revolução em curso no financiamento da infra-estrutura no Brasil. O setor, há mais de duas décadas dependente do caixa minguado do Estado e de empréstimos fornecidos por bancos de fomento, começa a receber maciças aplicações de fundos de investimento constituídos exclusivamente para as áreas de transporte, logística, saneamento e energia. Cinco deles foram criados com a perspectiva de arrecadar quase 4 bilhões de reais. Mais do que o dinheiro reunido até o momento, chamam a atenção os nomes dos parceiros envolvidos na empreitada. À frente da gestão dos recursos estão equipes de instituições experientes, como o GP Investimentos e o Angra Partners, que fez sociedade com a construtora Andrade Gutierrez.
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O grosso dos recursos já amealhados saiu do caixa dos mais robustos investidores do país -- os fundos de pensão, como Previ, dos funcionários do Banco do Brasil; Funcef, da Caixa Econômica Federal; e Petros, dos petroleiros. "As oportunidades de investimentos em infra-estrutura são imensas no Brasil", diz Marcus Regueira, presidente da AbevCap, entidade que reúne fundos de investimento interessados em aportar dinheiro em empresas.
INVESTIDORES
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1.-) Fundo : Darby Brazil Mezzanino
Gestor: Stratus e Darby Overseas
Recursos Estimados: R$ 400 milhões
Obras preferenciais: Estradas, portos, aeroportos e saneamento
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2.-) Fundo: ABN Infra Brasil
Gestor: Banco ABN Amro
Recursos Estimados: R$ 1.400,0 milhões.
Obras preferenciais: Energia, transporte e saneamento
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3.-) Fundo: Brasil Energia
Gestor: Pactual
Recursos estimados: R$ 800,0 milhões
Obras preferenciais: Projetos na área de energia, como distribuidoras e usinas hidrelétricas
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4.-) Fundo: AG-Andra Infra-Estrutura
Gestor: Construtora Andrade Gutierrez e Angra Partners
Recursos estimados: R$ 750,0 milhões
Obras preferenciais: Portos, ferrovias, rodovias, gasodutos e oleodutos
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5.-) Fundo: Logística Brasil
Gestor: GP Investimentos
Recursos Estimados: R$ 500,0 milhões
Obras preferenciais: Locação e compra de vagões, locomotivas e guindastes, construção de terminais graneleiros e de logística.
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Fontes: fundos
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Graças à sua capacidade de arregimentar grandes volumes de capital junto às mais diversas fontes, os fundos de investimento tornaram-se peças valiosas para o desenvolvimento das nações. Um exemplo é a ponte Millau, a mais alta do mundo, construída para ligar Paris a Barcelona. Custou 400 milhões de euros (o equivalente a 1 bilhão de reais). Mesmo o governo de um país como a França teria dificuldade para viabilizá-la sozinho. Parte dos recursos saiu do caixa de fundos que se associaram à construtora Eiffage, responsável pela obra. Em troca, o grupo tem a concessão da ponte por 75 anos e cobra pedágio. Nos Estados Unidos, o Calpers, fundo de pensão dos funcionários públicos da Califórnia, com patrimônio de 214 bilhões de dólares, pretende destinar parte de seus recursos para o financiamento de obras de infra-estrutura no estado americano.
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No Brasil, a nova safra de aportes é sustentada principalmente por um tipo específico de instrumento financeiro, o fundo de investimento em participação (FIP). Em essência, trata-se de um condomínio com vários investidores, gerido por uma instituição financeira. Outra modalidade de fundo é o tipo Mezanino. Nesse caso, o fundo oferece um financiamento à empresa com a opção de virar sócio no futuro. O fator mais importante para tornar atraentes os fundos de infra-estrutura é a redução da taxa básica de juro, a Selic, que remunera os títulos públicos. "À medida que a Selic cai, os investidores que concentravam aplicações em títulos públicos buscam alternativas", diz Fernando Quintella, diretor executivo do AG Angra. Pelas estimativas da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), o país precisaria de 50 bilhões de reais de investimentos por ano, mas não recebe nem 15 bilhões. Boa parte da lacuna poderá ser coberta pela migração dos investidores dos títulos públicos para os fundos. A rentabilidade projetada varia de 11% a 15% ao ano. "Nossa expectativa é que os fundos de infra-estrutura possam atrair 75 bilhões de reais nos próximos quatro anos", diz Paulo Godoy, presidente da Abdib.
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1.-) Fundo : Darby Brazil Mezzanino
Gestor: Stratus e Darby Overseas
Recursos Estimados: R$ 400 milhões
Obras preferenciais: Estradas, portos, aeroportos e saneamento
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2.-) Fundo: ABN Infra Brasil
Gestor: Banco ABN Amro
Recursos Estimados: R$ 1.400,0 milhões.
Obras preferenciais: Energia, transporte e saneamento
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3.-) Fundo: Brasil Energia
Gestor: Pactual
Recursos estimados: R$ 800,0 milhões
Obras preferenciais: Projetos na área de energia, como distribuidoras e usinas hidrelétricas
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4.-) Fundo: AG-Andra Infra-Estrutura
Gestor: Construtora Andrade Gutierrez e Angra Partners
Recursos estimados: R$ 750,0 milhões
Obras preferenciais: Portos, ferrovias, rodovias, gasodutos e oleodutos
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5.-) Fundo: Logística Brasil
Gestor: GP Investimentos
Recursos Estimados: R$ 500,0 milhões
Obras preferenciais: Locação e compra de vagões, locomotivas e guindastes, construção de terminais graneleiros e de logística.
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Fontes: fundos
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Graças à sua capacidade de arregimentar grandes volumes de capital junto às mais diversas fontes, os fundos de investimento tornaram-se peças valiosas para o desenvolvimento das nações. Um exemplo é a ponte Millau, a mais alta do mundo, construída para ligar Paris a Barcelona. Custou 400 milhões de euros (o equivalente a 1 bilhão de reais). Mesmo o governo de um país como a França teria dificuldade para viabilizá-la sozinho. Parte dos recursos saiu do caixa de fundos que se associaram à construtora Eiffage, responsável pela obra. Em troca, o grupo tem a concessão da ponte por 75 anos e cobra pedágio. Nos Estados Unidos, o Calpers, fundo de pensão dos funcionários públicos da Califórnia, com patrimônio de 214 bilhões de dólares, pretende destinar parte de seus recursos para o financiamento de obras de infra-estrutura no estado americano.
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No Brasil, a nova safra de aportes é sustentada principalmente por um tipo específico de instrumento financeiro, o fundo de investimento em participação (FIP). Em essência, trata-se de um condomínio com vários investidores, gerido por uma instituição financeira. Outra modalidade de fundo é o tipo Mezanino. Nesse caso, o fundo oferece um financiamento à empresa com a opção de virar sócio no futuro. O fator mais importante para tornar atraentes os fundos de infra-estrutura é a redução da taxa básica de juro, a Selic, que remunera os títulos públicos. "À medida que a Selic cai, os investidores que concentravam aplicações em títulos públicos buscam alternativas", diz Fernando Quintella, diretor executivo do AG Angra. Pelas estimativas da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), o país precisaria de 50 bilhões de reais de investimentos por ano, mas não recebe nem 15 bilhões. Boa parte da lacuna poderá ser coberta pela migração dos investidores dos títulos públicos para os fundos. A rentabilidade projetada varia de 11% a 15% ao ano. "Nossa expectativa é que os fundos de infra-estrutura possam atrair 75 bilhões de reais nos próximos quatro anos", diz Paulo Godoy, presidente da Abdib.