sábado, abril 14, 2018

Como as armas químicas avançaram nos últimos 100 anos

BBC Brasil





O assunto voltou a ganhar atenção ao redor do mundo após o suposto ataque com armas químicas realizado pelo governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, nas proximidades da capital da Síria, Damasco, no último sábado.

Nesta sexta-feira, em retaliação, Estados Unidos, Reino Unido e França lançaram bombardeios coordenados contra três supostas instalações de armas químicas em Damasco e em Homs.

"Uma operação combinada com as forças armadas da França e do Reino Unido está em andamento", disse o presidente Trump em discurso em rede nacional.

A escalada de tensão ganhou novo capítulo na quarta-feira, quando Trump afirmou, em sua conta no Twitter, que a Rússia deveria "se preparar" para o lançamento de mísseis contra a Síria.

A Rússia é aliada do governo sírio, acusado de promover o ataque com armas químicas.

Autoridades do alto escalão do governo russo ameaçaram responder à ofensiva americana da mesma forma.

O governo de Bashar al-Assad nega estar por trás do ataque químico contra a cidade de Douma, que era controlada por rebeldes.

Opositores e agentes humanitários dizem que aviões do governo sírio lançaram bombas de barril (tonéis de metal carregado de explosivos) cheias de agentes químicos tóxicos.

No entanto, armas químicas vêm sendo usadas há um século.

Segundo Hamish de Bretton-Gordon, especialista em armas químicas, a primeira delas foi o gás de cloro.

"A primeira arma química foi o gás de cloro, que sufoca a vítima até a morte", diz.

"Ela foi projetada mais como uma substância incapacitante do que letal, mas matou milhares", acrescenta.

O gás de cloro foi usado pela primeira vez na 2ª Batalha de Ypres em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, e foi altamente eficiente.

A substância foi substituída pelo gás mostarda, que causava bolhas imensas ao entrar em contato com a pele.

"A ideia original era ferir o maior número de pessoas. Quanto mais feridos, mais soldados são necessários para cuidar deles", explica Bretton-Gordon.

Segundo o especialista, pouco tempo depois, os agentes nervosos foram desenvolvidos pelos nazistas.

"Os agentes nervosos são organofosforados, pesticidas, e os alemães estavam pesquisando inicialmente pesticidas; eles, então, perceberam que esses agentes nervosos que eles haviam produzido, tabun e soman, eram incrivelmente efetivos em matar pessoas", diz.

Os agentes nervosos foram usados amplamente na guerra Irã-Iraque, de 1984 a 1988.

"O ataque em Halabja, em 16 de março de 1988, ainda permanece na mente de muitas pessoas", acrescenta.

Em apenas um dia, 5 mil pessoas morreram.

"Desde então, só na Síria, temos observado armas químicas sendo usadas milhares de vezes", disse.

"O autointitulado Estado Islâmico (EI) usou armas químicas contra os peshmerga (combatentes curdos no norte do Iraque), que eu venho assessorando, e, na verdade, estava com os peshmerga, perto de Mossul (Iraque), quando, há 18 meses, o EI lançou bombas de cloro em nossa direção", acrescenta.

Para Bretton-Gordon, "neste momento, as armas químicas se proliferaram".

"Temos visto ataques com armas químicas em Salisbury (Inglaterra) e a menos que façamos algo contundente sobre isso, devemos esperar que essas armas se proliferem ainda mais", conclui.

Bretton-Gordon fez alusão ao recente envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal e de sua filha, Yulia. Eles foram encontrados inconscientes em um banco de um shopping na cidade de Salisbury, na Inglaterra.

O Reino Unido acusa a Rússia de estar por trás do ataque usando um agente nervoso conhecido como novichok, desenvolvido pelos soviéticos na década de 70. O governo russo nega.

A troca de acusações acabou gerando a maior expulsão recíproca de diplomatas da história, que chegou a envolver aliados dos britânicos, como Estados Unidos e outros países europeus.

Hamish de Bretton-Gordon atuou no Exército britânico e na Unidade Nuclear, Radiológica, Biológica e Química (CBRN, na sigla em inglês) da OTAN.

Após sete anos, guerra síria ainda não tem fim no horizonte; entenda

Lucas Moretzsohn
O Globo

Protestos contra ditadura de Assad degeneraram em conflito envolvendo toda a região


RIO - Um grito por liberdade que se tornou um pesadelo. Há sete anos, tinha início a guerra na Síria. São mais de 2.500 dias de um conflito que se aprofunda diariamente, ainda sem fim no horizonte. O que começou como uma questão entre a ditadura da família Assad — no poder desde 1970 — e opositores se desdobrou para um tabuleiro complexo com a interferência de agentes externos e internos, com ideologias divergentes e que reivindicam interesses políticos, sociais, econômicos e religiosos sobre o país. Em meio a toda destruição, a tragédia é tamanha que causou uma das maiores crises migratórias registradas na História moderna, com a fuga de mais de 5 milhões de sírios.

Estimativas sobre a reconstrução do país já superam a casa de US$ 300 bilhões, segundo organizações humanitárias. Com o envolvimento de diferentes países que tentam contribuir para uma solução, a situação na Síria é marcada por avanços e retrocessos humanitários e diplomáticos que tornam refém uma população que antes clamava por liberdades políticas e civis, e agora se encontra desamparada. Nem mesmo períodos de trégua definidos por resoluções internacionais foram capazes de amenizar o sofrimento, com hospitais e escolas entre alvos frequentes.

Veja abaixo a evolução da guerra que assola o povo sírio e afeta as relações na comunidade internacional até hoje.

1) Como teve início a Guerra da Síria?

Em março de 2011, uma série de manifestações pró-democracia eclodiu em Deraa, no Sul, inspirada na Primavera Árabe — movimento de protesto contra regimes autoritários que se espalhou por diversas nações do Oriente Médio e da África do Norte a partir de 2010, com início na Tunísia.

O governo respondeu à situação com forte repressão e, em 2012, os enfrentamentos chegaram à capital, Damasco, e a Aleppo. No ano seguinte, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) já registrava um milhão de refugiados.

Cisões internas na oposição levaram ao surgimento de setores radicais, que incluem a Frente al-Nusra (braço sírio da al-Qaeda) e o Estado Islâmico (EI). Com isso, o conflito deixou de ser apenas um impasse entre governo e opositores e ganhou aspectos de um conflito entre a maioria sunita do país e xiitas alauitas, vertente à qual pertence o presidente sírio, Bashar al-Assad. O EI passou a combater tanto os rebeldes da oposição moderada quanto o governo de Assad, a fim de instaurar seu próprio califado, cuja capital seria a cidade de Raqqa.

2) Quais os maiores agentes externos envolvidos?


  MIKHAIL KLIMENTYEV / AFP
O presidente russo, Vladimir Putin, aperta a mão de seu homólogo, 
Bashar al-Assad, durante um encontro em Sochi, no Sudoeste da Rússia 

Desde setembro de 2015, a Rússia apoia forças do regime sírio com suporte bélico e estratégico. A intervenção ajudou o governo a retomar significativas porções de terra, entre elas Aleppo, um dos principais redutos dos rebeldes, em dezembro de 2016.

Aliado a eles está o Irã, que recruta milícias xiitas para a guerra. Alinhar-se a Assad e manter certa influência sobre o conflito sírio é essencial para Teerã, uma vez que o território sírio é o principal trajeto para levar carregamentos de armas iranianas ao Líbano para a milícia e partido xiita Hezbollah.

Desde setembro de 2014, os Estados Unidos lideram uma coalizão internacional que ajudou a combater o EI no país, e apoiam opositores do presidente, sobretudo a aliança curdo-síria das Forças Democráticas Sírias (FDS). Os principais integrantes da FDS são a milícia curda das Unidades de Proteção do Povo (YPG), e o Exército Livre da Síria (ELS), nascido de dissidentes do Exército sírio.

A Turquia fornece apoio aos rebeldes, mas ao mesmo tempo enfrenta curdos em Afrin. Ancara vê as YPG como um grupo terrorista, estreitamente ligado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), envolvido em uma guerrilha sangrenta por independência no terreno turco desde 1984.

3) Qual é a atual configuração da guerra?

  
STR / AFP 
Um membro das forças pró-governo sírio carrega 
uma bandeira do grupo Estado Islâmico - 

A guerra síria entra em seu oitavo ano marcada pela dispersão de diferentes frentes de combate. Com o apoio de seus aliados, o governo sírio já conseguiu retomar mais da metade do território ocupado por rebeldes e pelo EI, que foi fortemente derrotado. Em 2017, forças do governo sírio, apoiadas pela Rússia, e a coalizão internacional liderada pelos EUA reconquistaram as principais regiões controladas pelos extremistas: as cidades de Raqqa e Deir ez-Zor, no Centro do país. Com a queda do EI em seus bastiões, estima-se que atualmente os jihadistas controlem apenas 3% do território sírio.

Em Afrin, no Noroeste da Síria, a Turquia iniciou em janeiro uma ofensiva contra os curdos das YPG, que passaram a ocupar boa parte da área após a expulsão do EI. O governo turco já prometeu expulsar as YPG, que considera “terroristas”, e avançar numa ação militar até a fronteira com o Iraque.

Além disso, há quatro principais regiões com maior concentração de rebeldes contra Assad: Idlib; Damasco e Ghouta; Homs; e Deraa. Ainda que essas regiões tenham sido consideradas zonas de distensão, com a ordem de suspensão de combates, o governo sírio tem avançado em ofensivas para retomar o controle, com apoio russo. Nas últimas semanas, o regime de Assad intensificou seus esforços na retomada de Ghouta Oriental, apesar de cessar-fogos anunciados por ONU e Rússia. Os recentes bombardeiros já deixaram mais de 1.100 mortos, segundo monitoradores do conflito.

4) Quem são os rebeldes armados?

ZEIN AL-RIFAI / AFP
Forças rebeldes se posicionam na região de al-Zahra, perto de Aleppo 

Além das Forças Democráticas Sírias e do Exército Livre da Síria, há três principais grupos rebeldes que o governo sírio tem combatido. O Jaysh al-Islam (Exército do Islã) é o maior grupo rebelde em Ghouta Oriental, e seus cerca de dois mil combatentes controlam uma rede de túneis que, antes do cerco do regime, conectava a região a Damasco.

O Faylaq al-Rahman (Legião al-Rahman) é o segundo maior na região, aliado do Exército Livre da Síria — nascido no início da guerra em 2011. Eles têm maior predominância nas regiões central e oeste de Ghouta Oriental, e dividem parte do sul com os rivais do Jaysh al-Islam, incluindo as cidades de Jobar, Zamalka, Kafr Batna e Marj al-Sultan.

Já o Tahrir al-Sham é aliado ao Faylaq al-Rahman e composto principalmente por membros da Frente al-Nusra. Ainda que tenha se desvinculado do grupo, adota ideologias parecidas, incluindo visões anti-Ocidente.

5) Qual é o impacto da guerra?


Sete anos da guerra síria em números (mar/2018)

511 mil mortes


DAS QUAIS...                   350 mil vítimas identificadas
                    

DAS QUAIS...                   106.390 civis   
               

DAS QUAIS...                    19.811 crianças


11,7 milhões de deslocados


6,1 milhões de deslocados internos

5,6 milhões de refugiados buscam ajuda em países vizinhos:Líbano, Jordânia, Iraque, Egito e Turquia


67 ataques contra instituições de ensino em 2017

Uma a cada três escolas foram danificadas ou destruídas, estão sob uso militar ou são utilizadas como abrigo de deslocados

14 milhões sem acesso a água e saneamento

108 ataques contra hospitais em 2017

Metade das instalações médicas inativas ou parcialmente funcionando

12% de crianças  com até 5 anos com desnutrição aguda em Ghouta Oriental


De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), a guerra causou mais de 511 mil mortes desde 2011, das quais 350 mil foram nominalmente identificadas. Dentre as mortes, 106.390 são civis, incluindo 19.811 crianças.

Dados mais recentes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) revelam uma situação de crise humanitária crítica na Síria. Mais de cinco milhões de pessoas foram obrigadas a buscar segurança nos países vizinhos, e, apenas em 2017, ocorreram 67 ataques contra instituições de ensino e 108 contra hospitais. Metade das instalações de assistência médica no país está parcialmente funcionando ou inativa.

Mais de 14 milhões de pessoas não têm acesso a água e serviços de saneamento e higiene. Cerca de 35% da população dependem de fontes de água insalubres para atender suas necessidades. Devido ao cerco do governo em Ghouta Oriental desde 2013, quase 12% das crianças com menos de 5 anos sofrem de desnutrição aguda — a maior taxa registrada desde o início do conflito.


6) O que foi feito para solucionar a questão?


MIKHAIL METZEL / AFP
Rouhani, Putin e Erdogan se reúnem em Sochi: 
acordo de 2017 muda os rumos da guerra síria e afasta os EUA  

Com muitos envolvidos no conflito, a guerra na Síria passa por um complexo processo diplomático, sem previsão concreta de fim. Sem nenhum lado inclinado a recuar, a ONU começou a agir em 2012, quando o Conselho de Segurança pediu a implementação do Comunicado de Genebra 2012, que exigia o estabelecimento de um órgão governamental com poderes executivos para implementar uma transição política na Síria. Em 2014, a organização passou a intermediar negociações de paz em Genebra. Nove rodadas de debates aconteceram desde então, mas pouco avanço foi feito.

Paralelamente, Rússia, Irã e Turquia patrocinaram rodadas de negociação em Astana, no Cazaquistão, iniciadas em janeiro de 2017. Entre os resultados das seis reuniões desse processo está a criação das zonas de distensão. Outra consequência foi a realização do Congresso de Diálogo Nacional para a Síria em Sochi, mas os rebeldes armados e opositores políticos de Assad rejeitaram participar.

7) Houve algum avanço para frear a guerra?


DELIL SOULEIMAN / AFP
Mulher síria carrega caixa de víveres do Unicef para casa, em Deir Ezzor- 

Ao longo dos sete anos, vários cessar-fogos foram anunciados em diferentes pontos do país, mas as ordens foram desrespeitadas pelos combatentes de todos os lados. Recentemente, a ONU e organizações humanitárias começaram a lentamente conseguir retomar o envio de ajuda ao país, principalmente a Ghouta Oriental. Autoridades da Organização Mundial da Saúde indicaram, no entanto, que o governo sírio impediu que a maior parte dos materiais médicos entrasse no enclave rebelde. A região era considerada o último reduto rebelde próximo a Damasco. Em abril de 2018, a cidade de Douma foi alvo de um suposto ataque químico, que deflagrou um ataque conjunto de EUA, Reino Unido e França.

ONU pede ‘moderação’ para evitar escalada de tensão na Síria após ataques

O Estado de S.Paulo 

António Guterres disse que acompanha a situação e lamenta falta de consenso no Conselho de Segurança sobre investigações de uso de arma química

NOVA YORK, EUA – O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, pediu aos países que demonstrem “moderação” e evitem ações que possam elevar as tensões na Síria após o ataque coordenado pelos Estados Unidos contra instalações do regime de Bashar Al-Assad nesta sexta-feira, 13.

Foto: REUTERS/Lucas Jackson
António Guterres disse que acompanha a situação e lamenta falta de consenso
 no Conselho de Segurança sobre investigações de uso de arma química 

“Eu peço a todos os Países Membros que demonstrem moderação nessas perigosas circunstâncias e evitem ações que levem à escalada da situação e piore o sofrimento do povo sírio”, disse Guterres em comunicado publicado na madrugada deste sábado, 14.

Guterres afirmou que acompanha a situação na Síria após os ataques liderados pelos Estados Unidos com apoio da França e do Reino Unido. O secretário-geral também lamentou o fato do Conselho de Segurança da ONU não ter chegado a um consenso sobre as investigações do suposto ataque químico contra a cidade de Duma, último reduto rebelde da região de Ghouta Oriental que lutava contra o regime de Assad.

 “Eu expresso o meu profundo desapontamento pelas falhas do Conselho de Segurança em concordar com a criação de um mecanismo para investigar o uso de armas químicas na Síria”, disse o Secretário-Geral.

Na última semana, o Conselho de Segurança realizou reuniões que não atingiram consenso sobre investigações na região. Uma proposta de resolução dos Estados Unidos e outras duas da Rússia foram vetadas durante as tratativas.

Uma reação inédita de Síria e Rússia a um ataque preciso

Roberto Godoy 
O Estado de S.Paulo 

O ataque na Síria contra os centros de pesquisa, produção e armazenamento de armas e agentes químicos chegou tarde – mas foi preciso e destruidor. E foi combinado com os russos, cientes da operação

O ataque de sexta-feira, 13, na Síria contra os centros de pesquisa, produção e armazenamento de armas e agentes químicos chegou tarde – mas foi preciso e destruidor. E foi combinado com os russos, cientes da operação. Participaram forças dos Estados Unidos, França e Reino Unido. 

  Foto: AP Photo/Hassan Ammar
Míssil cruza o céu de Damasco durante ataque americano  

O fogo veio do céu, como era previsto, na forma de mísseis de cruzeiro de alta precisão da classe Tomahawk, com uso de superbombardeiros B1 e, talvez, também bombas inteligentes de diversos tipos. Os russos, que apoiam o regime do ditador Bashar Assad, ficaram calmamente instalados nas três bases militares que mantêm no país, durante os 45 minutos de duração do bombardeio.

Participaram indiretamente. Modernos sistemas de defesa antiaérea fornecidos ao governo sírio por negociação direta entre Assad e o presidente Vladimir Putin conseguiram interceptar ao menos 13 mísseis – uma façanha. Isso jamais havia acontecido anteriormente.

Os alvos visados tem a ver com o complexo estratégico sob controle do Centro de Estudos e Pesquisa Científica da Síria. Nos termos do acordo fixado pela Organização das Nações Unidas, em 2013, a instituição deveria ter sido desativada – a rigor, funcionava apenas para abastecer o Comando Aeroestratégico criado por Hafez Assad, pai de Bashar, como recurso de dissuasão, dotado de imensos estoques de armas químicas.

No entanto, foi preservado sob o argumento de que seu trabalho era fundamental para o ensino universitário. As principais instalações do centro estavam em Al-Safira, onde eram montados os mísseis Hwasong-6, de médio alcance, fornecidos pela Coreia do Norte, Hama, sede da linha de conversão para receber gases das ogivas dos Scud-C, entregues pela Rússia nos anos 90, Latakia e Palmira, cidades que abrigavam laboratórios.

Houve significativo manejo dessas estruturas ao longo da guerra civil de sete anos. A capital, Damasco, mais protegida das operações dos grupos de oposição, passou a abrigar as unidades de pesquisa e, segundo agências de inteligência de França e Reino Unido, três bancos de estocagem de cargas químicas e biológicas de uso em combate.

Laboratórios, linhas de fabricação e depósitos teriam sido distribuídos por Dumayr, Sharmat, Khan Abu e Furqlus, perto do deserto. No total, “centenas de toneladas”, na análise do secretário da Defesa americano, James Mattis, de gases Sarin, VX e sulfúrico. 

Arte - Deutsche Welle

Poder de fogo ocidental

EUA: dois destróieres e possível submarino no Mediterrâneo / navio USS Harry Truman / jatos F-22 no Catar, Jordânia e Turquia / 2000 soldados na Síria

França: Fragata com mísseis no Mediterrâneo / jatos Rafale na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos

Reino Unido: aviões de guerra Typhoon e Tornado em Chipre


Com ação na Síria, Trump joga o mundo em terreno desconhecido

Henrique Gomes Batista, Correspondente 
O Globo

Ataque do presidente, que estava encurralado, pode ter desdobramentos graves. Reação russa é chave para determinar dimensão da ameaça

  YURI GRIPAS / REUTERS
Trump faz pronunciamento anunciando lançamento de mísseis contra a Síria 

TAMPA, FLÓRIDA. Depois de muito ameaçar, Donald Trump decidiu agir contra o suposto uso de armas químicas por Bashar al-Assad de forma mais incisiva do que o ocorrido há um ano, quando o presidente americano também tentou punir outro ataque químico da Síria. E o cenário atual também parece mais grave. Trump está mais belicoso, Assad praticamente recuperou todo o poder de antes e Vladimir Putin, o grande suporte do ditador sírio, está mais forte. E agora os americanos contaram com o apoio de ingleses e franceses. O fato é que, até o momento, ninguém sabe até onde vai a atual retaliação.

A maior dúvida — e temor — é se essa frente pode desencadear uma guerra nos moldes da Guerra Fria, onde as duas potências mediam forças em “conflitos de terceiros”. Apesar de Trump ter dito que a ação militar poderia criar uma “campanha sustentada” para acabar com as armas químicas na Síria, seu secretário de Defesa deu o assunto por encerrado após ataques pontuais a instalações militares do país árabe, e tentou amenizar um pouco o tom com os russos. Mas um enfrentamento desta natureza não se resolve de um lado, apenas. As reações russa, síria e até iraniana (em menor medida, pois Teerã também apoia Damasco) podem abrir novos capítulos de acusações, ameaças e, potencialmente, mísseis. Agora cercado agora por assessores linha-dura, Trump parece não ter medo de ir à guerra.

Há muitas questões abertas sobre Moscou. A reação do Kremlin poderá ser a chave para esta crise. Atacando a Síria, Trump visa Vladimir Putin. Só que o presidente russo está mais forte que há um ano, após sua vitoriosa reeleição, e ainda mais acuado no cenário internacional, depois do episódio do envenenamento de um ex-espião no Reino Unido. E, acuado, Putin é capaz de tudo.

A atuação americana também se mostra tardia e carente de estratégia, o que amplia o grau de incertezas. Depois de fazer vistas grossas a Assad, que ultrapassou a “linha vermelha” estabelecida pelo ex-presidente Barack Obama, o governo americano deixou o sírio recuperar a força, tudo porque ele se mostrou eficiente contra o Estado Islâmico. O ataque americano a uma base síria há um ano, após um outro uso de armas químicas contra civis, foi apenas uma mensagem, mas sem poder de mudar o desenrolar da crise síria, como vimos até agora. Esta nova ação americana pode deixar o futuro do país novamente em aberto pois, os EUA indicam que não aceitarão armas químicas: e o mundo aceitará de volta ao cenário global o líder que promoveu tal atrocidade?

Hassan Ammar / AP
Disparo é visto no céu de Damasco: EUA lançam ataque 
contra a Síria em conjunto com Reino Unido e França 

Por fim, Trump, que já está em “guerra verbal” contra a China e em tratativas de um acordo com a Coreia do Norte, tem agora a real possibilidade de entrar em uma guerra pantanosa, perigosa e potencialmente com consequências globais, por mais que demonstre que gostaria de abandonar o abacaxi sírio. E isso, por incrível que pareça, pode fortalecê-lo. Americanos de todas as colorações partidárias criticam o uso de armas químicas contra crianças. E, em guerra e poderoso, Trump desvia a atenção de sua delicada situação interna com advogados alvos do FBI e ex-colaboradores denunciando sua tentativa de obstruir a Justiça. Da mesma forma, Theresa May pode obter um pouco de trégua em suas crises internas no Reino Unido e Emmanuel Macron, mais um palco para testar sua posição de líder global.

Assim como disse Michel Temer em relação à intervenção militar no Rio, Trump pode considerar a ação forte contra a Síria uma “jogada de mestre” para, de quebra, tirar do fogo a panela de pressão de seus problemas políticos e judiciais internos, que pioram a cada dia. O risco é a aposta sair errada, com consequências que podem ir muito além do sofrido povo sírio, da força imperial de Putin e do mundo político de Washington. E sem mudar as perspectivas dos sírios que, seja por armas químicas ou convencionais, seguem morrendo.

França não irá tolerar 'a banalização do uso de armas químicas', diz Macron

O Estado de S.Paulo 

Presidente francês disse que ataque da coalizão ocidental é resposta após governo de Bashar Al-Assad cruzar 'linha vermelha'; Primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, diz que 'não havia alternativa' ao ataque

  Foto: Stefan Wermuth/Reuters
Presidente francês disse que ataque da coalizão ocidental é resposta 
após governo de Bashar Al-Assad cruzar “linha vermelha” 

PARIS – O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que a coalizão ocidental formada pelos Estados Unidos, França e Reino Unido não vai “tolerar a banalização do uso de armas químicas”. O comunicado foi publicado pelo Palácio do Eliseu no início da madrugada deste sábado, 14.

Segundo Macron, os ataques lançados na noite de sexta-feira, 13, “miravam as instalações do regime sírio que permitem a produção e o uso de armas químicas”. Segundo ele, os fatos “não dão margem à dúvida” da responsabilidade do governo de Bashar Al-Assad em um suposto ataque químico contra a cidade de Duma, último reduto rebelde nos arredores da capital síria, Damasco. 

 “A linha vermelha estabelecida pela França em maio de 2017 foi cruzada”, escreveu Macron ao justificar a aliança feita com os Estados Unidos e Reino Unido para o ataque. 

o presidente francês, os países ocidentais vão retomar as conversas diplomáticas na Organização das Nações Unidas (ONU) neste sábado, 14.

 “A França e seus aliados retomarão, ainda hoje, seus esforços nas Nações Unidos para permitir a instauração de um mecanismo internacional para verificar as responsabilidades, prevenir a impunidade e impedir qualquer nova reincidência do governo sírio”, afirmou Macron.

O presidente francês disse que as prioridades da França são acabar com as frentes do Estado Islâmico na Síria, permitir o acesso à ajuda humanitária na região e estabelecer uma resolução pacífica do conflito. “Perseguiremos essas prioridades com determinação nos próximos dias e semanas.”

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, divulgou comunicado no qual afirma que “não havia alternativa viável além do ataque” para impedir o uso de armas químicas por parte do regime de Bashar Al-Assad.   

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May

Na semana passada, um suposto ataque com gás tóxico contra a cidade de Duma, nos arredores de Damasco, provocou dezenas de mortos. Os países ocidentais culpam o governo sírio e seus aliados, Rússia e Irã, de estarem por trás dos ataques.

 “Nós buscamos todas as possibilidades diplomáticas possíveis, mas nossos esforços foram repetidamente em vão”, diz May, mencionando as reuniões do Conselho de Segurança da ONU realizadas durante a semana. Em uma das tratativas, a Rússia vetou uma proposta de resolução para investigar o suposto ataque químico. “Por isso, não havia alternativa viável além do ataque para impedir o uso de armas químicas pelo regime sírio.”

Segundo May, a retaliação dos países ocidentais não busca deter o regime sírio, mas “mandar um sinal a todos que acreditam que podem usar armas químicas com impunidades”.

A primeira-ministra britânica disse ainda que o ataque contra Duma não “deveria surpreender ninguém”, pois “o regime sírio tem um histórico de uso de armas químicas contra o seu próprio povo”.

 “Esse padrão de comportamento precisa ser impedido”, afirmou May. “Não apenas para proteger as pessoas inocentes da Síria das terríveis mortes causadas por armas químicas, como também para impedir violações às leis internacionais que previnem o uso dessas armas.”

Bombardeios de EUA, Reino Unido e França atingiram três alvos na Síria

João Pedroso de Campos, Solly Boussidan
Veja online

Secretário de Defesa e chefe do Estado-Maior americano informaram que alvos dos ataques foram unidades de armazenamento e pesquisa de armas químicas

(Hassan Ammar/AP)
Rastro de fogo no céu de Damasco durante
 ataque americano, francês e britânico à Síria 

Os bombardeios ordenados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em conjunto com a França e o Reino Unido na noite desta sexta-feira (13) miraram três alvos na Síria. Segundo informações de autoridades militares dos EUA, os ataques atingiram um centro de pesquisa científica com uma pista de decolagem de aviação localizado em Damasco, capital síria, uma instalação de armazenamento de armas químicas em Homs, onde supostamente estaria a reserva de gás Sarin do regime do ditador Bashar al-Assad, e outra instalação próxima e com a mesma função, que continha também um posto de comando da Guarda Revolucionária da Síria.

As informações sobre o ataque  foram anunciadas pelo Secretário de Defesa americano, Jim Mattis, e pelo chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, general Joseph Dunford, em pronunciamento após o fim do bombardeios. A ofensiva dos EUA e de seus aliados são uma resposta aos supostos ataques do regime sírio com armas químicas contra a população do país, que deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos em Duma, nas proximidades de Damasco, no último sábado (7).

Conforme Jim Mattis, os “Estados Unidos têm grande certeza que os Sírios usaram gás cloro nos ataques do fim de semana em Duma”. O Secretário de Defesa também não excluiu a possibilidade de ter sido empregado gás Sarin simultaneamente.

Segundo Mattis e Dunford, aviões pilotados foram utilizados nas operações. A Síria reagiu inicialmente com mísseis terra-ar para tentar conter os mísseis e uma TV local veiculou a informação de que 13 mísseis Tomahawk foram contidos, informação que não foi confirmada no pronunciamento das autoridades americanas.

Jim Mattis afirmou que não houve, até o momento, relato sobre perdas de unidades americanas e aliadas. O Secretário de Defesa classificou a ofensiva como “uma oportunidade única e uma forte mensagem para dissuadir Assad”.

Em meio à tensão entre Estados Unidos e Rússia, apoiadora do regime de Assad, o general Joseph Dunford destacou que os ataques tiveram o “máximo cuidado para não atingir tropas ou alvos russos e evitar a morte de civis”. Não houve, por outro lado, de acordo com Mattis e Dunford, qualquer coordenação ou notificação à Rússia sobre os bombardeios, que empregaram aproximadamente o dobro do armamento utilizado nos ataques americanos à Síria em 2017. A plataforma antiaérea utilizada pelos sírios na contenção de bombardeios como o de hoje, por outro lado, foi construída pelos russos no ano passado.

Por meio da agência Sputnik, a Rússia classificou os ataques de hoje como um “ato de agressão”. Já o embaixador russo nos Estados Unidos, Anatoly Antonov, disse em comunicado que “as piores apreensões se tornaram realidade. Nossos alertas não foram ouvidos. Um cenário premeditado está sendo implementado. Novamente, estamos sendo ameaçados. Advertimos que tais ações não serão deixadas sem consequências”.

Em comunicado divulgado após os bombardeios, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que “não podemos tolerar a banalização do uso de armas químicas”. Macron diz que “não há nenhuma dúvida” sobre “os fatos e a responsabilidade do regime sírio” no ataque químico em Duma. A maior parte das evidências sobre a participação do regime sírio no ataque teria sido reunida pela inteligência francesa.

Já a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, declarou em pronunciamento que “o ataque não tem a intenção de mudar o regime na Síria, mas de servir de dissuasão para o futuro uso de armas químicas – na Síria, nas ruas do Reino Unido, ou onde quer que seja”.

Bombardeio na Síria ‘terá consequências’, afirma embaixador russo

Veja online 
Com informações Agência r EFE

Anatoly Antonov diz que 'toda a responsabilidade recai em Washington, Londres e Paris'. Russos apoiam regime do ditador sírio Bashar al-Assad

(Max Rossi/Reuters)
O embaixador da Rússia em Washington, Anatoly Antonov 

O ataque lançado nesta sexta-feira (13) contra a Síria pelas forças armadas de Estados Unidos, Reino Unido e França “não ficará sem consequências”, advertiu o embaixador da Rússia em Washington, Anatoly Antonov. O governo russo do presidente Vladimir Putin apoia o regime do ditador sírio, Bashar al-Assad.

“Os piores presságios foram cumpridos, eles não escutaram nossas advertências e voltaram a nos ameaçar. Tínhamos advertido que estas ações não ficariam sem consequências. Toda a responsabilidade recai em Washington, Londres e Paris”, disse Antonov, em uma declaração oficial divulgada pela Embaixada.

Os bombardeios dos EUA e de seus aliados foram uma resposta aos supostos ataques do regime sírio com armas químicas contra a população do país, que deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos em Duma, nas proximidades da capital síria, Damasco, no último sábado (7).

Em meio à tensão entre Estados Unidos e Rússia, o general Joseph Dunford, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, destacou que os ataques tiveram o “máximo cuidado para não atingir tropas ou alvos russos e evitar a morte de civis”.

Não houve, por outro lado, de acordo com Dunford e o Secretário de Defesa americano, Jim Mattis, qualquer coordenação ou notificação à Rússia sobre os bombardeios, que empregaram aproximadamente o dobro do armamento utilizado nos ataques americanos à Síria em 2017. A plataforma antiaérea utilizada pelos sírios na contenção de bombardeios como o de hoje, por outro lado, foi construída pelos russos no ano passado.

E OS MISSEIS CHEGARAM: EUA, Reino Unido e França atacam Síria em retaliação a suposto uso de armas químicas por Assad

BBC Brasil

O presidente americano Donald Trump anunciou, na noite desta sexta-feira, que aprovou bombardeios dos EUA contra instalações que produzem armas químicas na Síria, com o apoio do Reino Unido e da França.

 Direito de imagem EPA Image caption
Aliados atacam Síria

A operação é uma resposta às evidências de um ataque químico na cidade síria de Douma, na semana passada. EUA e aliados denunciam que o ataque teria sido protagonizado pelo regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, que por sua vez nega tal participação.

"Uma operação combinada com as forças armadas da França e do Reino Unido está em andamento", disse o presidente Trump em discurso em rede nacional.

As forças armadas dos três países bombardearam múltiplos alvos governamentais durante a operação.

 Direito de imagem REUTERS Image caption
Em pronunciamento, Trump anunciou novos ataques
 à Síria em conjunto com França e Reino Unido

Segundo o Pentágono, foram atingidos um centro de pesquisas científicas em Damasco, que seria ligado à produção armas químicas e biológicas, um local de armazenamento de armas químicas a oeste de Homs e outro armazém que também funcionava como importante posto de comando, na mesma região.

A televisão estatal síria informou que as forças do governo derrubaram mais de uma dúzia de mísseis.
Rússia se diz ameaçada

Segundo o secretário de Defesa dos EUA, James Mattis, a primeira leva de bombardeios foi finalizada "sem perdas".

"Estamos preparados para sustentar essa resposta até que o regime sírio deixe de usar agentes químicos proibidos", disse o presidente Trump, mais cedo.

A primeira-ministra Theresa May confirmou o envolvimento britânico, dizendo que "não havia alternativa prática ao uso da força".

May também afirmou que os ataques não almejam uma "mudança de regime" na Síria.

Principal aliado do regime sírio, a Rússia divulgou comunicado assinado pelo embaixador nos Estados Unidos, Anatoly Antonov.

"Novamente, estamos sendo ameaçados. Nós já avisamos que ações como esta não ficarão sem consequências. Toda a responsabilidade por elas está com Washington, Londres e Paris."

'Guerra'

 Direito de imagem REUTERS Image caption
Criança é lavada na tentativa de eliminar traços de supostos
 agentes químicos após ataque na cidade de Douma

Os ataques foram aprovados contra "alvos associados a instalações de (produção de) armas químicas" do governo sírio, segundo Trump.

O presidente americano afirmou que o propósito é "dificultar a produção, disseminação e uso de armas químicas".

"Estas não são ações de um homem, são os crimes de um monstro", disse Trump sobre o presidente sírio Bashar al-Assad.

A Síria negou envolvimento com o ataque químico e a Rússia, sua aliada, alertou que ataques militares do ocidente corriam o risco de dar início a uma guerra.


'Mísseis chegarão'; Trump avisa Rússia que Síria será alvo após ataque químico

O Estado de S.Paulo

Porta-voz do Ministério russo das Relações Exteriores disse que 'mísseis inteligentes devem voar na direção de terroristas e não de um governo legítimo'; para Damasco, ameaças do republicano são uma 'escalada perigosa'

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu nesta quarta-feira, 11, a Rússia sobre seu apoio ao regime do líder sírio, Bashar Assad, e declarou que “os mísseis chegarão” à Síria em resposta ao suposto ataque químico no país.

  Foto: Doug Mills/The New York Times
Donald Trump declarou que “os mísseis chegarão” à Síria 
em resposta ao suposto ataque químico no país 

"A Rússia promete abater todos os mísseis que sejam disparados contra a Síria. Prepare-se Rússia, porque eles chegarão lindos, novos e 'inteligentes'! Vocês não deveriam ser parceiros de um animal assassino com gás que mata seu povo e se diverte", escreveu Trump em sua conta no Twitter.

A Síria considerou como uma "escalada perigosa" as ameaças de Trump contra o seu território, segundo a agência oficial de notícias Sana. "Não estamos surpresos com essa escalada perigosa de um regime como os EUA, que patrocinou e ainda patrocina o terrorismo na Síria", disse uma fonte do Ministério russo das Relações Exteriores.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, respondeu no Facebook às ameaças de Trump e disse que "mísseis inteligentes devem voar na direção de terroristas e não do governo legítimo que tem combatido o terrorismo internacional em seu território por diversos anos".

A Rússia também insinuou que os ataques americanos contra o regime de Damasco podem servir para "apagar os vestígios das provocações" que os ocidentais denunciam como um ataque químico no reduto rebelde de Duma. "A ideia seria apagar rapidamente os vestígios das provocações mediante o lançamento de mísseis inteligentes e assim os investigadores não teriam nada a achar como provas", sugeriu Maria Zakharova.

Ela ainda desaconselhou qualquer ação na Síria que possa "desestabilizar a já frágil situação da região", após as ameaças das potências ocidentais de bombardear alvos sírios em resposta ao suposto ataque com armas químicas. 

"Como antes, esperamos que todas as partes evitem qualquer ação, que em nenhum caso seria justificável e poderia desestabilizar a já frágil situação da região", afirmou Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin. "A situação atual é muito tensa." 

As potências ocidentais, lideradas pelos EUA, ameaçam com uma resposta militar iminente o regime de Assad após um suposto ataque químico contra Duma. O governo sírio, assim como a Rússia, nega a ação. 

Na terça-feira, a Rússia vetou no Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução dos EUA que pretendia criar um mecanismo de investigação independente sobre o recurso de armas químicas na Síria.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, lamentou o bloqueio de Moscou, embora tenha evitado se pronunciar sobre se apoiará uma eventual reação conjunta de Washington e Paris. "É lamentável essa resolução não ter prosperado", afirmou ela, sobre um texto que propunha a criação de um mecanismo de investigação com analistas da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ). 

Com Agências AFP e REUTERS



Rússia veta proposta dos EUA para investigar ataques químicos na Síria

 Da redação
Veja online

Estados Unidos e outras potências consideram tomar medidas militares contra o ataque de sábado

(Syrian Civil Defense White Helmets/AP) 
Imagem divulgada pelos Capacetes Brancos da Defesa Civil Síria, 
mostra uma criança sendo resgatada após um ataque de armas
 químicas na cidade de Douma, perto de Damasco, na Síria 

A Rússia vetou nesta terça-feira uma proposta de resolução do Conselho de Segurança da ONU para criar um novo inquérito investigando responsabilidades por ataques com armas químicas na Síria.

Doze membros do conselho votaram a favor, enquanto a Bolívia se juntou à Rússia na negativa, e a China se absteve. Para ser aprovada, uma resolução precisa de nove votos a favor e nenhum veto de Rússia, China, França, Reino Unidos ou Estados Unidos.

“Esta resolução é o mínimo que o conselho pode fazer para responder ao ataque”, disse a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, ao conselho antes da votação, referindo-se aos relatos de um ataque venenoso em Duma, na Síria.

(White Helmets/Reuters) 
Criança chora enquanto recebe tratamento
 após ataque de armas químicas, em Douma, na Síria 

Os Estados Unidos e outras potências ocidentais consideram tomar medidas militares contra o ataque de sábado.

A Rússia propôs hoje outras duas resoluções, a primeira para a criação de um mecanismo de investigação diferente, e a segunda para apoiar que especialistas da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) analisem o ocorrido em Duma.

A Opaq aceitou participar da análise e “pediu à República Árabe Síria que faça os ajustes necessários para esse deslocamento”, acrescentando que “a equipe se prepara para se deslocar para a Síria em breve”.

A Syrian-American Medical Society (Sams) e a Defesa Civil da Síria, duas organizações não governamentais apoiadas pelos Estados Unidos, asseguraram que pelo menos 42 pessoas morreram no sábado com sintomas de um ataque com substâncias tóxicas.

Nenhuma outra fonte confirmou se tratar de um bombardeio com armamento químico e tanto o governo sírio como a Rússia, aliada do regime do ditador Bashar Assad, negaram o emprego deste tipo de armas em Duma.

(Com agências EFE e Reuters)

EUA pede ação da ONU após suposto ataque químico na Síria

Revista ISTOÉ
Com informações Agência AFP

AFP
A embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, em 9 de abril de 2018
 durante reunião de emergência no Conselho de Segurança.  

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, exortou nesta segunda-feira o Conselho de Segurança a agir após o último suposto ataque químico na Síria, advertindo que Washington está preparado para responder.

A Rússia declarou que um ataque militar americano contra a Síria teria “graves consequências” e destacou que não está provado o uso de cloro ou gás sarin no bombardeio ocorrido na sexta-feira passada.

 “Chegou o momento de o mundo ver que está se fazendo justiça”, disse Haley durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, em Nova York.

Grã-Bretanha, França, Estados Unidos e outros seis países solicitaram a reunião de emergência após o suposto uso de gases tóxicos, na sexta-feira, contra o bastião rebelde de Duma, onde 40 pessoas morreram.

“A história registrará isto como o momento em que o Conselho de Segurança cumpriu seu dever ou demonstrou seu completo e absoluto fracasso em proteger o povo sírio”, declarou Haley. “De qualquer maneira, os Estados Unidos reagirão a isto”.

O embaixador russo no Conselho, Vassily Nebenzia, revelou que Moscou já advertiu os Estados Unidos para não colocar em risco as forças russas estacionadas na Síria.

“O uso da força sob um pretexto mentiroso contra a Síria, onde, a pedido do governo legítimo do país, estão tropas russas, poderá ter graves repercussões”, declarou Nebenzia.

O diplomata russo destacou que o projeto de resolução proposto pelos Estados Unidos ao Conselho traz “elementos inaceitáveis” que vão apenas piorar a situação.

“Tenho medo de que estejam procurando, acima de tudo, uma opção militar, que é muito perigosa”.

Especialistas russos na Síria não encontraram evidências do uso de gás sarin ou cloro, afirmou Nebenzia, que ofereceu assistência russa e síria para permitir o acesso de membros da Organização para a Proibição de Armas Químicas a Duma.

Nebenzia acusou as potências ocidentais de perseguir uma “política de confrontação” com o emprego de “calúnias, insultos, retórica agressiva, chantagens, sanções e ameaças do uso da força”.

Durante o dia, o presidente americano, Donald Trump, declarou que “decisões importantes” serão adotadas nas “próximas 24 ou 48 horas”, enquanto o secretário da Defesa, Jim Mattis, não descartava uma ação militar.

Segundo Haley, os Estados Unidos estão decididos a “fazer o monstro que atacou com armas químicas um povoado sírio a prestar contas”.

Ataque químico afetou 500 pessoas na Síria, diz OMS

Jamil Chade, correspondente / Genebra 
O Estado de S.Paulo 

Agência de Saúde da ONU afirmou que 'houve sinal de severa irritação de membranas mucosas, falta de ar e impacto no sistema nervoso central daqueles expostos'

  Foto: EFE/EPA/YOUSSEF BADAWI
OMS alertou em um comunicado que é obrigação de todas as partes
 de um conflito evitar ataques a hospitais e médicos 

GENEBRA - A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 500 pessoas foram afetadas por agentes químicos na cidade síria de Duma, em Ghouta Oriental. Desses, 70 morreram. Os dados são os primeiros apresentados por uma entidade internacional desde que, no fim de semana, o suposto ataque químico na Síria reabriu o debate internacional sobre a possibilidade de uma intervenção militar americana no país que já entra em seu sétimo ano de guerra civil.

Em um comunicado emitido nesta manhã em Genebra, a OMS afirma estar "profundamente alarmada diante dos relatos do uso de agentes tóxicos em Duma". No sábado, o cálculo oficial da entidade é de que 500 pacientes se apresentaram aos serviços médicos da região com sinais ou sintomas consistentes de "exposição à químicos tóxicos". "Em especial, houve sinal de severa irritação de membranas mucosas, falta de ar e impacto no sistema nervoso central daqueles expostos", disse.

A constatação da OMS também ressalta que mais de 70 pessoas morreram nos ataques, mesmo estando em porões. "43 deles tiveram sintomas consistentes de exposição a químicos altamente tóxicos", disseram. Dois centros de atendimentos de saúde também foram alvos de ataques.

No comunicado, a OMS alertou que é obrigação de todas as partes de um conflito evitar ataques a hospitais e médicos. A entidade também reforçou que o uso de armas químicas é "ilegal sob o direito internacional".

"Precisamos estar indignados diante das imagens horríveis de Duma", disse Peter Salama, vice-diretor da OMS e responsável por operações de emergência. "A OMS pede acesso imediato às áreas afetadas para garantir atendimento às vítimas, avaliar o impacto para a saúde e desenvolver uma resposta ampla no setor de saúde", afirmou.

Desde 2012, porém, a OMS aponta que diversos casos de ataques químicos já foram registrados na Síria. Por isso, a entidade mantém no país estoques de antídotos para a distribuição em hospitais. Nos últimos anos, ela treinou 800 médicos para lidar com esse tipo de ataque.

Síria presidirá Conferência de Desarmamento da ONU em maio, diz ONG. Só pode ser piada!

Exame.com
Com informações Agência  EFE

A ONG UN Watch alerta para a contradição em deixar a Síria presidir a reunião que elaborou o tratado que proíbe armas químicas

(White Helmets/Reuters/Reuters)
O uso de armas químicas pelo regime de Bashar al Assad é a violação 
mais grave da Convenção das Armas Químicas, disse a ONG UN Watch 

Genebra – A ONG UN Watch, que vigia as atividades da ONU, denunciou nesta segunda-feira que a Síria presidirá em maio a Conferência de Desarmamento da organização multilateral, o mesmo fórum que elaborou o tratado que proíbe as armas químicas.

A Conferência, que se reúne de maneira regular em Genebra e que conta com 65 países-membros, tem um sistema presidencial rotatório, e em maio passará para a Síria.

Este fórum também negociou o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares e a Convenção sobre as Armas Biológicas.

“O uso documentado de armas químicas por parte do regime de (o presidente da Síria) Bashar al Assad continua sendo a violação mais grave da Convenção das Armas Químicas nos seus 22 anos de história”, disse o diretor-executivo da UN Watch, Hillel Neuer, em comunicado.

“Pedimos à ONU para entender que, em um momento no qual a Síria está lançando gás a seus próprios homens, mulheres e crianças até a morte, o fato de a Síria presidir o fórum mundial que deve proteger estas vítimas é um choque para a consciência da humanidade”, acrescentou.

A ONG pediu aos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e a todos os demais países e Estados observadores que não compareçam a nenhuma reunião presidida pela Síria.

A UN Watch lembrou que os representantes americano e canadense fizeram isso quando o Irã presidiu a Conferência de Desarmamento em 2013, e exigiu que este gesto seja repetido.

Sob as normas da ONU, o embaixador sírio na Conferência, Hussam Edin Aala, ajudará a organizar o trabalho deste órgão e estará presente na hora de fixar a agenda.

A Síria exercerá entre 28 de maio e 24 de junho todas as funções de um presidente de um fórum e representará a Conferência em suas relações com países, a Assembleia-Geral e outros órgãos da ONU, bem como perante outras organizações internacionais, lembra a ONG.

A UN Watch considera que isto “compromete gravemente a credibilidade das Nações Unidas e enviará a pior das mensagens” ao mundo, disse Neuer.