terça-feira, julho 31, 2007

Amazônia: conservação ou colonialismo?

Larry Rohter, The New York Times

Dependendo do ponto de vista, o apoio financeiro à reserva natural no Rio Negro por parte do World Wildlife Fund pode ser tanto uma tentativa louvável para conservar a floresta amazônica – quanto o ponto de partida de um plano infame por parte de grupos ambientalistas estrangeiros para usurpar o controle do Brasil sobre a maior floresta tropical do mundo e passá-lo para o controle internacional. Em 2003, depois de assinar um acordo com a WWF e o Banco Mundial, o governo brasileiro criou o programa de Áreas Protegidas da Região Amazônica. Desde então, um grande número de parques nacionais e reservas cobrindo uma área maior do que a de Nova York, Nova Jersey e Connecticut juntos foram incorporados ao programa e receberam uma infusão de novos fundos.

O objetivo do programa é montar um “um sistema central para ancorar a proteção à biodiversidade da Amazônia”, disse Matthew Perl, o coordenador da WWF na Amazônia, em junho, numa visita à área, um arquipélago de 400 ilhas esparsamente povoado ao nordeste de Manaus. “É parte da estratégia ganhar tempo, elevar cada área protegida a certos padrões de administração e captar recursos para o monitoramento e fiscalização”.

Mas esse esforço levantou suspeitas por parte de poderosos grupos políticos e econômicos brasileiros que querem integrar a Amazônia na economia do país através de represas, projetos de mineração, estradas, portos, extração de madeira e exportação agrícola.

“Essa é uma nova forma de colonialismo, uma conspiração aberta em que os interesses econômicos e financeiros agem através de organizações não governamentais”, diz Lorenzo Carrasco, editor e co-autor de “A Máfia Verde”, um polêmico documento antiambientalista de vasta circulação. “É evidente que esses interesses querem bloquear o desenvolvimento do Brasil e da região amazônica com a criação e o controle dessas reservas, que são todas cheias de minerais e de outros valiosos recursos naturais”.

Visões como essa são amplamente sustentadas no Brasil, independentemente de classe social ou regionalismo. Numa pesquisa feita com 2 mil pessoas em 143 cidades feita pelo principal instituto de pesquisa do Brasil, o Ibope, 75% dos entrevistados disseram que as riquezas naturais do Brasil poderiam provocar uma invasão estrangeira, e quase três entre cinco pessoas desconfiavam das atividades de grupos ambientalistas.

Vencer a batalha pela opinião pública no Brasil é crucial para qualquer esforço global de preservação do meio ambiente e, conseqüentemente, para controlar a mudança climática. O Brasil é o quarto maior produtor de gases responsáveis pelo efeito estufa; mais de três quartos dessas emissões vêm do desmatamento, e a maior parte vem da Amazônia.

Mas a noção de que os estrangeiros cobiçam a Amazônia vem há tempos sendo divulgada no Brasil, alimentada em parte pela ansiedade causada pelo tênue controle que o governo central exerce sobre a região. Essa preocupação foi exacerbada nos últimos anos pela Internet, que tornou-se cenário de documentos e declarações fabricados para convencer os brasileiros de que sua soberania está em risco.

O exemplo mais notório é um mapa reproduzido em larga escala supostamente usado em livros de geografia de escolas americanas. Cheio de erros de ortografia e sintaxe comuns aos nativos de línguas latinas como o Português, mostra a Amazônia como uma “reserva internacional”, e descreve os brasileiros como “macacos” incapazes de administrar a floresta tropical.

Outro documento falso diz que tanto o presidente Bush quanto Al Gore fizeram discursos durante a campanha presidencial de 2000 a favor de tomar a Amazônia à força do Brasil. Em determinado ponto, o documento cita um fictício general americano, que comanda um departamento que o Pentágono afirma não existir, dizendo: “No caso de o Brasil decidir usar a Amazônia de forma que coloque o meio-ambiente dos Estados Unidos em risco, devemos estar prontos para interromper esse processo imediatamente.”

Desde que a guerra do Iraque começou, acusações de planos militares dos EUA na Amazônia são freqüentemente levantadas para difamar os ambientalistas e suas queixas quanto à política do governo. Em audiências realizadas no ano passado para discutir uma possível represa no rio Madeira, os proponentes distribuíram um mapa mostrando supostos “centros de operação avançados” dos EUA na região, destinados a impedir o desenvolvimento do Brasil, incluindo bases militares e conselheiros na Bolívia e na Venezuela, dois países que não são exatamente simpatizantes da administração Bush.

Parte do material que circulou foi elaborado por grupos nacionalistas de direita favoráveis à ditadura militar que governou o Brasil de 1964 a 1985. Mas numa situação inusitada em que antigos adversários concordam, as organizações na extrema esquerda – até mesmo no Partido dos Trabalhadores do governo – também adotaram a noção de que existe um plano estrangeiro para tomar a Amazônia, assim como alguns segmentos militares na ativa.

“Tudo indica que as questões indígena e ambientalista são meros pretextos”, disse um relatório de inteligência militar recente, que foi enviado ao New York Times por um brasileiro que recebeu uma cópia e se mostrou preocupado com o ponto de vista expresso. “As principais ONGs são, na realidade, peças no grande quebra-cabeças em que os poderes hegemônicos estão engajados para manter e aumentar sua dominação. Certamente, elas servem de cobertura para esses serviços secretos.”

Na realidade, diz Perl, coordenador da WWF, sua organização espera simplesmente criar um cinturão ao redor da reserva natural através da criação de um grande “Bloco de Conservação do Rio Negro”. Ele disse que a idéia é proteger a reserva ajudando as reservas indígenas existentes, parques estaduais e reservas naturais ao longo das margens do rio para operar mais efetivamente. Em 2012, disse Perl, sua organização e parceiros esperam colocar uma área maior que a Califórnia dentro do programa. Foi criado um fundo administrado por uma fundação brasileira que espera levantar 390 milhões de dólares e inclui doações do governo alemão entre outros.

Em meados dos anos 90, parte da área ao redor do arquipélago foi de fato declarada um parque estadual. Mas pouco foi feito para efetivar o decreto, e desde então o Ministério de Reforma Agrária do governo federal colocou 700 famílias de agricultores sem-terra no local e a marinha brasileira, soldados e a polícia montaram centros de treinamento na área protegida.

“Existem camadas e camadas de queixas, planos e mais planos, então essa área se tornou uma área de conflito”, diz Thiago Mota Cardoso, que monitora o parque para o Instituto de Pesquisas Ecológicas, um dos parceiros regionais da WWF. “É irônico que esse território pertença ao governo federal, e que ele não faça nada”.

O coração parou de sangrar

Augusto Nunes, Sete Dias, Jornal do Brasil

O candidato sem patrocínio embarcava em qualquer teco-teco com a naturalidade do metalúrgico a caminho de um comício em São Bernardo. O favorito da campanha de 2002 exibia, a bordo de jatinhos, a alegria do garoto no cockpit de um monomotor de parque infantil. O presidente da República ainda nem havia decorado o número do seu telefone no Planalto quando mandou a Aeronáutica providenciar um avião só para ele.

Em janeiro de 2005, foi apresentado à imprensa o Airbus-319 novinho em folha, comprado por US$ 56 milhões. "Um bom negócio", garantiu o brigadeiro Luiz Carlos Bueno, então comandante da Aeronáutica, amparado numa penca de argumentos. Nos 30 anos seguintes, por exemplo, os presidentes da República poderiam viajar em segurança.

Com menos de três anos de vida, o Aerolula poupa os passageiros de quaisquer sustos, solavancos ou sobressaltos. É pilotado por craques escolhidos no grupo de elite da FAB. É monitorado por uma equipe especial de controladores de vôo. Decola e pousa só em pistas longas (e com ranhuras).

A milhagem acumulada em pouco mais de dois anos informa que Lula adora voar. Marisa Letícia, a Primeira Passageira, não precisa acordá-lo com palavras melosas para evitar que o maridão desista do embarque e fique em casa de cuecão. Lula acorda sozinho. Às vezes, nem dorme.

Na quarta-feira, ao festejar no Planalto a troca de Waldir Pires por Nelson Jobim, o homem que não resiste a uma decolagem desconcertou a platéia com a revelação: tem medo de voar. "Depois que o avião fecha a porta, entrego minha sorte a Deus", jurou no meio do improviso.

Até setembro passado, só dizia isso gente que desce ao inferno quando sobe aos céus. Depois de mais de nove meses de apagão, a frase que identificava portadores de fobias hoje identifica portadores de bilhetes da TAM ou da Gol, ambas com vaga garantida nas listas das 10 piores do planeta.

Livre de fobias do gênero, dispensado de embarcar nos sucatões transformados em paus-de-arara dos ares, por que o presidente ambulante dissera aquilo? "Para que a gente tenha momentos de descontração, para tornar a vida, eu diria, menos sofrível", explicou Lula no fim do discurso. Era brincadeira.
Um dos muitos chistes encaixados no falatório. Disse que escolhera Jobim para restabelecer a paz doméstica. "Ele estava em casa sem fazer nada, atrapalhando a esposa", sorriu o orador. E decidira devolver Waldir Pires ao lar para proporcionar um merecido descanso ao companheiro octogenário. Cinco dias depois da dramática revelação, o coração de Lula parara de sangrar.
Sangrando continuam os corações devastados pela tragédia em Congonhas. Enquanto Lula se divertia, Carmen Gomes esperava, no IML de São Paulo, a identificação do que restou da mãe, Maria Elisabete Caballero, e das filhas Júlia Elizabete (14 anos) e Maria Isabel (10). Acabara de entregar aos legistas dentes que guardara como lembrança das meninas. Dentes-de-leite.

Cabôco Perguntadô
A deserção de dois pugilistas cubanos que estavam no Rio para o Pan-2007 deixou o Cabôco tão desconcertado quanto Fidel Castro. Se a ilha do Comandante é uma sucursal caribenha do paraíso, como aprendeu na infância com o tio comunista, por que todo mundo sempre foge de lá, nunca para lá? Por que os mais ferozes revolucionários não vão viver em Cuba nem depois de aposentados? Como Fidel anda sem saúde para isso, o Cabôco vai pedir ao companheiro José Dirceu que decifre o mistério.

Rebanho disciplinado
Os intelectuais governistas seguem contemplando em estrepitoso silêncio a greve de funcionários federais que, há vários meses, paralisou quase inteiramente o território administrado pelo Ministério da Cultura. Museus fechados, bibliotecas em frangalhos, projetos mortos por falta de verbas, um ministro que só abre a boca para cantar - nada disso mereceu um único pio dos pensadores federais. Decerto não querem ser confundidos com reacionários, como explica o estrategista político Luiz Fernando Verissimo.

Um silêncio estrepitoso
O brigadeiro Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, sempre foi de poucas palavras. Encurtou o vocabulário no momento da explosão em Congonhas. E desaprendeu a juntar vogais e consoantes no dia em que entregou medalhas de honra ao mérito, "por bons serviços prestados à aviação civil", ao presidente da Anac, Milton Zuanazzi, e a três diretores da agência fantasma. Agora, Saito só abre a boca para engolir medalhas devolvidas por gente avessa a más companhias.Faz sentido. Melhor perder a voz que o emprego.

A arremetida do brigadeiro
Pelo que disse ou deixou de dizer, pelo que fez ou deixou de fazer, o brigadeiro José Carlos Pereira é incapaz de presidir uma associação de empinadores de pipas. Como isto é o Brasil, comanda simultaneamente a Infraero e a esquadrilha dos aeroloucos do apagão. "Os mortos são nossos!", tentou arremeter o brigadeiro, pronto para bombardear a associação internacional de pilotos. Derrapou na pista.

Gente que ajuda a matar não tem direito nenhum sobre as vítimas. Só tem direito a um julgamento justo.

Yolhesman Crisbelles
O campeão da semana é o bom baiano Waldir Pires, tardiamente afastado do Ministério da Defesa, pela explicação oferecida para as críticas que desabaram sobre seu desempenho como gerente-geral do apagão aéreo:Os reacionários golpistas, inconformados com a reeleição do presidente Lula, estão usando a minha pessoa na tentativa de enfraquecê-lo, para depois derrubá-lo.Ainda bem que Waldir foi devolvido ao lar. O homem precisa de um descanso.

Jobim deu o mote para si mesmo: Faça ou vá embora

Josias de Souza
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A nomeação de Nelson Jobim foi a primeira boa notícia produzida pelo governo desde que estourou a encrenca aérea, há dez meses. Primeiro porque marcou o despertar de Lula para uma crise que o governo negava existir. Segundo porque Waldir Pires foi demitido. Terceiro porque o petista Paulo ‘Motim dos Sargentos’ Bernardo não foi nomeado. Quarto porque Jobim é, desde a criação do ministério da Defesa, o primeiro civil a reunir credenciais para apresentar-se aos comandantes das três Forças Armadas com a uma cara de chefe.

Sob Lula, a pasta da defesa vinha oscilando entre o impensável e o inaceitável. O diplomata José Viegas demitiu-se do cargo depois de dois vexames: a tentativa de reescrever a história justificando as atrocidades cometidas contra o jornalista Vladimir Herzog e o lero-lero acerca dos documentos sigilosos da guerrilha do Araguaia. Nessa matéria, inovou: disse que, além de o papelório em si, foram à fogueira até os registros da incineração foram à fogueira.

A “solução” José Alencar soou esdrúxula desde o nascedouro. Nunca na história desse país um presidente da República ousara nomear um ministro que, por parceiro de chapa, era indemissível. No princípio, os militares enxergaram no vice-presidente a chance de abrir os cofres do Tesouro para os seus pleitos. Mas, assim como fazia com os queixumes do vice Alencar em relação aos juros, a equipe econômica continuou “escutando” a pregação do ministro Alencar com ouvidos moucos.

Com a saída de Alencar, Lula inaugurou uma brincadeira desnecessária. Achou que poderia entregar o comando das Forças Armadas a políticos cassados e militantes esquerdistas. Ensaiou a nomeação de Aldo Rebelo (PC do B-SP). Seria um prêmio de consolação à derrota na briga pela presidência da Câmara. Rebelo teve o bom-senso de dizer ‘não’.

Foi-se, então, de Waldir Pires. Em situação de normalidade, o ministro até poderia ter sido mantido na pasta, como um fantoche, até 2010. Mas sobreveio o caos aéreo. E a inapetência gerencial de Waldir, já entrado em anos, tornou-se evidente. No instante da demissão, o ministro encontrava-se em avançado estado de decomposição política. Não foi propriamente demitido. Apodreceu agarrado ao cargo.

Jobim assumiu falando grosso: “Quem manda é o ministro”. Uma boa declaração inaugural para alguém que se dispôs a chefiar um setor em que, fingindo falar a mesma língua, ninguém se entende. Acenou com a troca de comando na Infraero e com a reestruturação da Anac. Mira, com acerto, em dois descalabros que têm nome e sobrenome. Chamam-se Lula da Silva, o personagem que os criou, com a omissão cúmplice até dos partidos de oposição.

A força do “maestro” Jobim será medida, sobretudo, pelo ritmo que ele for capaz de imprimir à orquestra da Aeronáutica. Está claro, límpido como água de bica, que o aerocaos não nasceu em setembro de 2006, quando o jatinho Legacy pôs abaixo o Boeing da Gol. O acidente apenas transformou em notícia um descontrole que, dadas as proporções que assumiu, vinha sendo construído há décadas. Ainda que o brigadeiro Juniti Saito faça cara feia, é preciso lançar um facho de luz nos porões do sistema aéreo brasileiro. Uma providência que pode avariar a tese da infalibilidade da FAB, tratada como um dogma.

Por ora, Jobim sobrevoa o noticiário com ares de reconstrutor. A julgar pela atmosfera de caos que o circunda, matéria-prima para o renascimento não lhe faltará. Resta pôr mãos à obra. É como diz o próprio ministro: "Aja ou saia. Faça ou vá embora". Para além da devolução do sossego dos usuários de avião, o que está em jogo é a sobrevivência de uma boa idéia: o ministério da Defesa, sob controle civil.

A fritura de Waldir na panela da Dilma

Vitor Hugo Soares, Blog do Noblat

Um suspiro de alívio sobe da arena onde até o começo da semana leões famintos mantinham encarniçada disputa para apontar culpados pela tragédia em Congonhas. Quinta-feira, o Jornal Nacional já falava de calmaria nos aeroportos. Nada se resolveu efetivamente: foi mais fácil um pacto de consenso sobre quem é a Geni desta história nebulosa: o baiano Waldir Pires, demitido e logo substituído pelo peemedebista Nelson Jobim. A fritura do ex-ministro culminou na reunião do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), a ser lembrada como um dos momentos mais perversos do poder na história da República.

Foi reforçado o azeite fabricado na panela da Casa Civil da ministra Dilma Rousseff para fritar o “companheiro” da Bahia, um dos mais honrados políticos brasileiros, como acentuou Lula em um de seus mais desastrados discursos. Bem mais cáustico que o utilizado para torrar o pernambucano Cristóvam Buarque, da Educação. Buarque foi expulso do ninho pelo telefone quando estava em Lisboa. Waldir teve de suportar em Brasília horas de massacre torturante, na reunião do Conac, antes de ser mandado “descansar” em casa.

Vida que segue, marcas que ficam, muitas ainda escondidas. Alguns atos dos bastidores, porém, começam a aflorar. Expõem a receita de humilhação aplicada antes do afastamento de Waldir, ex-consultor-geral da República do governo de João Goulart e desde o dia da posse tratado como estranho na Defesa. Apesar de não ser ele a autoridade aeronáutica de acordo com a Lei Complementar 97, que trata do Ministério da Defesa, quase todos tinham na boca ou nas mãos um impropério ou uma pedra para jogar em Waldir, que chegava ao novo posto vindo da Corregedoria-Geral da República, uma das áreas mais bem-sucedidas do governo petista.

A Aeronáutica, formalmente “subordinada” à Defesa, tem plena autonomia de gestão administrativa e financeira. Desse fato decorre a pergunta que não quer calar: como um órgão com tamanha autonomia pode estar subordinado a outro, principalmente em se tratando de assunto de caserna? É coisa para inglês ver, mas mexer aí é outra história. “Quem há-de?”, perguntaria o saudoso cronista baiano Sylvio Lamenha. Mais fácil mesmo é triturar o civil Waldir . Nisso as partes em confronto entraram logo em acordo. Sexta-feira da semana passada, na reunião do Conac, acuado com dedo em riste pela ministra Dilma Roussef, Waldir Pires foi jogado na panela fervente. Antes, enfrentou chacotas e risos a cada intervenção. De Dilama, do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e da arrogante advogada Denise Abreu – aquela do charuto na festa de casamento do filho de Leur Lomanto (diretor da Agência Nacional da Aviação Civil – Anac) em Salvador –, que o ex-ministro José Dirceu deixou como diretora jurídica da Agência. Presentes na sala, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, o comandante da Aeronáutica e convidados como o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, da Infraero, brigadeiro J. Carlos, entre outros.

Foi sessão de massacre e escárnio. Em confabulações jocosas com Denise Abreu, a chefe da Casa Civil – segundo olhos perplexos – parecia ávida em constranger ao máximo o seu colega em desgraça e companheiro de partido, provavelmente à espera de um pedido de demissão que não veio. Há quem tenha visto nos gritos de Dilma, um ritual de vingança também pela atitude de reprovação adotada por Waldir quando do passeio da ministra em companhia do governador Jaques Wagner no barco de Zuleido Veras, da empreiteira Gautama, pela Baía de Todos os Santos.

Na reunião para aprovar resolução já decidida antes dentro da Casa Civil com a participação dos mesmos ministros, foi deixada de lado a discussão do principal: de quem é a responsabilidade pela liberação do aeroporto de Congonhas? Pelos problemas das companhias aéreas, overbooking, passagens aéreas distribuídas entre a diretoria e tudo o mais que cabe à Anac e à Infraero cuidar, mas lavam as mãos nessa etapa crítica da aviação brasileira?

Sai o “legalista” e vem Jobim, gauchão valente, que, com floreios de retórica pampeira e uma visita a Congonhas, já deu um jeito nas coisas. Será? O novo ministro precisa domar o ego para não virar mais um daqueles gaúchos da poesia do pernambucano Ascenso Ferreira: “Riscando os cavalos!/ Tinindo as esporas/ Través das cochilhas!/ Saí dos meus pagos em louca arrancada./ Para quê?/ Pra nada.”

Lula, quem diria, ficou com medo

por Maria Lucia Victor Barbosa , Alerta Total
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O presidente da República disse na posse do novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que tem medo de viajar de avião. Algo muito humano, cuidadosamente escolhido para provocar empatia com os milhões de brasileiros que mais uma vez o assistiram pela TV. Afinal, quem não tem seus receios em alçar-se aos céus? Entretanto, Lula da Silva, que já bateu recordes em viagens nacionais e internacionais, pode dizer sem susto que avião é o meio de transporte mais seguro que existe. Não só pelo luxo do aparelho apelidado de Aerolula, que vive a transportá-lo e as suas comitivas, mas pelos cuidados especiais que, naturalmente, são dispensados às viagens de um presidente da República.

Contudo, Lula está com medo de muito mais. Pela primeira vez percebeu que o altar do culto da personalidade, que para ele foi construído, pode estar desmoronando. Acostumado aos auditórios compostos por convidados especiais que sempre o aplaudem ou riem do seu besteirol, aos comícios encomendados onde exercita sua ferve, mistura de repentista com animador de auditório, o presidente ficou extremamente chocado com as vaias recebidas no Maracanã. O horror foi tamanho que preferiu se esconder. Afinal, a festa de abertura do Pan deveria ser o palco iluminado a lhe conferir intenso brilho pontuado por aplausos estrondosos. No entanto, ficou ele pateticamente, ridiculamente, de microfone na mão. Foi calado pela sexta repetição das vaias de 90 mil gargantas.

Como a memória do povo é curta, certamente os propagandistas do presidente entenderam que bastaria armar alguns palcos artificiais para que o constrangimento fosse esquecido. A mídia se calara sobre o colapso aéreo, enfatizando apenas boas notícias. Mas eis que acontece outro acidente, pior do que o de setembro do ano passado do ponto de vista do número de mortos.

Com relação a primeira tragédia, muitos petistas chegaram a atribuir as manifestações que se avolumavam nos aeroportos por passageiros desesperados diante de vôos cancelados ou atrasados, aos chiliques da "elite branca". Um evidente atestado de que os adeptos e defensores de Lula da Silva não sabem que o significado de elite é produto de qualidade. Em todo caso, os marqueteiros reais estavam tranqüilos por considerar que a maioria que viaja de avião pertence à classe média. Como os pobres estão felizes com as bolsas-esmola e os ricos com os grandes lucros auferidos sob o governo de LILS, deduziu-se que as aflições dos "pequenos burgueses" não contavam. Estes servem para sustentar o luxo da "corte" com seus impostos e continuar a votar em Lula da Silva.

Entretanto, o segundo acidente impressionou os brasileiros de todos os recantos desse imenso país. Mostrado amplamente na televisão abalou não só as famílias das vítimas, mas até os que não são usuários do transporte aéreo. Surgiu também, pela primeira vez, a percepção de que o governo e sua figura maior, o presidente da República, tinham algo a ver com aquilo.

Então, mais Lula temeu e se escondeu. Somente três dias após a tragédia o presidente surgiu em cadeia de rádio e televisão para representar um ato em que tentou passar emoção, mas que falhou na conquista do público.

Antes o desgaste governamental ficara por conta da ministra do Turismo e ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, que como uma Maria Antonieta dos trópicos que mandasse dar brioche ao povo, aconselhou aos sofridos passageiros que se acumulavam nos aeroportos que relaxassem o gozassem. Após o acinte e em pleno clima de luto brasileiro assistiu-se aos gestos obscenos de Marco Aurélio Garcia, o chanceler de fato e vice-presidente o PT, e de seu assessor, a provar que o senhor Garcia está interessado apenas na continuidade do poder. Ele sabe que para isso deve preservar a imagem do chefe, garantia de privilégios e imunidades para todos os companheiros. Em que pese o apoio do seu partido, a demonstrar o modo de ser petista, o escárnio e a estupidez do assessor do presidente soou como mais uma bofetada no rosto dos brasileiros.

Como se não bastassem todas essas ofensas e condutas impróprias a detentores de cargos importantes, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, condecorou alguns companheiros da Anac, cujo descaso, despreparo e irresponsabilidade relativos ao colapso aéreo são visíveis.

Diante de todas as afrontas de seus auxiliares diretos o presidente, em vez de demiti-los, se escondeu. Ficou com medo de ir ao Sul e ao Sudeste e como um neo-coronel preferiu montar seu auditórios de ficção no nordeste. Não escapou, porém de vaias em Aracaju.

Lula trocou finalmente o ministro da Defesa. Pretende se escorar em Nelson Jobim, o ex-presidente do STF que julgava politicamente e não de acordo com a lei. Na posse do ministro Lula riu, fez os costumeiros gracejos à moda do Faustão, mas, quem diria, está com medo. Nem Regina Duarte poderia imaginar isso.

A justificativa

por Ralph Hofmann, site Diego Casagrande
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Emir Sader acaba de publicar um libelo justificando Lamarca, condenando que considere a ele e outros desertores e traidores, e de uma forma geral condenando o golpe de 1964 e as duas décadas que o seguiram.

Recentemente escrevi que não duvidava que a maioria das pessoas que pegaram em armas contra o golpe de 1964 fossem patriotas. Contudo efetivamente o país marchava naquele ano para uma anulação da democracia tal como ocorre hoje na Venezuela. Em tal caso, muitos dos que aderiram ao golpe de 1964 estariam nos maquis brasileiros, patriotas, lutando para derrubar uma reedição da tomada do poder por Hitler.

Hitler assumiu o governo legalmente, mesmo que eleito por uma minoria. Entrincheirado no poder levou o país a leis moralmente inaceitáveis, invadiu países vizinhos, massacrou os indefesos começando pelas pessoas com limitações físicas e psíquicas e passando para etnias inteiras ou religiões com que antipatizasse. Daí por que não podemos esquecer que a falta de prazer em governar de João Goulart, semelhante, mas em grau muito menor, ao desinteresse de Lula estava levando o país a um golpe vindo de cima. O Presidente havia desautorizado seus comandados ao tomar atitudes que não se entendem num primeiro mandatário. Parecia na realidade um líder de revolução instigando uma revolta.

Os tempos vieram a provar que os militares, se não estiveram certos em todos os momentos, e apesar de freqüentemente lançarem mão de expedientes a que a maioria de nós não desejaria jamais estar associados, haviam lido a situação corretamente. Eis que a vertente da qual participava Jango na sua inocência de homem decente guindado pelo Princípio de Peter a uma função acima de sua competência, que era essencialmente de ser um homem carismático somador de votos, está no poder no Brasil. E neste momento nos deparamos, aparte da corrupção, da decadência de todas as instituições do estado, com a clara intenção de membros e amigos do atual governo de transformar o país numa massa acéfala confusa com suas instituições desfeitas, suas comunicações em caos, uma presa a qualquer aventureiro organizado. E quem executa esses planos? Os mesmos. Ou seja, uma nova geração dos mesmos de 1964. Nessa altura uma defesa de Lamarca, Marighela e outros é patética. A amostra que estamos tendo do que nos esperava nos anos sessenta é amarga suficiente para justificar, se não os vinte anos do regime militar, ao menos o golpe desencadeado por Mourão, antecipando-se a um autogolpe pelo governo. O país já sofrera um golpe de governante no estabelecimento do Estado Novo. Não havia por que duvidar que o discípulo Jango assessorado pelo cunhado Brizola o fizesse mais uma vez.

A própria insistência do Marco Aurélio Top-Top e de José Dirceu em sentarem à mesa de Hugo Chavez, defenderem os assaltos da Bolívia e as ingerências das FARC, denotam o perigo em que nos encontramos. Patriotas eles? Sei não.

A papelada fajuta de Renan Calheiros

Revista Veja
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O senador Renan Calheiros apostava que o recesso parlamentar abrandaria a crise política em que ele está mergulhado há dois meses. Imaginava que, passando algumas semanas longe dos holofotes, ganharia forças para tentar sobreviver à suspeita de que teve contas pessoais pagas por um lobista de empreiteira. A estratégia não deu certo. Na semana passada, a Polícia Federal iniciou a perícia nos documentos que Renan entregou ao Conselho de Ética do Senado. São recibos, notas fiscais e guias de trânsito animal (GTAs) apresentados pelo senador com os quais ele tenta comprovar que não precisava se socorrer de recursos do lobista. Renan, um ex-vendedor de chinelo que tinha um carro velho quando entrou na política, garante que juntou uma pequena fortuna vendendo bois. Antes mesmo do início da perícia, o papelório já começou a produzir desdobramentos comprometedores para o senador. Técnicos do Conselho de Ética que analisaram o material comprovaram que duas empresas que teriam comprado gado de Renan simplesmente não existem. "Se técnicos do próprio Senado atestam que o presidente vendeu bois para empresas de fachada, a situação dele fica ainda mais complicada", afirma o senador Pedro Simon (PMDB-RS), colega de partido de Renan.

Poucas coisas podem ser mais dramáticas para um acusado do que o momento em que sua defesa, em vez de dissipar suspeitas, acaba por incriminá-lo. Pilhado em situação de flagrante promiscuidade, Renan confirmou que o lobista pagava suas despesas, mas garantiu que o dinheiro era seu, como se isso eliminasse o problema. O senador exibiu os comprovantes de venda de bois depois que VEJA revelou que a jornalista Mônica Veloso, mãe de uma filha do senador, recebeu das mãos do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, uma pensão mensal de 12.000 reais entre 2004 e 2005. A quantia era entregue em dinheiro vivo dentro de envelopes timbrados da empreiteira. Com os documentos, o senador pretendia mostrar que tinha condições financeiras de arcar com os pagamentos da pensão. O problema é que algumas das empresas com as quais ele diz ter feito negócios nem sequer existiam. Uma reportagem da Rede Globo já havia revelado a fraude, que foi confirmada pelos técnicos do Senado. A pedido do Conselho de Ética, a Polícia Federal está realizando uma auditoria em toda a documentação apresentada pelo senador. Se o laudo da PF reafirmar que a defesa do senador utilizou recibos de empresas fajutas, como parece evidente, tudo leva a crer que Renan será ejetado da cadeira de presidente e poderá, inclusive, ter o mandato cassado.
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Já prevendo as conclusões – óbvias – da Polícia Federal, Renan Calheiros prepara uma nova versão para tentar convencer os colegas de Parlamento da origem de seus fantásticos rendimentos agropecuários. Segundo o senador, devem-se esquecer os tais recibos falsos e as tais empresas que não existem. Todos os negócios, jurará de pés juntos, foram realizados com um único frigorífico de Alagoas, chamado Mafrial. Agora, se o Mafrial usou empresas de fachada nessas transações, é um problema que não cabe a ele, Renan, responder. Conveniente. O que o presidente do Congresso não diz é que, entre toda a documentação que entregou ao Conselho de Ética, não há um único papel que ateste sua relação comercial com o tal frigorífico. Todas as supostas vendas de gado, de acordo com as notas fiscais exibidas pelo senador, foram feitas para açougues da periferia de Maceió. Procurada, a dona do frigorífico Mafrial, Zoraide Beltrão, não retornou as ligações de VEJA. Em declarações anteriores, a empresária negou ter feito negócios com o senador. O Mafrial, aliás, recebeu no ano passado a visita de dois agentes da Polícia Federal. Eles investigavam o deputado federal Augusto Farias, irmão do ex-tesoureiro PC Farias e na época sem mandato, em uma operação de suposta lavagem de dinheiro. A PF suspeita que Farias tenha usado o Mafrial para justificar a origem de dinheiro ilícito. Assim como Renan, Augusto Farias também experimentou momentos de bonança com negócios agropecuários em Alagoas.

Na semana passada, depois de dois meses sem visitar sua base eleitoral, Renan Calheiros finalmente apareceu em Alagoas, estado que o elegeu senador em 2002 com 800.000 votos, mais de 40% do total. Chegou a tempo de acompanhar de perto a movimentação de cerca de 400 famílias ligadas ao Movimento dos Sem Terra (MST) e a duas de suas dissidências mais raivosas, o Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) e o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL). Elas invadiram uma fazenda do deputado federal Olavo Calheiros, irmão de Renan, mataram quinze bois para fazer churrasco e tinham planos de invadir fazendas do próprio Renan, vizinhas à propriedade do irmão. Olavo, cujo patrimônio declarado saltou de 100.000 reais para 4 milhões nos últimos oito anos, é suspeito de corrupção e de grilagem de terras na região de Murici, berço do clã Calheiros. A invasão, justificada pelos líderes como um protesto contra a grilagem de terras e a corrupção, tirou Renan do sério. Em seis entrevistas a emissoras de televisão e rádio controladas por aliados, duas delas em programas policiais de Alagoas, Renan disse que só sai do cargo enforcado ou queimado. "Vão ter de sacrificar o presidente do Senado. Mas vão ter de assumir a responsabilidade, que é sujar as mãos de sangue", disse Renan. "Vou resistir até o fim." A contagem regressiva já começou.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Vamos ver por quanto tempo esta palhaçada Renan/Mendes Junior/boi fantasma ainda se prolongará sem que o “honesto” senador pague por suas mentiras, seu patrimônio inexplicável, além do tráfico de influência que sempre exerceu. Renam, é bom lembrar, jamais esteve na oposição ao governo, independe do partido que lá estivesse. Só esta “coerência” já diz tudo de quem se trata...

Doadoras faturam com obras do PAC

Correio Braziliense
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Metade das empreiteiras que aparecem na lista das 20 entidades melhor contempladas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão entre as maiores doadoras das eleições gerais do ano passado. Juntas, as 20 maiores empreiteiras do PAC receberam um total de R$ 726 milhões neste ano — o equivamente a 56% do total pago pelo programa: R$ 1,3 bilhão. Entre as maiores doadoras estão as construtoras Camargo Corrêa, OAS e Andrade Gutierrez. Só a campanha para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou R$ 6,7 milhões dessas três empresas. Mas elas também fizeram doações camufladas por intermédio do partido do presidente. Mais R$ 8,2 milhões.
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O consórcio Camargo Corrêa/Andrade Gutierrez/Siemens executa a implantação do trecho Lapa-Pirajá, para a Companhia de Transportes de Salvador, que recebeu R$ 77,4 milhões do PAC. Outro consórcio formado pela Andrade Gutierrez, dessa vez com a Queiroz Galvão, está construindo o corredor expresso de transporte coletivo entre o Parque Dom Pedro II e Tiradentes. Essa obra é tocada pela Prefeitura de São Paulo, que recebeu R$ 32,4 milhões do programa do governo federal. O levantamento dos pagamentos feitos com recursos do PAC foi feito pelo site Contas Abertas, a partir da base de dados do Siafi (sistema que registra os gastos do governo federal).A construção de um trecho na BR-364 no Acre, entre Sena Madureira e Cruzeiro do Sul, é responsabilidade da empreiteira Construmil. A obra é tocada por intermédio de convênio com o governo do Acre, que recebeu R$ 38,5 milhões do PAC. Na campanha para o governo do estado, no ano passado, o candidato do PT, Binho Marques, recebeu doação de R$ 100 mil da Construmil. A Delta Construções fez doações no valor total de R$ 1,7 milhão nas eleições de 2004, sendo R$ 415 mil para a campanha de Marta Suplicy para a prefeitura paulistana. No ano passado, recebeu a maior parte das obras da Operação Tapa-Buracos, sem licitação. Neste ano, já recebeu R$ 36,6 milhões pela execução de obras incluídas no PAC.

ContribuiçõesA reeleição de Lula custou R$ 104 milhões, mas a arrecadação feita durante a campanha ficou em R$ 78 milhões. Um rombo de R$ 26 milhões. Contribuições feitas após definida a eleição — uma prática permitida pela legislação eleitoral — diminuíram a dívida para R$ 9,8 milhões. Entre os doadores de última hora estava a Camargo Corrêa, que contribuiu com R$ 2 milhões após o dia 29 de novembro, data do segundo turno. Até aquele momento era, aparentemente, a empreiteira que havia feito a maior doação.

As prestações de contas do partidos, ocorridas em maio deste ano, trouxeram mais surpresas. Usando uma brecha na legislação eleitoral, algumas empresas concentraram doações nos partidos, em vez de fazer doações diretamente aos candidatos ou aos comitês financeiros. Quem mais utilizou essa estratégia foi o PT, que recebeu R$ 42,2 milhões de doações de empresas. Desse total, R$ 35,3 milhões foram repassados para seu candidatos. O PSDB recebeu R$ 14,6 milhões, e o PFL arrecadou com R$ 8,5 milhões.

Entre as empresas que fizeram as maiores doações para o PT estavam a Andrade Gutierrez, com R$ 6,2 milhões, e a Camargo Corrêa, com R$ 2 milhões. O PSDB recebeu R$ 3,8 milhões da Camargo Corrêa e R$ 3,1 milhões da Andrade Gutierrez. Nas doações para o PFL, a ordem ficou invertida: R$ 2,8 milhões da Gutierrez e R$ 1,5 milhões da Camargo Corrêa.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Diante do fato, não cretinice que vingue: o PAC, Plano de Arrecadação para Construtoras, não passe de uma balela mentirosa, com o objetivo de favorecer aqueles que sempre se “aliaram” ao governo, qualquer governo, para se lambuzarem nas gordas tetas do tesouro.

Sempre o sistema financeiro e as empreiteiras fizeram suas “obras” em benefício, e se constata justamente esta bandalheira no governo que sempre se colocou contrário à sua ação predatória. Eis o governo Lula, beneficiando como nunca, a elite que sempre explorou o país, a força de trabalho dos brasileiros em troca de míseros salários, enquanto para si mesmos a conta cada vez mais engordava. Enquanto estes ladrões do patrimônio e do trabalho estiverem aliciados ao poder, o país continuará empacado.

Tivessem que sobreviver sem este aliciamento com o poder central, naufragariam vergonhosamente. Assim, quando juntamos as duas elites predatórias, política e econômica, não há como o povo brasileiro adquirir qualidade de vida. O que nos sobra é a miséria da bolsa-esmola. Dependêssemos destes cretinos, ainda viveríamos no regime de escravidão absoluta.

Morremos todos

por Diogo Mainardi, Revista VEJA
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Quando é que derrubaremos Lula?

A posse do ministro da Defesa, na última quarta-feira, foi o espetáculo mais indecoroso da história política brasileira. Lula ria. Nelson Jobim ria. Tarso Genro ria. Guido Mantega ria. Celso Amorim ria. Juniti Saito ria. Marco Aurélio Garcia ria. Por algum motivo, até mesmo o demitido Waldir Pires ria. Lula provavelmente se regozijava por ter se safado, segundo seus cálculos, de mais uma fria. No caso, os 200 mortos da tragédia da TAM. Ele repetiu despudoradamente, com sua risada, o gesto de escárnio feito por Marco Aurélio Garcia em seu gabinete, no Palácio do Planalto. Que espécie de gente tripudia sobre 200 mortos? Como alguém pode atingir esse grau de pusilanimidade? Se um dos militares presentes naquela sala batesse vigorosamente as botas, Lula e seus ministros com certeza sairiam em disparada, aos gritos, acotovelando-se e pisoteando-se no carpete verde. Eles só sabem cuidar da própria pele e do próprio bolso. Dane-se todo o resto.

Ninguém derrubará Lula. O que vai acontecer conosco é muito pior: um progressivo desmoronamento da sociedade. É sempre complicado tentar apontar o momento em que um país se perde irremediavelmente. Mas, se eu fosse apostar, apostaria todas as fichas que ele ocorreu na posse de Nelson Jobim, na quarta-feira passada. Entre uma tirada de bar e outra, Lula profanou os 200 corpos dando a entender que o desastre poderia servir pelo menos para diminuir as filas da ponte aérea. Uma sociedade resiste a um governo corrupto. Ela resiste também a um presidente incapaz. O que elimina qualquer possibilidade de convívio é o triunfo dessa boçalidade predatória que caracteriza Lula e sua gente. Eles cercaram a cidadela e ficaram esperando que nossas reservas de civilidade acabassem. Elas acabaram. Estamos desarmados e rendidos.

O Brasil é um buraco. Nunca fizemos algo que prestasse. Mas até outro dia ainda tínhamos uma vaga idéia de como nos comportar. E era essa vaga idéia que mantinha o país andando. Andando de lado, mas andando. Uma das regras de comportamento que a gente seguia era manter certa dose de compostura diante da dor pela morte de alguém. Lula violou essa regra. Depois de violá-la, tripudiou mais uma vez, ensinando aos familiares dos mortos do desastre da TAM que "é preciso que a gente tenha momentos de descontração para tornar a vida menos sofrível". Um dia Lula morrerá. Mas nós já teremos morrido antes dele.

TRAPOS & FARRAPOS...

VOLTANDO À ATIVA COM TOLERÂNCIA ZERO PARA COM OS CAFAJESTES.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

O acidente com o AIRBUS da TAM também nos atingiu. Relações construídas ao longo de anos de convívio foram abruptamente jogadas no limbo pela incompetência de um governo irresponsável, e pelo descaso de uma empresa para quem o lucro vem em primeiro lugar, antes mesmo do interesse em servir com respeito aos seus clientes, antes mesmo da segurança dos vôos, antes mesmo da manutenção de suas aeronaves para que este lucro não fique queimado nas tragédias de sua má gestão.

O sangue queimou por duas semanas, na lembrança carinhosa dos que arderam nas chamas de uma crise que um governo cretino criou e não soube ainda resolver.

Aos que partiram, familiares e amigos, o nosso carinho e a nossa saudade permaneceram vivos como sempre foram. Mas nossa luta se agiganta no sentido de ver expulsos da vida pública brasileira, os assassinos da boa fé, da moral, da decência, do respeito para com quem os sustentam no poder no qual se refestelam para a criação de privilégios indecentes e perniciosos.

Enquanto no Brasil o sagrado direito democrático da livre manifestação do pensamento permanecer vivo, COMENTANDO A NOTÍCIA não aliviará seu tom crítico para com a classe dos gigolôs da nação: lá estão por vontade nossa, com mandatos delegados por nós, por nós são sustentados, portanto, nada mais legítimo do que exigir-lhes, cobrar-lhes, protestar contra seus desmandos e sua ação contrária ao nosso interesse coletivo, de sermos respeitados em tempo integral.

Estamos de volta à ativa, mais críticos, e com tolerância zero para com os cafajestes que nos roubam e nos exploram.