Adelson Elias Vasconcellos
Havia me proposto a não comentar mais nada sobre o caso do garoto Sean Goldman. Já manifestei aqui minha opinião clara sobre este assunto: a decisão do STF foi correta ao devolver o garoto ao seu pai. A brasileira Bruna, mãe de Sean, agiu errado ao vir para o Brasil passar férias, e ao chegar, anunciando no aeroporto que não mais voltaria, traiu a relação que mantinha com seu marido e, em paralelo, procedera ao rapto do menor. Mais: sendo casada no Estados Unidos, a revelia do marido, pediu a separação no Brasil, quando o correto seria que o tivesse feito isto nos Estados Unidos.
A partir daí, tudo o mais que ela fez com o apoio de sua família, seria puro teatro para encobrir uma série de crimes e ações menos honestas.
Porém, a morte de Bruna mudou tudo. Sua mãe, simplesmente, ignorando que o menino tinha um pai, de cujo convívio o menino fora arrancado de forma abrupta e criminosa, se achou no direito de tomar Sean como sua propriedade. E este tem sido seu erro.
Depois de percorrer todas as instâncias jurídicas e se ver derrotada, Dona Silvana mostrou, e tem mostrado a cada dia, que o ministro Gilmar Mendes agiu de forma absolutamente correta ao anular a liminar do ministro Marco Aurélio, que retinha o menino no Brasil.
Para quem tem buscado os holofotes da mídia, escrito carta aberta de pura emoção e sensacionalismo, exposto o garoto a situações de puro constrangimento, fica claro que o tempo em que o garoto conviveu com esta família, foi coagido com pressão psicológica que se classifica como repulsiva. Usar seu neto como forma de vencer o que determina a própria lei, convenhamos, é agir de forma absolutamente egoísta e mesquinha, sem ligar a mínima para o que tudo isso pudesse acarretar de traumas à formação de Sean.
Na entrevista que concedeu ao Jornal Nacional, da Globo, juntando cartões, advogado e seu filho, Dona Silvana demonstrou um desequilíbrio que não se coaduna com a filosofia que tenta emplacar de que “ela” é o melhor para o garoto. Para esta senhora, parece que o filho é só da mãe. Que o pai é peça descartável, usou, lucrou, joga fora. Esta senhora, definitivamente, provou para quem quiser ver, que ela não tem a menor noção do que seja a estrutura de uma família. Entende, e isto ficou bem claro, que o neto é um produto de sua propriedade, que ela pode dispor ao seu bel prazer, independentemente do que a lei.determina. Para ela, não basta os filhos menores e os netos que já tem: Sean é um produto de estimação capaz de suprir a ausência da filha. Em momento algum, Dona Silvana considerou a falta deste filho para seu pai. Em momento algum, lembrou-se de que este filho foi arrancado sob sequestro e mentira do convívio familiar com seu pai. Em momento algum pensou tanto na segurança do menino quanto no sentimento de seu pai e da família dele. Ou será que, pelo fato dela ser avó materna, o resto dos familiares não tem a menor importância?
Egoísmo elevado à sua máxima potência. E com tal postura, fica comprovado que dona Silvana não tem nem maturidade nem tampouco equilíbrio emocional para ficar com a guarda do garoto. Desconheceu os limites da lei, desconheceu laudo atestando que o garoto, até por conta da coação psicológica que sofria de dona Silvana e familiaresw, não tinha mesmo maturidade e isenção para decidir por si mesmo.
E expor o garoto diante da imprensa buscando um sensacionalismo barato e ordinário para tentar “vender” sua tese para a opinião p0ública, quando poderia ter aceito o convite da Embaixada americana para fazer a entrega de forma reservada, entrando pela garage privativa, demonstra que, em momento algum, e ao contrário do que diz, ela estava pensando no bem estar do menino Sean. Sempre, em todos os momentos, fica visto, dona Silvana foi movida unicamente por seu próprio egoísmo.
E lendo notícias online dos principais jornais do país e os inúmeros blogs que passaram a comentar o assunto, se percebe pelos comentários de inúmeros leitores, que a justiça brasileira acabou agindo no interesse do garoto. A grande maioria condena este caso desde o seu nascedouro, isto é, desde que Bruna, ainda viva, mentiu para sair do Estados Unidos para poder sequestrar o próprio filho.
Sean, infelizmente, não terá sido nem o primeiro nem tampouco o último deste tipo de drama. Desde 2003, o governo brasileiro já recebeu 210 pedidos de ajuda do exterior para a aplicação da convenção de Haia, como no caso do garoto americano Sean, ontem devolvido ao pai, David Goldman. O Brasil fez 82 pedidos semelhantes a outros países nesse período, e os Estados Unidos são o país que mais repatriaram brasileirinhos: sete, no total. O Brasil obteve solução positiva para 22 casos em todo o mundo.
A convenção Haia determina que a tutela de criança deve ser decidia pela Justiça do país onde ela nasceu, por isso Sean foi para os EUA.
Os pedidos de ajuda do exterior para aplicação da convenção de Haia, quando acatados, são acompanhados pela Advocacia Geral da União.
Até hoje, nos últimos seis anos, a AGU obteve na Justiça brasileira a “solução positiva” para 54 casos. Sean Goldman é o 55º.
Assim, mesmo perdendo em todas as instâncias jurídicas, ainda sob ordem judicial obrigando-a a entregar o garoto, dona Silvana continuou de forma destrambelhada, buscando um sensacionalismo desnecessário e absurdo, e, apesar do garoto já estar com seu pai nos Estados Unidos, ao invés de buscar recolher-se para curtir até a ausência do seu neto, ainda assim, e uma vez mais , reuniu a imprensa para provocar mais estardalhaço.
Prova deste sensacionalismo ordinário, a revelar um egoísmo inconsequente, está no fato da família, no Brasil, ter contratado, além do time de advogados, uma assessoria de imprensa. Foi o vale-tudo para tentar atropelar a lei e a convenção de Haia.
É mentira atribuir a decisão da Justiça, de devolver Sean ao pai, a um “acordo comercial” com os Estados Unidos. A decisão do ministro Gilmar Mendes foi baseada na lei e na convenção de Haia. Silvana, avó materna de Sean, classificou a decisão do ministro Gilmar Mendes, a de devolver o garoto ao seu pai, e que foi baseada apenas na lei, como sendo um crime hediondo. Afora o fato de dona Silvana ignorar de forma estúpida a existência do pai de Sean e sua família, como ela classificaria o sequestro do garoto cometido por sua filha? Ação entre amigos, já que foi apoiada por sua família?
Convenhamos, fica claro que Sean Goldman, agora vivendo e convivendo com seu pai e com a família deste, receberá muito melhor formação e exemplos de civilidade, porque o que educa é o exemplo, do que ficar entregue ao destempero da avó materna onde jamais seria tratado como uma pessoa humana, e sim como bichinho de estimação para suprir a falta de alguém. Chega a ser sórdido alguém agir e pensar desta forma, ainda mais se considerando que dona Silvana e sua família, representam apenas a metade da família de Sean. Por mais que dona Silvana tente ignorar, não conseguirá apagar isto da memória de ninguém. Nem dela mesma.