sábado, julho 14, 2007

TOQUEDEPRIMA...

***** Correa ameaça fechar Congresso equatoriano

O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou que o Congresso de seu país deve ser fechado em função da "medriocridade" e da "corrupção" dos legisladores atuais. "Com a mediocridade dos legisladores, com o grau de corrupção, cremos que com esse Congresso não se pode ir a lugar algum", disse Correa.

Ele ainda declarou que quando foi eleito acreditou que poderia restringir os poderes do Congresso, como acontece em outros países. Correa afirmou que os legisladores do Equador não representam nem a si mesmos. "Assim, o melhor que se pode fazer é que a Assembléia se dissolva", disse.

O socialista informou que não vai mais dar entrevistas coletivas e só vai responder perguntas por escrito. "Veja se o presidente dos Estados Unidos dá entrevistas coletivas como as que dou. Em todo caso, temos sido muito democráticos, muito amplos, a liberdade de expressão é total no Equador, mas obviamente há meios de comunicação que não entendem o seu papel, que são atores políticos e têm respostas políticas", concluiu o equatoriano.

***** Rodrigo Maia pede CPI para investigar Petrobras

O presidente nacional do Democratas, deputado federal Rodrigo Maia (RJ), afirmou que uma é necessária uma investigação profunda sobre a Petrobras, incluindo convênios, contratos e licitações. Ele revelou que é possível aproveitar a CPI das ONGs, a ser instalada em agosto, ou criar uma comissão exclusiva para o tema. "O governo tem, no mínimo, conivência com estas coisas que acontecem", constatou o democrata.

O parlamentar disse que está otimista para a criação da CPI. Ele declarou que a esperança vem do "novo centrão", formado por PTB, PP e PR, que inclui parlamentares interessados em assinar o requerimento e no rompimento com o governo Lula. Segundo Rodrigo Maia, um grupo do PMDB também estaria descontente com a administração petista.

***** Projeto pode colocar servidores sob CLT
Veja online

Um projeto de lei enviado ao Congresso pode permitir que funcionários públicos sejam contratados sob regras do setor privado caso seja aprovado. De acordo com uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo desta sexta-feira, a proposta regulamenta a criação das chamadas "fundações estatais", figura jurídica prevista na Constituição de 1988, mas nunca regulamentada até agora. As novas regras de contratação valeriam para hospitais, TV pública, ciência e tecnologia e previdência complementar de servidores públicos. Com isso, os centros médicos, por exemplo, poderiam adotar um novo modelo de organização administrativa.

Os novos funcionários seriam contratados por meio de concurso público, mas em regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), que vale para o setor privado. Parte da remuneração do servidor ficaria atrelada ao desempenho do estabelecimento de saúde, que só poderia atender pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Não haveria mudança para os funcionários públicos que já ingressaram na carreira.

Nove setores da administração pública podem ser afetados pelo projeto caso ele se torne lei. Uma das críticas é que a medida descaracterizaria o funcionalismo público ao retirar garantias básicas, como a estabilidade no emprego. Além disso, como setores do estado passariam a ser administrados por fundações de direito privado, a proposta enfrenta resistência de sindicatos , pois é vista como de caráter "privatista".

Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, esse receio "é um contra-senso". "O próprio nome diz que a fundação é do estado", rebateu. O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, afirmou que a lei complementar terminaria com "verdadeiras gambiarras" que, hoje, são utilizadas pelos hospitais universitários ao contratarem funcionários por meio de fundações de apoio privadas.

***** Tuma diz que Argello vai ser investigado assim que tomar posse


O corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), afirmou nesta sexta que pretende investigar o suplente do ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), Gim Argello (PTB-DF), assim que ele tomar posse no Congresso. "Ele [Argello] assume, dão posse e acabou. Ele [Argello] diz que o pretérito não pode ser investigado. Então, enquanto estiver no pretérito não pode ser investigado, mas quando estiver no presente aqui [no Senado], aí será investigado", afirmou Tuma.De acordo com informações da Folha Online, Argello teria pensado em tomar posse nesta sexta, mas acabou desistindo. Ele precisa apresentar a declaração de bens, comunicado ao partido e a declaração de contas para a Secretaria Geral da Corregedoria do Senado. Os assessores do futuro senador prometeram que ele será empossado no "momento adequado."

***** Carne brasileira provoca batalha na Europa

Veja online

A Comissão Européia, órgão executivo da União Européia (UE), anunciou nesta quinta-feira que não irá restringir a importação de carne do Brasil devido a critérios comerciais. A medida só seria tomada, alegou a comissão, caso fosse comprovado que o produto brasileiro não segue as normas sanitárias e, portanto, representa perigo à saúde. A decisão, positiva para os exportadores brasileiros, vinha sendo pleiteada por setores protecionistas europeus.

Nesta semana, grupos de lobistas da Irlanda e da Grã-Bretanha enviaram à Comissão Européia um documento que pedia a avaliação de abertura de um processo contra a carne brasileira – o que poderia desaguar num embargo ao produto. Agora, o tema será levado ao Parlamento Europeu, onde será discutido na próxima segunda-feira, em Bruxelas.

Os produtores irlandeses estudariam uma forma de argumentar que os produtores brasileiros não seguem todas as normas de fiscalização sanitária. Mas, entre os funcionários da Comissão Européia, o argumento é visto com pouca credibilidade, construído apenas para justificar uma proteção ao mercado local.

“Não estamos levando essa iniciativa [dos irlandeses] muito a sério”, disse um representante da Comissão, segundo o jornal O Estado de S. Paulo desta sexta-feira. Em Bruxelas, os veterinários afirmam estar conscientes dos problemas existentes no controle fitossanitário do Brasil, mas não estimam que um embargo seja algo urgente. A proposta dos europeus é que o país faça reformas nos seus sistemas e, se isso não ocorrer até o final do ano, aí, então, um embargo seria imposto.

***** Jornal suíço diz que Brasil faz da OMC "máquina de guerra comercial"

A edição de sexta-feira do jornal suíço Le Temps afirmou que o Brasil faz da OMC (Organização Mundial do Comércio) "uma máquina de guerra comercial", se referindo à queixa que o país abriu na organização contra os subsídios concedidos pelo governo norte-americano para a produção agrícola, que ultrapassam os US$ 19 bilhões.

As negociações deveriam ter terminado no final de 2004, no entanto, elas entraram em crise em função de Brasil e Índia terem desistido. "Na aparência, o Brasil ainda acredita no sucesso da Rodada de Doha, que tem como um dos objetivos liberalizar o comércio de produtos agrícolas. Mas no fundo o país, que tem a ambição de se tornar o grande exportador mundial de alimentos, não tem ilusões", avaliou o jornal.

***** PP, PR e PTB cobram mais cargos do governo Lula

Os líderes de PP, PR e PTB aproveitaram a crise do caso Calheiros para tentar mais cargos de segundo escalão com o governo Lula. Eles chegaram a ajudar a oposição a aprovar a modificação da Medida Provisória 372 que permite refinanciamento de dívidas rurais. O bloco conseguiu a derrota do governo.

O líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), levou a insatisfação de seu partido e outros aliados para o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia. Além dos cargos de segundo escalão, as legendas querem liberação de emendas. Mares Guia também recebeu líderes do PR. De acordo com o site G1, um dos participantes da reunião teria dito que foi uma "conversa dura", mas o ministro teria "prometido o céu".

Supremo suspende pensão vitalícia a Zeca do PT

CAMPO GRANDE - A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Ellen Gracie, suspendeu ontem o pagamento da aposentadoria vitalícia do ex-governador de Mato Grosso do Sul José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT, de R$ 22,1 mil. A decisão da ministra atende ao recurso apresentado pelo governo do estado contra a determinação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS), que na quarta-feira obrigou o governo a pagar o benefício.

Ao contestar a decisão do TJ-MS, o governo do estado argumentou que o benefício geraria "grave lesão à ordem pública" por ser inconstitucional. O governo do estado também destacou no recurso que a aposentadoria para os ex-governadores é uma "pensão gratuita", instituída sem definição prévia da fonte para seu custeio.

Ressaltou ainda que a manutenção do benefício custaria aos cofres estaduais em R$ 265.335 por ano por ex-governador, sem considerar o 13º salário. A lei que criou o benefício, aprovada pela Assembléia Legislativa do estado no fim da gestão de Zeca do PT, está sendo questionada no STF por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) apresentada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Ao julgar o recurso, a ministra destacou que o pagamento do subsídio demonstrada a "grave lesão à ordem pública" e à economia do estado, pois não haveria prestação de serviço por parte dos beneficiados, além de não não determinar fonte de custeio, o que "poderá comprometer a execução orçamentária estadual".

Zeca do PT recebeu este ano quase R$ 90 mil referente à pensão vitalícia. Segundo o procurador-geral do MS, Rafael Coldibeli, esse valor continuará dependendo do julgamento do mérito pelo STF. Ele explicou que "no julgamento do mérito, os ministros tanto podem determinar que ele devolva esses valores, quanto optarem por deixar que ele fique com esses recursos, por isso nos temos que aguardar".

São R$ 88.445,00 pagos ao ex-governador, por força de liminar expedita pelo Tribunal de Justiça de MS. Para o procurador, Zeca do PT ainda pode recorrer da decisão do Supremo, através de agravo, que precisará ser julgado por todos os ministros do STF.

Os advogado, entretanto, preferem aguardar a comunicação sobre a suspensão da pensão vitalícia, para decidir sobre a medida que adotarão.

PANdeguemos, pois

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, Blog Noblat

Segundo tem sido apregoado aos quatro ventos, o Brasil nunca esteve tão bem. Nunca. Nem antes da chegada de Cabral, quando isto aqui devia ser uma das filiais do Paraíso. Mas hoje, que espetáculo: mesa farta, luz para todos, empregos com carteira assinada, nenhum menino sem escola, crédito à larga, a Caixa financiando moradias, montadoras com os pátios vazios, o mundo extasiado diante do Brasil, a polícia agindo sem parar, o povo voando ou relaxando e gozando. Hospitais, ainda não, mas com todas essas benesses, quem é que vai ficar doente?

Dá para compreender porque pipocam tantas greves? Será espírito de porco? Está tudo tão bem... Será que estão todos, como diz o Elio Gaspari, a fim de ‘esculhambar’ o PAN? Esse grande evento? Essa magnitude toda, que faz com que o mundo esteja de olho na gente? Será que estão mesmo? Ou do Brasil só lhes interessa o álcool que virá baratinho, mais que baratinho, conveniente, pois o grosso do trabalho, o desmatamento, o cansaço da terra, serão só nossos? Amigos, sim, mas em termos, como já deveríamos ter aprendido.

Insistem que está muito bem, porém o Banco Central declarou que nossa DLSP – Dívida Líquida do Setor Público – dobrou em quatro anos: passou de R$687,3 bilhões, em 2002, para R$1.299,3 bilhões, em maio de 2007. Será uma bela herança para o próximo governo...

Tenho a impressão que o Governo Federal acha que lida com uma cáfila de camelos, em vez de um povo. Lembram quando o ministro Mantega disse que o apagão aéreo era fruto do enorme crescimento econômico do país? Pois ontem, ao falar sobre o apagão energético na Argentina, ele disse que bem fez o Brasil em ter um crescimento moderado, de modo a não extrapolar nossa capacidade energética. Disse, sim. Está gravado.

Na mesma entrevista, o Ministro da Fazenda criticou nossa carga tributária muito alta. No entanto, no mesmo dia, o Presidente da República, chefe do ministro, disse que nós, brasileiros, reclamamos dos impostos altos que pagamos, mas vivemos elogiando os outros países. Que fôssemos lá ver quanto imposto eles pagam! Para ter o que eles têm, eles pagam sem reclamar! Fiquei sem saber: ele estava sendo irônico ou acha que somos todos Almeida Limas? Ou Wellington Salgados?

No Senado, Renan Calheiros se superou. A cada dia uma cena mais deprimente que a outra. Ontem, ele foi tão longe ao quebrar a palavra dada na véspera, que a oposição se levantou e tomou o caminho da rua. Fiquei entusiasmada. Finalmente, pensei. Contudo, é cedo para comemorar. Vou aguardar terça-feira que vem, data que promete... Afinal, um senador que nem sei quem é, levantou-se para dizer que ali e até alhures, não há quem possa falar em ética. É o ilustre ‘quem?’, mas a acusação é muito séria para ficar assim, no ar. Fez muito bem o senador Arthur Virgílio em cobrar explicações. Virão?

Renan, a guisa de um esclarecimento decente para a quebra da palavra, encerrou o dia com a seguinte frase: “marca reunião quem tem mais votos”. Coitado... Será que ele acha que ainda tem os mesmos votos do dia em que foi eleito? Como tudo é culpa da Imprensa, ele até andou olhando de cara feia para um repórter de O Globo. Zangado, chegou a dizer que um dos votos contra ele era do Gerson Camarotti. Eu, se fosse o jornalista, teria respondido: “O que é isso, Senador? E eu lá trabalho aqui?”.

Hoje à tarde começa a festa que nos custou três bilhões e meio. Apesar de o país ir muito bem, a segurança foi triplamente reforçada. Teremos 1200 câmeras vigiando nossas ruas, 1800 veículos constantemente em movimento, 12 helicópteros sobrevoando os locais das provas. Em serviço, 18 mil agentes. E mais 136 cães, sendo que 34 especializados na procura de explosivos. Até me assustei: a coisa deve estar pior do que eu pensava... mas não, o responsável pela segurança declarou á FSP que não há nenhum risco de ataque terrorista.

E não deve haver mesmo. Estamos mais preocupados em pandegar. O Ministro dos Esportes tem sido visto em clubes da Lapa, curtindo o que o Rio tem de bom. Os atletas já utilizaram uma quantidade expressiva de preservativos. A boate da Vila do PAN bombou. A farra está muito boa. A delegação argentina foi vaiada no ensaio geral, mais que a americana, nosso saco de pancadas favorito. Porém menos que o presidente Lula. Quarenta mil pessoas no Maracanã, é quase nada. Mas essas quarenta mil vaiaram o Lula.

PANdeguemos, pois. Enquanto a cidade está assim guardada e cuidada. Enquanto não desmontam o circo, PANdegar é preciso. Depois... veremos.

Alvo da oposição é Lula, não Renan

Tales Faria, Informe JB

Um dia depois de enfrentar a ira da oposição em plenário, ao fazer um contundente discurso em defesa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) esteve ontem na Vila do Pan acompanhado da mulher e filhos. Aparentando tranqüilidade, a despeito do ambiente carregado entre os senadores, o comunista não se furtou a voltar a discorrer sobre a crise em que está mergulhada a Casa. Na avaliação do comunista, a batalha está entranhada de sentimento político.

- Estão fazendo o linchamento de Renan. Ninguém está olhando se há provas contra ele. Querem transformar a questão numa disputa política entre governo e oposição. Se for isso, não é o caso de levar essa discussão para o Conselho de Ética. O colegiado foi feito para se discutir ética e decoro parlamentar.

- Por que, na opinião do senhor, a oposição quer transformar a crise do Senado numa trincheira de luta política?

- A oposição está enxergando na crise uma oportunidade de substituir Renan. Trata-se de uma posição-chave para atingir o governo Lula. O alvo é o presidente Lula.

- Então, a questão é o governo Lula?

- Claro. Querem fazer agora o que não conseguiram fazer no primeiro mandato. O temor de parte da oposição é de que Lula chegue em 2010 à mesma situação de hoje. Ou seja, navegando em céu de brigadeiro e , com isso, tenha total condições de eleger o sucessor.

- Por que a Globo bate tanto em Renan ?

- Isso está mal explicado. O interesse da empresa em derrubar o veto à emenda 3 não justificaria tanto ódio.

Avisa que eu vou
O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União, estará no Rio segunda-feira pela manhã para inspecionar a Ponte Rio-Niterói. Para apurar denúncias de irregularidades encaminhadas ao TCU pela Procuradoria Regional da República do Rio. Entre as irregularidades apontadas estão a circulação de veículos pesados na ponte em horário de grande fluxo de trânsito, possível deficiência na fiscalização integrada entre a concessionária que administra a ponte e a Polícia Rodoviária Federal, falhas na emissão de nota fiscal no pagamento do pedágio e ainda a utilização indevida de espaços públicos ao longo da ponte. Antes, mandou colocar este aviso no site do TCU. Parece que não quer surpreender os infratores...

Lobby dos EUA
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, andou de porta em porta na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, esta semana. Até quando esteve com o presidente Lula, sempre que encontrava a imprensa, dizia que discutira formas de retomar as negociações de liberalização do comércio internacional da chamada Rodada Doha. Não era mentira. Mas o que ele veio fazer mesmo foi lobby. Defender junto à área econômica do governo e ao Palácio do Planalto a abertura das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para empresas americanas.

Fundo Robin Hood
Tem idéia de quanto o Brasil já conseguiu repatriar nos últimos 10 anos? Dinheiro que havia sido colocado lá fora como resultado de operações fraudulentas, roubalheiras do tipo dos desvios com a construção do prédio do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo, caso Banestado, Silveirinha e Paulo Maluf? Em valores atualizados, já dá uns R$ 100 bilhões. O governo está estudando a possibilidade de reunir essa grana - às vezes depósitos judiciais - num único fundo de investimentos a ser administrado por um banco oficial. Para financiar pequenos e médios empreendedores.

Tensão em Roraima
Aumenta a tensão em Roraima, na região de Raposa Serra do Sol. Índios ligados ao Conselho Indígena de Roraima concentraram-se esta semana na histórica Vila Surumu, local de litígio devido à proximidade com as maiores lavouras de arroz irrigado da região. Dois índios que por lá moram foram flechados, por serem contrários à retirada dos brancos. A Abin acusa o Conselho Indígena de estar sendo manobrado por países e firmas estrangeiras que querem o minério da região.

Governo cedeu
A aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) pelo Congresso não se deveu ao simples fato de o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ter presidido ou ter deixado de presidir a sessão. Foi necessário o governo retirar do projeto o artigo que permitia a aplicação do Orçamento previsto para 2008 em duodécimos, inclusive para investimentos, caso o Congresso não aprovasse o Orçamento até 31 de dezembro de 2007. "A retirada era crucial, pois este artigo representava a castração da prerrogativa mais fundamental do parlamento: a de legislar sobre Orçamento", afirma o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

Gastos do racha
O DEM e o PSDB tiveram, há pouco, um bom exemplo de como os dois partidos só perdem com um racha na oposição. Sem que um soubesse do outro, ambos contrataram o marqueteiro Antônio Lavareda para fazer pesquisas com avaliação sobre o governo Lula. Só depois que viram o resultado é que notaram que podiam ter feito o levantamento juntos. Gastariam a metade.

Luta por cargos
Guerra dos deputados federais catarinenses do PMDB com o governador Luiz Henrique. Sua aliança com o PSDB e o DEM obrigou o partido a reduzir de 70% para 40 % os cargos no Executivo estadual a fim de dividir a boquinha com os aliados. Luiz Henrique bate o pé. Afirma que tanto a aliança como a divisão do poder foram aprovadas em convenção regional do PMDB.

Apesar de tudo

Cristovam Buarque , Blog Noblat

Antes, corríamos riscos e tínhamos objetivos. Agora, não há mais objetivos e os riscos parecem não existir. Corríamos riscos de morte, tortura, prisão, exílio, mas tínhamos adiante, palpável, o sonho a realizar: a construção de uma sociedade justa e democrática, com igualdade e plena liberdade. O fim da exploração e da pobreza. A primazia da cultura, sobre o consumo material. E tínhamos certeza, certeza absoluta, de que nossos sonhos se realizariam. Valia a pena correr o risco. Era assim a prática da política nos meus anos de juventude. Havia uma razão para a vida e para a morte, e um céu posterior: a história com a democracia e a justiça.

Acreditávamos que, estatizando a propriedade, distribuiríamos a renda; que a revolução se faria organizando os operários; que o planejamento acabaria com a ineficiência. Descobrimos que isso seria impossível, e que os resultados não seriam aqueles que esperávamos.

Hoje, a política não exige a coragem de enfrentar a morte, mas o cinismo de enfrentar a desonra da omissão, da impotência, da defesa de privilégios e interesses corporativos, próprios ou de financiadores de campanha. Às vezes, envolve o risco de tangenciar ambientes de corruptores. E não parece haver propósito.

A política ficou sem utopia, sem finalidade histórica, prisioneira do seu dia-a-dia. E se perdeu nessa rotina vazia. Por isso, não atraímos o aplauso dos adultos, nem a militância dos jovens. A política virou profissão, e não função. Esfera de acordos e conchavos, e não de ação transformadora. Os partidos que há pouco pareciam resistir se perderam quando chegaram ao poder: sem utopia, sem vigor transformador.

Muitos acham um horror os anos de chumbo da ditadura. Outros, os anos vazios da democracia.

Apesar disso, ainda há objetivos adiante, e os riscos têm de ser enfrentados. Com o mesmo cuidado com que nos protegíamos da polícia quando descumpríamos as leis da ditadura, fazendo o que era preciso para subverter a ordem ditatorial implantada, agora precisamos cultivar o rigor pessoal no dia-a-dia, no uso de recursos públicos, no cumprimento das leis, na permanente vigilância contra desvios e desesperança. E, sobretudo, manter o foco em projetos utópicos, no compromisso com a transformação social no País.

O objetivo não é mais a democracia política, já conquistada. Já não é mais a igualdade socialista, desmoralizada, tecnicamente impossível e eticamente desnecessária. O que nos move agora deve ser retirar o Brasil do atraso e oferecer a mesma chance a cada brasileiro. O atraso só será superado quando nosso país se tornar um centro produtor de capital-conhecimento. E isso só será possível em função da dinâmica criada por uma revolução na educação de qualidade para todos.

Isso é preciso e é possível. O Brasil dispõe de todos os recursos necessários. Nosso desafio, maior do que foi derrubar a ditadura, é convencer os pobres de que é possível, e os ricos de que é preciso. Propor as medidas corajosas e revolucionárias, e reservar os recursos necessários.

Vale a pena fazer política para construir essa utopia, mesmo que seja apenas para convencer os brasileiros de que é necessário, preciso e possível. Vale a pena correr riscos, ainda que sejam maiores do que antigamente. Antes, o pior que podia acontecer era morrer com honra, lutando. Agora, é viver com a honra ameaçada pela omissão e pela lama.

A política na sua ação cotidiana é um dos jogos mais chatos do ser humano. Mas quando ela é feita como o trabalho de operários – com dedicação e voltada para a construção do futuro –, torna-se uma das mais excitantes atividades do homem. Política com um propósito utópico para a nação, com vontade de mudar a realidade, dedicação para convencer os eleitores e articular as lideranças. Fugindo da rotina do dia-a-dia e das tentações do poder.

Apesar de tudo, é preciso continuar lutando. E também sonhando.

Cristovam Buarque é senador (PDT-DF)

Corrupção até debaixo dágua

Anna Luiza Guimarães e João Noé Carvalho, Jornal do Brasil

Três executivos da Petrobras, a maior estatal do país, foram presos ontem pela Polícia Federal. Eles são acusados de participar de um esquema de fraude nas licitações da empresa para a manutenção de plataformas de petróleo localizadas no Estado do Rio. Além dos três altos funcionários da estatal, outras 10 pessoas foram detidas, entre elas empresários e lobistas. A polícia suspeita de que a quadrilha tenha movimentado R$ 242 milhões em licitações. Durante a ação, a PF apreendeu cerca de R$ 500 mil em dinheiro na casa de um dos envolvidos. Ana Celeste Alves Bessa, funcionária da Feema, também foi presa, acusada de fraudar licenças ambientais para empresas.

A operação Águas Profundas cumpriu 13 dos 18 mandados de prisão. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), que também participou das investigações ao lado de auditores da Petrobras, dois gerentes da estatal, Romulo Miguel de Morais e Carlos Heleno Netto Barbosa, além do coordenador da comissão de licitações da companhia, Carlos Alberto Pereira Feitosa, eram responsáveis por passar informações privilegiadas sobre concorrências públicas de manutenção das plataformas de petróleo P-14, P-16 e P-22 para a empresa Angraporto Offshore, que, por sua vez, se associou às empresas Mauá-Jurong e Iesa nas fraudes. Em troca, os executivos recebeberiam dos envolvidos comissões e até viagens.

Para efetuar os pagamentos das propinas, Ricardo Secco e Ruy Castanheira de Souza, acusados de serem os principais coordenadores do esquema, usavam contratos de empresas fantasmas com Organizações Não-Governamentais (ONGs) que possuem convênios com o governo do Estado para a emissão de notas fiscais frias. Segundo o MPF, as ONGs Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa da Administração (Inep), Instituto Nacional de Aperfeiçoamento da Administração Pública (Inaap), Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Treinamento (IBDT) e a Centro Brasileiro de Defesa dos Direitos da Cidadania (CBDDC) recebiam recursos públicos através de convênio com a Fundação Escola de Serviço Público (Fesp).

Na casa de Castanheira, a PF encontrou cerca de R$ 500 mil em dinheiro. A polícia também prendeu o filho dele, Felipe Pereira das Neves Castanheira de Souza, acusado de associar-se ao pai na coordenação do esquema de fraudes. Ainda não se sabe se o dinheiro apreendido vinha dos cofres públicos para ser usado no pagamento de propinas.

- Não podemos ainda saber se o dinheiro desviado dessas ONGs era público. A única certeza que temos é a de que elas recebem dinheiro do governo estadual para a realização de convênios na área social. Essa investigação fará parte de uma segunda parte da operação - afirmou o procurador da República Carlos Alberto Aguiar.

O delegado que comandou a operação, Cláudio Nogueira, da Polícia Federal de Juiz de Fora, disse que o trabalho da polícia já está quase concluído. No entanto, ressalva que outras licitações ainda serão investigadas.

- Não acredito que outras pessoas ainda possam ser presas. Cerca de 80% das investigações já estão concluídas - disse o delegado. - Mas vamos continuar apurando para saber se outros crimes também foram cometidos pela quadrilha. Para isso, precisamos analisar todo o material apreendido durante o trabalho e ouvir os depoimentos de todas as pessoas que foram detidas.

Os presos serão autuados por formação de quadrilha, corrupção, fraude em licitação, falsidade documental e estelionato. Os suspeitos também poderão responder por sonegação fiscal depois da realização de uma investigação da Receita Federal.

TRAPOS & FARRAPOS...

O INFERNO É PARA O DIABO...
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Vocês leram em TRAPOS & FARRAPOS anterior, o comentário que fizemos sobre a decisão do governo chinês de dar um basta na corrupção que por lá pratica seus gracejos.

Leram, ainda, que um dirigente político foi condenado à morte e executado por ter aceito propinas de empresas. Sem dó nem piedade.

Uma das chagas que mais afligem o Brasil, presentemente, é a corrupção. Histórica, resistente, devastadora, ela se encontra entranhada na vida pública do país em todas as direções, em todas as esferas dos poderes, ela simplesmente não dá trégua. Suga o quanto pode e desvia tudo o que vê pelo caminho. Resultado: não conseguimos investir o montante mínimo que se faz necessário para tirar o país do atoleiro e da estagnação que já perdura por mais de 20 anos. É uma geração inteira que amadureceu e não encontrou no país as oportunidades necessárias para seu desenvolvimento pessoal e profissional.

Nesta semana, o ministro rolando relo do Planalto, lançou as bases do terceiro programa de segurança pública da era Lula. Dentre outras tantas maluquices, estamos novamente diante de uma bela carta de intenção, de duvidosa capacidade do próprio estado em conseguir executa-la em pelo menos 50% do que nele se encontra previsto.

Vejam vocês apenas um exemplo: no primeiro programa de segurança, Lula jurou que construiria cinco presídios de segurança máxima. Concluir um, a pau e corda, já ao final do primeiro mandato, e sua capacidade permanece ociosa. Agora, projetam a construção de 187 unidades prisionais. Alguém tem dúvidas de que este será mais um belo sonho de um inverno a perder-se no tempo?

Prevê-se um piso de acima de R$ 1,0 mil reais para os policiais a ser alcançado até 2010 !!! Ou seja, para pagar-se um piso decente para aqueles que arriscam sua vida diariamente para defender a nossa, vão se consumir 2 anos e meio. Por que não agora ? Pela simples razão de que não estamos em véspera de eleições presidenciais. Simples assim, lamentável e e vergonhoso assim.

Da mesma forma, fizeram com os professores. Lançou-se em março deste ano um programa no mínimo arrojado no conteúdo das metas. E a primeira coisa que se fez foi anunciarem um piso salarial para a categoria dos professores para ser atingido também em 2010. Alguma dúvida em relação às reais intenções dos governantes anunciadores de planos e programas que nada mais são do que bela farsa montado para ensejar um belo espetáculo de marketing político imoral e sem pudor algum? E mais: tanto o piso dos policiais quanto dos professores, apesar de balizados por um nível muito aquém do mérito dos profissionais quanto das necessidades para lhes permitir assegurar uma qualidade condizente com sua atividade, são piso calculados sobre valores presentes, mas para serem concedidos apenas a quase três anos. Se engana quem quer com esta balela.

Além disto, e especificamente sobre o plano de segurança do Genro, é preciso analisar alguns dados trazidos pelo próprio ministro no anúncio deste “promarketing”. Segundo as estatísticas e estudos feitos pelo Ministério da Justiça, as prisões brasileiras recebem um jovem a cada sete horas, na faixa de 18 a 29 anos.

Vai se dizer que este elevado número é fruto exclusivamente da pobreza ? Vocês leram aqui a transcrição de uma reportagem de Camila Antunes, na Revista VEJA deste último final de semana, “Do zero ao topo do ranking”, sobre a história dos cinco jovens que venceram a miséria, entraram na universidade e estão hoje entre os melhores alunos do país. Já havíamos contado neste espaço histórias semelhantes, de pessoas que trabalharam como domésticas e babás, e que alcançaram a universidade com muito esforço e dedicação pessoal. Ou seja, não é a pobreza que afasta o jovem de uma vida dedicada ao trabalho e ao estudo, como tem sido costumo se arrotar por aí.

A criminalidade é e sempre será uma opção pessoal, uma escolha, de quem tem instinto para o mal e para a desonestidade, e encontra no meio ambiente as condições propícias para agir segundo seus instintos. Mas não é só isso: há que se considerar que, hoje, pelo menos 50% dos jovens estão desempregados, procurando emprego ou vivendo de bicos. Por quê ? Pela simples razão de que a geração de empregos se tornou no país muito caro. O empresário mal consegue suportar o peso dos impostos que incidem sobre sua produção, e mal consegue manter-se adimplente em relação às obrigações trabalhistas que incidem sobre sua folha de pessoal. Afora isso, grande parte acha-se atolada em dívidas provocadas por um política de juros que sufocou o crescimento do país durante todo o primeiro mandato do senhor Lula. E, em muitas atividades, a questão cambial está matando empregos e fechando fábricas. Alguém tem dúvida da falta de opções para a juventude brasileira provocada pelo próprio governante que se arvora em pai dos pobres ? Bastaria comparecer à porta das embaixadas e consulados estrangeiros, principalmente Europa, Canadá e Estados Unidos, inclusive Nova Zelândia e Austrália, e verificar a leva de milhares de jovens simplesmente indo embora em busca de melhores perspectivas para suas vidas. Representa dizer que, pouco a pouco, estamos matando também o nosso futuro, fazendo-o cada dia mais medíocre do que o presente.

Fica fácil para Lula culpar chuvas e trovoadas e o diabo a quatro para esta situação de miserabilidade que o país oferece aos seus jovens. Assim, transferindo responsabilidades não precisa assumir seus próprios erros. Mas é bom não esquecer: Lula já e presidente há pelo menos quatro anos e meio, e tudo o que o seu ridículo governo tem produzido é justamente empurrar os jovens brasileiros cada para mais longe do Brasil. Por mais que minta sobre as “virtudes” de seus mirabolantes planos e programas específicos, todos, sem exceção, se esmeram e se espelham pelo assistencialismo vagabundo, ridículo, que apenas produzem pobreza mental para os beneficiários.

Precisamos retomar políticas públicas que premiam o jovem pelo mérito, precisamos reduzir drasticamente o tamanho do Estado para diminuir ao mínimo necessário o peso deste Estado sobre os ombros da sociedade, permitindo abrirmos brechas para redução urgente e indispensável de carga tributária. Precisamos criar políticas públicas que proporcionem oportunidades para os jovens artistas, os jovens esportistas, e não apenas continuar esta procissão canalha de abrir faculdade de direito em cada esquina, priorizando quantidade em detrimento de qualidade.Precisamos colocar no lixo esta idiotia que assoma todas as ações públicas que, vertente do populismo desastrado já sepultado no século, se insiste em implantar na cabeças de alguns jovens para retumbarem na sociedade ideologias do atraso.

Precisamos renovar o pensamento tupiniquim que vai mergulhando o país no caos, na tragédia, no vitimismo, na hipocrisia e na conquista de mais privilégios para uma casta de subalternos mentecaptos dinossauros e outra leva de estúpidos delinqüentes.

Dizer que vai liberar um bilhão de reais por ano para segurança pública para aplicar em que mesmo ? No combate à violência ? E a esfera do judiciário, como fica? E a modernização do Código Penal e também do Processo Penal, como ficam ? E os crimes cometidos por políticos quando finalmente receberão tratamento sumário e os culpados punidos exemplarmente ? Sem cruzar por estas bandas, não haverá plano de segurança que dê jeito na barbárie que toma conta do Brasil. Sem garimpar no terreno do exemplo partindo das altas esferas dos poderes da república, nunca os recursos serão abundantes o necessário para coibir a selvageria vigente. Há muito exemplo sadio espalhado pelo mundo afora para nos espelharmos por eles e trazer um pouco de paz, de civilização e decência para o nosso cotidiano. Não precisamos copiar as porcarias que centram sua ação em mais caos. O fazemos isso e nos associamos com o modernismo nas ações e no pensamento, ou permaneceremos mergulhados na escuridão do atraso. Neste sentido, não há alternativas. Ou se faz o certo, e se faz agora, ou, para os honestos e decentes, o melhor é providenciar uma senha para seu passaporte. O inferno ainda foi feito para os diabos da estrela vermelha...

Uma mudança de mentirinha

Editorial do Jornal do Brasil

A Câmara poderia transformar a reforma política em uma bandeira de resgate da credibilidade do Congresso, mas até agora preferiu fugir da responsabilidade para não ferir interesses dos partidos, das bancadas regionais e do baixo clero. Na melhor das hipóteses, é possível chegar a algum consenso para a votação do instituto da fidelidade partidária e, mesmo assim, só a partir de agosto, depois do recesso.

A reforma política saiu das sonolentas gavetas da Câmara como bóia salva-vida para um Congresso afundado no mar de suspeitas descoberto a partir do escândalo do mensalão, aquele festival de propinas e dinheiro de origem duvidosa que irrigou muitas campanhas. Bastou, contudo, o governo estabelecer o loteamento de ministério e de cargos em estatais entre os aliados de 13 partidos para que tudo fosse esquecido. Antes, certos parlamentares ainda tentaram empurrar um arremedo de reforma para permanecerem no poder com a tentativa de aprovar um sistema de voto fechado, mantendo as listas dos candidatos sob controle das burocracias partidárias. O truque não deu certo e a reforma deve ser condenada novamente ao sono dos esquecidos pela omissão dos deputados.

A reforma era um bom momento para a Câmara, pois devolvia ao Congresso o debate com substância sobre o futuro político do país, forçando os parlamentares a estudarem novas formas de aperfeiçoar a representação popular e a discutirem sistemas de voto distrital, financiamento de campanha, controle partidário, cláusulas de barreira, coligações e federações e o fim do troca-troca partidário e das legendas de aluguel.

Depois de rejeitarem a proposta de voto em lista fechada, os deputados não avançaram sobre novas saídas, como se estivesse esgotada sua capacidade criativa e suas forças de raciocínio exauridas.

Por idêntica incapacidade de criar alternativas, o financiamento de campanha tende para o mesmo melancólico fim, já que o modelo misto de recursos públicos e privados parece não agradar as legendas, assim como não evita o caixa 2, o que era a motivação original. A defesa da fidelidade partidária parece ter sido devidamente amenizada, já que os deputados podem nem perder os mandatos conquistados por determinadas legendas caso as abandonem.

A inapetência e a incompetência exibidas nos últimos meses indicam que a Câmara apenas adia o enfrentamento de sua inviabilidade enquanto a agonia de Renan Calheiros paralisa o Senado. Esse é o preço que a sociedade paga por um estilo de administração política fisiológica e imediatista adotado no Congresso e na Presidência da República.

Estabeleceu-se no Congresso e no Planalto uma espiral de negociação permanente que paralisa a máquina pública com intermináveis negociações para o loteamento de cargos federais, processo ainda não encerrado. Cada votação de interesse do governo exige uma contrapartida do Executivo, no cumprimento de desgastantes acordos de varejo. Com a reforma política é um pouco pior, já que o Planalto evita patrocinar abertamente qualquer proposta para não correr o risco de desgaste inútil.

Não é possível admitir que o Congresso se suicide e deprima a democracia brasileira, arquivando qualquer debate útil ao país, como faz a Câmara com a reforma política. Se o Senado sangra escandalosamente pelos pulsos do seu presidente e a Câmara se esmera em se omitir, o que esperar do Poder Legislativo?

Violência, um monstro de muitas faces

Pedro do Coutto, Tribuna da Imprensa

O presidente Lula aprovou projeto do ministro da Justiça, Tarso Genro, e destinou 3,5 bilhões de reais - até o final de seu governo - para o combate à violência em todo o País. Seria o PAC da Segurança Pública. Os recursos na verdade não são tão grandes assim e neles se inclui a construção de novos presídios para separar criminosos de vários graus de periculosidade, inclusive jovens que cometem delitos considerados leves.

A cada dia, revela a reportagem de Chico de Góis e Luiza Damé, "O Globo" de 10/07, 187 jovens são presos no País. A questão da segurança não é apenas de verba. Pois se recursos financeiros em quantidade resolvessem, não haveria problemas de violência num país como os EUA. Os investimentos são enormes, mas a criminalidade também. Basta dizer que a população carcerária norte-americana é de 2 milhões e 300 mil pessoas. Isso significa que, em cada 150 americanos, um está preso. As condenações são severas, existe pena de morte em vários estados, os recursos à Justiça não são intermináveis como no Brasil. Veja-se o caso Pimenta Neves.

Condenado, encontra-se em liberdade apenas pela possibilidade de ingressar com mais um recurso contra a sentença que lhe foi aplicada. Veja-se o caso de Cacciola, o caso de Rodrigo Silveirinha. Uma seqüência sem fim. O problema global é bem mais complexo. Começa no desleixo, na frouxidão dos costumes, passa pela imunidade e termina na impunidade. É aquela coisa do deixa para depois. E assim não vai acontecendo nada.

Este é o aspecto cultural. Fortalecido pela desordem urbana, que indiretamente incentiva a violação da lei e, logo no degrau seguinte, o crime. Os policiais ganham salários muito baixo. Desde que Fernando Henrique assumiu a presidência da República vêm perdendo para a inflação do IBGE e assim perdendo o poder de compra. A população, de modo geral, é vítima de um processo de empobrecimento. O governo Lula, que saiu das urnas com a bandeira da esperança, não alterou o panorama.

O Rio de Janeiro, por exemplo, é uma cidade cada vez mais ocupada por favelas. Nelas, o tráfico de drogas dá as cartas. Combatê-lo transforma-se numa comoção. As dificuldades são crescentes. Hoje em dia, conhecidos meus têm dito que ninguém quer testemunhar contra os que praticam crimes. Medo da represália. Este temor foi aumentando à proporção em que o mundo dos criminosos foi ampliando suas fronteiras. A solução, difícil, encontra-se muito distante.

Em Nova York, quando o prefeito Rudolph Giuliani combateu a criminalidade e a violência, começou da intolerância para com os delitos menores. Porque eles vão crescendo se não forem contidos no seu desenvolvimento. Além disso, as ruas, esquinas e praças sujas passam a idéia de ausência de poder organizado, de ausência de respeito urbano. Os que agridem a cidade, picham monumentos, estátuas, edifícios, no fundo ridicularizam os poderes constituídos. No Brasil, uma boa parte destes poderes encontra-se igualmente contaminada. O exemplo vem de cima, como se diz usualmente. E são os piores possíveis. A começar pela corrupção, uma onda cada vez mais forte. Mais forte e imune à ação da lei. Um desastre.

Inclusive, para ampliar a segurança nas ruas, é preciso começar pela educação, pelo estabelecimento de limites que resguardam a propriedade, não só a material, mas a que se traduz na individualidade de cada um. No direito de ir e vir pela cidade sem que seja acompanhada pela sombra da insegurança e pelo medo de que o perigo pode aparecer a qualquer momento. Para ampliar a segurança, é indispensável fazer com que os salários não percam para a inflação. Que os pais possam deixar seus filhos em escolas de tempo integral.
Mas o esforço não acaba aí. O nível de desemprego, atualmente na escala de 10 por cento, como revelou há poucos dias o IBGE, significa a existência de 9 milhões de desempregados vagando pelos centros urbanos e rural à busca de um lugar ao sol, de uma oportunidade, de um posto de trabalho, através do qual possam sustentar a si e suas famílias. Enquanto o desemprego estiver alto, os salários permanecerão baixos e, mais baixos ainda, os padrões de segurança pública. O impasse aí está.

Para superá-lo, antes de mais nada, é preciso deixar o marketing em segundo lugar e partir para ações concretas e múltiplas, já que o desafio é múltiplo e cada vez maior. Por que cada vez maior? Porque a população não pára de crescer. A cada ano surgem mais 2 milhões de pessoas no País. Esses dois milhões de brasileiros, economicamente, significam a necessidade de mais 500 mil unidades habitacionais, já que a média nacional é de quatro pessoas por residência. Quanto mais a população crescer sem que o aumento demográfico seja acompanhado por maior número de habitações, maior será a tensão social, porque o espaço de habitação vai se comprimindo.

E aí temos a equação: saneamento, saúde, segurança, habitação, e sobretudo educação e alimentação. Sem esta vista de conjunto, qualquer plano de segurança fracassará. E a desordem urbana e social continuará se ampliando.

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Brasil recorre a OMC contra subsídios agrícolas dos EUA
Reuters

O Brasil deu nesta quarta-feira,(11/07), o primeiro passo na Organização Mundial do Comércio (OMC) para um contencioso sobre os programas de subsídios agrícolas dos Estados Unidos entre 1999 e 2005.

O governo brasileiro entende que os gastos norte-americanos com seus produtores excedem os limites anuais legais, de US$ 19 bilhões.

A decisão de pedir consultas aos Estados Unidos sobre esses programas, anunciada pelo subsecretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty, Roberto Azevedo, ocorre após o recente pedido do Canadá para instalar um painel no órgão de solução de controvérsias da OMC, com a finalidade de analisar os mesmos subsídios.

"Na condição de um dos maiores produtores e exportadores agrícolas mundiais, interessa ao Brasil acompanhar e influenciar a evolução da jurisprudência da OMC relativa à aplicação das regras multilaterais sobre o comércio agrícola", disse Azevedo.

"O Brasil questiona os gastos globais" realizados pelos Estados Unidos em seu programa de apoio aos agricultores, disse o subsecretário, explicando que para o Brasil os gastos norte-americanos nesses programas "excedem o valor de US$ 19 bilhões, que é o limite consolidado na OMC".

O Canadá havia solicitado em janeiro à OMC consultas aos EUA sobre subsídios agrícolas, em uma iniciativa a que aderiram o Brasil, a União Européia e a Austrália.

Mas Azevedo disse que o Brasil decidiu acompanhar o Canadá como parte reclamante, e não como "mero acompanhante". Segundo ele, "a condição de terceira parte interessada não oferecia a oportunidade de atuação que o país necessita em uma controvérsia de grande relevância sistemática em matéria agrícola".

O funcionário, além disso, explicou que o Brasil poderá apresentar queixas ligeiramente diferente das do Canadá sobre os subsídios norte-americanos . Admitiu, no entanto, que a reclamação deve funcionar, sobretudo, como "uma ação preventiva", já que neste ano vence a lei agrícola vigente nos Estados Unidos.

A nova lei terá outros valores, mas o Canadá tem uma preocupação sistemática" sobre os efeitos distorcivos das novas ajudas que se incluirão nas futuras normas.

Azevedo disse também que a multiplicidade de reclamantes contribui para fortalecer o caso.

Os Estados Unidos devem responder em um prazo de dez dias ao pedido de consultas brasileiro. E, se o Brasil considerar que suas preocupações não foram atendidas, solicitará nessa instância a formação de um painel no órgão de solução de controvérsias da OMC.

O Brasil, além de Austrália e Tailândia, conseguiu anteriormente um parecer favorável da OMC em uma ação contra os subsídios dos EUA aos produtores de algodão.

Os subsídios norte-americanos são um dos principais assuntos em discussão na Rodada de Doha da OMC.

ENQUANTO ISSO...

Argentina vai à OMC contra barreiras impostas pelo Brasil
Jamil Chade, Estadão online

Há um mês, argentinos apresentaram a mesma queixa. Mas Brasil bloqueou o pedido. Agora, a OMC será obrigada a estabelecer comitê para avaliar a lei

GENEBRA - Sem um acordo de paz entre os governos, a Argentina entra nesta quinta-feira, 12, mais uma vez com uma queixa formal contra o Brasil na Organização Mundial do Comercio (OMC) por causa de barreiras impostas pelo País sobre uma resina exportada pelos argentinos. Para Brasília, Buenos Aires estava praticando dumping no mercado nacional. A medida foi confirmada ao Estado por um negociador argentino.

Há um mês, os argentinos apresentaram a mesma queixa. Mas o Brasil bloqueou o pedido. Contatos foram feitos entre os dois países para tentar dar uma solução ao caso, mas não houve um avanço. Pelas regras da OMC, se uma queixa é feita pela segunda vez, um país não tem o direito de frear a iniciativa. Com o novo pedido, a OMC será obrigada a estabelecer um comitê com três árbitros para avaliar a lei brasileira. Os argentinos querem que a OMC condene a prática adotada pelo País.

Brasília chegou refazer seus cálculos que levaram à imposição da barreira, mas não retirou a sobretaxa imposta sobre o produto argentino. Para membros do governo, a guerra aberta pelos argentinos não passa de uma disputa entre as empresas do setor por quem terá maior parcela do mercado brasileiro nos próximos anos.

Polêmica
No início do ano, Buenos Aires abriu consultas contra o Itamaraty alegando que a barreira imposta pelo País na importação da resina PET - sigla de polietileno tereftalato, usada nas embalagens de refrigerantes e água - seria ilegal. O Brasil alegou que os argentinos, por meio da empresa americana Eastman, estavam exportando o produto a um preço inferior ao que praticavam internamente, o que seria caracterizado como dumping e uma estratégia para ganhar mercado. Diante dessa prática, o governo brasileiro decidiu impor uma sobretaxa ao produto argentino.

Segundo Buenos Aires, a barreira apenas favorecia as vendas da concorrente italiana M&G Fibras e Resinas, que já controla cerca de 60% do mercado brasileiro. Já a Eastman, empresa na Argentina que quer o fim da barreira imposta pelo Brasil, é de capital americano e atualmente ocupa a posição de líder no mercado mundial. Mas, com a barreira imposta pelo Brasil no início de 2005 de cerca de US$ 641 por tonelada, a Eastman foi excluída do mercado nacional.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Pois então, para mostrar sua independência, vale ir à OMC contra os EUA, pela simples razão de que eles lutam pelo seu interesse. Até aí tudo bem, faz parte do jogo comercial Lula ir aos fóruns internacionais para brigar pelos interesses do país que preside.

Mas por que razão ele não atua com a mesma intensidade quando é para brigar contra a Argentina, Bolívia e afins ? A argentina por exemplo foi sustentado pelo Brasil durante toda a dramática crise que viveu na década de 90. Bastou uma pequena melhora, e saiu chutando o traseiro do Brasil, criando mil barreiras para nossos produtos. Foi assim com os calçados, com os elétricos linha branca (refrigeradores, fogões, lavadoras).

Agora, pega na prática ilegal de dumping, não aceita que se criem barreiras contra seu interesse. E, mesmo sendo parceiro no bloco do Mercosul, ao invés de negociar, parte direto para o confronto. De parceiro assim, inimigos pra quê, não é mesmo? Ser valente contra o poderoso EUA é até fácil: é berreiro de cachorro vira-lata. Agora peitar um igual como é a Argentina, bem isso faz parte da política da fraternidade aos amigos pobres. É a máxima do pancada de amor não dói !