sábado, abril 19, 2008

Clube da Aeronáutica se solidariza com general e ameaça com movimento militar

Luisa Belchior, Folha Online

O Clube da Aeronáutica reforçou a reação de militares à repreensão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao general Augusto Heleno Ribeiro Pereira. O general Heleno criticou a política indigenista do governo federal. O presidente do clube, tenente-brigadeiro da Aeronáutica Ivan Frota, afirmou, em nota, que "o país conhecerá o maior movimento de solidariedade militar" caso as repreensões continuem.

A nota foi distribuída nesta sexta-feira a integrantes das Forças Armadas durante o terceiro dia do seminário "Brasil, ameaças a sua soberania", na sede do Clube Militar do Rio, no qual, anteontem, o general Heleno chamou de "caótica e lamentável" a política indigenista do país.

Frota disse que o discurso do general Heleno "representa a síntese do pensamento castrense atual" e criticou a atitude do presidente Lula de pedir esclarecimentos sobre a crítica ao ministro Nelson Jobim (Defesa).

"Que o presidente não se atreva a tentar negar-lhe [ao general Heleno] o sagrado dever de defender a soberania e a integridade do Estado brasileiro [...]. Caso se realize tal coação, o país conhecerá o maior movimento de solidariedade, partindo de todos os recantos deste imenso país, jamais ocorridos nos tempos modernos de nossa História", afirmou em nota o tenente-brigadeiro.

Também nesta sexta-feira, o general do Exército Gilberto de Figueiredo, presidente do Clube Militar, afirmou que as críticas do general Heleno não ferem nenhuma hierarquia ou disciplina. "Acho que ele [presidente Lula] não entendeu o que aconteceu. O general Heleno falou sobre algo de sua responsabilidade. Não é de hoje que essa área é polêmica", disse.

Presente no seminário, o almirante-de-Esquadra Marcos Martins Torres, chefe do Estado-Maior de Defesa, segundo na hierarquia do Ministério da Defesa, não quis comentar a reação do presidente Lula.

O general Mario Madureira, chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste, também esquivou-se de polêmica e disse que é direito do presidente Lula pedir esclarecimentos, mas negou achar que houve ato de insubordinação. Sobre as críticas dos clubes Militar e da Aeronáutica, afirmou que "os clubes militares têm todo o direito de se manifestar".

General critica política indigenista do governo e estranha cobrança de Lula

Luisa Belchior, Folha Online

O general do Exército Gilberto de Figueiredo, presidente do Clube Militar, engrossou hoje o coro dos descontentes com a política indigenista do governo federal. Ele saiu em defesa do general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, que foi cobrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por criticar essa política.

Para Figueiredo, as críticas do general Heleno não ferem nenhuma hierarquia ou disciplina. "A observação do general Heleno foi fruto da angústia de alguém que observa no próprio local a situação aflitiva de algumas comunidades. [...] A política indigenista, todos sabem, está longe de ser consensual, inclusive dentro do governo Lula".

A crítica do general Heleno abriu uma crise entre os militares e o Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu ontem com o ministro Nelson Jobim (Defesa) e o comandante do Exército, Enzo Martins Peri, para cobrar explicações sobre a crítica do comandante Militar da Amazônia, general Augusto Heleno.

Para Figueiredo, o presidente adotou um tratamento diferenciado ao cobrar explicações do general Heleno, já que ele não questiona os ministros que contestam a política econômica do governo. "É estranho o presidente da República pedir explicações sobre o caso. Não me consta que tenha adotado o mesmo procedimento quando ministros do seu partido contestam publicamente a política econômica do governo", diz Figueiredo em nota.

O general elogiou a política econômica e condenou ações eleitorais do governo. "Aliás, [a política econômica é] uma das poucas coisas que está funcionando coerentemente nessa época em que atitudes voltadas para produzir impacto em palanque são mais importantes do que a ética e a moralidade na condução das gestões políticas."

Caótica
Anteontem, o general Heleno disse que a política indigenista do governo era "caótica" e lamentável". "A política indigenista brasileira está completamente dissociada do processo histórico de colonização do nosso país. Precisa ser revista com urgência. É só ir lá ver as comunidades indígenas para ver que essa política é lamentável, para não dizer caótica."

Apesar das críticas, o presidente da Funai, Márcio Meira, reiterou nesta sexta-feira que o governo federal não vai modificar a política indigenista no país.

Segundo Meira, não há risco à soberania nacional em decorrência da manutenção das demarcações de terras indígenas de forma contínua.

"Não há risco algum à soberania brasileira ao fato de termos terras indígenas demarcadas seja nas faixas de fronteiras ou em qualquer outra área", afirmou Meira, que participou da reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com representantes de 40 povos indígenas, no Palácio do Planalto.

A declaração dos generais do Exército ocorrem em meio ao embate entre o governo e os arrozeiros instalados na reserva indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima. A Polícia Federal foi chamada para retirar os arrozeiros do local, mas o STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu a operação.

O envio de homens da PF e da FNS (Força Nacional de Segurança) tem por finalidade cumprir em sua totalidade o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, que homologou como terra indígena contínua a Raposa/Serra do Sol.

O governo não tem autoridade para fragmentar o território brasileiro

Adelson Elias Vasconcellos

A grandeza política de um chefe da nação é saber administrar os seus contrários. Agredi-los verbalmente, com jocosidade ou não, faz deste pseudo chefe, um personagem pequeno, vulgar, sem espírito público. Sempre se deve buscar, em qualquer circunstância, a união e o entendimento. Mesmo que a crítica permaneça, é obrigação de qualquer mandatário expor suas razões, prestar contas de seus atos, justificar suas decisões com argumentos que demonstrem que, por detrás muitas vezes de medidas impopulares, se buscou o bem estar coletivo, o atendimento maior do interesse público.

Não é preciso grandes pesquisas para se concluir que Lula não encarna este perfil. Até pelo contrário: a história registra, em toda a sua biografia como político de oposição, que nos momentos mais agudos em que o país precisava muito mais de entendimento do que de divisão, não teve em Lula este político com a grandeza necessária para se dispor ajudar o país. Podemos, dentre tantos, citar ao menos destes momentos: um, quando da elaboração da Constituição de 1988, ele que era constituinte, negou-se juntamente com seus colegas de partidos, assinarem nossa carta magna, símbolo maior da reconquista da nossa legitimidade como nação democrática e livre.

Um segundo momento foi logo após o impeachment de Fernando Collor, quando Itamar Franco, seu vice presidente, assumiu a Presidência e estendeu a mão a todos os partidos para a busca de um entendimento nacional, com o objetivo de tornar a transição de um momento tão difícil melhor em todos os aspectos. O que Lula fez? Simplesmente negou-se ao entendimento. Quero crer que este cidadão, hoje transformado em presidente, não tem moral para exigir um tratamento que ele próprio se negou em conceder.

Não pensem que o momento econômico de estabilidade econômica, confere ao Brasil status de uma nação civilizada. Até pelo contrário: estamos regredindo em pontos que podem desembocar em rupturas institucionais. Por onde quer que se lance o olhar, o país segue cada dia mais atolado no caos. Negar isto é não enxergar o óbvio, ou tentar mascarar a realidade por absoluta conveniência e cinismo.

Na questão do conflito que se abriu com a ordem do governo federal de desocupação de não índios da reserva Raposa do Sol é possível notar que a dose de “paciência” de alguns segmentos da sociedade começam a se esgotar. Em diferentes artigos,nossos e de vários outros jornalistas e especialistas, deixamos claro que o que esconde por detrás desta ação sórdida desencadeada pelo governo federal, está muito longe do que interesse público. Estão desalojando centenas de famílias, nascidas naquela região muito antes de sua demarcação, que ocupam menos de 1% do total da reserva, que agregaram valor econômico à terra por seu trabalho honesto, em nome de pretensos direitos de diferentes etnias indígenas, muitas das quais que nunca puseram seus pés naquela reserva. E os direitos de quem nasceu e sempre morou e trabalhou ali, muito antes da famigerada demarcação burra? Vamos jogar no lixo e deixar aquelas famílias ao Deus dará ? Que espécie de governo é este que permite, escandalosa e criminosamente que bandoleiros de todas as espécies, que vivem da generosidade do Estado, que não trabalham, que invadem propriedades públicas e privadas, destruindo patrimônio construído com o sacrifício e trabalho alheio, enquanto retira de seus lares centenas de famílias nascidas e criadas em terras que trabalharam a vida toda para delas tirarem seu sustento?

E vejam a que ponto chega a estupidez e a ignorância destas “ditas” autoridades: para evitar o conflito que punha em risco a vida de muitos, o STF concedeu liminar que suspendeu a operação de guerra montada pela Polícia Federal para a desocupação e trouxe para si a decisão sobre a demanda, uma vez que se sabe que está violentando os direitos de muitos. Há uma constituição a ser cumprida, e a demarcação em terras contínuas fere o direito de muitos que lá estavam além de colocar em risco a integridade do próprio país. E se atentarmos que a demarcação em terras contínuas da Raposa do Sol foi feita à revelia do acordo feito em 1998 e que também abriga áreas de fronteira, então se pode dar curso a medidas que atentam à segurança do país.

Pois bem: além de Lula vários foram os ministros de estado que simplesmente atacaram o STF por sua decisão, como se todos tivessem autoridade para invadir a área de outro poder para tentar desqualificar sua decisão que preservou direitos individuais e assegurou a integridade. Já disse aqui e repito: o comportamento do governo nesta questão é indicativo de que o governo está muito mais preocupado em atender os piratas internacionais que povoam as centenas de ONGs picaretas do que propriamente com os interesses do país. Tem alguém aí levando algum por fora? Temos o direito de ai menos suspeitar dado o açodamento com que o governo Lula quer entrega um latifúndio injustificável por sua localização e dimensão a um grupo tão reduzido de índios.

Se considerarmos que Lula assinou em 2005, na ONU, um Tratado de Autodeterminação dos Povos Indígenas, veremos bem o perigo que representa a sociedade brasileira, especificamente o Poder Judiciário, consentir que se comete um ato de traição para com o país e seu povo.

Ao lado do Judiciário, parte do Legislativo, no caso os parlamentares do DEM, também as Forças Armadas se levantam para oferecer resistência que as medidas do governo Lula em relação à reserva se consumem. Melhor faria o governo se recuasse e tratasse de rever sua decisão para o bem de todos. Insistir em manter tudo como está é provocar um conflito interno no país de conseqüências imprevisíveis.

Nos posts seguintes, vamos apresentar a posição das Forças Armadas, especificamente Aeronáutica e Exército, bem como uma pequena amostra no que se transformaram nossos “indígenas” a partir da política desencadeada pelo governo Lula. Como já disse, precisamos desmistificar este romantismo que por muitos anos desenhamos em relação aos indígenas. Existe a parte rica, alimentada pela doação internacional de ONGS, e que se fartam com o contrabando de madeiras, metais raros e pedras preciosas, e que comandam órgãos como a FUNAI, onde nada é permitido que contrarie seus interesses nada honestos. E, de outro lado, espalhados pelo território brasileiro, existem inúmeras comunidades simplesmente abandonadas pelo Poder Público, onde a mortalidade infantil é o dobro da média nacional, e onde se morre de fome e sem nenhuma forma de assistência.

Estes sim podem alegar que não são respeitados em seus direitos. Não o povo indígena rico que vive há muito tempo da exploração clandestina e criminosa da riqueza de suas terras que são, antes de tudo, propriedades do povo brasileiro. Esta realidade fica visível em reportagem da Revista VEJA que chega às bancas neste final de semana.

Ninguém aqui está incitando que se pratique violência contra quem quer que seja. O que não se pode é consentir que se continue alimentando uma mistificação, um engodo, uma farsa descomunal em relação a muitos povos indígenas, já aculturados, que não se comportam como cidadãos brasileiros que são, que adotaram práticas de crimes previstos em lei, e que estão à espera apenas de que o Senado federal homologue o Tratado assassino assinado por Lula em 2005, para se apartarem do Brasil. O que não se pode é consentir que nossas fronteiras fiquem entregues à cobiça internacional.

Toda e qualquer justificativa que este desgoverno venha a apresentar em relação a demarcação estúpida que tem praticado de reservas indígenas são mentiras que servem apenas para encobrir o crime que se está alimentando de forma subterrânea contra a integridade do país. Nem Lula, nem seus ministros e tampouco tribo de índios de espécie tem esta autoridade.

Selva é com ele

Victor De Martino, Revista VEJA

Comandante da Amazônia ataca a política de fazer reservas indígenas gigantescas

O general-de-exército Augusto Heleno Pereira é um dos poucos comandantes brasileiros com experiência em combate. Foi o primeiro chefe da missão de paz da ONU no Haiti. Já ocupou alguns dos postos mais altos da burocracia do Exército. Hoje, é o comandante militar da Amazônia. Na semana passada, o general Heleno usou todo o seu prestígio para atacar a política indigenista do governo Lula. Durante uma palestra no Clube Militar, no Rio de Janeiro, declarou que a demarcação de reservas indígenas na fronteira do país ameaça a soberania nacional. E foi além. O comandante da Amazônia chamou a atual política indigenista de "lamentável" e "caótica", por impedir não-índios de entrar em reservas e por abandonar as comunidades indígenas à miséria depois da demarcação. As críticas, claro, repercutiram mal, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exigiu que o militar fosse disciplinado. Há poucas chances de que isso ocorra e nenhuma de que surta efeito.

O general Heleno fala com liberdade porque está no topo da carreira, não depende mais de promoções e pode vestir o pijama quando quiser. Em momentos como esse, é comum que os militares soltem a língua. Em 1995, o general Murillo Tavares da Silva malhou um projeto de indenização das vítimas do regime militar. Dois anos antes, seu colega Benedito Leonel invocou a "cólera das legiões" para exigir reajuste nos soldos. Eles, como Heleno, falaram respaldados por seus companheiros de caserna. As Forças Armadas estão justificadamente insatisfeitas com a política da União de entregar territórios vastos e contínuos aos índios, como no caso da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. Prova disso é que, dois dias depois do discurso de Heleno, outro general, Luiz Schroeder Lessa, publicou um artigo no qual classifica a criação de reservas na fronteira da Amazônia como "um dos maiores atentados à soberania brasileira com o apoio ostensivo do presidente Lula e a omissão criminosa de seu governo". Do ponto de vista militar, a avaliação é correta.

Os militares sabem que a Amazônia é uma região de difícil vigilância. De população rarefeita e fronteiras secas na selva fechada, ela se torna extremamente porosa e vulnerável. A doutrina militar defende desde sempre a ocupação e a civilização da Amazônia como a melhor forma de protegê-la. A ameaça de invasão da região por traficantes e terroristas estrangeiros, como os das Farc, é real. Só quem pode contê-la é o Exército. Por isso, é de bom senso sempre ouvir o que os generais têm a dizer sobre a Amazônia.

DEM apóia general Augusto Heleno

Um partido político não precisa necessariamente estar no poder ou ser maioria para marcar sua presença na sociedade. Basta, muitas vezes, fazer a coisa certa. Cedo ou tarde, suas ações passam a chamar a atenção do grande, por sua racionalidade e sensatez.

Este é o caso do DEM, que desrespeitosamente Lula chama de “demos” numa agressão covarde e grosseira a um legítimo representante de outro Poder. A nota oficial dos democratas apoiando o general Heleno por sua duras críticas à política indigenista do governo atual, qualificando-a de “caótica”, é um primor de retidão, clareza e objetividade. Nada lhe pode ser acrescentado ou retirado. O texto é irretocável e seria oportuno te-lo à mão sempre para reflexão. Ali, há muito para refletir quando se tenta entender o que se está querendo fazer do país, a forma perniciosa como se está fragmentando sua outrora unidade, ao modo assassino como se está dividindo o país em guetos raciais, como se o povo brasileiro não fosse produto direto da mistura de todas elas.

Pelo menos é possível saber que existe de fato oposição à degradação reinante. Nem todos se tornaram imbecis subservientes de um poder repugnante. Ao fim, leiam comentário do Reinaldo Azevedo sobre a nota do DEM de apoio ao general Heleno.


"Comissão Executiva Nacional - Democratas– Nota Oficial

Brasil exige luta contra o crime

A Comissão Executiva Nacional do Democratas vem a público exigir medidas efetivas contra o clima de quase insurreição que temos vivido; alertar a opinião pública para a irresponsabilidade contínua do governo no uso do dinheiro público e manifestar apoio ao comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira – ameaçado e intimidado depois que solicitou mudanças na política indigenista. Sobre essas questões, o Democratas solicita atenção da sociedade para os seguintes pontos:

1)o general Heleno Ribeiro Pereira advertiu que a questão indígena tornou-se "ameaça interna" à soberania brasileira na Amazônia referindo-se à necessidade de revisão do decreto presidencial que criou a reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. A pretexto de transformar tribos em “supostas nações independentes”, ONGs estrangeiras interessadas em consolidar a invasão do território nacional, agem livremente na reserva, que faz fronteira com a Venezuela e a Guiana;

2) ao invés de levar em conta a advertência do oficial, o governo age no sentido oposto e está exigindo que ele explique afirmações feitas com base em fatos e informações incontestáveis. Com o pedido de explicações, o governo busca intimidar, ameaçar e silenciar o Comandante Militar da Amazônia com o objetivo de enfraquecer a posição de todos os que defendem a revisão da política indigenista do governo porque ela implica ameaça à segurança nacional;
3) ao mesmo tempo que sinaliza com punições contra quem age com seriedade, moderação e respeito às leis, o governo atua com permissividade e leniência ante as ilegalidades de grupos que investem contra a democracia, o estado de direito e a segurança pública. É com apoio, estímulo e financiamento público que o MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, pratica ações ilegais de Norte a Sul do país e achincalha o direito de propriedade previsto na Constituição sem receber sequer uma advertência dos responsáveis pela ordem pública;

4) é o dinheiro desviado do bolso do trabalhador honrado, que tem a cultura dos direitos e deveres, que financia as ações ilegais do MST, grupo comprometido com a intolerância, a violência e o crime. Com que direito o governo transfere, sem prestar contas ao Congresso e à opinião pública, recursos públicos cada vez mais volumosos para financiar as jornadas de crime e de terror do MST? Qual a justificativa para doar verbas que deveriam acudir problemas de saúde, educação e moradia das pessoas, a quem cria ambiente de insegurança jurídica que resultará na imposição de pesados prejuízos ao país e a todos os brasileiros?

5) o Brasil não construiu a democracia para favorecer ilegalidades, seja a pretexto de proteger os índios, seja com a desculpa de combater injustiças ou sob a alegação de pretensas reparações a comunidades remanescentes de quilombos. A sociedade brasileira lutou para conquistar um Estado democrático de direito onde ninguém pudesse agir ao arrepio da lei. É preciso dar um basta aos que se escondem por trás de supostos movimentos sociais para aumentar o controle estatal da sociedade. Em vez de luta de classes, o país exige luta contra o crime.

Brasília, 18 de abril de 2008
Rodrigo Maia
Presidente"


A seguir, o comentário do Reinaldo Azevedo.

Parabéns ao DEM por chamar as coisas pelo seu nome

Uma nota irretocável a do DEM. Tão certo, no entanto, quanto dois mais dois são quatro — embora a moda seja dizer que são 22 ou que isso depende da vontade da maioria —, o partido vai acabar tomando algumas pauladas de setores da imprensa que, a exemplo do ministro da Reforma Agrária, consideram que a baderna é parte da democracia. Alguns chegam mesmo a considerar que é a sua melhor parte.

Acusarão exagero retórico, fala estridente em busca de uma causa e afins. São os mesmos setores que jamais reconheceram o caráter autoritário do petismo e dos autoproclamados “movimentos sociais”. Reagem a esse autoritarismo de modo não mais do que episódico, incapazes de reconhecer a essência antidemocrática de sua ação — ou talvez até reconheçam; é que partilham dos mesmos valores.

Parabéns ao DEM. Os dias são realmente muito pouco amistosos para as oposições. Segundo os petistas, os que criticam o governo não suportam o seu sucesso. Essa é a ladainha de todos os autoritários: se você não está com eles, é invejoso, sabotador ou partilha de — como é mesmo que se dizia na ditadura militar? — “valores estranhos à índole pacífica do nosso povo”.

E, no entanto, é preciso bater, sim. A rigor, é bom que todos os governos apanhem um pouco. Para que não tenham a ousadia de tentar tomar o lugar dos indivíduos, dos cidadãos. A estabilidade da economia, que começou a ser construída no fim de 1993 — contra a vontade do PT, que botou na rua os seus tontos-maCUTs —, não confere a ninguém a licença de se comportar ou como ditador, que ignora as leis, ou como promotor da baderna.

Chegamos à estabilidade com o cumprimento de regras, não o contrário.Assim, é preciso ter a coragem de afrontar o governo — por mais popular que ele seja. Especialmente quando essa popularidade é usada como instrumento para forçar os limites da legalidade.

As fotos secretas da guerrilha

Em excelente reportagem de Alan Rodrigues, Revista ISTOÉ, Imagens feitas pela Abin desmentem o governo e mostram armas e o treinamento dos guerrilheiros do Brasil.

Várias foram as vezes em que aqui desmentimos os ministros Tarso Genro e Nelson Jobim quando estes afirmavam, categoricamente, não haver presença de guerrilheiros das FARCs em território nacional. Sugerimos que os ministros visitassem os acampamentos do MST, e lá poderiam encontra-los dando treinamento de guerrilha para os bandoleiros do Stédile. E tudo, incrivelmente, bancado com dinheiro público.

Faz tempo, também, que alertamos para o fato de que, desde que Lula assumiu o poder, em 2003, as fronteiras brasileiras se tornaram uma imensa porteira aberta para o terrorismo e a guerrilha da América Latina, as FARCs, principalmente, por serem aliados de Lula no Foro de São Paulo, chegando até nós com seus contrabandos de armas e drogas, além de suas práticas criminosas.

No recente conflito com a desocupação ordenada pelo governo federal, na reserva Raposa do Sol foi presa uma índia por ter arremessado uma bomba a um posto policial que declarou ter sido treinada ela e seus companheiros de tribo, por um ex-militar venezuelano.

Assim, fica evidente de que é feita a política de Lula em relação à integridade e soberania do país. O bom nesta história macabra deste governo do crime organizado instalado no Planalto, é que pelo menos algumas vozes começam a ser ouvidas e já não se deixam mais levar pelo discurso mentiroso de Lula e seus asseclas. É nosso desejo, para o bem do país, que tais vozes se tornem cada vez mais intensas e reajam com vigor para impedir que o país se degrade ainda mais. Os limites da legalidade vem sendo ultrapassados há muito, e o país não consegue mais conviver com a anarquia instalada e a corrupção aplaudida e comemorada pelo poder. Mas, mesmo com algum atraso, o grito de “BASTA” é mais do que bem vindo. O país cansou de tanta sordidez e canalhice.

A seguir a matéria da revista ISTOÉ.



A seqüência de imagens acima é o retrato de que o Brasil tem guerrilha. Esse conjunto de fotografias comprova o que a reportagem de ISTOÉ em sua edição de 26 de março deste ano, denunciou: homens estão sendo treinados no País para desfechar a luta armada. Agem sob o manto da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), uma organização radical de extrema-esquerda que adotou a “violência revolucionária” como estratégia para chegar ao poder. Com a omissão das autoridades federais brasileiras e o silêncio do resto do Brasil, esse grupo domina mais de 500 mil hectares de terra, espalhados por três Estados, em 20 acampamentos de sem-terras. As fotografias dos guerrilheiros com os rostos encobertos em pleno treinamento militar com fuzis FAL, de uso exclusivo das Forças Armadas, fazem parte de um relatório produzido pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para o governo federal. A data do registro das imagens é mantida em sigilo por uma questão de segurança.

Capturadas no Assentamento Palma Arruda, no município de Machadinho do Oeste, no Estado de Rondônia, as fotografias comprovam o poder bélico da organização e jogam por terra as afirmações da Liga, veiculadas na internet, de que nas áreas sob seu controle não existem armas nem treinamento guerrilheiro. Hoje, em suas fileiras, a LCP conta com cerca de 400 militantes, um exército cinco vezes maior do que os 81 guerrilheiros que Fidel Castro tinha em dezembro de 1956, quando desembarcou do Granma no litoral leste de Cuba. As ações da Liga custaram a vida de 25 pessoas no último ano – 18 camponeses ou fazendeiros e sete guerrilheiros. Além de treinar homens armados, outra especialidade da Liga é faltar com a verdade em seus comunicados apócrifos distribuídos na rede. No dia 9, eles denunciaram a vários organismos de defesa dos direitos humanos, como a Anistia Internacional, o massacre de 15 sem-terra num conflito com a polícia, em Campo Novo (RO). Disseram que o massacre foi resultado de uma “campanha orquestrada” pela mídia, da qual faziam parte as reportagens publicadas por ISTOÉ. A polícia investigou a denúncia e não encontrou nada. “Checamos toda a área da fazenda que eles invadiram e onde teria acontecido o suposto embate e não encontramos nada”, disse Cezzar Pizzano, secretário-adjunto de Segurança do Estado de Rondônia. “Pedi a eles os nomes das vítimas, mas eles se calaram”, afirmou Pizzano.

“O governo federal tem que entender que o que existe em Rondônia é guerrilha mesmo, e não é força de expressão”, acusa o deputado federal Moreira Mendes (PPS-RO). O parlamentar, que logo depois da denúncia de ISTOÉ solicitou a presença de uma comissão externa do Congresso para apurar os fatos, até hoje não obteve respostas a seu pedido. Mendes denuncia que, enquanto o governo silencia, as ações do grupo recrudescem. “Os guerrilheiros estão impedindo que os agentes do Instituto de Defesa Animal de Rondônia (Idaron) vacinem o gado contra a febre aftosa”, diz. “Isso é um absurdo que pode colocar em risco mais de 11 milhões de cabeças de gado e acabar com 100 mil proprietários de terra”, critica Sebastião Conti, presidente da Associação dos Fazendeiros de Rondônia.

“Destruir o latifúndio” é a bandeira que a LCP empunha para realizar a “revolução agrária”. Encapuzados, armados e bem treinados, os guerrilheiros da LCP espalham o terror para atingir seus objetivos. “Eles destroem plantações, queimam fazendas e torturam funcionários. Isso não pode mais ficar assim”, cobra o deputado Mendes. “Nós, sozinhos, não temos como combater esse grupo. Precisamos de ajuda de Brasília”, alerta o secretário-adjunto. “Nossa preocupação é que movimentos armados como as Farc e o Sendero Luminoso começaram igual a LCP aqui. Quando o governo federal acordar já será tarde”, reclama. Na próxima quinta- feira 24, a Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, da Câmara dos Deputados, convocou uma audiência pública para tratar das denúncias. O Exército e o Ministério da Justiça não retornaram as ligações de ISTOÉ para comentar a situação.


CONFLITO AGRÁRIO

Fazenda invadida pela LCP em Jacinópolis, em Rondônia