domingo, março 23, 2008

O berro do ascensorista

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

É excitante imaginar o que teria acontecido se, em maio de 2005, algum ascensorista do palácio resolvesse, no último minuto do último expediente antes da aposentadoria, bancar o gaiato com os integrantes da reunião numa sala do Planalto. Sentados à mesa presidida por Lula, lá estavam todos os ministros e os chefões dos partidos governistas. "Polícia!", berraria o ascensorista com a boca colada na porta. Ou "Olha o rapa!". Ou algo assim.

É improvável que a reação se limitasse a um constrangido sorriso coletivo. A gastança da ministra Benedita da Silva em Buenos Aires e o filmete estrelado pelo gatuno Valdomiro Diniz estavam fora do noticiário político-policial havia tempos. A um mês da trovoada do mensalão, o Brasil não sabia o que andava ocorrendo. Nem poderia saber o que estava por vir.

Mas muitos na sala sabiam de tudo - e é pouco provável que mantivessem o autocontrole depois do berro do ascensorista. O aviso soaria aos ouvidos dos pecadores como a senha para a correria. Antes que o alerta chegasse à última vogal, já teria saído em desabalada carreira o pelotão dos velocistas do "núcleo duro", puxado por José Dirceu.

Chefe do Gabinete Civil e, por indicação do presidente, "capitão" do time de Lula, Dirceu arrancaria para longe do perigo com a agilidade de um punguista surpreendido com a mão no bolso do tungado. Estaria milímetros à frente dos companheiros Antonio Palocci, ministro da Fazenda, e Luiz Gushiken, comandante da Secom.

O timaço do PT, abrilhantado por craques como José Genoino e Delúbio Soares, logo teria estabelecido uma dianteira de muitos quilômetros sobre parceiros obscenamente obesos, como Pedro (PP) Correa e José (PL) Janene. Lula, naturalmente, nem se ergueria da cadeira. Ele não sabia de nada. Não sabe até hoje. Jamais saberá.

Como nunca houve o berro do ascensorista, a retirada dos pecadores pôde ser feita gradualmente, sem tanto alvoroço, às vezes sem pressa nenhuma. Sempre sob as bênçãos do Grande Pastor, sempre com atavios, fitas e adereços enfeitando os andores da interminável procissão dos anjos caídos. Nunca antes na história deste país houve tantos.

E nenhum deixou de merecer palavras de estímulo do generoso padrinho. "Querido Zé", começa a carta em que Lula lamentou a perda de José Dirceu. "É mais que um companheiro, é meu irmão, e o maior ministro da Fazenda de todos os tempos", despediu-se de Palocci, depois de fazer o possível para manter no controle das contas do país um estuprador de contas alheias.

Também mereceram afagos, retóricos ou explícitos, os ministros pecadores Anderson Adauto, Romero Jucá, Humberto Costa, Silas Rondeau, Walfrido Mares Guia, Romero Jucá e Matilde Ribeiro. (Waldir Pires só se meteu no escândalo da incompetência). A mão amiga permaneceu igualmente estendida aos parceiros do PT.

Talvez seja conveniente tornar a estendê-la a Silvio Pereira. Para livrar-se do processo do mensalão, Silvinho comprometeu-se a "prestar serviços à comunidade". Mas só apareceu no emprego depois dos cartazes de "procurado por vadiagem". Lula deveria ter uma conversa a sós com o amigo. Para sossegar um coração em descompasso. Para socorrer uma alma atormentada. Sobretudo, para evitar que Silvinho conte o que sabe.

Cabôco Perguntadô
Colunistas convertidos à causa bolivariana estão convencidos de que as Farc só não foram varridas da face da Colômbia porque interessa às oligarquias nativas e aos patrões ianques a continuação do que chamam de "guerra civil". O que esperam os 280 mil homens das Forças Armadas colombianas para derrotarem menos de 20 mil guerrilheiros?, perguntam. E respondem: para que as tropas imperialistas fiquem rondando a Amazônia brasileira, à espera do momento da invasão. O Cabôco revida com outras perguntas. Primeira: consumada a ofensiva em massa, como salvar a vida dos mais de 800 reféns que as Farc mantêm em cativeiro? Segunda: os bolivarianos acham que são reféns ou "prisioneiros de guerra"?

Uma dúvida já está resolvida
Depois de duas horas de conversa com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o escritor colombiano Gabriel García Márquez desembarcou um tanto confuso do avião que os levara de Havana a Caracas. "Ainda não sei se Chávez é um herói popular ou se é apenas mais um maluco", confessou-se intrigado o autor de Cem anos de solidão. Se acompanhou com atenção a performance do líder bolivariano durante a crise desencadeada pela operação militar colombiana contra uma base das Farc no Equador, García Márquez já cravou a coluna dois. Quem homenageia com cantorias o inimigo que chamara para a guerra quatro dias antes pode ser tudo. Menos bom da cabeça.

Inimigo assim é bom demais
Para deixar mal no retrato a candidatura de Fernando Gabeira a prefeito do Rio, a tropa brasileira do Exército Bolivariano divulgou pela internet dois pecados graves cometidos pelo deputado:

1. Gabeira repudiou o fuzilamento sumário de três cubanos que tentavam fugir para os EUA e a prisão de 77 dissidentes, para os quais solicitou a ajuda da diplomacia brasileira.

2. Gabeira desaconselhou o intercâmbio esboçado entre a Abin e agentes secretos cubanos. "Eles são especialistas em atividades antidemocráticas", constatou. "É como estudar direitos humanos na China".

Caso se intensifique a divulgação de pecados assim, Gabeira será eleito sem fazer campanha.

A lentidão agora vale para todos
Os tribunais brasileiros são acusados desde sempre de demorar tempo demais para julgar, em última instância, ações que envolvem muito dinheiro, gente importante e advogados que cobram por hora. Paulo Maluf, por exemplo, continua à espera de sentenças que encerrem processos iniciados quando ainda era estudante. Não viverá para assistir ao desfecho de ações mais recentes.

Para provar que trata com igualdade qualquer cidadão, a Justiça resolveu ser lenta com todo mundo. Segundo a Fundação Getúlio Vargas, nunca é promovida antes de oito meses, a contar da data da solicitação, a primeira audiência nos juizados especiais criados para decidir com rapidez pequenas causas. É o Brasil.

Yolhesman Crisbelles
Criado também para premiar frases cretinas, o troféu da semana vai para o chefe da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, por ter descoberto o que há por trás do noticiário sobre a gastança do ministro do Esporte, Orlando Silva, com o cartão corporativo:

Foi puro preconceito, que se manifestou porque o ministro usou o cartão para comprar uma tapioca. Se tivesse comprado um hambúrguer ou um cheesebúrguer no McDonald's, o escândalo não teria sido tão divulgado.

A explicação pode ser estendida à ex-ministra Matilde Ribeiro. Ela só caiu na boca da imprensa porque, em vez de alugar carrões importados, deu preferência a produtos nacionais.

Rumo ao traço

J.R. Guzzo, Revista EXAME

A TV Brasil, cuja existência acaba de ser oficializada pelo Congresso com a aprovação da medida provisória que criou a Empresa Brasil de Comunicação, começou do jeito que sempre se soube que começaria: mal. Nada de bom, como se sabe, pode sair de uma idéia ruim, e a nova televisão do governo preenche todos os requisitos, ou quase todos, para dar o grau AAA de ruindade a uma idéia. Nunca ficou explicado, desde o começo da história, por que o governo brasileiro deveria ter uma televisão -- pelo fato básico, e bastante simples, de que não há possibilidade racional de justificar a presença do poder público no controle e na operação de uma empresa de comunicações. Em compensação, sempre esteve perfeitamente claro que a TV Brasil iria gastar uma montanha de dinheiro. As previsões iniciais eram de que seriam 100 milhões de reais no primeiro ano de operação e 150 milhões no segundo; ela já vai começar, neste ano de 2008, com 350 milhões, um mero acréscimo de três vezes e meia sobre o previsto. Sua estréia como entidade legal, na semana passada, não veio por lei, e sim por uma medida provisória, e assim mesmo como resultado de trapaça regimental e voto simbólico.

A TV Brasil está no ar, de maneira mais ou menos informal, desde o dia 2 de dezembro do ano passado. Até hoje praticamente ninguém percebeu isso -- o que serve para dar uma idéia de quanto o público brasileiro estava ansioso, como sustenta o governo, para assistir a uma programação diferente da que existe hoje na praça. A aprovação da medida provisória serve para oficializar a TV oficial, mas não servirá para lhe dar audiência -- a TV Brasil vai continuar no "traço", como diz o Ibope, da mesma forma como sempre viveram no "traço", sem nenhuma exceção até hoje, todas as emissoras dessa espécie já criadas no Brasil. Da mesma forma como ocorreu na questão dos gastos, dá para imaginar o que vai acontecer no item "quadro de pessoal". Será uma completa surpresa se o novo canal não virar um dos mais promissores e duradouros cabides de emprego da República -- duradouro, sim, porque será mais fácil o camelo da Bíblia passar por uma agulha do que os próximos governos, seja qual for sua origem, acabarem com a TV Brasil. Se o governo que suceder o atual continuar com o PT e a "base aliada", não haverá motivo para isso. Se for da oposição, também não -- quem abriria mão, chegando lá, de uma beleza dessas?

O fato é que a TV Brasil, depois de tudo o que foi dito e repetido, não será uma emissora de televisão pública -- será uma emissora de televisão do governo. Vai atender aos interesses de quem manda no governo, dar emprego a seus protegidos e divulgar as notícias da maneira que o Palácio do Planalto entende ser correta. É muito simples. Como resume o jornalista Eugênio Bucci, que dirigiu a estatal Radiobrás de 2003 a 2007, não existe TV pública sem independência, e a TV Brasil não tem independência. Tem um conselho curador, é verdade, mas ele não participa da escolha dos dirigentes da emissora. Está vinculada diretamente à Secretaria de Comunicação Social da Presidência -- esta, sim, é quem nomeia o presidente do conselho de administração, o grupo que efetivamente decide as coisas. Que independência poderá sair disso? Nem haveria como sair, considerando-se que a Secom não faz comunicação pública, e sim comunicação do governo.

A única coisa positiva que se pode dizer até agora a respeito da TV Brasil é que o governo tem força para criar uma repartição pública, mas não para obrigar o público a assistir aos seus programas. Na verdade, por tudo o que se sabe do seu jeito e do seu estilo, vai ser muito difícil pegar o próprio presidente Lula assistindo a algum programa da TV do governo. Nisso, com certeza, estará na companhia de quase todos os demais brasileiros.

Na ação criminosa do MST, o governo também é cúmplice. Que a Justiça autue o governo, também.

Adelson Elias Vasconcellos

Nesta semana, a Vale resolveu agir contra o abuso criminoso que tem sido cometido, sob a complacência e cumplicidade do governo do Luiz Inácio.

Aliás, entendo que no habeas-corpus concedido à Vale pela Justiça, bem que o setor jurídico da companhia poderia ter exigido que a Justiça obrigasse o governo federal, através de seu aparato de segurança, se obrigasse em fazer cumprir a decisão judicial que impede que integrantes do MST e demais a ele associados ou acumpliciados.

É impressionante a baderna que estes terroristas, travestidos de organização social, que recebem gordas e generosas doações do Tesouro Nacional, que acaba,.é lógico, saindo do bolso de todos nós que sustentamos esta corja, se sentem como que autorizados a praticarem seus crimes sem que se perceba uma mínima ação, um indício qualquer que seja, de parte de nossos governantes para dar um fim nesta baderna. Baderna que, diga-se, é antes de tudo uma sucessiva coletânea de crimes previstos na legislação brasileira, e para as quais o governo, por sua omissão, não apenas incentiva a violência no campo, mas um verdadeiro esculacho à ordem legal. É bom lembrar que a manutenção da ordem, bem como fazer cumprir as leis do pais é, antes de mais de nada, um DEVER do Estado. Mas qual, e lá esta gente ordinária se preocupa em cumprir com o seu dever constitucional ? Querem mais é continuarem tirando o coro dos que realmente trabalham e produzem, para o sustento de sua ostentação, ociosidade e omissão vagabunda.

Consolo é saber que a Vale, que continua brasileira é bom que se diga, gerando milhares de empregos e muita renda para o povo brasileiro, já se deu conta que precisa ir um pouco mais além na defesa de seu patrimônio.

“...O diretor-executivo de assuntos corporativos e energia da companhia, Tito Martins, disse que a Vale estuda processar representantes nacionais do MST. "Estamos estudando acionar juridicamente os responsáveis por este episódio em todas as esferas", disse Martins, que chamou o ato de criminoso...”.

Em todas as esferas”, assim espero, devo entender por governantes e autoridades que, teoricamente, seriam responsáveis pela segurança interna do país. Enquanto o povo brasileiro, sejam pessoas físicas ou jurídicas, não tomarem a si a tarefa de exigir e cobrar respeito de parte do Poder Público não há modo do país tomar jeito.

Tanto é assim que, imediatamente após a concessão da liminar em favor da Vale, olhem o que o chefe da quadrilha declarou, em tom de desafio ao Poder Judiciário. A reportagem é da Folha online:

"Ficamos mais bravos ainda" depois da medida da mineradora, afirma Stedile
da Folha Online

Reportagem de Raphael Gomide, publicada na edição de hoje da Folha, informa que o líder do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) João Pedro Stedile diz que os integrantes do movimento ficaram "mais bravos ainda" com a liminar obtida pela Vale.

O líder do MST classificou de "medida desesperada" a liminar obtida pela Vale que proíbe Stedile e o MST de incitarem ou fazerem manifestações violentas contra as instalações da empresa.

"Na verdade, essa decisão não nos refreia: ficamos mais bravos ainda", disse Stedile para a Folha.

Em nota, a Vale informa que tomou a decisão de recorrer à Justiça "diante dos sucessivos ataques que a empresa vem sofrendo pelo MST desde o início do ano passado". A empresa informa que foram oito invasões desde março de 2007.

Na semana passada, integrantes da Via Campesina ocuparam a ferrovia Vitória-Minas, na altura de Resplendor (MG). “

Eis aí o que se convencionou chamar de “movimento social”. Eles não querem saber de regras, de ordem legal, querem é praticar seu terrorismo delinqüente, e ainda desafiam a justiça se esta tentar impedi-los de continuarem se comportando criminosamente.

Portanto, faz bem a Vale em ir à Justiça para defender-se dos crimes perpetrados por um bando de vagabundos e bandoleiros que outra coisa senão praticar a mais nefanda das badernas, que é a invasão da propriedade alheia, para depredarem, roubarem, assaltarem, e depois praticarem o emocionalismo mais torpe e sórdido de posarem para a sociedade como “vítimas”, como se todo o pobre deste país tivesse tão baixa estatura moral. Não, não se pode mais admitir que a violência se justifique pela pobreza, porque grande parte da hoje classe média brasileira, nasceu nas periferias, enfrentou carências e dificuldades, e nem por isso se dedicou ao banditismo explícito. A grande maioria dos pobres de hoje seguem pela mesma balada. Há criminosos em todas as camadas e extratos da população, portanto escolher a vida de criminoso é uma escolha pessoal, que cada um faz conscientemente.

Da mesma forma se deve a ação omissa e passiva do governo federal em relação ao movimento. O PT quando na oposição, exibiu a bandeira da reforma agrária como apanágio de todos os males da nação. Hoje,no poder, mal consegue assentar meia dúzia de famílias, e fica tirando dinheiro do contribuinte para comprar o silêncio cúmplice dos ativistas do MST que, através de seu próprio presidente, várias vezes afirmou que Lula é uma decepção para o movimento, porque a reforma agrária em seu governo simplesmente não anda. Claro que se trata de uma estratégia de Lula: no dia em que os filiados do MST estiverem todos assentados, ele perderá seu braço armado para provocar a desestabilização institucional contra seus adversários políticos. Distribuindo prebendas, ele consegue manter o “carisma” de grande líder.

Que a Vale, assim como qualquer outra empresa que sofra a ação criminosa das quadrilhas ligadas ao MST contra seu patrimônio, não se acovardam. Neste país ainda existe ordem legal, existe Poder Judiciário, que se bata às portas dos tribunais para que a lei e a ordem sejam mantidos e respeitados, nem que se precisa autuar o próprio presidente e seus ministros. Ao assumirem, dentre outras coisas, juraram respeitar e fazer respeitar a constituição. Não se pode construir progresso e desenvolvimento onde o regime das leis é atropelado pelos agentes responsáveis em preservá-lo. A baderna só gera barbárie e selvageria.

O dia em que a perua voltou a ser povo. Na marra !

Adelson Elias Vasconcellos

Pois bem, no reino encantado da Esquerdolândia, havia uma perua que adorava se deliciar com as benesses que o poder podia oferecer. Claro, ela nunca se fez de rogada neste quesito, sempre exigiu do melhor, e apenas do melhor.

Antes de se tornar uma executiva na política da Esquerdolândia, a perua aceitava viver de forma mais recatada, mais humilde. Mas isto, claro, era apenas para enganar a torcida, ou eleitores, porque no dia em que sentiu o gostinho do Poder, ah, meu amigo, a perua sentiu-se dona do pedaço.

Sua ambição não teve mais limites, sonhava com os céus, imaginava em seu delírio legiões de fidalgos, vassalos curvando-se e lhe fazendo afagos prestimosos, cheios de mesuras serviçais.

Claro, esqueceu-se a gentil e fina dama da nossa corte que nesse reino a plebe é quem escolhia seus senhores. Acostumada com batalhão de servos, sentiu-se ofendida no dia em que a plebe lhe disse “não”. Isto foi vexatório para esta senhora. Reuniu seus vassalos políticos e convidou-se a subir degraus mais elevados e importantes no reinado, coisa que o rei Lulalau, mesmo que a contragosto, acabou se obrigado em aceitar.

Logo, a senhora Perua exigiu que, à sua volta, fosse instalada toda corte de reverências, e dentro daquele coração imperial, voltou a bater forte um coração.

Porém, sua missão não cuidava de detalhes insignificantes como trabalhar, por exemplo. Para a fina dama era indispensável voar pelos céus do mundo, como também enfrentar a confusão de aeroportos era coisa para a ralé, Não, não e não muitas vezes. Para a nobre dama de estirpe real a “frota aérea” era outra. Serviço “vip”, de primeira classe, sem confusões ou demoras. A plebe que se amontoassem nos balcões, misturando-se em seus cheiros, suores e irritações. Dona Perua, coisa fina de nobre estirpe, precisava relaxar e gozar nas delícias que o poder lhe pudesse proporcionar.

Porém, chegou o dia em que a plebe provocou um levante e disse “chega de frescuras, dona Perua”. Neste dia, a nobre precisou respirar o ar comum de todos os mortais. Por sorte, o nosso libertador, não trabalha em nenhuma companhia de aviação brasileira, porque, do contrário, a dona Perua exigiria, em nome de sua indecência e falta de respeito, sua demissão sumária. Como é bom saber que ainda há pessoas de bem neste reinado do Lulalau, capazes de enquadrarem no seu devido lugar “certas autoridades” que se colocam em pedestais de arrogância.

Dona Marta, a lei é igual pra todos, e tanto você não é melhor do que ninguém, tampouco tem rei (ou rainha) na barriga. Vê se aprende tá ?

A notícia é do Lauro Jardim, no Radar da Revista Veja:

Marta "relaxou" no vôo 455 para Paris

Não foi exatamente tranqüilo o início do vôo 455 da Air France que na terça-feira passada decolou de São Paulo para Paris. A responsável pela trepidação foi Marta Suplicy, que ia para a China, com escala em Paris. Ao embarcar, o casal Marta e Luis Favre relaxou e decidiu não passar pela revista de bagagem de mão feita por raios X. Os Favre furaram a fila da Polícia Federal. Vários passageiros se revoltaram. Marta respondeu que, no Brasil, para as autoridades não valem as exigências que recaem sobre os brasileiros comuns. Os passageiros não relaxaram com a explicação. Continuaram a reclamar, mesmo com todos já embarcados. Deu-se, então, o inusitado: o comandante do Boeing 777 saiu do avião, chamou a segurança e disse que não decolaria até que todos os passageiros passassem suas bagagens de mão pelo raio X. Marta Suplicy deixou seu assento na primeira classe (Favre estava na executiva) e dignou-se fazer o que o comandante pediu. Nesse instante, os passageiros "relaxaram e gozaram".

Enquanto isso entre os otimistas

Millor Fernandes, Revista Veja

Não temos de que nos queixar. Desde que elegemos democraticamente o Jânio, o Geisel, o Collor, o Sarney e o FhC, aumentamos o número de nossos corruptos, ultrapassando países do primeiro mundo, nisso e na violência, que, felizmente, já é incontrolável. Pois já temos gente entre nós perto de produzir bombas atômicas domésticas. Estamos ampliando as favelas e a favelização das mentalidades, incrementamos o turismo desenfreado, já temos, no noroeste, várias "fronteiras móveis", conseguimos aumento em nossa exploração socioeconômica pela grande máfia internacional industrial-militar e, em São Paulo, comemoramos 100 anos de Conspiração Amarela para Dominar a Raça Branca, moderníssimos chegamos à poluição dos plásticos, ao envenenamento da água, do ar, da luz, e do sexo normal, a nossa moral anda nua e as roupas imorais, as marabuntas africanas chegaram disfarçadas em exércitos de dengues, temos amplo neonazismo, o neofascismo governa, ninguém relaxa e ninguém goza mais do que nós com a Conspiração Internacional para a Extinção Sistemática da Flora e da Fauna. Metade de nosso PIB financia incorporações imobiliárias, importamos da Austrália bumerangues eletrônicos que explodem a baixa altitude, nossos canibais seqüestram na ponte aérea Rio–São Paulo, as ligações do gás doméstico soltam raios manta e raios panda, apoiamos a implantação nacional do sistema de castas, é admirável nossa vacina para inocular elefantíase, estamos jogando ateus, hereges, antipapistas e outros fanáticos anti-religiosos para solidificar a Nova Igreja (a que distingue dinheiro Bom de Dinheiro demoníaco), o intestino de todos os oposicionistas está sendo atacado pela vingança de Montezuma, vulcões não tão extintos eruptam no Rio Grande, uma liga Nacional de Porcos Chovinistas ataca surubas de gays, nossa mão negra luta contra a nossa máfia, temos cada vez mais pintores primitivos, mais tempestades de areia, vias de tráfego com três e quatro andares, degelo em todo o nordeste, homossexuais tomam o Poder, monstros na Lagoa Rodrigo de Freitas imitam o do lago Ness, temos milhões de sedutores de menores, fomentamos o boom da impotência, formamos Panteras Negras, Capitalistas Negros, a Lei e a Ordem, a especulação da Bolsa, a especulação no comércio de obras de arte, apoiamos a Conspiração Internacional da Chatice Organizada, a sodomia, a legalização das drogas, a superpopulação, os estranhos movimentos na vizinhança, as manobras suspeitas na Bahia, as explosões solares, os adoradores de beterraba, a revolta dos jogadores de bingo, os delatores e dedos-duros, as orgias no andar de cima, as bacanais no andar de baixo, os mosquitos gigantescos, as nanomoscas, jigabós e telêmacos, maníaco-depressivos armados, aquele som, baianos elétricos, gaúchos radiativos, materialistas com Deus. Enfim, estamos com tudo, apoiamos tudo: a volta da febre amarela, o voodoo!, magia negra, macumba e maçonaria, monossódio de hexacloreto de coentro, cobras venenosas, jornais sem revisão, imprensa com censura, os horrores indescritíveis no underground do establishment, missionários santimoniosos, virgens profissionais, prostituição de menores, ladrões de cachorros, nuvens de baratas vindas do Paraguai, mulatos liberais, barbados analfabetos, a Conspiração Internacional dos Ratos de Sacristia, Conspiração Internacional das Agências de Publicidade, epidemia de tiques nervosos, Conspiração Internacional dos Motoristas Cegos, Conspiração Internacional de Psicanalistas Ávidos de Lucros, ostras envenenadas, arteriosclerose, caçadores de cabeças, puritanos à solta, ciganos em desespero, cursilhos, auto-de-fé, alcoólatras chatos e além disso anônimos, adoradores do câncer, camping, bombas atômicas extraviadas, extra-viados, mau hálito generalizado, solitários ameaçadores, explosão da primeira bomba atômica do Haiti, gota, catarata, rompimentos de gigantescos interceptores de esgotos, conclaves de estupradores de domésticas, terremotos, maremotos, falsos orientais, a maldição do sangue de pantera, doença do sono, falta de sono, trocadilhistas, donas-de-casa incompetentes dando uma de emancipadas, navios navegando sob a bandeira da Libéria, antropólogos, peixes contaminados, psicologismo, muros com cacos de vidro, vitiligo, pelagra, cães hidrófobos, violação de correspondência, velhotas topless, divorciadas doidonas, incêndios, enchentes, terapia de grupo, sexo grupal de impotentes, apoiamos tudo e tudo o mais que é o et cetera.

A cada minuto, um novo caso de dengue no RJ

Agência EFE

RIO - As autoridades do estado do Rio de Janeiro admitiram, após terem insistentemente negado, a existência de uma epidemia de dengue, que, segundo números divulgados nesta sexta-feira, avança ao ritmo de um caso reportado por minuto.

Até esta sexta-feira, segundo os últimos números oficiais, em modificação hora após hora, eram 23.555 os casos registrados na cidade do Rio de Janeiro, mas ao somar com os detectados em localidades vizinhas, chegavam a mais de 35.902 desde janeiro último.

O número de mortos, ao longo do ano, girava em torno de 49, mas o número poderia ser muito maior, pois os médicos ainda esperavam pelo resultado de exames de outras 49 pessoas que faleceram com suspeitas de possuir a doença.

Segundo relatório da Secretaria estadual de Saúde e Defesa Civil, dos incluídos na lista de falecidos, 29 casos ocorreram na cidade do Rio, onde, segundo alguns especialistas, uma combinação de fortes chuvas e deficiências de saneamento básico criaram o habitat perfeito para a reprodução do mosquito 'Aedes aegypti', que transmite a doença.

Segundo dados oficiais, a metade dos doentes corresponde a crianças de até 14 anos de idade, dos quais 25 já faleceram.

O último caso confirmado foi o de um bebê de oito meses que morreu durante a madrugada de hoje em um hospital da zona norte da cidade.

A situação é a pior vivida desde 2002, quando a dengue matou cerca de 90 pessoas em solo fluminense; 54 delas viviam na capital.

Só nesta quinta-feira foram confirmados 2.053 novos casos, o que supôs uma alarmante média de 1,4 por minuto.

Apesar do alerta de muitos médicos, na semana passada, sobre as novas dimensões do assunto, somente na quinta-feira as autoridades estaduais aceitaram que estão diante de uma dura epidemia, uma qualificação à qual o prefeito do Rio, Cesar Maia, ainda resiste.

O secretário de Saúde do governo, Sergio Cortes, admitiu a existência da epidemia e pediu 'desculpas' aos doentes pela autêntica 'Via-Sacra' sofrida nos dias atuais em hospitais abarrotados que não são suficientes para atender a enorme profusão de pacientes.

Embora ainda não reconheça a epidemia e assegure que a situação começou a ser controlada, a Prefeitura do Rio recomendou hoje que, apesar das intensas temperaturas, próximas a 37 graus, as crianças usem calça comprida, meias e sapatos fechados.

A idéia é minimizar a possibilidade de as crianças serem picadas nas pernas pelos mosquitos, que, segundo os especialistas, têm o hábito de voar a poucos centímetros do solo.

À delicada situação nos hospitais, que tiveram que pedir, esta semana, camas adicionais ao Exército, se somou agora a ameaça de que se esgotem as reservas de plaquetas, necessárias para se tratar os doentes.

O Hemorio fez hoje uma chamada a possíveis doadores, pois a demanda por plaquetas aumentou 50% e calcula-se que, caso o ritmo atual seja mantido, as reservas existentes se esgotarão no próximo domingo.

Para tratar de impedir que se chegue a esse extremo, um ônibus equipado com aparatos usados na extração de sangue começou a percorrer, hoje, a cidade, em busca de possíveis doadores.

O Governo federal também estendeu o alerta e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, criou um 'gabinete de crise', que se reunirá na próxima segunda-feira, após as festividades da Semana Santa, a fim de estudar uma forma de auxiliar as autoridades regionais.

Uma medida que com certeza será adotada é a convocação das Forças Armadas para auxiliar na tarefa de fumigação, tal como foi feito em Brasília no começo do ano. A capital federal registrou na ocasião um surto de febre amarela, doença tropical transmitida pelo mesmo "Aedes aegypti'.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Uma perguntinha: será que a esta hora, Cabral, Maia e Temporão já puseram de lado sua delinqüência verbal e começaram a se preocupar em cuidar da população e matar o mosquito, ou quantos mais precisarão morrer para que esta gente “bacana” se dê conta da gravidade da situação ? Ô temporão: tem que caçar é o mosquito da dengue, não as bruxas, viu ?

O combate à tuberculose

Estadão

No País que se tornou referência mundial no tratamento da aids, a cada ano a tuberculose mata 5 mil pessoas e são registrados 80 mil novos casos da doença. Do total de doentes, 77% se restabelecem totalmente, índice que coloca o Brasil atrás de nações como a China, que já cura 94% dos seus pacientes, da Índia (86%) e do Congo (85%), todos cumpridores das metas firmadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que fixou em 85% a taxa esperada de cura dos doentes atacados por esse mal. O País ocupa a 16ª posição entre os 22 países com maior número de casos da doença no mundo.
Para o diretor do Departamento de Combate à Tuberculose da Organização Mundial da Saúde, Mario Raviglione, não há justificativas para o Brasil não ter alcançado resultados parecidos com os demais países emergentes.
De fato, não há. Como bem lembrou o secretário nacional da Parceria Brasileira Contra a Tuberculose, entidade que reúne várias organizações na luta contra a doença, há mais de um século o agente causador da doença é conhecido e os tratamentos avançaram, tornando-a curável.
O mau desempenho do Brasil mostra, portanto, que os recursos terapêuticos e a rede de saúde não estão sendo usados adequadamente.
Segundo Raviglione, os números consolidados no relatório mundial sobre a situação da tuberculose no mundo indicam a necessidade urgente de o Brasil investir pesadamente no tratamento supervisionado e na melhoria da notificação dos casos. A OMS estima que 45% dos casos não sejam informados às autoridades de saúde brasileiras. A cobertura do tratamento supervisionado é de 86% e, ainda assim, 13% dos doentes abandonam o uso dos medicamentos antes da alta médica.
O abandono prematuro do tratamento e o mau uso de medicamentos colocam o País entre os 45 que já registram a forma Extensive Drug Resistant (XDR) da tuberculose, uma variedade resistente aos tratamentos disponíveis e que leva ao óbito na maioria dos casos.
O coordenador do programa brasileiro de combate à doença, Draurio Barreira, informou em entrevista ao Estado que o governo investe no diagnóstico por meio do Programa Saúde da Família (PSF).
Esse, aliás, é um dos principais e mais efetivos instrumentos a serem utilizados no combate à tuberculose. Além do diagnóstico, as equipes do PSF podem controlar com maior precisão o uso adequado dos medicamentos e oferecer a orientação correta aos portadores da doença e suas famílias.
Do total de casos registrados no País, 20% se concentram em São Paulo, o Estado mais rico da federação. Aqui surgem 21 mil novos casos por ano e 3 mil ocorrências de recaídas. É o maior contingente de tuberculosos do País.
Na capital, a Prefeitura conseguiu reduzir pela metade o número de mortes causadas pela tuberculose no período de 1996 a 2005, passando de 6,1 óbitos para 2,9 em cada grupo de 100 mil habitantes, conforme os últimos dados consolidados de 2006. Ainda assim, a cura de 71,3% dos casos fica longe da meta estabelecida pela OMS (85%).
Portanto, é preciso ampliar programas de atendimento como o tratamento supervisionado instalado na cidade na década de 90. Em 1998, 2,7% dos casos foram acompanhados por um profissional da rede pública para assegurar a continuidade do tratamento. Foram necessários sete anos para que o índice de cobertura chegasse a 50%.
O doente que tem o tratamento supervisionado recebe apoio social para ajudar na recuperação, como cestas básicas e vales-transporte para facilitar a ida ao médico e às sessões de ingestão de medicamentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Em 1998, na capital, 20% dos pacientes abandonavam o tratamento antes de terem alta, índice que caiu para 10,7% em 2006. Atualmente, mais de 95% da rede de UBSs está preparada para identificar novos casos com realização de exames de diagnóstico.

Previdência - Fila virtual do INSS só faz crescer

Raphael Bruno, Jornal do Brasil

Os brasileiros deixam de receber algo em torno de R$ 163 milhões devido à demora do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) nas análises de requerimentos de concessão de benefícios. O número é uma estimativa e leva em conta o valor médio dos benefícios, atualmente em R$ 559,90.

Em janeiro deste ano, último mês em que os dados foram tornados públicos pelo Ministério da Previdência Social, 292 mil pedidos aguardavam há mais de 45 dias por uma resposta do instituto. São os "represados", pela própria nomenclatura do órgão.

Desde abril de 2006, o INSS oferece aos segurados a possibilidade de agendar eletronicamente o atendimento em uma de suas agências. O agendamento passou a ser feito por meio da central telefônica do órgão, que atende pelo número 135, ou na página virtual do ministério.

O objetivo da mudança era acabar com as famosas e longas filas de segurados em busca de benefícios que se formavam na porta das agências. Para se ter uma idéia, cerca de 80% das ligações para a central são de segurados em busca de informações sobre a concessão de benefícios. Gente que até pouco tempo lotava agências do instituto em todo o país atrás de simples esclarecimentos. A medida funcionou. Mas não completamente.

Longe das agências
Agora, as filas abandonaram as agências e tomaram conta do ambiente virtual. As estatísticas oficiais do ministério indicam que o tempo médio de espera entre um pedido de benefício e sua concessão não ultrapassa os 32 dias. De acordo com o órgão, a unidade da federação em que mais se espera pelo atendimento é o Maranhão, em torno de 50 dias. No Rio de Janeiro, o prazo médio é de 37 dias.

O problema é que, em alguns postos de atendimento das principais cidades brasileiras, a espera pode chegar a longos seis meses.

Para piorar, em muitos casos o segurado chega à agência, meses depois, apenas para descobrir de que nada valeu o agendamento. O atendimento é remarcado para outra data. Outro problema é que o sistema é marcado pela atuação dos chamados agenciadores de fila. Os fraudadores, já familiares do sistema antigo, descobriram uma forma de burlar o agendamento eletrônico também.

Dificuldades e facilidades
O esquema funciona de acordo com a velha tática de criar dificuldades para vender facilidades. Os fraudadores agendam atendimentos utilizando números de inscrição do trabalhador falsos. Depois, vendem os lugares na fila, ou seja, os atendimentos com um período de espera muito menor do que se o segurado fizesse o agendamento por si mesmo. Na hora do atendimento, o segurado diz que houve um erro qualquer na coleta de dados feita por telefone.

A existência do problema foi admitida pelo INSS. O ministro da Previdência Social, Luiz Marinho, chegou a pedir ajuda ao ministro da Justiça, Tarso Genro, para combater as fraudes. Técnicos do INSS em São Paulo identificaram um golpista que havia agendado mais de cem perícias médicas.

Para enfrentar as ações dos criminosos, ainda em 2007 o órgão passou a ligar para os segurados agendados com 72 horas de antecedência para confirmar a intenção do atendimento. Um levantamento interno mostrava que 30% dos segurados agendados não compareciam na data prevista para atendimento. Resultado: De 587 mil ligações realizadas no ano passado, apenas 191 mil segurados confirmaram o atendimento. Quase 40 mil telefones estavam errados. No restante dos casos, o segurado simplesmente não foi encontrado.

Mas os problemas de demora para atendimento vão muito além das fraudes. Desde 2002, o número de requerimentos de concessão de benefícios represados passou por uma verdadeira gangorra. Pela legislação vigente, o órgão tem até 45 dias para formular uma resposta final para os pedidos. Os represados são os que ultrapassam esse período.

Ao final de 2002, eram 204 mil pedidos nessa situação. Três anos depois, em 2005, esse número já havia quase triplicado, para 594 mil. O crescimento rápido do número de pedidos sem resposta do INSS era um forte sinal da incapacidade do órgão em lidar com o volume de demandas.

Agendamento eletrônico não dribla o caos
O agendamento eletrônico foi uma tentativa de sair do caos. Alguns dos benefícios mais comuns, como aposentadoria, pecúlio, pensão, salário-maternidade, perícia médica e certidão de tempo de contribuição hoje podem ser requeridos pelo telefone ou internet.

Já no começo de 2007, o número de pedidos represados havia caído para 415 mil. No final do ano, eram 285 mil, pouco menos do que o registrado em janeiro passado. O órgão garante que a contagem dos dias para um requerimento ser classificado como represado começa a partir do primeiro contato do segurado com a central de agendamento eletrônico. Mas o período longo de espera por uma data disponível não bate com as estatísticas oficiais.

MPF questiona
Em São Paulo, por exemplo, o Ministério Público Federal (MPF) abriu ação civil pública contra a demora do agendamento eletrônico. O órgão apurou que em algumas agências a agenda estava lotada pelos próximos seis meses. Há poucos dias, o MPF suspendeu a ação e deu uma trégua ao INSS.

Em troca, o instituto deve apresentar um cronograma com metas a serem cumpridas até janeiro de 2009, quando o prazo de espera pelo atendimento, necessariamente, não poderá demorar 15 dias. Durante esse período, o cumprimento das metas e as ações tomadas pelo INSS serão fiscalizadas pelo MPF.

O Ministério da Previdência Social alega que o grosso dos requerimentos pendentes não se devem à existência de uma longa fila virtual. São casos em que o próprio segurado não cumpriu exigências de documentação ou prazos.

Mas a situação delicada em que se encontra o atendimento do INSS não é novidade. Há anos a Associação Nacional dos Servidores da Previdência Social (Anasps) denuncia que o quadro efetivo de empregados do instituto é insuficiente para atender a população. A entidade alega que nos últimos anos o INSS perdeu mais de 11 mil servidores. A maioria deixou o instituto atrás de salários melhores em outros órgãos públicos. Hoje, a remuneração média de um servidor do INSS fica na casa dos R$ 2 mil.

O Ministério também entendeu que a constante e volumosa perda de servidores estava impedindo o bom funcionamento do instituto. Lançou, no final de 2007, o chamado Plano de Ações Prioritárias, visando reestruturar e dar agilidade às atividades do órgão. Entre as principais medidas previstas, está a contratação de oito mil servidores dentro de quatro anos. No final de semana passado, foi realizado o primeiro concurso público do novo plano. Duas mil vagas serão preenchidas pela seleção. Outro concurso, ainda maior, está previsto para 2009. (R.B.)

PAC é porta de saída do Bolsa Família, diz Dilma. Como é que é?

Adelson Elias Vasconcellos

Dona Dilma anda impossível desde que Lula a indicou para a sua sucessão em 2011. O tal pacote de intenções agora virou pau pra toda obra, já produz milagres começa a multiplicar os pães e os peixes. Õ gente, vamos ter um pouco de bom senso, parem de bancarem os ridículos.

Dilma, talvez embalada pelos eflúvios de seu guru, agora resolveu afirmar que o PAC é a saída do Bolsa Família. Então ta !!!

Vamos fazer um pequeno exercício de memória. É pequenininho, não exige muito esforço não. Quando foi que Lula lançou o Bolsa Família ? Bom, na verdade ele só mudou a maquiagem, porque o programa existe desde FHC. Lula valeu-se do cadastro do Bolsa Escola, com CPF, endereço, número e nome de filhos e renda. Mudou o nome e juntou cinco num só e rebatizou. Tudo bem. Isto foi feito em 2003, certo ? Durante todo o primeiro mandato Lula se indispunha com os críticos do programa que diziam que ele tinha porta de entrada, mas não tinha saída. Era a perenização da pobreza e eternização do paternalismo eleitoreiro.

Vários indicadores que servem como justificativa para a manutenção do programa, e nós aqui várias vezes discorremos sobre isto, simplesmente despencaram: freqüência escolar, trabalho infantil, desnutrição, etc. Insistíamos que o programa precisava, urgentemente, e ainda precisa, encontrar caminhos que façam com que o cidadão beneficiado pelo Bolsa possa deixar o programa em prazo curto.

Lula sempre contestou seus críticos. Sempre disse que o programa era “social” e não “eleitoreiro”, e colocou nos seus críticos a pecha de preconceituosos. É uma falácia, ta certo, mas o discurso lulista soa bonito nos ouvidos do povo.

Respondam rápido: quando foi criado o primeiro PAC? Vamos lá, no início de 2007, entre janeiro e fevereiro. Ou seja, se fosse verdade o que a Dilma afirmou, representa também dizer que, de 2003 à 2007, de fato, o Bolsa Família não tinha porta de saída, e que era mesmo aquilo que a crítica sempre afirmou, um programa eleitoreiro.

Permitam-me, aqui, fazer um parênteses: quando inauguramos o COMENTANDO A NOTÍCIA, num dos primeiros artigos que postamos, tecemos nossa crítica ao programa BOLSA FAMÍLIA. Dissemos que, se o governo quisesse carimba-lo como programa social, poderia torna-lo, incontestavelmente, no maior do mundo. Por exemplo, se o governo desenhasse um projeto de maciços investimentos nas áreas da educação, saneamento e moradia, poderia aproveitar a mão de obra dos beneficiados. De outro lado, poderia desenvolver um programa de planejamento familiar e assistência social junto aquelas famílias. Poderia ainda, dentro do mesmo projeto, criar programas de treinamento profissional para qualificar as pessoas e estas terem melhores condições de se inserir no mercado de trabalho com mais facilidade. Isto, senhores, é um programa social. Porém, na época, a preocupação não era neste sentido, e sim, ampliar o máximo possível o número de beneficiados, e facilitar o mais que se pudessem as obrigações que os beneficiados deveriam atender para se manterem no programa. Os milhares de empregos que seriam gerados seriam ocupados primordialmente pelas pessoas atendidas pelo Bolsa Família e que estivessem desempregadas. Sabem quando foi dito isto ? Em setembro de 2006. Ou seja, nossa crítica ia de encontro as falhas do programa, e concluía que a falta destes cuidados, em alargar os horizontes de cada beneficiado, não apenas para serem inseridos no mercado de consumo, mas para se tornarem cidadãos úteis ao país e a si mesmos, com a dignidade conquistada de serem cidadãos livres e independentes da esmola estatal.

Agora vem a Dilma dizer que o PAC é a porta de saída ? Seria cômico, se antes não fosse trágico. Fica claro, deste modo, que o Bolsa Família continua sendo um programa sem porta de saídas. E tais portas não estão presentes no pac coisíssima nenhuma, porque as obras demandarão outro tipo de mão de obra, e será contratada pelas empreiteiras, estas sim, a se consumar a lista de intenções, como as grandes beneficiárias.

É preciso termos o cuidado para perceber que investimentos em saneamento, educação, moradia SEMPRE foi dever do Estado. Pouco ou muito, tais obras sempre estiveram presentes na maioria dos governos. E os decentes, nunca tiraram proveito político do cumprimento de seu dever como agora se vê. O Senhor Luiz Inácio consumiu cinco longos anos sem projeto algum, interrompeu obras iniciadas em governos anteriores, e só as retomou agora no segundo mandato, mas tendo o cuidado malévolo de chamar para si a paternidade e a maternidade por suas realizações. Uma ova, façam exames de DNA nestes pacotinhos, e vocês descobrirão que existem muitos e mães que não sejam Lula e Dilma, em pelo menos 90% do ali se acha listado.

E, eis o paradoxo: com “tanta” porta de saída, o governo ainda vem e lança o Bolsa Adolescente, para jovens de 15 a 17 anos, todos eleitores de primeira viagem, justo em ano eleitoral ? e, depois, não quer que chamemos o programa de eleitoreiro ? É eleitoreiro sim, tanto quanto os pacs o são. Não se precisa armar um palanque, fazer feriado municipal por onde passa, juntar uma tropa de políticos inúteis, contratar claques com quentinhas e transporte. Isto custa dinheiro e apenas para se assinar protocolo de intenções ! Ou para repassar verbas já previstas em orçamento, algumas destinadas a financiar projetos de iniciativa dos parlamentares da região. Isto é um engodo. É um despropósito. É a própria canalhice eleitoreira dos gigolôs da Nação. Patético e deprimente o governante que vende sua alma ao diabo para se manter no poder !

A reportagem é da Folha online sobre os discursos infames eivados de mentiras, contradições e mistificações, da dupla Dilma/Lula:

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse ontem em Campo Grande (MS) que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) é também um mecanismo de distribuição de renda. Segundo a ministra, o programa representa uma "porta de saída" para as famílias que hoje dependem dos repasses do Bolsa Família.

"O programa é, na verdade, o compromisso do governo com um crescimento com distribuição de renda. Isso é fundamental para incorporar os milhões de brasileiros do Bolsa Família. É uma porta de saída porque, ao ocorrer, gera uma quantidade muito significativa de emprego e renda", disse.

Outro reflexo dos investimentos, segundo Dilma, é o incentivo à ampliação do mercado interno. "Neste sentido, ele é também uma vacina contra as crises externas."

As obras do PAC lançadas ontem dizem respeito a um investimento de R$ 99,6 milhões --R$ 81,6 milhões do governo federal-- em projetos de urbanização de favelas e saneamento nas cidades de Campo Grande, Corumbá e Dourados.

Dilma disse que Mato Grosso do Sul deverá receber R$ 5 bilhões por meio do programa até o final do governo Lula. Segundo ela, o importante agora é cumprir os prazos para a entrega das obras. "O povo não pode mais esperar."

O discurso da ministra foi sucedido por palmas e pela intervenção de um militante que, vestindo uma camiseta vermelha da CUT (Central Única dos Trabalhadores), gritou em meio à platéia: "Dilma, é você a nossa nova presidente".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu discurso, disse que o PAC prevê obras para todas as capitais e regiões metropolitanas do país, independentemente da coloração partidária dos governantes.

"Não pense que são só os meus amigos do PT. O [José] Serra [PSDB], lá em São Paulo, que é nosso adversário, está recebendo R$ 8 bilhões. O [governador de Minas] Aécio Neves, do PSDB, está recebendo R$ 4 bilhões", disse Lula.

Um terço dos estudantes de 4ª série sabe o equivalente a um aluno da 1ª

Lisandra Paraguassú, Estadão

Ministério da Educação elabora parâmetros inéditos para dizer o que se deve esperar da criança em cada fase escolar

Um terço das crianças brasileiras matriculadas na 4ª série do ensino fundamental não sabe nem sequer o que deveriam ter aprendido ao final do 1º ano de escola. A conclusão, desta vez, é oficial, e parte de um estudo ainda inédito preparado pelo Instituto de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep), ligado ao Ministério da Educação, e obtido com exclusividade pelo Estado. Pela primeira vez, o ministério criou parâmetros para dizer objetivamente o que um aluno deve saber em cada nível de escolaridade. A conclusão é que as crianças vão à escola, mas isso está longe de significar que estão aprendendo.

A base do estudo são os resultados da chamada Provinha Brasil, a primeira avaliação de alfabetização feita no País, que começa a ser repassada para os Estados neste mês. Para poder dizer a cada Secretaria de Educação se seus alunos sabem o que deveriam saber ao final da alfabetização, foi criada uma escala com cinco níveis.

O quarto nível, em que um estudante deve ser capaz de ler textos curtos com vocabulário comum na escola, foi considerado pelo Inep como o ideal para um menino de, normalmente, 8 anos que esteja terminando a 1ª série primária - ou o 2º ano, na nova metodologia do ensino fundamental de nove anos.

A comparação dessa escala com a do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) - a avaliação da 4ª e 8ª séries do fundamental e 3º ano do ensino médio, feita a cada dois anos - mostra que esse quarto nível corresponde de forma muito aproximada à pontuação de 125 a 150.

Porém, na 4ª série (ou, agora, o 5º ano do fundamental), um terço dos estudantes brasileiros avaliados em 2005 não passou desse nível. Se forem consideradas apenas as escolas públicas - descontadas as federais, que costumam puxar as notas para cima -, esse índice ainda fica um pouco pior: 33,3%. Nas redes municipais chega a 35%.

São crianças terminando a 4ª série, prestes a entrar em um mundo escolar ainda mais complexo, e que não conseguem entender o enunciado de uma questão ou mesmo uma historinha mais longa. E essa realidade fica ainda pior quando se olham as diferenças regionais.

Mesmo com melhorias recentes, o Nordeste ainda mantém os piores indicadores: metade das crianças de 4ª série tem nível de 1ª. No Rio Grande do Norte, quase 60% estão nessa situação. Mesmo em São Paulo, o Estado mais rico do País, são 28,7% dos estudantes.

A escala preparada pelo Inep ainda permite calcular qual seria a pontuação ideal de um estudante da 4ª série/5º ano do fundamental: entre 200 e 210 pontos, seguindo a progressão natural do aprendizado