Adelson Elias Vasconcellos
Bem, creio restar pouquíssimas esperanças de que o governo vai criar uma política industrial com cara moderna. Infelizmente, nossas maiores apreensões quanto ao governo adotar políticas protecionistas e chamar isto de política industrial dentro daquele programa de ficção apelidado de Brasil Maior, estão se esgotando. Vocês podem constatar na reportagem apresentada nesta edição que nem sardinha, nem vinho tinto, vão escapar deste protecionismo burro e ultrapassado.
Nós já este filme, e não faz tanto tempo assim. O resultado foi além de um atraso colossal em termos de tecnologia, reduziu a um mínimo insignificante nosso comércio exterior em bens industrializados. Assim, não sei se por preguiça ou por incompetência, acredito até que os dois, o governo Dilma não tomará a iniciativa de encaminhar as reformas estruturantes das quais depende nosso crescimento sustentável, nossa maior participação no comércio exterior de bens industrializados, além de castigar os consumidores brasileiros que, para ter produtos melhores, terão que pagar mais caro, e se o poder aquisitivo não lhes permitir, terão que adquirir similares nacionais maias baratos, mas por outro lado, de muito menor qualidade.
Este protecionismo é um retrocesso estúpido e injustificável. Vamos incorrer nos mesmos erros do passado e que tanto mal trouxe para o país.
Assim, lamento dizer, o Brasil vai perder a melhor fase de oportunidades que a História lhe oferece para tornar-se uma nação moderna e desenvolvida, mais justa e com melhor qualidade de vida para seus cidadãos.
A História, e as futuras gerações, por certo, não nos perdoarão pela reincidência no erro estúpido, mas principalmente, por jogar no lixo o leque de oportunidades que nos foram oferecidas para evoluir, e que a estupidez, a burrice, a ignorância, a ideologia retrógada nos manteve cegos, surdos, mudos e burros para abraçá-las. É vergonhoso, e apenas para ficar num exemplo desta estultice, ver o governo brasileiro enviando emissários até o México, para rever um acordo automobilístico com aquele, no sentido de que ele reduzisse suas exportações para o Brasil, porque nosso similar nacional não tem capacidade de competição. É assinar um atestado de incompetência a tal revisão.
Infelizmente, o governo petista não estava, realmente, preparado para governar um Brasil com a nossa dinâmica atual, com a modernidade que tanto necessitamos para fazer frente às novas tecnologias. E isto não só é um risco: mas é, sobretudo, a tradução de que o partido e seus dirigentes estão unicamente preocupados em se manter no poder, mesmo que isto signifique atrasar o país a tal nível que se sinta impotente em reagir ao pensamento medieval.
É impressionante a teimosia do governo petista em não querer avançar nas reformas que a sociedade reclama há tanto tempo. A insistência em querer impor e manter sem alteração o custo Brasil ainda vai nos custar muito caro. É de esperar que a sociedade reaja e exija – porque é seu direito – que o governo Dilma saia desta posição covarde. Mas temo que só despertaremos desta letargia, um pouco tarde demais.
O doloroso nem é esta inapetência do governo Dilma e suas políticas malucas que, ao invés de empurrarem o país para frente, destravar as amarras que impedem o Brasil de se igualar em crescimento aos demais parceiros do BRICS, andam para trás, na insistência burra de aplicar medidas que já foram testadas antes e resultaram em atraso.
O doloroso, senhores, é o mutismo da oposição. Ora, quem criou os alicerces todos, eu disse TODOS, para o país desfilar retumbante com uma estabilidade econômica como a que vivemos, dando-lhe segurança para atravessar crises sem ser perturbado, e ainda plantou as políticas sociais que vão tirando da miséria milhões de brasileiros, foi justamente a oposição. Não importa o quanto o PT se indispôs e até trabalhou contra, quando esteve na oposição, com ações de puro terrorismo, verdadeiro boicote contra o país.
Qual é? Se tirarmos alguns artigos que, vez por outra, surgem publicados na imprensa e de autoria de José Serra, não se ouve e não se lê nada de autoria de um Aécio Neves, Sergio Guerra, ou outro qualquer, para criticar este bate latas do governo Dilma. Não fosse o entrevero entre os próprios aliados, ou seja, governistas, e pareceria a quem chegasse no país que nesta terra não há quem se oponha ao poder.
Quantas investigações o próprio PT, seguindo orientações do Planalto, tem sido abafadas, evitadas contra quem comete crimes com dinheiro público, ou até crimes institucionais, de verdadeiro ataque ao Estado, que se repetem rotineiramente, e que o governo tem se utilizado de sua base de apoio para impedir investigações? Por que confrontar o PT de hoje, o que governa, com o PT do passado, o que se mexia na oposição contra tudo e contra todos?
Assuntos? Motivos? Estelionatos? Crises? Baguncismo? Programas inconsequentes? Políticas de retrocesso? Corrupção? Desvios? Projetos de lei injustificados que não andam e empacam, e os indispensáveis que sequer são apresentados? Ora, material para a oposição dizer a que veio é que falta. Pipocam na imprensa, todo santo dia, motivos às pencas para a oposição levantar sua voz e se dizer “presente”. E imaginar que na eleição passada eles receberam mais de 40 milhões de votos, apenas para a eleição presidencial, sem considerar outros tantos milhões para governos estaduais!
Se somarmos tudo, não há como não se concluir o retrocesso, tanto econômico quanto institucional, que o país vem mergulhando. Parece que ninguém está interessado no futuro, só no passado molambento que nos vitimou ao atraso.
Portanto, vale repetir o alerta lá atrás: temo que só despertaremos desta letargia um pouco tarde demais.










