sábado, março 17, 2012

TCU dá 60 dias para Ministério do Esporte atualizar matriz da Copa

Lúcio Vaz
Folha de São Paulo

O Ministério do Esporte recebeu prazo de 60 dias para atualizar a Matriz de Responsabilidades da Copa de 2014, discriminando todas as intervenções essenciais para a realização do evento. A determinação foi feita ontem pelo TCU (Tribunal de Contas da União), que apontou atraso no planejamento do ministério.

A última atualização da matriz do Mundial, feita em setembro do ano passado, não continha qualquer registro sobre o segundo e terceiro ciclos de providências, que dizem respeito serviços de segurança, hotelaria, saúde, energia, comunicações, alfândega e atendimento em aeroportos.

O ministério alegou ao tribunal que não seria necessário incluir na matriz todas as ações necessárias a realização dos jogos. O TCU entende que a matriz "é um norte de planejamento imprescindível" para uma avaliação das ações pendentes, assim como do prazo para implementá-las.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Pois se o ministro Aldo Rebelo dedicasse maior tempo a cumprir com suas tarefas ao invés de ficar neste bate-boca insuportável com o pessoal da FIFA,  talvez a organização e os preparativos se desenrolassem de maneira mais tranquila, e sequer dariam motivos para as críticas sejam internas – porque as há – quanto da própria entidade máxima do futebol.

Voltou a dizer que ninguém nos obrigou a nada. Ninguém forçou o Brasil a se candidatar em sediar a Copa do Mundo de 2014. Para tanto, nos foi apresentado um caderno de encargos aos quais ficaríamos submetidos caso fôssemos escolhidos. O país poderia dizer “sim” ou “não”.  Se aceitou o cargo, que pague pelos encargos. Até porque há um compromisso por escrito relacionando todas as obrigações que o Brasil assumia, isto foi em 2007, e que foi firmado pelo governo brasileiro que deu aval para todas as obrigações que a partir daquela assinatura o país se comprometia em atender.

Portanto, mesmo que a crítica seja feita de forma deselegante, o que importa saber é: estamos cumprindo com aquelas obrigações, estamos seguindo um cronograma de preparativos dentro dos padrões que a FIFA exige? Este é que é o caso.  

Mas há uma questão final: quando a FIFA escolheu o Brasil para sediar a copa de 2014, o discurso que mais se ouviu na época é de que todos os investimentos que seriam feitos seguiu o manual da total transparência.  Ora, o que é a recomendação agora do TCU senão o descumprimento irresponsável deste fundamento básico quando se trata de aplicação de recursos públicos?  Portanto, mais ação, menos barulho é única forma de calarem os críticos. E me parece que se está buscando justificar hoje, a incompetência que estamos demonstrando em atender compromissos assumidos com a comunidade internacional. E este é pior dos mundos para a imagem do Brasil no exterior.