sexta-feira, julho 20, 2007

TRAPOS & FARRAPOS...

UM PRESIDENTE COVARDE DIANTE DA DOR NACIONAL
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Quase 48 horas depois da tragédia, Lula só se manifestou por intermédio de uma pequena nota, ainda assim lida por um assessor palaciano. Onde está o tão bem falante ? Se esconde do quê e de quem ? Onde está a empáfia do “espirituoso” que foge de enfrentar a dor que se abate sobre tantos brasileiros ? Mais de 350 mortos, em duas tragédias, resultado de um governo inepto e incompetente, dirigido muito mais pela ganância e pela imagem política, do que pela segurança e bem estar do povo que o sustenta.

Um presidente covarde que bate em retirada com medo da vaia, merecida vaia por parte daqueles a quem sempre dispensou o desprezo, o preconceito, o descaso.

Presidente irresponsável que já deveria ter demitido todos irresponsáveis pelos órgãos que deveriam cuidar da segurança aérea do país, e a estão jogando no ralo, no lixo, dando às costas de forma vergonhosa para os problemas que afligem milhares de brasileiros, boquiabertos diante de falta de governo para a resolução de uma crise que se arrasta já há dez meses, e cujas respostas são invariavelmente, ignora-la, dizer que ela não existe, ou que é fruto do progresso. O sujeito que disse isto, pasmem vocês, delega ao progresso um resultado de ineficiência, quando justo seria o contrário. E este cara se diz ministro da fazenda ? Só se for fazenda de trololó !

Como perguntamos em nosso primeiro artigo sobre o acidente com o vôo 3054 da TAM: de quantas mortes mais precisa o senhor Luiz Inácio para tomar decisões, e a decisão que se exige é “governar o Brasil”? Precisará de mais uma imensa tragédia, precisará de mais cadáveres se empilhando nos destroços dos aviões acidentados, para saber que vive diante de uma crise que exige medidas corretas, e pessoal qualificado para ser debelada, e não esta imoralidade de ver órgãos importantes serem ocupados pelos Zuanazzis, Denises e Waldires tão distantes dos problemas, tão analfabetos em relação ao assunto a eles afeitos, que já mataram tantos brasileiros, e que se não forem imediatamente demitidos, poderão vitimar outros tantos mais ?

O próprio Congresso americano ignorou o sentimento de anti-americanismo explícito do governo Lula, e lindamente provocou um minuto de silencio em sinal de respeito aos que morreram tão inocentemente ! Cadê o Congresso brasileiro, cadê os gigolôs políticos da nação, cadê um tal de presidente Lula que foge assustado com medo de ser novamente vaiado e ver sua imagem comprada arranhadinha pela sua incompetência e desgoverno ?

Tivesse um mínimo de respeito pelo povo brasileiro, já teria vindo a público, pedido desculpas à nação, e anunciado a demissão de toda a INFRAERO, ANAC e outros mais para desinfestá-los dos apadrinhados políticos que, por detrás das duas tragédias, são os verdadeiros assassinos de mais de 350 brasileiros. Mas não, está esperando alguém provocar algum fato que possa livra-lo da culpa, para estender no rádio e televisão sua imagem de “consternado”, como se isso fosse o bastante para evitar nova tragédia e devolver a vida aos que já morreram ! Sua covardia, incompetência e desídia, senhor Luiz Inácio, enojam e envergonham. Fique aí no canto, escondido feito moleque travesso, não exibindo sua cara de arrogância e falso sentimento de piedade. Mas saiba de uma verdade: a história não vai lhe perdoar por estas mortes. Talvez o IBOPE sim, talvez a Polícia Federal, sem a menor competência para investigar “acidentes aéreos” e que você “escalou” para saber as razões da tragédia dando seqüência aos desmandos e comprovando a incompetência em enfrentar a crise, talvez até te absolvam. Mas esta marca ficará indelevelmente registrada na tua biografia fajuta, feita de mentiras e hipocrisia, cheia de cinismo e truculência. E dolorosamente registrado tanto no primeiro quanto no segundo mandato: você e teu bando de vendidos, enterraram mais de 350 brasileiros inocentes, com a prática do mais escandalosamente corrupto governo que esta república já conheceu em sua história. História que será contada, sem nenhuma piedade, contra você, já que você não teve nenhuma piedade em empurrá-las para o abismo junto com a tua figura bizarra e medíocre.

Reafirmamos o que já dissemos outras tantas vezes: Lula não tinha o direito de agir com a VARIG do modo traiçoeiro como agiu. Enterrar aquela que era a nossa maior referência de excelência no exterior foi o começo de um longo processo de caos que se instalou na aviação comercial brasileira. Preferiu privilegiar a José Dirceu para a favorecer a TAM. Preferiu depois favorecer Constantino para enterrar a VARIG de vez e privilegiar a GOL. Ironia das ironias: foram das duas companhias as duas maiores tragédias aéreas de nossa história. E a maior, ocorrida no aeroporto que sequer faz um mês que foi liberado por obras que deveriam ser feitas e se deixou para depois. Ironia do destino, Lula da Silva ? Não, o destino aqui apenas deu sua resposta. Pense nisso, Lula, e pare de se acovardar e enfrente a crise com a determinação de resolve-la já que foi o seu governo que a criou. Ontem transcrevemos um discurso feito pelo deputado do PSDB, Júlio Redecker, uma das vítimas fatais do acidente com o avião da TAM, e que vale a pena reproduzi-lo. Leia e medite sobre ele, talvez você possa tirar as lições que ele deixou:

"A queda do Boeing 737-800 da Gol, que vitimou 154 pessoas, não aconteceu naquele 29 de setembro do ano passado. Essa data, de fato, marca o dia em que o vôo 1907 entre Manaus e Rio de Janeiro, com escala em Brasília, partiu na direção de uma tragédia que poderia ter sido evitada. A queda do Boeing inicia em 28 de julho de 2005, na reunião dos secretários executivos e membros do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) e da Casa Civil da Presidência da República"."Naquele encontro, a Casa Civil sugeriu que o Ministério da Defesa buscasse nos ministérios da Fazenda e do Planejamento a solução para a liberação dos recursos do seu orçamento. Mas a Casa Civil antecipou que 'a política de contingenciamento não prevê exceção' e que essa 'era uma posição definitiva do governo".

"A eventual insuficiência em 2005 gerará efeitos danosos ao progressivo aperfeiçoamento dos meios e das atividades inerentes ao controle do espaço aéreo brasileiro, situação contrastante, inclusive, com as expressivas taxas de crescimento de tráfego aéreo no país, que nos últimos anos vêm apresentando um valor médio de cerca de 8%. Sem dúvida, sensíveis prejuízos para o país serão gerados para as atividades aéreas, civis e militares, desenvolvidas no espaço aéreo sob a jurisdição do Brasil".

"Eu diria, senhoras e senhores, que estas autoridades só olharam os números e não consideraram que vidas humanas estavam em risco. Passados seis meses daquela tragédia, a sociedade ainda aguarda por respostas do governo".

Pois é, Lula da Silva, o deputado Julio Redecker morreu sem resposta. Esperamos que outros brasileiros não precisem morrer mais em novas tragédias para termos as respostas devidas.

O primeiro passo, acredite, é aceitar e considerar-se culpado: transferir responsabilidades como vem fazendo desde Waldomiro Diniz, mensalão, cartilhas e dossiês, dentre tanta bandalheira, não terá o dom de resolver problemas. Pelo menos desta vez, a primeira resposta é ter a dignidade dos governantes sérios, e saber-se culpado pela crise instalada. Fazer isto, Lula da Silva, é dar um passo de grandeza. A covardia que você assumiu agora, é e será a tua pior conselheira.

Mas atenção: mesmo que se chegue a conclusão de que houve falha mecânica, ou humana ou mesmo de manutenção de parte da companhia, isto em nada, repito, em nada mesmo, tira a culpa dos ombros do governo Lula. Talvez para a canalhada seja uma honrosa saída, mesmo que eles comemorem o feito em cima de 200 cadáveres. E este será o aterrador sentimento de um governo que pouco se importa com a vida humana dos passageiros. Como sempre se disse aqui, para o governo Lula os escrúpulos e a segurança das pessoas que se danem, desde que eles consigam manter a boa imagem.

ENQUANTO ISSO...

Assessor de Lula vê reportagem e faz gesto obsceno
Redação Terra

Imagens divulgadas na noite desta quinta-feira pela Globonews mostram o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, fazendo um gesto obsceno durante a divulgação de uma reportagem em que a TAM admite que o reversor da turbina direita do Airbus que saiu da pista de Congonhas, se chocou contra um prédio e pegou fogo, matando pelo menos 188 pessoas, estava desligado.

A empresa informou, em nota, que o equipamento havia apresentado um defeito quatro dias antes do acidente e foi desativado por orientação da fabricante, o que não afetaria sua capacidade vôo. A informação foi confirmada pela Aeronáutica.

Marco Aurélio não se manifestou sobre o assunto, mas, segundo sua assessoria, o gesto foi feito para extravasar alívio já que a imprensa estaria colocando toda a culpa do acidente em setores do governo.

ENQUANTO ISSO...

Aeronáutica: reversor é "brinde" para o piloto
Agência Brasil

O chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa) da Aeronáiutica, brigadeiro Jorge Kersul Filho afirmou nesta quinta-feira que "o reversor não é fator preponderante para operação em uma pista", garantiu, "o reversor é um brinde para o piloto". A TAM confirmou na noite de hoje que o reversor da turbina direita do Airbus que atravessou a pista de Congonhas (SP), se chocou com um prédio e pegou fogo, matando pelo menos 188 pessoas, estava desligado no momento do acidente por ter apresentado um problema quatro dias antes. Mas a empresa negou que o fato tivesse relação com a tragédia.

Segundo o brigadeiro, reversor é um equipamento de vôo que vai acoplado à turbina do avião, para auxiliar a reduzir a velocidade durante o pouso. "A aeronave tem de ser capaz de uma operação sem a utilização dos reversores", afirmou.

Assim como a Aeronáutica, a TAM afirmou, em nota divulgada na noite desta quinta, que o reversor não é indispensável para o vôo e que a aeronave tem capacidade para pousar, mesmo com chuva, até sem os dois reversores. "O procedimento não configura qualquer obstáculo ao pouso da aeronave". O reversor "foi desativado em condições previstas pelos manuais de manutenção da fabricante Airbus e aprovado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)".

TAM confirma defeito, mas nega relação com acidente
Redação Terra

O Airbus da TAM que saiu da pista do aeroporto de Congonhas na terça, se chocou com um prédio, pegou fogo e matou pelo menos 188 pessoas estava com um problema no reversor da turbina direita desde a sexta-feira, quatro dias antes do acidente. A companhia aérea confirmou a informação ao Terra, mas alegou que, segundo os manuais da fabricante da aeronave, o defeito não impedia vôos. Quarenta e cinco minutos depois, a TAM emitiu uma nota em que reiterou a informação (confira a íntegra da nota abaixo).

O mesmo avião teria tido problemas para frear durante a aterrisagem na segunda-feira, quando chegava de Minas Gerais, segundo informação divulgada pelo Jornal Nacional. A TAM negou que tenha havido qualquer "acidente grave" com aeronaves da empresa naquele dia.

A reportagem tentou entrar em contato com a assessoria de imprensa da Airbus pelos telefones divulgados em seu site, mas não localizou ninguém para comentar o caso.

Ontem, a Infraero divulgou imagens do momento em que o Airbus tentou pousar na pista principal de Congonhas. A gravação, comparada com a aterrissagem de um modelo de aeronave semelhante, mostra que o avião percorreu em apenas 3 segundos a distância que normalmente é feita em 11 segundos.

Hoje, o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, afirmou que o "avião entrou e saiu da pista com a mesma velocidade, sempre 110 nós (203,7 km/h). Isso significa que ele não conseguiu reduzir a velocidade durante o pouso".

Confira a íntegra da nota da TAM:

A TAM reitera que o reversor direito do Airbus A320 que realizou o vôo JJ 3054 foi desativado em condições previstas pelos manuais de manutenção da fabricante Airbus e aprovado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

O procedimento não configura qualquer obstáculo ao pouso da aeronave. Esta informação foi confirmada ontem em entrevista coletiva pelo presidente da empresa, Marco Antonio Bologna, e pelo vice-presidente Técnico, Ruy Amparo. Também como destacado ontem o avião não tinha registro de nenhum problema de manutenção anterior.

Portanto, a empresa reafirma que não teve registro de qualquer problema mecânico neste avião no dia 16 de julho.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Portanto, a comemoração do traste imundo chamado Marco Aurélio foi feita sem motivo. O provável defeito mecânico, em nada seria motivo para a tragédia ocorrer do modo como ela aconteceu. Seria problema, sim, em uma pista problemática como se sabe ser a pista de Congonhas em dias de chuvas. A prematura liberação da pista a partir de obras de reformas ainda não executadas, apanhou o pessoal da Infraero de surpresa. Jamais eles imaginariam e contariam com a possibilidade de haver novas chuvas. Eles próprios reconhecem isto. Mas agora é tarde. O mal está feito. Mas há tempo suficiente para se evitar uma nova tragédia.

Há um vídeo que explica de forma clara as condições da pista de Congonhas, e o risco para pilotos e passageiros. E esta é a pista que a INFRAERO que liberou para pousos e decolagens sem as reformas necessárias em 29.06., numa ação irresponsável. Para ver o vídeo
clique aqui

Marta Suplicy por conta da língua frouxa e sem escrúpulos enterrou-se politicamente. Marco Aurélio Garcia ficará marcado para o resto da vida pelo seu gesto imbecil. E o senhor Lula da Silva com seu desgoverno, seja no primeiro ou segundo mandato, terá duas tragédias aéreas para demarcar o território de mediocridade em que atolou seu desgoverno. De fato, nunca dantez...

TRAPOS & FARRAPOS...

UM GOVERNO OBSCENO COM ASSESSORES LEVIANOS...
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia


Em comentários anteriores sobre o acidente com o Airbus da TAM que vitimou até agora 188 pessoas, afirmamos que Lula se esconde por detrás dos fatos. Sempre que há crise, Lula foge, se acovarda, e acha que não deva dar satisfações à opinião pública. Sua arrogância e vaidade não o deixam ver que ele é apenas um servidor público, colocado na presidência da república, sustentado pela população brasileira e que a obrigação primeira que lhe é imposta é justamente prestar contas de seus atos. Agora, escondendo-se no Planalto, não está fugindo à regra: foge é do povo.

Também temos afirmado que Lula e o governo de um modo geral estão em busca de um fato, mínimo que seja, para livrar a cara deslavada de Lula de todo este episódio, deste lamentável e trágico episódio.

No Jornal Nacional da Rede Globo que foi ao ar na noite de ontem, uma reportagem parece ter despertado os instintos mais primitivos em alguns de se3us assessores. Ela dava conta de que o avião sinistrado já apresentava problemas mecânicos. E, num espetacular furo de reportagem, na hora em que a reportagem era exibida, um cinegrafista da Rede Globo flagrou Marco Aurélio Garcia, Assessor de Assuntos Internacionais de Lula e mais outro de imprensa, comemorando efusivamente o que está sendo dito por um diretor da TAM.

A cena filmada demonstrava claramente aquilo que sempre se soube mas que poucas vezes foi possível flagrar e comprovar: este é um governo obsceno, preenchido por gente leviana e medíocre. O ato protagonizado por Marco Aurélio é, como o senador Pedro Simon bem declarou mais tarde, uma bofe4tada no rosto dos brasileiros. Ou seja, ainda não se apagaram totalmente as chamas, ainda não se recolheram todos os cadáveres vitimados pelo maior acidente aéreo de nossa aviação, e temos um assessor de merda comemorando o fato de que o avião tinha problemas mecânicos. Revoltante ? Deprimente ? Indigno ? O que nos resta dizer diante desta estupidez e deste capacho de bosta, sustentado com o nosso dinheiro, rindo e se vangloriando sobre cadáveres ainda insepultos ? De tipo de verme é esta coisa nojenta, pegajosa, asquerosa, verdadeira cloaca humana que não é capaz de respeitar os mortos desta tragédia ? (Para assistir o vídeo clique aqui)

São os brasileiros que estão morrendo em acidentes aéreos, são os brasileiros que sofrem constrangimentos, humilhações e prejuízos sem conta nos aeroportos mau gerenciados pelo governo, e quem fica indignado pelas notícias é este verme do Marco Aurélio ? Nem vem que não tem, seu traste imundo! É CULPA DO GOVERNO, sim senhor, tudo o que está acontecendo de ruim no tráfego aéreo, na aviação comercial e nos céus do Brasil! O governo é o único que deve ser responsabilizado pelo descalabro aéreo que o país sofre há dez meses sem solução, sem providências, e com esta imoral transferência de responsabilidades e falta de atitude digna de parte de um governo que deveria zelar pelo bem estar e pela segurança de todos os brasileiros. Este desgoverno hipócrita, mentiroso, cínico, corrupto e nefasto, está tornando a vida do brasileiro um verdadeiro inferno, e o senhor Marco Aurélio acha que deve se indignar por apontarmos o dedo na direção do responsável pela mediocridade reinante, fruto de um governo irresponsável e incompetente ? Deveria era tomar vergonha na cara (coisa que nunca teve) e deixar o setor entregue a quem tem competência, a quem é do ramo, e não entregar nas mãos de trapos imundos filhos diletos da corrupção, do compadrio e da venda cega da honra e moralidade públicas. Tivesse Lula um mínimo de respeito pelo País, além de toda a INFRAERO e ANAC, demitiria imediatamente este verme e seu colega de farra macabra, Bruno Lopes. Imediatamente. Urgentemente. Sem pestanejar e sem titubear. Eles agrediram a nação e demonstraram em que esgoto fétido o país foi mergulhado. Sinto vergonha de ter como brasileiro gente desta laia, sórdidos, hediondos, deprimentes e degradantes.

Vocês lerão no post seguinte da coluna ENQUANTO ISSO..., tanto a declaração do Diretor da TAM, que fez a alegria deste traste humano chamado Marco Aurélio Garcia. Verão que os problemas mecânicos apontados, de modo algum afetaram ou contribuíram para o acidente. E até pelo vídeo em que se vê o avião cruzando a pista de Congonhas, em que se julga que ele estivesse em velocidade acima da necessária, é possível ver o clarão sob as asas da água que era jogada e que se encontrava na pista, e esta, como sabemos, sem as ranhuras, o grooving, necessário para oferecer melhor aderência.

Leiam a seguir a manifestação de revolta (e nem poderia ser diferente) de Rodrigo Maia, dos Democratas:

"É estarrecedor e inaceitável que Marco Aurélio Garcia, o assessor mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, falte com o respeito ao povo brasileiro e apareça, de público, fazendo gestos obscenos no interior de uma sala da Presidência da República. Todos fomos atingidos pelos gestos desqualificados. Não é mais possível tolerar tanta indignidade. Não é possível que o assessor do presidente Lula se julgue no direito de atingir as famílias e a memória das quase 200 vítimas do vôo 3054 comemorando a hipótese de o Airbus 320 da TAM ter voado com um defeito no reversor da turbina direita. Não há o que comemorar, Marco Aurélio. Tudo que estamos vivendo é lamentável, deplorável e indesculpável. Em vez de ter preocupação com a dor das pessoas, ou manifestar interesse na busca de saídas para o caos aéreo, o governo, lastimavelmente, só se importa com a popularidade do presidente da República. E a Nação, além da dor, convive com o desamparo. Mas não somos obrigados e nem vamos conviver com a obscenidade. Peça desculpas, Marco Aurélio. E reze para que as pessoas tenham, em relação a você, a tolerância e o respeito que você não teve em relação a elas."
Rodrigo Maia
20 de julho de 2007
Presidente do Democratas


Se diz que Lula dará uma declaração à nação ainda hoje. Vamos aguardar. Espero que ele, ao menos, seja mais humano, humilde e respeitoso para com o povo brasileiro do que têm sido seus assessores, especialmente, o verme do Marco Aurélio. Pelo menos isso, se não pode minorar a dor dos que perderam entes queridos de forma brutal, que não sirva para revolta-los ainda mais. O povo brasileiro não precisa de corja tão ordinária tentando consola-la de forma canalha.

Tragédia anunciada

por Rodrigo Constantino, Blog Diego Casagrande

Em menos de um ano, mais uma tragédia de proporções assustadoras acontece no setor aéreo, a maior já registrada no país. Juntando o acidente da Gol com este da TAM, estamos falando de quase 400 mortos! Ainda é cedo para apontar com certeza os culpados, mas há evidências de que as pistas do Congonhas, sem as ranhuras necessárias para a melhor frenagem dos aviões, levaram o avião a derrapar. Na tentativa de arremeter, o piloto teria perdido o controle e batido no prédio da própria empresa, causando a explosão. São as especulações que parecem mais plausíveis no momento. Mesmo que tenha ocorrido falha humana, a tragédia possivelmente seria evitada se a pista do aeroporto fosse maior e mais segura.

Em primeiro lugar, gostaria de registrar minha profunda tristeza pelas vítimas e seus familiares e amigos. Eu tinha parentes que estavam prestes a aterrizar no mesmo aeroporto, e posso apenas imaginar o desespero dos que perderam familiares na catástrofe. A dor deve ser insuportável. Sei inclusive que o momento não parece o mais adequado para falar de política, mas por outro lado, entendo que justamente nesses momentos de maior angústia e revolta, devemos compreender as possíveis causas. Somente assim novos acidentes poderão ser evitados. Quando o choque das pessoas passar, muitos vão simplesmente ignorar o que pode estar por trás desse caos aéreo, que coloca tantas vidas em risco desnecessário. Mesmo que nesse caso específico fique comprovada a ausência de culpa da Infraero, o fato é que a estatal tem sido totalmente negligente e irresponsável. E isso é algo inadmissível, que tem solução relativamente simples.

Li muitos comentários de pessoas revoltadas com a postura do governo nessa crise, mas creio que a maioria foca no lugar errado. Sem dúvida este governo tem sido irresponsável em inúmeros aspectos, sem falar dos comentários mais que infelizes de certos membros. Trata-se de um desgoverno, na verdade. Mas o ponto principal é que o setor público não conta com os incentivos adequados para resolver estes tipos de problemas. O PT é mais incompetente, sem dúvida. Mas falta um mecanismo correto de punição pelos erros e prêmios para acertos no setor público em geral. Muita gente no Brasil ainda condena o fator lucro como motivador de empresas, ignorando completamente sua fundamental importância na eficiência dos serviços prestados. Se a Infraero fosse uma empresa privada, uma catástrofe desta magnitude poderia facilmente levá-la à bancarrota. Basta imaginar a pressão que todos fariam, inclusive o governo, sem falar das escolhas dos consumidores. Isso parece um incentivo bem razoável para que qualquer empresário ganancioso faça o máximo possível para evitar tais acidentes. O governo será invariavelmente um pior gestor, pois falta este tipo de incentivo. Basta verificar a espantosa melhoria de qualidade em todas as empresas privatizadas. Alguém lembra como era a Telebrás estatal? Não há porque ser diferente com aeroportos. Inclusive, vários foram privatizados mundo afora, e operam com eficiência infinitamente maior que os nossos estatais. A Infraero deve ser privatizada, ponto!

Falar em privatização agora pode parecer frieza de minha parte, mas é justamente o contrário. As vidas perdidas, provavelmente por uma negligência assassina da estatal, ao que tudo indica, não podem ser resgatadas. Aos familiares que ficam, resta lamentar profundamente e desejar que sejam capazes de superar tal tragédia. Uma mãe perdeu dois filhos adolescentes de uma vez! Mas podemos fazer algo quanto aos que ainda estão vivos. Podemos evitar novas desgraças como esta. Podemos salvar vidas no futuro. O meio de fazer isso é delegar ao setor privado a gestão do setor, pois este será sempre mais eficiente, por causa dos incentivos presentes. Quantas vidas não são perdidas todo ano em acidentes de trânsito, por exemplo, por causa de estradas em péssimo estado? As pessoas precisam acordar para o elo de ligação causal entre gestão pública e risco desnecessário de vida. As mãos do governo estão sim sujas de sangue inocente. Isso vale para as criminosas condições em nossas estradas, para a violência urbana e também para os acidentes aéreos. Esta enorme tragédia foi anunciada. O governo nada fez que pudesse reduzir as chances dela ocorrer. É hora de dar um basta! Estão brincando com muitas vidas. O povo não pode perder a capacidade de se indignar!

Irresponsabilidade assassina

por Maria Lucia Victor Barbosa, Blog Diego Casagrande

Mais uma vez o luto e a dor se abatem sobre o País. Em setembro do ano passado foram 154 mortos no que se chamou de pior desastre da aviação brasileira. Nenhuma providência foi tomada pelas autoridades para resolver o caos aéreo. Apenas promessas vagas. Simulações de ordens partindo do presidente da República. Eleição de culpados como pilotos norte-americanos ou cachorro na pista. Bilhões gastos no PAN. Nenhum recurso para renovação dos aparelhos de controle aéreo. Nenhum treinamento para novos controladores de vôo. Obras suspeitas de superfaturamento em Congonhas.

Agora o pior acidente foi superado. Já se fala em quase 200 mortos, incluindo as pessoas que estavam no prédio da TAM. Mais uma vez emerge claramente a incompetência assassina, a indiferença brutal, a covardia das esquivas, o cinismo das explicações que não explicam. Tudo isso não vem do botequim da esquina, mas das autoridades constituídas que incluem, naturalmente, o presidente da República.

Onde está o sempre confuso e inoperante ministro da Defesa? Onde está o comandante da Aeronáutica para dar explicações adequadas à Nação? Onde estão os responsáveis pela Infraero e pela Anac? Onde está o presidente da República, que tão afeito a luzes e câmaras, a constantes aparições televisivas desta vez não entrou em cadeia de rádio e televisão para consolar as famílias enlutadas? Ou avião é coisa de rico e ele só se dirige aos pobres, aos grotões que digerem facilmente seu gesticular furioso e alucinado, que se empolgam com seus esgares e com seu palavreado chulo próprio dos demagogos que, sedutores de massas entusiasmam os mais carentes? As autoridades (in)competentes estão mergulhados em silêncio ensurdecedor.

Será que o presidente Lula da Silva não aparece por estar de ressaca cívica depois das vaias recebidas no Maracanã de 90 mil gargantas? Pode ser, pois, em que pesem as teorias delirantes e sem nexo dos seus áulicos, dos ptbulls hidrófobos que tentam explicar o monumental apupo, LILS sabe que por uns momentos, os mais constrangedores pelos quais já passou, ficou nu como o rei da história. O gigantesco palanque constituído para sua apoteose triunfal no PAN falhou miseravelmente. Simplesmente porque não houve controle oficial. Aquilo foi diferente dos auditórios fechados, das platéias selecionadas, das claques que o aplaudem em comícios encomendados e em inaugurações planejadas. E ele deve saber que a perniciosa e venenosa tese da "elite branca" especialmente postada no Maracanã para vaiá-lo, não passa de um blefe ideologicamente imbecil dos companheiros.

Por tudo isso, quem sabe, Sua Excelência está sem ânimo para se dirigir aos brasileiros nesse momento de tanta dor. Prefere convocar uma reunião no Palácio e chamar alguns de seus auxiliares. Eles discutem como poderão tirar partido da desgraça para exaltar ainda mais a figura luminosa do salvador da pátria. Decreta-se luto oficial. Aposta-se no esquecimento rápido de mais essa tragédia. Pede-se tempo para averiguar os fatos. Elabora-se algumas teorias idiotas para justificar o acidente, e pronto. E só aguardar a próxima queda de avião, porque a continuar a incompetência assassina governamental o horror irá fatalmente se repetir.

Pena que agora não tem pilotos americanos para levarem a culpa. Mas não é difícil incriminar o piloto que não conseguiu frear o avião. Alguém tem que ser culpado. Menos a Aeronáutica, a Infraero, a Anac, o tartamudeante ministro da Defesa e, principalmente, o presidente da República. Este, além de ser infalível como o Papa, de nada sabe, nada vê, por nada é responsável. Se fosse outro o presidente o que fariam os petistas? No mínimo pediriam o impeachment. Lula, porém, é intocável.

Mas quantos ainda morrerão assassinados oficialmente pela incompetência das autoridades? Não se sabe. Melhor recorrer às estradas. Mas com muito cuidado porque estão em péssimo estado. Como tudo nesse governo, a operação tapa-buraco na última campanha presidencial foi uma farsa. Mais uma como o fracassado Programa Fome Zero ou seu substituto Bolsa Família que tem problemas de fraudes em 90% das cidades recentemente auditadas. Sem falar nas inexistentes PPPs e outras propagandas enganosas.

Nas estradas ainda há chance de sobreviver. Nos aviões é quase impossível. Ainda que os pilotos sejam de uma habilidade e de uma competência incríveis para poder contornar todos os perigos oriundos do controle aéreo, das pistas molhadas, etc. Eis a condição dos meios de transporte num país com as dimensões do Brasil. E o presidente da República ainda tem o desplante de dizer que nunca estivemos tão bem desde a Proclamação da República.

Curva-se de dor o Brasil nesse momento. Até quando se curvará a pátria diante dos desmandos que ora presenciamos? Até quando os brasileiros serão enganados, intoxicados com a propaganda petista? O que somos, um rebanho imbecilizado ou um povo capaz de cobrar de seus governantes o cumprimento dos deveres para os quais os elegemos? Quantos ainda morrerão em desastres aéreos para que o Brasil possa acordar dessa letargia idiotizante?

Avião da Gol comunicou pista escorregadia no dia

Anne Warth, da Agência Estado

Segundo chefe do Serviço Regional de Proteção ao Vôo, Congonhas recebeu aviso uma hora antes do acidente

SÃO PAULO - O coronel-aviador Carlos Minelli de Sá, chefe do Serviço Regional de Proteção ao Vôo, admitiu na tarde desta quinta-feira, 19, em entrevista coletiva, que uma aeronave da Gol comunicou à torre de controle do aeroporto de Congonhas, às 17h04, cerca de uma hora e meia antes do acidente com o Airbus A-320 da TAM, que a pista principal estava escorregadia.

Segundo ele, às 17h07, três minutos após ter sido comunicada pela torre de controle, a Infraero suspendeu as operações de pouso e decolagem na pista principal para avaliar as condições do local.

Às 17h20, a Infraero concluiu que a pista estava em condições seguras para as atividades de pouso e decolagem e decidiu pela reabertura das operações.

"Deste horário, até o momento do acidente, às 18h50, ocorreram 40 operações de pouso e decolagem na pista principal e 11 na pista auxiliar", disse o coronel, lendo na íntegra uma nota de esclarecimento posteriormente distribuída à imprensa. Ele não respondeu a perguntas ou fez comentários adicionais ao texto.

Segundo o relato de Minelli, no dia seguinte ao acidente, os equipamentos de navegação e de comunicação do aeroporto foram verificados por uma aeronave laboratório do Grupo Especial de Inspeção ao Vôo, que constatou a normalidade de seu funcionamento. Ele informou todas as ocorrências anormais informadas pelos pilotos à torre de controle são comunicadas em seguida à Infraero, que imediatamente, tomadas as providências para verificar o caso.

No momento do acidente com o Airbus A-320 da TAM, o movimento do aeroporto de Congonhas era considerado normal com 13 aeronaves seqüenciadas para pouso e cinco programadas para decolagem. O índice pluviométrico que era de 1 milímetro entre às 17 e às 18 horas, baixou para 0,6 mm entre às 18h e às 19h e para meio milímetro entre às 19h às 20h, o que caracterizava chuva fraca.

O coronel ressaltou que as freqüências de comunicação do controle de aproximação e da torre de controle operavam normalmente sem interferência de rádio, da mesma forma que os auxílios à navegação aérea.

O que ocorreu não foi acidente, foi crime

por Francisco Daudt, na Folha de S. Paulo

Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, "GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS". O assassino não é só aquele que enfia a faca, mas o que, sabendo que o crime vai ocorrer, nada faz para impedi-lo. O que ocorreu não pode ser chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime.

Remeto-me ao livro de García Marquez, "Crônica de uma morte anunciada". Todos sabiam e ninguém fez nada. E não me refiro a você, leitor, que se consome em sua impotência diante deste e de tantos descalabros que vimos assistindo semanalmente. Ao ponto de a ministra se permitir ao deboche extremo do "relaxa e goza'? Será esta sua recomendação aos parentes das novas vítimas? Refiro-me às autoridades (in)competentes, inapetentes de trabalho gestor. Refiro-me ao presidente Lula, que, há quantos meses, ó Senhor, disse em uma de suas bazófias inconseqüentes que queria "data e hora para o apagão aéreo acabar", como se não dispusesse da devida autoridade para tal.

Sinto pena de não ter estado na abertura do Pan, de não ter engrossado aquelas bem merecidas vaias. Talvez o presidente não se importe tanto, afinal, quem viaja de avião não é beneficiário de sua bolsa-esmola, não faz parte do seu particular curral eleitoral cevado com o dinheiro que ele arranca de nós. Devem fazer parte das tais "elites", que é como ele escarnece da classe média que faz (apesar do governo) o país crescer.

Qual de nós escapou do medo de voar desde o desastre da Gol HÁ NOVE MESES? Qual de nós assistiu confortável o jogo de empurra, "a culpa é dos controladores'; "não, é do ministério da defesa'; "a mídia também exagera tudo'; "é do lobby das empreiteiras que só querem fazer obras inúteis e superfaturadas nos aeroportos". Qual de nós deixou de ficar perplexo com a falta de ação efetiva para que o problema se resolvesse?

Perdão, acho que a tal falta de ação geral de governo é de tamanho tão extenso e dura tanto tempo que muitos de nós a ela nos acostumamos. Sou psicanalista, e, por dever de ofício, devo escutar o que meus clientes queiram dizer.Pois nunca pensei que fosse pronunciar no consultório uma frase que venho repetindo há algum tempo, depois de que mensalões, valeriodutos, Land-Rovers, dólares na cueca, dossiês fajutos, renans calheiros, criminalidade, insegurança pública, impunidade, pizzas e tudo isso que o leitor já sabe se despejam fétida, diária e gosmentamente sobre nossas cabeças. A tal frase: "Não quero falar desse assunto". Os pacientes me respondem com alívio, "Ufa, eu também não!' É o desabafo da impotência partilhada. "Welcome to Congo'? Talvez seja um insulto ao Congo.

Pois agora quero falar deste assunto. Deram-me a oportunidade de ser menos impotente. Sei que falo por uma enorme quantidade de brasileiros trabalhadores que sustentam essa máquina de (des)governo, muitos mais que os 90 mil do Maracanã, para expressar o nojo e a raiva que esse acúmulo de barbaridades nos provoca. O governo sairá da inação, da omissão criminosa? Alguém será preso, punido por todas essas coisas? Infelizmente, duvido. Talvez condenem a mim, por ter deixado o coração explodir. Pagarei o preço alegremente, lembrando Graciliano Ramos, que, visitado no cárcere, travou com o amigo o seguinte diálogo:

- Puxa, Graça, você, aí dentro, de novo?

- E você, o que faz aí fora? Nestes tempos, lugar de homem honesto é na cadeia.

As causas estruturais da tragédia

Editorial do Estadão

Desastres de aviação, dizem os especialistas, sempre têm mais de uma causa. Com a tragédia do Airbus da TAM não é diferente. As causas são a incompetência, desídia, leviandade, ganância e corrupção presentes no sistema de transporte aéreo brasileiro. Perto desses fatores estruturais, eventuais falhas técnicas, ou do piloto, na origem da catástrofe de anteontem em Congonhas são dados acessórios. Essencial é o descalabro que permite o funcionamento a plena carga do maior aeroporto brasileiro numa área já abarcada pelo centro ampliado de São Paulo; a recusa das companhias aéreas em reduzir as suas operações ali, ou ao menos desconcentrá-las dos horários de pico; a submissão cúmplice da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aos interesses das empresas que dominam o setor; a calamidade administrativa, a politicagem e a fraude endêmica na Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).

Tudo isso sob os olhos - e a responsabilidade objetiva - de um governo cujo presidente só quer ouvir o som da própria voz e continua a repetir hoje o que, horas antes do terrível acidente, admitiu fazer no passado - "a quantidade de coisas que eu falei e falava porque era moda falar, mas que não tinha substância para sustentar na hora em que você pega no concreto". E que traça ele próprio o retrato acabado de sua gestão ao confessar que "em determinados cargos (...) a gente faz quando pode e, se não pode, deixa como está para ver como é que fica". No dia 29 de setembro do ano passado, 154 pessoas morreram no que foi, até às 18 horas e 45 minutos de anteontem, o maior desastre aéreo da história brasileira. Desde os 154 mortos da tragédia da Gol até as duas centenas de mortes desta terça-feira, descontado o palavrório entorpecedor de todos quantos têm parte com os problemas da aviação comercial no País - e com as possíveis soluções para eles -, continuou-se na estaca zero em matéria de "pegar no concreto" para melhorar os padrões de segurança de vôo no território. Para todos os efeitos práticos, "deixou-se como está para ver como é que fica".

Nesse quadro de falência dos poderes públicos e de voracidade de interesses privados, Congonhas - sem as chamas, os corpos e os destroços - é a síntese das incompetências e irresponsabilidades que marcam a administração pública brasileira. Em abril de 2005, um brigadeiro, Edilberto Teles Sirotheau Corrêa, denunciou a "obsessiva prioridade" dada pela Infraero "às obras que proporcionam ‘visibilidade’, em detrimento das necessidades operacionais". De fato, gastaram-se R$ 350 milhões para modernizar esse shopping center no qual se transformou o terminal do aeroporto que, já em 2005, registrava 228 mil pousos e decolagens, 33 mil a mais do que o desejável pelos critérios internacionais. Em janeiro último, o Ministério Público Federal pediu à Justiça a interdição da pista principal de Congonhas. No mês seguinte, um juiz federal proibiu aviões de grande porte, como Boeings e Airbuses, de operar no aeroporto enquanto os problemas da pista não fossem sanados. Uma instância superior invalidou a decisão, considerando-a drástica demais e fonte de impactos econômicos negativos.

Enfim, ao custo de R$ 19,9 milhões, a Infraero contratou o conserto da pista - e a liberou escandalosamente antes de nela serem acrescentadas as ranhuras transversais que asseguram o escoamento da água das chuvas e aumentam a aderência dos pneus dos aviões ao solo, facilitando a freada e reduzindo o risco de derrapadas como a que, na segunda-feira, arrastou por 150 metros, até o gramado próximo, um turboélice com uma vintena de pessoas a bordo, muito mais manejável do que um Airbus capaz de levar cerca de 180 pessoas. (Outro episódio, negado pela TAM, foi a arremetida, também na segunda-feira, de um aparelho da companhia, cujo comandante desistiu do pouso no último momento devido ao alagamento da pista.) As obras do grooving só poderiam começar na próxima quarta-feira. Pode ser que tenha contribuído para a tragédia do vôo 3054 um erro na manobra de pouso ou uma pane no sistema de freios do Airbus. Mas é certo que o desfecho seria outro se a pista tivesse plenas condições de segurança. Não as tinha e ainda assim era usada, em última análise, por incompetência, desídia, leviandade, ganância e corrupção.

Nunca antes na história deste país

por Cláudio Gonçalves Couto, no Valor Econômico
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Nunca antes na história deste país houve desastre aéreo de iguais proporções ao ocorrido em São Paulo no dia 17 de julho. Também nunca antes na história deste país houve tamanho caos no setor de aviação civil como aquele que experimentamos nos últimos dez meses. Assim como nunca antes na história deste país havia ocorrido um acidente de proporções maiores do que o do avião da Gol, em setembro do ano passado. Se o presidente Lula se incomodou com as vaias que a platéia de classe média lhe dedicou na abertura dos Jogos Pan-Americanos, que se prepare, porque certamente virão outras e mais estridentes. E que não se fale em "grosserias", pois as vaias a Lula são pecados menores diante dos despautérios acerca da crise aérea emitidos por seus ministros Marta Suplicy e Guido Mantega, sugerindo reações orgasmáticas ou atribuindo o caos nos aeroportos ao crescimento econômico. O que esperar daqueles que são diretamente afetados senão vaias?

Até agora, caso não computemos as 145 vítimas do acidente com o Boeing da Gol, a incompetência do governo para solucionar a crise do setor aéreo ainda não havia causado vítimas fatais, apenas transtornos e prejuízos. Desta feita, porém, caso se confirme que o desastre de São Paulo foi causado por problemas relacionados às condições da pista de Congonhas ou por algum erro dos órgãos de segurança aérea, a incapacidade do governo terá provocado perdas irrecuperáveis. Mas mesmo que não fique comprovado que foi a inépcia do governo federal o fato causador da tragédia, dificilmente a popularidade do presidente Lula escapará ilesa do desastre. Isto porque mesmo aqueles segmentos da população que não se sentem diretamente afetados pelo caos dos aeroportos - e que são o principal estuário da aprovação do presidente - deverão se sensibilizar com a grande perda de vidas. E será difícil para o governo convencer a todos de que sua inapetência para debelar a crise não está relacionada à catástrofe que culminou com mais de 190 mortos.

Com isto, prova-se que o presidente Lula foi tímido ao afirmar que com educação e saúde não se brinca, pois deslizes com a primeira provocam analfabetos e, com a segunda, mortos. Mais adequado seria dizer que com governo não se brinca, pois seus deslizes podem sempre provocar danos irrecuperáveis - inclusive mortes. Poder-se-ia assim dizer que a nomeação de correligionários incompetentes e a inação no setor de transportes também causam mortes. Só no primeiro fim-de-semana de julho último, por exemplo, foram 91 as mortes nas estradas brasileiras. Esse número é 71% superior ao do ano passado, sendo o aumento atribuído em parte aos reflexos do caos aéreo, pois um número maior de pessoas optou por utilizar as estradas como forma de fugir da confusão dos aeroportos. Mas para tomarmos casos menos anedóticos: segundo o IPEA, "em 2005 foram ao todo 10.422 mortos em rodovias federais".
Isto equivale a 55 acidentes como o do dia 17 em São Paulo.Ora, embora se possa atribuir boa parte dessas mortes à incúria dos próprios motoristas, que dirigem embriagados, acima da velocidade segura etc., é bem verdade que muitos dos acidentes são provocados pelas péssimas condições de operação de nossas estradas. Também nessa frente o governo federal não se tem desincumbido bem, preferindo optar por operações tapa-buracos às vésperas de eleições do que por uma ação estruturada voltada à recuperação das rodovias federais. A nomeação do ministro dos Transportes, por exemplo, não foi mencionada pelo presidente ao lado da Saúde como um caso em que a competência para gerir o setor seja mais importante do que a serventia para o toma-lá-dá-cá político, pois a brincadeira nessa seara poderia causar mortes. Mas o fato é que causa, e em medida muito maior do que no caso do setor aéreo - ao menos por enquanto.

É importante mencionar aqui o setor rodoviário porque o governo federal optou, no início deste ano, por postergar a concessão de diversas rodovias federais sob a justificativa de que seria necessário minorar o custo dos pedágios. Curioso que o mesmo IPEA aponta que o custo dos acidentes em 2005 foi da ordem de R$ 24,6 bilhões - incluídos aí custos hospitalares, remoção e traslado de acidentados, além das perdas produtivas. Podemos perguntar o que sairia mais barato: gastar alguns centavos a mais na cancela do pedágio ou pagar o preço de milhares de mortes anuais? É claro que o governo pode alegar que precisa preocupar-se com a modicidade tarifária, mas tendo em vista o longo período em que as estradas já estão a requerer melhorias e a preocupação - antiga - do governo Lula em reduzir tarifas de pedágio, bem seria o caso de ter antecipado os estudos necessários a promover concessões menos onerosas para os usuários. Muitos destes certamente prefeririam pagar pedágios e trafegar em segurança o invés de terem de arriscar a vida e o patrimônio nas lastimáveis estradas federais brasileiras.

Ao direcionar minha discussão nesta coluna para a questão das estradas não pretendi menosprezar a gravidade do problema que hoje afeta o setor aéreo, mas apenas chamar a atenção para o fato de que, apesar de sua menor visibilidade - dado o caráter disperso e banalizado dos acidentes - o caos não é só aéreo, mas de todo o setor de transportes. As mortes não são apenas aquelas provocadas pelos imensos desastres das quedas de aeronaves, mas também pelos milhares de "pequenos" acidentes rodoviários provocados por décadas de incúria governamental. E poderíamos ainda mencionar os milhares de mortes ocorridas nos grandes centros urbanos em virtude da precariedade do transporte público - em particular as de motociclistas, cada vez mais freqüentes, dado o recurso a esse meio de transporte como modo de fugir de forma pouco custosa e ágil da precariedade do transporte público e do caos do trânsito urbano. Por isso, nunca antes na história deste país foi tão necessário que a classe política considerasse importante não brincar com o governo em seus diversos setores.

Caos, não. Incompetência mesmo!

Aviação comercial brasileira hoje: caos, não. Incompetência mesmo!

Em que pese a comoção provocada pela tragédia ocorrida nesta terça-feira (17/07) com a aeronave da TAM, no aeroporto de Congonhas, é fundamental alertarmos a opinião pública, para que encare o cenário caótico, instalado no setor aéreo brasileiro, como prova da incompetência administrativa e operacional dos órgãos e “autoridades” responsáveis por sua regulação e fiscalização .

Do contrário, acabarão convencendo os cidadãos-contribuintes, usuários do transporte aéreo, de que os problemas ora verificados – aliás, com freqüência inadmissível - são aceitáveis ou contornáveis. A verdade é que, num ambiente aéreo saudável, jamais seriam sequer tolerados e muito menos “compreendidos”.

Para nós, trabalhadores da aviação comercial, o acidente de ontem, tanto quanto a colisão entre o 737 da GOL e o Legacy, em setembro de 2006, as sucessivas derrapagens de aeronaves, os atrasos e cancelamentos de vôos, ou a venda de passagens além da capacidade das aeronaves (overbooking), não são fatos isolados. Compõem, isto sim, o quadro de desorganização generalizada, imposta ao setor pela incompetência dos que deveriam garantir uma aviação confiável e segura.

Infelizmente, um conjunto de fatores nocivos vem provocando, já há algum tempo, a deterioração da infra-estrutura e das condições de segurança do setor aéreo no País.

O corte absurdo de recursos financeiros; o sucateamento de instalações e equipamentos; o descaso com o preparo e as condições de trabalho do pessoal responsável pelo controle dos vôos; a imposição de uma agência reguladora (Anac) que não possui sequer orçamento próprio ou diretoria conhecedora das sutilezas e necessidades do setor.

Uma agência reguladora que está mais a serviço das empresas aéreas do que salvaguardar os interesses do país e do cidadão contribuinte que é usuário do transporte aéreo.

Todos esses elementos foram se somando a outros, ainda mais traumáticos, como “deixar falir” uma Varig S/A, para que o “mercado” se encarregasse de absorver os lucros, enquanto ao restante da sociedade reservaram as perdas e os danos, inclusive os milhares de postos de trabalho extintos e a confessa liquidação fraudulenta de um fundo de pensão que expõe à miserabilidade milhares de famílias.

O desmonte da maior empresa de aviação da América Latina, cuja correção operacional era reconhecida mundialmente, foi uma prévia do que pode acontecer, quando se trata como assunto político aquilo que deve ser puramente técnico.
Faltou lisura, profissionalismo e respeito. Sobraram indicações e apadrinhamentos, além de fórmulas mirabolantes para arrecadar o dinheiro indispensável a “fazer funcionar” a Anac, que não tinha sequer recursos previstos no orçamento da União. Neste aspecto, aliás, sofrem hoje os pilotos brasileiros, obrigados a pagar quase dois mil reais a cada renovação de suas licenças de vôo – valor quase dez vezes maior do que pagavam há cerca de um ano (!).

Temos, então, uma Infraero que cobra aluguéis exorbitantes pelo estacionamento das aeronaves, além das incontáveis taxas aeroportuárias, enquanto remodela as fachadas dos aeroportos, mas não zela pelos dispositivos técnicos destinados a dar mais segurança aos pousos e decolagens.

Temos uma Aeronáutica esvaziada, desprovida de autoridade e de mecanismos de autogestão, dividida entre um último esforço para regularizar o caos do setor e a consciência de que qualquer trabalho técnico poderá ser desmontado, a qualquer momento, por um decreto ou ato administrativo do governo federal.

E temos uma agência reguladora que não regula nem fiscaliza, não exige, não acompanha – mas transfere para as companhias aéreas a ira dos cidadãos-usuários-contribuintes, quando estes são vítimas de atrasos, maus tratos ou, em situações extremas, de tragédias como as recentes.

A verdade é que conseguiram desestabilizar um dos últimos setores que atuavam com segurança no Brasil – o setor aéreo. E a nós, trabalhadores e cidadãos, o que ainda nos falta? Certamente, a consciência de que autoridades, eleitas ou indicadas, devem atuar de forma competente para melhorar o modo de vida dos cidadãos. E a cobrança efetiva, pelos cidadãos-contribuintes, do retorno de cada centavo de imposto pago, sob a forma de bem-estar e, principalmente, segurança.

Basta de incompetência! Aviação precisa de segurança e eficiência operacional.

Até quando, senhor presidente?

Trabalhadores do Grupo Varig.