domingo, junho 08, 2008
Nesta Edição:
Adelson Elias Vasconcellos
Devolvam a VARIG aos brasileiros
Pedro Porfírio, Jornal Povo (RJ)
As acusações contra Teixeira
Felipe Patury e Fábio Portela, Revista VEJA
A pergunta de 418 milhões de dólares
Felipe Patury e Fábio Portela, Revista VEJA
Eles viram a guerra de perto
Augusto Nunes, Jornal do Brasil
Portas escancaradas
Diogo Mainardi, Revista Veja
Milagre no Acre
J.R. Guzzo, Revista VEJA
TOQUEDEPRIMA...
Pela 1ª vez, funcionários do Itamaraty vão fazer paralisação.
É incrível, mas até “isso” eles conseguiram.
A voz cúmplice dos amestrados
Adelson Elias Vasocncellos
ENQUANTO ISSO...
Lula chama de "falso moralismo" restrições para liberação de verbas em ano eleitoral
E agora, Lula?
Guilherme Fiúza, Revista Época
O laranja da BANCOOP
Sérgio Pardellas, Revista ISTOÉ
De bolsos cheios
Otávio Cabral, Revista VEJA
Governo já avalia adiar o fim da TV analógica
Diógenes Muniz, Editor de Informática da Folha Online
"Comprei o conversor e vi TV digital por um dia", relata aposentado
Diógenes Muniz, Editor de Informática da Folha Online
Após meio ano, TV digital dá menos de um ponto de Ibope
Diógenes Muniz, Editor de Informática da Folha Online
O engodo da TV Digital. E não foi por falta de aviso
Adelson Elias Vasconcellos
Precisamos de profissionais qualificados, e não formados a facão.
Adelson Elias Vasconcellos
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A saída para o Brasil não precisa ser o próximo aeroporto

Nas três revistas semanais mais importantes, que chegam às bancas neste final de semana, o assunto VARIG predomina. Ou melhor dizendo, a venda criminosa da VARIG tornou-se o centro de atenções.
E, sem falso orgulho, podemos dizer que a forma como o governo Lula se comportou em relação ao modo como tratou “matou” a mais importante companhia aérea do país e, posteriormente, como ultrapassando todas as fronteiras da decência, acabou armando uma negociata de que não se tem notícia sequer parecida, dada a coleção de crimes que ali se viram praticados, sempre encontrou neste espaço um dos mais ferrenhos críticos. Mesmo depois de passado o ponto mais crítico da crise aérea que assolou o país por mais de 10 meses, com um passivo doloroso de mais de 300 cadáveres que foi o saldo dos dois maiores acidentes da história da aviação comercial brasileira, sempre que a oportunidade se oferecia batíamos na mesma tecla: era preciso abrir este baú e de lá deixar vir a público toda a verdade que cuidadosamente e vigilantemente o governo Lula tentou ocultar da sociedade.
Não foi apenas um empresa privada, a VARIG representou e, de certo modo, ainda representa um marco histórico do Brasil na conquista de seu espaço de respeito no restante do mundo. Podíamos ser considerado um país pouco sério nas suas relações comerciais, contudo, a VARIG era sempre vista como uma exceção. E há que se registrar: nunca precisou contar com um centavo de “favores” federais. Seu crescimento e seu sucesso se fizeram fruto de seus profissionais, todos de excepcional qualificação e que ao longo dos anos construíram uma marca símbolo de excelência na aviação comercial mundial.De quando em quando afirmava: um dia ainda saberemos dos reais motivos pelos quais o governo Lula premeditadamente sufocou a VARIG, não lhe estendeu um mísero socorro que fosse e tudo fez para enterrar a companhia e, junto com ela, sua história. A matéria que surge na imprensa nacional agora, acreditem, é apenas um pedacinho deste meandro de malvadezas. Há muito mais ainda para ser divulgado. Quem sabe, depois do escândalo aflorado por Denise Abreu, não apareçam outras “Denises” com a coragem suficiente para peitar os vigaristas do Planalto e colocar para fora toda a imundície que ainda desconhecemos.
Nós do COMENTANDO A NOTÍCIA precisamos cumprimentar um jornalista que, durante todo este tempo, sempre veio a público para clamar justiça, fosse pela empresa assassinada pelo governo Lula, fosse pelos milhares de profissionais sobre os quais o sindicalismo-pelego acumpliciado ao esquema organizado para o crime assentado na presidência da república dos delinqüentes, cuspiu de forma odiosa. Foi incansável a pena do jornalista PEDRO PORFÍRIO, da Tribuna da Imprensa, para cobrar e clamar por justiça no caso da VARIG. E aqui este espaço sempre se dispôs, por partilhar das mesmas opiniões, a se colocar à disposição do Pedro para reproduzir seus artigos críticos e sinceros sobre a maneira criminosa, sórdida e odiosa como o governo Lula, por sua cúpula e seus agentes amestrados, se comportou.
De nada vale a defesa da ministra Dilma em tentar se defender acusando um “fogo inimigo” contra a sua pessoa. Se algum fogo aqui a atinge é em vista de seus atos e as conseqüências que deles se derivaram. No casso do dossiê que os moleques governistas impediram que a investigação prosperasse, além de cercearem em tempo integral que a própria comissão apurasse os inúmeros crimes de desvios de recursos públicos praticados com cartões corporativos, Dilma pode contar com um batalhão de famigerados soldadinhos de chumbo, prontos a defendê-la e dela afastar os “perigos iminentes”.
Lula pode adorar-lhe a lealdade, porém, pouco entende do ser humano quando acha que para sucedê-lo é preciso investir um perfil de truculência, grosseria, estupidez e má educação explícita. Para administrar qualquer coisa é preciso competência forjada na relação civilizada entre as pessoas. Dilma, ao contrário, acha que para o governo funcionar precisa apelar para a deselegância. Talvez no clubinho de terroristas e guerrilheiros em que forjou sua personalidade, a tática talvez funcionasse, mas na administração pública é preciso um “algo mais” de que se acha muito distante de ter.E este perfil fica latente na descrição de suas manobras espúrias para lograr êxito da estratégia de sepultar-se a VARIG, através de negociatas de sub-mundo. Assim, não se trata de “fogo inimigo”. Se trata, isto sim, de fogo da verdade, coisa que tanto ela quanto seu chefe parecem não estarem muito habituados. No Brasil existem leis, e muito embora no meio político vigora a selvageria da pilantragem e da corrupção, isto não concede aos governantes direitos de delinqüirem, de se sobreporem às leis e, principalmente, não excederem os limites da decência, da moralidade e da ética. Se alguém em todo o episódio uso de fogo inimigo foi a própria Dilma, que não se furtou em momento algum a adotar práticas que excederam aos limites legais e morais. O fogo inimigo de Dilma patrocinou e protagonizou em seus porões a mais nefasta ação comercial contra milhares de brasileiros porque, além dos milhares de funcionários com que prestava seus serviços, a VARIG era amada por milhões de brasileiros ao longo de sua história. E este sentimento de carinho e de respeito, a senhora Dilma parece sentir inveja porque, por mais que faça, o máximo que consegue com sua atuação bizarra, é desprezo. Respeito é algo que conquista com carinho, trabalho e educação, e não pela ação viciosa, truculenta e imoral.
Talvez a CASO VARIG possa sinalizar um final de tempos, aqueles em que políticos e governantes imbecis acham que basta um bom plano de marketing para lograrem simpatia e aplausos. Talvez possa sinalizar o início da desmistificação de certos ídolos que continuam cumprimento a todos com o chapéu alheio. Talvez sinaliza o caminho verdadeiro que o país deva buscar para sair desta turbulência em que o povo esteve inebriado e entorpecido e se dê conta de somos um país porque somos um só povo. Precisamos acreditar e apostar que não é pela divisão de classes em conflito constante que construiremos um país forte e civilizado. Somos pacíficos por natureza, contudo, precisaremos retomar o destino deste país em nossas mãos antes que este povo se fragmente em dezenas de “pequenas nações” se odiando mutuamente.
E, especificamente neste caso, somente acreditarei que os propósitos são honestos e sadios de parte do governo Lula se ele ordenar que se desfaça todo o crime cometido, e ainda, sem recorrer a truques cretinos, ordenar que a VARIG receba do governo a indenização a que tem direito, devidamente reconhecida pela Justiça.
Está na hora do Brasil voltar a ser Brasil. A VARIG era um símbolo que o senhor Lula tinha o dever de preservar, assim como a integridade territorial que açodadamente ele e seus capangas canastrões tentam destruir. Talvez Denise, de tão má memória por sua passagem desastrosa pela ANAC tenha, de fato, se redimido de seus erros e de sua omissão no testemunho dos atos rasteiros e criminosos que assistiu e silenciou. Sua fala, se não a livra do mal praticado, pelo menos sinaliza que ainda temos saídas, e estas não precisam ser a de embarcar no próximo aeroporto, a bordo do primeiro vôo pilotado por energúmenos e medíocres.
Devolvam a VARIG aos brasileiros

O governo do sr. Luiz Inácio e todos que dele participam, sem exceção, devem ao povo brasileiro mais do que lorotas para tentar explicar a tremenda negociata que se esconde por trás do processo de desestruturação da Varig, desmoralização do fundo Aerus e destruição de milhares de vidas de profissionais da aviação, ativos e inativos, que ficaram a ver navios.
Não tenha dúvida: se o Ministério Público Federal entrar nos subterrâneos da longa agonia que precedeu o leilão da maior e mais respeitada aérea brasileira, logo no dia de Santos Dumont, vão surgir revelações do arco da velha.
Se é verdade que a Varig não andava bem das asas, é igualmente sabido que o governo do PT se esmerou no jogo sujo para transferir o controle da empresa, inclusive entrando com grana do BNDES para que a TAP portuguesa comprasse a Variglog, subsidiária que três meses depois cairia nas mãos do fundo abutre norte-americano pela metade do valor financiado.
Quando a crise da Varig começou a tomar vulto, ali por 2002, os próprios funcionários, através de suas associações e com assessoria técnica de um economista altamente preparado, apresentaram várias soluções, até mesmo a disponibilização das reservas do fundo de pensão, de forma a que todos os problemas poderiam ter sido equacionados sem repercussão negativa no setor e sem nenhum tipo de apropriação do dinheiro público.O governo efetivamente jogou pesado porque, no fundo, o que pretende mesmo é adotar a tal política de céu aberto, pela qual os Estados Unidos tramam desde a década de 40, quando seu projeto foi derrotado na Convenção de Chicago.
Mais do que um crime grosseiro de favorecimento, os operadores do governo que trabalharam abertamente contra a sobrevivência digna da Varig cometeram um crime de lesa-pátria, tal a importância que os 80 anos de uma área que pousava em mais de 190 aeroportos domésticos e navega pelos quatro continentes.
Para variar, aparecerão sempre a turma do deixa disso e os que se referirão ao choro pelo leite derramado.
Menos. Esta é a hora certa do resgate da coluna vertebral da nossa aviação. Como já disse, se é importante remover todo o lamaçal que serviu de pista para o grande desastre, é igualmente importante para os brasileiros, entre os quais 8 milhões de titulares de milhagens, que o governo livre-se das amarras menores e conheça o plano de recuperação preparado com competência pelos próprios trabalhadores do grupo Varig.
As acusações contra Teixeira
Nas negociações que envolveram a Varig e a VarigLog, Roberto Teixeira teria tido atuação muito mais destacada que a de advogados comuns. Além de cuidar de processos jurídicos, ele teria tratado de assuntos relativos às empresas com pelo menos quatro ministros e apresentado seus clientes a três deles
À beira da falência, a Varig vende sua subsidiária de transporte de carga, a VarigLog, ao fundo americano Matlin Patterson e a seus sócios brasileiros por 48 milhões de dólares
24 de junho de 2006
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprova a venda da VarigLog. A empresa dá um prêmio de 750 000 dólares a Teixeira, a quem atribui o sucesso da operação
20 de julho de 2006
Assessorada por Teixeira, a VarigLog compra a Varig por 24 milhões de dólares. Fica com as rotas da companhia, mas não herda suas dívidas bilionárias
28 de março de 2007
Teixeira e o fundo Matlin Patterson planejam a venda da Varig para a Gol por 320 milhões de dólares. A TAM queria comprar o mesmo ativo por 738 milhões de dólares. Foi preterida
4 de abril de 2007
A Casa Civil é acusada de pressionar diretores da Anac a aprovar a legalização da VarigLog apesar de a maioria de seu capital ser estrangeiro
A pergunta de 418 milhões de dólares
Felipe Patury e Fábio Portela, Revista VEJA
Por que a proposta de 738 milhões da TAM pela Varig foi recusada e a de 320 milhões da Gol foi aceita?
Dedicatória
(1) Larissa, filha de Roberto Teixeira; (2) Cristiano Martins, genro de Teixeira; (3) o chinês Lap Chan, do fundo Matlin Patterson; (4) Valeska, filha de Teixeira; (5) Marco Audi, da VarigLog; (6) Lula; (7) Guilherme Laager, então presidente da Varig; (8) Eduardo Gallo, da VarigLog; (9) Santiago Born, do Matlin Patterson; (10) Roberto TeixeiraPor quê? Uma reportagem do jornal Estado de S. Paulo, publicada na última quarta-feira, começou a responder à pergunta de 418 milhões de dólares e a outras que cercam a operação, mas o enigma não terá solução satisfatória sem que se abram investigações sobre as circunstâncias da transação. O que existe são versões. A primeira é a de Marco Antonio Audi, líder dos três empresários brasileiros proprietários da VarigLog, empresa então dona da Varig. Ele contou ao jornal paulista que foi pressionado a fechar o negócio pela pior oferta por seu sócio estrangeiro na empreitada, um chinês chamado Lap Chan, representante do fundo americano de investimento Matlin Patterson. Até aqui se tem apenas uma confusão empresarial difícil de entender e chata de ler até mesmo em páginas especializadas em negócios.
Ocorre que, como em quase todos os países do mundo, no Brasil as transações envolvendo empresas aéreas só deslancham quando elas recebem sinal verde de órgãos do governo e da agência reguladora da atividade, no caso a Anac – Agência Nacional de Aviação Civil. A tendência natural e esperada dos empresários nesses casos é procurar advogados com experiência e "trânsito" no governo e na agência reguladora. Audi diz que fez uma pesquisa de mercado e decidiu-se pelo nome do advogado paulista Roberto Teixeira, que vem a ser um amigo de trinta anos e compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse ponto, o que parecia ser apenas uma história de um negócio privado nebuloso começa a ter, segundo os relatos publicados pelo Estado de S. Paulo, as feições de uma transação mais complexa, com tentáculos públicos, um daqueles casos típicos de Brasília que envolvem favores e empurrões oficiais vindos de cima em troca de não se sabe bem o quê.
Entra em cena a ex-diretora da Anac Denise Abreu, demitida do cargo no ano passado no auge das repercussões negativas do caos aéreo para o governo. Denise, militante de esquerda na juventude, alinhada, portanto, com o atual governo, contou aos repórteres do jornal ter sido pressionada pelo governo, em especial por Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, para cortar caminhos em favor do grupo que queria vender a Varig para a Gol pela pior proposta. As pressões, na verdade, antecederam a venda da Varig para a Gol, pois era preciso antes legitimar a própria compra da VarigLog para o grupo de empresários liderados por Marco Antonio Audi, que, como se viu acima, tinha como sócio endinheirado um chinês com capital americano. A Anac relutava em chancelar a transação, pois havia a suspeita clara de que Audi e companhia eram apenas testas-de-ferro dos americanos. Os brasileiros estariam no negócio somente para atender ao Código Brasileiro de Aeronáutica, que impede o controle acionário de empresas aéreas por estrangeiros. Denise Abreu conta então que, embora dirigisse uma agência reguladora, por princípio independente do executivo, recebeu pressões para ignorar a lei e aprovar rapidamente o negócio, sem verificar as credenciais nacionais do capitalista comprador. Dilma Rousseff teria sido o instrumento do governo nessas pressões. "Numa reunião, a ministra se insurgiu contra as (duas) exigências, dizendo que isso não era da alçada de uma agência reguladora, mas do Banco Central e da Receita", afirma Denise.
A ministra Dilma Rousseff admitiu ter acompanhado com interesse o negócio, mas nega ter pressionado Denise Abreu. Três outros ex-diretores da Anac – Leur Lomanto, Jorge Velozo e Josef Barat – apareceram para corroborar as acusações de Denise Abreu. A mesma atitude teve o brigadeiro José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero. A VEJA, Denise diz ter vindo a público apenas para se proteger. Ela alega ter decidido conceder a entrevista depois que soube da circulação de um dossiê contendo contas bancárias das quais seria a titular. "Enquanto os ataques se limitavam a destruir minha auto-estima profissional e me enxovalhar, mantive-me quieta, embora emocionalmente destruída. Mas quando inventaram um dossiê falso contra mim, colocando em jogo a minha integridade, o quadro mudou. Tenho o dever de proteger a minha imagem e a da minha família."
Antes que se avance na conclusão de que se tratou de uma negociata, é preciso ter em mente que a maneira de trabalhar do governo Lula lembra em muito os tempos autoritários do governo militar. O governo decide que a Varig tem tradição, tem milhares de funcionários e é preciso salvá-la. "A engrenagem abaixo então começa a trabalhar a toda nesse rumo, atropelando as leis e o bom senso", lembra um poderoso ex-ministro do governo dos generais. A observação é boa. Ajuda a entender o interesse e os métodos do governo no caso. Mas não ajuda a compreender por que a proposta pior venceu. Permanecem, portanto, sem explicação as razões pelas quais Audi, seus sócios brasileiros e mesmo os americanos donos do dinheiro e o representante chinês decidiram que não precisavam de 418 milhões de dólares. Volta à cena o advogado Roberto Teixeira, aquele amigo e compadre do presidente Lula. Segundo Denise Abreu, a ex-diretora da Anac, Teixeira, sua filha Valeska e o marido dela, também advogado, não apenas defendiam seus constituintes, mas o faziam a toda hora lembrando os funcionários de sua intimidade com o presidente da República. "Podemos ir embora, papai já está no gabinete do presidente", teria dito Valeska para demonstrar suas relações privilegiadas com Lula, de quem, de fato, é afilhada.
Em junho de 2006, a Anac finalmente avalizou a venda da VarigLog, legalizando a existência da empresa que viria a ser dona da Varig. Um mês depois, à frente da VarigLog, o então desconhecido Audi é apresentado ao Brasil como um empresário de grande tino comercial ao arrematar a Varig por 24 milhões de dólares – cuja origem, via o chinês Lap Chan, era o fundo americano. Mais uma vez a história estiolaria se não entrasse em cena, de novo, com todo o seu esplendor, o estado regulador. Quanto valia a Varig? Com suas dívidas de 4,8 bilhões de dólares com o governo, não valia nada. Sem as dívidas, valia uma fortuna. O empresário Audi diz que o advogado Teixeira foi o instrumento mais efetivo em Brasília para livrar a Varig das dívidas, tornando-a atrativa no mercado. "Teixeira chegou a sugerir pagamento de propinas a funcionários públicos, mas eu nunca aceitei. Só paguei dinheiro a ele a título de honorários", afirma Audi. O empresário conta que, em Brasília, o advogado amigo do presidente abria portas com muita facilidade – "como um deus", nas palavras de Audi. Pelos canais de Teixeira, Audi foi recebido pelos ex-ministros Waldir Pires (Defesa) e Luiz Marinho (Trabalho), além da ministra Dilma Rousseff. Com o assessoramento jurídico de Teixeira e de outros escritórios de advocacia, Audi e seus sócios conseguiram se livrar das dívidas bilionárias da velha Varig, estimadas em 4,8 bilhões de dólares. Ficaram apenas com a parte boa – e lucrativa – da companhia: suas rotas internacionais. Logo, apareceram diversos interessados com propostas para comprar a Varig.
A partir desse ponto, o advogado Teixeira e o empresário Marco Antonio Audi, que estiveram do mesmo lado da trincheira no processo de legalização da VarigLog aos olhos da Anac, começam a tomar rumos diferentes na história. O chinês Lap Chan também adquire outros ares, e seus interesses, antes coincidentes com os dos sócios brasileiros, subitamente passam a ser conflitantes com os deles. Audi e o advogado Teixeira, a quem o empresário afirma ter pago, no total, 5 milhões de dólares para resolver os problemas da Varig-Log em Brasília, começam a se estranhar. Qual é a razão da briga, agora que todos conseguiram o que tanto queriam em Brasília? Seja qual for o motivo da cizânia, o certo é que tem sua origem ali a resposta à pergunta de 418 milhões de dólares. O azedume começou justamente quando chegou a melhor hora para todos: a de vender o maior patrimônio da VarigLog, a própria Varig que o grupo arrematara por uma bagatela e planejava desde o começo passar à frente com grande lucro.
O que se sabe é que Audi e seus sócios brasileiros começaram a negociar com a TAM. Lap Chan, com a ajuda de Teixeira, conversava com a Gol. A briga ficou feia. O fundo americano e seu chinês decidiram tomar a empresa de Audi e companhia. Cessaram toda a injeção adicional de recursos e foram à Justiça em busca do bloqueio das atividades da VarigLog. A Justiça entregou o comando da companhia a Lap Chan. Diante disso, a Anac quer agora que o fundo Matlin Patterson reduza sua participação na empresa, atraindo sócios capitalistas brasileiros. A parte mais explosiva da história ainda não é conhecida. Ela tem a ver com os 418 milhões de dólares da diferença entre a proposta da TAM e a da Gol – e trará em seu bojo um escândalo incomensurável se ficar provada a ingerência no episódio do advogado Teixeira, amigo e compadre do presidente da República.
Memorando no qual a TAM admite comprar a Varig por 1,2 bilhão de dólares. No fim da negociação, a TAM se propôs a pagar 738 milhões de dólares pela companhia. Surpreendentemente, a Gol levou a Varig pela metade do preço
Eles viram a guerra de perto
A milhares de quilômetros da zona conflagrada, entidades internacionais não precisaram de tradutores para assimilar as informações contidas na mais chocante reportagem produzida pelo jornal O Dia. A equipe composta por um repórter, um fotógrafo e um motorista estava na Favela do Batan para averiguar como sobrevivem os moradores dos morros controlados por "milícias" – suavidade semântica que identifica grupos de assassinos homiziados em quartéis da PM ou delegacias. Não importa se o texto será ou não publicado. A missão já foi cumprida.
O Brasil agora sabe que os donos da favela governam com tamanho atrevimento que, sem esconder o rosto, seqüestram e torturam também jornalistas. Os habitantes dos 78 morros sob o jugo das "milícias" são submetidos aos mesmos horrores anexados ao cotidiano de todos os outros, controlados por chefões do tráfico de drogas e armas.
"É motivo de profunda perplexidade saber que tais ações foram cometidas por agentes da ordem pública, supostamente encarregados de lutar contra a insegurança e os traficantes", espantou-se em Paris a ONG Repórteres sem Fronteiras. A entidade também reiterou a sugestão ouvida desde os tempos em que buracos no teto não eram feitos a bala, mas pela lua que, furando o zinco, salpicava de estrelas nosso chão.
O presidente Lula e o governador Sérgio Cabral, recomendou a organização, precisam montar com urgência a contra-ofensiva destinada a reconquistar territórios flagelados pelo sumiço do Estado. "É preciso devassar as ligações entre os captores e a polícia", emendou em Nova York o Comitê para a Proteção dos Jornalistas. "Os autores do atentado pretenderam intimidar os jornalistas, para que não continuem investigando e denunciando o crime organizado", constatou a Associação Interamericana de Imprensa (SIP).
O olhar estrangeiro estava apenas vendo as coisas como as coisas são, concluíram os brasileiros sensatos. Errado, apartearam o Sindicato dos Jornalistas do Rio e a Federação Nacional dos Jornalistas. Gringo vive valorizando irrelevâncias, como o abandono dos morros por todos os governos, a consolidação da ditadura da bandidagem, a transformação da crueldade em instrumento de poder, a decomposição do organismo policial, a corrupção endêmica, a sensação de insegurança que agride os cariocas, a inexistência de planos que permitam ao menos sonhar com a saída do inferno.
A soma dessas angústias não resultava num gravíssimo problema de fundo político? A questão é trabalhista, esclareceu a dupla sindical numa Carta aos jornalistas distribuída a muitas léguas do cenário do crime. Os profissionais de O Dia foram seqüestrados e torturados por culpa do patrão, descobriu o panfleto. "É inaceitável a decisão da empresa de expor seus trabalhadores a tamanho risco", indignaram-se os inventores de uma tese que, se pegasse, congestionaria o beco do desemprego com a multidão de correspondentes de guerra.
Concebido para provar que há um patrão metido em todo crime hediondo, o texto é um insulto a três profissionais que, além de terem subido o morro voluntariamente, foram muito além da pauta original. Eles comprovaram que, quando agentes da lei aparecem numa favela, os traficantes se afastam. Que tal engaiolar as milícias e instalar nos morros policiais de verdade?
O colunista errou e pede desculpas
A nota publicada domingo passado neste espaço não tem nenhum fundamento: o deputado Arlindo Chinaglia jamais contratou serviços de engraxataria. "Desde 2003, esse spam repetido pela internet atribui ao presidente em exercício informações falsas, com o intuito deliberado de difamar a instituição", informa a assessoria de imprensa da Câmara. "Apesar de reiterados desmentidos, tais mentiras continuam a prosperar na imprensa pelo fato de não serem checadas com quem está sendo acusado".
O colunista pede desculpas a Chinaglia e aos leitores.
Compadre só voa em céu de brigadeiro
O Brasil acaba de saber que tem um Ministério da Aviação Civil. Chefiado pelo advogado Roberto Teixeira, funciona na semiclandestinidade para que o amigo e compadre de Lula continue entrando sem bater (e quando quiser) no gabinete do presidente da República.
O ministro Teixeira não recebe salários. Ganha (de preferência em dólares) por tarefa cumprida. As missões mais recentes sugerem que só no papel a Agência Nacional de Aviação Civil é subordinada ao Ministério da Defesa. Quem dá as cartas na Anac é Teixeira, que joga em parceria com Dilma Rousseff quando nuvens escuras ensombrecem a mesa.
Em junho de 2006, por exemplo, ex-diretores da agência resolveram enxergar as grossas ilegalidades que turvavam a compra da Varig pela VarigLog. Dilma forçou a troca do sinal vermelho pelo verde. Teixeira, advogado da compradora, embolsou US$ 5 milhões.
"Não sei o que ele negociou", contou Marco Antonio Audi, um dos donos da VarigLog. "Só sei que sua influência foi 100% decisiva". Em março de 2007, agora a serviço da Gol, o bacharel dos ares facilitou a aquisição da Varig por US$ 320 milhões. O ministro da Aviação Civil anunciou o final feliz no gabinete presidencial. Lula sorria a seu lado.
Ouçamos os lamentos da floresta
Quando o deserto chegar, os livros sobre a destruição da Amazônia decerto lembrarão que o Brasil não soube avaliar as dimensões do salto registrado no outono de 2008. Contabilizada em campos de futebol até o mais recente levantamento do Inpe, a área amputada pelo desmatamento agora abrange tantos maracanãs que a medida mudou.
O crime ambiental passou a ser medido em cidades. Em abril, a derrubada de 1.123 km quadrados de árvores reduziu a maior floresta tropical do planeta em um riodejaneiro. Somados os últimos 12 meses, o tamanho do estrago chega a quatro sãopaulos. E não há perigo de melhorar.
"Os próximos meses serão piores", informou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, com a placidez de quem foi incumbido de lidar só com os problemas do Saara. "Não adianta chorar a seiva derramada", sorriu. O que se deve fazer para conter o derramamento? "Rezar", sugeriu.
"Essa parte do Brasil é importante demais para ser deixada aos brasileiros", advertiu o jornal inglês The Independent no editorial que lamentou a demissão da ministra Marina Silva. "A Amazônia é nossa", ofendeu-se o presidente Lula. Tem dono, confirmam os mapas. Isso não garante a sobrevivência de uma região sem pai nem mãe.
Portas escancaradas
"Olhe Lula. Ele comemora a compra da Varig pela Gol. Olhe os donos da Gol. Eles também comemoram. Olhe essa figura de terno cinza. Quem é ele? Roberto Teixeira? O representante da Varig é Roberto Teixeira? Lula aceita ser visto ao seu lado, sem o menor constrangimento?"
Fiz esse comentário numa coluna do ano passado. A figura de terno cinza, Roberto Teixeira, acabou me processando. Eu sou o homem dos processos. Falo mais com a Dra. Wardi, minha advogada, do que com minha mulher. Nesta semana, os desembargadores do Rio de Janeiro julgaram outro processo contra mim: o de Franklin Martins. Ele perdeu. Eu ganhei. Por unanimidade: 3 a 0.
Dez anos atrás, um relatório do Conselho de Ética do PT acusou Roberto Teixeira de fazer negócios nebulosos com prefeituras petistas, abusando "de sua amizade com Lula". Na última quarta-feira, Denise Abreu mostrou que nada mudou de lá para cá. De acordo com ela, Dilma Rousseff pressionou a Anac a fim de facilitar a compra da Varig pelos empresários representados por Roberto Teixeira. Outros membros da Anac confirmaram seu relato. Leur Lomanto declarou: "Os advogados da Varig informavam algo ao Palácio do Planalto, mas a realidade era outra". Quais eram esses advogados com acesso direto ao Palácio do Planalto? Roberto Teixeira e sua filha Valeska.
Quando foi leiloada, a Varig tinha um buraco de 7,9 bilhões de reais. A pergunta era: quem herdaria o passivo? Alguns dos maiores escritórios de advocacia do Brasil foram consultados sobre o assunto e responderam que a própria Varig teria de arcar com a dívida. Só os empresários reunidos em torno de Roberto Teixeira se sentiram suficientemente amparados para apostar no contrário. Um deles, Marco Antonio Audi, afirmou que Roberto Teixeira tinha o poder de escancarar as portas do governo. Mais do que isso: ele fazia chover. Os maiores credores da Varig eram estatais, como a Infraero e o INSS. Roberto Teixeira, segundo Marco Antonio Audi, simplesmente escancarou as portas dos gabinetes dos ministros encarregados dessas áreas, conduzindo-o ao encontro de Waldir Pires, da Defesa, e de Luiz Marinho, do Trabalho.
Em julho de 2006, os empresários representados por Roberto Teixeira finalmente con-seguiram arrematar a Varig. Pelo preço mínimo. Lula os recebeu no dia seguinte, escancarando as portas do Palácio do Planalto, sem o menor constrangimento. Roberto Teixeira compareceu com as duas filhas, Larissa e Valeska, e com o genro, Cristiano. Ele fez chover? Que sei lá eu. Só sei que, algumas semanas depois, seria dada a largada da campanha presidencial. E, nessas horas, é sempre bom ter gente cheia de dinheiro por perto, comemorando o fechamento de um negócio.
Milagre no Acre
"A verdade é que, quanto mais se fala na questão dos índios, mais difícil se torna ver uma tribo nativa que possa realmente ser descrita como uma tribo nativa – e que não esteja pedindo nada ao governo ou a quem quer que seja."
Foi realmente uma novidade ver nas primeiras páginas dos jornais, alguns dias atrás, fotografias de um grupo de índios sem bermudão, sandálias Havaianas ou camiseta de time de futebol. Muito ao contrário, apareciam com pintura no corpo, arco, flecha e os mesmos trajes que, segundo se supõe, usavam milhares de anos atrás – algo raríssimo, hoje em dia. Não estavam querendo conversa. Apontavam seus arcos para o avião que sobrevoava sua aldeia, e de onde foram tiradas as fotos que nos dias seguintes iriam correr mundo; davam a impressão de ser do tipo que antigamente os sertanistas chamavam de "índio bravo". Surpresa, também, foi o lugar onde apareceram – nuns confins perdidos no fundo da Amazônia, ali pelas cabeceiras do Rio Juruá, na fronteira do Acre com o Peru. Sim, surpresa, porque o normal, ultimamente e cada vez mais, é ver os índios brasileiros em Angra dos Reis, levantando objeções à construção de uma terceira usina nuclear na área, em plantações de eucalipto no Espírito Santo, onde reivindicam da Aracruz o pagamento de indenizações diversas, ou no interior de Minas Gerais, onde querem que a mineradora MMX lhes dê tratores. Invadem repartições públicas em Curitiba e outras cidades para pedir mais verbas da Fundação Nacional de Saúde. Aparecem, até, nas obras do Rodoanel de São Paulo. A verdade é que, quanto mais se fala na questão dos índios, mais difícil se torna ver uma tribo nativa que possa realmente ser descrita como uma tribo nativa – e que não esteja pedindo nada ao governo ou a quem quer que seja.
Os índios das fotos, talvez uns 250 ao todo, aparentemente fazem parte de um dos sessenta ou setenta grupos que até hoje vivem em isolamento total, ou quase, dentro do território brasileiro. Foram poupados até agora, milagrosamente, da presença de padres, ONGs estrangeiras ou nacionais e funcionários da Funai. Não conhecem o MST, nem plantadores de arroz, nem editorialistas de jornais de Nova York. Ninguém, até agora, lhes propôs um projeto de sustentabilidade. Não se sabe se esses índios são felizes ou não em seu estilo de vida da idade da pedra; ninguém perguntou a eles. Na verdade, além do fato de que existem, há muito pouca informação a seu respeito. O veterano sertanista José Carlos dos Reis Meirelles Jr., integrante da expedição que acabou de fotografá-los, chegou bem perto da tribo quatro anos atrás – perto o suficiente para levar uma flechada no rosto, após o que preferiu não tentar novos contatos. Só voltou a procurar o grupo, e divulgar as fotos tiradas do alto, porque acredita que hoje os índios dessa aldeia começam a ser ameaçados por gente reconhecidamente difícil: garimpeiros, operadores de motosserras e cocaleiros peruanos, indivíduos que têm reduzido interesse, e paciência menor ainda, em relação ao futuro das tribos do Alto Juruá. Elas não querem nenhum contato com outras etnias, como dizem os antropólogos. Mas outras etnias, como as citadas acima, querem contato, sim – não com os índios, talvez, mas certamente com as terras onde vivem. Eis o drama formado.
O futuro dos índios da fronteira entre o Acre e o Peru não parece promissor. Mais cedo ou mais tarde alguém acabará entrando nas áreas que ocupam; vai ser inevitável, então, que lá apareçam, em seguida, os funcionários da Funai, os agentes da Polícia Federal, os membros do Ministério Público e todo o aparato do qual o governo brasileiro dispõe para proteger os índios. O resultado disso, por toda a experiência que se tem até agora, é quase sempre uma tristeza. Os índios podem escapar dos tiros, das doenças e de outros fatores de extermínio, mas se transformam em dependentes do governo. No papel, nesse sistema, costuma caber aos índios um mundo ideal. O governo brasileiro, na falta de outras idéias, acha que a única maneira de resolver a questão é socar em cima deles todo tipo de direitos, incluindo os mais extravagantes ou irreais, e dispensá-los de quaisquer responsabilidades ou deveres. Em vez de receberem a cidadania, os índios recebem "proteção". O resultado é que ficam vagando entre dois mundos precários. No primeiro, acostumaram-se a viver de benefícios que não vêm do trabalho; no segundo, acostumaram-se a viver em conflito permanente com o que existe à sua volta, como demonstra o sugestivo episódio dos índios caiapós que retalharam a facão o braço de um engenheiro da Eletrobrás numa recente reunião entre autoridades e nativos no Pará. O desfecho do caso foi exemplar. Ficou estabelecido que o uso do facão faz parte da cultura caiapó e que o real culpado, no caso, foi o engenheiro, que se mexeu quando ameaçado; se tivesse ficado frio, como recomendaram depois antropólogos e outros peritos, tudo iria acabar numa boa.É difícil imaginar que as coisas possam melhorar desse jeito – inclusive do ponto de vista dos índios. O deputado Aldo Rebelo, tempos atrás, fez um relato interessante a respeito, num artigo para O Estado de S. Paulo. Em viagem ao sul da Bahia, encontrou uma vendedora de artesanato pataxó, a quem perguntou onde estava o marido. "Voltou para a roça", respondeu ela. "Cansou dessa profissão de índio."
TOQUEDEPRIMA...
Folha Online
Pela primeira vez na história, funcionários do Itamaraty vão entrar em greve, informa a coluna Mônica Bergamo na Folha desta sexta-feira. A paralisação, de 24 horas, está prevista pra a terça-feira (10).
Devem aderir ao movimento os oficiais e assistentes de chancelaria, duas das chamadas carreiras do exterior. A paralisação atingirá, inclusive, embaixadas e representações do Brasil no exterior.
De acordo com a coluna, eles vão protestar contra uma reformulação na grade de salários que manteve a diferença entre a remuneração dos diplomatas e a dos demais funcionários.
A coluna informa que associação dos oficiais de chancelaria enviou carta ao secretário-executivo do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, informando que a paralisação de terça-feira será "a primeira" atitude para forçar a "rápida resolução do impasse existente".
****** Estados prevêem colapso na Saúde
O Conselho Nacional dos Secretários de Saúde entregaram ao ministro José Gomes Temporão um documento sobre o caos no setor. O ministro da Saúde fez cara de espanto, própria de quem pouco sabe sobre as angústias dos estados. Assinado por todos os secretários, o documento prevê para outubro o fim dos recursos. O rombo é de R$ 6,1 bilhões. Sem falar nas ameaças de greves de médicos em todo o País.
É bom que se diga que a situação chegou a este descalabro apesar de Lula haver recebido de CPMF desde 2003, a módica quantia de R$ 185,0 bilhões de reais. Assim, fica claro que a tal CSS é um engodo. Se com muito mais se chegou a este ponto terminal, imaginem com muito menos... O problema do governo, fica visto, é o próprio governo que não enxergar sua própria mediocridade, não consegue se aperceber de sua própria incompetência, e não consegue se dar conta da sua própria estupidez. Não são recursos que faltam ao Brasil, falta é governo mesmo, e governo sério ainda por cima.
***** E a caravana não pára, nunca pára
O Informe JB de Leandro Mazzini afirma que o fantasma da inelegibilidade voltou a assombrar políticos. Dia 29 de maio, em encontro de presidentes de TREs, surgiu a Carta de Natal. Nela, há um consenso para que sejam abolidos os registros de candidatos com ficha criminal ou que respondem a processos.
A Constituição, no entanto, é clara. Afirma o Parágrafo 9º do Artigo 14 que só Lei Complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade além dos que já estão definidos. Ou seja, barrar matadores, estelionatários, sonegadores e afins enquadrados pela Justiça e que desejam concorrer não é função do TSE. O Tribunal responde a consulta sobre isso. Na quinta-feira, um ministro pediu vista, mas o caso caminha rumo a votos suficientes para deixar a situação com o Legislativo. O senador Pedro Simon tem uma emenda ao PLC nº 64, o que pede a impugnação dos registros de fichados pela polícia. Estende o cerco aos que respondem a processos. Está na fila da CCJ, sem data para sair da gaveta. Foras-da-lei vão novamente engrossar a procissão dos impunes rumo às urnas.
***** Petrobras cai em lista das mais respeitadas
A Petrobras perdeu 12 posições e não está mais entre as dez empresas mais respeitadas do mundo, segundo ranking divulgado pela revista "Forbes". Ela está agora na 20ª posição (é a companhia brasileira mais bem colocada) no índice que leva em conta inovação, performance e liderança, entre outros fatores. A mais respeitada é a Toyota, seguida pelo Google e pela Ikea.Aparecem também entre as 200 empresas mais respeitadas Gerdau, Usiminas, Vale, Correios, Votorantim, CSN, Pão de Açúcar, Votorantim, Banco do Brasil, Braskem, Casas Bahia e Odebrecht.
***** Anac estipula prazo de um mês para VarigLog alterar controle
Um dia depois de ter afirmado que iria aguardar decisão judicial para definir a situação da VarigLog, a presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Solange Vieira, anunciou ontem que deu prazo de 30 dias para que a empresa recomponha seu quadro societário sob pena de perder a concessão. O prazo começa a valer a partir da próxima segunda-feira.
Em depoimento à Comissão de Turismo da Câmara anteontem, ela reconheceu publicamente que a empresa está irregular porque tem no seu comando um estrangeiro, o que fere o CBAer (Código Brasileiro da Aeronáutica), que prevê um limite de 20% de participação estrangeira no capital com direito a voto de empresas aéreas nacionais.
Em nota, a agência informou que "enviará ofício à VarigLog exigindo que a empresa apresente, no prazo máximo de 30 dias, uma nova composição societária (...) caso contrário, a VarigLog poderá ter sua concessão cassada e ser impedida de operar". A decisão foi tomada por considerar que a "a ação que corre na Justiça restringe-se aos aspectos societários e não afeta processos administrativos e regulatórios em relação à VarigLog."
Além disso, encerrou-se o prazo de 60 dias dado pela Justiça para que a VarigLog adequasse sua composição societária à exigência do CBAer. A Anac diz que a empresa depende da mudança para operar.
***** Investimento de R$ 1 bi da Braskem inclui plástico "verde"
A Braskem anunciou que vai investir R$ 1 bilhão na ampliação de sua indústria petroquímica em Triunfo (RS) até o final de 2010. Metade dos recursos será injetada em linha de produção de polietileno obtido por meio do álcool, o plástico "verde".
Desenvolvido no centro tecnológico da empresa, o polietileno à base do álcool da cana-de-açúcar difere do tradicional, que tem como o insumo básico a nafta, um derivado de petróleo.
Segundo o presidente da empresa, José Carlos Grubisich, a conjuntura internacional de alta nos preços do petróleo favorece o produto, que terá aplicações nas indústrias automobilística, de brinquedos e de cosméticos.
"É evidente que com o preço do barril de petróleo a US$ 130, o projeto terá um custo de produção mais competitivo", disse Grubisich ontem, no Palácio Piratini (sede do governo gaúcho).
A Braskem diz que conta com compradores interessados em associar marcas a um produto "100% renovável".
Para produzir as 200 mil toneladas anuais desse plástico "verde" em 2010, a unidade de produção de Triunfo precisará processar 450 milhões de litros de álcool. A matéria-prima será comprada em usinas paulistas.
***** Lula recusou audiência a Denise Abreu
Na página de Cláudio Humberto a informação de que, antes de denunciar tráfico de influência da ministra Dilma Rousseff na Agência Nacional de Aviação Civil, a ex-diretora Denise Abreu esteve várias vezes em Brasília, a última delas no dia 26, tentando ser recebida pelo presidente Lula ou pela chefe da Casa Civil, mas ambos se recusaram a ouvir seu último e patético apelo. A mulher-bomba voltou então a São Paulo convencida de que era hora de detonar as denúncias.
A audiência com o presidente foi prometida a Denise Abreu para que ela aceitasse renunciar à diretoria da Anac, em carta ao próprio Lula.
Sentindo-se abandonada e processada por decisões colegiadas da Anac ou por pressão do Planalto, ela abriu a boca em ato de legítima defesa. Denise Abreu estava disposta a cuspir fogo. O jornal O Estado de S. Paulo se interessou pela história.
Ela queria que Lula pedisse ao governador José Serra para ela retomar seu cargo na Procuradoria de Justiça de São Paulo.
***** Acusado de planejar o 11/9 quer ser ''mártir''
O Estado De S. Paulo
O suposto idealizador dos ataques terroristas de 11 de Setembro e integrante da Al-Qaeda, Khalid Sheik Mohamed, afirmou ontem, diante de um juiz militar, que receberia "com alegria" a pena de morte. Em sua primeira aparição pública desde sua captura no Paquistão, em 2003, Mohamed compareceu ontem à primeira audiência perante um tribunal de crimes de guerra, na base americana de Guantánamo. Ele e outros quatro membros da Al-Qaeda foram indiciados pela participação nos atentados de 2001 e podem ser sentenciados à morte. O julgamento dá início ao maior teste do criticado sistema de Justiça militar nos EUA.
Usando óculos e turbante, Mohamed criticou os EUA por sua presença no Afeganistão e no Iraque - à qual qualificou de uma "guerra de cruzada" - e cantou versos do Alcorão, que traduziu para o inglês. Ele também disse ao juiz Ralph Kohlmann, coronel dos fuzileiros navais, que se recusaria a ser representado por um advogado americano que não conhecesse a lei islâmica. Mohamed pediu também para que ele e os outros acusados pudessem se reunir para planejar uma defesa conjunta.
***** Para PF, lobista esteve no BNDES a mando de Paulinho
Fausto Macedo e Roberto Almeida, O Estado De S. Paulo
A Polícia Federal descobriu que o lobista João Pedro de Moura participou de duas reuniões na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), supostamente para tratar de negócios de interesse do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, relativos à criação da rede integrada de transporte coletivo de Campinas (SP). O primeiro encontro foi em 12 de março. O segundo, em 17 de abril, uma semana antes de Moura ser capturado pela Operação Santa Tereza, que investiga suposto esquema para desvio de verbas do banco estatal.
Moura foi preso na manhã de 24 de abril. A PF encontrou em poder do lobista um cartão em que ele se apresenta como assessor de gabinete de Paulinho. A revelação sobre passos recentes de Moura no BNDES faz parte de relatório que o banco enviou à PF. O lobista integrou o conselho de administração do BNDES durante cinco anos, a partir de 2002 e até o início de 2007. Quando participou das reuniões, ele não tinha mais vínculo formal com a instituição.
*****Baixa renda tem inflação recorde
Denise Menchen, Folha De S. Paulo
Pressionada pelos alimentos, que subiram 2,85%, a inflação para a baixa renda passou de 0,97% em abril para 1,38% em maio. No ano, o acumulado chega a 6,84% e, em 12 meses, a 8,24%. Os números são os maiores desde o início da série histórica do IPC-C1 (Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1), em 2004.
Com o resultado, aumentou a distância entre o índice que mede a inflação para as famílias com renda entre 1 e 2,5 salários mínimos e aqueles mais amplos, que têm como referência o consumo de parcelas maiores da população. E a tendência, segundo a FGV (Fundação Getulio Vargas), é que a diferença cresça ainda mais.
"A cesta de consumo dos pobres é muito diferente da do resto da população", afirma o economista Marcelo Nery, da FGV. Segundo ele, a baixa renda é a que mais sente a alta dos preços de produtos da cesta básica, como arroz (15,55%), batata (18,47%) e pão francês (6,60%), que impulsionaram a inflação em maio.
"Os pobres comprometem em média 40% de sua renda com a alimentação, e isso é captado pelo IPC-C1", diz Nery. "No IPC-BR, os alimentos têm peso de cerca de 28%", informa, a título de comparação.
***** A batalha da convenção
A convenção do PSDB marcada para consagrar Geraldo Alckmin como o candidato do partido à prefeitura de São Paulo é hoje o assunto número 1, 2 e 3 dos tucanos que preferem embarcar na canoa de Gilberto Kassab. Os anti-Alckmin fazem as contas e dizem já ter 30% dos votos para dizer "não" à candidatura do ex-governador. Já seria o suficiente para fazer barulho. Mas essa turma quer mais. A convenção - ou a batalha - será no dia 22.
***** A piada do Jobim: ele quer Petrobras na defesa da costa
Folha Online
Impressionante este ministro da Defesa, Nelson Jobim: cobrou ontem ajuda financeira da Petrobras para a defesa do território marítimo brasileiro. Jobim reconheceu que a Marinha precisa melhorar o patrulhamento distante da costa e pediu colaboração da estatal.
"Evidentemente, precisamos melhorar as condições operacionais da Marinha. Se esse assunto também interessa à Petrobras, evidentemente ela tem que participar dos custos da implementação desses serviços", disse.
O ministro lembrou que grande parte da riqueza natural energética se encontra a cerca de 150 milhas da costa.
Primeiro, que não é função da Petrobrás este tipo de ação, até porque ela deve satisfações aos seus acionistas, que não se restringe exclusivamente ao governo federal.
Segundo, seria oportuno que ele nos esclarecesse para o que ele quer afinal de contas as forças armadas? Reparem, para fazer no Rio o que Exército está fazendo no Haiti, não serve. “O Exército não é treinado para guerrilha urbana” alega o genérico ministro. E no Haiti se pratica o quê, hein? Então, vem alguém e sugere que o Exército vigie nossas florestas, a Amazônia principalmente. Imediatamente o ministro se coloca contra, e sem justificar tal posição. Agora, a Petrobrás que existe para explorar Petróleo o ministro quer que a estatal cumpra o papel que cabe à Marinha ? Santos Deus, melhor faria Nelson Jobin se fosse embora prá casa do que no governo fazendo figuração... ETA camarada inútil este !!!
****** Fiscais agropecuários em greve
***** CPI da Desnutrição Indígena diz que morte de crianças é culpa delas
Depois de seis meses de trabalhos, a CPI da Desnutrição Indígena aprovou essa semana o relatório final do deputado Vicentino Alves (PR-TO). O documento contém 228 páginas onde pedem verbas, contratações e reestruturação nas fundações que tratam da questão indígena. O problema é que o relatório aprovado não aponta nenhum culpado para as mortes de crianças indígenas por subnutrição em todo o país e muito menos qualquer punição. A comissão foi aberta em dezembro de 2007 para investigar causas e responsabilidades pelas mortes de crianças índias por subnutrição de 2005 a 2007. A situação era crítica especialmente em Mato Grosso do Sul, onde morreram de fome 50 índios. No relatório a culpa é atribuída as próprias vítimas. Durante a análise para a aprovação do texto final, o único parlamentar que foi contra o relatório foi o deputado Waldir Neves (PSDB-MS). Segundo o deputado Neves, a CPI foi constituída por maioria do governo e que, segundo ele, “tentaram congelar a CPI reprovando vários requerimentos e convocações”. Segundo o relator Vicentino Alves, a missão está cumprida.
Para ele, o relatório apresenta os caminhos a serem dados e que ele não diz que a culpa são das próprias vítimas, e considera o assunto “uma interpretação incorreta” dos “eventuais parlamentares que questionaram seu trabalho na comissão”.
Nisto não há nenhuma novidade. Mas faltou alguém dizer também que os recursos destinados aos indígenas brasileiros não pararam de crescer nos últimos anos, como também o que pararam, também, foram os desvios e a corrupção em setores como FUNAI e FUNASA. Quando 18% dos recursos são destinados para um estado que possui menos de 1% de toda a população indígena do país, já se vê onde mora o perigo e a incompetência, inclusive da própria CPI que não teve nem coragem nem decência de dizer isto claramente.
***** Rede do INSS é usada para se obter votos nos grotões do Rio
Globo Online
Servidores do INSS, candidatos nas eleições deste ano, estão usando o serviço de concessão de benefícios do órgão como moeda de troca para obter votos no interior do Estado do Rio, mostra reportagem de Chico Otavio publicada neste domingo pelo jornal "O Globo".
Funcionários e médicos peritos se aproveitam das deficiências do sistema, que dificulta a vida dos mais pobres e facilita a dos mal-intencionados, para formar currais eleitorais que os tornam quase imbatíveis a cada pleito. Além da concessão de aposentadorias em áreas muito pobres, onde o benefício é a principal renda de uma família, a máquina de votos fatura com afastamento por doenças e acidentes de trabalho.
Pelo menos quatro vereadores, um de Nova Friburgo, dois de Nova Iguaçu e um de Itaguaí, são réus em inquéritos sobre quadrilhas que fraudaram a concessão de benefícios em troca de ganhos financeiros e votos.
A voz cúmplice dos amestrados
Seria estranho se ministros e assessores do Planalto não fizessem alguma espécie de defesa à ministra Dilma no episódio da VARIG, afinal, queiram ou não, remam no mesmo barco. A defesa, portanto, neste caso, é absolutamente normal e natural.
Qual, então, o problema, se é que possa haver um? É a forma como esta defesa se manifesta. Declarações de Jobim, Tarso Genro, até de Gilberto Carvalho soam com o ranço típico dos imorais. Até a própria Dilma parece querer ver chifre em cabeça de cavalo.
Sempre é bom lembrar que, todos os grandes escândalos que pipocaram neste governo, e foram muitos e tantos que a gente até se esquece de alguns, invariavelmente sua descoberta e aparição pública se deu por obra e graça de alguém da própria base governista. Em nenhum deles vocês encontrarão digitais de alguém da oposição, por exemplo. E os poucos que escaparam, justiça se faça, nasceram frutos de ações protagonizadas pela Polícia Federal. Como se pode ver pelo episódio do BNDES, onde o envolvido da vez é o deputado Paulo Silva, Paulinho da Força Sindical. Muito embora este diga que se trata de perseguição e armação política contra si e sua atuação como deputado, o fato é que todas as provas, documentos e gravações, foram divulgadas pela Polícia Federal.
Assim, se desfaz o engodo que se tenta aplicar de que se trata de uma “trama” da oposição que, coitada, mal dá conta de si mesma, quanto de fazer uma oposição de fato digna do nome em relação ao governo organizado para o crime.
A ministra chega ao cúmulo de apontar no caso da VARIG, ao “fogo inimigo” as denúncias feitas por Denise Abreu. Santo Deus ! Por acaso até bem pouco tempo atrás Denise trabalhava para qual governo? E por acaso antes de ir para a ANAC, agência criada NESTE GOVERNO, dona Denise não servia à Casa Civil do governo Lula? Portanto, onde o fogo inimigo?
Então, façam o favor, gente: vamos parar com este papo furado de que as malvadezas cometidas pelo governo Lula e que tem sido descobertas e divulgadas, sejam fruto de uma ação dos oposicionistas. Aqui, neste ponto, os oposicionistas tem sido mais inocentes do que os próprios governistas.
Só para se ter uma idéia da alucinação deste pessoal, coletei algumas manchetes das declarações feitas nos últimos dias por ministros e assessores:
No Globo Online: “VarigLog: Gilberto Carvalho acusa oposição pelas denúncias contra Dilma Rousseff”;
Na Folha Online: “Múcio diz que "ressentimento" de Denise Abreu pode estar por trás de denúncias”
Ainda na Folha Online, declaração do ministro Tarso Genro: “Ministro diz que Dilma é "alvo político" por coordenar obras do PAC”
Mas dentre estes, ao menos uma me pareceu equilibrada e no tom certo, que foi a do ministro Paulo Bernardo, do Planejamento: "Bernardo defende Dilma, mas apóia investigação no caso VarigLog”
Perfeita e no tom certo. É assim que qualquer pessoa equilibrada deve se portar quando investida de cargo público. Ou seja, apóia, defende colegas mas não pratica um nefando corporativismo de boteco. Apesar do apoio e da defesa, quer que tudo seja investigado e esclarecido. Claro que Bernardo, por trás das cortinas que escondem o palco do submundo pelo qual flana o atual governo, pode participar das ações de encobrimento dos fatos, assim como sabemos que foi sua atuação no dossiê anti-FHC. Porém, não pode é publicamente tentar mistificar os fatos, sonegar a verdade e incentivar que nada apurado.
A entrevista de Denise Abreu, pelo seu conteúdo, está apoiada não apenas no testemunho de outras pessoas mas também em documentos que dão sustentação ao que ela afirmou. Portanto, o melhor que se faria, no caso, seria alimentar investigação e apuração, e não tentar investir primeiro, pela desqualificação da denunciante que, por mais que tenha errado na vida, ainda assim o que informa merece ser investigado.
O caso da VARIG representa bem a cultura que se instalou na presidência da república. Claro que alguém virá correndo gritar que “sempre foi assim”, que acaba sendo exatamente o tom do que disse Lula na entrevista que deu na França, ainda sob os holofotes do mensalão. “Fizemos o que todos fazem”. Ali ficou claro, pelo menos para mim, que o PT, precisamente Luiz Inácio, havia cometido uma espécie de estelionato eleitoral, porque foi justamente sob a bandeira da moral e ética da prática publica que ele se elegeu. Durante todos os anos em que militou na oposição, tanto Lula quanto seus companheiros de partidos, a lembrar alguns como José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares, dentre tantos, sempre desfraldaram a bandeira da moral. Nunca consentiram com um milésimo de suspeita contra quem quer que fosse. Contudo, no poder, abandonaram o discurso da ética e adotaram o do “fizemos o que todos sempre fizeram”. Assim, o principal brilho das campanhas petistas e lulistas, foi enterrado a partir do instante em que se tornaram governo. Otário foi quem votou neles achando que seria diferente, porque, além da propaganda enganosa, acabou comprando gato por lebre.
Assim, a seguir-se pelas declarações dos ministros e assessores do Planalto, bem como pela ação de cerceamento às investigações que a base governista atua no sentido de impedir abrir-se a caixa preta em que se esconde Lula da Silva e toda a sujeira fétida que exala de seu governo de mentiras e mistificações, é de se esperar que se estejam urdindo nos submundos palacianos mais uma daquelas estratégias prontas a manter impunes as ratasanas do poder.
Até pode não dar em nada. Não importa. Contudo, por mais popularidade que Lula tenha, seu governo irremediavelmente estará marcado na história como o mais corrupto de toda a história republicana brasileira. E demore o tempo que demorar para o petê sair do Planalto. Mas isto um dia acontecerá e muita água suja, represada por tanto tempo, acabará escorrendo. E aí não haverá marketing político capaz de impedir que conheçamos a verdade do que foi o seu desgoverno.
Não apenas a VARIG deixa transparecer o tipo de governo que preside o país. A armação de compra da Brasil Telecom pela Oi/Telemar, por intermédio de violências administrativas do governo Lula contra lei em vigor -para não falar da imensa imoralidade implícita na junção de ilegalidade e favorecimento. É improvável que se encontre, na histórica improbidade administrativa brasileira, articulação mais cínica entre governo como instrumento e negócios privados.
Os dois casos expõem a prepotência com que o governo a tudo atropela, sob a indiferença generalizada dos que poderiam reagir em defesa da sociedade.
Apesar da proibição legal de compra de uma das telefônicas por outra, a Oi/Telemar decide comprar a Brasil Telecom, para ficar, na prática, com o monopólio da telefonia fixa e outros balangandãs de alto lucro. E a lei proibitiva? Fácil: a própria Presidência da República entra na jogada com o favorecimento da mudança da lei por ordem ou ato de Lula. O ministro das Comunicações era contra o negócio, deixa de sê-lo. Dinheiro? Lula quer o BNDES, por meio do Banespar, dando o suporte para a compra. Feita por cerca de R$ 5,5 bilhões. Mas como um dos sócios compradores é sócio também de um Lula-filho, o envolvimento direto do Lula-pai pode dar em bode público. O presidente da Anatel, a agência agora desreguladora da telefonia, Ronaldo Sardenberg, se incumbe de entrar na transa com uma cobertura para Lula-pai: um pedido de mudança da lei.
Lula tem uma explicação para o novo produto da promiscuidade: "O Brasil precisa de uma grande empresa para entrar na telefonia em outros países do mundo". Beleza, mas por que tudo precisa seguir o método do mundo cão, aquele que se faz de modo sorrateiro, burlando as leis vigentes, favorecendo uns e prejudicando outros quando deveriam todos e não apenas alguns serem beneficiados, por que não é possível se fazer negócios de acordo com as leis como é praxe e rotineiro em países civilizados? Esta cultura de boteco perfura a legalidade do país, e neste atropelo, se incentiva a prática indiscriminada da violência sob as benções de um poder não menos criminosos, mas sempre impune. Sem esta de que os fins justificam os meios, porque os “fins” neste caso são apenas concessões privilegiados daqueles que labutam na lama da imundície moral.
Muita porcaria hoje já é perceptível e só não se volta contra o próprio Lula porque o país ainda está entorpecido pelas mentiras vendidas na propaganda oficial. Mas não se enganem: este palanque feito de lama tem uma estrutura muito frágil que, cedo ou tarde, o fará ruir. Quem viver, verá.
ENQUANTO ISSO...
Gabriela Guerreiro, da Folha Online
Em discurso no Palácio do Planalto para o lançamento de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira os limites impostos pela lei eleitoral que não permitem a liberação de verbas para obras no segundo semestre em ano de eleições. Lula chamou as restrições de "falso moralismo" e "hipocrisia brasileira" ao afirmar que vai perder quase um ano de seu mandato sem poder firmar contratos para novas obras do PAC.
"No começo de julho não poderemos mais assinar contratos porque a eleição nesse país, ao invés de consagrar a democracia, faz quem governa ficar um ano sem governar apesar de ter quatro anos de mandato. Pelo falso moralismo desse país se parte do pressuposto que um presidente ou governador assinar contrato com o prefeito é beneficiar o prefeito. É o lado podre da hipocrisia brasileira, em que você para um determinado tempo porque causa suspeição", criticou.
Lula disse que as "amarras" da lei eleitoral não se justificam com o argumento de que o governo vai privilegiar governadores e prefeitos de sua base aliada. "Eu já vi manchete de jornais dizendo que o governo privilegia os aliados. Para dar uma resposta na semana seguinte, fui a São Paulo assinar o PAC com o Kassab, que não é meu aliado, e com o Serra, que não é meu aliado. E olha que o PAC em São Paulo sozinho tem mais dinheiro do que todos vocês juntos", ironizou.
Segundo Lula, apesar do prefeito Gilberto Kassab ser do "PFL" (DEM), "o povo de São Paulo é brasileiro antes de tudo e merece que a gente cuide deles". O presidente prometeu liberar, até o final de junho, cerca de R$ 1,5 bilhão para obras do PAC que estão em posse da Caixa Econômica Federal --uma vez que no segundo semestre estará impedido pela lei eleitoral. "Vamos usar a data limite. Não queremos deixar nenhum centavo do PAC na gaveta. Isso é um alerta para prefeitos e governadores que têm que preparar as coisas até o final deste mês."
Ao comparar o PAC com uma "roda gigante que não pode parar", Lula disse que a engrenagem do programa deve girar ainda mais acelerada daqui para frente. "Essa roda gigante precisa ganhar velocidade ao invés de parar. Ninguém está pedindo para diminuir a velocidade, ela vai continuar rodando forte. Mesmo com a dureza da ministra Dilma [Rousseff] e do Paulo Bernardo [Planejamento], sempre tem um dinheirinho a mais para uma nova obra do PAC", disse.
Governadores
Com a presença de governadores e prefeitos da oposição na cerimônia de lançamento das obras do PAC, Lula disse que o mais "genial" do programa foi reunir parlamentares de todos os partidos na execução de suas obras. "Eu duvido que algum prefeito, de qualquer partido, tenha sido preterido no seu projeto por conta de pertencer a organização política diferente da minha. Duvido", afirmou sob aplausos dos presentes na cerimônia.
Assim como Lula, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), disse que o PAC é um programa "suprapartidário que permite que este torcedor do Santos faça festa para um corintiano". "O PAC permite que estejamos juntos independente da filiação partidária. Quando estamos juntos, o povo ganha. Quando nos separamos, o povo perde. Hoje, a vitória aqui é da população brasileira", disse Arruda.
Enquanto isso...
Presidente do TSE reage à declaração de Lula e diz que lei eleitoral não é hipócrita
Folha Online
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Carlos Ayres Britto, reagiu nesta sexta-feira à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou os limites impostos pela lei eleitoral que não permitem a liberação de verbas para obras no segundo semestre em ano de eleições.
Em discurso no Palácio do Planalto para o lançamento de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Lula chamou as restrições de "falso moralismo" e "hipocrisia brasileira" ao afirmar que vai perder quase um ano de seu mandato sem poder firmar contratos para novas obras do PAC.
"Não se trata de falso moralismo, e a lei não é hipócrita por nenhum modo. Ela ocupa um espaço de moralidade e autenticidade democrática que se fazia necessário", disse Ayres Britto.
Na avaliação do presidente do TSE, as restrições são necessárias para impedir o abuso de poder. "A lei veio com a emenda da reeleição para chefias executivas e se fez necessária exatamente para impedir o abuso do poder político executivo. E nessa medida a lei merece todo o aplauso", afirmou.
Segundo Ayres Britto, a lei eleitoral é violada a cada eleição, apesar das restrições previstas para preservar o equilíbrio de forças entre os candidatos.
"O que pode acontecer nesta nova quadra eleitoral, por efeito de incessantes reclamações das chefias executivas, é um mais detido exame sobre o conteúdo desses dois artigos [que prevêem as restrições], de modo a ponderar ou calibrar legítimos interesses em eventual estado de confrontação. Mas que se exalte de logo, em alto e bom som, a moralizadora base de inspiração da lei 9.504 [eleitoral], que por nenhum modo consagra a hipocrisia", afirmou o ministro.
***** COMENTANDO A NOTICIA:
A resposta de Ayres Brito, até pelo cargo que ocupa, foi na medida certa. Mas nada impediria dele, como cidadão, dar a Lula resposta que Lula merecia ouvir.
Porque, senhores, não tem cabimento o sujeito querer criar uma legislação feita justamente para impedir o abuso do poder econômico e político dos governantes no poder, para fins eleitoreiros. Aliás, Lula não faz outra coisa.
É incrível como o falso moralismo de Lula agora aparece como todo o vigor, porque, a lembrar, quando na oposição, ele e seus “companheiros” sempre apontavam de forma até grosseira,o suo da máquina pública nos governos dos outros.Ou será que Lula quer a isenção legal apenas prá si? Lula, por viver num país com uma certa democracia já deveria ter aprendido que a lei protege o interesse da população, e não o interesse cretino dos governantes, como tenta agora mistificar.
E mais: ele teve tempo de sobra para fazer o que está fazendo (apesar da empulhação praticada) antes de atingir o prazo legal. Portanto, que pare de querer torcer a lei a seu favor, e comece a governar o país, e de preferência sem as habituais cretinices e mentiras. .
E agora, Lula?
Se a Anistia Internacional estivesse preocupada com os direitos humanos, e não em tomar posições ideológicas, não passaria (vergonhosamente) a mão na cabeça das Farc – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, guerrilha que utiliza os métodos humanitários por todos conhecidos.
Outro que, meio dissimuladamente, mima as Farc é Luiz Inácio Lula da Silva. Agora com a revelação das cartas do líder Raúl Reyes ao presidente brasileiro, em reportagem de “Época”, espera-se que ele venha a público dizer, afinal, de quem é amigo.
As cartas não têm um tom qualquer. O tom é de companheirismo, quase de bajulação, denotando uma relação de alta cumplicidade. De 2003 (data das cartas) até hoje, não se ouviu uma só palavra de reprovação de Lula às Farc. Se não quisesse essa cumplicidade, o presidente brasileiro deveria ter rechaçado publicamente o flerte político.
Jamais o fez. Está sempre escondido nesse discurso de suposta neutralidade, álibi evidente para se furtar a condenar o terror dos guerrilheiros colombianos, enquanto nos bastidores o assessor top (top top) Marco Aurélio Garcia faz tricô com os seqüestradores.
Ou Lula esclarece agora, de uma vez por todas, qual sua relação com as Farc, ou o Procurador Geral da República precisa abrir imediatamente um inquérito sobre as relações do Estado brasileiro com essa
O laranja da BANCOOP
Depoimento de ex-funcionário da cooperativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo, acusada de desviar dinheiro de mutuários para campanhas políticas, complica a situação do presidente do PT, Ricardo Berzoini

Ao Ministério Público, Hélio Malheiro admitiu que, entre 2001 e 2002, valores de notas fiscais superfaturadas foram depositados por subempreiteiros em contas correntes de sua titularidade para que sa cooperativa pudesse alimentar as campanhas do PT. Segundo o MP, nada disso foi declarado ao TSE. “Tal esquema de doações ilegais para campanhas eleitorais teve início em 1998, com valores destinados à campanha eleitoral para deputado federal do senhor Ricardo Berzoini, que à época era diretor da Bancoop”, diz trecho do depoimento. Para o promotor de Justiça José Carlos Blat, que instaurou inquérito para apurar a prática de crimes de apropriação indébita, estelionato, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, as declarações de Malheiro, somadas a outros depoimentos tomados pelo MP desde abril de 2007, incriminam os dirigentes do PT, sobretudo Berzoini. Segundo Malheiro e outros depoentes, Berzoini era tratado como “o chefe”. “Com esse depoimento, não temos mais dúvidas de que a Bancoop serviu não apenas para favorecer seus dirigentes, como para irrigar o caixa 2 petista”, disse o promotor que encaminhou a investigação à Procuradoria Regional Eleitoral. Os documentos também já estão sendo analisados pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza.
Malheiro contou ao MP que em 2004, quando várias obras da cooperativa foram paralisadas por falta de recursos, ouviu de seu irmão Luís Eduardo que a situação financeira da Bancoop estava cada vez mais comprometida justamente porque, a cada eleição, valores de “grande monta” eram desviados para as campanhas do PT. Entre os dirigentes petistas que faziam pressões pelo desvio de recursos da cooperativa estaria João Vaccari Neto, então dirigente do Sindicato dos Bancários e diretor financeiro da cooperativa, hoje presidente da Bancoop. Malheiro disse que Vaccari não apenas sabia dos “esquemas criminosos” montados na Bancoop como também fazia parte deles.
Em depoimento em março deste ano, também ao MP, o engenheiro responsável pelos empreendimentos da Bancoop de 2000 até 2002, Ricardo Luiz do Carmo, já havia acusado Hélio Malheiro de ser o responsável pela arrecadação de dinheiro para campanhas do PT. Agora, veio a confissão do próprio Malheiro, que jurou ter abandonado o esquema no final de 2002, após uma conversa com o irmão. Na ocasião, ele teria sido informado por Luís Eduardo que os recursos desviados da Bancoop para suas contas correntes iriam financiar a campanha de Lula à Presidência. Foi quando, segundo Hélio Malheiro, ele disse ao irmão que não mais aceitaria “ser laranja de ninguém”.
De acordo com a investigação do MP de São Paulo, o esquema começou a partir da fundação da Bancoop em 1996, quando os dirigentes da cooperativa passaram a superfaturar valores na compra dos terrenos. A partir de 2001, o esquema foi aperfeiçoado com a contratação de subempreiteiras e empresas de fachada criadas pelos próprios dirigentes da cooperativa com o objetivo de “sangrar” recursos da Bancoop. É o caso da Mizu Gerenciamento e Serviços e da Germany Comercial. A Germany, por exemplo, criada em junho de 2001, tinha como sócio- fundador o próprio presidente da Bancoop Luís Eduardo Malheiro. O endereço da empresa era o mesmo da Bancoop. Documentos em poder do MP mostram que a Mizu pagou com regularidade fornecedores da Bancoop, reforçando os indícios de que, a exemplo das outras empresas, ela atuava como se fosse a própria cooperativa. Entre os documentos da investigação consta um controle bancário de uma conta corrente no Bradesco em nome da Mizu que registra seis pagamentos feitos em outubro de 2002, às vésperas do segundo turno das eleições. Os pagamentos aparecem no controle bancário como “Doação PT”. As doações somam R$ 43 mil, mas não foram declaradas.
VÍTIMA 
Em nota oficial, a Bancoop disse que já interpelou judicialmente todos que fizeram denúncias ou acusações “levianas” contra a entidade. A cooperativa ainda acusou Hélio Malheiro de não honrar os pagamentos da sua casa, pertencente a uma seccional da cooperativa, e acrescentou que foi apenas após a morte de Luís Eduardo que a atual diretoria tomou conhecimento de que ele tinha um irmão. Procurado, o deputado Berzoini não retornou até o fechamento desta edição.
A derrocada da Bancoop, que chegou a ser a segunda maior incorporadora do País, teve início logo depois das eleições municipais de 2004, ano em que foram paralisadas as obras dos empreendimentos por falta de recursos. Para os cerca de três mil cooperados, o sonho da casa própria virou pesadelo. Ainda em 2004, a Bancoop vendeu papéis no mercado financeiro e recebeu um aporte de R$ 43 milhões de fundos de pensão como Previ, Funcef e Petros. Esse dinheiro, no entanto, desapareceu, diz Blat. Desde 2005, nenhum prédio é entregue, segundo Marcos Migliaccio, um dos líderes da associação dos cooperados. Dos 45 empreendimentos, 14 não foram sequer iniciados. Só 15 estão totalmente concluídos.
Há casos como o do Residencial Ilha d’Itália, localizado na avenida Paes de Barros, na Mooca, em que, das três torres previstas para ser construídas, apenas uma foi entregue. Com a cooperativa no vermelho, muitos proprietários, que tinham sido seduzidos pela promessa de que comprariam um apartamento com valor 40% abaixo do de mercado e que já haviam quitado seus imóveis, foram solicitados a fazer pagamentos adicionais. Em alguns casos, depois do acréscimo de novas parcelas, o preço do imóvel dobrou. Quem não paga os adicionais corre o risco de ter o imóvel retomado pela Bancoop. “Quando as obras foram paralisadas, disseram para a gente que eles precisavam de um empréstimo solidário para que o empreendimento continuasse a ser tocado”, disse Valéria Musketo, que até entrou em depressão e está tendo que pagar R$ 23 mil a mais do que o previsto em contrato. “Essa situação é um absurdo”, completa Nivaldo Nappi, mutuário no mesmo condomínio. Atualmente, existem mais de 500 ações judiciais contra a cooperativa.
Curiosamente, o presidente Lula, cuja campanha em 2002, segundo Malheiro, teria sido alimentada por recursos desviados da Bancoop, também adquiriu, em 2005, por intermédio da cooperativa, um apartamento de três quartos em um condomínio no Guarujá (SP). As obras do condomínio Mar Cantábrico, no qual Lula comprou o imóvel, por pouco não foram paralisadas. Para que continuassem em andamento, foi necessário que cada proprietário, entre eles o próprio Lula, fizesse novos aportes mensais no valor de R$ 2 mil.
DEPRESSÃO 





