Adelson Elias Vasconcellos
Em seu artigo desta quarta feira (vide abaixo), no jornal O Globo, o jornalista Elio Gaspari, referindo-se à afirmação da senhora Rousseff de que, para chegar à presidência da república é preciso estudar muito, comenta dois casos típicos de uma presidente que, parece, andou faltando à algumas aulas.
Mas o jornalista poderia, se o espaço permitisse, citar outras tantas maluquices e esquisitices típicas dos vasto repertorio presidencial e de quem, além de não estudar o necessário, se permite, mesmo na qualidade de presidente, faltar com a verdade.
É o caso, por exemplo, do tal “tripé econômico” que garante ao país a estabilidade (relativa) de sua economia. Os tais fundamentos seriam inflação no centro da meta, câmbio flutuante e superávit primário. A inflação, no governo Dilma, e a menos que haja alguma tormenta a caminho, jamais se posicionou no centro da meta. Sempre esteve muito acima e, só não fugiu do controle, pelos artificialismos empregados pelo governo, como no caso do preço dos combustíveis, cujo congelamento tem levado a Petrobrás a dificuldades de todo o gênero, se obrigando a fechar escritórios no exterior e vender ativos dentro e fora do país. Outro dano é a política do etanol, seriamente comprometida e sem perspectivas de futuro.
Do lado do superávit primário, em agosto o governo da senhora Rousseff conseguiu o feito inédito de produzir um déficit primário. Mas, se ao final de cada exercício anterior a meta prevista tem sido alcançada, não foi pela política fiscal responsável do governo, e simples pelos malabarismos praticados pelo senhor Mantega, Ministro da Fazenda, e sua pouco transparente e recomendável “contabilidade criativa”.
E, do lado do câmbio flutuante, basta perguntar ao Banco Central quantos bilhões ele já consumiu ora para frear a queda do real, ora para segurar sua supervalorização.
Aliás, perguntem a qualquer empresário que exporta o quanto ele já perdeu de espaço do comércio exterior, para conhecermos o quanto o pouco confiável “câmbio flutuante” já lhe causou prejuízos. E basta que se examinem as crescentes quedas dos saldos da balança comercial, justamente nos anos do governo Dilma, para saber que não há tripé algo sendo adotado. A economia brasileira, desde de 2011, vem sendo conduzida na base do improviso e do artificialismo.
Outro exemplo da aluna relapsa que dona Rousseff tem sido, foi o caso da redução das tarifas de energia elétrica. Seu pacote foi tão fabuloso que, antes mesmo de vigorarem as reduções, a ANEEL já havia autorizado reajustes para a maioria das concessionárias. Não só isso. Ao invés de aplicar as reduções na incrível carga de impostos decretados ainda no governo Lula, quando ela própria foi Ministra das Minas e Energia e, mais tarde, Chefe da Casa Civil, escolheu rasgar contratos e reduzir a rentabilidade das empresas. Nunca é demais lembrar que Lula, ao assumir, encontrou as tarifas com uma carga de 21,6% de impostos e taxas diversas, e ao entregar o osso, esta carga pulara para mais de 48%.
Como a conta não fecha, a senhora Rousseff resolveu a equação da seguinte forma: o prejuízo provocado pela redução pouco estudada será bancado pelo Tesouro, como se o Tesouro fosse sinônimo de um ente federado deletério que não precisasse viver e sobreviver à custa exclusiva do nosso bolso. Ou seja, mesmo que a conta seja aparentemente menor, continuamos a pagar o mesmo. E, se ainda isso fosse pouco, o pacote da senhora Rousseff conseguiu a proeza de frear os investimentos em energia, dos quais tanto o país precisa para alimentar seu desenvolvimento.
E o que se dizer do plano de concessões? A cada semana, uma nova mudança de regras, um novo adiamento para o lançamento dos editais, uma nova rodada de extensas e inúteis negociações com pretendidos negociadores que, até aqui, não se convenceram nem da indispensável viabilidade econômica dos empreendimentos ofertados, tampouco de que este governo, tão instável nas regras que propõe, seja capaz de garantir segurança jurídica mínima.
Dona Rousseff pode achar que aprendeu alguma coisa, mas parece que a escola em que estudou não obteve conceito mínimo nos exames de avaliação do MEC.
Já nem é preciso comentar os fiascos sucessivos na política externa brasileira, um horror. Tampouco o quase nada que se obteve na qualificação dos serviços públicos básicos que seu governo oferece à população. Aliás, tivesse um pingo de respeito até por si mesma, dona Rousseff já teria se debruçado sobre a última pesquisa de avaliação de seu governo, e procurado conhecer os motivos pelos quais saúde, educação, saneamento, combate à inflação, segurança pública, dentre outros, sequer foram além do regular, todos ficaram abaixo dos 50% positivos.
Portanto, se os candidatos que vão se confrontar com Dilma Rousseff em outubro de 2014 precisam estudar, ela, por já estar no poder, e por obter resultados tão medíocres, deveria era estudar muito mais do que eles.
Em 2010, depois de eleita e antes de assumir, coloquei que Dilma para entrar na história, deveria fazer uma escolha: ou se dedicava a governar o Brasil com um projeto de país, ou, se a escolha fosse um projeto de poder, estaria se alinhando aos governantes medíocres que já tivemos. Parece haver escolhido a segunda alternativa. Não é por nada, perto de completar seu terceiro ano na presidência da república, Dilma, já se sabe, obterá o terceiro pior desempenho de desenvolvimento da história. Antes dela, Floriano Peixoto e Fernando Collor. Convenhamos que, para ser medíocre, não precisa estudo nenhum.
Um exemplo bem característico da má aluna que dona Rousseff tem se mostrado, está em reportagem da Folha, nesta quarta feira. Em ano pré-eleitoral, a presidente resolveu viajar mais. Até aí... Porém, para mostrar sua eficiência como “gerentona”, Dilma tem intensificado a entrega de unidades habitacionais. Vale até entregar casas sem água e sem luz. Incrível!!! Talvez a presidente esteja a recordar música com letra bem semelhante, de autoria de Vinícius de Morais que, por sinal, está sendo homenageado, merecidamente, no ano de seu centenário de nascimento.
Aliás, é bom que ela tenha em mente que só é presidente, graças ao capital político de seu padrinho. Seu currículo, por sinal, é um zero redondo em se tratando de méritos. Desde sua lojinha de R$ 1,99 em Porto Alegre, Dilma Rousseff tem sido reprovada por média e com louvor. Aconselhável seria que a senhora Rousseff, deste modo, parasse de querer dar aulas sobre temas que nem ela própria conseguiu aprender.





