Flávia Barbosa
O Globo
Caso teto da dívida não seja elevado, Tesouro não poderá emitir títulos para captar recursos no mercado
WASHINGTON - Se o impasse prevalecer, os EUA ficam a partir desta quinta-feira sem permissão para emitir títulos e captar recursos no mercado, pois terá sido atingido o teto de US$ 16,7 trilhões em dívidas autorizado pelo Congresso em janeiro. O país estará exposto à chance de não honrar pagamentos de gastos correntes, salários, benefícios sociais, fornecedores, repasses para saúde, educação, energia e transporte, além dos juros da dívida. O calote deve levar dias para se materializar, mas um cronograma já está desenhado, ampliando o efeito de 16 dias de fechamento parcial do governo.
O Tesouro terá nesta quinta-feira US$ 30 bilhões em caixa e nenhuma possibilidade de levantar dinheiro no mercado. Todos os dias, em média, a arrecadação é de US$ 7 bilhões, enquanto os pagamentos somam US$ 10 bilhões. Os EUA terão capacidade, em tese, de cobrir dez dias de déficit com recursos próprios. Mas apenas no calendário da Seguridade Social (a previdência americana), há um desembolso de benefícios de US$ 12 bilhões no dia 23. No dia 31, está previsto o pagamento de US$ 6 bilhões em juros de títulos em poder do mercado e de outros países. A moratória da dívida se concretizaria, sem acordo até lá.
No 1º de novembro, o calote tomaria grandes proporções: há US$ 60 bilhões em pagamentos que cobrem de militares da ativa a servidores aposentados e benefícios previdenciários. Parte do mercado e agências de rating dizem que o Tesouro pode priorizar pagamentos, honrando compromissos com detentores de títulos, o que, tecnicamente, evitaria o default. Mas o secretário do Tesouro, Jack Lew, e assessores de Obama dizem que não têm a habilidade e que qualquer manobra seria apenas a administração do calote.
