terça-feira, fevereiro 28, 2012

Um choro tardio

Adelson Elias Vasconcellos

Dei uma passada pelos principais sites de notícias e alguns blogs, os mais sérios é claro, e pude perceber certa indignação no ar contra a lei geral da copa que está sendo votada no Congresso. Muitos não aceitam ao que chamam de intromissão da FIFA na institucionalidade do país.

Gente, vamos por partes. Em primeiro lugar, ninguém obrigou o Brasil a fazer todo aquele movimento, de norte a sul, para ser a sede escolhida para 2014. E, surpresa, TODAS, repito, TODAS as imposições, contra as quais alguns agora se rebelam, eram conhecidas antes da candidatura ser postulada. Todas as autoridades envolvidas, políticas e esportivas, sabiam e conheciam os cadernos de encargos antes do anúncio final. Portanto, se o Brasil aceitou participar da corrida para receber a Copa do Mundo em 2014, é porque concordava com os termos e exigências impostas pela FIFA. E, tanto quanto eu lembre, ninguém e até dentre os indignados de agora, levantou a voz para protestar. Por que só agora? 

Também sou contra bebida alcoólica nos estádios. Mas fui e sou contra que o Brasil recebesse a Copa do Mundo agora, por entender que não estávamos preparados e que o valor que seria gasto era imprescindível em outras áreas.  Entendia, e continuo entendendo que o Brasil deveria se preparar melhor, e postular uma candidatura tendo resolvido algumas questões de infreaestrutura, por exemplo. Sequer para a Copa a questão dos aeroportos estará resolvida. E este é um problema já bem antigo que o governo petista vem empurrando com a barriga sem dar solução.

Visitem o arquivo do blog, e vocês encontrarão lá atrás todas estas questões  lá expostas. Não é novidade. Vejam o caso dos estádios. Os valores não param de aumentar, como o último tapa no orçamento motivado pela grama natural, que já era do conhecimento de todos, e que agora o Brasil quer tapear e arranjar um jeito de, na Copa das Confederações, adaptar um tipo diferente, para cumprir a exigência apenas na Copa do Mundo. Lembram-se que se dizia que não haveria dinheiro público nos estádios? Pois então, é só isto que existe e está sendo aplicado, dinheiro público. O único estádio que está sendo construído sem dinheiro público é a nova Arena do Grêmio, de Porto Alegre, mas é o único não convidado para a festa. 

Vejam o caso dos aeroportos. Acreditem, não há milagre que recupere o tempo perdido. E tem mais os investimentos em mobilidade urbana, comunicações, rede hoteleira, e por aí vai. E que tal falarmos da tão prometida "transparência" de gastos? O site oficial do governo não é atualizado desde novembro!!!! Surpresa? Nenhum pouco, tudo era terrivelmente previsto, sabíamos que seria assim, mas teimamos em acreditar que talvez não fosse. 

Continuo defendendo que a quantidade de cidades-sedes que o Brasil exigiu, 12 no total, era uma insanidade. O Brasil poderia perfeitamente até dar conta do recado se apresentasse metade disso. Racinalizaria os investimentos, com melhor retorno para as subssedes escolhidas, já que abrigariam maior número de jogos. Tem cidades que estão gastando uma fortuna para receberem não mais do que 3 ou 4 jogos insignificantes. Em consequência, o Maracanã, templo do futebol brasileiro, somente assistirá nossa seleção uma vez, e assim mesmo se chegarmos à final.

Portanto, esta certa indignação quanto à lei geral da Copa é um choro com pelo menos quatro anos de atraso. Deveríamos ter discutido isto lá atrás, antes de assinar com a FIFA qualquer compromisso. O mesmo se pode dizer quanto a lei que facilitou a realização de obras, passando por cima da lei de licitações. Além, é claro, da desoneração sobre tudo o que envolve o evento. Repito, todas estas condições foram aceitas pelo Brasil quando se meteu nesta aventura.   

É claro que a FIFA acabará  aceitando alguns arremedos que não comprometam a realização do evento. Por exemplo, a questão do país ter que assumir os prejuízos decorrentes de acidentes naturais. Hoje, o governo faz jogo duro, querendo que a FIFA assuma ou no todo ou em parte os prejuízos. Imposição atrasada e fora do lugar. Era uma das questões do caderno de encargos com os quais o país concordou ao postular sua candidatura. Reclamar agora? Dizer que não vai aceitar? Que não concorda, que é um absurdo e coisas que tais é pura conversa fiada. O país já está obrigado a tudo isso, e o responsável (ou seria o irresponsável?) por toda a baderna institucional decorrente da realização da Copa em nosso país chama-se Lula, então presidente do Brasil, que concordou com tudo isso. Pensava não nos benefícios para o povo brasileiro, mas apenas em seu capital político. Se haveria dinheiro suficiente, se os investimentos acarretariam prejuízos ou não, isto para ele pouco importava. Compensava, na sua estreita visão de estadista de araque, o lucro político que poderia tirar da empreitada. 

Agora, temos uma missão a cumprir e por mais dolorosa que seja precisaremos reduzir todas as “mudanças” que estamos fazendo a transitoriedade da copa do Mundo. Terminado o evento, o país volta ao seu normal e a vida continua. Assim, creio ser um pouco tarde para o país acordar se esta ou aquela exigência é pausível ou não. Deveriam ter visto isto tudo antes, como também deveriam ter medido as consequências para o país desviar tanto dinheiro público da educação, segurança, saúde, saneamento e infraestrutura para bancar jogos de futebol. Deveriam ter acordado antes, e não quatro anos depois, para a realidade de nossa infraestrutura deficiente e caótica. E o que é pior: sem um plano de ação coerente à disponibilidade dos  recursos do país. Como, ainda, deveriam ter refletido melhor no absurdo de se impor ao país o sacrifício que seria preparar doze cidades ao invés da metade, para abrigar o evento.  

E aí fica a lição: precisamos medir melhor a nosa megalomania. Nossa arrogância. Nossa mania de acharmos que somos melhores, que podemos fazer melhor do que outros, quando, na verdade, não passamos de um país ainda pobre, sem estrutura, sem recursos suficientes, com imensas deficiências básicas, que não aprendeu a se planejar em relação ao seu proóprio futuro. Talvez a copa sirva ao menos para isso:para mostrar ao Brasil o próprio Brasil, sua real dimensão e o quanto estamos distantes para nos equipararmos a nações mais desenvolvidas.

Porque, na verdade, todo o projeto que apresentamos para a FIFA como sendo obra pronta, não passava mesmo de mera fantasia, meros projetos, extensas e bonitas cartas  de intenção, distante, muito distante da nossa própria realidade e capacidade de construção.  Talvez alguns se sintam ofendidos com a verdade dolorosa para a qual o país pouco a pouco vai despertando. Mas antes tarde do que nunca. Precisamos parar de sonhar e andar com os pés mais no chão.  A isto se chama amadurecimento. E, acredito, para o próprio brasileiro seria muito melhor assistir a Copa na televisão, mas podendo ter saúde decente, transporte urbano decente, aeroportos decentes, rodovias decentes,  saneamento básico suficiente. Este sonho, sim, é o de que mais precisamos, e não seria nenhuma vergonha adiar o outro, o da Copa, por mais alguns anos.  

E não se culpe só a megalomanaia de Lula: políticos, esportistas, grande parte da imprensa e os próprios brasileiros queriam a Copa aqui. Esqueceram de avaliar que isto tinha um preço. Chegou a hora de pagar por ele e não ficarem reclamando algo que poderiam ter recusado lá atrás. O choro agora chega um pouco tarde demais.

As mentiras dos aborteiros

Adelson Elias Vasconcellos

 O texto que segue abaixo, pode ser um pouco longo, mas vale a sua leitura. Ontem, prometi que voltaria ao assunto porque, afora a má ideia de se negar a vida a um ser vivo a quem é negado o direito de escolher, a causa dos aborteiros, os agente da morte como os qualifico, o movimento pró-aborto tem se valido de pura vigarice para tentar impor sua causa, muito embora a vontade da grande maioria da população continue renegando a morte como valor.  Quem quiser morrer é livre para fazê-lo, mas não tem o direito de negar vida aos seus semelhantes. 

O texto que vocês irão ler trata, justamente, destas vigarices que os movimentos pró-morte, a quem dão o nome de pró-aborto, relaciona os métodos com que esta gente tenta impor sua vontade à maioria. E o seu autor, vocês irão ver, não é nenhum evangélico ou católico empedernido. Ele próprio já militou por esta vereda de agente da morte e, depois de algum tempo, como ele próprio confessa, deu-se conta da sua estupidez e se converteu num intransigente defensor da vida que, aliás, é o maior patrimônio do ser humano. 

Cada vez que releio a reportagem que descreve o comportamento covarde daquela senhora que atuou como representante do Brasil na ONU, recentemente, numa conferência sobre o tema, e o seu comportamento vergonhoso, aceitando passivamente que gente má intencionada, portando números falsos, tentando se intrometer na vontade da população brasileira e exigindo mudanças de política interna, não é apenas indignação que sinto. É nojo mesmo. Primeiro, porque é inadmissível que uma representante do governo aceite de maneira tão dócil, com uma postura de absoluta covardia, a intromissão infame em assuntos internos do país.  Segundo, que esta agressão se dê calcada na pura vigarice que foram aquelas 200 mil mortes de mulheres vítimas de aborto ao ANO.  Aliás, número aqui desmascarado, inclusive desmentido pelo próprio ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Para estas agentes da morte é preciso deixar bem claro o seguinte:  a liberação do aborto, além daquilo que a lei já prevê no caso brasileiro, não é aceito não é pelo governo, ele é repelido é pela sociedade brasileira, que é dona de seu nariz, de seu próprio destino e não admite que vigaristas travestidas de vestais de moral mistificada  e anti-humanidade,  lhe querem empurrar sua ideologia assassina.

Assim, defender a vida, não é apenas um princípio religioso como querem insinuar os aborteiros: trata-se do maior valor que a Humanidade possui. Defender a vida, e não a morte, é defender a própria existência do ser humano.

Por isto, o texto a seguir serve não apenas para despir a falsa moral desta gente, mas também para   mostrar à presidente Dilma que o Brasil merece ser mais bem representado no exterior numa próxima vez. 

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Eu fiz cinco mil abortos

Dr. Bernard N. Nathanson

Este texto é de uma conferência proferida pelo Dr. Bernard N. Nathanson no "Colegio Médico de Madrid", publicada pela revista FUERZA NUEVA, de onde se transcreveu. O testemunho é sumamente valioso tendo em conta a personalidade do autor, um dos mais importantes defensores do aborto em seu país (EE.UU.)

É importante que vocês se dêem conta que fui um dos fundadores da organização mais importante que "vendia" aborto ao povo norte-americano. Havia mais outros dois membros: o Sr. Lawrence Lader e uma senhorita que pertencia ao movimento feminista.

Em 1968, quando organizamos o movimento calcula-se que menos de 1% era partidário da liberação do aborto, ou seja, de 100 pessoas, 99 estavam contra e nosso orçamento era de 7.500 dólares anuais enquanto em 1982 já se aproximava de um milhão de dólares.

Vou explicar-lhes como estabelecemos o plano para convencer essas 199 milhões de pessoas em um país de 200 milhões para que o aborto fosse aceito.

As táticas que vou explicar são seguras e além disso são as mesmas que se estabeleceram em outros países e também as que se utilizam na Espanha e nas demais nações.

Serviram-nos de base duas grandes mentiras: a falsificação de estatísticas e pesquisas que dizíamos haver feito e a escolha de uma vítima que afirmasse que o mal do aborto não se aprovaria na América do Norte. Essa vítima foi a Igreja Católica, ou melhor dizendo, sua hierarquia de bispos e cardeais.

Quando mais tarde os pró-abortistas usavam os mesmos "slogans" e argumentos que eu havia preparado em 1968, ria muito porque eu havia sido um de seus inventores e sabia muito bem que eram mentiras.

Falsificação das estatísticas
É uma tática importante. Dizíamos, em 1968, que na América se praticavam um milhão de abortos clandestinos, quando sabíamos que estes não ultrapassavam de cem mil, mas esse número não nos servia e multiplicamos por dez para chamar a atenção. Também repetíamos constantemente que as mortes maternas por aborto clandestino se aproximavam de dez mil, quando sabíamos que eram apenas duzentas, mas esse número era muito pequeno para a propaganda. Esta tática do engano e da grande mentira se se repete constantemente acaba sendo aceita como verdade.

Nós nos lançamos para a conquista dos meios de comunicações sociais, dos grupos universitários, sobretudo das feministas. Eles escutavam tudo o que dizíamos, inclusive as mentiras, e logo divulgavam pelos meios de comunicações sociais, base da propaganda.

É importantíssimo que vocês se preocupem com os meios de comunicações sociais porque, segundo explicam os fatos, assim se infiltrarão as idéias entre a população. Se na Espanha esses meios não estão dispostos a dizer a verdade, vocês se encontram na mesma situação que criamos nos EE. UU.em 1968/69, quando contávamos através desses meios todas as mentiras que acabo de mencionar.

Outra prática eram nossas próprias invenções. Dizíamos, por exemplo, que havíamos feito uma pesquisa e que 25 por cento da população era a favor do aborto e três meses mais tarde dizíamos que eram 50 por cento, e assim sucessivamente. Os americanos acreditavam e como desejavam estar na moda, formar parte da maioria para que não dissessem que eram "atrasados", se uniam aos "avançados".

Mais tarde fizemos pesquisas de verdade e pudemos comprovar que pouco a pouco iam aparecendo os resultados que havíamos inventado; por isso sejam muito cautelosos sobre as pesquisas que se fazem sobre o aborto. Porque apesar de serem inventadas têm a virtude de convencer inclusive os magistrados e legisladores, pois eles como qualquer outra pessoa lêem jornais, ouvem rádio e sempre fica alguma coisa em sua mente.

A Hierarquia Católica eleita como vítima
Uma das táticas mais eficazes que utilizamos naquela época foi o que chamamos de "etiqueta católica". Isso é importante para vocês, porque seu país é majoritariamente católico.

Em 1966 a guerra do Vietnam não era muito aceita pela população. A Igreja Católica a aprovava nos Estados Unidos. Então escolhemos como vítima a Igreja Católica e tratamos de relacioná-la com outros movimentos reacionários, inclusive no movimento anti-abortista. Sabíamos que não era bem assim mas com esses enganos pusemos todos os jovens e as Igrejas Protestantes, que sempre olhava com receio a Igreja Católica, contra ela. Conseguimos inculcar a idéia nas pessoas de que a Igreja Católica era a culpada da não aprovação da lei do aborto. Como era importante não criar antagonismos entre os próprios americanos de distintas crenças, isolamos a hierarquia, bispos e cardeais como os "maus". Essa tática foi tão eficaz que, ainda hoje, se emprega em outros países. Aos católicos que se opunham ao aborto se lhes acusava de estar enfeitiçados pela hierarquia e os que o aceitavam se lhes considerava como modernos, progressistas, liberais e mais esclarecidos. Posso assegurar-lhes que o problema do aborto não é um problema do tipo confessional. Eu não pertenço a nenhuma religião e em compensação estou lhes falando contra o aborto.

Também quero dizer-lhes que hoje nos Estados Unidos a direção e liderança do movimento antiabortista passou da Igreja Católica para as Igrejas Protestantes. Há também outras igrejas que se opõem, como as Ortodoxas, Orientais, a Igreja de Cristo, os Batistas Americanos, Igrejas Luteranas Metodistas da África, todo o Islã, o judaísmo Ortodoxo, os Mórmons, as Assembléias de Deus e os Presbiterianos.

Outra tática que empregamos contra a Igreja Católica foi acusar seus sacerdotes, quando tomavam parte nos debates públicos contra o aborto, de meter-se em política e de que isso era anticonstitucional. O público acreditou facilmente apesar da falácia do argumento ser clara.

Dirigi a partir de 1971 a maior clínica de aborto do mundo
Foi o Centro de Saúde Sexual (CRANCH), situado ao leste de Nova York. Tinha 10 salas de cirurgia e 35 médicos sob minhas ordens. Realizávamos 120 abortos diários, incluindo domingos e feriados e somente no dia de Natal não trabalhávamos. Quando assumi a clínica estava tudo sujo e nas piores condições sanitárias. Os médicos não lavavam as mãos entre um aborto e outro e alguns eram feitos por enfermeiras ou simples auxiliares. Consegui modificar tudo aquilo e transformá-la em uma clínica modelo em seu gênero, e como Chefe de Departamento, tenho que confessar que 60.000 abortos foram praticados sob minhas ordens e uns 5.000 foram feitos pessoalmente por mim.

Lembro que numa festa que organizamos algumas esposas dos médicos me contaram que seus maridos sofriam pesadelos durante a noite e, gritando, falavam de sangue e de corpos de crianças cortados. Outros bebiam demasiadamente e alguns usavam drogas. Alguns deles tiveram que ser visitados por psiquiatras. Muitas enfermeiras se tornaram alcoólatras e outras abandonaram a clínica chorando. Foi para mim uma experiência sem precedentes.

Em setembro de 1972 apresentei minha demissão porque já havia conseguido meu objetivo, que era colocar a clínica em funcionamento. Naquela época, digo sinceramente, não deixei a clínica porque estivesse contra o aborto; deixei-a porque tinha outros compromissos a cumprir. Fui nomeado Diretor do Serviço de Obstetrícia do Hospital de São Lucas de Nova York, onde iniciei a criação do serviço de Fetologia. Estudando o feto, no interior do útero materno, pude comprovar que é um ser humano com todas suas características a quem deve ser outorgado todos os privilégios e vantagens que desfruta qualquer cidadão na sociedade ocidental.

Do estudo do feto vivo no interior do útero tirei esta conclusão
Talvez alguém pense que antes de meus estudos devia saber, como médico, e além disso como ginecologista, que o ser concebido era um ser humano. Evidentemente sabia disso, mas não o havia comprovado, eu mesmo, cientificamente. As novas tecnologias nos ajudam a conhecer com maior exatidão sua natureza humana e não considerá-lo como um simples pedaço de carne. Hoje, com técnicas modernas, pode-se tratar no interior do útero muitas doenças, inclusive fazer mais de 50 tipos de cirurgias. Foram esses argumentos científicos que mudaram meu modo de pensar. O fato é que: se o ser concebido é um paciente que pode ser submetido a um tratamento, então é uma pessoa e, se é uma pessoa, tem o direito à vida e a que nós procuremos conservá-la.

Gostaria de fazer um breve comentário ao Projeto de Lei sobre aborto apresentado na Espanha
(Nota: esse projeto de lei já foi aprovado.)

É a mesma que está em vigor no Canadá, ou seja, em casos de estupro, sub-normalidade e nos casos de risco à saúde da mãe.

O estupro é sem dúvida uma situação muito dolorosa. Afortunadamente poucos estupros são seguidos de gravidez. Mas mesmo nesse caso, o estupro, que é um terrível ato de violência, não pode ser seguido de outro não menos terrível como é a destruição de um ser vivo. Portanto tratar de apagar uma horrível violência com outra também horrível não parece lógico; é simplesmente um absurdo, e na realidade o que faz é aumentar o trauma da mulher ao destruir uma vida inocente. Porque essa vida tem um valor em si mesma ainda que tenha sido criada em circunstâncias terríveis, circunstâncias que nunca poderiam justificar sua destruição.

Posso assegurar-lhes que muitos dos que estamos aqui fomos concebidos em circunstâncias que não foram as ideais, talvez sem amor, sem calor humano, porém isso não nos modifica em absoluto nem nos estigmatiza. Portanto, recorrer ao aborto em caso de estupro é algo ilógico e desumano.

Vou me referir à saúde da mãe. Sempre disse que defenderia o aborto se a saúde física da mulher estivesse em perigo imediato de morte caso continuasse sua gravidez. Mas hoje, com os avanços da medicina, esse caso praticamente não existe. Portanto o argumento é enganoso, porque simplesmente não é certo.

Finalmente vou considerar o caso do feto defeituoso. Esse é um assunto muito delicado porque significa que aspiramos uma sociedade formada por pessoas fisicamente perfeitas, e sem medo de me equivocar posso assegurar que nesta sala não há uma única pessoa que seja fisicamente perfeita. É perigosíssimo aceitar esse princípio porque desembocaria num holocausto.

Posso assegurar-lhes que inclusive as crianças mangólicas são queridas.` Vou contar-lhes uma história. Quando estive na Nova Zelândia com minha esposa, um dia almoçamos com o Sir William Lilley, que é um dos fetologistas mais importante do mundo e nos contou que tivera quatro filhos que já eram maiores, e ao ficar o casal sozinho adotaram uma criança mongólica, disse-me que esse filho adotivo lhes havia proporcionado mais alegria que qualquer um dos outros quatro filhos.

Posso assegurar-lhes que se esse tipo de lei for aprovada na Espanha se abusará dela e será utilizada para justificar o aborto em todos os casos.

Isso foi o que ocorreu no Canadá. Os médicos, simplesmente colocam uma etiqueta nos pedidos de aborto e todo mundo acha graça deles e da lei.

Penso que quando se permite o aborto, permite-se um ato de violência mortal, um ato deliberado de destruição e portanto um crime.

Posso assegurar-lhes que, se a Espanha seguir o caminho do aborto, os três Selos do Apocalipse que são a delinqüência violenta, a droga e a eutanásia não tardarão de aparecer em seguida, como está se sucedendo na América. Quero terminar com estas palavras:

Como cientista, não é que eu acredite, mas é que sei que a vida começa no momento da concepção e deve ser inviolável.

Considere que não professo nenhuma religião, penso que existe uma Divindade que nos ordena por fim neste triste, inexplicável e vergonhoso crime contra a humanidade.

Se não saímos vitoriosos e omitimos nossa completa dedicação a esta causa tão importante, a História nunca nos perdoará.
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(Traduzido pela Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família - PROVIDAFAMÍLIA do folheto "Yo practiqué cinco mil abortos" publicado por Vida Humana Internacional, 45 S.W. 71st Ave., Miami, Flórida 33144 - USA Tel: (305) 260-0560; FAX : (305) 260-0595; E-mail: latinos@vidahumana.org. Com autorização do editor.)

http://www.providafamilia.org.br/doc.php?doc=doc45845


A estupidez contra o idioma

Comentando a Notícia

Era só o que faltava: no país que já tentou censurar Monteiro Lobato, que já manteve sob censura um órgão de imprensa apenas porque ele divulgou “mal feitos” de um antigo clã nordestino cujo estado vive com um dos piores IDHs do país, estava faltando mais uma preciosidade na imensa coletânea de ataques à liberdade de expressão: censurar o dicionário.

Pois é, gente, esta estupidez não falta mais. Simplesmente, o Ministério Público, em Juiz de Fora, quer agora que a Justiça determine a retirada de circulação de ninguém menos do que o Dicionário Houaiss, um dos mais tradicionais e completos dicionários da Língua Portuguesa.  

A alegação para o pedido imbecil é que o  dicionário contém expressões "... pejorativas e preconceituosas, pratica racismo aos ciganos e não atendeu recomendações de alterar o texto, como fizeram outras duas editoras com seus dicionários...”

Bem, eu tenho um exemplar do dicionário Houaiss e, a menos que esteja enganado, um dicionário nada mais é do que o conjunto dos vocábulos dispostos em ordem alfabética e contendo a sua respectiva significação. Assim como o dicionário contém o vocábulo merda, tem também o significado para burrice, ignorância, estupidez, imbecilidade, analfabetismo, intolerância, gordo, magro, negro, baiano, gaúcho, patético, e todos estes termos  poderão ter um ou mais significados, que nada mais são do que os significados que a linguagem popular lhes atribuiu, às vezes sequer guardando qualquer semelhança ao significado culto.  Assim como seu emprego pode não representar coisa alguma, ser apenas uma forma de expressão, eles todos poderão ser empregados com sentido pejorativo. E, daí, vão querer retirá-los todos, também? E, sinceramente, adoraria saber em que ponto das 917 páginas do meu exemplar se configura prática de racismo! 

Não admira que os livros didáticos admitidos nas escolas brasileiras estejam repletos de erros grosseiros de matemática, linguagem, história e até ciências. Não se admira, ainda, que haja livro ensinando que não é errado falar errado, ou seja, que ser ignorante pode não guardar nenhuma semelhança com ignorância. 

Com tamanho apetite para estupidez, também, não admira que nossos jovens se classifiquem nos últimos lugares nas provas de avaliação internacional nos quesitos de leitura, matemática e ciências. Com este espírito de porco que viceja no país,  não há nível de ensino que consiga evoluir, melhorar, qualificar-se.

Ora, senhores, para quê serve então um dicionário se não é para expor os diferentes significados em que os vocábulos são usados pelo linguajar corrente?  Será que o termo “veado”, por exemplo,  que popularmente é atribuído   aos “homoafetivos” deverá ser banido do idioma, apenas por que as pessoas lhe atribuem um significado pejorativo? Não é o dicionário que está politicamente incorreto em ofender o animal.  São as pessoas que fazem uso de seu idioma da maneira que bem entendem, ou será que o Ministério Público deseja banir o povo também? Ou irá proibir o povo de falar? Ou exigirá que a Justiça determine que o idioma no país mude sei lá, para tupi-guarani, ou até inventem um novo, só para o Brasil, tipo tupiniquim? O álcool, por exemplo, tanto pode ser usado para o bem ou para mal. Os vocábulos da mesma forma, depende do sentido que as pessoas os empregam. E, se ao falar, a pessoa expressar, aí sim, algum tipo de racismo ou discriminação, neste caso, senhores, não são os vocábulos que deverão ser presos, e sim a pessoa que os empregou para atingir a honra ou caráter de alguém. E, neste caso, o dicionário não tem culpa alguma do mau instinto de certos indivíduos.  

O que parece faltar a certos servidores públicos é algo de mais útil para fazer para o bem do país e, assim,  passam, em sua ociosidade, a se dedicar a inventar “tragédias” e “casos” apenas para terem com o que se ocupar. 

O dicionário, pelo papel que lhe cabe representar, conterá,OBRIGATORIAMENTE, todos os vocábulos empregados em um idioma e, OBRIGATORIAMENTE, deverá indicar os diferentes significados com que cada um dos vocábulos é empregado. Do contrário, senhores do Ministério Público, o dicionário deixará de ser dicionário para se tornar um libelo ideológico que, no frigir dos ovos, me parece ser o desejo dos que pleiteiam, na justiça, a retirada de circulação do dicionário Houaiss. 

Caramba, um país onde não se consegue ter segurança mínima, e o Ministério Público quer se preocupar com o conteúdo correto de um dicionário respeitado e respeitável? Vão combater a criminalidade, gente boa, vão por na cadeia os corruptos que pipocam às centenas e que desviam bilhões de reais dos cofres públicos, dinheiro, aliás, que é tirado do povo mas que não retorna a ele em segurança pública, por exemplo. Será que faltam bandidos para prender?  Será que o crime organizado já foi banido de nosso território? Deixem de atacar o idioma pátrio, deixem de censurar a liberdade de expressão, deixem de lado os holofotes dos quinze minutos de fama e tratem de devolver ao povo a segurança que lhe foi tirada e que lhe é negada. 

No exemplar do Houaiss que tenho, por exemplo, o vocábulo cigano vem acompanhado de três significados. Um, o primeiro, é o significado histórico do termo e descreve a origem do povo cigano. Os demais são figurados e empregados de norte a sul no país, muito embora, nas últimas décadas, um destes “sentidos figurados”, o que associa o termo à velhacaria, venha perdendo força, até por conta da redução no número de ciganos. 

Uma observação: racismo, gostem ou não, legal ou ilegal, crime hediondo ou não, é um vocábulo do nosso idioma. Até porque, o uso da expressão pode não ter relação com o sentimento que, este sim, poderá ser racista, pejorativo, agressivo, maldoso, discriminatório, calunioso e outras maldades mais. Ou será que agora por que o sentimento pode ser racista, vão querer arrancar a alma dos maus indivíduos que o cultuam? Em nome de uma causa ideológica, vão querer bani-lo do dicionário também? É impressionante como a estupidez vai tomando conta do país.   

A seguir, o texto de Marcelo Portela para  Agência Estado.

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MPF quer tirar de circulação o dicionário Houaiss
BELO HORIZONTE - O Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação na Justiça Federal em Uberlândia (MG) para tirar de circulação o dicionário Houaiss, um dos mais conceituados do mercado. Segundo o MPF, a publicação contém expressões "pejorativas e preconceituosas", pratica racismo aos ciganos e não atendeu recomendações de alterar o texto, como fizeram outras duas editoras com seus dicionários.

O caso teve início em 2009, quando a Procuradoria da República recebeu representação de uma pessoa de origem cigana afirmando que havia preconceito por parte dos dicionários brasileiros em relação à etnia. No Brasil, há aproximadamente 600 mil ciganos. Desde então, segundo o MPF, foram enviados "diversos ofícios e recomendações" às editoras para que mudassem o verbete. As editoras Globo e Melhoramentos, de acordo com o órgão, atenderam às recomendações.

No entanto, o MPF afirma que não foi feita alteração no caso do Houaiss. A Editora Objetiva alegou que não poderia fazer a mudança porque a publicação é editado pelo Instituto Antônio Houaiss e que ela é apenas detentora dos direitos relativos à publicação. Diante disso, o procurador Cléber Eustáquio Neves entrou com ação solicitando que a Justiça determine a imediata retirada de circulação, suspensão de tiragem, venda e distribuição do dicionário.

"Ao se ler em um dicionário, por sinal extremamente bem conceituado, que a nomenclatura cigano significa aquele que trapaceia, velhaco, entre outras coisas do gênero, ainda que se deixe expresso que é uma linguagem pejorativa, ou que se trata de acepções carregadas de preconceito ou xenofobia, fica claro o caráter discriminatório assumido pela publicação", afirmou. "Trata-se de um dicionário. Ninguém duvida da veracidade do que ali encontra. Sequer questiona. Aquele sentido, extremamente pejorativo, será internalizado, levando à formação de uma postura interna pré-concebida em relação a uma etnia que deveria, por força de lei, ser respeitada", acrescentou o procurador.

Para Neves, o texto afronta a Constituição Federal e pode ser considerado racismo. Ele lembrou que o Supremo Tribunal Federal já se pronunciou a respeito desse tipo de situação e ressaltou que "o direito à liberdade de expressão não pode albergar posturas preconceituosas e discriminatórias, sobretudo quando caracterizadas como infração penal".

Além da retirada da publicação do mercado, o MPF também pediu que a editora e o instituto sejam condenados a pagar R$ 200 mil de indenização por danos morais coletivos. A Justiça Federal ainda não se manifestou sobre a ação. A reportagem procurou o Instituto Antônio Houaiss, no Rio de Janeiro, mas a informação foi de que a pessoa que poderia falar sobre o caso não estava no local. Não houve retorno até o fim da tarde de hoje.