terça-feira, maio 22, 2007

TOQUEDEPRIMA...

O Bode do Lula

No meio de toda essa confusão na área ambiental do governo, o diretor-executivo do Greenpeace, o alemão Gerd Leipold, desembarca no dia 19 para um giro por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. A última visita de um chefão da mais conhecida ONG ambientalista do mundo foi em maio de 1999, quando FHC recebeu no Palácio do Planalto o também alemão Thilo Bode. Leipold terá um encontro com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e pediu audiências a Lula e a ministra Marina Silva. Até agora nenhum dos dois respondeu.

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Sem-teto rejeitam proposta de acomodação provisória
Sérgio Duran, Estadão online
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SÃO PAULO - Os militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) que ocupam com 3.000 famílias um terreno em Itapecerica da Serra, região metropolitana de São Paulo, rejeitaram nesta sexta-feira, 4, a proposta de acomodação provisória de 300 famílias em um terreno cedido pela prefeitura.

Representantes do governo, do Ministério das Cidades, da prefeitura e do MTST se reuniram pela manhã na sede da administração municipal de Itapecerica para discutir o futuro das famílias da ocupação João Cândido. A Justiça determinou a saída dos sem-teto até a próxima segunda-feira. As famílias, no entanto, irão resistir no local caso não seja encontrada alternativa.

Na reunião, a prefeitura ofereceu vários terrenos e um cronograma de construção de casas populares. Um dos terrenos oferecidos tem 20 mil metros quadrados e fica próximo da ocupação João Cândido.

Nesse lote, seriam construídas 300 casas. O mesmo número de famílias seria acomodado provisoriamente no terreno enquanto as obras fossem executadas. Outros terrenos e conjuntos habitacionais seriam construídos em diversas partes de Itapecerica.

O cronograma e as moradias foram aceitos pelo MTST. Porém a possibilidade de acomodar apenas 300 das 3.000 famílias da ocupação foi rejeitada. Segundo o líder do movimento Guilherme Castro, os sem-teto têm de "encontrar espaço para pelo menos 1.000 famílias que não têm para onde ir".

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Lula ignora Requião e nomeia Forte na Funasa

O presidente Lula ignorou as pressões do governador do Paraná, Roberto Requião, e nomeou Danilo Forte para a presidência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). O ato de nomeação, aguardado há semanas, saiu hoje. Ele foi indicado pelo deputado e ex-ministro Eunício Oliveira (CE) e referendado pelo líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). Requião tentou vetar Forte porque descobriu suas ligações familiares com dois inimigos no Paraná: Valéria, mulher do novo presidente da Funasa, é sobrinha dos senadores Álvaro e Osmar Dias (PDT-PR). A confirmação de Forte representa também uma derrota para os senadores Renan Calheiros (AL) e José Sarmey (AP), que apoiavam a indicação do deputado Jader Barbalho (PA): seu sobrinho, o ex-deputado José Priante.

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Alarme anti-boiolice
Alerta Total

Na insegurança das grandes capitais, pelo menos alguns dispositivos eletrônicos funcionam.
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Na madrugada de terça-feira, o alarme foi acionado na agência do Banco do Brasil na Avenida Tucuruvi, na Zona Norte de São Paulo, mas não era um assalto em andamento.
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No interior do banco, policiais da Rota descobriram dois homens fazendo sexo, o que acionou o sistema de segurança da agência.
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Como os dois mantinham relações sexuais sem que pudessem ser vistos por outras pessoas – o que configuraria atentado violento ao pudor -, o casal acabou liberado pela polícia.

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A palavra é ... Propina
Sérgio Rodrigues, NoMínimo

Propina, como se sabe, é gorjeta, gratificação extra por serviço prestado – legal ou ilegal, tanto faz. Se no Brasil a propina aparece quase sempre em contextos negativos, revestida de um ar escuso, o problema é nosso.
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A palavra tem quase a mesma idade da língua portuguesa. Saiu do latim tardio propina, “dar de beber”, que por sua vez veio do grego pelo seguinte caminho, segundo afirma Rafael Bluteau em seu clássico “Vocabulário português e latino”, o primeiro grande dicionário de nossa língua:
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Propinar – Os latinos tomaram esta palavra dos gregos, os quais nos seus banquetes costumavam encher um copo de vinho, e depois de dizer Tibi propino, ‘Bebo à tua saúde, ou faço-te um brinde’, bebiam um trago, e logo davam o copo a algum dos convidados.”
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Propina nasceu, assim, como o ato de dar de beber e comer a alguém que se desejava agradar – a “cervejinha do guarda”, quem diria, já fermentava naquele tempo. Do campo alimentar a propina se expandiu rapidamente, como registrava Bluteau nos primeiros anos dos 1700: “Hoje se dá propina em dinheiro, ou em tantas varas de pano, e outras coisas usuais”.
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Esse sentido de oferenda a palavra ainda conserva, embora não tivesse, na origem, as conotações suspeitas que se tornariam dominantes no Brasil. Em Portugal, o sentido básico de propina é hoje o de taxa – legal – paga ao Estado por certos serviços escolares. Vale observar, porém, que isso foi resultado de um estreitamento semântico. Embora sem a menor alusão a procedimentos escusos, Bluteau atestava o amplo alcance social da propina no início do século XVIII ao dizer que “em Portugal se dão propinas aos oficiais da Casa Real, aos tribunais, ao reitor, chanceler, lentes, licenciados, bedéis etc. da universidade”.

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Senador prega exploração da Amazônia

O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) criticou a tese de transformar a Amazônia num "santuário intocável" para impedir o aquecimento global. Ele defende a exploração do potencial energético e promover o desenvolvimento, na região.

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Era da soja sob ameaça no Mato Grosso

A contínua desvalorização do dólar diante do real ameaça o futuro de Mato Grosso, maior exportador de soja do Brasil, alertou à Reuters o gerente comercial da ADM do Brasil. O plantio será coisa do passado, diz Freire, que culpou também problemas logísticos. Analista da AgRural, Fernando Muraro prevê o preço despencando na bolsa de Chicago.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Tanto o ministro da Agricultura, Reinoldo Stephanes, quanto o da Fazenda, Guido Mantega, estão prometendo pacotes para socorrer os setores mais afetados pela valorização do real frente ao dólar. É de se conferir. E se conferir com lupa, uma vez que Lula governa o país há praticamente quatro anos e meio, e até o momento não apresentou um miserável pacotinho para agricultura. Até pelo contrário. Quanto à Fazenda, é preciso manter certa cautela já que o problema cambial existe há mais de um ano, e nada foi feito para amenizar a crise que o setor agropecuário viveu, principalmente, em 2006. Por outro lado, se a experiência fala mais alto, sempre que o governo Lula “socorreu” alguém, acabou empurrando a conta para outro lado. E o andar da carruagem não enganar, vai sobrar para os prestadores de serviços, com elevação de impostos. De qualquer forma, a moda dos pacotes ressuscitada por Lula, sempre foi danosa. Sempre ficou na promessa intensa, e na distância secular nos resultados.

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Me engana que eu gosto

José Paulo Kupfer, NoMínimo

As receitas de exportação, no primeiro quadrimestre de 2007, alcançaram US$ 46 bilhões. Mas, o valor das antecipações de contratos de câmbio, no mesmo período, chegou a US$ 63 bilhões. Houve, portanto, um ingresso excedente de US$ 17 bilhões – mais de 50% acima da diferença entre contratos de antecipação de câmbio e receitas de exportação registrada em todo o ano de 2006, como mostra o repórter Alberto Komatsu, no Estado de S. Paulo, de sábado, 19 de maio.

Além do saldo comercial e dos investimentos diretos, não é só a corrida dos exportadores para trazer o máximo de dólares, no menor espaço de tempo possível, que potencializa o ingresso de divisas e contribui para valorizar o real. Também as aplicações financeiras, na bolsa e mesmo em renda fixa, ajudam na derrubada do dólar. Pela primeira em dez anos, as aplicações em renda fixa estão positivas, em termos líquidos. Foram US$ 14,5 bilhões, de janeiro de 2006 a março de 2007, dos quais US$ 3,5 bilhões só em março, conforme reportagem de Fernando Dantos, também no Estado de S. Paulo, edição de sexta-feira, 18 de maio.

Mesmo diante de tamanhas evidências, há quem insista que essa inundação de dólares não tem a nada a ver com o nível dos juros domésticos. Se tivesse influencia, argumentam, o câmbio não estaria caindo ainda mais, pois no último ano, os juros já recuaram 7%. O fato de continuarem mais de o dobro acima dos vigentes lá fora, nessa hora, é esquecido. Contra argumentos não há fatos.
Mas isso não é tudo. Já que os juros não têm nada com a história, só há um jeito de impedir que a valorização do real avance ainda mais. É gastando dólares. Para gastar dólares, só aumentando as importações. E para aumentar as importações, só derrubando as tarifas. De preferência, numa paulada.

Trata-se mesmo de uma solução genial. Além de resolver o problema do câmbio, elimina-se, numa única cacetada, a indústria ineficiente, que viveu todo esse tempo protegida pelo “câmbio generoso”. Instala-se a competição e vamos que vamos.

Lembra a solução adotada pelo governo FHC, com a abertura do setor bancário aos bancos estrangeiros, iniciada, de forma espetacular, com a compra favorecida do Bamerindus pelo HSBC. Os estrangeiros viriam para instalar a competição no setor e reduzir as tarifas cobradas pelos bancos brasileiros. Nada a favor dos bancos brasileiros, mas, vista de hoje, a “solução competitiva” então adotada é de gargalhar.

No caso da indústria atual, a idéia de reduzir as proteções tarifárias de um modo radical e, principalmente, indiscriminado, no exato momento em que o setor se vê afetado por uma fortíssima apreciação do real, beira o crime. Revela não apenas irresponsabilidade social, mas, antes de tudo, absoluta ignorância do funcionamento da economia real.

De que indústria estão falando? Há diferenças relevantes entre uma siderúrgica que produz placas de aço e uma fabricante de automóveis ou outro bem durável de consumo. Ou entre uma mineradora e um fabricante de equipamentos eletrônicos ou mesmo automóveis. Ou ainda entre indústrias de alimentos, vestuário e calçados, e fabricantes de celulares e aviões.

Para entender essas diferenças e as diferentes políticas que, para o bem ou para mal, possam afetar a indústria, o economista David Kupfer, coordenador do Grupo de Indústria e Competitividade, do Instituto de Economia da UFRJ, em artigo no jornal Valor, dividiu as indústrias em três ramos: base, miolo e topo. “Base, miolo e topo formam mundos industriais completamente diferentes”, escreve David Kupfer.

A base, onde se encontram a metalurgia e a agroindústria, requer recursos naturais, capital farto e barato e excelência em engenharia. A turma do topo, formada pelos fabricantes de eletrônico e bens duráveis, necessita de recursos financeiros e humanos em Pesquisa & Desenvolvimento, um mínimo de infra-estrutura em Ciência e Tecnologia e mecanismos de suporte ao risco tecnológico. O resto, que compõe o chamado miolo da indústria, é intensivo em mão-de-obra e depende de acesso a capitais e serviços de suporte à produção.
É claro que cada segmento reagirá de um modo diferente a políticas genéricas.

As que visam, darwinianamente, forçar a competição com a exposição a concorrentes externos, via valorização da moeda e derrubada de tarifas, podem ter conseqüências desastrosas. A capacidade de concorrer em preço é decisiva para as indústrias da base, menos importante no miolo e menos ainda no topo. Já a concorrência em inovação ou marketing é mais importante no topo, menos no miolo e pouco importante na base. “É por essa razão”, explica David Kupfer, “que a indústria brasileira, pouco capacitada para a diferenciação e a inovação, apresenta um hiato de competitividade crescente, na medida em que se percorrem os segmentos desde a base até o topo.”

Observada desse ponto de vista, uma redução acentuada e generalizada do nível de proteção efetiva da indústria, afetaria mais diretamente o miolo e, num segundo plano, o topo. A base, com suas siderúrgicas, mineradoras e agroindústria, seria menos ou quase nada afetada. Não custa saber que, embora o miolo reúna 70% das indústrias e cerca de 60% do pessoal ocupado, sua participação nas receitas da indústria, que chegava a 40%, entre os anos 80 e 90 (a base também produzia 40% e o topo, 20%), está em queda desde o ano 2000.

Para não cansar ainda mais a beleza de ninguém, o resumo dessa história é que, aplicada a solução “competitiva” do choque generalizado de importações, o que se conseguirá é a reforçar a tendência de atrofia do miolo e do topo, em favor de uma especialização ainda maior na produção de commodities.

Uma das características do segmento de base, produtor de commodities, é a limitada capacidade de gerar e sustentar empregos e renda. Se é nisso que pretendemos nos especializar, tudo bem. Mas, depois, o presidente Lula não vai poder dizer que, com o câmbio valorizado, os trabalhadores saem ganhando. A tendência seria a de haver, relativamente, menos trabalhadores para sair ganhando.

Um pouco, só um pouco, de administração

por Ralph Hofmannm Blog Diego Casagrande

Nas diversas crises pelas quais o país está passando, o que salta aos olhos é que, independente da corrupção, estamos frente a complôs para impor à sociedade uma ideologia, que sob a desculpa de egalitarismo, nos leva para os dogmas do tempo em que o laboratório social e econômico, que foi o século vinte ainda não nos haviam comprovado claramente o caos gerado pelos dogmas soviéticos em que fatalmente surgiam castas destituídas de competência meramente estruturadas na manutenção do equilíbrio dentro de uma quadrilha de pessoas que cooptavam o domínio das riquezas sem contribuir para elas com fórmulas de crescimento econômico e aperfeiçoamento técnico.
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Nos regimes da antiga Cortina de Ferro, apenas em menor grau na Alemanha Oriental e Tchecoslováquia, países com culturas empresariais antes da segunda guerra mundial, víamos década após década planos plurianuais caírem por terra por não considerarem fatores reais na sua elaboração, por não criarem os cenários ótimo, bom e mau tão utilizados pela indústria privada ao elaborarem seus projetos.
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O medo de ser visto como o administrador que não cumpriu metas, congelava os administradores em posições assumidas sem a menor previsão de crises. Os únicos projetos que refletiam alguma realidade eram os de armas, navios e aviação, pois esses podiam sifonar da economia fosse qual valor fosse para não falharem.
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Dogmaticamente liquidaram o mar Aral. Havia conhecimentos técnicos disponíveis, entre os próprios cientistas russos, que alertavam contra os programas de irrigação para plantar algodão que acabaram por destruir essa massa de água. Os cientistas que sabiam das coisas não gozavam de prestígio no partido. Não foram ouvidos. Pobre Rio São Francisco. Os cientistas que o defendem, tampouco estão sendo bem vistos.
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E no entanto, esses incompetentes, seja ideológicos seja administrativos, durante oitenta e mais anos dominaram o imaginário das esquerdas pelo mundo afora. Fidel, seu atual gurú máximo, do portal da cova, ainda se dedica a pontificar sobre os defeitos de sociedades avançadas, não tendo em quarenta e oito anos sequer garantido o prato de feijão com arroz de cada dia ao seu povo, salvo donativos de algum mecenas, seja a Rússia seja Hugo Chavez. Já Hugo Chávez hoje desponta como mais perdulário do que qualquer Sheikh Saudita ante as roletas em Las Vegas ou Mônaco. Os sauditas e outros potentados do petróleo hoje administram a fortuna de seus países para uma vida econômica futura sem o petróleo. Chávez se encarrega de destruir o pouco que existe da economia independente a do petróleo em seu país, sua produção cai ano a ano, e ele não faz planos de contingência para um petróleo mais barato ante a adoção de alternativas bio-energéticas, areias petrolíferas, gaseificação de carvão, carvão líquido e geração de hidrogênio. O pedinte Fidel Castro emite comunicados do Portal de Hades alertando pateticamente contra a bioenergia. Pudera, se cair a renda venezuelana como receberá sua ajuda de custo de bilhões de dólares ao ano.
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Nota-se que Fidel, em quase vinte anos que cessaram seus subsídios russos de um milhão de dólares ao dia, timoneiro único de seu país, sem ter de pedir a aprovação de projetos a quem quer que seja, não conseguiu gerar soluções internas para seu país, nem elaborar nada a não ser uma alegada estabilidade em termos de comida educação e medicina para todos. A avaliação de sua indústria de médicos até hoje não trouxe à tona nada de um sistema excepcional. Apenas indicou alguns indivíduos e instituições melhores dentro do próprio contexto cubano, aquelas escolas destinadas a médicos de exportação. E o que tem isto a ver conosco? Bem, o Brasil tem administradores. Dos bons. Veja a expansão para fora de indústrias que não podem mais ficar contidas no limite do país. Vejam uma empresa brasileira enfrentar uma Mittal Steel para comprar a Corus. Veja o complexo Gerdau no exterior.
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E agora veja os que temos administrando o país. Não fazem planos. Se fazem não cumprem. Se orçam não pagam. Se pagam, pagam demais. Mas sempre fazem declarações taxativas que não se realizam.
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A culpa é nossa. Temos fé. O Grande Timoneiro diz que não haverá mais apagão e compramos passagens aéreas. Diz que consertou as estradas e nós viajamos de carro com apenas um estepe, diz que a transposição do São Francisco é necessária e nós desistimos de escrever aos nossos deputados e senadores para protestar contra mais um hobby caro e nefasto do presidente.
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Já houve governos maus antes. Este talvez saiba cortar uma fatia de pão. Ainda consegue passar manteiga no pão. Mas na hora de completar o sanduíche com presunto e queijo não vai conseguir. É o próprio menino enfiando o sorvete na testa. Mas fala bonito.

Adeus plantão

Carolina Benevides e Renato Grandelle

Há 29 anos no setor de gastroenterologia do Hospital-Geral de Bonsucesso, o médico Julio Noronha viu mais do que duas gerações de pacientes passando por suas mãos. Prestes a completar 30 anos de serviços prestados na mesma unidade, o que mais o impressiona hoje é a alta rotatividade dos colegas de profissão: não são necessários mais do que dois plantões para que um novato resolva migrar para a rede privada.

- Quando comecei, todos queriam trabalhar em hospitais públicos - lembra. - Agora, para não restringirem suas opções, preferem ficar como terceirizados na rede pública. Com mais empregos, o salário sobe, mas a formação fica comprometida. É uma opção ruim para médico e paciente.

Um funcionário concursado pode ter, no máximo, duas matrículas, o que lhe garantiria cerca de R$ 2.600 no fim do mês. Para aumentar a renda, tornou-se comum desistir do vínculo formal com o sistema público, que não tem plano de carreira nem investe em equipamentos.

Essa mudança no comportamento, que surgiu graças aos baixos salários e a falta de perspectiva, pode resultar em catástrofe. Segundo levantamento do Ministério da Saúde, 60% da força de trabalho da rede hospitalar federal no Rio vai se aposentar nos próximos 10 anos - a conta não inclui o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

As unidades federais do Estado padeceram por mais de uma década sem concursos públicos - mas, quando retomada, a seleção não empolgou os candidatos. Em 2005, foram abertas 3.470 vagas para quatro instituições. No Hospital-Geral de Bonsucesso, 64% dos convocados não assumiram seus cargos. Quinze meses depois do primeiro anúncio dos aprovados, ainda há 224 postos de trabalho abertos.

- Há possibilidade de fechamento de serviços - admite Valcler Fernandes, diretor do Departamento de Gestão Hospitalar (DGH) do Rio. - Não houve renovação dos profissionais de saúde, principalmente por uma questão que não podemos mais abafar: as baixas remunerações.

Valcler tem, em sua alçada, seis instituições: os hospitais da Lagoa, Jacarepaguá, Ipanema, Andaraí, dos Servidores e Geral de Bonsucesso.

Para cuidar dos 1.800 leitos - total disponível por estas unidades - o diretor tem apenas R$ 340 milhões. É menos do que gasta com pessoal: R$ 380 milhões - uma quantia que poderia ser muito maior, se houvesse alguma lógica na distribuição do funcionalismo.

O Hospital do Andaraí é um bom exemplo da bagunça. Em março, dos 654 profissionais de saúde que batiam ponto na unidade, apenas 302 tinham vínculo empregatício fixo com o Ministério da Saúde. Do restante, 221 têm contrato temporário, e 131 são da rede municipal - a quem o hospital pertencia há dois anos. Basta uma canetada do prefeito Cesar Maia para que o déficit aumente significativamente.

- Estes funcionários sequer sabem por quanto tempo continuarão na rede - explica a presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj), Márcia Rosa de Araújo. - E há, também, os que desistem antes da aposentadoria, porque trabalham, em troca de uma miséria, em hospitais até 70 quilômetros distantes de onde moram.

Nem sempre praticar medicina na rede federal foi atividade tão franciscana. Em 1984, o salário inicial da atividade era equivalente a US$ 3 mil. Hoje, não passa de US$ 650 - quase três vezes menor do que o reivindicado por entidades da categoria.
- Estamos caminhando para uma situação onde os pacientes serão empilhados na porta dos hospitais - alerta Márcia Rosa. - As condições atuais da rede só afastam o médico do serviço público.

- Os hospitais são uma violência profissional ao médico - acrescenta Jorge Darze, presidente do Sindicato dos Médicos do Rio (Sinmed). - É ele quem tem de responder pelo tratamento, e, se o paciente morrer, sentar no banco dos réus. A família não quer saber se o governo é responsável.

Relatório acusa "Estado ausente" nos rincões do país

Jornal do Brasil

O dia 18 de maio foi escolhido como a data oficial de combate ao abuso e exploração sexual da criança e do adolescente. Por uma triste coincidência, nessa mesma data, no ano passado, a Justiça libertou em Porto Ferreira, pequeno município paulista, vereadores e empresários presos por organizarem orgias com adolescentes num sítio da cidade.

- Naquele dia, acordei com essa notícia - lembra a senadora Patrícia Saboya (PSB-CE).

No dia 6 deste mês, o jornalista Luiz Carlos Barbon, 37 anos, que denunciou todo o esquema, foi assassinado num bar de Porto Ferreira. A polícia não sabe ainda se foi vingança. Independentemente do crime, o relatório, concluído antes do assassinato, revela que o Estado continua ausente nos rincões do Brasil. "Entendemos que o atendimento às vítimas de exploração sexual infantil continua a ser um grande desafio para os 5.562 municípios do país", diz o documento.

- Como cidadã, tenho muita vergonha de ter me esforçado tanto na investigação e ver que pouco se fez na Justiça - queixa-se a senadora.

Sem soluções a curto prazo, o Ministério da Justiça informou que prepara um Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, que será implantado no próximo semestre, mas não detalhou o projeto. O anúncio foi feito pelo ministro Tarso Genro na quinta-feira, para os parlamentares que entregaram o dossiê com o resultado dos processos de exploração sexual infantil denunciados na CPI.

Tarso entrou mudo e saiu calado do evento, reclama a senadora Patrícia Saboya. A deputada Maria do Rosário (PT-RS) diz, no entanto, estar confiante de que o programa não será um simples método paliativo para minorar o problema.

O Comitê de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, que reúne entidades em todos os Estados, sugere uma parceria com o governo para se aproximar das comunidades carentes.

- As pessoas preferem esquecer a violência do que revivê-la. Isso tira a capacidade de qualquer instituição poder mensurar o problema. Enquanto falar de violência sexual for uma vergonha, estaremos sempre distantes dos números - analisa a presidente do comitê, Neide Castanho. (L.M.)

Prostituição infantil longe do fim

Leandro Mazzini , Jornal do Brasil

Um caminhoneiro dirigia o Mercedes 1113 em marcha lenta pela BR-116, num trecho de Minas, no início de uma noite de 1997, quando se deparou com a imagem franzina de uma garota de uns 12 anos às margens da rodovia. Fez sinal perguntando quanto custava o programa. A menina abriu as mãos e mostrou os dez dedos. O motorista buzinou e foi embora. O episódio ilustra o quão grave é a situação da prostituição infantil no país. O problema chegou a tal ponto que foi preciso a intervenção do Congresso. Em 2003 e 2004, uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito investigou centenas de casos e constatou situações vergonhosas, com envolvimento até mesmo de políticos em exploração sexual infantil. Foram 543 notícias-crime e mais de 250 pedidos de indiciamento.

Passados três anos, o cenário é tão gritante que coloca toda a investigação no limbo. Poucos inquéritos criminais foram abertos, e só uma pessoa está detida. A Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes e ONGs reclamam da morosidade do Ministério da Justiça, que, por sua vez, anuncia programas sucessivos de combate ao crime, sem muitos resultados. Prova disso foi um levantamento feito pela Polícia Rodoviária Federal, divulgado na sexta-feira. Identificou 1.918 pontos vulneráveis à ocorrência de casos de violência sexual contra crianças ao longo dos mais de 60 mil quilômetros de rodovias federais - 55% a mais do que no ano passado. Minas Gerais lidera o ranking de Estados, sinal de que a cena do caminhoneiro com a menina pode ter sido uma em milhares.

- Temos uma Justiça burocratizada e isso atrapalha - critica a presidente do Comitê de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Neide Castanho.

Na quinta-feira, os ministros da Justiça, Tarso Genro, e do Turismo, Marta Suplicy, receberam das mãos de Neide um dossiê com o levantamento da atual situação dos casos denunciados na CPI encerrada em 2004.

- Como alguns casos eram de investigação de redes de prostituição, pedimos ajuda à Polícia Federal - comenta a senadora Patrícia Saboya (PSB-CE), à época presidente da comissão. - A polícia não está preparada para investigar. Há falta de estrutura e de vontade.

Para a senadora, que foi ao Ministério da Justiça cobrar mais ação da PF, pode haver conivência de autoridades - policiais e políticas - espalhadas pelo país.

- A maioria das meninas envolvidas é pobre e sai do país sem problema algum. É claro que existe uma conivência - denuncia a senadora.

No documento entregue a Tarso, a senadora e a deputada Maria do Rosário (PT-RS), relatora da CPI, cobram uma reforma legislativa para enquadrar melhor os crimes, além de mais articulação e integração política.

"A idéia de realizar um levantamento atualizado do andamento dos casos emblemáticos da CPI tem o intuito não somente de verificar a existência de condenações, mas especialmente avaliar a resposta do sistema de proteção nacional aos desrespeito dos direitos humanos", diz o documento. Esse sistema é falho, acusa a deputada Maria do Rosário. E a ausência de sinergia derruba todo o trabalho iniciado pela CPI.

Um exemplo dessa dificuldade junto ao poder público foi a elaboração do dossiê. O Comitê de Enfrentamento à Violência Sexual pediu informações aos Ministérios Públicos de 18 Estados sobre os pedidos de indiciamento. Dos 80 casos emblemáticos levantados pela CPI, 25 não tiveram inquéritos instaurados. De 55 casos, o comitê recebeu dados de 18 inquéritos e, destes, só 14 resultaram em processos judiciais.

- Nessa situação, a vítima passa a ser uma mera fonte no processo e não uma pessoa que precisa de proteção e atendimento social - lamenta Neide Castanho. - O estudo é inicial pelo seu caráter quantitativo baixo, mas pelo lado qualitativo tem todas as condições de continuar vigilante.

Reformas dos impostos já!

Antônio Ermírio de Moraes, Jornal do Brasil
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O assunto da semana foi o dólar abaixo dos R$ 2. O Banco Central não consegue evitar a derrocada da moeda americana. As forças são mundiais e o Brasil está despreparado.

O que está acontecendo na economia mundial é uma verdadeira revolução. A entrada de novos atores no comércio internacional - como é o caso da China, da Índia e do dos países do Leste Europeu - ocasionou uma transformação profunda das relações de troca.

O Brasil, como membro dos chamados BRICs, foi considerado como um dos beneficiários da boa conjuntura mundial, prevendo-se, assim, altas taxas de crescimento econômico. Nos últimos cinco anos, porém, enquanto Rússia, Índia e China cresceram mais de 6% ao ano (acima de 10% no caso chinês), nosso crescimento ficou na casa dos 3%, mesmo com a nova metodologia de cálculo do Produto Interno Bruto.

No meio da revolução ocorrida, teríamos de ter a feito a nossa para nos posicionarmos com vantagem nos novos padrões de competição. Infelizmente, nada foi feito para reduzir os impostos, acabar com o déficit público, em especial da Previdência Social, melhorar a infra-estrutura, ou modernizar as leis do trabalho. Numa palavra, enquanto o mundo se transformou, nós ficamos como estávamos.

As conseqüências do imobilismo começam a surgir com força. Vários setores da economia brasileira estão sofrendo com essa nova conjuntura, por não terem conseguido compensar ou superar os constrangimentos decorrentes da falta de reformas estruturais, como é o caso da indústria de calçados, têxtil, confecções, mobiliário e outras.

É verdade que outros se beneficiaram do forte aumento de demanda e dos preços favoráveis do mercado internacional. Mas, de certa maneira, os bons ventos para esses setores vieram do fato do mundo comprar o Brasil e não de o Brasil vender para o mundo. Seria muito melhor se as reformas estruturais tivessem sido feitas de modo a alavancar todos os setores produtivos em termos de competitividade.

Estamos no meio de um grande esforço para tirar o atraso. Esse é o propósito do PAC. Potencial de crescimento, temos em abundância. Mas a corrida terá de ser frenética para se construir tudo o que está planejado e, no fundo, continuamos a depender das benditas reformas dos impostos, da Previdência e do trabalho.

As medidas tópicas não são suficientes. A taxa de juros precisa baixar, mas será que isso deterá a queda do dólar? Sejamos realistas: temos de sair dessa armadilha, modernizando a estrutura tributária, o sistema previdenciário e as leis trabalhistas.

TRAPOS & FARRAPOS...

Jogando fora oportunidades.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Afinados contra a CPI
Depois estes caras não querem perder eleição. Vejam a “beleza” do que disse Agripino Maia (DEM-RN) sobre a possibilidade de se abrir uma CPI no Congresso para investigar-se o novo escândalo na praça, A Operação Navalha da Polícia Federal:

- As especulações não podem se sobrepor aos fatos -, afirmou, repetindo a frase do colega, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que teria ajudado a liberar emendas para a Gautama, empresa que montou o esquema de desvio de recursos públicos e pagamento de propinas.

Agripino diz que essa crise tem que ser resolvida pelo Executivo, não pelo Congresso Nacional:

- Esse (Ministério de Minas e Enegia) é um órgão do Poder Executivo. Se há alguma irregularidade é o governo que tem que investigar. Quem faz licitações e paga não é o Congresso Nacional, é o Poder Executivo -, afirmou.

O mesmo argumento não valeu, porém, para a CPI que investigou os Correios, o desvio de recursos do orçamento para a compra de ambulâncias – Sanguessugas - e para a atual CPI do Apagão Aéreo, que vai investigar a Infraero – que é do Executivo. O que será que Agripino teme ? Ou treme ? Aí tem, e fede...

Censura Prévia e o silêncio de quem deveria protestar
Conforme vocês leram no artigo do Mainardi, da Veja (postado hoje, mais abaixo), o governo Lula na sua tentativa de cerceamento à livre manifestação, e atendendo aos apelos de ideologia de que cabe ao Estado dizer o que o cidadão deve fazer ou não, ou o que pode assistir ou ler, ou não, criou no íntimo do Ministério que um dia foi de Justiça, o tal do DEJUS – Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação. É muito nome para pouca coisa: bastaria ter dito que se trata de um Departamento de Censura. E pronto. Ficaria mais simples. Porque ao denominar assim sua nova tentativa de impor a censura no país, criar o nome de DEJUS, com todo aquele significado, além da cretinice de restabelecer e reintroduzir a prática da censura no país, o governo Lula apostou na nossa idiotia dando este apelido imenso para uma ordinária, vil e tirânica medida. O nome não esconde a canalhice que a função carregará, se for de fato imposto ao país. Mais adiante, vamos reproduzir o que significa esta política em outro país, como a Venezuela, onde a voz da oposição está sendo calada seguindo-se o mesmo roteiro que Lula tenta copiar aqui.

O doloroso é não vermos OAB, oposições partidárias e nenhuma das chamadas entidades sociais se levantarem contra este arbítrio. Isto me faz lembrar aqui uma famosa frase de Martin Luther King que dizia: “Nossa geração não lamenta tanto os crimes dos perversos, quanto o estarrecedor silêncio dos bondosos”.

A prostituição infantil
Eis mais um dos tantos flagelos que se cometem neste país, e sem que se assista uma única e miserável ação patrocinada pelo governo Lula para por um basta neste câncer.

Há poucos dias atrás, reproduzimos aqui o aumento que vem ocorrendo na prática do trabalho infantil. Aliás é bom lembrar: este caso do trabalho infantil é uma total reversão ao quadro que o país viveu durante dez anos em que os índices foram caindo acentuadamente, principalmente no governo FHC. A reversão negativa vem se dando desde 2004, portanto dentro do mandato de Lula, o que o impede de transferir, como é seu hábito, a responsabilidade para os outros.

Diante dos números assustadores em relação à prostituição infantil, alguém aí viu ou ouviu alguma das tantas autoridades, defensores de direitos humanos, ONGs, especialistas em direitos das crianças, se pronunciarem, irem para os jornais e televisões exigindo e cobrando providências do governo federal ? Não, né ? Se a sua grande maioria acostumou-se a defender os criminosos e condenar as vítimas, vão falar agora o quê? Pois como se poderá conceder credibilidade a este desgoverno, no campo de políticas sociais, a partir do momento em que ele praticamente está condenando a infância brasileira à miséria ? Querem ver? Três pontos para vocês pensarem: ponto A, aumento do trabalho infantil, ponto B, aumento indiscriminado da prostituição infantil, e ponto C, a defesa quase intransigente do aborto. E, na esteira disto tudo, uma educação de péssima qualidade, ministrada em escolas caindo aos pedaços. E tudo ocorrendo dentro de seu governo. Ora, quem não fez o que deveria em quatro anos e meio, acreditem, não conseguirá fazê-lo em mais dois ou três, pela singela razão de que é incompetente para fazer qualquer coisa decente em benefício do país.

A questão cambial e a hipocrisia do discurso do governo
Durante todo o ano de 2006 ficamos quase que pregando isolados no deserto de que o governo estava patrocinando um imenso desequilíbrio na relação dólar/real. O governo justificava-se com a balela das exportações. E nós dizíamos que as exportações não eram o problema. A combinação perversa de juros altos e desoneração de ingresso de dólares para financiamento da dívida pública estava destruindo empregos, impedindo que se exportasse manufaturados tradicionais da nossa pauta, e que isto acabaria se virando contra o próprio país.

Finalmente, de uns dois meses para cá, alguns economistas começaram a se dar conta do perigo que representava para o país a super-valorização do real. Tanto o governo, quanto alguns “especialistas” olham o câmbio atual pelo lado da inflação. Voltem no tempo, anterior a desoneração de que falei, fevereiro de 2006. Observem as inflações de 2004, 2005 e 2006. Alguém pode dizer quando que a inflação, neste período, esteve prestes a sofrer um abalo para um crescimento descontrolado ? Simplesmente, a inflação sempre esteve sob o controle do governo federal, ou mais precisamente, do Banco Central. A grande arma para isto tem sido justamente a política de juros, e nunca a política cambial. Portanto, a inflação está onde sempre esteve, controlada e quieta em seu canto, porque com os juros praticados internamente, ela não consegue nem se mexer e sair do lugar.

Depois, o governo papagaiou que o câmbio atual favorecia as importações, que de fato, pelo volume de nossa balança comercial, poderia sim ser maior. E de que estas importações poderiam dar-se no campo de tecnologia, máquinas e equipamentos, para que se aplicasse no país um choque de melhoria de nossa produtividade.

O discurso seria excelente não fosse um pequeno detalhe: cadê o incentivo para isto acontecer ? Qual medida no campo de redução de alíquotas de importação, que tenha sido adotada pelo atual governo ? Ora, fica fácil para o governo Lula e sua equipe econômica cobrarem ações dos empresários. Mas acaso o governo ajuda com alguma coisa ? Cadê as reformas necessárias para o país destravar seu crescimento de uma vez por todas ? Cadê as reformas há tempo cobradas no campo trabalhista, previdenciária, e a mãe de todas, no campo tributário, que o senhor Luiz Inácio vem empurrando com a barriga desde janeiro 2003 covardemente por temer algum risco político para si mesmo e sua grotesca popularidade ? O país não pode ficar refém do egoísmo de um presidente que teme perder alguns pontinhos no IBOPE, se fizer ou tomar providências naquilo que serve ao interesse de todo o país! É fácil o senhor Luiz Inácio cobrar dos empresários aquilo que o seu governo está deixando de fazer. Como sempre, ele adora transferir suas responsabilidades para outros.. Não se jogam fora, impunemente, as oportunidades de crescimento vertiginoso que poderíamos viver. Se Lula tem sorte de governar o país no melhor momento da economia mundial dos últimos 30/40 anos, o Brasil não poderia ter tido maior azar do que ser governado por alguém tão despreparado quanto ele para viver este momento.

O pobre e o negro

Por André Petry, Revista VEJA

O sociólogo Carlos Antonio Costa Ribeiro, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), acaba de embarcar para os Estados Unidos, a convite da Universidade Princeton. Vai apresentar aos americanos seu trabalho intitulado "Classe, raça e mobilidade social no Brasil". É uma pena que a Secretaria de Igualdade Racial, da ministra Matilde Ribeiro, não tenha tomado a mesma iniciativa de Princeton. O trabalho do sociólogo é um poderoso facho de luz na discussão racial no Brasil. Com base em dados colhidos pelo IBGE em 1996, e aplicando fórmulas estatísticas ilegíveis para um leigo mas que não comprometem a compreensão do texto, Costa Ribeiro chega a conclusões que todo estudioso do assunto deveria conhecer.

• Entre os mais pobres, a chance de subir na vida é determinada por sua origem de classe, e não pela cor da pele. Ou seja: os pobres enfrentam dificuldades para chegar lá porque são pobres, e não porque são negros. Exemplo: o filho de um modesto trabalhador urbano tem 1,3 vez mais chance de melhorar de vida do que o filho de um trabalhador rural – e não importa a cor da pele de cada um.

• Entre os mais abastados, as coisas mudam. A chance de se manter no topo da pirâmide é maior entre os brancos do que entre os negros ou pardos. Exemplo: os filhos brancos de profissionais mais graduados têm duas vezes mais chance de ficar no topo do que de cair; já os filhos negros e pardos desses profissionais têm 1,2 vez mais chance de se manter lá em cima.

Ao analisar as oportunidades educacionais de brancos, negros e pardos, o sociólogo encontrou um cenário semelhante. Nos níveis escolares mais baixos, como o ensino básico e o ensino médio, o peso da origem de classe é maior que o peso da cor da pele. Mas, nos níveis escolares mais altos, como concluir o primeiro ano de universidade ou diplomar-se, o peso da cor da pele aumenta. Exemplo: para completar o ensino médio, a pobreza é um obstáculo seis vezes maior que a cor da pele, mas, para cursar o primeiro ano de universidade, a pobreza é um obstáculo 2,5 vezes maior que a cor da pele.

O que tudo isso significa? Que há mais desigualdade racial na cúpula da sociedade brasileira do que na base. Costa Ribeiro escreve: "Esta conclusão nos leva a sugerir que a discriminação racial ocorre principalmente quando posições sociais valorizadas estão em jogo". O trabalho do sociólogo prova estatisticamente que existe discriminação racial no Brasil, o que não é novidade. Também prova que, mesmo na universidade, mesmo nos bons empregos, mesmo nos ambientes onde a discriminação racial cresce, a origem de classe sempre pesa mais que a cor da pele. Sempre.

Portanto, as políticas raciais do governo beneficiam uma elite negra, que chegou lá e precisa de ajuda para lá ficar, e não a imensa maioria negra, que é pobre e não consegue sair do lugar. Isso sugere que o governo seria mais justo e eficaz com negros e pardos se combatesse a pobreza. O movimento negro, em vez de ameaçar professores, deveria pensar.

TOQUEDEPRIMA...

Rússia suspende importação de carne de 11 frigoríficos brasileiros
Invertia

O governo russo suspendeu as importações de carne bovina de 11 frigoríficos brasileiros. O país é o maior comprador do produto brasileiro e o governo diz não saber os motivos da decisão. A restrição já vigorava para quatro frigoríficos de aves e um bovino.

A informação é da rádio Jovem Pan. Com a nova lista, sobe para 15 o número de estabelecimentos brasileiros vetados pela Rússa.

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Indústria tem boa expectativa para geração de empregos, diz CNI

De acordo com um boletim divulgado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), a indústria tem uma perspectiva de aumento na geração de empregados e de intensificação do setor produtivo. O otimismo se deve à expansão do mercado interno.

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Não havia expectativa de aumento de empregados por parte dos empresários desde o início de 2005. O índice deste otimismo é de 52,4 pontos, contra 50 do trimestre anterior e 49,9 pontos neste mesmo mês em 2006. Em relação às empresas pequenas, o indicador ficou em 51,9 pontos, 53 para as médias e 52,3 pontos para as grandes. Quanto à demanda, a expectativa atingiu 60,6 pontos, sem dados de comparação porque é a primeira vez que a CNI analisa.

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Oposição indica nomes para CPI do Apagão

A oposição indicou nesta quarta-feira o nome dos deputados que irão lhe representar na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Apagão Aéreo. Das cadeiras da comissão, 16 pertencem a partidos da base governista, assim como a presidência e a relatoria.

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O PSDB definiu os deputados Gustavo Fruet (PR), Vanderlei Macris (SP) e Zenaldo Coutinho (PA) como titulares, e Carlos Sampaio (SP), Otávio Leite (SP) e Rodrigo de Castro (MG) como suplentes. Solange Amaral (RJ), Vic Pires Franco (PA) e Vitor Penido (MG) serão os representantes do Democratas, com Davi Alcolumbre (AP), Efraim Filho (PB) e Silvinho Peccioli (SP) definidos para substituí-los. Já a única vaga do PPS será ocupada por Geraldo Thadeu (MG), com Arnaldo Jardim (SP) indicado para suplência.

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De acordo com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), a CPI deve ser instalada nesta quinta-feira.

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Em causa própria
Lauro Jardim, Radar, Veja online

O senador Romero Jucá pediu ao ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, seu companheiro de partido, um lugarzinho no ministério para acomodar um aliado. Mais especificamente uma aliada - Teresa Jucá, aliás, sua mulher. Geddel disse "não". Uma típica indicação republicana estilo PMDB.

COMENTANDO A NOTICIA: E ainda tem gente que diz que o crime não compensa ! Não no caso do Jucá. Este salafrário já era para ter sido expulso da vida pública, e devia estar atrás das grades. Mas, não, ei-lo bancando pose e rindo da cara dos otários, que acreditam que no Brasil haja espaço para honestidade.

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11% dos brasileiros têm mais de uma crença
Veja online

Uma pesquisa realizada em conjunto pelas universidades federais de São Paulo (Unifesp) e de Juiz de Fora (UFJF) divulgada nesta sexta-feira revela que cerca de 11% dos brasileiros têm mais de uma crença religiosa. Segundo o estudo, feito entre novembro de 2005 e abril de 2006, 83% da população consideram a religião algo "muito importante", e apenas 6% são indiferentes a qualquer tipo de credo. A pesquisa ouviu 3.007 pessoas em todo o país.

Para o diretor da Faculdade de Filosofia e Ciência da Religião da Universidade Metodista, Antonio Carlos de Melo Magalhães, citado em reportagem do portal Estadão, o sincretismo e a multiplicidade de religiões brasileiras são um fenômeno específico do país. Para ele, "foram construídas religiosidades muito próprias", o que justifica em parte a duplicidade observada na pesquisa. Ele acredita que esse percentual seja ainda maior. "Somos promíscuos na religião", disse.

Outro dado relevante levantado pelas universidades diz respeito à participação do brasileiro em cultos ou missas. Segundo o estudo, 55% dos entrevistados afirmaram freqüentar algum tipo de serviço religioso pelo menos uma vez por mês.

A pesquisa confirmou ainda dados revelados em outros levantamentos, de que o catolicismo perdeu fiéis no Brasil para igrejas evangélicas nos últimos anos. Entre os entrevistados, 68% se declararam católicos, percentual que em 1991 era de 83,8% e em 2000, de 73,8%, segundo o IBGE. Os evangélicos eram 9% da população em 1991, passaram para 15,4% em 2000 e na pesquisa da Unifesp/UFJF são 24%, incluindo 2% que se declararam protestantes. Dois por cento dos consultados afirmaram ser espíritas, enquanto 1% disseram seguir a umbanda, o candomblé e outras.

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Camelos participam de concurso de beleza na Arábia Saudita
Reuters

Religião islâmica não permite concurso de mulheres.


Na última semana de abril, a tribo Qahtani, no oeste da Arábia Saudita, organizou um concurso para eleger os mais belos camelos e "camelas" da região, a 120 quilômetros da capital, Riad.

Os competidores tinham belos olhos, pernas longas e muitas curvas, mas as semelhanças com as misses humanas paravam por aí. Em vez de julgar busto, cintura e quadril, os juízes tinham que observar a forma do focinho, o tamanho do pescoço, a firmeza das orelhas, o brilho do pêlo e a inclinação das corcovas.

Os camelos concorriam em quatro categorias diferentes, conforme a raça. As fêmeas vestiam um cinto de castidade para evitar saliências dos machos mais desinibidos. Os organizadores investiram US$ 2,7 milhões (R$ 5,5 milhões). Os donos dos melhores animais concorriam a 72 automóveis.

"Os beduínos árabes estão historicamente ligados aos camelos, e querem manter essa tradição. A importância da competição é ajudar a preservar a pureza das raças", disse Sheikh Omair, um dos líderes da tribo. "Temos mais de 250 proprietários participando com mais de 1.500 camelos", completou, debaixo de uma gigantesca tenda onde seria realizada a premiação final.

No decorrer dos séculos, o camelo serviu de alimento, transporte e máquina de guerra para os povos árabes. Foi fundamental para as conquistas no Oriente Médio e norte da África 1.400 anos atrás. Outro motivo para a troca das mulheres pelos camelos na passarela é o fato de a religião oficial do país, o islamismo, proibir a participação de moças em concursos de beleza.