sexta-feira, dezembro 06, 2013

Sorteio grupos e ordem dos jogos para a Copa-2014

Comentando a Notícia

Abaixo, confira os grupos, datas, horários e locais da primeira rodada da Copa do Mundo 2014, conforme sorteio feito hoje à tarde, na Costa do Sauípe, na Bahia. 

GRUPO A

12.6/17 hs

São Paulo

Brasil

x

Croácia

13.6/13 hs

Natal

México

x

Camarões

GRUPO B

13.6/16 hs

Salvador

Espanha

x

Holanda

13.6/18 hs

Cuiabá

Chile

x

Austrália

GRUPO C

14.6/13 hs

Belo Horizonte

Colômbia

x

Grécia

14.6/19 hs

Recife

Costa Marfim

x

Japão

GRUPO D

14.6/16 hs

Fortaleza

Uruguai

x

Costa Rica

14.6/21 hs

Manaus

Inglaterra

x

Itália

GRUPO E

15.6/13 hs

Brasília

Suíça

x

Equador

15.6/16 hs

Porto Alegre

França

x

Honduras

GRUPO F

15.6/19 hs

Rio de Janeiro

Argentina

x

Bósnia

16.6/16 hs

Curitiba

Irã

x

Nigéria

GRUPO G

16.6/13 hs

Salvador

Alemanha

x

Portugal

16.6/19 hs

Natal

Gana

x

USA

GRUPO H

17.6/13 hs

Belo Horizonte

Bélgica

x

Argélia

17.6/18 hs

Cuiabá

Rússia

x

Coréia do Sul

A economista-presidente

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

Não deu certo. As contas públicas pioraram, a dívida bruta subiu, e o crescimento de novo não veio

Talvez fosse o caso de incluir na Constituição brasileira uma cláusula de barreira especifica: economista não pode ser presidente da República.

E acho que os economistas brasileiros, na maioria, concordarão ao menos provisoriamente com essa discriminação. Ocorre que não raro os governos precisam mudar a política econômica. É relativamente fácil: coloca-se a culpa no ministro da Fazenda, demite-se o titular e se convoca outro quadro, alinhado com uma diferente doutrina.

Guido Mantega, por exemplo, desde a primeira reunião ministerial do governo Dilma, em janeiro de 2011, vem prometendo crescimento do PIB superior a 5% ao ano, com inflação na meta de 4,5%. Dizia que a nova política garantiria esses extraordinários resultados. Bom, estamos fechando o terceiro ano do governo — e o melhor que ele poderá entregar será crescimento na média de 2%, com inflação de 6%.

Hora de mudar, não é mesmo?

Aí está o problema da presidente Dilma. Economista, ela tem ideias firmes, tem lado (o do nacional-desenvolvimentismo) e aplica sua doutrina.

Observem as declarações da presidente, em entrevista ao jornal “Valor Econômico”, em março de 2011:

“Tenho certeza que o Brasil vai crescer entre 4,5% e 5% este ano.... A meta (de inflação) é de 4,5% e nós vamos perseguir 4,5%. Tem banda para cima, banda para baixo, mas nós sempre tentamos, apesar da banda, forçar a inflação para a meta até tê-la no centro.”

Quando colocada diante da tese, ortodoxa, digamos, segundo a qual não seria possível, ao mesmo tempo, crescer 5% e trazer a inflação para a meta, a presidente retrucou:

“Tem um artigo interessante escrito pelo Delfim, a respeito de que não existe uma lei divina que diz que a taxa de crescimento será de 3% e que a inflação será de 6%. Eu acho que isso é adivinhação... Vamos mostrar que não, isso não está dado e... e que depende da gente.”

De fato, a adivinhação não estava certa. A inflação de 2011 não foi levada para a meta de 4,5%. Deu 6,5%, no limite máximo da banda. E o crescimento não foi de 3%, mas de 2,7%...

Não era mesmo possível forçar a queda dos juros, para estimular o crescimento, e derrubar a inflação. Mas o governo conseguiu fazer pior: derrubou o crescimento e elevou a inflação.

Tem mais: nos foros internacionais, a presidente deu lições de recuperação econômica, criticando todos os governos que optavam pelo ajuste das contas públicas. Em especial, deu uma bronca em Angela Merkel, que impunha a ortodoxia em toda a Europa. Justificava assim sua política de forte expansão do gasto público para turbinar o crédito e o crescimento.

Também não deu certo. As contas públicas pioraram, a dívida bruta subiu, e o crescimento de novo não veio.

Dizem os economistas que é preciso insistir em qualquer política econômica, dar tempo para que faça efeito. É o que Dilma fez. Mas, agora, com o país entrando no quarto ano de crescimento baixo e inflação alta, com deterioração das contas públicas e externas, a mudança se impõe.

A presidente até está tentando fazer isso. Por exemplo, os juros voltaram a subir, devem passar dos atuais 10%. E ela tem prometido aperto nas contas públicas.

Mas há dois problemas aí. Um, que o pessoal não acredita que a mudança é para valer. Faz sentido: uma política mais ortodoxa vai contra a vontade, as ideias e a determinação da presidente, que explicitou tudo de maneira muito clara. Segundo, como essa mudança de rumo é mesmo de má vontade, acaba sendo feita pela metade e mal executada.

Um corte de gastos aqui, um aumento ali. O Banco Central sobe os juros, mas o governo manda o BNDES, a Caixa e o Banco do Brasil emprestarem mais dinheiro a juros baratos.

Eis o problema da economista-presidente. Se a política fosse apenas do ministro Mantega, era só demiti-lo e colocar no seu lugar alguém tipo Palocci (o Palocci ministro da Fazenda do primeiro mandato de Lula) ou tipo Henrique Meirelles.

Mas se a presidente Dilma fizer isso, a dúvida vai aparecer imediatamente: será que ela mudou mesmo de opinião e admite isso? Rasgou os livros?

E falta de confiança, todos sabemos, é o veneno que mata qualquer política econômica.

Previsões?
A presidente deu uma informação errada quando, na semana passada, disse que o PIB de 2012 seria corrigido de crescimento de 0,9% para 1,5%. Na terça, o IBGE de fato corrigiu, mas para 1%, quase nada.
Comenta o jornalista João Borges, da Globonews: “O governo, que já errava as previsões sobre o futuro, agora também erra as previsões sobre o passado.

Mantega e o pibinho promissor

O Estado de S.Paulo

Em mais uma lição de otimismo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, descobriu um lado bom no pibinho do terceiro trimestre, quando o valor da produção foi 0,5% menor que nos três meses anteriores. Para o senso comum, esse resultado foi um tropeço e vale como advertência. Pode ser um indício de mais estagnação à frente. Para o ministro o cenário é outro. Sua tese singela é a seguinte: assim como o bom desempenho no segundo trimestre prejudicou o do terceiro, o do terceiro, considerado fraco pelo juízo vulgar, tornará mais fácil um bom resultado nos três meses finais do ano. Duas outras afirmações completam o discurso otimista: a crise global está sendo vencida e o Brasil, como tantas outras economias, está em recuperação gradual.

Mostrar-se animado e confiante pode ser um dever de ofício, mas também é recomendável um pouco mais de respeito ao senso comum e aos fatos mais evidentes. Pelos padrões geralmente aceitos, o resultado do terceiro trimestre foi claramente pífio e nada surpreendente. Do lado da oferta, o pior desempenho, em termos estatísticos, foi o da agropecuária, com recuo de 3,5%, mas esse número de nenhum modo indica uma tendência econômica.

A agropecuária foi o setor mais dinâmico ao longo do ano, com produção 8,1% maior que a de igual período de 2012, e no acumulado de 12 meses, com crescimento de 5,1%. A estagnação industrial - no trimestre, no ano e em 12 meses - é o dado realmente significativo. A indústria cresceu apenas 0,1% do segundo para o terceiro trimestre, 1,2% de janeiro a setembro e 0,98% em quatro trimestres. Nesse período, a indústria de transformação avançou apenas 1,4%, sem compensar o desempenho miserável de 2012.

A indústria, principalmente no segmento de transformação, reflete mais dramaticamente que outras atividades os problemas gerais de eficiência e de competitividade da economia brasileira. A estagnação do setor é irmã gêmea da piora do comércio exterior brasileiro. De janeiro a novembro o País acumulou um déficit de US$ 89 milhões na conta de mercadorias - na prática, um aparente equilíbrio. Mas o resultado seria muito pior sem os US$ 6,58 bilhões proporcionados pela exportação fictícia, para efeito fiscal, de plataformas de petróleo.

A ineficiência geral da economia, ainda superada com algum sucesso pela agropecuária, está obviamente associada ao baixo nível de investimentos. Segundo o ministro da Fazenda, o governo hoje aposta principalmente na acumulação de capital fixo - máquinas, equipamentos, instalações empresariais, construção civil e infraestrutura - para impulsionar o crescimento econômico. Esse investimento, segundo ele, está aumentando e é o principal fator de dinamismo econômico. Mas é preciso examinar com alguma reserva também essa conversa.

O total investido diminuiu 2,2% do segundo para o terceiro trimestre. Esse número deve ser explicável pela desconfiança dos empresários e pela inépcia do governo como investidor. Mas sobram alguns números aparentemente animadores e é preciso examiná-los.

No terceiro trimestre, a formação bruta de capital fixo foi 7,3% maior que a de julho a setembro de 2012. Em nove meses, a diferença positiva ficou em 6,5%. Em quatro trimestres, chegou a 3,7%. Mas os números ficam bem menos bonitos, quando se leva em conta a queda do investimento em 2012. Examinados com mais atenção, os dados indicam, no ano, uma expansão de apenas 2,35% em relação aos primeiros nove meses de 2011. Em quatro trimestres, o total investido foi 1,21% maior que o de dois anos antes.

O próprio ministro Guido Mantega desestimula qualquer otimismo, ao mencionar um prazo de dez anos para o investimento chegar a 24% do PIB, proporção alcançada há tempos em outros países em desenvolvimento e superada em vários. No terceiro trimestre, a relação ficou em 19,1%. O ministro, no entanto, insiste em apostar em melhores tempos. Mas o que virá depois da tempestade: a bonança, como promete o velho provérbio, ou a ambulância, como dizia Vicente Matheus? Mas até para a ambulância é necessário planejar e poupar - atividades fora de moda em Brasília.

A conta do desleixo

Alexandre Schwartsman
Folha de S. Paulo

Estabilidade não garante crescimento, mas sua ausência é certeza de desempenho pífio

Embora tenha finalmente reajustado os preços dos combustíveis, o governo ainda resiste a adotar uma regra que relacione preços domésticos aos externos, usando, para isso, dois argumentos, como de hábito, equivocados.

Afirma, primeiro, que não poderia “indexar” a gasolina num momento em que supostamente luta contra a indexação. Adicionalmente argumenta que trabalhadores ganham em reais, não em dólares, não sendo, portanto, justo que tenham que arcar com o preço internacional do combustível.

O primeiro argumento é risível. A começar porque ligar o preço doméstico da gasolina à sua contrapartida internacional não guarda nenhuma relação com indexação. Esta consiste em reajustar automaticamente preços (ou salários) de acordo com a inflação passada, como ocorre com os aluguéis ou as mensalidades escolares.

No caso da gasolina, seu preço lá fora pode aumentar ou diminuir, assim como o preço do dólar (a taxa de câmbio) pode subir ou descer. Nada sugere que preços internacionais de gasolina se guiem pela inflação (americana?) passada, nem que a taxa de câmbio passe por qualquer processo semelhante.

Diga-se, aliás, que –se isso fosse mesmo um problema de indexação– o governo teria também problemas com os preços da carne, da soja, do aço, das TVs, dos automóveis ou de qualquer outra mercadoria que fosse comercializada no mercado externo, pois seu preço doméstico, ao menos numa primeira aproximação, não pode se distanciar muito do preço internacional (mais eventuais custos de transporte e impostos), devidamente convertido em moeda nacional.

Na verdade, os preços desses bens (denominados “comercializáveis”, pois podem ser internacionalmente transacionados) não são indexados e até há pouco cresciam menos do que o IPCA, na práti- ca contribuindo para reduzir a inflação.

 (A propósito, se o governo quisesse mesmo combater a indexação, deveria trazer a inflação mais rapidamente em direção à meta. É a própria lentidão –quando não recusa– do BC em desempenhar seu papel que induz empresas e trabalhadores a reajustar preços e salários de acordo com a inflação passada.)

Já o segundo argumento consegue a proeza de ser ainda pior. A própria existência de bens comercializáveis mostra ser possível (na verdade comum) que preços de coisas tão essenciais como alimentos estejam, de alguma forma, ligados aos praticados no mercado internacional, muito embora consumidores, como regra, tenham sua renda denominada em reais.

Mais importante que isso, porém, é que a quebra da ligação entre os preços externos e internos causa problemas sérios do ponto de vis- ta de eficiência, pois introduz ruídos no sistema de comunicação da economia.

Na prática, o aumento do preço de um bem qualquer envia dois sinais: consumam menos e produzam mais. São esses sinais que garantem que a economia produza aquilo que se queira consumir. Quando esse sinal não funciona, no caso por interferência do governo, o consumo não cai e a produção não aumenta, perenizando o desequilíbrio.

No caso específico dos combustíveis, isso implica também importações maiores, agravando o deficit externo, assim como impactos negativos no caixa da Petrobras, já que a empresa é forçada a vender produtos a preços inferiores aos que pagou por eles.

Pensando bem, é difícil imaginar uma política de preços mais errada do que a atualmente em vigor, e isso num momento em que não faltam políticas equivocadas.

E a verdadeira justificativa não é nenhuma das apresentadas acima, mas sim a perda de controle do processo inflacionário, que leva o governo a agir diretamente sobre preços para não perder a meta de inflação. O que começou como desleixo com relação à estabilidade agora cobra seu preço na forma de políticas que ampliam os desequilíbrios.

Estabilidade não garante crescimento, mas sua ausência é certe- za de desempenho pífio e nossa experiência recente comprova exatamente isso.

Quando a fábrica de consumo para

Vinicius Torres Freire
Folha de São Paulo

A indústria brasileira cresceu em outubro pelo terceiro mês consecutivo. Parece bom. Somadas as melhorias do trimestre, a produção industrial não compensa o tombo de julho, quando encolheu 2,5%.

Enfim, a indústria nem ao menos despiorou.

Em 12 meses, a indústria cresceu 0,95%. Parece pouco, mas com boa vontade poderia se dizer que ao menos a produção não encolheu.

Mas a produção da indústria é ainda inferior à do início do governo Dilma Rousseff. Para não implicar com a presidente, note-se que a indústria está mais ou menos estagnada desde meados de 2008. Desde então flutua em torno do nível de produção de hoje, desconsiderado o tombo maior provocado pela crise pela recessão de 2009 no Brasil.

Parece, como argumenta o governo, que a letargia quase catatonia industrial tem algo a ver com a crise de 2008. Deve ter mesmo.

O "consumo" mundial caiu: as economias importantes, afora a China, passaram a crescer nada ou muito pouco. Houve sobra de produto industrial barato, uma espécie de xepa universal.

Portanto, o mercado mundial estava em baixa e a concorrência aumentou.

Para piorar, os produtos brasileiros ficaram mais caros, ao menos entre 2008 e meados de 2011. Ficamos careiros tanto porque o real ficou forte (o "dólar ficou barato") como porque os preços têm subido aqui bem mais que nos países com os quais temos comércio, exceto a Argentina. Enfim, nossa inflação é mais alta.

Os economistas podem escrever livros para explicar por que a nossa inflação é mais alta. Mas o motivo mais imediato e menos discutível é que os custos têm subido no Brasil, em especial os salariais, e porque nossa produtividade cresce pouco.

No entanto, o nosso consumo ainda cresce, mais devagar que faz um ou dois anos, mas cresce. O governo gasta mais, em particular despende mais com benefícios sociais. Também estimula o crédito na contramão do mercado (os empréstimos dos bancos estatais crescem, o dos bancos privados estagnou faz meses). Além do mais, baixou impostos sobre bens de consumo e cesta básica, por exemplo.

O aumento do consumo, porém, não faz as fábricas ligarem mais máquinas. Como dito acima, o nível da produção industrial estagnou faz uns cinco anos. Obviamente, importamos parte do nosso consumo extra.

Cada vez mais, em especial depois de 2007, compramos mais do que vendemos lá fora. Nosso deficit externo cresce. Grosso modo, isso significa que estamos fazendo uma espécie de dívida. Mas o mundo está com menos vontade de nos financiar, digamos. Um sinal disso é que o real perde valor (ficamos, de certo modo, mais pobres).

Aparentemente, estamos tomando emprestado lá fora para consumir, não para investir, dado o crescimento pífio do investimento.

O governo também gasta mais, mas não para investir "em obras". Nos últimos 12 meses, o investimento do governo não cresceu nada.

Parece evidente que, aos poucos, esse arranjo vai se esgotando, o que é difícil de perceber no dia a dia: o governo não tem muito mais como gastar sem criar crise feia, não temos muito mais como "comprar a crédito" lá fora, a inflação indica escassez de recursos produtivos.

Enfim, "deu". Temos de mudar de vida.

As últimas taxinhas do 'Pibão'

Roberto Macedo  
O Estado de S.Paulo

Quem lê meus artigos sabe da minha indisposição quanto ao uso do termo "pibinho" como referência às baixas taxas de crescimento do produto interno bruto (PIB) brasileiro. E o recente anúncio de outras taxas desse tipo é mais uma oportunidade de insistir na pregação, pois cresceu a presença do termo no noticiário. Um argumento é que o PIB é número absoluto e sua taxa de variação ao longo do tempo é um conceito relativo em que o valor do PIB num período é comparado ao de outro período no passado.

Ademais, em cada medição várias taxas de variação são aferidas, como a do PIB num trimestre relativamente ao trimestre anterior, ou ao mesmo trimestre do ano precedente. No recente anúncio do PIB do terceiro trimestre deste ano o IBGE enfatizou quatro taxas, uma delas negativa, a correspondente ao que chamou de "Tri/tri anterior". Assim, quem fala do tal "pibinho" precisaria explicar também o que é um "pibinho negativo".

E mais: o Brasil tem mesmo é um "Pibão", o sexto ou sétimo entre os quase 200 países do mundo. Mas como o País é também um dos maiores em população, o nosso PIB por habitante o deixa entre os de nível médio que sonham juntar-se ao grupo dos ricos. O valor do PIB no terceiro trimestre deste ano foi R$ 1.213.400.000.000,00! "Pibinho"?

Mas o "pibinho" pegou e, consultando o Google, vi que em 0,17s ele levantou cerca de 800 mil referências ao termo. Há até charges em que o "pibinho" é mostrado como uma criancinha ou como um cão de porte diminuto. Porcentagens integram os desenhos dos cães mostrados proporcionalmente ao seu tamanho, mas nunca vi cachorro com nome de porcentagem, embora 10% fosse um número cabível, pois é parte da cultura nacional.

Na terça-feira o anúncio do PIB trimestral no Jornal Nacional pelo menos corrigiu um antigo erro da Globo. Ela teimava em anunciar o PIB como "a soma das riquezas nacionais". Ora, tal soma incluiria, por exemplo, o prédio onde moro, parte do PIB de um ano perto de 1960. Desta vez a referência foi ao valor total dos bens e serviços produzidos pelo País num determinado período de tempo. Caberia adicionar que a medição é pelo "valor adicionado em cada estágio das cadeias produtivas", mas quem iria entender isso?

Os resultados do PIB do terceiro trimestre estão em muitas manchetes e reportagens e são mais um capítulo de uma novela ainda sem final feliz. Ficando apenas no resultado acumulado nos últimos quatro trimestres relativamente aos quatro trimestres anteriores, que dá uma ideia aproximada do que será a taxa no final do ano, a taxa calculada foi de 2,3%. Como só resta um trimestre para fechar 2013, esse número prenuncia outra taxinha anual para o Pibão que teima em não crescer mais rápido e satisfatoriamente.

Desta vez o que mais me chamou a atenção foi que duas altas autoridades do governo federal, inclusive a maior delas, poucos dias antes do recente anúncio pelo IBGE se equivocaram ao falar sobre as novas taxas de variação do PIB que viriam, juntamente com a retificação de outras já anunciadas no passado.

O ministro Guido Mantega, da Fazenda, continuou insistindo em previsões com o viés otimista de seu agrado. Na divulgação do PIB trimestral anterior, do segundo trimestre de 2013, em setembro, até que veio uma taxona, de 1,5% relativamente ao trimestre anterior. Mas sem sustentação, pois em larga medida refletia especificidades do trimestre, como o ótimo desempenho dos agronegócios na época de safra. Na ocasião Mantega empolgou-se e disse: "O pior já passou. O fundo do poço foi superado (...)".

Um dia antes do recente anúncio do IBGE ele ainda mantinha essa visão ao dizer que "o crescimento do terceiro trimestre está projetado em 2,5%, ante o mesmo período de 2012, e fica claro que vivemos uma recuperação do que foi o fundo do poço, em 2012". Bem, essa taxa foi de 2,2%, na esteira da taxa negativa do trimestre relativamente ao trimestre anterior, muito distante da recuperação vivenciada pelo ministro.

Quem também se saiu mal na foto foi a presidente Dilma Rousseff, que numa entrevista ao jornal espanhol El País, no mês passado, disse que a taxinha anual do PIB de 2012, calculada pelo IBGE em 0,9%, seria reavaliada para 1,5%. Veio a reavaliação, mas quase insignificante, elevando a taxa anterior para 1%.

Errar é humano, mas erros ministeriais ou presidenciais diminuem a confiança nas autoridades governamentais e na sua política econômica, agravando o descrédito com que esta já é vista nos meios financeiros e empresariais em geral. Assim, minha indisposição contra esses erros se volta também para suas implicações.

Quanto aos erros em si, há uma questão metodológica que só aprendi quando estudava para ensinar, pois quem é professor estuda muito mais que quando aluno. E lecionei Estatística Econômica e Econometria, o que em parte explica esses cacoetes meus contra o "pibinho" e a menção do PIB como a soma das riquezas nacionais. Aprendi então que não se deve fazer uma previsão expressa apenas por um número, como as do ministro Mantega e praticadas também no mercado financeiro. A previsão deve ser feita por intervalos, em face das incertezas que cercam o futuro a que ela se refere.

Suponhamos que as previsões da variação anual do PIB de 2013 sejam feitas apenas por números de uma casa decimal. Ora, de 2% a 2,5%, onde está a maioria das previsões dos analistas, há seis desses números e prever apenas um deles seria como jogar um dado, caso em que a probabilidade de acerto é só de uma em seis jogadas. Assim, quem se fixar na previsão de apenas um número terá maior probabilidade de errar.

Portanto, autoridades governamentais deveriam evitar previsões, mas, se optarem por fazê-las, deveriam usar intervalos, o que reduziria bastante seu risco de erro.

Vem mais aumento de juros por aí…

Rodrigo Constantino
Veja online

Não tem mais jeito: aquela bandeira de redução da taxa de juros, que a presidente Dilma tentou empunhar no começo da gestão, está totalmente destruída, corroída pelas traças da realidade econômica. A presidente, como economista que crê no nacional-desenvolvimentismo, pensou ser possível marretar a taxa de juros artificialmente para baixo. Ignorou que, tal como uma mola, sem mudar sua causa estrutural, ela voltaria com força depois.

Não deu outra (e os economistas ortodoxos avisaram, como bons amigos). A ata do Copom da última reunião, que subiu a taxa Selic para 10% ao ano, deixa claro que vem mais aumento por aí:

O Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso.

Tradução -  
“A inflação vai continuar alta, mas, para evitar que fique ainda maior, os juros vão continuar subindo em 0,5 ponto percentual de cada vez.

O barato sai caro, meu pai sempre me ensinou. A economia porca pode gerar transtornos e mais gastos à frente. Com visão míope, a equipe econômica esqueceu que a queda abrupta na taxa de juros era um pacto com Mefistófoles. Ele retornaria para cobrar seu preço elevado. Virá em ano eleitoral…

O Banco Central foi bastante criticado por economistas mais liberais, mas rebateu todas as críticas com desdém, alegando que não haveria a volta da inflação. Ela voltou. Com tudo. Está no incômodo patamar de 6%, mesmo com vários controles em preços administrados pelo governo. E mesmo com a economia sem crescimento.

O crédito público continuou sendo estimulado, assim como os gastos do governo. O Copom até toca nesse ponto, mas parece que os membros do governo não falam a mesma língua:

O Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.

Tradução -
“O BC reprova discretamente a recente injeção de mais R$ 24 bilhões no banco oficial de fomento, o BNDES, para a concessão de empréstimos subsidiados às empresas.”

Só tem um detalhe que acrescenta um tom de esquizofrenia nisso tudo: sabemos que tanto Guido Mantega (Ministro da Fazenda), como Alexandre Tombini (Presidente do BC), como Luciano Coutinho (Presidente do BNDES), no fundo não gozam de tanta autonomia assim. A cabeça da hidra desenvolvimentista é a própria presidente Dilma! Por isso ninguém é demitido, apesar desse resultado pífio, medíocre. Ela teria que demitir a si mesma!

Não tenhamos tanta esperança. Não vai acontecer. Logo, é melhor se preparar para mais aumento nas taxas de juros, com o Copom sempre correndo atrás do mercado e da inflação. Os investidores já sabem que vem chumbo grosso por aí. As taxas de juros no mercado futuro já apontam para isso:

Dilma pode esquecer a bandeira do combate aos altos juros. Pode esquecer a bandeira do crescimento acelerado também. Pode esquecer a bandeira da faxina ética (risos). Vai lhe restar as esmolas estatais e o programa “Mais Médicos”, que trouxe escravos cubanos para o Brasil, enquanto financia a ditadura mais longa e assassina do continente. E o povo vai votar… nisso?

Desfecho melancólico

Rogério Furquim Werneck
O Globo

Um processo inflacionário cada vez mais assimétrico, em que preços livres têm aumentado a taxas anuais da ordem de 7% a 8%

A espalhafatosa mobilização do governo com a concepção de uma nova política de preços para a Petrobras acabou tendo desfecho melancólico. Depois de ter dado alento a expectativas de grandes mudanças, a montanha, mais uma vez, pariu um rato.

O que afinal se anunciou foram aumentos de 4% para a gasolina e de 8% para o diesel, que implicaram reajustes da ordem de metade dessas taxas nos preços cobrados na bomba. Mais do que isso não foi possível. Para poder alardear que “a inflação está em queda”, o governo tem feito o que pode e o que não pode para manter a taxa de variação do IPCA abaixo dos 5,84% observados em 2012. E, nesse empenho, pouco importa se a queda, além de insignificante, tiver de ser obtida com repressão de preços. O que hoje se vê é um processo inflacionário cada vez mais assimétrico, em que preços livres têm aumentado a taxas anuais da ordem de 7% a 8% e preços administrados, a pouco mais de 1%.

A expectativa de que a nova política daria início à reversão da fragilização financeira da Petrobras revelou-se completamente infundada. As prioridades da campanha eleitoral falaram mais alto. Tal desfecho já seria deplorável, mesmo que se tratasse somente de mais uma evidência do imediatismo inconsequente que tem pautado a condução da política econômica. Mas, infelizmente, tem explicações ainda mais preocupantes.

O que se notícia é que, nas negociações entre a Petrobras e o governo sobre a questão, teria ficado claro que o Planalto nem mesmo está convencido de que é, de fato, desejável que preços internos de combustíveis estejam alinhados aos preços externos. Aparentemente, viceja na Presidência da República resistência doutrinária à busca desse alinhamento, calcada no argumento de que o combustível produzido no Brasil não tem nada a ver com o preço do petróleo fora do país (conforme escreveu Claudia Safatle, em 29 de novembro, no “Valor Econômico”). E de que o petróleo é extraído e refinado no Brasil por trabalhadores que ganham em reais (“Valor Econômico”, de 2 de dezembro).

São argumentos estapafúrdios, que denotam retrocesso preocupante no entendimento da cúpula do governo sobre questões básicas envolvidas na política de preços de combustíveis. Já há muitos anos parecia ter sido clara e definitivamente entendido, tendo em conta a lógica de formação de preços de bens transacionados internacionalmente, que os preços internos de derivados deveriam ser de alguma forma vinculados aos preços externos desses produtos. Exatamente como ocorre com outras commodities — como trigo, soja, alumínio ou celulose — em decorrência do livre funcionamento dos mercados.

É importante notar que, embora a política de alinhamento de preços internos de derivados aos preços externos tenha sido abandonada há anos, o abandono decorreu de improvisações e tentações imediatistas e populistas, e não de qualquer resistência doutrinária explícita à ideia de que, em princípio, o alinhamento era desejável.

A vinculação dos preços internos aos externos tem a virtude de dar, a consumidores e produtores, noção clara do que de fato custa à economia tornar disponível uma unidade adicional do produto. Ao tomar decisões sobre quanto consumir de um determinado bem, cada consumidor deve estar exposto a um preço que reflita corretamente o custo para a sociedade de sua decisão de consumo. É esse custo de oportunidade que cada consumidor deveria ter em conta ao decidir quanto consumir.

Como petróleo e seus derivados são bens transacionados internacionalmente, o custo para a economia de se tornar um barril o mais disponível é dado pelo seu preço externo. Se o barril tiver que ser importado, por razões óbvias. Se for produzido internamente, porque poderia ser exportado ou permitir importar um barril a menos, caso não fosse consumido.

É lamentável que, a esta altura, exatamente quando o país está em vias de se tornar um grande exportador de petróleo, tenha prosperado no Planalto visão tão equivocada da política de preços de combustíveis.

Uso do cachimbo

Dora Kramer  
O Estado de S.Paulo

Não foi uma boa escolha. Na melhor das hipóteses houve descuido na seleção do emprego com o qual José Dirceu pleiteia na Justiça o direito de trabalhar fora da prisão durante o dia.

Na pior, pesou a força do hábito de lançar mão de quaisquer meios, ainda que questionáveis, para justificar os fins no pressuposto de que é possível andar por via torta sem levantar suspeita.

Se já não era certo que o ministro Joaquim Barbosa autorizaria Dirceu a sair do presídio para trabalhar como gerente de um hotel cujo administrador tem interesses comerciais que dependem de decisões de governo, é irmão do presidente de um partido que apoia o governo e oferece ao novo empregado (inexperiente no ramo) um salário muito acima do padrão do mercado, agora essa hipótese parece bastante remota.

Segundo revelou reportagem do Jornal Nacional, o hotel Saint Peter pertence à empresa panamenha Truston Internacional. Consta como presidente da firma o auxiliar de escritório Eugenio Silva Ritter, residente num bairro pobre da Cidade do Panamá. Ritter sequer se lembra da Truston tantas são as empresas (mais de mil) nas quais ele figura como sócio no papel.

Isso leva a crer que seja proprietário de fachada. A situação fica ainda mais complicada quando Paulo de Abreu, administrador do hotel e autor da proposta de R$ 20 mil para Dirceu gerenciar o estabelecimento, informa à reportagem que Ritter é um empresário apresentado a ele por um advogado numa reunião de negócios em Miami. Na ocasião teriam firmado uma sociedade para administrar o hotel.

A versão contrasta, para dizer o mínimo, com a condição do funcionário administrativo do escritório de advocacia Morgan y Morgan. Questionado pelos repórteres, recusou-se a falar qualquer coisa além de confirmar ser "dono" de diversas empresas. Remeteu os jornalistas aos chefes dizendo-se temeroso de perder o emprego.

Há qualquer semelhança com o "empresário estrangeiro" que conheceu numa reunião de negócios em Miami com quem firmou parceria e a quem presta "contas regularmente", descrito pelo administrador do Saint Peter?

Nenhuma. De onde não se pode afirmar que existam negócios escusos por trás da firma que se propõe a empregar José Dirceu. Mas é de se desconfiar de que algo esquisito exista no uso de "laranja" à frente da empresa. Por algum motivo se escondem os donos. Há possibilidades em jogo: de lavagem de dinheiro a evasão de divisas passando por sonegação fiscal.

Apenas suspeitas, mas que não contribuem para a concessão de um benefício reivindicado por condenado que se diz inocente, um injustiçado que nunca transitou pelo terreno no ilícito para atingir seus objetivos.

Antídoto. 
Ressabiado ante o cenário da economia daqui em diante, o tucano Aécio Neves quis saber do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, engajado na campanha presidencial do PSDB, como em caso de vitória seria possível "enfrentar o repuxo que vem por aí".

Ouviu o seguinte: "Se a gente ganhar, no dia seguinte as expectativas do mercado serão outras. Melhoram de imediato".

Conclusão de Aécio: a reputação da equipe, em boa medida formada por arquitetos e condutores do Plano Real, é um ativo a ser explorado durante a campanha.

Tarefas. 
Divergências à parte, a ex-senadora Marina Silva e o governador Eduardo Campos formam um par bem harmônico: ela sonha, ele trabalha.

Enquanto Marina dedica-se à programação da "nova política" Campos corre atrás de financiadores e aliados que possam garantir tempo de horário eleitoral.

Inovação perde fôlego na indústria brasileira

Daniel Haidar
Veja online

Pesquisa de Inovação 2011, divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE, constata desaceleração na criação de produtos e processos inovadores no setor industrial. No Brasil, segmento de energia e eletricidade é o que tem maior percentual de investimento e produção de novidade

(Paulo Vitale) 
Laboratório de perfumes da Natura 

O ritmo da inovação na indústria brasileira demonstra sinais de recuo, de acordo com a Pesquisa de Inovação 2011 (Pintec), divulgada na manhã desta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo, feito com base em questionários respondidos por telefone por representantes de cerca de 400 empresas com dez ou mais empregados, reflete as ações implementadas em inovação de produtos ou em processos produtivos dos setores industrial, de serviços de um grupo específico e, a partir desta edição, do setor de eletricidade e gás. 

De forma geral, no período entre 2009 e 2011, no universo pesquisado – que reflete a tendência de 128.699 pessoas jurídicas com dez ou mais pessoas ocupadas – houve 45.950 empresas que implementaram produtos ou processos novos ou “significativamente aprimorados”, uma “taxa geral de inovação” de 35,7%, segundo o IBGE. O dado não pode ser comparado diretamente com as pesquisas anteriores, pois houve a inclusão de novos segmentos na pesquisa até 2011.

O estudo conclui que, em relação à indústria, que já constava na edição anterior, houve redução de 38,1% para 35,6% na taxa de inovação. Enquanto aumentou o total de empresas que se enquadram nesse grupo pesquisado, com um crescimento de 16,1%, o crescimento entre as indústrias que apresentaram alguma transformação inovadora no período pesquisado foi de apenas 8,3%.

Especialistas ouvidos pelo site de VEJA relacionam a queda no nível de inovação nas indústrias brasileiras à crise financeira global iniciada em 2008. Em um cenário de incertezas, gastos em inovação acabaram suspensos ou adiados para preservar recursos em cenários de maior adversidade, destaca Felipe Scherer, sócio-fundador da consultoria Innoscience, que presta serviços para empresas do setor farmacêutico e de telecomunicações, entre outras áreas em que a inovação é um fator de competição. “Investimento em pesquisa e desenvolvimento é feito com visão de longo prazo. Tem risco de não dar retorno. Quando a empresa percebe um cenário futuro incerto, a inovação é um dos primeiros cortes pela necessidade de proteger o caixa”, avalia Scherer.

Promessas não cumpridas afetam credibilidade, dizem analistas

Gabriela Valente 
O Globo

Mercado cobra previsões de Mantega. Para governo, há ‘excesso de críticas’

BRASÍLIA - As promessas e previsões não cumpridas feitas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, têm afetado a credibilidade da política econômica e afugentado grandes investidores. Esta é a avaliação de analistas do mercado financeiro, que teceram críticas ao governo durante o fórum “Perspectivas para 2014: os desafios de compatibilizar risco e retorno”, em Brasília. Alguns têm oferecido aos clientes aplicações no exterior para minimizar as incertezas em relação ao país.

Na última reunião de Mantega com economistas do mercado financeiro, há pouco mais de um mês, ele disse que o problema fiscal era passado. Isso melhorou as expectativas, mas, na semana passada, o Banco Central divulgou que o país teve o pior resultado fiscal da história para o mês de outubro. Com isso, o tom de críticas ao ministro ganhou força.

- É uma relação de marido traído. Você vai confiar de novo? - questiona Renata Barreto, responsável pela área de oferta de investimentos aos clientes da corretora Gradual, que cita o efeito negativo dos juros altos sobre investimentos em infraestrutura.

Já o economista-chefe da Gradual, André Perfeito, relaciona os problemas nas contas públicas à eleição de 2014:

- Dilma insiste numa política fiscal que desorganiza as expectativas com objetivo eleitoreiro. É um erro desnecessário que ainda vai prejudicar bastante o país - disse.

A insatisfação não se restringe a analistas de mercado. Representantes do setor produtivo cobram um choque de investimento para impulsionar a economia.

- Não é num passe de mágica que se retoma o crescimento. Precisa aumentar a capacidade de investimento do setor público e diminuir os gastos. É preciso estimular o investimento privado - disse o gerente executivo de política econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco.

Segundo técnicos do Ministério da Fazenda, há, no momento, um excesso de críticas ao ministro. Na leitura dos interlocutores de Mantega, o sucesso dos leilões feitos nas últimas semanas é prova da confiança do investidor internacional no futuro do país. 

Colaborou Martha Beck