sexta-feira, dezembro 06, 2013

Fifa e Brasil se contradizem, revelando incerteza para 2014

Giancarlo Lepiani
Veja online

Organizadores divulgaram projeções conflitantes sobre a entrega das arenas

(Clive Mason/Getty Images) 
Fernandes, do Ministério do Esporte: desencontro com o chefe Aldo Rebelo 

"Vamos chegar perto de uma nota 10. Sei que posso parecer presunçoso, mas é o que estamos buscando. Caminhamos para fazer uma Copa nota 10", disse Trade, do COL

"Juntos num só ritmo" é o slogan oficial da Copa do Mundo de 2014 - mas os organizadores do evento parecem enfrentar dificuldades para adotar o lema na prática. Num intervalo de menos de 24 horas, a Fifa, o Comitê Organizador Local (COL) e o governo brasileiro apresentaram prazos diferentes para a entrega dos seis estádios que ainda não foram concluídos. Uma das divergências mais curiosas foi entre os dados apresentados pela cúpula do Ministério do Esporte nesta quarta-feira, na Costa do Sauípe. Pela manhã, o titular da pasta, Aldo Rebelo, afirmou que três estádios (Manaus, Cuiabá e Natal) já poderiam ser entregues em dezembro, mas passaram para janeiro só para que a presidente Dilma Rousseff pudesse participar de suas inaugurações. 

De acordo com Aldo, Curitiba também entregaria sua arena em janeiro. Horas depois, à tarde, seu principal auxiliar, o secretário-executivo Luiz Fernandes, disse que os paranaenses terão mais um mês para concluir a obra, finalizando a Arena da Baixada só em fevereiro. O prazo anunciado anteriormente como final e inegociável pela Fifa era dezembro de 2013. Nenhum dos seis estádios ainda incompletos será inaugurado dentro do cronograma que havia sido acordado com os dirigentes estrangeiros.

Na terça, também na Costa do Sauípe, o secretário-geral da Fifa tinha revelado que a Fifa esperava a entrega dos estádios mais atrasados "entre janeiro e fevereiro", e citou a Arena Pantanal, em Cuiabá, como uma das mais atrasadas - ao contrário do que diz Aldo, que se disse tranquilo em relação à sede. As divergências nos discursos das autoridades chama atenção principalmente porque todos os envolvidos tiveram a chance de conversar sobre os prazos de entrega dos estádios desde o início da semana, nas reuniões realizadas no complexo que receberá o sorteio dos grupos da Copa, na sexta. 

O braço-direito de Aldo Rebelo, Luiz Fernandes, acabou resumindo a situação no fim da tarde, enquanto tentava explicar as expectativas do governo sobre o fim das obras em Curitiba e São Paulo: "Seria prematuro dar prazos definitivos agora". Ainda assim, governo e COL se disseram muito satisfeitos com todos os preparativos. Questionados sobre qual nota dariam ao trabalho do Brasil para a Copa, o CEO do COL, Ricardo Trade, afirmou: "Acho que estamos muito próximos de atingir um nível bem alto. Aprendemos muito na Copa das Confederações e crescemos bastante. Vamos chegar perto de uma nota 10. Sei que posso parecer presunçoso, mas é o que estamos buscando. Caminhamos para fazer uma Copa nota 10."