Adelson Elias Vasconcellos
Logo abaixo, os leitores tem um retrato do desespero do governo Dilma para elevar os investimentos no país, em queda constante. Tamanho é o desespero que até já oferece casa, comida , roupa lavada e uma gorda mesada mensal para que os investidores joguem seus dólares em projetos do governo. Mas há um velho dito popular que diz que ” quando a esmola é demais, até o santo desconfia”.
São os casos das ferrovias, em que o governo além de garantir retorno seguro nos primeiros anos de operação, vai comprar toda a capacidade de carga, ociosa ou não. Claro, além de abrir os cofres do BNDES com todas as facilidades possíveis de se imaginar.
São os casos dos portos, em que o governo anuncia garantias de remuneração. Vamos ver como terminará a redação final da MP dos Portos em debate no Congresso. Semana passada, o governo baixou determinação para que os portos funcionem 24 horas por dias. Comentamos aqui que a medida seria excelente se, antes de anunciá-la, o governo tivesse combinado com os sindicatos. Há outra questão grave para que a tal medida se cumpra: ela se prende a questão da fiscalização. É o seguinte: ignorou-se que não há fiscais suficientes. Os 14 quilômetros do porto de Santos, com movimento de 104,5 milhões de toneladas em 2012, são fiscalizados hoje por apenas 23 servidores do Ministério da Agricultura. Já o porto do Rio de Janeiro, que movimentou 8,3 milhões de toneladas em 2012, tem só oito fiscais da Agricultura trabalhando 8 horas/dia. Além quadriplicar o número de fiscais, são necessários mais auditores fiscais, Exército e Polícia Federal. Mas como Dilma não autoriza concursos, ou os portos não funcionarão em tempo integral, ou governo autoriza que os desembaraços de exportações e importações sejam feitos sem fiscalização.
Também, entra nesta festa, o tal trem – bala, que nem projeto tem,(sequer se conhece se é viável economicamente), e já consumiu alguns milhões de reais só em estudos. E, apesar de não ter nem projeto, o governo Dilma jura por todos os santos que a fantasia custará a “bagatela” de 32 milhões. Podem dobrar o valor. Basta tomar, por exemplo, o que acontece com todas as obras públicas dos governos petistas. Eles não perdoam maracutais nem em recolhimento de lixo...
Com tais apetitosas ofertas, o governo imagina garantir e conquistar a confiança dos investidores para que, em pouquíssimo tempo, o Brasil se transforme no berço do desenvolvimento. Mas é preciso combinar com investidores algumas coisinhas.
Vimos, recentemente, no tal pacote elétrico, que o governo Dilma não é muito propenso a cumprir contratos, tampouco garantir remunerações. Como também, em todos os marcos regulatórios, há a imposição da intervenção federal a determinar qual o retorno que o governo aceitará nas concessões. Ou seja, o governo Dilma pretende tabelar o lucro das empresas privadas. Na história do capitalismo mundial, um raríssimo caso de jabuticaba!
Em outros casos, temos ainda a obrigatoriedade dos vencedores se obrigarem a tal cláusula de conteúdo nacional, o que por certo vai contra a ideia de inovação combinada com gestão financeira.
Há casos ainda, e se diria quase todos, em que as concessionárias destes serviços deverão aceitar a INFRAERO, por exemplo, como acionista em seus empreendimentos, caso dos aeroportos, ou da tal EPL, uma estatal inútil para cobrir a vergonha do que se chamou VALEC, cuja única utilidade foi torrar dinheiro público e enriquecer os Juquinhas da vida.
Diante de tais condições, além da imensa propensão do governo Dilma em intervir afoitamente na atividade privada, vamos convir, são muito poucos os malucos a se encalacrar numa aventura destas.
E, quanto mais desconfiança o governo Dilma desperta neles, mais o governo federal vai abrindo trincheiras de facilidades a denotar que os negócios ofertados, não são tão bons quanto se imagina (ou se tenta vender), já que, sendo bons, não há razão para garantir retorno dos investimentos, não é mesmo?
Ou seja, ou governo oferece marcos regulatórios para tais concessões de maneira a realmente permitir que o investidor perceba neles existir oportunidade de bons ganhos, além da indispensável viabilidade econômica e da obrigatória segurança jurídica, ou continuará a oferecer casa, comida, roupa lavada e uma boa e gorda mesada mensal, sem que ninguém se sinta atraído pela oferta de tantos mimos.
Oportunidades de negócios o Brasil tem aos montes. Todas excelentes fontes para elevar os investimentos às alturas e dar um empurrão colossal ao nosso crescimento. Nosso problema continua sendo o governo que insiste em ser sócio ou acionista, tabelando lucros e querendo se impor como Estado empresário. Ou seja, o governo segue na contramão do que vem a ser um ambiente propício de negócios. Seria ótimo se o governo Dilma procurasse olhar para outros países, com investimentos mais elevados do que os nossos, mesmos com menos oportunidades, para conhecer que, num ambiente ótimo de negócios, o Estado entra apenas como regulador, nunca como sócio do empreendimento. Além disto, é histórica a incompetência de gestão dos serviços a que está obrigado, imaginem então à frente de atividades empresariais!
E nem precisamos ir tão longe: aqui pela América do Sul mesmo, há excelentes exemplos nos quais o governo Dilma poderia se espelhar. Infelizmente, para nossas esquerdas, nenhum deles faz parte do clubinho das esquerdas e suas bandeiras bolivarianas.
E um detalhe: para o povo brasileiro o que realmente importa não é a ideologia política que vem embutida e enrustida nestes mirabolantes e rocambolescos pacotes de concessões. Mas, sim, a política econômica em si, com oportunidades de crescimento alto e inflação baixa, geração de empregos bons e qualificados e, sobretudo, geração de renda, tudo aliado a políticas sociais de EMANCIPAÇÃO do cidadão, e não de sua SUBMISSÃO e eterna dependência do paternalismo estatal.


