sexta-feira, outubro 30, 2009

COISAS DAQUI E DE LÁ....

As coisas daqui...



























A "coisa" do "cara"...



Coisas dos  muy amigos do"cara"...











O dia em que a Democracia foi golpeada na América do Sul.

Adelson Elias Vasconcellos



O senador José Sarney reafirmou hoje ser contrário à entrada da Venezuela no Mercosul. Para Sarney, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, tem tomado atitudes antidemocráticas, e por isso, o Brasil não deve aceitar o ingresso do país no bloco econômico.

"Minha opinião é a mesma de sempre. Eu acho que a clausula democrática que nós temos no Mercosul é definitiva, e o Brasil tem compromisso com ela. Acredito que o atual governo da Venezuela tem tomado algumas providências que são do desmoronamento da democracia e são contra os princípios democráticos", afirmou Sarney.

O senador Sarney, presidente do Congresso, era presidente quando o MERCOSUL foi fundado e, sabe bem que sempre defendeu-se a regra indispensável de que, o ingresso de qualquer outro pais mo bloco econômico, só seria aceita pelos demais se o candidato demonstrasse viver a plenitude democrática. Vivia-se o tempo em que, praticamente, toda a América Latina, depois de décadas de escuridão que só os regimes ditatoriais são capazes de provocar, a reconquista da liberdade lançava suas luzes de esperança de melhores dias.

Portanto, havia uma preocupação muito forte de se defender, com unhas e dentes, que a escuridão não voltasse, razão pela qual Paraguai, Uruguai, Argentina e Brasil foram unânimes em criar um protocolo em que seria barrado qualquer país que não exibisse a plenitude democrática em suas fronteiras e, se algum daqueles que já pertencesse ao Mercosul se desviasse de rota,havia a possibilidade de ser expulso da parceria. Isto está lá, não se chama de opinião. É regra básica colocada ao pé da letra e, como regra, não cabe a ninguém quebrá-la sob pena todos os acordos firmados perderiam sua segurança.

Em uma de suas muitas visitas ao Brasil, em várias ocasiões, Hugo Chávez foi descortês, mal-educado, grosseiro, desrespeitoso.Primeiro com a imprensa, o que aliás não deveria assombrar a ninguém tendo em vista o que ele próprio praticou contra a imprensa de seu próprio país.

O relatório apresentado pelo senador Tasso Jereissati na comissão que analisou o pedido de ingresso da Venezuela foi enfático na abordagem e preciso nas razões pelas quais não havia, na Venezuela, as condições básicas que recomendasse seu ingresso no Mercosul. Aliás,no início temi que o senador cearense fosse amarelar, mas hoje, ao ouvi-lo ler seu relatório constatei que Jereissati honrou seu mandato.

Contudo, o relatório, por claro e preciso que tivesse sido não foi suficiente para barrar não apenas a ignorância de Romero Jucá e seus pares, mas sua submissão ao capricho maltrapilho de um governo que segue sua senda de autoritarismo implícito e inconseqüente. Quem perde com gente tão genuflexa que sequer são capazes de respeitarem a decência do próprio mandato parlamentar. Uma, por simplesmente ignorarem as condições básicas para aprovação de um novo membro no MERCOSUL, como também renegarem sua própria representação ao se curvarem diante das agressões que o Chávez um dia lhes dirigiu.

E, interessante, a justificativa fajuta de Jucá se centra na relação comercial que a Venezuela mantém com o Brasil. Ou seja, sob outras luzes, podemos concluir que, por qualquer caraminguá, o Brasil precisa vender sua moral, sua honra. Em resumo, o senador quer transformar como prática pública, o princípio que delineia sua própria conduta. Que se esfregue sozinho na sua própria lambança, mas nos poupe...

A democracia brasileira, que, a rigor, é uma das poucas que ainda se sustenta no continente, está de luto. Mais uma vez. Perdeu o Senado sua identidade, sua vergonha, seu amor próprio submergindo ao autoritarismo vagabundo de um tirano que não respeita seu próprio povo. Curvado, sem voz, totalmente entregue à sanha selvagem de um modelo e de uma ideologia vigarista, feita por vigaristas e para vigaristas.

É triste ver que o Brasil, por sua classe política, sequer consegue lutar pelas suas próprias conquistas históricas que inclusive justificam a existência do mandato parlamentar. É de se esperar que não precisemos nos tornar outra Cuba ou outra Venezuela para aprendermos a valorizar o que ainda temos e que, senadores sem personalidade, sem respeito a si próprios e ao país, estão enterrando a cada dia num poço de mediocridade e insanidade.

Podemos conviver com a bagunça infernal que Chávez provoca em seu país, mas sem precisarmos dar a mão ao diabo O caudilho beiçudo tem impedida sua entrada em algum fórum mundial? Não, a Venezuela, como nação, é respeitada e seus governantes são recebidos por onde quer que andem. A companhia de países democráticos como parceiros de seu país, fez de Chavez alguém melhor? Pelo contrário, quanto mais convive com as demais nações democráticas do mundo, mais Chávez endurece o regime em seu próprio país. Dar-lhe assento no MERCOSUL só o fará ainda mais autoritário. Quem sofrerá as conseqüências serão os venezuelanos privados de sua liberdade plena. A leitura de Jucá e seus asseclas é um acinte, é a perversão do bom senso.

Como disse, oxalá a decisão da comissão (ou garçons do Executivo), não vingue no plenário. É inadmissível que, depois de 20 anos de ditadura militar, o Brasil comece a flertar assanhado para as ditaduras de esquerda.

Portanto, o foguetório lançado por Lula é pura vigarice, pura encenação. Para ele, ter um senado que lhe banca o papel de garçom, servindo-lhe na bandeja a realização de seus mais tenebrosos caprichos deve mesmo ser uma festa. Diante de tanta ignorância, para ele o Senado agredir as instituições democráticas da forma como hoje se fez, deve ser um sinal claro de amadurecimento: de fato, o senado brasileiro, ou parte dele, perdeu completamente a noção de seu papel. Esquecerem de suas atribuições e perderam o rumo do que lhes cabe defender e zelar. Enquanto Lula e Chavez comemoram, a liberdade chora no continente. Parece que, definitivamente, para ela ao menos, não estamos “amadurecidos “ para merecê-la.

Segue a reportagem do Portal Terra.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta quinta-feira, em Caracas, que os senadores brasileiros "amadureceram" ao comentar a aprovação na Comissão de Relações Exteriores do Senado do ingresso da Venezuela no Mercosul. Agora, a decisão deve ainda passar pelo plenário do Senado.

"Ainda falta uma etapa que é a votação no plenário, mas estou convencido que os senadores brasileiros, depois de tanto tempo de debate interno, amadureceram e hoje eu acho que a grande maioria tem consciência da importância desta parceria", afirmou o presidente durante discurso na cerimônia de inauguração do Consulado Geral do Brasil e do escritório da Caixa Econômica Federal em Caracas.

Lula, que chegou à capital venezuelana no final da tarde desta quinta-feira para um encontro bilateral com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse "sonhar" com o dia em que todos os países da América do Sul possam participar do Mercosul. "Para ficar maior, mais forte, economicamente mais importante, comercialmente mais importante e politicamente muito mais importante", afirmou.

Venezuela
A adesão da Venezuela ao bloco foi aprovada depois de meses de discussões e polêmica entre parlamentares governistas e de oposição. O substitutivo favorável à entrada da Venezuela no Mercosul, apresentado pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi aprovado por 12 votos contra cinco.

O relator, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), havia apresentado parecer contrário ao ingresso do país no bloco, que foi rejeitado por 11 votos contra seis.

A entrada da Venezuela no bloco sofre resistências. Opositores da ideia afirmam que o governo do presidente Hugo Chávez deixa a desejar em relação ao respeito aos princípios democráticos. Dizem ainda que o estilo "personalista" de Chávez, que tem um forte discurso antiamericano e conflitos com países como a Colômbia, pode ser prejudicial ao bloco.

Defensores da ideia afirmam que o povo venezuelano não pode ser punido por causa de um governo, que a Venezuela não é somente Chávez e que o Estado deve ser separado do governo. Outro argumento é que o Mercosul terá condições de exigir que o governo venezuelano cumpra princípios democráticos uma vez que entre no bloco.

O Protocolo de Ushuaia, que integra o Tratado de Assunção, afirma que "a plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração" entre os Estados do bloco. Os países que não se enquadram podem ser punidos com suspensão. Essa pressão do Mercosul poderia contribuir para o fortalecimento da democracia na Venezuela.

Viagem
O protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul foi assinado em 2006 e precisa ser aprovado pelos quatro integrantes do bloco. Uruguai e Argentina já ratificaram o ingresso do país. O Paraguai espera a decisão do Brasil para votar o protocolo.

Os senadores da comissão também rejeitaram nesta quinta-feira o requerimento para a ida de uma comissão de cinco senadores à Venezuela. A viagem seria realizada depois de o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, um dos principais opositores de Chávez, ter vindo ao Brasil e convidado os parlamentares a verificar o que descreveu como violações da democracia em seu país.

Agenda política
Logo depois da cerimônia, Lula seguiu para um jantar com Chávez. Além da entrada da Venezuela no Mercosul, os presidentes deverão discutir a crise política em Honduras, que completou quatro meses, e o acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos para o uso de sete bases militares colombianas pelas Forças Armadas americanas, que poderá ser assinado ainda na sexta-feira, de acordo com o governo colombiano.

Na sexta-feira, os presidentes viajam ao município de El Tigre, no Estado de Anzoátegui, onde Lula participará da colheita da soja produzida em cooperação com a Embrapa. No encontro, de acordo com fontes diplomáticas brasileiras e venezuelanas, as estatais petroleiras PDVSA e Petrobras assinarão o acordo de associação para a criação da empresa mista que deverá operar na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Outro acordo previsto é a adesão da Venezuela ao padrão nipo-brasileiro de TV digital. Além da Venezuela, Argentina, Chile e Peru já adotaram esse padrão. Às 14h de sexta-feira, Lula deixa Caracas rumo a Brasília.

Acompanham o presidente nesta visita a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o ministro de Comunicação Hélio Costa, e o Assessor Especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia.

O PAC da Conversa Fiada

Augusto Nunes, Veja online


“Agora desgraçou tudo, porque agora os home tão ficando nervoso porque nós tamo inaugurando obra”, desandou o presidente Lula num palanque no Rio, espancando a língua portuguesa com especial selvageria. ”Calma, que nós ainda nem começamo a inaugurár o que nos temo para inaugurá nesse país. Tem muita coisa pra acontecêr e tem muita coisa que nós vamo fazê ainda pra frente.” Sempre à frente de uma comitiva de bom tamanho, não vinha de inauguração nenhuma, não estava a caminho de algum canteiro de obras nem aparecera no Rio para inaugurar alguma. Vinha da Procissão dos Pecadores do São Francisco, estava em território carioca para outro comício e, de lá para cá, só inaugurou pela segunda vez uma quadra usada na Mangueira.

Pelo andar da carruagem, Lula corre o risco de terminar o segundo mandato sem ter deixado pronta uma única obra física efetivamente relevante. A transposição do Rio São Francisco, as grandezas do pré-sal, as hidrelétricas do Rio Madeira, pontes, rodovias ─ tudo vai demorar. Acossado pelo tempo cada vez mais curto, o maior dos governantes culpa o Tribunal de Contas da União, o Ibama, o fiscal da esquina, o cartório, qualquer coisa. Quer inaugurar qualquer irrelevância. Até quadras de segunda mão.

Incapaz de criar, o governo não cuida direito nem do que existe, confirmou nesta quarta-feira o levantamento da Confederação Nacional dos Transportes sobre a situação das estradas do país. O estudo abrangeu quase 90 mil quilômetros de rodovias pavimentadas. Desse total, quase 70 % foram reprovados. A rede federal é a mais devastada. Segundo a CNT, a recuperação da malha rodoviária exige investimentos que somam R$ 32 bilhões. Seis vezes mais do que o governo Lula gastou em 2008. O PAC vai acabar programando outra operação tapa-buraco para 2010. E o chefe já prometeu outro PAC para 2011, com prazo de validade até 2015.

Por enquanto, só avança em bom ritmo o PAC da Conversa Fiada.

Quase 70% das estradas brasileiras deixam a desejar

Reportagem do Jornal Nacional exibiu ontem uma verdade que a gente já sabia existir, mas que tanto o discurso oficial quanto a propaganda do governo e seus aliados insistem em mostrar diferente.






A gente fica a se perguntar: até quando o governo Lula insistirá na mentira chamada PAC? Quando de seu lançamento, prometia-se um novo país em termos de infraestrutura, um dos principais gargalos para pleno desenvolvimento brasileiro. No lançamento, a chutometria palaciana falava de investimentos em torno de mais de 600 bilhões de reais. O que dissemos na época, agora, dois anos depois, em nada se pode mudar: trata-se de uma mentira. Nem o governo conseguirá tamanho volume de recursos para investir, tampouco tais obras serão concluídas no tempo que se imagina e que o plano apresenta. E complementamos: o governo está fazendo uma salada de obras, muitas que estavam em andamento e que, ao assumir, ele mesmo interrompeu, e que agora, quatro anos depois, retomará mas apresentando como sua. Aliás, isto se chama VIGARICE.

Claro que os indicadores financeiros do tal PAC desmontam qualquer ufanismo vigarista com que Lula se apresenta nos palanques Brasil afora. E não pensem que se está torcendo para dar errado: o esforço despendido pela sociedade para o país atingir sua maturidade merece uma resposta adequada. Lamentável constatar que, tantos discursos depois, ainda não saímos do lugar.

A prova está naquilo que a reportagem exibe: um dia, onde hoje existe muito buraco e pó (com chuva, vira um lamaçal instransponível), houve uma rodovia. E isto é fato, não conversa fiada.


EM TEMPO: Já havíamos postado o texto acima, quando encontramos a reportagem abaixo, no jornal O Globo. Acredito que complementa perfeitamente o comentário que fizemos. Mostra bem o quanto a propaganda e discursos sobre o tal pac são mentirosos.


Só metade das verbas para estradas foi gasta
De Gustavo Paul, O Globo:

Nos últimos sete anos, dos R$ 52,8 bi destinados a investimentos, foram pagos R$ 27 bi

Desde 2003, o governo deixou de investir um total de R$ 25,7 bilhões em estradas federais, apesar de os recursos estarem disponíveis no orçamento do Ministério dos Transportes.

Esse valor representa 80% dos R$ 32 bilhões que a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) estima serem necessários para recuperar a malha rodoviária federal.

Os números mostram que a situação ruim da malha rodoviária — 69% das estradas são consideradas entre regular e péssimo — não pode ser creditada à falta de recursos públicos.

Ao longo dos últimos sete anos (até 30 de setembro), dos R$ 52,8 bilhões destinados a investimentos na pasta, foram efetivamente pagos R$ 27 bilhões, equivalente a 51,1% do total, segundo levantamento da ONG Contas Abertas.

No mesmo período, o orçamento de investimentos do Ministério dos Transportes mais que triplicou, passando de R$ 3,1 bilhões em 2003 para R$ 11,4 bilhões em 2009.

Em proporção ao total da economia brasileira, os investimentos também aumentaram: passaram de 0,18% do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país) em 2003 para 0,38% do PIB em 2008.

Governo lança programa para o Bolsa Família que já existe

BRASÍLIA - O governo lançou nesta quarta-feira um programa de inclusão bancária para beneficiários do Bolsa Família que já existe desde julho do ano passado. Em parceria com a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o programa quer que pessoas que recebem o Bolsa Família possam abrir uma conta corrente na CEF e passem a receber os pagamentos pelo banco, assim como adquirir pequenos empréstimos e ter acesso a poupança. Instituído como projeto-piloto em março do ano passado, em Belo Horizonte, na época o projeto atendeu 4 mil famílias. Depois disso, até agora, já há 1,9 milhão de famílias do Bolsa Família que já possuem conta simplificada na CEF, a chamada "conta-fácil", criada em 2003 pelo governo Lula e que tem 9,5 milhões de correntistas. O objetivo do governo é atender 4 milhões de pessoas até o fim do ano que vem.

O ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, disse que o programa aumenta a auto-estima dos beneficiários do Bolsa Família.

- O que muda, em primeiro lugar, é a autoestima - as pessoas deixam de ser beneficiárias de um programa e passam também a ser clientes de bancos. As pessoas passam, também, a ter uma relação mais profissional com o dinheiro porque, ao invés de receber o benefício todo de uma vez, podem fazer saques de até três vezes. E,sobretudo, é a antesala do objetivo maior que buscamos, que é o microcrédito, ou seja, capacitar os beneficiários do Bolsa Família para aprender técnicas financeiras básicas, elas possam, depois, entrar em programas mais emancipatórios - disse Patrus.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá fazer um decreto regulamentando a abertura de contas para pequenos correntistas. A ideia, segundo Meirelles, que não deu mais explicações sobre o assunto, é disciplinar o sistema bancário para que o beneficiário não seja explorado.

Em depoimento, Chinaglia confirma que Jefferson avisou Lula sobre mensalão

Diego Abreu Do Portal G1

“A primeira reação é não acreditar”, disse o deputado do PT.
Ele disse que estava presente na reunião com Lula e Roberto Jefferson.

O ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP) confirmou nesta quinta-feira (28), em depoimento à Justiça, que estava presente na reunião em que o presidente do PTB, Roberto Jefferson, revelou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que acreditava existir um esquema de compra de apoio ao governo no Congresso, antes de o caso vir à tona, conhecido como mensalão.

Em conversa com jornalistas, após o depoimento, Chinaglia disse ter certeza que Lula não sabia do mensalão antes da denúncia de Roberto Jefferson. “A primeira reação é não acreditar em uma história dessa. O presidente pediu para que eu e Aldo [Rebelo, então presidente da Câmara] verificássemos”, disse. “Foi uma conversa inoportuna. Não era assunto para tratar com o presidente”, completou Chinaglia, lembrando que a pauta da reunião era a tratativa de assuntos políticos do governo.

O G1 entrou em contato com Palácio do Planalto e aguarda resposta. Em 2005, quando foi ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, Lula falou sobre o escândalo e Roberto Jefferson: "ele [Jefferson] foi cassado exatamente porque não provou a denúncia que ele fez no que diz respeito, por exemplo, aos mensalões. O José Dirceu [ex-ministro da Casa Civil] foi acusado de ter montado uma quadrilha. E sobretudo, uma quadrilha para pagar mensalão. (...) Teve ou não mensalão? Tenho certeza que não teve," disse o presidente.

Dois momentos
Chinaglia, que na época dos fatos, em 2005, era líder do PT na Câmara, disse ter tomado conhecimento do suposto esquema em dois momentos. Primeiro, segundo ele, quando Jefferson teria alertado o presidente Lula sobre a existência do esquema, em reunião na qual Chinaglia confirmou que estava presente. Depois, o deputado disse ter tomado conhecimento por meio da imprensa. Foi aí que, segundo Chinaglia, surgiu o termo “mensalão”, que indicava um esquema no qual parlamentares supostamente recebiam dinheiro em troca de apoio a projetos do governo no Congresso.

“O momento principal [foi] quando a imprensa divulgou aquilo que o então deputado Roberto Jefferson denunciou. E faço referência a esse momento como principal, porque lá ele apelidou de mensalão. E ainda que ele fez um comentário ao presidente da República e, entre outros, eu estava presente”, afirmou Chinaglia.

Ele disse que, depois da reunião com Lula, a imprensa chegou a divulgar uma matéria em que denunciava um suposto esquema de compra de votos no Congresso, sem o uso do termo “mensalão”. Segundo ele, a Câmara abriu uma sindicância, mas como nenhum deputado se manifestou, a denúncia acabou arquivada.

Questionado sobre se tem conhecimento da existência de fato do mensalão, Chinaglia sugeriu acreditar que o caso nunca existiu. “Não soube de qualquer denúncia de que houve compra de votos”. Perguntado se já ouviu falar em reuniões do Diretório Nacional do PT de que existia um esquema de oferta financeira em troca da aprovação de projetos do governo, ele foi categórico. “Não”, respondeu.

O ex-presidente da Câmara afirmou também que não conheceu o empresário Marcos Valério, apontado como o operador do mensalão. Disse ainda não ter tratado de questões financeiras na época em que era líder do PT com o então presidente do partido, José Genoino.

Depoimento
Ele prestou depoimento à juíza Pollyana Kelly Martins Alves, da 12ª Vara Federal do Distrito Federal, na condição de testemunha de defesa de cinco réus na ação penal do mensalão: Roberto Jefferson; o ex-tesoureito do PT, Delúbio Soares; ex-lider do PP, José Janene (PR); deputado João Paulo Cunha (PT-SP); e o ex-líder deputado Pedro Corrêa (PP-PE).

Segundo Chinaglia, também participaram do encontro com Lula o ex-ministro do Turismo Walfrido Mares Guia, o então presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e o ex-líder do PTB José Múcio Monteiro, hoje ministro do Tribunal de Contas da União.

O Ministério Público Federal (MPF) classifica o mensalão como um esquema que se especializou em “desviar dinheiro público e comprar apoio político”, com o objetivo de “garantir a continuidade do projeto de poder” do PT. O MPF foi o órgão responsável por denunciar o esquema – a denúncia foi aceita em agosto de 2007 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que abriu uma ação penal para julgar o caso. O relator do processo no Supremo é o ministro Joaquim Barbosa.

EM TEMPO:


Deputado do PTB diz que sabia do mensalão
Da Folha Online:

O deputado federal Alex Canziani (PTB-PR) também reforçou em depoimento à Justiça Federal nesta quinta-feira que a bancada do PTB na Câmara tomou conhecimento do mensalão antes da divulgação do esquema pela imprensa.

A existência do suposto esquema foi revelado por Roberto Jefferson --presidente do partido e deputado federal cassado-- para Renata Lo Prete, editora do "Painel" da Folha.

Canziani, que foi ouvido como testemunha, sustentou que Roberto Jefferson --presidente do partido e deputado federal cassado-- disse em encontro dos parlamentares do PTB que avisou o presidente Lula de que havia uma compensação financeira para que os deputados apoiassem as votações de interesse do Executivo no Congresso, como as reformas da previdência e tributária.

"Houve uma reunião da bancada. Antes já se falava isso no Congresso de que algumas bancadas recebiam dinheiro em troca da aprovação de projetos. Ele [Jefferson] comentou que teria falado com o presidente Lula sobre essa questão, que estaria havendo no Congresso a troca de votos por pagamento. Ele [Roberto Jefferson] disse que não iria aceitar [a compra de votos]", disse.

O deputado disse ainda que a orientação do partido era para que a questão de recursos financeiros fossem tratada diretamente com Jefferson e não com o ex-primeiro-secretário do PTB, Emerson Palmieri os dois são réus no processo do mensalão.

"Em relação a recursos [financeiros] não se falava com ele. Se falava com o tesoureiro ou com o presidente [Roberto Jefferson]", disse.

Na segunda-feira, o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) José Múcio Monteiro afirmou que o PTB "em hipótese nenhuma" participou do mensalão.

Ex-coordenador político do governo Lula e ex-líder do partido na época do escândalo, Múcio disse que a parceria entre o PTB e o governo não envolveu vantagem financeira em troca de apoio durante as votações no Congresso. A denúncia do mensalão partiu do presidente do PTB, deputado cassado Roberto Jefferson.

PF atrasa apuração sobre Temer e Supremo reage

Folha Online


O STF (Supremo Tribunal Federal) cobrou explicações da Procuradoria-Geral da República sobre a "demora excessiva" do inquérito que investiga o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), por suposto crime ambiental numa reserva ecológica em Goiás, informa reportagem de Alan Gripp, publicada nesta quinta-feira pela Folha.

Segundo a reportagem, o inquérito possui denúncias de que o congressista recorreu a grileiros para se apropriar de terras na Chapada dos Veadeiros.

Em ofício, o ministro Joaquim Barbosa, relator do inquérito no Supremo, pede ao procurador-geral, Roberto Gurgel, que informe por que não foram cumpridas as diligências determinadas por ele há um ano --como o depoimento de testemunhas.

Outro lado
Responsável por investigar Temer, a Polícia Federal disse, em nota, que o inquérito "está seguindo os trâmites normais, sem qualquer preferência ou retardo em seu andamento".

A PF afirmou que o fiscal do Ibama Alonso dos Santos, testemunha-chave do caso, foi convocado para depor no último dia 22 de setembro, mas faltou. Ele está sendo reconvocado.

Sobre outras testemunhas cujos depoimentos foram determinados pelo ministro do STF Joaquim Barbosa, a PF disse que elas "ainda não foram localizadas apesar das diligências levadas a cabo".

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Queria ver se fosse alguém da oposição !!! É impressionante como o governo do crime organizado protege seus capangas!!! Resta saber a que preço...

Formador de opinião pública 'já não decide mais', diz Lula. Mas nem todo mundo perdeu a vergonha na cara, Presidente!

A reportagem de Maria Angélica Oliveira do Portal G1, traz esta pérola de Lula em sua rápida visita em São Paulo, hoje, antes de embarcar para Venezuela.


Acho que o fato de Lula haver se cercado de marionetes, pessoas sem escrúpulos, sem opinião própria, que cinicamente rien de qualquer piada sem gosto ou asnseira que ele conta, está lhe afetando o senso crítico.

Num país em que 2/3 da população está marginalizada do processo de informação, uns por formação intelectual capenga, fruto de um processo de ensino de má qualidade, outros por total falta de condições de tempo e dinheiro para tanto, é vergonhoso constatar que “formadores de opinião” não sejam ao menos ouvidos com maior abrangência.

Já afirmei aqui, por diversas vezes, que o Brasil, seja pelo desgoverno que tem, seja por conta de uma intelectualidade tragicômica, amordaçada no passado sepultado das utopias miraculosas e impossíveis, está perdendo seu senso crítico.

O uso indiscriminado do dinheiro público para sufocar insatisfações de movimentos populares é outra razão. Inaceitável num país que se diz democrático, com plena liberdade de expressão e pensamento, que, em seis centrais sindicais, por exemplo, nenhuma se posicione contrária ao governo. E o que dizer da UNE, então?

O que fortalece a liberdade plena em qualquer nação é justamente instituições democráticas livres para pensar, se expressar e ... criticar. É justamenmte a crítica, quando feita com bom senso, que impede que a gente cometa desviosde conduta. É a vigilância permanente que nos impede de jogar no lixo nossas conquistas, principalmente as democráticas. No Brasil, ser contra o governo Lula, ou pelo menos manter uma posição crítica em relação a ele, é passivo de chicote no lombo. As sucessivas agressões de Lula à nossa história, e seus destemperados ataques à imprensa que não lhe é submissa, são exemplos claros de como um governo mal intencionado, servindo-se da estrutura do Estado, é capaz de sufocar qualquer oposição.

Portanto, a grande verdade é que , no Brasil, o que está faltando é espaço para os formadores de opinião crítica poderem se manifestar livremente. O que se vê no Congresso, e o mensalão é o grande marco deste momento em que o pensamento livre mostrou-se sufocado, é uma caricatura mal disposta de como não se deve portar uma casa representativa da vontade popular.

E, a propósito, formador de opinião é um agente que, mercê sua bagagem de informação, consegue estabelecer, de forma clara, e com total liberdade de manifestação, um pensamento conclusivo sobre a sociedade. Ele nunca decidiu coisa alguma, como tenta Lula “vender”. E, é justamente, por pensamentos delinqüentes desta natureza, que se espalharam rapidamente num país pobre, miserável, semi-analfabeto e mantido, em mais de um quarto de sua população, na escravidão da miséria por programas assistencialistas eleitoreiros, que tais vigarices conseguem prosperar.

Assim, o diagnóstico vagabundo de Lula está errado: falta-nos, isto sim, são formadores de opinião, e não bajuladores de araque, mamadores do dinheiro público, sugadores e exploradores do trabalho do povo, gente indecente capaz de nos respeitar e nos representar condignamente.

No fundo, para Lula, o bom formador de opinião é aquele que o elogia. A imprensa boa é a que só fala bem, dele e de seu governo. Não se enganem: no dia que puderem,os petistas tentarão criar instrumentos legais para golpearem a facadas a liberdade de imprensa, intervir em rádio e televisão e fechar jornais. Como ainda não podem, usam das verbas públicas, cada vez maiores, destinadas a publicidade oficiosa, para praticarem sua esgrima golpista.

Segue a reportagem com a costumeira má fé do senhor Lula.



O presidente Lula durante visita à Expocatador, nesta quinta-feira (29) em São Paulo
(Foto: Ricardo Stuckert/Presidência)

Em discurso para uma platéia de catadores de materiais recicláveis em evento em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse que "a figura do chamado formador de opinião pública já não decide mais" e que "o povo não quer mais intermediários". Lula deu as declarações ao final de seu discurso na Expocatador, que ocorreu na manhã desta quinta-feira (29).
 
Ele disse que os jornalistas presentes tinham a oportunidade de fazer a "matéria da vida" deles. "Se vocês se embrenharem no meio dessa gente e escolherem um, qualquer um pra vocês conversarem sobre a vida deles, sobre os sonhos deles. Não tem importância que eles falem bem ou mal do governo. Publiquem apenas o que eles falarem. Não tentem interpretar. (...) Vocês vão compreender porque a figura do chamado formador de opinião pública, que antes decidia as coisas neste país, já não decide mais. É porque esse povo [os catadores] já não quer mais intermediários. Esse povo tem pensamento próprio."
 
Em outro trecho do discurso, Lula se disse orgulhoso de um linha de financiamento aberta pelo governo para caminhoneiros, visando facilitar a aquisição de veículos. "Como diz o Coutinho [presidente do BNDES], está bombando a venda de caminhões.(...) Se ainda não fizemos tudo, fizemos mais que qualquer governo no Brasil".

O presidente elogiou a atuação do BNDES em outro momento do discurso. "Se um banco como o BNDES dá crédito aos catadores, quem vai desmerecer esta atividade?", questionou.

O presidente estava acompanhado dos ministros Márcio Fortes (Cidades), Carlos Lupi (Trabalho), Paulo Vanucchi (Secretaria de Direitos Humanos) e do presidente do BNDES, Luciano Coutinho.


Depois de sete anos no poder, Dilma diz que crime organizado cresceu nas favelas por ausência do Estado

A Folha Online traz uma declaração da ministra Dilma, no mínimo, ridícula. E o que a ministra conseguiu declarar? Isto, vejam: "O crime invadiu essas regiões porque o Estado simplesmente fugiu delas, porque no Brasil não se investia em favelas nem em bairros populares", disse em entrevista a emissoras de rádio no programa "Bom Dia, Ministro".

Ausência do Estado” e “falta de investimentos nas favelas” é, ministra? Rapidamente, dona Dilma, nos responda uma coisa: há quanto tempo Lula governa o Brasil? E, neste período, quanto de investimentos ele direcionou para as favelas?

Gente, este governo está aí há SETE ANOS, e o que ele plantou no Rio Janeiro durante este tempo? Mais: na favela não se planta nem drogas nem se fabricam armamentos. De quem é a responsabilidade por vigiar fronteiras, estradas, portos, aeroportos, para impedi-los de chegarem ao tráfico carioca?

É impressionante a capacidade desta gente para transferir sua parcela de responsabilidade no estado de insegurança que vive não apenas o Rio de Janeiro, mas o país inteiro. Dona Dilma está certa no diagnóstico, mas deve mirar-se primeiro no próprio espelho e assumir o quinhão de culpa que compete ao governo Lula.

Em 2007, às vésperas do PAN, este mesmo governo federal e estadual que estão aí, cantavam glórias, e prometiam paraíso a céu aberto sobre as delícias cariocas. O que restou daqueles investimentos? Pelo menos 53 esteiras de vigilância eletrônica, compradas a peso de muito dinheiro, permanecem trancafiadas em galpões, sem nunca terem sido instaladas e usadas. E nossas fronteiras, continuam totalmente abertas ao tráfico de drogas e contrabando de armamento pesado, vindos exatamente dos países governados pelos “amigos” do rei imposto.

Assim, dona Dilma, aproveite que estamos às vésperas do Halloween, e pare de caçar bruxas nos governos dos outros. Assuma sua própria omissão, seus erros e trate de levar a sério o seu trabalho. De cretinices já estamos cheios. De discursos imbecis, então, nem se fala! O país quer mesmo, e precisa prioritariamente, é ver mais trabalho e, principalmente, mais e melhores resultados. Afinal de contas, em SETE ANOS, já dava para ter feito muita coisa, não é mesmo?

Segue a reportagem.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse nesta quinta-feira que o crime organizado tomou conta das favelas porque o Estado deixou de estar presente nessas localidades.

"O crime invadiu essas regiões porque o Estado simplesmente fugiu delas, porque no Brasil não se investia em favelas nem em bairros populares", disse em entrevista a emissoras de rádio no programa "Bom Dia, Ministro".

Dilma disse que é preciso fazer uma "disputa do bem" com o tráfico no Rio de Janeiro, no sentido de garantir a efetiva presença do estado nas regiões mais violentas.

"É possível que a gente dispute com o tráfico e façamos essa disputa do bem que é de fato nossa presença efetiva, com a polícia, também, mas também com obras e com serviços públicos de qualidade para essa população."

Violência no Rio
Desde o último dia 17, ao menos 42 pessoas morreram no Rio em decorrência de confrontos entre traficantes de drogas e a polícia. Entre as vítimas sendo três policiais militares e ao menos três moradores.

Os tiroteios começaram quando traficantes aliados aos criminosos do morro São João --controlado pelo Comando Vermelho-- invadiram o morro dos Macacos, controlado pela ADA (Amigos dos Amigos), em disputa pelos pontos de venda de drogas.

Na quarta-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não é possível acabar de forma rápida com a violência no Rio e chamou os criminosos de "anormais". No mesmo dia, o ministro Tarso Genro (Justiça) disse que a onda de violência que atingiu o Rio pode se repetir em outras metrópoles do país se não forem adotas novas políticas de combate ao narcotráfico e às milícias.

Uma pesquisa do Ibope para a ONG (organização não-governamental) Rio Como Vamos, divulgada também na quarta, revela que o maior medo dos moradores do Rio é ser atingido por uma bala perdida.

Série B do mundo

Editorial, O Globo

Materialização de antigo e ansiado projeto de integração regional, o Mercosul começou a se tornar viável com a redemocratização dos regimes.

Desconfianças geopolíticas, quase atávicas, entre militares brasileiros e argentinos foram sepultadas quando a vida política passou a fluir no Cone Sul sem amarras.

O próprio processo de internacionalização das economias — uma tendência mundial — serviu de motor de integração dos sistemas produtivos dos países.

Há tempos, porém, e muito em função de erros de política econômica cometidos pelos vizinhos, o desbalanceamento entre as economias brasileira e argentina conspira contra a existência efetiva de um mercado comum no futuro.

Medidas protecionistas baixadas pelos argentinos passaram a ser respondidas na mesma moeda pelos brasileiros, e isto corrói as bases do Mercosul como união de livre comércio — que na prática já não tem sido.

Não fossem suficientes os problemas técnicos, há outra grave ameaça ao Mercosul, esta de origem político-diplomática, devido à pressão do governo brasileiro para que a Venezuela do caudilho Hugo Chávez seja aceita como sócia plena no acordo de comércio regional.

Referendada na Câmara e em votação na Comissão de Relações Exteriores do Senado, a proposta recebeu parecer contrário do relator Tasso Jereissati (PSDB-CE).

A principal razão: porque o país sob Chávez não é uma democracia, como exigem os estatutos do acordo firmado entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

É simples. Será um erro o senador tucano aceitar rever o relatório, para concordar com a admissão da Venezuela “sob condições”.

Ora, Chávez já deu inúmeras demonstrações de que não é confiável. Lembre-se que ele perdeu um plebiscito, mas colocou em prática, como queria, parte da Constituição rejeitada nas urnas, pois controla a Assembleia venezuelana.

É risível o argumento destilado em Planalto segundo o qual o acordo será com o “Estado” venezuelano, e não com o “governo”.

Se fosse assim, os Aliados não teriam rompido relações com Alemanha e Itália, constatado que Hitler e Mussolini seriam menos importantes que os respectivos Estados.

Tudo balela para justificar o afago em Chávez, por afinidades ideológicas, a fim de ajudá-lo enquanto a Venezuela naufraga em funda crise — por culpa do caudilho.

Do ponto de vista da diplomacia comercial brasileira também será um desastre: com o histriônico Chávez à mesa de negociações, o Mercosul não conseguirá fechar qualquer acordo comercial importante com qualquer país minimamente sério e de peso.

É ilusório achar que o caudilho se curvará aos estatutos do Mercosul, de que consta a ”cláusula democrática“.

Ao contrário, ele tentará redesenhar o acordo comercial à imagem e semelhança da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), um anacrônico grupo “anti-imperialista”, cujos principais inquilinos são ele próprio e os irmãos Castro, um projeto sem passado e futuro.

O Senado poderá colocar o Brasil na Série B do mundo, e ainda tornar irreversível a falência do próprio acordo de livre comércio.

Tão logo fique evidente o isolamento do Mercosul, ele tenderá a se dissolver.