quarta-feira, agosto 29, 2007

A mistificação dos governos populares

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Na entrevista que concedeu ao jornal O Estado de São Paulo, no domingo, Lula apelara para uma análise tosca e mentirosa . Segue um trecho da entrevista. Em seguida, continuaremos.

Estadão - O que é unificar o País?

Lula - É que as pessoas estavam acostumadas a ver o Brasil assim: uma parcela, metade da sociedade, que conquista a cidadania; outra metade, que está marginalizada, e não vai ter direito a nada. O que nós fizemos: primeiro, manter o status quo dos que já têm (cidadania); garantir uma política forte para trazer a parcela que está fora para dentro do mercado. É isso que nós estamos fazendo.

Bem, vamos por partes. O que divide o país é o discurso que joga pobres contra ricos, negros contra brancos, políticos contra políticos, elite contra elite. E nisto as esquerdas brasileiras tem sido mestras. Nunca houve um apartheid antes de Lula. Havia sim uma divisão de classes, como há em qualquer país. Contudo, a nação era a mesma, o povo era o mesmo, cada um na sua, mas ainda sim um único sentimento de brasilidade.

Há poucos dias, disponibilizamos um link de um certo vídeo que varreu a internet sobre o 3º Congresso do PT, onde eles próprios confessam suas “metas” para o país. Por ali fica claro que há um idesejo de opor-se uma classe contra outra.

Dizer que está tentando “unificar” o País é um atentado a qualquer inteligência, por mais obtusa que ela seja. Lula pratica uma divisão opondo uns contra os outros, além de alimentar movimentos de separação racial, mas principalmente pobres contra ricos.

O fato de existir ricos e pobres não representa que haja um país dividido ao meio. E, independentemente do sistema político ou econômico vigente no país, esta separação sempre haverá. É insensato imaginar que todos possam ser igualados social e economicamente. O doloroso é Lula misturar a classe média, em todos os seus níveis, com a elite econômica. Desde que as fortunas tenham sido adquiridas com trabalho, e muitas vezes trabalho de duas a três gerações de uma mesma família, santo deus, onde está o pecado de ser rico ? Você pode contestar é a omissão da elite muitas vezes para com o país. Mas não pode querer impedir dela ter mais ou menos posses, desde que estas posses sejam adquiridas por intermédio do trabalho.

Ser classe média já é um bocado diferente, e aqui Lula mete os pés pelas mãos. Porque na verdade, sua política ou o seu governo privilegia, mesmo que Lula negue, que os que têm mais possam ter ainda mais. Tivesse Lula diminuído os ganhos das elites e os repassado para os pobres, vá lá, estaria praticando uma melhor distribuição de riqueza, o que sempre será saudável. Mas sua visão é tacanha na medida em que acha que quem é classe média chegou ali graciosamente, desfruta de uma posição social e econômica caída do céu, o que convenhamos, trata-se de uma enorme tolice. A classe média de hoje foi a classe pobre de ontem. Os que ali hoje se encontram ascenderam na escala graças aos seus próprios méritos, ao seu esforço pessoal seja no trabalho, seja nos estudos. E muito ainda contaram com o sacrifício de seus próprios país que se empenharam em dar aos seus filhos uma melhor formação. Onde então o grande pecado ? Contudo, Lula acha que esta classe não precisa do governo, e por tal razão, simplesmente a despreza seja em ações de governo, seja no discurso infame. Reparem neste trecho:

“Tem gente que não precisa do governo, porque já tem carro, casa, plano médico, tem tudo. E tem uma parcela que não tem nada e é essa que precisamos ajudar”.

Isto chama-se cretinice. A grande parte da classe média é formada por dentistas, médicos, engenheiros, advogados, economistas, contadores, e uma infinidade imensa de profissionais liberais. Qual deles ganhou o diploma de graça ? Imaginem os jovens de hoje, aqueles mesmos “beneficiados pelo PROUNI, ou ainda servidores públicos de nível superior: amanhã deverão ser criticados por aquilo que adquiram pelo seu esforço pessoal? Lógico que não. E se hoje a classe média recorrer a escolas particulares, a serviço médico privada, previdência privada, adquirem carro e casa financiada, não foi porque o governo lhes deu isto de mão beijada. Houve sacrifício, esforço, privação para poderem economizar alguma coisa pensando num melhor futuro para si mesmos. E se bancam às custas médico, escola, previdência e até segurança, é porque ali deveria estar o governo e ele não está. Se pudessem, investiriam os recur5sos que gastam com estes recursos em outras coisas, talvez uma empresa até para poderem gerar emprego e renda. Mas, como o Estado se afasta deles, o que assistimos é o seu empobrecimento ano a ano.

Á grande mistificação e farsa das esquerdas brasileiras é alimentarem o desejo de um governo popular por entender que só um governo popular melhorará a condição do povo pobre. Mistificação pura. Se o povo pobre fosse competente para governar um país, seria ao menos competente para governar a si mesmo e deixar de ser pobre. Por que não se administram ao menos a si mesmos ? Porque lhe faltam atributos para tanto. E sempre que o mundo experimentou “governos populares” o que se viu foi o alastramento da pobreza em todos os níveis, a violência em todos os sentidos, a privação das liberdades, a criação de uma elite privilegiada em que acabou se tornando os detentores do poder, corrupção disseminada, a mediocridade vingando como ideologia nacional. Aponte-me um só regime socialista dentro do figurino santificado pelas esquerdas, no qual se tenha fartura plena, riqueza em todos os extratos e sub-extratos da sociedade, onde o poder não se tenha corrompido por completo, onde haja plenitude de liberdades e igualdade, enfim, um paraíso. Vamos ver: Cuba é um paraíso ? A Coréia do Norte? A China? A antiga Alemanha Oriental ? Ou ex-União Soviética? A Venezuela mesmo que ainda seja um arremedo ainda, é um paraíso?

Convenham, fora do capitalismo e da democracia, por piores que seja, não existe melhor sistema.

Que os governos implantem programas que visam melhorar e minorar a condição de pobreza de grande parte da população é um dever que lhes compete impor. Porém, é preciso não mascarar que a saída da situação de dificuldades de cada depende de cada um desenvolver esforços e sacrifícios nesta direção.

Assim, dois mitos precisam ser enterrados de vez como vimos: um, a de que o povo sabe governar melhor uma nação do que a sua elite. Não sabe. Não tem competência, não tem preparo e não tem talento. Não que isto os diminua, mas a cada um segundo suas obras.

O outro mito, mistificador das esquerdas, é a de que somente um governo orientado segundo sua ideologia é capaz de estabelecer o paraíso na terra. A História das Nações está aí para desmascarar esta farsa. Bom seria que Lula descesse ao menos uma vez do palanque para ver a vida aqui embaixo e se convencer de uma vez por todas que, nem toda a classe média é privilegiada, nem todo o rico é vagabundo, nem todo o pobre é honesto e é pobre por culpa dos outros.

Assim, as esquerdas com seu discurso bolorento, acabam caindo no vazio: não conseguiram até hoje mostrar ao mundo um só país sob seu império que se tenha tornado um “case” de sucesso.

A autocrítica e os puxões de orelha

Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil

Os milhões de brasileiros que purgam anos de vergonha com o descalabro moral que parecia contaminar os três poderes em estágios diferentes da praga, estão se sentindo mais leves, com a alma lavada com a histórica decisão, pela unanimidade do STF, de abrir processo por corrupção ativa contra o ex-ministro chefe da Casa Civil do presidente Lula, o ex-deputado José Dirceu; o ex-presidente do PT, deputado José Genoino, e o ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares.

No embalo moralizante, dos 40 denunciados, 37 passaram a réus na primeira fase de julgamento do que já pode ser considerado o maior escândalo político, o grande festival de roubalheira de todos os tempos.

Claro que é apenas o primeiro passo de uma longa caminhada que promete arrastar-se por anos com as manhas de famosos e caros advogados, peritos em jogar com os infindáveis recursos de códigos caducos, à espera de urgentes reformas.

Por ora, vamos festejar um raro instante de justo regozijo cívico. A toga estava devendo à sociedade, e à ela própria, uma enérgica demonstração de repúdio à corrupção depois de preocupante período de absolvições em série, sem nenhuma condenação. Com o pecado do tríplice reajuste dos vencimentos da magistratura, negociada pelo então presidente do STF e atual ministro da Defesa, Nelson Jobim, com o presidente da Câmara, o sumido ex-deputado Severino Cavalcanti.

Mas se a memorável virada do Supremo, a merecer todos os foguetes, tem o doce sabor de uma autocrítica, ela ricocheteia no Congresso com o estampido de uma bomba. O Legislativo está nu diante da opinião pública, de estômago embrulhado com a catinga remexida do escabroso festival de impunidade que encerrou os escândalos recordistas do mensalão para a compra do voto de parlamentares em matérias do interesse do governo e do caixa 2 que despejou milhões surrupiados dos cofres da viúva para financiar as campanhas de bilionários candidatos petistas e aliados.

Cada processo de cada um dos réus sustentará durante meses, anos, por todo o segundo mandato do presidente Lula, a cobertura da imprensa, com os intervalos da morosidade da Justiça. E da nódoa, indelével como mancha de caju, o governo e o PT não se livrarão nunca. Nem a vitória consagradora nas urnas com os votos do Bolsa Família apagará o registro implacável da história.

Pois é de uma evidência que entra pelos bugalhos que o governo fica muito mal na fotografia desbotada, que o STF retocou com as cores fortes da demolidora denúncia do procurador-geral de República, Antonio Fernando de Sousa, e com o repique das 400 páginas do relator, ministro Joaquim Barbosa - que teve o seu voto acompanhado pela unanimidade do Supremo Tribunal.

O presidente Lula, como é lógico, sentiu a pancada, mas está reagindo. Finge não ter nada a ver com a esterqueira enquanto os dirigentes do PT esperneiam e empurram a bola murcha para a responsabilidade de antigos companheiros caídos na desgraças.

Na coincidência com um toque de simbolismo, enquanto o presidente entoava o elogio ao caju e pede curiosa desculpa ao fruto que, "em algum momento da história, algum de nós cometeu um erro contra o caju", o lixão denunciado pelo STF relembra que a máfia que armou os golpes operava no gabinete do ministro José Dirceu, ao lado do seu, utilizando gente da casa, como o ex-presidente do PT, deputado José Genoino e o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

Este é, portanto, um escândalo do governo, do PT e seus aliados, feito em casa como bolo de aniversário. A turma da "organização criminosa", denunciada por "formação de quadrilha" e outros truques. A gangue do PT e dos aliados do PP, do PR (ex-PL), do PTB e do PMDB.

Onde se compra a honra

por Adriana Vandoni, site Prosa & Política.
.
Tenho muito interesse na oscilação da participação popular diante dos acontecimentos políticos. Sim, o brasileiro sempre teve o perfil de um povo pacato, mas nos últimos anos isso se transformou em apatia com o seu destino. Esse é o pior dos sentimentos coletivos, pois a apatia abre espaço para o surgimento de déspotas. A culpa é do atual presidente? Eu adoraria dizer: sim, o culpado é Lula e seus homens de confiança. Mas não é. Quer dizer, ele tem culpa relativa.

Seu homem de confiança foi flagrado como chefe de uma organização criminosa, montada com o objetivo de lesar o erário público para benefício próprio. Culpa de Lula. Mas as ações dessa turma causam em alguns setores da população nojo e não apatia.

O culpado pela apatia é a impunidade. E essa é de responsabilidade da Justiça Brasileira, que se perde nos detalhismos das Leis que não foram elaboradas para punir os erros, mas para absolvê-los em suas brechas. Com um bom advogado, você pode roubar e matar, mas para quem não tem, para esses, os rigores da Lei.

A recorrente impunidade foi aos poucos corroendo o sentido de certo e errado, fez com que os valores morais fossem substituídos por valores patrimoniais ou valores temporários e tênues, como os decorrentes do poder político. A falta de punição institucionalizou a corrupção, deu ao ato vil um status romanceado que mistura esperteza com inteligência.

Certa vez, poucos anos atrás, um morador de uma cidade do interior do Rio de Janeiro me contou sobre um famoso político da região. Ele dizia que o tal político era o maior gangster que já existira no pedaço. Envolvido em tantas falcatruas quanto é possível imaginar. Comandava, através de dinheiro público, todas as cidades da região. Comprava prefeitos, lideranças e jornalistas.

Durante o relato, o morador disse: "mas uma coisa temos que reconhecer, o homem é trabalhador. Às seis da manhã já está no gabinete, sem hora pra voltar pra casa. Não deixa de retornar a uma só ligação, seja do governador, do presidente ou da moradora do bairro mais pobre da cidade". Como se as horas trabalhadas e a atenção dispensada fossem determinantes de honestidade. Esta é a distorção dos valores.

Algo semelhante aconteceu dias atrás em Mato Grosso. O estado assistia à polêmica em torno de um homem público que havia trabalhado ilegalmente em dois lugares ao mesmo tempo, no senado e em uma empresa no Pará. Pois bem, li um artigo que afirmava: "ora, se ele trabalhou nos dois lugares ao mesmo tempo é sinal de competência". Não, isso não é sinal de competência, isso é sinal de transgressão. É a nítida deturpação de valores morais, do senso de legalidade. Diria ao autor que competência seria se o tal não estivesse transigindo a Lei, que considera o ato um crime. A postura do autor do texto usou a mesma lógica do morador da cidade para legitimar um erro. "O homem é trabalhador". Entendendo assim a população, sem nem perceber, vai adulterando os conceitos de moral, valor e honra.

Continuando minha conversa, o morador da cidadezinha disse que o tal político estava no poder a tanto tempo e vinha se livrando de tantos processos, denúncias e acusações feitas contra ele que até já começava a se esquecer dos crimes e erros praticados.

Esta é a segunda fase do que a falta de punição pode causar em um país. No caso relatado a impunidade era tanta que tinha chegado num ponto que o tempo estava lavando a existência do corrupto. Como? Ora, ele não precisa mais roubar, daqui pra frente ele será um homem limpo.

O que o morador disse nada mais é que uma espécie de lavagem de passado. Foi esse o mecanismo que o Comendador Arcanjo tentou realizar aqui em Mato Grosso, promovendo festas beneficentes e participando de rodas sociais e até com grupos do judiciário. O tempo daria o indulto a ele, e só foi impedido pela ação dos membros do Ministério Público, que não se curvaram à sua artimanha. Arcanjo foi uma exceção. Muitos ainda circulam impunes entre nós, e o Brasil vai perdendo, assim, o sentimento de nação, e a sociedade conferindo honra e retidão a bandidos e corruptos.

TOQUEDEPRIMA...

***** Força-tarefa para fazer o processo andar

Recebida a denúncia contra os 40 acusados de integrar o esquema do mensalão, o Supremo Tribunal Federal (STF) dará início à ação penal ouvindo todos os réus. Mas, para evitar que o processo se arraste, ao fim da sessão de ontem os ministros decidiram determinar à Justiça Federal nos estados que ouça o depoimento tanto dos acusados como das testemunhas.

Com isso, os juízes da primeira instância trabalharão numa espécie de força-tarefa para agilizar a conclusão do processo. O ministro Cezar Peluso ainda sugeriu que nenhum recurso apresentado pelos réus possa impedir a realização dos depoimentos. Os demais ministros do STF concordaram com a proposta.

***** Déficit da Previdência atinge R$ 3,212 bilhões em julho

A Previdência Social registrou déficit de R$ 3,212 bilhões no mês de julho - as receitas somaram R$ 11,195 bilhões e as despesas R$ 14,407 bilhões. O resultado representa uma queda de 5,4% em relação a junho e de 10,3% ante o mesmo mês do ano passado.

De janeiro a julho, a Previdência acumula déficit de R$ 24,228 bilhões, número 3,4% maior que o registrado no mesmo período de 2006. As receitas cresceram 10,1%, para R$ 74,710 bilhões, enquanto as despesas apresentaram elevação de 8,4%, para R$ 98,938 bilhões.

***** Jobim admite que culpa é do governo no caos aéreo

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, admitiu nesta terça-feira que os recentes problemas no sistema aéreo ocorreram por falta de gerenciamento do governo. Ele afirmou que para mudar o quadro é preciso estabelecer responsáveis por cumprir determinadas funções.

"As soluções agora são de gestão. Dizer quem manda e quem obedece. O sistema hoje tem muito cacique para pouco índio", declarou à CPI do Apagão Aéreo. Jobim afirmou que a criação da Secretaria Nacional de Aviação Civil vai contribuir para determinar as diretrizes que devem ser tomadas. Ele também anunciou uma possível reformulação na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).Sobre as empresas, o ministro disse que é preciso elevar as punições para que elas cumpram as regras. Segundo Jobim, atualmente funciona a lógica de mercado: "A companhia decide se é mais barato pagar a multa ou transportar o passageiro no tempo estabelecido."

***** Calheiros critica voto aberto de senadores no Conselho


O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), negou-se nesta terça-feira a comentar a possível votação aberta do relatório de seu processo no Conselho de Ética. Logo após, ele criticou os senadores que propuseram a medida."Voto secreto é uma coisa delicada. Já houve quem teve de renunciar pela abertura do voto", afirmou Calheiros, referindo-se às renúncias de Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda no escândalo do painel do Senado.

O líder do Democratas no Senado, José Agripino (RN), foi o autor da sugestão para o voto aberto no caso Calheiros.

***** Lula critica governadores que fazem oposição ao seu governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os governadores que estariam fazendo oposição ao seu governo. Ele disse que não se deve fazer disputa político-partidária entre os Estados e a União, e sim fechar parcerias em benefício do povo.

"Nós temos que trabalhar juntos porque a única chance de melhorar a vida do povo é não repetir o erro do passado: quando o presidente não gostava do governador não dava dinheiro; o governador não gostava do presidente não saia projeto. Quando o governador e o presidente brigam, quem paga o pato não é presidente nem o governador, mas o povo pobre", afirmou Lula.

O presidente disse que governa para os pobres porque as elites nem precisam do governo. "Nós temos três anos e meio de mandato e precisamos fazer o mais necessário, que é garantir a parte mais pobre da população que ela conquiste a cidadania que outros já conquistaram. Tem gente que não precisa do governo, porque já tem carro, casa, plano médico, tem tudo. E tem uma parcela que não tem nada e é essa que precisamos ajudar", declarou Lula.

***** Diretor da Anac pede demissão

O ministério da Defesa confirmou nesta terça-feira a saída de mais um diretor da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). De acordo com o ministro Nelson Jobim, o diretor de Segurança Operacional, Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos, Jorge Luiz Veloso, entregou uma carta de demissão e teria alegado motivos pessoais.

Na última sexta-feira, a ex-diretora da Anac Denise Abreu decidiu renunciar ao cargo. A decisão foi tomada um dia após ela afirmar a deputados da CPI do Apagão Aéreo que permaneceria no posto.

***** Advogados prometem muitos recursos no STF

O advogado do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), Luiz Francisco Corrêa Barbosa, prometeu ser um dos primeiros a entrar com recurso contra abertura de processo contra seu cliente por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A expectativa é de muitos acusados ajam da mesma forma.

"Vou aguardar o acórdão que será publicado pelo Supremo com a decisão do julgamento. Mas a denúncia não demonstra que Jefferson recebeu dinheiro na qualidade de funcionário público", declarou Corrêa Barbosa.

O relator do caso do mensalão no STF, ministro Joaquim Barbosa, disse que há indícios de que Jefferson recebeu R$ 4 milhões do empresário Marcos Valério para pagar campanhas municipais do PTB. "Não vi os requisitos necessários à corrupção passiva", rebateu o advogado de Jefferson. Ele também promete contestar o enquadramento no crime de lavagem de dinheiro. "Jefferson não disse qual a destinação final do dinheiro que recebeu de Marcos Valério. Mas o ponto de partida para lavagem de dinheiro é a origem ilícita dos recursos", concluiu Corrêa.

***** Marco Aurélio de Mello promete que mensalão não acaba em pizza

Após quatros dias de julgamento da denúncia do escândalo do mensalão, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio de Mello afirmou que as acusações não vão dar em pizza. "Nós não estamos no âmbito de uma pizzaria", disse Marco Aurélio, negando possibilidade de prescrição de crimes. Segundo ele, a conclusão do processo criminal acaba em três anos.

O ministro Celso de Mello prometeu dar o retorno que a sociedade deseja. Ele afirmou que a Suprema Corte vem provando que a população precisa acreditar nas leis e na Justiça. "Ninguém, ninguém, está acima da Constituição e das leis da República, eventuais transgressores das leis criminais serão objeto persecução por parte do Ministério Público, respeitadas as garantias constitucionais", disse.

Celso de Mello ainda lembrou que "é preciso reconhecer que os cidadãos desta República têm direito a um governo honesto. Tem direito a legisladores probos, a administradores honestos e a juízes incorruptíveis".

***** Congresso é o maior cliente do STF

Decano entre os dez integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Celso de Mello atribuiu ontem o acúmulo de ações penais na Corte à má conduta dos parlamentares brasileiros. Ao fim da quinta e última sessão de análise da denúncia contra os 40 acusados de operar um esquema de compra de apoio político ao governo, ele disparou uma crítica a deputados e senadores que se escudam no foro privilegiado para serem julgados na mais alta Corte de Justiça do país.

— A maior clientela do Supremo situa-se no Congresso — disse o ministro, ao comentar o discurso de encerramento da presidente do tribunal, Ellen Gracie Northfleet.

Modelo Lula: dois Brasis separados pelo seu governo

Reinaldo Azevedo

Do Portal G1. Volto depois:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira (28) a disputa político-partidária feita depois da eleição entre os estados e a União. Ele enfatizou que os governos federal e estaduais precisam fechar parcerias em benefício da população mais pobre do Brasil.

“Nós temos que trabalhar juntos porque a única chance de melhorar a vida do povo é não repetir o erro do passado: quando o presidente não gostava do governador não dava dinheiro; o governador não gostava do presidente não saia projeto. Quando o governador e o presidente brigam quem paga o pato não é presidente nem o governador, mas o povo pobre”, disse Lula.O presidente participou, ao lado do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PSDB), e de Goiás, Alcides Rodrigues Filho (PP), de cerimônia de assinatura de parceria nas áreas de segurança pública, saneamento básico e transportes com os dois estados. O evento ocorreu em Ceilândia, cidade-satélite mais populosa do DF.

Lula voltou a afirmar o discurso sobre sua preferência por realizar política para os pobres sob argumento que as elites não precisam do estado brasileiro. “Nós temos três anos e meio de mandato e precisamos fazer o mais necessário, que é garantir a parte mais pobre da população que ela conquiste a cidadania que outros já conquistaram”, disse. “Tem gente que não precisa do governo, porque já tem carro, casa, plano médico, tem tudo. E tem uma parcela que não tem nada e é essa que precisamos ajudar”, acrescentou.

Lula criticou a posição de governadores que, mesmo depois do final da eleição, mantêm a disputa político-partidária. “As eleições já terminaram e tiveram ganhadores de tudo quanto é partido. Nós não podemos ficar com eleição na cabeça porque a nossa obrigação é governar”, disse o presidente.

Voltei
É um discurso idiota. Governo não é ONG nem entidade assistencial. Se for assim, Lula que se aposente, e a gente chama alguma pastoral da Igreja Católica para tocar a administração.

Qualquer setor da sociedade precisa de governo — é bom não confundir com estatismo ou com ingerência oficial na vida dos cidadãos. Os “incluídos” precisam de governo, por exemplo, para a redução da carga tributária, que cassa dinheiro da sociedade e o esteriliza na gestão da máquina. Com menos tributos, é bem possível que se tenha mais investimentos, o que gera mais empregos, o que também pode ser bom para os “excluídos”.

Se o não-governo de Lula para quem “já tem carro, casa, plano médico, tudo” implicasse não ser sufocado pelo aparato burocrático e, às vezes, confiscatório, vá lá. Mas isso é mentira. Essas pessoas, na verdade, estão submetidas a governo demais. Não há uma só teoria econômica responsável que ignore que a chave do desenvolvimento e do progresso social está nos setores produtivos da sociedade. É ali que se concentra a riqueza necessária para fazer a economia crescer, para um país avançar.

Na cabeça de Lula, há dois países distintos. E curiosamente separados pelo seu governo.

O que é macroeconomia ? Lula não sabe.

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Em tese, aceito que um presidente não tenha domínio técnico de todos os assuntos pertinentes ao seu governo. Porém, deveria ao menos ter senso do ridículo. Ou seja, se for para falar sobre um determinado, ou que deixe seus técnicos falarem por si, ou simplesmente, se informe para não ficar falando disparates.

Em outro post, comentamos uma parte da entrevista de Lula ao Estadão sobre a questão da união de classes que havia, e o apartheid que está sendo feito pelo atual governo.

De toda a entrevista, em dado instante Lula demonstrou o quanto sabe ser maldoso e mal intencionado. Leiam este trecho:

"Estadão - Mudou o quê na macroeconomia, presidente? Qual foi o ponto de virada em relação ao que existia?

Lula - O ajuste fiscal que nós fizemos em 2003. Você acha que não contou nada para a gente poder garantir a economia? A nossa política de crédito, a nossa política de transferência de renda? A nossa política de inovação tecnológica, a quantidade de desoneração que nós fizemos? Não mudou nada neste país? Os fatos comprovam as mudanças. E digo para vocês que eu talvez seja o presidente mais tranqüilo que já passou pela República brasileira. Acho que nenhum presidente da República teve a tranqüilidade que eu tenho hoje. O Brasil está sólido economicamente, está ficando sólido socialmente, está respeitado internacionalmente como nunca esteve, tem possibilidade de crescimento extraordinária, vamos implantar a TV digital. Estou muito tranqüilo."

Alguma coisa da resposta de Lula se refere a macroeconomia ? Claro que não. Ocorre que, além de não saber, responder sobre macroeconomia equivaleria a ter de admitir que nunca houve a tal “herança maldita” do governo anterior. Até pelo contrário. A estabilidade econômica atual tem dois alicerces básicos: de um lado, foi o governo FHC quem plantou todas as suas sementes. E de outro, o bom momento da economia mundial nos últimos cinco anos. É neste conjunto que se assenta nosso bom momento. Ou seja, sua conquista em nada se deve ao governo atual, ao governo Lula.

Contudo, admitir isto para o arrogante presidente é uma grandeza que em hipótese alguma ele tenciona assumir. Nem tampouco o seu festejado Bolsa Família é uma obra inteiramente sua.

Contudo, e neste tópico especificamente, vale destacar o seguinte: quando Lula assumiu em janeiro de 2003, haviam cerca de 6 milhões de famílias cadastradas nos programas sociais implementados pelo Fernando Henrique, o que beneficiava cerca de 30 milhões de pessoas, ou 1/6 da população . Quatro anos e meio depois, e após os “aperfeiçoamentos” introduzidos por Lula, os beneficiados saltaram para 11 milhões de famílias ou 45,6 milhões de pessoas, ou ainda, um quarto da população. Assim, perguntamos: o governo de Lula é para os pobres, ou para empobrecer ?

Fácil de entrar, difícil de sair

Giuliano Guandalini, Revista VEJA

O Bolsa Família já chega a um em cada quatro brasileiros – mas sem que se abra uma saída para o ciclo da miséria

Um em cada quatro brasileiros vive hoje com a ajuda do Bolsa Família. São 11,1 milhões de famílias, ou 46 milhões de pessoas, segundo estudo divulgado na semana passada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Metade dos beneficiários está no Nordeste, onde há 5,5 milhões de famílias sob o cobertor do assistencialismo do estado – o equivalente à população de toda a Grande São Paulo. Isso significa que, a cada dois nordestinos, um recebe o Bolsa Família. Não é pouca coisa. Nem o mais notório programa social da história – os food stamps, cartões-alimentação do período da Grande Depressão americana – teve alcance similar. Entre 1939 e 1943, os food stamps não chegaram a beneficiar mais de 4 milhões de pessoas por mês, ou menos de 3% da população dos Estados Unidos à época.

Felizmente, pesquisas indicam que o ambicioso programa brasileiro é bem direcionado e contribui para reduzir a desigualdade de renda no país. No entanto, peca ao não abrir portas de saída para seus assistidos. Uma vez inscritos no programa, são pouquíssimos os que o deixam, ao contrário do que ocorria com os food stamps. Assim, o Bolsa Família transformou-se num meio de vida, e não numa ajuda emergencial e transitória. Nas áreas mais pobres, como o sertão nordestino e o mineiro, já há falta de mão-de-obra para a lavoura. Em vez de roçarem ou semearem, os ex-agricultores preferem ficar em casa, sacando mensalmente sua parcela do Bolsa Família ou algum outro benefício. Por isso se tornou extremamente difícil – se não impossível – que qualquer governo se sinta em condições de eliminá-lo no futuro, mesmo se ele se tornar obsoleto.

Como, então, resolver o problema? Uma das soluções é ampliar as condições para que o benefício seja concedido e, talvez, estipular prazos de duração. Caso contrário, o programa se encerrará num assistencialismo fácil – equiparável a lançar dinheiro de helicóptero sobre regiões castigadas pela fome. Quem ganha o Bolsa Família pode até abandonar a miséria extrema, mas não vislumbra a oportunidade de saltar de classe social – afinal, cada atendido ganha, em média, 15 reais por mês. De acordo com os estudiosos, a redução efetiva da desigualdade depende de dois fatores: o investimento em educação de qualidade e o acesso ao crédito. Daí a importância de iniciativas como o microcrédito idealizado pelo economista Mohammad Yunus, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2006. Há trinta anos, Yunus fundou em Bangladesh o Banco Grameen e ajudou assim a alicerçar as fundações do microcrédito em vários outros países – menos no Brasil, onde a iniciativa ainda é tímida. O Grameen funciona, grosso modo, como uma grande cooperativa. Os juros são reduzidos, e a inadimplência é baixíssima. Os valores emprestados são módicos, mas suficientes para que as pessoas mais humildes dêem o pontapé inicial em pequenos negócios. O dinheiro dos repagamentos permite que o crédito se espalhe para outras famílias.

Mas, para reverter a pobreza, o ponto vital é mesmo a educação. Quanto maior a diferença do nível educacional entre as pessoas, mais desigual tende a ser a distribuição de riqueza. Aqueles que estudaram por mais tempo e nas melhores escolas ficam com os empregos de remuneração mais elevada, perpetuando assim desigualdades seculares. Desde a década de 70, graças a estudos do professor Carlos Langoni, sabe-se que a educação pública ruim está na raiz da desigualdade social brasileira. Ainda assim, a questão mal começou a ser atacada – e o que não falta é dinheiro público. O Brasil, ao contrário do que faz parecer a precariedade dos serviços públicos, é na verdade um dos países que mais gastam em assistência social no mundo. Apenas europeus despendem mais no setor (veja quadro ao lado). O custo da assistência social bancada apenas pelo governo federal – incluindo programas como o Bolsa Família, Previdência, educação e saúde – ultrapassou 300 bilhões de reais no ano passado, um aumento de 40% em relação a 2003. Como dinheiro não cai do céu nem dá em árvore, esse avanço só foi possível graças a um rápido aumento da arrecadação de impostos. Essa tem sido a receita de sucessivos governos: tributar mais para gastar mais. O paradoxo é que a elevação da carga de impostos estrangula o potencial de crescimento econômico – e retarda a diminuição da pobreza. Uma saída seria aproveitar o espetacular aumento da arrecadação para diminuir impostos ou eliminá-los. O governo poderia, por exemplo, enterrar de vez a CPMF (veja quadro abaixo), tributo que veio para ser provisório e, como o Bolsa Família, tende a se perenizar. Mas não há sinais disso, ao contrário. O governo se esforça para prorrogar, por mais quatro anos, a cobrança da CPMF.

O Bolsa Família, reconhecem todos os especialistas no assunto, tem seus méritos. Como gosta de dizer o economista José Márcio Camargo, professor da PUC-Rio e um de seus criadores, o programa é como um investimento no futuro dos filhos dos beneficiados. Isso porque, sem essa ajuda, as crianças deixariam de ir à escola para trabalhar. Mas, obviamente, de nada adianta as crianças irem ao colégio se não aprenderem nada. Nos últimos anos, o Brasil avançou muito na universalização do ensino, mas a qualidade deixa a desejar, para dizer o mínimo. Como resultado, é muito provável que os filhos das famílias que vivem hoje sob o guarda-chuva do Bolsa Família tenham o mesmo destino de seus pais. Como resumiu à perfeição o historiador Marco Antonio Villa, em um artigo publicado na Folha de S.Paulo: "O Bolsa Família está criando uma geração de Jecas Tatus high-tech, cuja diferença em relação à matriz lobatiana é a utilização do cartão magnético para sacar o benefício. E pobre daquele que no futuro pensar em diminuir ou cortar tais benefícios: estará assinando sua certidão de óbito política".

Pessoal e previdência representam 46% ...

... do aumento nos gastos do governo
por Mariana Braga, do site Contas Abertas
.
Se por um lado os bons ventos da economia impulsionaram os investimentos no início de 2007, por outro, as despesas globais da União também se intensificaram. Estimativas do Ministério do Planejamento apontam para um crescimento de 15,4% nos gastos dos Três Poderes este ano em relação a 2006, em termos reais e desconsiderando a rolagem da dívida. Com o avanço dos dispêndios, o impacto adicional nos cofres será de R$ 62,4 bilhões, quase o dobro da quantia gerada anualmente pela Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O problema é que o aumento atinge, sobretudo, itens do orçamento considerados obrigatórios. Só os gastos com pessoal e com a previdência respondem por 45,7% do incremento.No ano passado, as despesas globais da União chegaram a R$ 405,3 bilhões, o que correspondeu a 17,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. No início deste ano, as previsões da Lei Orçamentária indicavam que até dezembro os gastos dos órgãos ligados aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário não ultrapassariam a marca de R$ 463,5 bilhões. No entanto, a última reprogramação do governo prevê um aumento de mais R$ 4,2 bilhões nas expectativas iniciais. Com isso, os dispêndios da União devem chegar a 18,6% do PIB até o fim de 2007.

O excesso de despesas poderia alimentar a esperança de que eventuais cortes drásticos aliviariam o peso da elevada carga tributária brasileira, que está entre as maiores do mundo. No entanto, do incremento de mais de R$ 60 bilhões, 76% se referem a itens que a administração pública não pode deixar de pagar. Para se ter uma idéia, só com o pagamento de pessoal e encargos sociais, que corresponde a um quarto das despesas globais, a União deverá desembolsar em 2007 R$ 118,1 bilhões. Um aumento de R$ 11,9 bilhões em relação a 2006, o que corresponde quase que ao orçamento total do Ministério dos Transportes previsto para este ano.

Com o pagamento de benefícios previdenciários, por sua vez, o governo prevê gastar R$ 16,6 bilhões a mais do que no ano passado. Juntos, previdência e pessoal correspondem a 64,2% de todas as despesas federais previstas para este ano, excluindo aí o pagamento de parcelas e juros da dívida. Como se não bastassem esses dois, outros R$ 19 bilhões serão gastos a mais em 2007 com os demais itens também considerados obrigatórios. Aí está incluído, por exemplo, o pagamento de subsídios e subvenções, que até o fim do ano, deverá consumir R$ 9,3 bilhões dos cofres federais, cerca de R$ 1 bilhão a mais do que em 2006.

As despesas com abono e seguro desemprego é outro elemento que faz engordar as contas indispensáveis. Este ano, a expectativa é de que R$ 17,2 bilhões sejam desembolsados para arcar com o item, o que reflete um aumento de R$ 2,3 bilhões em relação ao ano passado. A diferença supera todo o orçamento previsto para a Pasta de Turismo em 2007. Outras rubricas que também integram a lista das não passíveis de cortes se referem ao ressarcimento pago a estados e municípios, por conta da Lei Kandir, além do pagamento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), da renda mensal vitalícia, da fabricação de cédulas e moedas, entre outros.

Por últimos, as despesas classificadas no jargão econômico como "discricionárias" – ou seja, não tão obrigatórias – foram as que tiveram menor impacto na elevação dos gastos da máquina administrativa, embora também significativo. Apesar de, em se tratando de orçamento, a conta ter essa classificação de "opcional", é aí que estão incluídos todos os investimentos federais – aquisição de maquinário e obras – além dos gastos com o Sistema Único de Saúde (SUS), o Bolsa Família e todo o custeio da máquina administrativa (diárias, passagens, vigilância, limpeza, material de consumo, etc.).De acordo com as expectativas do Ministério do Planejamento, este ano, as despesas discricionárias sofrerão um aumento de R$ 14,4 bilhões em relação ao ano passado, o equivalente a todos os gastos do Ministério da Fazenda previstos para 2007. Até dezembro tais dispêndios deverão superar a casa dos R$ 100 bilhões.

A maior parte desse aumento se refere aos dispêndios com o Projeto Piloto de Investimento (PPI), pacote de obras consideradas prioritárias pelo governo, as quais integram parcialmente o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), carro-chefe do atual mandato. De acordo com a Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados, cortes nas despesas discricionárias são sempre possíveis, no entanto, nada que chegue a muito mais do que R$ 5 bilhões.

O economista e especialista em contas públicas, Raul Velloso, considera prejudicial o aumento dos gastos correntes, que se verifica há anos no Brasil. Além disso salienta que só tem sido possível conciliar a aceleração dos investimentos com o crescimento das despesas correntes, devido à queda nos superávits fiscais resultante da forte expansão da arrecadação.

Velloso vê no que chama de "cortes na veia" – redução dos gastos discricionários - a única alternativa para reduzir o peso de tributos como a CPMF e garantir a saúde das contas públicas. Para ele, alterações nas taxas de juros podem colaborar, mas devem obrigatoriamente vir acompanhadas de uma redução de despesas por parte do governo, sobretudo em itens de peso no gasto não-financeiro (como previdência e pessoal).

Além de não punir, PT ainda festeja seus acusados

Escrito por Josias de Souza

No escândalo do mensalão, o PT adotou um comportamento algo psicótico. Parecia empenhado em provar que também os partidos políticos ceifam a própria vida. A exemplo de outros suicidas, o PT viu-se às voltas com a absoluta falta de auto-estima. Portou-se como um Narciso às avessas. Cuspiu na própria imagem. O PT fez o pior o melhor que pôde.

Pois bem, o corre-corre do STF recomendaria à falta de ética que, depois de cair na vida, pensasse em maneirar. Porém, em vez de expiar os pecados, o petismo decidiu chutar de vez o pau da barraca. Deve-se ao repórter Fábio Zanini descoberta de um mega-jantar organizado para render homenagens aos camaradas-mensaleiros. A escolha do cardápio não poderia ter sido mais adequada: pizzas. Leia:

“Os petistas denunciados no escândalo do mensalão receberão a solidariedade de seu partido na próxima quinta-feira, véspera do início do 3º Congresso da legenda, em um jantar em São Paulo.
O evento foi marcado para aproveitar a presença dos delegados que estarão chegando para o congresso, em que a questão da ética e a avaliação das crises que o partido atravessou desde 2005 deverão estar na pauta. Apesar de ocorrer numa churrascaria, será um rodízio de pizzas, massas e saladas.

O pretexto para o ato é a sessão do STF (Supremo Tribunal Federal), que desde a semana passada analisa se aceita a denúncia contra 40 pessoas.

Entre os petistas,foram denunciados o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, o ex-presidente do PT e atual deputado federal por São Paulo José Genoino, o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (SP), o deputado Paulo Rocha (PA), os ex-deputados João Magno (MG) e Professor Luizinho (SP) e o ex-ministro Luiz Gushiken (Secom).

A idéia do jantar surgiu entre apoiadores de João Paulo em sua base política, Osasco (SP), mas o desagravo deverá se ampliar para todos os petistas acusados. Os organizadores esperam entre 200 e 300 pessoas no evento, no restaurante Parrilla Brasileña. A capacidade da casa é de 250 pessoas sentadas, e cada convidado pagará sua parte: R$ 9,90 só pelo rodízio. Um convite começará hoje a ser distribuído via internet.

"Pensamos num ato de desagravo porque o pessoal ficou muito indignado com a aceitação da denúncia contra o João Paulo, especialmente a que tratou da lavagem de dinheiro", disse Sergio Ribeiro, membro da direção estadual do PT e um dos organizadores do evento.

A expectativa é que Genoino, Dirceu e os outros petistas denunciados no escândalo compareçam, embora eles ainda não tenham confirmado. O ato de desagravo servirá como combustível político para o grupo enfrentar os debates no congresso, que começam na manhã seguinte e vão até domingo.

Formalmente, o jantar é um evento de petistas, e não do PT. O partido institucionalmente não está contribuindo financeiramente, até porque a reputação dos mensaleiros é grande na ala que controla o partido, mas bem menor em tendências internas de oposição.

Dificilmente figuras de proa de tendências "radicais" ou da órbita do ministro da Justiça, Tarso Genro, comparecerão, uma vez que fazem oposição acirrada ao grupo que protagonizou o escândalo do mensalão dentro do partido."

TOQUEDEPRIMA...

***** Lula de olho na aposentadoria

Lula, o presidente, não quer mais o aperto do tempo de Lula, o metalúrgico. Ele está preocupado com seu padrão de vida após concluir o mandato, em 2010, segundo revelou no almoço, ontem, com os governadores do DF, José Roberto Arruda, e de Goiás, Alcides Rodrigues, o vice-governador do DF Paulo Octavio e seis ministros. Ele acha que um ex-presidente precisa ter assegurada uma inatividade digna. Vem aí mais uma aposentadoria.

Lula lembrou que o ex-presidente Ernesto Geisel teve de trabalhar na Norquisa e que Itamar Franco foi embaixador porque precisava do salário.

O presidente Lula acumula pelo menos duas aposentadorias: uma por invalidez e outra como "anistiado político". Total: cerca de R$ 6 mil/mês.

***** STF pode condenar José Dirceu a 75 anos
Redação Terra

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT-SP), denunciado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, por corrupção ativa e formação de quadrilha, suspeito de envolvimento no suposto esquema do mensalão, pode ser condenado a 75 anos de prisão, caso receba pena máxima para todas as denúncias. O STF acatou nove denúncias de corrupção ativa e outra de formação de quadrilha contra Dirceu.

O resultado, no caso de Dirceu, é obtido através da soma das penas máximas dos crimes de corrupção ativa (8 anos) e formação de quadrilha (3 anos). No entanto, a defesa de José Dirceu poderá, caso ele seja condenado, pedir a unificação das penas. Nesse caso, o cálculo da condenação é refeito e a soma delas não poderá exceder 30 anos, conforme previsto na Constituição.

Dirceu foi acusado pelo ex-deputado petebista Roberto Jefferson de ser o mentor do suposto mensalão. O ex-ministro da Casa Civil se afastou do cargo um mês depois das denúncias de Jefferson e reassumiu a sua cadeira na Câmara dos Deputados.

Quando deixou o governo, disse que queria se concentrar na sua defesa. Foi um dos poucos condenados pela Comissão de Ética da Câmara e teve os seus direitos políticos suspensos até 2015. A denúncia do Ministério Público também aponta Dirceu como um dos principais membros do esquema.

Depois de cinco dias de julgamento, totalizando mais de 30 horas de trabalhos, o STF aceitou denúncia de Antonio Fernando Souza contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema do mensalão. Os denunciados responderão a ação penal.

***** STF pode condenar Valério a 1.131 anos
Redação Terra

O publicitário Marcos Valério, denunciado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, suspeito de envolvimento no suposto esquema do mensalão, pode ser condenado a 1.131 anos de prisão, caso receba pena máxima para todas as denúncias. O STF acatou contra ele 11 denúncias de corrupção ativa, seis de peculato, 65 de lavagem de dinheiro, 53 de evasão de divisas e outra por formação de quadrilha.

O resultado é obtido através da soma das penas máximas dos crimes de corrupção ativa (8 anos), peculato (12 anos), lavagem de dinheiro (10 anos), evasão de divisas (6 anos) e formação de quadrilha (3 anos).

No entanto, a defesa de Valério poderá, caso ele seja condenado, pedir a unificação das penas. Nesse caso, o cálculo da condenação é refeito e a soma delas não poderá exceder 30 anos, conforme previsto na Constituição.

O publicitário é acusado de ser o operador do mensalão e de crimes contra a ordem política, financeira, eleitoral, criminal e fiscal. Além do envolvimento com o mensalão, é acusado de manter esquema semelhante em 1998 com o PSDB.

Valério negou envolvimento no esquema, mas assumiu que fez empréstimos ao PT a pedido de Delúbio Soares.

Depois de cinco dias de julgamento, totalizando mais de 30 horas de trabalhos, o STF aceitou denúncia de Antonio Fernando Souza contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema do mensalão. Os denunciados responderão a ação penal.

***** Gol: controlador teria evitado outro acidente no mesmo dia
Redação Terra

O controlador Lucivando Tiburcio de Alencar, do Cindacta 1 de Brasília, disse em depoimento na Justiça Federal em Sinop (MT) que havia um risco de uma segunda tragédia, semelhante ao do Boeing da Gol e o jato Legacy, em 29 de setembro do ano passado. A informação é do Só Notícias.

Ele explicou que, quando assumiu o monitoramento do vôo do Legacy, também detectou que outras duas aeronaves poderiam colidir e decidiu intervir mantendo contato com os pilotos de ambas. O controlador não citou o local onde poderia ocorrer o acidente.

Ele declarou também que o controlador Jomarcelo Fernandes dos Santos não informou que os pilotos do Legacy, Joseph Lepore e Jan Paladino, voavam com o transpoder desligado. Em seu depoimento, Jomarcelo não respondeu à pergunta do juiz sobre o equipamento.

Lucivandro afirmou ainda que "somente o radar primário estava funcionando" e informava a posição exata que a aeronave voava. O radar secundário (ativado no momento que o avião decola), que informa a altitude, não estava funcionando quando Legacy sobrevoava a região próxima da colisão com o Boeing.

Ele afirmou ainda que tentou três chamadas com o Legacy, mas não conseguiu. Queria confirmar altitude e outras informações e enviou uma mensagem "às cegas", sem saber se os americanos receberam.

O controlador confirmou que por aproximadamente um minuto o jato desapareceu do radar e que o sumiço de aeronaves ocorre com freqüência devido ao alcance limitado do radar.

Lucivandro Tibúrcio de Alencar e outros três respondem a processo por homicídio culposo. O Ministério Público denunciou Jomarcelo Fernandes dos Santos por homicídio doloso pelo fato de ter conhecimento da altitude errada do Legacy e não ter avisado os pilotos.

***** Renan: membro da mesa diretora pede afastamento
Redação Terra

O secretário-geral adjunto da mesa diretora do Senado, Marcos Santi, subordinado à presidência da Casa, pediu afastamento do cargo nesta terça-feira. O motivo, segundo ele, foram as pressões sofridas pela consultoria jurídica para que os votos na sessão que julgará o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), sejam secretos, quando a votação deveria ser aberta. As informações são do Jornal da Globo.

Santi, que é funcionário público concursado, disse que está disposto a relatar a integrantes do Conselho de Ética as pressões que a mesa diretora teria sofrido na última semana para beneficiar o senador Renan Calheiros.

O Conselho Jurídico do Senado recomendou hoje que os votos fossem feitos secretamente. Calheiros responde a processo por quebra de decoro parlamentar por suspeita de ter tido as contas pagas por um lobista da construtora Mendes Júnior.

***** Pizza em desagravo

Um rodízio de pizzas foi o cardápio escolhido pelo PT de Osasco para um jantar em desagravo ao deputado João Paulo Cunha (PT-SP), réu em ações por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e peculato no Supremo Tribunal Federal. Outros réus do mensalão, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e o ex-presidente do PT José Genoino, foram convidados para o evento marcado para amanhã à noite, no restaurante Parrilla Brasileña, às vésperas da abertura do 3 Congresso Nacional do PT, que vai de sexta a domingo em São Paulo.