quarta-feira, junho 20, 2007

Meirelles: inflação não é sempre ruim

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, fez ontem uma leitura positiva do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado na semana passada. Para o presidente do BC, os números mostram a continuidade do crescimento econômico brasileiro que, na opinião dele, será sustentado. "O PIB mostra claramente que o Brasil está na rota de crescimento sustentável", disse o presidente do Banco Central.

Segundo o presidente do Banco Central, "alguns transmitem uma idéia de que quando há uma surpresa inflacionaria positiva, isso é ruim para o País. Não é. O salário real aumenta, portanto o poder de compra em um país que tem condição de crescer mais". Na defesa da atuação do Banco Central, Meirelles ainda mostrou que em países como Nova Zelândia, Reino Unido, Chile e Israel, a inflação costuma sempre orbitar ao redor do centro da meta, ficando em diversos momentos abaixo deste alvo.

Para Meirelles, dois fatores são especialmente importantes: o aumento do investimento e do consumo das famílias, este último tendo crescido 6% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano anterior. "O PIB também mostra a força do investimento e do consumo das famílias que são dois componentes essenciais para o crescimento continuar", disse.

Ele ressaltou, também, o aumento da massa salarial, que foi de 8,4% em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado. "Esse é um crescimento impressionante de patamares asiáticos", destacou. Durante palestra para os associados da Câmara Americana de Comércio (Amcham), Meirelles voltou a rebater os críticos do controle inflacionário rígido exercido pelo BC .

Conforme ponderou, há necessidade de a sociedade compreender o quão fundamental é ter uma inflação controlada dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). "No Brasil é sempre subestimado o efeito da estabilidade econômica. Devido à pouca consciência do custo da instabilidade existe sua irmã gêmea que é a pouca consciência dos benefícios da estabilidade", disse Meirelles, para quem o Brasil já esgotou o modelo de um crescimento sustentado por meio de uma inflação mais alta.

A pergunta do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, levante o debate sobre possíveis vantagens de crescer com inflação :"Mas, mesmo assim, ainda estamos discutindo até que ponto a inflação é ruim mesmo," diz. Para ilustrar seu ponto de vista, Meirelles traçou um paralelo entre os momentos onde houve surpresas inflacionárias e o salário real das famílias, demonstrando que há uma correlação direta entre esses dois fatores.

"É necessário que a sociedade se conscientize que a inflação vai estar na meta. Ai a taxa de juros cairá e não ao contrario", analisou. Meirelles ainda destacou a necessidade de um aprofundamento da discussão em torno da elevada carga tributária do País, mas deixou claro que esse deve ser um debate amplo que envolva toda a sociedade brasileira.

"Acho que é um debate válido, talvez o mais importante do País nos próximos anos. Mas tem que ser uma decisão Nacional e não voluntarista, de uma ou duas pessoas", afirmou. Por fim, o presidente do BC se negou a discutir o estabelecimento de uma nova meta de inflação pelos membros do CMN, que deverá ocorrer na reunião marcada para o final neste mês.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Há um ligeiro equívoco do presidente do Banco Central aqui, na sua comparação com países como Nova Zelândia, Reino Unido, Chile e Israel: ocorre que nestes países o padrão médio de salários é bem alto do que no Brasil. E por uma razão simples: o desemprego é relativamente baixo, comparado com a força de trabalho ativa. Além disto, nestes países, como a carga tributária é bem inferior à nossa, quase que cem por cento dos trabalhadores encontra-se na formalidade, portanto, com seus direitos e garantias trabalhistas assegurados.

Se analisarmos o cenário Brasil vamos ver que há muita procura por emprego, a oferta é muito aquém das reais necessidades do país. Com uma enorme legião de informais, os empregos formais são disputadíssimos, basta ver a quantidade de candidatos que se aventuram em qualquer concurso público, às vezes para funções totalmente diversas das profissões que cada candidato se formou.

Portanto, com uma média salarial muito baixa, e um desemprego muito alto, poucas são as categorias que conseguem repor a inflação passada em suas negociações salariais. Para a grande maioria, que formam o exército de informais, qualquer elevação da inflação acaba sendo prejudicial a qualidade de vida dos cidadãos.

O que irrita nestes “especialistas” em Brasil é a mania de compararem o Brasil com o primeiro mundo para justificarem a espoliação a que nos achamos submetidos, servidos por serviços públicos degradantes. O Brasil precisa pensar no tamanho exato da riqueza que produz, e neste sentido, também perderemos de goleada.

Infraero prevê nova crise durante o Pan

Rivadavia Severo

A previsão da Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) é que a crise aérea continue e até se agrave em julho. A causa é o incremento do número de passageiros, no próximo mês, com a maior procura por vôos no período de férias, pelos jogos Pan-Americanos e o aumento de vôos da classe média.

A previsão é do presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, que disse ao Jornal do Brasilque os eventos programados para o próximo mês devem acarretar ainda mais atrasos.

- No curto prazo, teremos que improvisar. Mas no longo prazo necessitamos de um Plano Aeroviário Nacional - disse Pereira.

O brigadeiro avalia que os problemas recentes são motivados por falta de gente no controle do tráfego aéreo, como no embarque internacional de Guarulhos, no fim de semana passado.

Os usuários do transporte aé reo, os mais prejudicados pelos atrasos e cancelamentos, apontam como responsáveis pela crise aérea as empresas e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O coordenador das Ações Judiciais do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Paulo Pacini, disse que "não existem santos nessa história". Para ele, as companhias aéreas são as responsáveis primárias pelos atrasos e cancelamentos de vôos.

- São as companhias que assinam um contrato comprometendo-se a transportar os usuários de um destino a outro em um determinado horário - justifica.

Pacini também responsabiliza a Anac, por não prestar apoio aos consumidores.
- Falta informação generalizada sobre atrasos, itinerários, horários, e isso pode ser atribuído às empresas e a Anac.

Pacini também cobra atitudes do governo federal, do comando da Aeronáutica e dos controladores de vôo.

O movimento de passageiros nos 67 aeroportos administrados pela Infraero cresceu 8,45%, no primeiro quadrimestre de 2007, comparado ao mesmo período do ano anterior, o que dificulta as operações. Foram 36,5 milhões de passageiros embarcados e desembarcados de janeiro a abril deste ano, contra 33,6 milhões no mesmo período de 2006.

A crise do setor aéreo já foi diagnosticada em 1996, na segunda metade do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso. Mesmo assim, não foram tomadas medidas estruturais para conter a crise. Na avaliação de Pereira, é preciso aumentar os terminais e disponibilizar mais aviões para passageiros e cargas.

- Hoje estamos com 80% da capacidade de terminais de carga sendo usados, o que poderá causar um apagão de cargas no futuro - ressalta Pereira.

Senado adia votação de lei para a internet

Fernando Exman, Jornal do Brasil

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado adiou de novo a votação do polêmico projeto de lei (PLC 89/03) que trata de crimes cibernéticos, em tramitação no Congresso desde 1999. Como a proposta enfrenta várias críticas, os parlamentares decidiram realizar uma audiência pública, na próxima quarta-feira, para debater o tema. A votação do projeto deve acontecer até agosto. A preocupação de setores do governo e da sociedade é que o atual texto do projeto, sob a relatoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), reduza a privacidade e a liberdade na rede.

Consultor jurídico do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara considerou o relatório de Azeredo confuso. O presidente da Comissão de Tecnologia da Informação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Alexandre Atheniense, concordou. Disse que a tipificação dos crimes cibernéticos não é objetiva, o que pode gerar interpretações dúbias no futuro. Mas Atheniense elogiou o fato de o projeto tipificar crimes que só passaram a existir recentemente, depois da popularização de novos equipamentos de comunicação.

- A legislação brasileira é totalmente carente. Hoje, crimes cibernéticos são praticados, mas não há punição.

O advogado elogiou também a lei por obrigar os provedores de acesso à internet a preservarem eventuais indícios que possam ajudar na investigação de crimes, como datas de acesso e o número de identificação de computadores (IP) de usuários. Criticou, entretanto, a possibilidade de os provedores denunciarem usuários que considerarem suspeitos de pirataria ou pedofilia, por exemplo, pelo volume de troca de dados com outras pessoas pela internet.

- Deixa nas mãos dos provedores a quebra de sigilo e a vulnerabilidade dos dados - alertou Atheniense.

Azeredo rebateu as críticas. Disse que o adiamento da votação do projeto prejudica a imagem do Legislativo, freqüentemente acusado de ser lento. Se aprovado na CCJ, o projeto seguirá para o plenário da Casa. Como é de autoria de um deputado, retornará para a Câmara se as alterações feitas no Senado forem aprovadas. A proposta terá ainda de receber a sanção presidencial para entrar em vigor.

Segundo Azeredo, seu texto conta com o apoio de juízes e policiais, que têm pedido atualizações do Código Penal que ajudem no combate aos crimes cibernéticos. Além disso, complementou o tucano, a discussão no Senado é sobre a redação da proposta, pois é consenso entre os parlamentares que as alterações na lei são necessárias.

Sensível às críticas, Azeredo já aceitou retirar alguns trechos polêmicos do projeto, como a criação de um cadastro para a identificação dos usuários de internet e a regulamentação da auto-defesa digital. No antigo texto, ficava autorizada a invasão de redes de computador e o envio de vírus se fosse em legítima defesa.

- O Brasil é o segundo maior país em número de denúncias de fraudes na internet. Só fica atrás dos Estados Unidos - disse Azeredo. - A internet não pode ter auto-regulamentação. Estamos tratando do combate a crimes.

Defensor da realização da audiência pública, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) disse que o Congresso precisa debater o tema com a sociedade antes de votar o projeto.

- A internet é o mais importante espaço democrático do mundo contemporâneo. É um espaço que garante liberdade de expressão. Não podemos violar isso - ponderou. - Quando a matéria é complexa, é melhor demorar e fazer bem feito.

Um mundo a construir

Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa

A ninguém será dado tirar os méritos do presidente Lula, que vai governando da melhor maneira possível e, apesar dos obstáculos, consegue manter as instituições em funcionamento. Agora, não dá para aceitar, pela milésima vez, como fez em seu "Café com o Presidente", esta semana, que seu governo é o melhor desde a Proclamação da República. Para ele, o Brasil vive o seu momento mais alto desde 15 de novembro de 1889. Convenhamos, pode ser presunção, ingenuidade ou malícia, mas verdade não é.

Lula passa o apagador no quadro às vezes nem tão negro assim do nosso passado. Afinal, momentos superiores vivemos quando Getúlio Vargas estabeleceu as leis trabalhistas, quando Eurico Dutra pacificou a política nacional e quando Juscelino Kubitschek promoveu o desenvolvimento.

Se é verdade que o gaúcho governou muitos anos como ditador, que o general endividou o País e que o mineiro despertou a inflação, também fica óbvio que o atual presidente contribui para a crise no campo, sem promover a reforma agrária, que os aeroportos viraram sucursal do inferno, as rodovias esburacadas nos envergonham, a corrupção jamais alcançou níveis como os atuais, só crescemos mais do que o Haiti, o trabalho infantil aumentou, o desemprego não diminuiu.

Sem falar que boa parte da população vive de esmolas, agarrada à ilusão do bolsa-família ou sobrevivendo com a metade de um ridículo e indecente salário mínimo por mês. Melhor faria o presidente Lula em evitar essas explosões de falsa euforia e reconhecer que falta um mundo a construir e um universo a realizar.

A mão no fogo
Repete o senador Pedro Simon que não põe a mão no fogo por Renan Calheiros nem por ninguém mais. A recíproca, porém, não é verdadeira. O Brasil põe a mão no fogo por ele, sem a menor dúvida o parlamentar mais honesto, inflexível, competente e forjado para continuar prestando os maiores serviços às instituições nacionais. O preâmbulo se faz para aferirmos a distância que separa o País formal do País real. Porque, formalmente, fogem dele como o diabo da cruz, os companheiros no Senado e no PMDB.

Há tempos que teria sido não apenas o melhor nome para presidir o Congresso, mas, até, o melhor candidato à presidência pelo seu partido. O Brasil seria outro, sob sua liderança, mesmo sem a pretensão de tornar-se o melhor desde a Proclamação da República, como anda repetindo Lula a respeito de seu governo.

A razão é simples: lutaria contra a impunidade e promoveria reformas de verdade, conforme deixou claro em milhares de pronunciamentos feitos desde os tempos em que, deputado estadual no Rio Grande do Sul, liderou a oposição ao regime militar sem apelar para a violência ou o radicalismo. A impunidade, para Pedro Simon, é a grande praga que nos assola e impede a realização de reformas econômicas e sociais em condições de superar o triste quadro de elites cada vez mais ricas e uma população cada vez mais descrente. Fica o registro, para ulteriores desdobramentos do processo político em curso, capazes de surpreender. Afinal, milagres às vezes acontecem...

Não dá para calar
O nevoeiro saiu momentaneamente de campo, entraram raios, como responsáveis pelo caos nos aeroportos. Já foram cadelas na pista, urubus no ar, chuva, obras, vendas de mais bilhetes do que poltronas pelas empresas, preços baixos que aumentam o número de passageiros, acusações de sabotagem por parte dos controladores de vôo, acúmulo de serviço, panes nos equipamentos e quanta coisa a mais?

É a falência dos transportes aéreos, fenômeno que atropela o País desde o final do ano passado. O jogo de empurra continua e prejudicados são os usuários, ao tempo em que o maior responsável, o governo, enterra a cabeça na areia em meio à tempestade, feito o avestruz.

Ninguém se iluda. Continuando as coisas como vão, logo virá a reação inevitável. Da indignação tem-se passado a reclamações veementes e invasão das pistas por passageiros amotinados, pois ninguém está disposto a relaxar e gozar, pelo fato de os aeroportos não serem motéis. Logo virá o desespero, através da depredação de instalações e aeronaves. Uma evidência a mais de que o Brasil não vive o seu melhor momento, desde a Proclamação da República, ainda que nos tempos de Deodoro da Fonseca o avião não existisse...

Os bois de Renan

Carlos Sardenberg, Portal G1

De um leitor do blog e do site www.sardenberg.com.br, Dairo, economista, recebemos os seguintes cálculos. Passo como recebi. Façam as contas:

Dados informados pelo senador Renan Calheiros: Venda de 1.700 cabeças de gado; 3 fazendas próprias e três arrendadas; período, jan/2004 a junho/07 (42 meses). Receita líquida = lucro líquido de R$ 1.900.000,00.

Premissas para análise desses dados:

1) Custo na operação pecuária de 25% da receita bruta {compra-venda} - Mão de obra, Vacina, Sal mineral, Sementes de pastagens, óleo diesel, vermífugos, cercas etc.

2) Custo de arrendamento, pelo menos 1 arroba por animal por ano (de graça);

3) Gado 100% macho;

4) Nenhum animal morre no período {zero de perda};

5) Pastos mais férteis do Brasil, 0,9 animal/ha, ganho de 13 arrobas brutas por ano, ou 6,5 @ de carne;

6) Preço de compra e de venda médio da Cepa/USP {usado pela BM&F} dos últimos 42 meses = R$ 55,6842 a arroba;

7) compras e vendas sem intermediários, sem custos de comissão;

8) Sem considerar custos de transporte;

9) Boi gordo = 16,5 arrobas e boi magro, 10 arrobas {padrão BM&F);

Com estes dados e estas premissas podemos especular que o Exmo. Sr. Presidente do Senado pode ter realizado apenas três tipos de operações:

a) Tinha um estoque inicial de 1.700 cabeças de boi gordo em 2004, vendeu na sua totalidade a R$ 67,73 a arroba. E hoje não possui gado algum!

b) Tinha 1.700 cabeças de boi gordo em 2004. Vendeu, recomprou boi magro nos 3,5 anos seguintes, girando 100% de seu estoque. Assim, venda de 1.700 bois x 16,5@ x 55,6842 = R$ 1.561.941 por ano. Compra 1.700 bois x 10,0@ x 55,6842 = R$ 946.631 por ano. Logo, receita bruta = R$ 615.310 por ano; Receita Bruta no período: R$ 615.310 x 3,5 anos = R$ 2.153.585; Menos os custos {25%} R$ 538.396; menos arrendamento 1.700:2 x 55,6842 x 3,5= R$ 165.660. Dá uma Receita liquida {lucro} de R$ 1.449.520;

c) Realizou lucro de R$ 1.900.000,00 engordando gado nos últimos 3,5 anos. Ou seja: vendeu líquidas 34.120 arrobas. Seguindo o raciocínio do calculo anterior, 50.690 arrobas brutas. Se cada cabeça de gado ganha 6,5 arrobas por ano, significa que foram vendidas 7.798 cabeças de boi gordo no período ou 2.228 cabeças por ano, 185 por mês ou 10 caminhões de gado/mês, um a cada três dias!

Na operação "a" trata-se do melhor vendedor de gado do Brasil, pois a arroba média nos melhores mercados foi de R$ 55,68 no período. Partindo das Alagoas, zona afetada pela febre aftosa, Renan vendeu seu gado a R$ 67,73, ou 21% acima do mercado.

d) Seu gerente afirma que ainda há 1.100 cabeças no pasto??? Então, na operação B teria uma receita líquida de apenas R$ 1.449.520, portanto abaixo dos 1.900.000,00 que afirma ter conseguido!!!!!

Na operação "c" seria o maior comerciante de gado das Alagoas, girando mais de 15.000 cabeças em 3,5 anos, tornando-se conhecido no mercado. Obviamente não venderia gado para açougues ou que tais. Lidaria diretamente com produtores e grandes frigoríficos. Estamos tratando com o verdadeiro REI DO GADO!

Mas todas as hipóteses colocadas são altamente improváveis, principalmente nas Alagoas. No interior dizemos que o gado engorda aos olhos do dono. Sua Exa., que mora em Brasília, a milhares de quilômetros de suas fazendas consegue o impossível, diz que seu gerente não sabe quantas cabeças possui, que quem sabe é seu veterinário, que mora em outra cidade e é Secretario do Município onde seu filho é prefeito!!!

Como consegue tamanha eficiência?

Conclusão: A atividade pecuária no Brasil é uma coisa seria, foi-se o tempo de se usar bois para esconder ou lavar dinheiro. Hoje temos de provar que o gado foi vacinado, temos rastreabilidade, nota de produtor rural tanto na compra quanto na venda, guia de transito de animais, declaração de estoque inicial e final no Imposto de Renda, pagamento de impostos. Frigoríficos dão recibos e não pagam mais em espécie e sim em cheques ou transferência eletrônica, portanto facílimo de provar. Vamos parar de atentar contra a inteligência dos brasileiros, notadamente de toda a cadeia da pecuária de corte que inclui exportadores, frigoríficos, produtores, pesquisadoras, grandes universidades, institutos como Embrapa, grandes multinacionais que pesquisam e produzem vacinas, antibióticos, vermífugos etc. A operação Collor (Uruguai) era menos risível que esta.

COMENTANDO A NOTICIA: Como bem disse o senador Pedro Simon (PMDB/RS): “Com tamanha competência, o Brasil está perdendo seu melhor Ministro da Agricultura !!!”

TOQUEDEPRIMA...

Simon pede em plenário para Calheiros renunciar
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) pediu nesta terça-feira em plenário a renúncia do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em função das acusações que vem enfrentando.

Simon acredita que não há mais como Calheiros continuar no cargo. “Ele não pode continuar. O senador Renan tem que ter esse gesto de grandeza de renunciar ao mandato de presidente do Senado. É o Senado que está sangrando. Ele (Calheiros) foi se desgastando, chegando a um determinado momento em que a explicação não convence”, concluiu o peemedebista.

O senador gaúcho lembrou que o colega Jefferson Perez já havia pedido a saída do presidente do Senado. “O senador Jefferson Perez (PDT-AM) já havia pedido isso (o afastamento). Levei mais tempo porque fiquei na expectativa”, disse Simon.

O peemedebista fez as declarações após um depoimento mais cauteloso do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que pediu mais responsabilidade aos parlamentares brasileiros.

Calheiros atribui duplicidade de recibos a erro de digitação
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que seus documentos comprovam que não há duplicidade de recibos de venda de gado de sua fazenda em Alagoas. Segundo ele, erros de digitação ocorreram nas notas e nos cheques.

Uma reportagem do Jornal Nacional, da Rede Globo, mostrou que as notas fiscais, recibos e guias de depósitos do senado eram fraudados.

A sessão do Conselho de Ética para decidir o futuro de Calheiros foi adiada para quarta-feira. O presidente do Conselho, Sibá Machado (PT-AC), disse que só receberá posteriormente a perícia da Polícia Federal.

Mangabeira é o peso dos impostos de Lula, diz Aleluia
O deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA) afirmou que o ministro de Ações de Longo Prazo, Roberto Mangabeira Unger, é o peso dos impostos de Lula. "Pelo menos 660 cargos estarão à disposição do professor da Harvard University, a um custo anual da ordem de R$ 32 milhões. Por isso, Lula aumenta e cria tantos impostos. Não há dinheiro que chegue para um governo perdulário", disse o parlamentar.

Aleluia ainda lembrou que Mangabeira era quem chamava o governo Lula de mais corrupto da história. “Abstraindo-se o fato gravíssimo de Mangabeira ter denunciado o governo Lula como o mais corrupto jamais visto no Brasil, o presidente da República insista em aumentar o tamanho da máquina, ao tempo em que avança no bolso do cidadão que produz, ao ampliar a carga tributária de forma exorbitante", declarou o democrata.

Desmatamento provocado pelo MST é quatro vezes superior à média da região amazônica
O MST (Movimento dos Sem-Terra), que constantemente ataca o agronegócio sob alegação de falta de responsabilidade com o meio ambiente, desmata quatro vezes mais do que a média amazônica. A informação é de um estudo divulgado no 5° Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação. De acordo com o autor do levantamento, o ecologista Flávio Olmos, os assentamentos são responsáveis por incêndios e exploração ilegal de madeiras e plantas. “De maneira geral, a taxa de desmatamento nos assentamentos da Amazônia tem sido quatro vezes superior à média da região”, diz. Segundo Olmos, os impactos ambientais do MST não são sentidos apenas na Amazônia, mas também em ataques a áreas de preservação em outras regiões. “Propriedades consideradas 'improdutivas', segundo o conceito legal, não são os únicos alvos de invasões por sem-terra. Áreas que deveriam ser conservadas, como reservas legais, são um alvo freqüente”, diz.

Lula cria 626 novos cargos de confiança
O governo Federal emitiu nesta terça-feira a MP (Medida Provisória) 377 em que cria 626 novos cargos de confiança. Estes postos representarão um custo de pelo menos R$ 2,65 milhões mensais à União.

A MP 377 criou cargos do DAS (Grupo-Direção e Assessoramentos Superiores) e de FG (Funções Gratificadas). Dos 660 cargos, 200 referem-se a DAS-2, que tiveram reajuste de 79,38% concedidos na segunda-feira, e 192 a DAS-3, que tiveram aumento de 139,75%.

A medida ainda institui a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, pasta com status de ministério que ficará a cargo de Mangabeira Unger (PR). Entre as funções da secretaria estaria "a discussão das opções estratégicas do país, considerando a situação presente e as possibilidades do futuro".

A divertida capitulação de um crítico feroz
O presidente Lula parece divertir-se com a capitulação de um dos seus críticos mais duros, professor Roberto Mangabeira Unger, empossado nesta terça-feira no cargo de ministro da Secretaria de Assuntos de Longo Prazo (Sealopra). Em 15 de novembro de 2005, ele assinou um artigo na Folha de S. Paulo em que pregava o imediado afastamento de Lula. Afirmou: "O governo Lula é o mais corrupto de nossa História". Ao aceitar o cargo, Unger - um baiano que após algum tempo nos Estados Unidos desaprendeu o português - parece haver mudado de idéia. O flagrante é de Orlando Brito.

Cristovam: indignação do povo vai virar revolta
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) afirmou, há pouco no Plenário, que "o Congresso Nacional não está sintonizado com os sentimentos, vontades e necessidades do povo brasileiro". Ele disse que falta muito pouco para que a indignação do povo se "transforme em revolta". O senador acredita que o Poder Legislativo está perdendo forças, pois o país é atualmente "governado por medidas provisórias e liminares judiciais". Sobre as denúncias contra o presidente do Senado. Renan Calheiros (PMDB-AL), Cristovam disse que a opinião pública acha que os senadores estão protegendo Renan. Para Cristovam, o Conselho de Ética deve apurar as denúncias contra o presidente da Casa e os senadores devem deixar claro para a população que estão apurando o caso "como se deve".

Polícia encontrou rasuras em documentos de Renan
A Polícia Federal encontrou rasuras e notas fiscais de sequência numérica incompatível nos documentos de defesa do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) periciados por ela nas últimas 48 horas. Isso não é crime, mas indício de montagem.

Por conta do tempo exíguo da perícia, a Polícia Federal não pode atestar a lisura das transações comerciais entre Renan e os supostos compradores de seus bois - sequer se as vendas foram feitas mesmo para pessoas e empresas de natureza compatível com o negócio.

Preocupada em não dar um cheque em branco para Renan, o laudo da perícia da polícia feita em documentos apresentados pelo senador destacará o que ela não pôde fazer.

Mais eficiência, mais democracia

Editorial do Jornal do Brasil

A administração pública brasileira pode mudar radicalmente se forem vitoriosas as tentativas de estabelecer novos métodos gerenciais importados de empresas privadas. As iniciativas mais promissoras estão em curso em Minas Gerais e modelos semelhantes começam a ser adotados pelo governo estadual do Rio de Janeiro. Agora, o Ministério da Saúde anuncia que também aplicará preceitos gerenciais revolucionários na gestão dos hospitais financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nos três casos, trata-se de adotar programas de metas, cronogramas de ação e prêmios aos funcionários - procedimentos até agora estranhos à máquina estatal.

O choque de gestão em Minas Gerais nasceu da necessidade de controlar o déficit público, que em 2003 sobressaltava. Atingia os R$ 2,4 bilhões. Hoje, as contas públicas estaduais estão saneadas, permitindo o avanço na reforma da máquina administrativa com o estabelecimento de avaliações de desempenho para os servidores, que receberão adicionais de produtividade.

Para ajudá-lo a cumprir a promessa de campanha de qualificar a administração fluminense, o governador Sérgio Cabral importou para Secretaria da Fazenda o economista Joaquim Levy, que já foi secretário do Tesouro Nacional e estava no Banco Mundial. Uma das primeiras medidas adotadas pela dupla Cabral-Levy foi pedir socorro ao consultor em administração Vicente Falconi, guru brasileiro em excelência gerencial e cérebro por trás das mudanças vitoriosas em Minas Gerais.

A idéia é que Falconi desenhe no Rio de Janeiro um trabalho semelhante ao realizado em Minas. Não é segredo que Cabral herdou um profundo desequilíbrio orçamentário. Para ficar apenas num exemplo, o custo do funcionalismo está próximo de 65% da receita líquida do Estado. Um resultado alarmante.

Excede o limite do custo da folha de pagamento admitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, um entrave a financiamentos essenciais ao avanço econômico do Estado.

É compreensível que as mudanças na administração oficial sejam impulsionadas pela Lei de Responsabilidade Fiscal, mas a necessidade de reformar o aparelho público tem de se pautar pelos objetivos da autêntica democracia social e não apenas depender do controle fiscal, da arrecadação de impostos e da redução de custos.

No caso da modernização planejada pelo Ministério da Saúde, é flagrante a busca da eficácia. O melhor exemplo é a nova atribuição aos administradores hospitalares federais: devem cumprir metas de internações e cirurgias pagas pelo SUS para receberem verbas federais.

É igualmente enganoso imaginar que esse sonhado novo Estado seja um mau patrão. A experiência mineira mostra o contrário, com o governo sendo obrigado a investir pesado na qualificação dos servidores e na instituição de planos de carreira para manter um sistema de administração por metas. O serviço público brasileiro contemporâneo, organizado por Getúlio Vargas, precisa ser revisto e renovado para garantir o atendimento efetivo às necessidades básicas dos cidadãos em segurança, saúde, educação, habitação e no acesso à Justiça.

Desse modo, o sucesso dos modelos gerenciais da máquina pública não é determinado apenas pelo custo menor. Só um Estado eficiente pode concretizar as promessas de cidadania sonhadas na Constituição de 1988 e sempre adiadas pela incompetência oficial.

A Suíça não é aqui

Jota Alves (*), Jornal do Brasil

Aos pés do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, o presidente da República Federativa do Brasil disse: "Quem viaja muito o mundo às vezes volta decepcionado com a imagem que se cria do Brasil lá fora. Aliás, eu acho que o Brasil é um país sui generis... o único país em que os brasileiros falam mal do Brasil lá fora... você não vê um suíço falar mal da Suíça, você não vê um italiano falar mal da Itália, mas os brasileiros adoram falar mal...".

Em Brasília, ao lado da ministra do turismo, Marta Suplicy, o presidente disse que a nossa imprensa só publica coisa ruim.

Durante 40 anos de minha vida, não fiz outra coisa senão promover e divulgar meu país. Defender e zelar por sua imagem, como povo e como nação. O título do livro que está demorando a sair será mais ou menos assim: Funcionário do Brasil sem nunca ter recebido um centavo do governo. De nenhum governo.

E nesses anos todos, em Moscou, em Paris, em Estocolmo, em Havana, em Roma e em Nova York eu nunca vi, ouvi ou li que Carmen Miranda tenha falado mal do Brasil. Que Heitor Villa-Lobos, Bidu Sayão, Laurindo Almeida, Eumir Deodato, João Gilberto, Ary Barroso, Dorival Caymmy, Airto Moreira, Baden Powell, Freire e Martins e Arthur Moreira Lima e Bebel Gilberto e Sergio Mendes e Sonia Braga e Florinda Bulcão e Iza Chateubriand e Emerson Fitippaldi e Giselle Bündchen tenham, no exterior, difamado ou falado mal do nosso país.

Também nunca ouvi dizer que o meu conterrâneo o embaixador Roberto Campos, ou o chanceler Oswaldo Aranha, ou Henrique Rodrigues Valle ou Sergio Correa da Costa, tenham, lá fora, falado mal do Brasil.

Nunca ouvi Vavá, Garrincha, Belini, Pelé, Raí, Ronaldo, Ronaldinho, Toninho Cerezo, Falcão (o Rei de Roma) ou o Príncipe da Itália (Kaká), Dunga, Júnior, Romário, falarem mal do Brasil.

Temos centenas de mestres, cientistas, técnicos, empresários, artistas, estilistas, profissionais liberais, pelo mundo todo, e nunca li uma declaração de algum deles falando mal do Brasil durante o governo que o presidente Luiz Inácio nos prometeu: limpo, transparente, honesto e de mudanças estruturais.

Combati a ditadura, sem combater o meu país. Fui criticado por hastear uma bandeira brasileira e por fazer o Hino Nacional ser cantado, pela primeira vez, no centro de Nova York, na abertura do primeiro Dia do Brasil, em 1985, dedicado a Tancredo Neves.

Os governos passam. Hino, Bandeira, Brasão, a Seleção Canarinho, não pertencem a militares, partidos, presidentes. São do brasileiro que tem sabido sim, no exterior, separar o joio do trigo e o qual, anônimo ou não, é quem tem segurado o rojão da multiplicação dos escândalos nacionais e promovido o país, sem nenhum reconhecimento oficial.

Quando um turista italiano depois de nove, dez horas dentro de um avião ainda tem de esperar horas e horas para um vôo de conexão a seu destino turístico, ele, com certeza, não vai falar mal da Itália.

Quando um empresário suíço perde audiências, reuniões e negócios, por causa do contínuo caos nos nossos aeroportos, ele, com certeza, vai se lembrar muito bem e com saudade de sua Suíça pequena, sem saída para o mar, com apenas 7,4 milhões de habitantes, três línguas oficiais, e uma renda per capita de US$ 43 mil.

Nunca escrevi ou publiquei notícias contra o Brasil, publiquei e divulguei notícias vindas do Brasil. Os jornais de brasileiros, suas revistas, programas de rádios e de TV, páginas nos Estados Unidos, na Europa, no Japão, pelo mundo afora, não falam mal do Brasil. Dão as notícias sobre o governo, o Congresso e os dirigentes do Brasil.

O presidente da República Federativa do Brasil ofendeu milhões de brasileiros que hasteiam a bandeira e cantam o nosso hino em terras distantes. Era melhor ter repetido "ame-o ou deixe-o" aos brasileiros que mandam para o nosso país mais de US$ 1,5 bilhão por ano. Dinheiro que, felizmente, não fica na bolsa do governo. Vai direto para as cidades, investimentos e familiares dos remetentes.

Quando o brasileiro está no exterior ele sofre, se envergonha, se decepciona e chora com as notícias ruins e com os escândalos oficiais e diários. Vira chacota e alvo de gozação. Relaxa e goza, como ensina a ministra do Turismo - mas não fala mal do Brasil.

Tampouco é o brasileiro que viaja para fora quem anda produzindo ou inventando a "imagem que se cria do Brasil lá fora" e as "notícias ruins" que a imprensa mundial divulga.

Se o presidente tivesse vivido (não visitado) um só dia, lá fora, enfrentado frio e discriminação, escorraçado por embaixadas e consulados, mal compreendido e até mal visto no seu próprio país por ter ido tentar melhorar a vida lá fora, sentiria na carne e na alma o quanto o brasileiro, mesmo com os governantes e os parlamentares que tem, defende, promove, divulga e ama o seu país.

E descobriria também que a gente sai do Brasil, mas o Brasil não sai da gente.

Jota Alves, fundador do Centro de Promoções Brasileiras e criador do Dia do Brasil em Nova York

A última versão de Renan

Por Andrei Meireles, Matheus Leitão e Matheus Machado, Revista Época

ÉPOCA teve acesso aos documentos entregues na última sexta-feira 15 pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, ao Conselho de Ética, para comprovar as receitas que diz ter obtido com venda de gado.Esses são os documentos sob perícia da Polícia. São recibos, notas fiscais, cópias de cheque, extratos bancários e guias de trânsito animal.

A revista separou dez operações em que a documentação que deveria comprovar a venda de gado deixa dúvidas: faltam cópias de cheque e notas fiscais. Na maioria dessas transações, as notas fiscais são acompanhadas de notas suplementares, sempre em valores maiores. As notas têm a mesma data, mas os números não seguem a seqüência do talonário, pertencem a três blocos distintos e foram preenchidas por pessoas diferentes. Essa foi a principal ressalva feita pela Polícia Federal em seu laudo parcial, entregue há pouco ao Conselho de Ética do Senado.

Operação: venda de 40 bois no dia 26 de dezembro de 2005
Entre os documentos periciados pela Polícia Federal (PF), há um recibo assinado por Calheiros, no dia 26 de dezembro de 2005, que teria sido usado para prestar contas da venda de 40 bois de sua fazenda à empresa MW Ricardo da Rocha, por R$ 36.869,50. Além do recibo, há duas notas fiscais que, somadas, atingem o valor do negócio. O único problema é que Renan não apresentou os cheques que teria recebido da MW para comprovar a operação.

· Dúvida 1: onde estão esses cheques?

· Dúvida 2: as notas apresentadas por Calheiros não seguem uma seqüência numérica. A primeira nota é de número 063, no valor de R$ 4 mil). A outra tem número 082, no valor de R$ 32.869,50. Apesar de não estarem em seqüência, as duas foram emitidas no mesmo dia: 16 de dezembro de 2005. Percebe-se também diferentes caligrafias nas notas fiscais. Além disso, na nota 082 está escrito: “suplementação da NF 65/005”. Por que as notas não estão em seqüência? Onde está a nota nº 65?

· Dúvida 3: No extrato de Renan aparecem dois depósitos feitos em cheques no dia 26 de dezembro de 2005. Um no valor de R$ 18.487,00 e outro de R$ 18.382,00. Por que eles não batem com a descrição das notas fiscais apresentadas?

Operação: venda de 40 bois no dia 16 de dezembro de 2005
Entre os documentos analisados pela PF, falta uma nota fiscal para comprovar uma venda de R$ 37.582,00 para a MW Ricardo da Rocha. Há apenas uma nota, de número 80, no valor de R$ 33.582,00. O próprio contador do senador relata, em uma planilha que ÉPOCA teve acesso, a falta de outra nota, de número 60, que não foi apresentada. Na nota 080, está escrito: “suplementação da NF 60/005”.

· Dúvida 1: onde está essa nota?

· Dúvida 2: os cheques apresentados para comprovar essa operação (um no valor de R$ 18.876,50 e outro de R$ 18.705,50), emitidos por Bruno Leonardo da Veiga, teriam sido depositados na conta do senador no dia 13 de dezembro de 2005. Por que, novamente, eles não correspondem às notas fiscais apresentadas?

Operação: venda de 20 bois no dia 6 de setembro de 2005
Falta uma nota fiscal para comprovar a venda de R$ 19.883,50 para a MW Ricardo da Rocha, paga com cheque emitido por José Acácio da Rocha. O depósito na conta de Renan foi exatamente de R$ 19.883,50. Mas só existe uma nota fiscal, de número 041, no valor de R$ 17.883,50, emitida no dia 28 de julho de 2005. Na planilha, o contador assume a falta de uma outra nota para justificar a venda: a de número 025. Mais uma vez, as seqüências não são seguidas. Na nota apresentada por Calheiros, está escrito: “suplementação da NF 25/005”. Mesmo assim, o cheque de José Acácio da Rocha aparece no extrato bancário do senador como depositado no dia 6 de setembro de 2005.

· Dúvida: por que, mais uma vez, as notas estão fora de seqüência? E por que, mais uma vez, o cheque depositado não corresponde à descrição das notas fiscais?

Operação: venda de 20 bois no dia 28 de outubro de 2006
Não há notas fiscais que deveriam ter sido emitidas pelo senador Renan Calheiros para comprovar a negociação de R$ 20.281,00 com a MW Ricardo da Rocha. O pagamento foi efetuado com dois cheques da MW, assinados por Maria Waldeci Ricardo da Rocha, no valor de R$ 10.281,00 e R$ 10 mil. Eles foram depositados em 31 de outubro de 2006 na conta do senador.

· Dúvida: na planilha, o contador não explica a falta das notas fiscais. Onde elas estão?

Operação: venda de 48 bois no dia 21 de dezembro de 2005
Novamente, não há cheques que comprovam a venda de 48 reses para a MW Ricardo da Rocha no valor de R$ 37.268,00. Segundo o recibo assinado por Renan Calheiros, deveriam existir dois cheques - de números 010067 do Banco Real e 900489 da Caixa Econômica Federal - que teriam sido utilizados para o pagamento. Mais uma vez, as notas fiscais apresentadas não seguem uma seqüência: uma é de número 081 (no valor de R$ 33,268,00) e a outra 062 (de R$ 4 mil). Apesar de terem como data o dia 15 de dezembro de 2005, as notas foram preenchidas por pessoas diferentes. Na nota de maior valor está escrito: “suplementação da NF 62/005”. Apesar de não estarem anexados aos documentos, os cheques - no valor de R$ 18.487,00 e R$ 18.382,00 - foram depositados na conta do senador no dia 26 de dezembro de 2005.

· Dúvidas: as mesmas de sempre. Onde estão os cheques? Por que as notas fiscais não batem com os valores que foram recebidos?

Operação: venda de 40 bois no dia 09 de fevereiro de 2005
Falta uma nota fiscal para justificar a venda no valor de R$ 42.333,87 para a Carnal Carnes de Alagoas Ltda. Nos documentos apresentados por Renan, há apenas uma nota fiscal de número 027 no valor de R$ 38.333,87. Na planilha, o contador registra a falta de uma outra nota, de número 12. Mais uma vez as notas não seguem uma seqüência. Na nota apresentada por Renan, está escrito: “suplementação da NF 12/005”. Os cheques utilizados para pagar a conta da Carnal são da GF da Silva Costa: um no valor de R$ 26.120,54 e outro de R$ 16.213,33. Eles aparecem como depositados na conta de Renan Calheiros no dia 10 de fevereiro de 2005.

· Dúvidas: as mesmas de sempre. Onde estão os cheques? Por que as notas fiscais não batem com os valores que foram recebidos?

Clique aqui para a reportagem completa.

TRAPOS & FARRAPOS...

UM PAÍS LONGE AINDA DE SEU POVO !
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Na reportagem de Juliana Rocha do Jornal do Brasil, ficamos conhecendo a realidade dos números divulgados sobre arrecadação e superávit que, de um lado faz os economistas do governo e o senhor Luiz Inácio sorrirem e comemorarem, por outro nos entristece por ver o quão ainda estamos distantes do país ser efetivamente governado para o benefício de todo o povo brasileiro. A seguir a reportagem. Retornamos para o comentário final.

Contas públicas têm superávit nominal em abril de R$ 11,2 bi
Juliana Rocha , Jornal do Brasil
O setor público registrou superávit nominal em abril de R$ 11,2 bilhões. Foi a primeira vez nos últimos 12 meses que o governo consegue um saldo positivo nas contas, mesmo depois do pagamento dos juros da dívida. Nos quatro primeiros meses do ano, o déficit nominal foi de R$ 405 milhões, apenas 0,05% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período do ano passado, o déficit nominal foi de R$ 16,6 bilhões, ou 2,31% do PIB. O superávit primário, economia do governo para pagar juros da dívida, bateu recorde de R$ 23,5 bilhões em abril. O melhor resultado mensal desde o início da série histórica (1991).

O déficit nominal zero foi bandeira do ex-ministro do Planejamento Delfim Netto, proposta em 2005, mas que encontrou resistência. Este ano, a arrecadação foi suficiente para cobrir também as despesas com o pagamento dos juros da dívida.

Para isso, o superávit primário no acumulado dos quatro primeiros meses de 2007 foi de R$ 50,7 bilhões, ou 6,51% do PIB. No acumulado em 12 meses, o superávit primário foi de R$ 100,5 bilhões, o que representa 4,22% do PIB. Em 12 meses até abril, o déficit nominal soma R$ 53,6 bilhões, ou 2,25% do PIB.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, foi moderado ao comentar os recordes das contas públicas. Lembrou que abril é um mês atípico porque soma a cota única de pagamento do Imposto de Renda de Pessoa Física. Além disso, é o mês seguinte ao fechamento do trimestre, quando entram nas contas o recolhimento de impostos de Pessoa Jurídica, o pagamento de royalties do petróleo e da arrecadação de receitas do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel). - As despesas em abril também foram menores que no mês anterior, quando foi alto o gasto com o pagamento de precatórios.


Para aqueles que vivem de “manchetes” da grande imprensa, estes números são excelentes motivos para seus foguetes e declarações inúteis, incipientes e vazias. Claro que todos adoram saber que vivemos um tempo de equilíbrio fiscal. Ou seja, de que estamos gastando somente aquilo que arrecadamos. Houve tempo em que não se tinha esta preocupação, e o resultado foi desastroso.

Porém, sempre que me deparo diante desta realidade estatística, me pergunto: vale a pena ? Qual o preço que o País paga para se manter assim tão “equilibrado”? É simples constatar: o preço é o da miserabilidade estendida em todos os cantos do país, serviços públicos deprimentes, infra-estrutura em frangalhos. Isto é progresso ? Lógico que não. Como também não se admitiria que se retornasse aos tempos idos do desequilíbrio fiscal.

O que precisamos rever, e com urgência, é o que realmente estamos fazendo com o dinheiro arrecadado pelo governo federal. Basta juntar meia dúzia das dezenas de escândalos que temos produzido nos últimos anos, para sabermos que, a par do equilíbrio fiscal, a par dos superávits primários cada vez maiores, e das arrecadações mais e mais crescentes fruto dos impostos que pagamos, estes benefícios econômicos e financeiros não têm chegado ao povo brasileiro. Lamentavelmente. E por uma razão: o país segue sem rota, sem ponto de chegada, sem um norte de projeto de país. Temos um governo já entrando no seu quinto ano consecutivo e sem que até agora tenha definido aonde pretende chegar. Falar de progresso sustentado, como falar de números e mais números, convenhamos, não enche a barriga de ninguém. O que se pretende saber é: quando serão gerados os milhões de empregos necessários para o país sair do atoleiro dos milhões de desempregados e sub-empregados que se aflogem na vida indigna de seres humanos ? O que queremos saber é quando toda esta renda gerada pelos impostos e pelos ditos “investimentos públicos” chegarão ao bolso do trabalhador brasileiro, sabidamente, um dos mais mal remunerados do mundo? O que queremos conhecer é quando finalmente poderemos contar com serviços públicos civilizados e destinados a atender gente e não animais ? Enquanto isto tudo não acontecer, as estatísticas de superávits primários, secundários e terciários, de arrecadações recordes de impostos, valerão coisa alguma.

E de nada vale ainda o discurso do senhor Luiz Inácio de querer fazer-nos ver um país que na prática do dia-a-dia não conseguimos ver. Esta tolice de estarmos no melhor momento desde a proclamação da República é papo furado, porque só estamos no ponto em que nos encontramos mercê o que ele próprio recebeu pronto e acabado, e também a um especial momento da economia mundial. Dependesse de Lula e seus partidários sindicalistas e militantes políticos, sequer plano real e estabilidade econômica teríamos alcançado. É preciso ver o quanto de oportunidades o país está perdendo e deixando de aproveitar por ser desgovernado por gente marqueteira, políticos corruptos e governantes indecentes. Gente ordinária e degradante, cuja filosofia é a da mentira e da bazofia.

Ou alguém imagina que este “momento” é fruto apenas do governo de Lula ? Seria o cúmulo alguém imaginar que o país foi descoberto apenas a partir de 2003. Onde ficou a inflação, o desequilíbrio histórico das contas públicas, o flagelo da administração estraçalhada no governo Collor ? Onde4 estão os milhões de cabides de empregos gerado por um punhado de empresas estatais sem capacidade de gestão com déficits monumentais e prejuízos cada mais crescentes ? Lula banca o canastrão ao se apropriar de uma obra que ele próprio se opôs. Mas ser canastrão para o político ordinário e cafajeste, não surpreende ninguém. É sua marca registrada.

Fica então a pergunta: quem está ganhando com tanto dinheiro rolando solto por aí ? O povo é que não é, por não seria a miserabilidade de uma bolsa esmola que faria a diferença. Querem ver ? Suponham que a bolsa que o governo paga para 11,0 milhões fosse de R$ 100,00 cada uma. Isto, no total, custaria aos cofres públicos pouco mais de R$ 1,0 bilhão de reais por mês. Apenas com a arrecadação recorde de abril seria suficiente para bancar este total por dois anos seguidos. E o restante, é feito o quê ? Perguntem aos políticos, eles sabem...
Por tudo isto, diante da estatística esfuziante da arrecadação que o governo comemora tão efusivamente, resta ao povo chorar por sustentar uma elite política que apenas lhe atira esmolas insignificantes e dignidade zero. O Brasil ainda não foi feito e nem é governado para os brasileiros.

Há uma revolução dentro da corrupção

Arnaldo Jabor, Jornal O Globo

O destino do país é ser grande ’PMDB sem moral’

"Não! Não escreverei sobre a maré de horrores que Brasília nos envia, como um leite envenenado a cada dia!" - berro para mim mesmo como uma prima-dona gorda e cheia de varizes, como um canastrão de melodrama. "Não, não mencionarei a cara do Cafeteira falando ao telefone com a esposa, adiando o Conselho de Ética como a nova estratégia soprada pela dupla Renan/Sarney!" - juro de novo. "Não falarei das fazendas imaginárias liderando a farsa de Jucá/Sibá, não falarei dos açougues-fantasmas, dos cheques podres, dos recibos-laranjas, dos analfabetos desdentados e das velhas damas indignas dos matadouros de Maceió, não escreverei negativamente sobre tudo isso, não!"

É isso aí. Penso que é preciso ter ânimo! Não fraquejarei, apesar de me rondar a cava depressão ao ver que as tramóias e as patranhas de hoje são relaxadas, desmazeladas, sem mais receio algum da opinião publica. Agora, não há mais respeito não digo pela verdade; mas não há respeito nem mesmo pela mentira. Está em andamento uma clara "revolução dentro da corrupção", um "golpe marrom" sendo fabricado em Brasília, tudo na cara da população com o fito explícito de nos acostumar ao horror, como inevitável.

Com a morte do petismo romântico, com o derretimento do PSDB, o destino do país vai ser a ideologia escusa, sem moral, do peemedebismo que o lulismo favorece. Os sinais estão no ar. Nosso destino histórico é a maçaroca informe do PMDB. O objetivo dessa mixórdia é nos fazer descrentes de qualquer decência.

Mas não! Oh, Senhor! Não escreverei este artigo com um vezo negativo, tisnado de pessimismo! Não! O que acontece diante de nós não é totalmente ruim... Precisamos ver o que há de bom nessa bosta toda! Pensamentos positivos, amigo leitor! Avante, povo! Avante, racionalistas em pânico, honestos humilhados, esperançosos ofendidos! Esta depressão pode ser boa para nos despertar da letargia de 400 anos.

O país progride de lado, como um caranguejo mole das praias nordestinas. Nunca nossos vícios ficaram tão explícitos! Aprendemos a dura verdade neste rio sem foz, onde as fezes se acumulam sem escoamento. Finalmente, nossa crise endêmica está sujamente clara, em cima da mesa de dissecação, aberta ao meio como uma galinha. É um esplendoroso universo de fatos, de gestos, de caras. Meu Deus, que prodigiosa fartura de novidades sórdidas, tão fecundas como um adubo sagrado, tão belas quanto nossas matas, cachoeiras e flores. Que ostentações de pureza, angelitude, candor, para encobrir a impudicícia, o despudor, a bilontragem nas cumbucas, nos esgotos da alma... Ai, Jesus, que emocionantes os súbitos aumentos de patrimônio, declarações de renda falsas, carrões, iates, casas com piscinas em forma de vaginas, mandingas, despachos, as galinhas mortas na encruzilhada, o uísque caindo mal no Piantela e as barrigas murmurantes, as diarréias secretas, as flatulências fétidas no Senado, diante das evidências de crime, os arrotos nervosos, os vômitos, tudo compondo o grande painel barroco da nacionalidade.

E, no meio dessa imundície, esplende o sereno fulgor de Mônica Veloso, nossa bela Lewinsky, a gestante e amante, a Vênus onde a nacionalidade se espelha, de onde emanam as pensões em dinheiro vivo, o zelo do lobista, os halls de hotel, os passinhos servis na entrega dos envelopes, o rosto deprimido da esposa oficial no plenário, tudo mesclado num sarapatel: o amor, o sexo, as empreiteiras, o público e o privado... Que delícia, que doutorado sobre nós mesmos!

Céus, por isso é que sou otimista! É também nossa diplomação na cultura da sacanagem.

Já sabemos que a corrupção no país não é um "desvio" da norma, não é um pecado ou crime; é a norma mesmo, entranhada nos códigos, nas línguas, nas almas.

Aprendemos a mecânica da escrotidão: a técnica de roubar o Estado para fazer pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, esgotos à flor da pele, gonorréias e orgasmos entre empreiteiras e políticos. Já sabemos que não há solução. Querem nos acostumar a isso, mas, pode ser, (oh Deus!) que isso também seja bom: perder o auto-engano, a fé. Vamos descobrindo que temos de partir da insânia e não de um sonho de razão, de um desejo de harmonia que nunca chega.

Já se nos entranhou na cabeça, confusamente ainda, que o Estado patrimonialista, inchado, burocrático é que nos devora a vida. Durante quatro séculos, fomos carcomidos por capitanias, labirintos, autarquias. Enquanto houver 20 mil cargos de confiança no país, haverá canalhas, enquanto houver Estatais com caixa-preta, haverá canalhas, enquanto houver subsídios a fundo perdido, haverá canalhas. Com esse código penal, com esta estrutura judiciária, nunca haverá progresso. Já sabemos que, enquanto não desatracarmos os corpos públicos e privados, que enquanto não acabarem as emendas ao orçamento, as regras eleitorais vigentes, nada vai se resolver.

Já sabemos que mais de cinco bilhões por ano são pilhados das escolas, hospitais, estradas. Não adianta as CPIs punindo meia dúzia. A cada punição, outros nascerão mais fortes, como bactérias resistentes a antigas penicilinas. Temos de desinfetar seus ninhos, suas chocadeiras.

Descobrimos que a mentira é a regra geral que mantém as instituições em funcionamento.

Os canalhas são mais didáticos que os honestos. O canalha ensina mais. Temos tido uma psicanálise para o povo, um show de verdades pelo chorrilho de negaças, de "nuncas", de "jamais", de cínicos sorrisos e lágrimas de crocodilo. Nunca aprendemos tanto de cabeça para baixo. Ânimo, meu povo! O Brasil está evoluindo em marcha a ré! Os canalhas são a base da nacionalidade!

Hoje, aposto, o Renan deve ser absolvido... (eu vos escrevo do passado...) É bom mesmo. A esperança tem de ser extirpada como um furúnculo maligno.

Pelo escracho, entenderemos a beleza do que poderíamos ser!

(Transcrito de O Globo de 19/6/22007)

No céu do poder não existe apagão

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

Em meados do anos 30, ao discursar na festa de aniversário do ditador Rafael Trujillo, o professor universitário Joaquín Balaguer formulou a tese que lhe garantiria a liderança no ranking dos delfins do regime - além de um verbete na História Universal da Servidão. O aniversariante, informou o orador já no segundo parágrafo, não fora conduzido ao poder pelos braços dos militares. Chegara lá pelas mãos de Deus.

Até o início do século, explicou Balaguer, o Criador cuidara pessoalmente dos assuntos dominicanos. Sem tempo para cuidar simultaneamente de tantas paragens complicadas, Ele resolvera descentralizar a administração, começando por aquela republiqueta bananeira. E então criou Rafael Trujillo. Esperou que o sucessor ficasse no ponto, dissimulou o grandioso evento com uma quartelada de quinta e entregou ao escolhido a tarefa de cuidar da República Dominicana.

O Generalíssimo gostou do que ouvira. Sempre se achara onisciente e onipotente. Graças a Balaguer, descobriu que eram marcas de nascença, coisa de enviados da Divina Providência. Gente assim tudo sabe, tudo vê. E tudo pode. Todos selecionados pelo Altíssimo ao fim de demoradas e solitárias reflexões, vieram para salvar a pátria estremecida.

Lula nem precisou de um Joaquín Balaguer para alojar-se numa das malocas habitadas pela tribo dos homens providenciais. Entre a versão dominicana e a brasileira, convém ressalvar, existem diferenças abissais. Trujillo foi um tiranete boçal, um assassino patológico. Lula é um presidente reeleito pelo povo, aceita o convívio dos contrários, assimilou os valores da democracia e só abate adversários nas urnas. Mas há semelhanças entre ambos, algumas bastante perturbadoras.

A mais aflitiva decorre da certeza, assimilada por Lula já no primeiro mandato, de que não há ninguém melhor entre os homens da terra. Se houvesse, não seria ele o escolhido. Essas fantasias messiânicas, escancaradas há pelo menos quatro anos pelo presidente brasileiro, chegaram ao clímax neste fim de outono, durante a festa de lançamento do Plano Nacional de Turismo.

O apagão aéreo não existe mais, informou Lula no fantástico discurso de improviso que, providenciadas as correções ortográficas e gramaticais de praxe, um García Márquez subscreveria animadamente. Desde o ultimato presidencial formulado há três meses, os aviões voltaram a partir e chegar na hora combinada. Não faltam vôos, portanto. Depois do enquadramento de meia dúzia de rebeldes, também não faltam controladores. Do pouco que falta - uma pista aqui, um equipamento ali - o PAC já está cuidando. O que falta é passageiro, explicou Aquele-que-tudo-sabe-e-tudo-vê. Só isso.

Os vôos internos carecem de viajantes por culpa dos jornalistas. "O que a gente vê de bonito na imprensa? Não tem", perguntou e respondeu o homem que derrotou o apagão. "Se fala em Pernambuco, é morte. Se fala do Ceará, é morte. Quem lê essas coisas acha melhor botar o cuecão e ficar em casa". Mas Lula tem o remédio até para essa indolência de samba-canção. "A mulher precisa acordar o marido e dizer: 'Vamos, amorzinho'. Aí ele vai para o aeroporto".

E como aumentar o volume de turistas estrangeiros? "É só o brasileiro parar de falar mal do Brasil no exterior", receitou o doutor em tudo. "O suíço fala bem da Suíça, o francês fala bem da França. Brasileiro é o único que faz o contrário". Esse defeito de fabricação só não se estende aos comentários sobre as mulheres da terra. São as mais bonitas do mundo, repete a brasileirada em trânsito. Também por isso, o turismo sexual não pára de crescer. Deverá alcançar cifras espantosas com a campanha lançada pela ministra Marta Suplicy.

Relaxar e gozar? É tudo o que essa turma quer.

TOQUEDEPRIMA...

São Paulo e RJ caem em lista de mais caras em 2007
Veja online

As duas maiores cidades brasileiras despencaram na lista das capitais mais caras do mundo, divulgada na manhã desta segunda-feira. De acordo com o ranking, criado pela consultoria de recursos humanos Mercer, São Paulo caiu da 34ª colocação no ano passado para a 62ª posição neste ano. O Rio de Janeiro passou da 40ª posição para a 64ª na nova edição da lista, que pesquisou um total de 143 cidades.

Conforme a Mercer, o motivo da queda das metrópoles brasileiras foi a valorização do euro, que fez subir no ranking as cidades européias. "Embora o real tenha se mantido estável em relação ao dólar americano nos últimos doze meses, as cidades brasileiras pesquisadas caíram no ranking para dar lugar a cidades européias que estão subindo por causa do fortalecimento do euro", informa o site da consultoria.

Moscou e Londres - A lista, que indica quais são as cidades mais caras para um estrangeiro, tem Moscou na primeira colocação pelo segundo ano consecutivo - na capital russa, um café custa o equivalente a 12 reais. Londres subiu três posições desde 2006 e agora ocupa o segundo lugar. A terceira cidade mais cara é Seul e a quarta, Tóquio. A mais barata das 143 cidades pesquisadas foi Assunção, capital do Paraguai.

O ranking é montado de acordo com os preços de cerca de duzentos itens, incluindo roupas, comida e moradia. O aluguel médio mais barato é o de Johannesburgo, na África do Sul: cerca de 1.800 reais. O mais caro é de Tóquio, no Japão: quase 8.000 reais. A cidade mais cara da América do Norte foi Nova York, mas a metrópole americana caiu da 10ª para a 15ª posição por causa da desvalorização do dólar.

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Angra 3 a perigo
Lauro Jardim, Radar, Veja online

Periga melar a primeira audiência pública, amanhã, para o licenciamento ambiental de Angra 3. Diversas ONGs ambientalistas estão pressionando o governo. Protestam contra o que consideram atropelo da discussão. Alegam, por exemplo, que as greve como a do Ibama e da Cnen, impediram a população de ter acesso aos estudos e documentos relativos ao empreendimento. Designado pelo governo para conduzir as audiências, o superintendente do Ibama no Rio de Janeiro, Rogério Rocco, enviará hoje no fim do dia um memorando a Brasília declinando da tarefa.

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Renan com Dirceu
Informe JB

Circulou no gabinete de Renan Calheiros o seguinte texto, assinado pelo ex-deputado José Dirceu:

"Tanto o jornal O Globo, que não revela mais nenhum respeito pelo presidente ou pela instituição da Presidência, como a Rede Globo em seus noticiários, estão abertamente na oposição ao governo. Como se fossem um partido, com um Comitê Central, que, diariamente, pauta o país contra o governo. Só não vê quem não quer, ou quem ainda tem ilusões. Fica uma pergunta: já que o governo não moveu um dedo contra a mídia e que tem dado todo apoio às empresas de comunicação, a quem interessa essa linha editorial das Organizações Globo?"

COMENTANDO A NOTÍCIA: O QUE ESTE CIDADÃO PRETENDE COM TAL TEXTO ? Que o governo entre em rota de colisão com a Globo? Desafio este velhaco a mostrar uma vírgula que seja, onde se configura a tal falta de respeito pelo presidente ou pela instituição da presidência feita pelas Organizações Globo em seus veículos. Não é a Globo que pauta o país contra o governo. É o próprio governo que este cretino defende que pauta o país pelo vulgaridade da indecência e da imoralidade pública, pela mentira institucionalizada, pela demagogia barata, pela sordidez no aniquilamento das instituições incentivadas nos porões do poder. E o que a Globo tem feito, a não ser noticiar aquilo que realmente acontece ? Dirceu é aquilo que já sabemos há muito tempo: um guerrilheiro muito do ordinário e salafrário, que montou um esquemão de corrupção no poder, para configurar um golpe nas instituições e na democracia. Para ele, liberdade de imprensa deve ser lixo, como aliás lixo é a sua biografia e sua ideologia.

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Falta de técnicos é um dos problemas

O procurador da República no Distrito Federal, Pedro Nicolau Sacco, diz que um dos maiores problemas da agências reguladoras é a falta de quadros técnicos qualificados e de marco legal. Segundo o procurador, o marco legal que institui a agência, às vezes, não permite que ela tenha uma ação mais incisiva e exemplifica com o caso da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
- A Anac foi criada sem instrumentos legais para exercer suas funções. Deve fiscalizar o tráfego aéreo civil, mas o controle do tráfego é de responsabilidade da Aeronáutica - diz.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP), por exemplo, que é responsável pelo setor com maiores investimentos no Plano de Aceleração do Crescimento, continua com uma vaga na diretoria. A ANP fiscaliza e regula a atividade de 61 grupos econômicos, a metade deles estrangeiros, 13 refinarias, 5,4 mil quilômetros de gasodutos, 28 produtores autorizados de biodiesel e deve licitar, neste ano, blocos de hidrocarbonetos em setores de elevado potencial em bacias maduras.

Outras agências, também importantes, como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) só completaram seus quadros diretivos recentemente, depois de amargar o descaso no primeiro mandato de Lula e têm importantes temas para definir até o fim do ano.

A Anatel anunciou, na semana passada, que pretende realizar o leilão das freqüências da terceira geração de telefonia móvel (3G) no segundo semestre. Essa tecnologia garantirá o acesso à banda larga do sistema móvel e é um instrumento para aumentar a cobertura do celular, que hoje atende somente a metade dos municípios brasileiros. Enquanto isso, a Aneel tem importantes licitações de geração e transmissão de energia elétrica.

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Investimentos limitados

Carlos Sardenberg, Portal G1

Mais observações sobre os dados conhecidos nesta semana: o IBGE mostrou que os investimentos de fato estão aumentando. Mas muitos analistas, como José Roberto Mendonça de Barros, dizem que é preciso fazer ressalvas.

Boa parte desses investimentos é construção civil e, muito especialmente, da casa própria. Este setor está quase bombando, com ampliação do crédito e do prazo das prestações. Para se ter uma idéia: o crédito a ser concedido este ano deve chegar a R$ 12 bilhões, para financiar algo como 120 mil moradias. Sabe quanto era em 2004? Crédito de R$ 5 bilhões, para 60 mil moradias.

Isso é bom, movimenta a indústria da construção, mas é diferente, por exemplo, da construção de fábricas.

Neste item, ampliação da capacidade produtiva, instalação de novas plantas, os investimentos estão mais concentrados naqueles setores beneficiados com aumentos de preços de exportação, incluindo celulose e papel, açúcar e etanol, agronegócio em especial.

Também é bom, mas concentrado.

Fora isso, parece haver mais investimento em ampliação de fábricas do que em fábricas novas. E é pequeno o investimento em infra-estrutura, especialmente em energia.

O governo jura porque jura que não risco significativo de falta de energia. Fora do governo, quase todo mundo acha que o risco é muito importante.

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Da honra e da vergonha

Ubiratan Iorio, economista, Jornal do Brasil

Há poucos dias, a mídia deu-nos conta de que o ministro da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão (lá, existe o bom costume de economizar ministérios), por ter seu nome envolvido em uma acusação de corrupção assomando a R$ 446,7 milhões, suicidara-se, para não ter de se submeter à execração pública. Na cultura nipônica, a perda da honra perante a sociedade costuma motivar inúmeros casos de auto-imolação: apenas no ano de 2004, foram registrados 32 mil casos.

A raiz dos sentimentos de honra e vergonha - intrínsecos e inerentes a pessoas não corrompidas - bem como o valor atribuído a ambos, está no fato de que ninguém nasce para ser solitário, mas para ser solidário: um Robinson Crusoé sozinho em uma ilha não tem por que prezar sua honra nem sentir vergonha. A solidariedade torna natural, portanto, que o homem aspire a ser considerado um membro útil na sociedade, capaz de cooperar com os demais e, portanto, a ter o direito de participar das vantagens da vida em comunidade. Para tal, precisa fazer o que se lhe exige e o que dele se espera, seja como indivíduo, seja na posição social que eventualmente ocupa, o que o leva a sentir que o importante não é o que representa na sua própria opinião, mas na dos outros, que emerge como um forte valor. Isso explica a espontaneidade do atributo chamado de honra ou - de acordo com as circunstâncias - de pudor, que o deixa ruborizado de vergonha quando acredita ter subitamente decaído na opinião dos outros, até mesmo quando sabe ser inocente: é o chamado dano moral.

Ainda no século 18, Matias Aires já ensinava que "não há maior injúria que o desprezo, porque o desprezo ofende a vaidade; por isso a perda da honra aflige mais que a da fortuna, não porque esta deixe de ter um objeto mais certo e mais visível, mas porque aquela toda se compõe de vaidade, que é em nós a parte mais sensível". De fato, é mais difícil para o homem digno expor a sua honra por amor à vida do que sacrificar a própria vida por amor à honra.

Como compreender, então, que muitas importantes figuras públicas brasileiras, também acusadas de corrupção, ajam com freqüência como se fossem verdadeiros heróis nacionais? É claro que não devemos pleitear que se transformem em japoneses e se suicidem, porque só a Deus cabe dar e tirar a vida de seres humanos, mas não podemos deixar de observar que, no triste Brasil de hoje, virtudes como honra e vergonha, para muitos homens públicos, não passam de palavras, apenas palavras, nada mais do que fúteis e inúteis palavras. Parole, parole, parole...

Vampiros e mensaleiros; sanguessugas e navalheiros; lobistas e empreiteiros; irmãos e cunhados; secretárias e esposas; namoradas e amantes; citados por formação de quadrilha e assemelhados... O que leva tantas figuras importantes não apenas a desprezarem a própria honra e a perderem completamente a vergonha, mas a mentirem flagrantemente, encenando espetáculos bufos repletos de subterfúgios, apenas para enganar a opinião pública? E - pior - por que esses inimigos da pátria recusam-se a abandonar a vida pública? Ou - o que ainda é mais preocupante - por que têm o desplante de pleitear suas anistias (e, muitas vezes, até conseguem ser reeleitos), no caso de parlamentares, ou a cara-de-pau de permanecerem em seus cargos, no caso de magistrados, funcionários públicos, executivos e, como sempre, de parlamentares?

O ar está tão podre "neste país" que honra parece ser apanágio de otários; vergonha, de bobocas; pudor, de freiras enclausuradas, e dignidade, de idiotas! O importante não é servir, mas servir-se; não é prover, mas locupletar-se, e não é trabalhar, mas enriquecer a qualquer custo!

Corruptos, desonrados, sem-vergonhas e indignos há em todos os jardins do mundo, mas na maioria deles não grassa o capim bravo da impunidade e a tiririca das punições brandas; corporativismo e patrimonialismo espraiam-se também por outras culturas, mas nem de longe vicejam como cá. E chefes de executivos débeis e despreparados também pousam em arbustos de outras paragens, mas, lá, não gorjeiam como cá! Porque, lá, o braço da lei é forte!

Lista fechada é duplo golpe

por Percival Puggina, Blog Diego Casagrande
Pode uma votação parlamentar formal se constituir em golpe? Sim, pode. Recebe o nome de golpe congressual e tem, inclusive, antecedente histórico no episódio em que o Congresso Nacional impediu o retorno de Café Filho à presidência da República. Após o suicídio de Getúlio, lembremos, o posto foi assumido por seu vice, Café Filho, que alguns meses depois sofreu um enfarte, sendo substituído por Carlos Luz, presidente da Câmara. No dia 22 de novembro de 1955, Café, autorizado pelos médicos, enviou carta ao Congresso anunciando que iria retornar, mas as duas Casas, sem qualquer motivo de base constitucional, declararam-no impedido. Aquilo foi um golpe congressual.

Para que entendamos bem do que estamos falando no caso da lista fechada, é importante saber que golpes, na acepção política da palavra, são ações que visam a manter no poder ou destituir do poder por meios irregulares. É o que está por acontecer. Nos últimos cinco pleitos para a Câmara dos Deputados, com o sistema em vigor – lista aberta – a renovação oscilou entre um mínimo de 44% em 1998 e um máximo de 62% em 1990. Na eleição do ano passado ficou em 48%. Com a adoção da lista fechada, que impede o eleitor de votar no candidato de sua preferência, esse índice não deverá passar de 5%. Trata-se, portanto, de artimanha que visa a manter com mandato mais de um terço da Casa que a ela não retornaria pelo voto popular. Eis o golpe número um.

Entre suas conseqüências mais fáceis de antever destaca-se a potencialização do corporativismo característico da instituição, que se consolidará como clube de amigos reunidos na defesa de seus interesses, ao total resguardo da fiscalização do eleitor. Este primeiro golpe, portanto, impedirá o eleitor de retirar do Parlamento, pelo recusa do voto, os parlamentares cuja conduta moral ou política mereça rejeição. Numa Casa que se tem revelado cada vez mais tolerante para com os delitos de seus membros, isso se constitui num definitivo alvará de soltura concedido a todo o plenário.

O voto em lista fechada promove, contudo, outro golpe ainda mais sério à democracia ao cristalizar os blocos parlamentares de governo e oposição nas suas atuais proporções. Ele está no eixo do projeto de poder concebido por Lula e seu partido, e foi anunciado pelo presidente já na primeira entrevista concedida após a proclamação do resultado do pleito de 2006. Quem está mandando continuará mandando por longos anos. É o que pretendem, contra a vontade popular, numa manobra que assume como dado da realidade o fato de sermos uma casa de tolerância e um país que se deixou imbecilizar politicamente.

TOQUEDEPRIMA...

Problemas no Gasbol paralisam usina termelétrica do MT

CAMPO GRANDE - Desde 11h da última sexta-feira, a usina termelétrica Mário Covas, em Cuiabá (MT), controlada pela EPE (Empresa Produtora de Energia), está paralisada. Problemas operacionais no Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) forçaram uma redução superior a 50% no volume do combustível que vinha sendo despachado, cerca de 1,1 milhão de metros cúbicos, para 600 mil, quantidade insuficiente para a geração mínima da planta, em 135 MegaWatts (MW).

De acordo com o diretor de Assuntos Regulatórios da EPE, Fábio Garcia, "é estranho que o fornecimento para outras regiões continue normal". Afirmou que neste ano é a segunda vez que ocorre corte de fornecimento para a usina. "Temos grandes compromissos a serem cumpridos, não podemos contar com o gás natural um dia sim e outro não".

Garcia, disse que não tem previsão para a solução do problema. Explicou que o ONS, Operador Nacional do Sistema, está solicitando a produção de 480MW, que é a capacidade da termoelétrica. Ainda conforme informou, com os 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural, a produção seria possível. "Esse volume já foi reduzido para 1,1 milhão de metros cúbicos, sofreu nova pressão neste final de semana, caindo em mais 45%.

O resultado é uma queda de 75% no fornecimento de GN (gás natural). Dessa forma somos obrigados a parar as máquinas". A diretoria da Cemat (Centrais Elétricas Mato-grossenses S/A), distribuiu nota informando, que a paralisação da Usina Térmica Governador Mário Covas, em Cuiabá, apesar de ser uma importante fonte de suprimento de energia elétrica para o Mato Grosso e para o Sistema Interligado Nacional, "não torna necessário ações em relação à restrição de carga (redução do consumo) no Estado".

Entretanto, a produção da termelétrica é um ponto estratégico no sistema interligado. A Mário Covas, segundo Fábio Garcia, pode suprir até 70% do consumo estadual, e dessa forma o sistema fica fragilizado, criando a possibilidade de apagões. "Estamos negociando uma forma de fornecimento sem interrupção do gás natural da Bolívia. Se houver interrupções por algum defeito técnico que ela seja proporcional, isonômica".

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Advogado de Mônica Veloso diz que foi ameaçado de morte

O advogado da jornalista Mônica Veloso, Pedro Calmon, afirmou, em seu depoimento no Conselho de Ética do Senado, que foi ameaçado de morte. Ele contou que recebeu um telefonema aconselhando-o a largar a defesa da jornalista e parar de falar do assunto, ou ambos acordariam “com a boca cheia de formigas”. A ligação teria sido feita de um telefone público.

Calmon também leu um termo de declaração em nome de sua cliente, em que foi reafirmando que Mônica recebia pagamentos de Gontijo em “dinheiro vivo” e que ela mesma fazia o depósito dos valores em sua conta. No termo, a jornalista ainda diz que não mantinha relações de “amizade” com o lobista, como havia dito o senador Renan Calheiros.

O advogado ainda acusou o representante de Calheiros, Eduardo Ferrão, de forjar documentos sobre o pagamento de R$ 100 mil em duas parcelas à jornalista. Calmon disse que assinou a simulação dos papéis, do contrário a sua cliente não receberia o dinheiro.

Nesta segunda, Mônica anunciou que vai acionar o presidente do Senado no STF (Supremo Tribunal Federal).

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Bornhausen sugere privatização dos aeroportos

Em evento que debateu o setor aéreo nesta segunda-feira em São Paulo, o ex-senador e ex-presidente do Democratas, Jorge Bornhausen (SC), pediu a privatização dos aeroportos do Brasil. “Os aeroportos só são mau negócio na mão do governo. Na da iniciativa privada, são um excelente negócio”, disse Bornhausen.Já o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) afirmou que tudo deve ser privatizado. “Tem que privatizar tudo e trazer dinheiro de PPP”, concluiu.

O vice-governador de São Paulo, Aberto Goldman, e o prefeito da cidade, Gilberto Kassab, cobraram mais investimentos em aeroportos e pediram um terceiro aeroporto na capital paulista.

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Democratas defendem saída de Calheiros

Os líderes dos Democratas, nas duas Casas Legislativas, defenderam que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deixe o cargo até que o Conselho de Ética analise o caso.
José Agripino Maia (DEM-RN), líder do partido no Senado, disse que sua opinião não vai mudar nada, mas advertiu: “É uma situação de foro íntimo, mas que está causando constrangimento (ao Senado).”

O líder dos Democratas na Câmara, deputado Onyx Lorenzoni (RS), afirmou que Calheiros tem que sair imediatamente. "Em 10 ou 15 dias, ele prova e retoma suas atividades", disse o parlamentar.

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) avaliou que a decisão do presidente do Senado deixar ou não o cargo já é algo “superado.”

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Marta diz que não pretende deixar ministério
Reuters

SÃO PAULO - A ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), afirmou nesta segunda-feira, em São Paulo, que não pretende deixar o ministério para disputar a prefeitura de São Paulo no ano que vem. Marta, que governou a cidade entre 2001 e 2004, disse estar muito satisfeita com o cargo que ocupa. Ela é cotada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para a disputa da prefeitura.

- Neste pouco tempo em que estou no cargo, percebi que é um campo que você pode melhorar a vida das pessoas, criar empregos, melhorar a educação. Estou gostando muito e pretendo ficar - disse, depois de participar de um evento da Associação dos Dirigentes de Venda e Marketing do Brasil (ADVB).

A ministra afirmou que o governo quer ampliar as rotas regionais e com isso aliviar o peso dos grandes aeroportos brasileiros. - Para se ir de Natal a Belém, por exemplo, é preciso passar por Brasília. Isso precisa mudar.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Depois de tanto esforço, Marta não deixaria o poder de jeito nenhum. O poder alimenta seu ego, a faz sentir-se como que uma “iluminada”, sem considerar o deslumbramento que lhe brota em todas as veias por estar na linha de frente do exibicionismo explícito.

Mas também, precisamos considerar outro dado: Marta sabe, com base nas pesquisas que mandou fazer, que não terá a menor chance numa eleição seja para Prefeitura seja para o governo do Estado. Seu holofote segue em outra direção. Ou no meio do caminho é agraciada com uma embaixada em País de Primeiro Mundo, a França de preferência, ou sai candidata em 2010 à sucessão de Lula.

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O elo entre Lula e Servo

Um empresário do Paraná, Valter Sâmara, apresentou em abril de 2002 o presidente Lula a Nilton Cezar Servo, apontado pela Polícia Federal como chefe da máfia dos caça-níqueis. Notário em Ponta Grossa (PR), Sâmara disse que hospedou Lula várias vezes em sua casa. Segundo Silvia Pfeiffer, fornecedora de serviços, ele sugeriu a ela procurar Mônica, secretária de Lula, para tratar de qualquer coisa na Infraero, em troca de 10% para o PT.

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ENQUANTO ISSO...

Tarso Genro é contra o uso das Forças Armadas na Segurança

Tarso afirma que os Jogos Pan-Americanos vão promover um "salto de qualidade" na segurança do Rio de Janeiro e diz ser contrário ao uso das Forças Armadas para o combate à violência. - Criaria uma falsa ilusão e não nos obrigaria a qualificar o aparelho policial.


ENQUANTO ISSO...

Tarso Genro pede ajuda à CNBB contra violência
Agência Brasil

O ministro da Justiça, Tarso Genro, esteve na Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na última segunda-feira para pedir à Igreja Católica ajuda na execução do novo Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), cujos projetos técnicos serão apresentados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 9 de julho. Há um mês, Lula aprovou o programa, mas determinou que a metodologia fosse transformada em ações.

- Vim trazer informações sobre o Pronasci, solicitando que seja examinado para a CNBB se associar - afirmou Tarso Genro. O ministro explica que a Confederação dos Bispos é parceira do governo na interlocução. - Como será essa associação é a CNBB quem vai decidir - disse.

- Me coloco inteiramente à disposição - disse o presidente da CNBB, d. Geraldo Lyrio Rocha, ao final do encontro. Para ele, o evento de hoje revela o interesse de buscarmos parcerias. - O ministro procurou a CNBB porque essa conversa já vem de longa data. Há campanhas da fraternidade que já abordaram esse tema e depois a atuação da igreja para a educação nos meios de comunicação social, que são instrumentos poderosíssimos - afirmou.

Segundo d. Geraldo, a preocupação da igreja não é unicamente com a violência, mas com o outro lado da medalha, que é a segurança. E uma segurança dentro de um quadro de ordem democrática sem expressões de autoritarismo.

O Pronasci pretende unir as políticas sociais do governo com as de segurança pública. O foco principal são os jovens de 15 a 29 anos, moradores de áreas dominadas pela violência. Inicialmente será implantado em 11 regiões metropolitanas. A intenção é que posteriormente seja estendido a todo o País.

O programa está sendo discutido por representantes dos ministérios da Educação, Cultura, Desenvolvimento Social, Esporte e Cidades e das secretarias Nacional de Juventude, Especial de Direitos Humanos e a Casa Civil.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Interessante este Tarso Genro: na primeira notícia, observem, ele simplesmente dispensa o uso das Forças Armadas para elevar a segurança do Rio de Janeiro.

Já na segunda, observa-se que ele vai à CNBB apresentar seu Plano de Segurança para pedir que os bispos participem do programa na forma de parceria. Mas peraí, Tarso, o que pode a CNBB diante do descalabro da segurança pública, e que as Forças Armadas não possam mais ? Para mandar brasileiros para o Haiti, para fazerem lá o que eles poderiam fazer aqui no Rio de Janeiro (e estão fazendo bem), tudo bem por no fundo se tratar de assegurar uma vaga no Conselho de Segurança da ONU. Agora para garantir segurança para os brasileiros, aí não serve ? Para garantir pensão e promoção para terrorista assassino e truculento amante do comunismo e desertor do Exército, para isso você quer compreensão, mas usar o Exército que você mesmo defendeu ser usado em São Paulo contra o PCC em plena campanha eleitoral de 2006, agora em 2007, no Rio de Janeiro, aí você se arma de conversa mole ! A grandeza de qualquer governante se mede, primeiro, por sua coerência, que no caso de Tarso Genro, como de resto de todo o petista de carteirinha, é coisa que eles jamais entenderão, quanto mais possuírem-na !