quarta-feira, maio 08, 2013

Duplo retrocesso


Adriano Pires
O Globo

Ressurreição da Conta Petróleo não é boa alternativa

Tem sido divulgada a intenção da presidente Dilma de ressuscitar a Conta Petróleo como forma de aumentar o valor de mercado da Petrobras, que tem arcado sozinha com o ônus dos subsídios aos combustíveis. Com a volta da Conta Petróleo, o montante subsidiado seria explicitado através de uma conta gráfica da Petrobras com o Tesouro, deixando-se de prejudicar os acionistas.

A Conta Petróleo foi criada na década de 60 com o objetivo de equalizar os preços dos derivados de petróleo no território nacional. Inicialmente, a Conta recebia os créditos de alíquotas sobre o preço dos combustíveis e, posteriormente, de recursos provenientes da Parcela de Preço Específico (PPE) e pagava ressarcimentos de fretes de derivados e subsídios diversos. Os recursos eram da União e a Petrobras atuava como agente financeiro. Após, a Conta Petróleo passou a servir como instrumento de controle da inflação e como um amortecedor para as flutuações do preço internacional do petróleo, subsidiando o preço dos combustíveis.

Finalmente, em dezembro de 2001, com liberalização do preço dos combustíveis no mercado doméstico, conforme previsto na Lei do Petróleo, se deu o início do fechamento da Conta Petróleo, que foi concluído definitivamente no final de 2002. No entanto, o livre mercado dos combustíveis durou pouco. Em 2003, com o governo PT, os preços domésticos voltaram a se descolar dos preços internacionais, num movimento que se intensificou ao longo dos últimos 10 anos.

O preço dos combustíveis no Brasil sempre foi usado como instrumento de política econômica, tanto com o objetivo de incentivar o desenvolvimento quanto para controlar a inflação. No entanto, em nenhum momento a Petrobras e seus acionistas minoritários perderam tanto como no governo Lula/Dilma. Desde 2003, as perdas acumuladas da estatal podem chegar a R$ 38 bilhões, resultado da diferença entre o preço que a empresa cobra pelos derivados de petróleo no mercado interno e o preço internacional. Essa questão tem se agravado com a necessidade crescente de importação de combustíveis, uma vez que ao comprar efetivamente gasolina e diesel, a um preço mais alto no mercado externo, o prejuízo virtual se materializa.

A ressurreição da Conta Petróleo pode parecer, à primeira vista, uma solução. No entanto, a Conta Petróleo e a compensação da Petrobras faziam sentido num arcabouço institucional no qual a estatal exercia o papel de monopolista legal do refino. Sendo assim, a retomada da Conta Petróleo seria duplamente um retrocesso. Além de legitimar o controle de preços dos combustíveis, que inclusive não é mais previsto na legislação, seria também uma forma de reconhecer o monopólio da Petrobras no mercado de refino e na importação e na exportação. Assim, o Brasil nunca seria visto como um mercado com potencial completo, limitando os investimentos nos segmentos de exploração/produção e distribuição. O correto e mais fácil seria respeitar-se a lei, dando liberdade para a Petrobras estabelecer o preço dos combustíveis, e a utilização da Cide de acordo com os objetivos para os quais foi criada.

Risco ambiental à espreita na próxima licitação de petróleo


Bruno Rosa e Ramona Ordoñez 
O Globo

Blocos do Rio Grande do Norte ao Amapá, que vão a leilão este mês, ficam perto de santuários ecológicos

Marcia Couro/ Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão/Divulgação 
Parque do Parcel Manuel Luís, no Maranhão, 
está a 86 quilômetros de blocos em Barreirinhas 

RIO — Ao lado do inimigo. Será possível a convivência da exploração de petróleo com verdadeiros santuários naturais, como manguezais e áreas de reprodução de tartarugas marinhas e corais? Este será um dos maiores desafios da 11ª Rodada de Licitações, que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) vai realizar nos dias 14 e 15 próximos. A poucos dias do leilão, ambientalistas alertam que pouco se conhece, nas regiões onde estão os blocos da margem equatorial (região que vai da costa do Rio Grande do Norte ao Amapá), sobre as correntes marinhas, ventos e marés. Este conhecimento é necessário para evitar que, em caso de vazamento, o óleo atinja a costa repleta de unidades de conservação. Os blocos estão entre 60 e 100 quilômetros da costa.

Dos 289 blocos que serão ofertados, 170 estão em bacias situadas na margem equatorial, onde não existem os chamados dados primários — obtidos através de pesquisa local, como a temperatura da água, as correntes marinhas, a variação das marés e a rota dos ventos, além da biodiversidade. Apesar de haver um potencial de 7,5 bilhões de barris de petróleo em reservas na margem equatorial, a região conta com 96 unidades de conservação. Deste total, 18 estão no litoral.

Maior costa de manguezais
Assim, especialistas destacam que a exploração exigirá altos investimentos tanto na fase de elaboração dos estudos de impactos ambientais, para obtenção das licenças, quanto na elaboração do Programa de Emergência Individual (PEI).

Segundo Guilherme Fraga Dutra, diretor do Programa Marinho da ONG Conservação Internacional Brasil, o leilão mostra que há falta de planejamento do governo, visto que muitas áreas não têm dados ambientais detalhados:

— Parece haver uma desconexão dos poderes. A ANP oferece os blocos; as empresas compram, e, depois, não conseguem a licença. E isso é ruim para todos. Do Maranhão ao Amapá, há a maior costa de manguezais do país. No Maranhão, há um dos maiores bancos de corais do país, o Parque do Parcel de Manuel Luís, que está próximo de blocos.

O presidente da consultoria CP+, Marcelo Bacci, diz que a região, com santuários ecológicos, é pouco conhecida:

— Os maiores riscos estão relacionados com a possibilidade de vazamento de óleo, que poderia afetar áreas sensíveis e atividades econômicas como a pesca e o turismo. Outro desafio é criar estruturas de combate ao vazamento numa região tão isolada.

O executivo lembra que o Ibama vai exigir das empresas vencedoras os estudos de impacto ambiental e o levantamento dos dados primários, uma vez que os dados existentes são secundários (obtidos de literatura disponível).

— É possível explorar petróleo e preservar o meio ambiente. Alguns dos blocos ofertados se sobrepõem a ecossistemas sensíveis — disse Bacci.

O chefe de gabinete da ANP, o biólogo marinho Sílvio Jablonski, admite que o Ibama deverá exigir das companhias o levantamento de dados primários para conceder o licenciamento e o Programa de Emergência Individual (PEI) terá de conter infraestrutura, como embarcações e bases em terra.

— Com o aval prévio do Ibama, estamos tranquilos que não teremos problemas de licenciamento. O Ibama retirou áreas que poderiam ter ameaça de levar óleo para a costa.

O Ibama, por outro lado, diz que há, sim, o risco de, ao se fazer os estudos de dados primários, se inviabilizar a exploração de algum bloco. Além disso, ressalta, os blocos que apresentam os maiores riscos são os próximos à costa .

— Sempre há a possibilidade de o estudo ambiental concluir que o projeto é incompatível com a região. Dados secundários não são ruins. Para a margem equatorial, há poucos dados ambientais como um todo, então será necessária a coleta de informações pelo empreendedor — diz Cristiano Vilardo, coordenador-geral de Petróleo e Gás do Ibama.

Uma fonte do governo federal destacou que os blocos estão a mais de 50 quilômetros da costa e a profundidades superiores a 50 metros do solo marinho. Por isso, acredita que não haverá problemas com as licenças.

— Um ou outro (licenciamento) pode ser um pouco mais rigoroso, mas nada que inviabilize a exploração. A obtenção dos dados primários é de responsabilidade das empresas, não do governo — afirmou a fonte.

Mas Ricardo Baitello, responsável pela campanha de energia do Greenpeace, lembra que as regiões Norte e Nordeste não contam com uma infraestrutura para que a empresa possa agir rapidamente em caso de vazamento.

— Além disso, não há um Plano Nacional de Contigência. E também não está clara a responsabilidade de cada órgão. Cada estado do Norte e Nordeste tem uma legislação e isso traz ainda mais incertezas.

Risco a países vizinhos
Segundo especialistas, uma das áreas mais críticas é a Bacia da Foz do Amazonas. Paulo Cesar Rosman, professor de Engenharia Costeira da Coppe, ressalta que as correntes marinhas predominantes da região vão em direção ao Norte, levando, assim, o óleo em direção à Venezuela em caso de vazamento. Bacci, da CP+, afirma que há risco de contaminação acidental em outros países:

— É um fato inédito nos licenciamentos, o que demandará negociação com os países potencialmente afetados e definirá uma maior complexidade no processo de licenciamento — destacou Bacci.

Assim, para Beatriz Paulo de Frontin, advogada de Direito Ambiental do Barbosa, Müssnich & Aragão Advogados, os investimentos serão mais elevados na região.

— Os investidores vão ter que enfrentar as incertezas na hora de adquirir os blocos. Quanto mais próximos a essas áreas sensíveis, maiores serão os investimentos para o controle de um eventual vazamento de óleo — destacou Beatriz.

A advogada Miriam Mazza, do mesmo escritório, diz que o ideal seria ter mais estudos prévios.

BTG Pactual negocia venda de superporto de Eike, diz blog


Marcela Ayres
Exame.com

Segundo Radar Online, banco BTG Pactual estaria ofertando o megaprojeto do porto do Açu a algumas empresas; EBX nega a informação

VEJA SÃO PAULO
Segundo blog, venda de Porto do Açu
 estaria sendo ofertada pelo BTG Pactual, em nome da LLX

São Paulo - Contratado para buscar soluções financeiras para o grupo EBX no começo de março, o BTG Pactual estaria propondo a venda do porto do Açu a algumas empresas. A informação é da coluna Radar, do jornalista Lauro Jardim.

A EBX negou a informação, mas o blog reforçou sua publicação após a divulgação do posicionamento oficial da holding de Eike Batista. Procurada por EXAME.com, a LLX refutou a venda do Açu e divulgou cronograma de operação do porto, com início marcado para este ano (veja íntegra do texto abaixo). 

Ainda segundo a coluna, a instalação no porto de Açu seria outra alternativa ofertada pelo BTG em caso de desinteresse na compra de todo o complexo. Uma das ideias na mesa é a transferência do estaleiro cingapurense Fels, atualmente instalado em Angra dos Reis, para o local.

Principal projeto da empresa de logística LLX e vendido por Eike como "megadesarbitrador das ineficiências do Brasil", o porto do Açu está sendo construído em uma área de 90 quilômetros quadrados em São João da Barra, no norte fluminense.

Mais negócios
Em outra frente, a holding de Eike está prestes a fechar a venda de 40% do campo de Tubarão Martelo à Petronas, petroleira do governo da Malásia. De acordo com o blog, a transação é avaliada em 850 milhões de dólares - cerca de 1,7 bilhão de reais.

O dinheiro, contudo, não será imediatamente injetado no caixa da OGX. Isso porque a Petronas teria exigido a liberação via conta-custódia, com os recursos sendo transferidos à medida que a produtividade do campo for sendo comprovada.

Posicionamento da LLX
A LLX esclarece que é incorreta a informação veiculada na coluna Radar, da revista Veja. A empresa informa que o Superporto do Açu, maior investimento em infraestrutura portuária das Américas, não está a venda.

As obras do Superporto do Açu seguem em ritmo intenso, de acordo com o cronograma e com início de operação previsto para este ano.

A construção do quebra-mar do TX1, terminal offshore que irá movimentar petróleo e minério de ferro, já foi iniciada e a previsão é que os primeiros blocos cheguem ao empreendimento no 2º semestre de 2013. O terminal estará pronto para movimentação a partir de julho de 2014.

Já o TX2, que movimentará carga geral, granéis líquidos e sólidos, carvão e carga de projeto, entre outros, conta com mais de 5 km do canal construídos, com profundidade que chegará a até 18,5 metros. Também já foi iniciada a construção do cais do terminal, com a cravação de cerca de 250 estacas.

O TX2 também conta com área dedicada a indústrias de apoio offshore, onde já estão em construção várias unidades industriais de empresas que atenderão a indústria de petróleo e gás, prestando serviços às operações offshore de E&P.

A operação do TX2, assim como a de alguns clientes como NOV, Technip e Intermoor, está prevista para este ano.

OSX demite centenas de funcionários


Exame.com
Mônica Ciarelli, Estadão Conteúdo

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil e do Mobiliário calcula em cerca de 400 o número de trabalhadores dispensados nos últimos dois meses

Sergio Moraes/Reuters
Em nota, a OSX confirma "ajustes" no quadro de funcionários,
 mas, não revela o total das demissões

Rio de Janeiro - A crise no Grupo X já resultou na demissão de centenas de funcionários da OSX, empresa de construção naval do empresário Eike Batista.

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil e do Mobiliário no Estado do Rio de Janeiro (Sticoncimo-RJ)calcula em cerca de 400 o número de trabalhadores dispensados nos últimos dois meses. Na semana passada, 150 funcionários teriam sido afastados.

"Ficamos sabendo das demissões, mas, até o momento, a empresa não comunicou ao sindicato", reclamou o presidente da entidade, José Carlos Eulálio.

Em nota, a OSX confirma "ajustes" no quadro de funcionários, mas, não revela o total das demissões. Segundo a companhia, o movimento faz parte de um processo de adequação da equipe à atual carteira de encomendas. De acordo com a assessoria da OSX, o Sticoncimo-RJ não representa os trabalhadores da companhia.

Na semana passada, segundo fontes, a OSX perdeu o contrato de construção no Superporto do Açu de duas sondas de perfuração do pré-sal, num custo aproximado de US$ 1,6 bilhão. Preocupado, o sindicalista revelou que a paralisação das atividades da OSX no porto já afeta outras empresas, como a prestadora de serviços, Acciona.

A empresa informa que "se viu na obrigação de comunicar a suspensão temporária do contrato de prestação de serviços com a OSX em consequência da redução substancial do escopo da obra". Em nota, a Acciona revela ter optado por essa saída para minimizar os impactos para os funcionários e fornecedores.

Eulálio revela que cerca de 1,6 mil funcionários da Acciona foram colocados em stand by e que outros 250 pediram demissão, por serem de outros Estados. "A Acciona fez tudo correto ao informar o sindicato da decisão de suspender temporariamente as atividades", afirmou.

A OSX argumenta que o Sticoncimo-RJ não reúne os funcionários da companhia, mas, também não informa qual o sindicato responsável.

De acordo com a empresa de construção naval de Eike, é natural que prestadoras de serviços sofram com o ajuste no quadro de funcionários da empresa. "As obras do estaleiro seguem concentradas nas áreas e estruturas necessárias ao desenvolvimento dos projetos em carteira", diz a nota.

OGX vende parte de operação por US$ 850 milhões


Daniela Barbosa
Exame.com

Segundo Valor Econômico, companhia de Eike Batista vendeu 40% do campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos, para a Petronas

Gabriel Rinaldi/EXAME.com
Eike Batista: empresário vende parte de operação da OGX

São Paulo - Depois de muita especulação, a OGX, do empresário Eike Batista, pode ter vendido 40% do campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campo, no Rio de Janeiro, para a Petronas, da Malásia, por 850 milhões de dólares.  A operação deve ser anunciada hoje e as informações são do Valor Econômico, desta terça-feira.

De acordo com a reportagem, do montante pago pelaaquisição, 250 milhões de dólares serão dados à vista, 500 milhões de dólares no primeiro óleo e os 100 milhões de dólares restantes serão pagos dependendo do volume de produção diária do campo.

O Tubarão Martelo deve começar a operar no terceiro trimestre do ano e a venda de parte da operação para a Petronas marca a entrada da companhia asiática no mercado brasileiro.

Ainda segundo o Valor Econômico, com o acordo, a Petronas poderá comprar ações da OGX com preço menor que o valor de mercado da companhia.

No último fim de semana, a coluna Radar, de Lauro Jardim, da Veja, já havia antecipado a informação.

Governo acusa indígenas invasores de Belo Monte de ligações com garimpo ilegal


O Globo 

Em nota, governo diz que índios são ‘pretensas lideranças’ e não cooperam nas negociações

BRASÍLIA - Em nota divulgada na noite desta segunda-feira, a Secretaria Geral da Presidência da República, do ministro Gilberto Carvalho, acusa os índios munduruku que invadiram e ocuparam instalações da usina de Belo Monte, no Pará, na última sexta-feira, de estarem envolvidos com o garimpo ilegal de ouro no rio Tapajós. Para o governo, esses índios são "pretensas lideranças" e não têm legitimidade.

Os indígenas invadiram Belo Monte para protestar contra a construção de usina no rio Tapajós, distante 500 quilômetros de onde estão nesse momento. Os munduruku reivindicam regulamentação da consulta prévia e a suspensão imediata de todas as obras relacionados às barragens nos rios Xingu, Tapajós e Teles Pires. A Secretaria Geral da Presidência, que se relaciona com movimentos sociais, reagiu a ação dos indígenas.

"Tal reivindicação causa estranheza. Em sua relação com o governo federal essas pretensas lideranças munduruku têm feito propostas contraditórias e se conduzido sem a honestidade necessária a qualquer negociação", diz a nota do governo, que complementa e faz outras acusações aos índios. "Em outubro de 2012, junto com indígenas Kayabi e Apiacá, sequestraram e ameaçaram de morte nove funcionários do governo que realizavam um processo de diálogo na aldeia Teles Pires".

O governo argumenta ainda que, em fevereiro deste ano, os indígenas compareceram a Brasília mas se recusaram a participar de uma reunião com o ministro Gilberto Carvalho. "Agora, invadiem Belo Monte e dizem que querem consulta prévia e suspensão dos estudos. Isso é impossível. A consulta prévia exige a realização anterior de estudos técnicos qualificados. Se essas autodenominadas lideranças não querem os estudos, como podem querer a consulta? Na verdade, alguns munduruku não querem nenhum empreendimento em sua região porque estão envolvidos com o garimpo ilegal de ouro no Tapajós e afluentes. Um dos principais porta-vozes dos invasores em Belo Monte é proprietário de seis balsas de garimpo ilegal", diz a Secretaria da Presidência.

BNDES não cumpre exigência ambiental no crédito a Belo Monte


Danielo Fariello
O Globo

Contrato prevê suspensão de desembolso em caso de irregularidades

Ruy Sposati/Cimi/2-5-2013 
Indígenas ocupam canteiro da usina, na quinta-feira. 
ONGs veem pouca compensação 

BRASÍLIA — Financiada pelo BNDES, a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, tem recebido tratamento privilegiado do banco. Embora o contrato determine a suspensão dos desembolsos em caso de descumprimento das exigências ambientais ou atrasos na adoção de medidas para minimizar o impacto da obra no meio ambiente, na prática, essa determinação não está sendo seguida. Mesmo descumprindo exigências ambientais, o que já resultou na aplicação de multa pelo Ibama, a obra segue recebendo regularmente os recursos do financiamento de R$ 22,4 bilhões, o maior crédito da história do banco.

O GLOBO teve acesso ao contrato de financiamento principal assinado em 18 de dezembro entre BNDES e a Norte Energia, empresa responsável pela construção da gigantesca hidrelétrica no Pará, com orçamento de R$ 25,9 bilhões. A liberação de recursos exige a regularidade ambiental do empreendimento e “cumprimento tempestivo (dentro do prazo previsto) das condicionantes”, conforme escrito na letra C, inciso III da cláusula 20ª. As condicionantes são as exigências ambientais.

Enquanto a construção segue com condicionantes em atraso, 24 ações estão na Justiça tentando, em sua maioria, suspender a licença ambiental dessa obra, que é a mais polêmica do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e deve balizar a relação de outros grandes empreendedores da infraestrutura com o meio ambiente no futuro.

No mês passado, o Ministério Público Federal (MPF) no Pará entrou na Justiça para suspender a licença e cobrar o cumprimento de condicionantes pela Norte Energia, entre as quais destacam-se as instalações de saneamento básico, que já deveriam ter sido feitas na região do Xingu, conforme o cronograma oficial.

BNDES vê ‘situação de regularidade’
Entidades não governamentais também têm reclamado do atraso no cumprimento de condicionantes. No mês passado, o Instituto Socioambiental (ISA) denunciou que, concluídos 30% do empreendimento e 16 meses após o início, não havia, até o dia 8 de abril, obras significativas e com impacto na vida dos cidadãos afetados da região.

— Não vai dar tempo para cumprir tudo (as condicionantes) até fechar a barragem, em dezembro de 2014. Será que vão fazer depois de tudo pronto? — pergunta Biviany Rojas, advogada do ISA.

Perguntada sobre aspectos específicos do cumprimento das condicionantes, a Norte Energia limitou-se a responder ao GLOBO “que as ações previstas no Projeto Básico Ambiental (PBA) estão sendo cumpridas, estando já contratadas ou em fase de contratação.” A empresa informou, ainda, que foi investido até o momento nessas atividades cerca de R$ 1 bilhão. Segundo o BNDES, apenas os investimentos em ações socioambientais financiados pelo banco para os arredores de Belo Monte somam R$ 3,2 bilhões.

No primeiro relatório de andamento do Projeto Básico Ambiental enviado pela Norte Energia, em fevereiro do ano passado, houve cobrança de multa de R$ 7 milhões pelo Ibama pelo descumprimento de condicionantes (a multa máxima era de R$ 10 milhões). Em janeiro deste ano, segundo o ISA, a Norte Energia tinha cumprido apenas 19% das condicionantes, mas não houve nova multa.

Para ONG, falta transparência nas análises de risco
Segundo Brent Millikan, diretor do Programa Amazônia da ONG International Rivers, com sede nos EUA, falta transparência no modo como o BNDES faz as análises de risco sobre o projeto.

— Cada dia que Belo Monte para por conta de ocupações, há um impacto financeiro, mas não se sabe qual é esse impacto — disse Millikian, lembrando que, na quinta-feira, parte da obra voltou a ser invadida por grupos indígenas.

O BNDES reconhece que “podem ocorrer eventuais atrasos na execução das ações previstas, por conta de condicionantes”, mas informa que, com base nas informações recebidas da Norte Energia, “não se caracterizou a descontinuidade da situação de regularidade do projeto perante os órgãos ambientais”. E destaca, ainda, “que as licenças ambientais emitidas continuam válidas”.

O risco de o próprio BNDES ser responsabilizado por eventuais danos socioambientais provocados pela obra é real. A cláusula 13ª diz que a Norte Energia deverá “ressarcir o BNDES, seus diretores, administradores, empregados, assessores e controladas de qualquer quantia que estes sejam compelidos a pagar por conta de dano socioambiental que, de qualquer forma, a autoridade entenda estar relacionado ao projeto”.

Até que enfim: Justiça afasta presidente da Assembleia de Mato Grosso. Mas ainda é pouco.


Jean-Philip Struck
Veja online

Decisão da Justiça, no entanto, não afeta mandato de José Riva, que responde a mais de cem ações por improbidade

Divulgação 
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, José Geraldo Riva (PSD) 

A Justiça de Mato Grosso afastou nesta terça-feira o deputado estadual José Riva (PSD) da presidência da Assembleia Legislativa do estado. O parlamentar é um dos políticos mais enrolados do país e responde a 102 processos por improbidade. Apesar da decisão, Riva vai manter o mandato de deputado - só as funções administrativas foram afetadas. Ele alterna há quase dezoito anos a função de presidente e primeiro-secretário da Assembleia. 

A decisão também determinou a perda da função pública do conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso Humberto Bosaipo. Tanto Riva quanto Bosaipo foram acusados de montar um esquema de desvios entre 1999 e 2003, quando ocuparam os cargos de presidente e primeiro-secretário da Assembleia. 

Esquema - Segundo o Ministério Público, no período em que a Casa foi chefiada pelos dois, a Assembleia emitiu cerca de 1.800 cheques para o pagamento de serviços que nunca ocorreram. Os valores eram enviados para empresas de fachada. O esquema todo, segundo a promotoria, causou um prejuízo de 500 milhões de reais. 

Nesta terça-feira, os dois foram condenados por duas ações relacionadas ao caso. Em uma delas, Riva e Bosaipo foram acusados de desviar 2,65 milhões de reais por meio de 48 cheques emitidos entre 2001 e 2002 e depositados em favor da empresa Sereia Publicidade e Eventos Ltda. 

“Apesar da Sereia Publicidade ter sido criada no dia 1º de agosto de 2001, no primeiro mês de vida, em apenas um dia, foram emitidos cinco cheques, que juntos totalizavam  375 000 reais. Ou seja, a empresa começou com garra total”, disse o revisor do processo, o juiz Sebastião Barbosa Farias.

Condenações - Na outra ação, Riva e Bosaipo foram acusados de emitir 44 cheques, no valor total de 2,1 milhões de reais em favor da firma individual DP Quintana Publicidade, aberta com o CNPJ de uma confecção de peças íntimas femininas. A empresa teria vencido o processo licitatório aberto pela Assembleia para contratação de serviços de publicidade, que nunca foram prestados.

“Diante das irregularidades é impossível que não sejam responsabilizados pela improbidade cometida, pois tinham sim, ao contrário do que é afirmado por eles, o dever de fiscalizar os pagamentos efetuados”, disse o relator do processo, juiz Sebastião Barbosa Farias.

A Justiça determinou também que Riva e os outros réus condenados nesta terça-feira a restituir 4,7 milhões de reais aos cofres estaduais.

Defesa - 
Em nota, José Riva anunciou que pretende recorrer das decisões do Tribunal de Justiça. De acordo com Riva, o julgamento foi realizado sem ter sido “oportunizada a produção de provas por parte da defesa”. “Em nenhum momento a minha defesa pode produzir as provas necessárias, onde mostram que nunca houve desvio de dinheiro público na Assembleia”, disse Riva.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Afastar apenas não resolve: a Justiça precisa desengavetar, COM URGÊNCIA,  as dezenas de processos contra o senhor José Riva, antes que os crimes prescrevam. Somente assim se terá um mínimo de justiça no caso deste senhor, que há muito tempo deveria estar afastado da vida pública.

PT é proibido de fazer propaganda de Lindbergh na TV e no rádio


Veja online

Exibições configuram campanha antecipada, diz procurador regional eleitoral

(André Corrêa/PT) 

Lindbergh Farias quer concorrer ao governo do Rio em 2014 

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE) proibiu a divulgação pessoal de imagens do senador Lindbergh Farias nas veiculações de TV e rádio do PT no estado nesta segunda-feira. A liminar foi concedida a partir do pedido de uma representação movida pelo procurador regional eleitoral Maurício da Rocha Ribeiro. Segundo ele, as inserções do PT-RJ exibidas em fevereiro e abril configuram propaganda eleitoral antecipada para a eleição ao governo do Rio em 2014.

O TRE também fixou uma multa de 50.000 reais para cada dia de uso indevido da propaganda partidária. Como pedido final da ação, a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE/RJ) quer que o tribunal condene o PT do Rio à perda de tempo equivalente a cinco vezes ao da eventual veiculação e que o senador seja multado entre 5.000 e 25.000 reais.

A representação contra o senador foi movida no último dia 2, mas outra ação semelhante já havia sido proposta em março passado. No pedido, o MP Eleitoral cita trechos que atestam, afirma, o uso indevido da propaganda partidária, como as declarações de Lindbergh de que "o Rio precisa de um governo que governe com os dois olhos bem abertos" e de que o estado "será melhor ainda quando os trens da Supervia que passam por todo o subúrbio, pela Zona Oeste e pela Baixada virarem metrô de superfície".

"Quem faz propaganda eleitoral antecipada se coloca numa situação de vantagem sobre os demais concorrentes", enfatiza o procurador regional eleitoral, lembrando que a propaganda partidária deve se limitar à divulgação dos programas do partidos, e não à promoção de candidaturas - o que só é possível após o dia 5 de julho do ano de eleição. "A Procuradoria Eleitoral está atenta para buscar coibir abusos dos pré-candidatos", afirma Ribeiro.

De cada R$ 100 roubados de bancos no Brasil, R$ 95 já são pelo computador


Bruno Paes Manso
O Estado de S.Paulo

Em 2012, as fraudes eletrônicas provocaram prejuízos de R$ 1,4 bilhão; explosões de caixas e ações em agências bancárias causaram perdas de R$ 75 milhões

Tira de cabelos brancos, o chefe dos investigadores Eraldo de Andrade, da 4.ª Delegacia de Delitos Praticados por Meios Eletrônicos, de São Paulo, trabalhou 28 dos seus anos 59 anos atrás de ladrões nas ruas. Prendeu homicidas e integrantes do Primeiro Comando da Capital. Andrade olha para cima da mesa e aponta para um computador. "Nunca vi um ladrão tão bom como esse aqui."

Assim como já ocorre em outros setores da economia formal, até no universo do crime a internet e a tecnologia inovaram, tornando-se as armas mais eficazes e lucrativas dos ladrões.

De cada R$ 100 roubados ou furtados de bancos no Brasil, pelo menos R$ 95 são fraudes eletrônicas, feitas por internet banking ou cartões, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). No ano passado, essas fraudes provocaram prejuízos de R$ 1,4 bilhão nos bancos.

Já os assaltos feitos por quadrilhas nas sedes dos bancos, com explosões de caixas eletrônicos, apesar de serem espetaculares, causaram prejuízos estimados em R$ 75 milhões.

"Nos últimos cinco anos, o volume das transações eletrônicas aumentou muito e os fraudadores aproveitaram. Os bancos estão investindo em tecnologia para reduzir os riscos. No último ano, houve redução de 6,7% nas fraudes eletrônicas, apesar de as tentativas terem aumentado 75%", diz Wilson Gutierrez, diretor técnico da Febraban.

Os ladrões nerd ou os crackers, como são chamados os hackers que fazem o mal, são bem diferentes dos ladrões de banco tradicionais. São de classe média, estudaram e conhecem computação. Agem em diferentes Estados brasileiros, em quadrilhas compartimentadas, que dividem as tarefas para dificultar a ação da polícia.

Eles possuem diversas artimanhas para enganar os clientes dos bancos, instalando vírus ladrões nos computadores de terceiros ou direcionando as vítimas para páginas falsas na internet. Assim, os fraudadores obtêm os dados bancários da vítima e desviam dinheiro para suas contas. Nessa modalidade de crime, os bancos arcam com prejuízos do cliente fraudado.

Cartões. Também há muitas fraudes eletrônicas em cartões de crédito e débito. Foi o que ocorreu com o consultor Marcelo Guzzard. Ao abrir a página de seu banco, ele viu que tinha despesas em cartões de crédito que chegavam a R$ 10 mil. "Mostrei que não eram minhas. Cheguei a ter o nome negativado, mas a situação se resolveu", conta.

A dificuldade de identificar o endereço dos computadores bandidos é um trunfo dos ladrões. Convênio feito pela Polícia Federal com a Febraban, que começou a repassar os dados das fraudes para facilitar a investigação, ajudou a diminuir a impunidade. Assim como a Lei Carolina Dieckmann, que endureceu com os criminosos virtuais depois que as fotos da atriz foram vazadas na internet.

Lei inflexível impede que menor criminoso seja punido

Editorial
O Globo

Envolvimento de jovens em crimes bárbaros sinaliza que o país precisa discutir a sério mudanças na legislação para dar mais flexibilidade aos juízes

Crimes bárbaros cometidos por menores de idade costumam aquecer o termômetro das cobranças da sociedade, basicamente em relação ao limite mínimo da idade a partir do qual o criminoso é plenamente imputável. Recentemente, deu-se novamente o fenômeno em dois episódios em São Paulo: num, um assaltante, às vésperas de completar 18 anos, assassinou um estudante depois de lhe tomar o celular; noutro, uma dentista, em Ribeirão Preto, morreu queimada por bandidos que haviam entrado em seu consultório — entre eles, também um jovem de 17 anos.

Ainda que se atribua à emoção o aumento da pressão na defesa da redução da idade penal, esse não é mais um sentimento pontual no país. Pesquisas mostram que a mudança na legislação que trata do menor (Estatuto da Criança e do Adolescente), para permitir que a Justiça alcance com mais rigor jovens criminosos, é amplamente apoiada pela população. Junte-se a isso o fato de que episódios como esses dois não são exceção na crônica policial brasileira. Apenas para ficar no terreno dos casos que mexeram com a opinião pública, em 2007 o menino João Hélio foi trucidado no Rio, ao ser arrastado preso ao cinto de segurança de um carro por uma quadrilha de ladrões da qual fazia parte um rapaz de 17 anos.

Isso sem contar as levas de jovens com idade inferior a 18 anos usados pelo tráfico de drogas para ações mais violentas, em razão do anteparo jurídico do ECA.

A questão do limite da inimputabilidade precisa ser discutida com seriedade no Brasil, sem ser contaminada por discursos sociológicos que não levam em conta a capacidade de discernimento de jovens que matam friamente, não poucas vezes com requintes de crueldade. Há ainda outros fatores que, colocados na mesa, dão forma a juízos contraditórios. Caso, por exemplo, da fixação em 16 anos da idade que permite ao jovem votar.

A redução da maioridade penal é um debate prejudicado por fortes barreiras. O ECA é inflexível: independentemente da capacidade de discernimento do criminoso e, principalmente, da gravidade dos seus atos, o jovem infrator não pode ficar privado da liberdade por mais de três anos. Na esfera governamental, a discussão também não anda, interditada por uma blindagem que assegura vetos a qualquer tentativa de mudança.

O Brasil não cria opções para punir com mais rigor menores envolvidos em crimes violentos. Nisso, está na contramão de procedimentos de outros países, como mostra levantamento do Unicef, nos quais, mesmo com a manutenção do limite penal em 18, abrem-se espaços na legislação para a internação de jovens criminosos por períodos superiores aos três anos do ECA . Isso dá ao juiz a possibilidade interpretar a lei à luz de critérios que levem em conta a maturidade do criminoso, imputando-lhe penas à altura de seus atos, em lugar de manter a Justiça dentro de um padrão que, como mostram os números, estimula em vez de inibir a criminalidade juvenil.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O que mais irrita nesta posição estúpida do governo brasileiro e de alguns “estudiosos” é a intransigência  em favor da criminalidade. 

Ora, sabemos que, mesmo com a redução da maioridade, não iremos zerar o crime praticado por menores. Tampouco, a prisão terá o dom de acabar com a violência e os criminosos.

Contudo, se não houver repressão, se não se punir os criminosos, a tendência é que a violência aumente por conta da eterna impunidade.   

Não fazer nada, por conta desta mentalidade idiota, é deixar a sociedade à deriva, sem assistência, sem segurança, entregue à própria sorte. 

O que a sociedade está exigindo é que ações sejam tomadas de imediato, até porque a vontade da maioria do povo brasileiro assim o exige, e é o mínimo que o Estado deve fazer para conter a onda de crimes que vão provocando tragédias umas após as outras. 

Precisamos pensar é nas vítimas, é nas pessoas decentes, que, afinal de contas, pagam impostos justamente para que o poder público, dentre outras atribuições, invista em mais, e não em menos, segurança.

Não há uma única razão sensata, lógica e até humana, justificando tamanha omissão e desrespeito para com a sociedade brasileira. 

Dizer simplesmente que a redução da maioridade penal não resolverá o problema, é dar costas e lavar as mãos, é continuar apunhalando e traindo a confiança que o povo brasileiro deposita em seus governantes.

Adolescentes de 16 e 17 anos, a menos que sejam retardados mentais, e neste caso precisam é de tratamento específico,  comandam quadrilhas dedicadas ao crime e TODOS tem exata noção do certo e do errado. Deste modo, devem responder por seus atos. E, de parte do Estado brasileiro, este deve proteger os honestos, e não os bandidos que permanecem soltos para a prática de crimes hediondos. E é sua função  dotar o país de instituições devidamente estruturadas para abrigar menores infratores, como é sua responsabilidade dotar o sistema prisional de condições mínimas e dignas para abrigar a bandidagem.

Nada fazer, como temos visto, com desculpas esfarrapadas e conversa mole, é ir muito além dos próprios bandidos: é colocar uma arma nas mãos de cada criminoso, delegando a eles a sorte e o destino de milhões de brasileiros honestos. Tamanha omissão acaba se tornando em um crime ainda mais hediondo do que os que o país assiste, diariamente, indefeso e desassistido.

Que tal uma das muitas ong’s que vicejam por aí, tomar a iniciativa de correr um abaixo assinado, por todo o país, exigindo a redução da maioridade penal? Vale lembrar que foi assim que nasceu a lei Ficha Limpa!!!

Adolescente suspeito de estuprar mulher dentro de ônibus se entrega à polícia


Marcelo Gomes
O Estado de S. Paulo

Adolescente de 16 anos estava escondido na casa da mãe, numa favela dominada pelo tráfico, e entregou-se a pedido do padrasto; crime ocorreu na sexta-feira, 3, e foi filmado por câmeras do coletivo

RIO - O suspeito de ter estuprado uma mulher dentro de um ônibus da linha 369, ocorrido na tarde de sexta-feira, 3, no Rio de Janeiro, se apresentou na manhã desta terça-feira, 7, à polícia. O suspeito, que tem 16 anos, estava escondido na casa da mãe, numa favela dominada pelo tráfico, e entregou-se à 33ª Delegacia de Polícia (Realengo). A rendição foi negociada com o padrasto do rapaz.

Policiais da 17ª DP (São Cristóvão), responsáveis pelo caso, divulgaram na segunda-feira (06) imagens da câmera de segurança do ônibus, que mostram nitidamente o rosto do estuprador. O Disque-Denúncia (21-2253-1177) oferecia R$ 2 mil de recompensa por informações que levassem à captura do suspeito.

O criminoso entrou às 15h31 no ônibus, num ponto na altura do Conjunto Habitacional do Fumacê, em Realengo, zona oeste. Passou pela roleta usando um (vale-transporte eletrônico) e, três minutos depois, sacou uma arma e anunciou um assalto.

Uma das vítimas ficou encarregada de recolher os pertences dos outros passageiros. O criminosos, então, pulou a roleta e disse ao motorista para não parar em nenhum ponto. Nesse momento, a câmera do ônibus filmou seu rosto. O rapaz voltou para os fundos do coletivo, escolheu uma passageira e a estuprou na frente de todos. O estuprador desceu do veículo já no fim da Avenida Brasil, na zona portuária, nas imediações do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia.

O crime teve repercussão internacional. O site da rede britânica BBC destacou que o caso chocou o país, que se prepara para receber a Copa do Mundo de 2014. A reportagem era ilustrada com uma foto do Maracanã, recém-reformado para o torneio.

Outros casos. Em 20 de abril, um homem armado invadiu uma clínica de depilação em Bonsucesso, na zona norte, e estuprou uma funcionária.

Três dias antes, uma menina de 14 anos foi estuprada na Praia do Leblon, zona sul. O crime ocorreu no final da praia, quase na Avenida Niemeyer, via que liga o Leblon a São Conrado, passando pela Favela do Vidigal. A vítima estava acompanhada de uma amiga. As duas voltavam para casa, no Vidigal, quando foram rendidas pelo estuprador, que estava armado.

Em 30 de março, uma turista americana de 21 anos foi estuprada por três homens durante seis horas numa van. A vítima estava acompanhada do namorado, um francês de 23 anos. Os dois pegaram a van em Copacabana, na zona sul, e seguiriam para a Lapa, bairro boêmio da região central da cidade. No meio do caminho, os criminosos obrigaram os outros passageiros a descer, e seguiram com o casal para São Gonçalo, na Região Metropolitana. Enquanto a americana era estuprada, seu namorado foi espancado com uma barra de ferro.

Adolescente suspeito de estuprar mulher dentro de ônibus se entrega à polícia


Marcelo Gomes
O Estado de S. Paulo~

Adolescente de 16 anos estava escondido na casa da mãe, numa favela dominada pelo tráfico, e entregou-se a pedido do padrasto; crime ocorreu na sexta-feira, 3, e foi filmado por câmeras do coletivo

RIO - O suspeito de ter estuprado uma mulher dentro de um ônibus da linha 369, ocorrido na tarde de sexta-feira, 3, no Rio de Janeiro, se apresentou na manhã desta terça-feira, 7, à polícia. O suspeito, que tem 16 anos, estava escondido na casa da mãe, numa favela dominada pelo tráfico, e entregou-se à 33ª Delegacia de Polícia (Realengo). A rendição foi negociada com o padrasto do rapaz.

Policiais da 17ª DP (São Cristóvão), responsáveis pelo caso, divulgaram na segunda-feira (06) imagens da câmera de segurança do ônibus, que mostram nitidamente o rosto do estuprador. O Disque-Denúncia (21-2253-1177) oferecia R$ 2 mil de recompensa por informações que levassem à captura do suspeito.

O criminoso entrou às 15h31 no ônibus, num ponto na altura do Conjunto Habitacional do Fumacê, em Realengo, zona oeste. Passou pela roleta usando um (vale-transporte eletrônico) e, três minutos depois, sacou uma arma e anunciou um assalto.

Uma das vítimas ficou encarregada de recolher os pertences dos outros passageiros. O criminosos, então, pulou a roleta e disse ao motorista para não parar em nenhum ponto. Nesse momento, a câmera do ônibus filmou seu rosto. O rapaz voltou para os fundos do coletivo, escolheu uma passageira e a estuprou na frente de todos. O estuprador desceu do veículo já no fim da Avenida Brasil, na zona portuária, nas imediações do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia.

O crime teve repercussão internacional. O site da rede britânica BBC destacou que o caso chocou o país, que se prepara para receber a Copa do Mundo de 2014. A reportagem era ilustrada com uma foto do Maracanã, recém-reformado para o torneio.

Outros casos. Em 20 de abril, um homem armado invadiu uma clínica de depilação em Bonsucesso, na zona norte, e estuprou uma funcionária.

Três dias antes, uma menina de 14 anos foi estuprada na Praia do Leblon, zona sul. O crime ocorreu no final da praia, quase na Avenida Niemeyer, via que liga o Leblon a São Conrado, passando pela Favela do Vidigal. A vítima estava acompanhada de uma amiga. As duas voltavam para casa, no Vidigal, quando foram rendidas pelo estuprador, que estava armado.

Em 30 de março, uma turista americana de 21 anos foi estuprada por três homens durante seis horas numa van. A vítima estava acompanhada do namorado, um francês de 23 anos. Os dois pegaram a van em Copacabana, na zona sul, e seguiriam para a Lapa, bairro boêmio da região central da cidade. No meio do caminho, os criminosos obrigaram os outros passageiros a descer, e seguiram com o casal para São Gonçalo, na Região Metropolitana. Enquanto a americana era estuprada, seu namorado foi espancado com uma barra de ferro.

Os segredos envolvendo o novo livro de Dan Brown


O Globo (*)

A trama parece digna do criador de ‘O código Da Vinci’: isolados num ‘bunker’ na Itália e cercados por um forte esquema de segurança, 11 tradutores passaram sete semanas mergulhados em ‘Inferno’, nova obra do autor, que chega no dia 24 ao Brasil

Divulgação 
Capa de "Inferno", novo livro de Dan Brown 

RIO - Livros secretos, códigos de segurança, armas de fogo, bunkers, informações ocultas. Na história a seguir, há tudo isso. E, embora se trate de Dan Brown, o autor de “O código Da Vinci”, não há ficção nenhuma aqui. Tudo começou no dia 18 de fevereiro, em um esconderijo subterrâneo vigiado por dois seguranças armados, apelidado de “o bunker”. Lá dentro, 11 indivíduos que não falam a mesma língua: ouvem-se frases em alemão, francês, português, espanhol, catalão e italiano. Dada a segurança da operação, o bunker fica no último lugar em que alguém iria procurá-lo: embaixo de um prédio frequentado diariamente por 400 jornalistas — o edifício Mondadori, sede da editora de mesmo nome, projetado por Oscar Niemeyer, às portas de Milão. Assim que entram no bunker, as 11 pessoas têm seus celulares apreendidos, bem como quaisquer outros dispositivos com que possam se comunicar com o exterior. Tudo o que têm é um crachá e alguns cigarros — para os que fumam. Lá fora, o dia. Logo vai nevar, mas o clima pouco importa quando se é obrigado a permanecer em um bunker durante dois meses, incluindo os domingos. Não interessa em quantas semanas os “reclusos” levarão a missão a cabo. Nenhum deles poderia abandonar o local definitivamente antes de 5 de abril. E, no dia de “relaxamento”, nenhum deles seria mais como antes.

Estamos falando de um mistério dentro do mistério: a gênese “europeia” de “Inferno”, o mais novo livro de Dan Brown, o quarto protagonizado pelo professor de História da Arte e Simbologia Robert Langdon, que será lançado no Brasil no dia 24 de maio, pela editora Sextante.

Os “reclusos” são os tradutores do livro (dias depois, dois editores se somariam a eles), chegados da França, da Espanha, da Alemanha, do Brasil e da Itália. A cada manhã, uma van particular os levava até o bunker. Todos trabalhavam ali, sem descanso, diariamente, até as nove da noite, quando novamente entravam na van e eram conduzidos de volta. Cada movimento deles era anotado num registro. Consultá-lo, agora, significa ter uma ideia mais precisa do seu dia a dia: “Pausa para fumar”, “Passeio rápido”, “Refeição”, “Olhar a neve”. Sim, a neve. Fabiano Morais, um dos tradutores do Brasil, nunca a tinha visto. Quando notou, através de frestas nas janelas, que caíam alguns flocos de neve, pediu para sair, para descobrir que efeito tinha.

Tudo aconteceu sob os olhares de guardas armados, segundo um rígido código de segurança: nenhum documento podia sair do bunker. Nenhum telefonema era admitido. Os computadores em que se faziam as traduções não tinham acesso à internet: havia terminais à parte, para pesquisas, vigiados por membros da segurança. Nenhum dos tradutores podia sequer revelar o motivo pelo qual estava ali: cada um tinha uma espécie de “álibi”, uma história para despistar os curiosos, que também não pode ser revelada, nem mesmo agora que a operação de tradução já está concluída e os documentos em papel (que, obviamente também eram secretos), destruídos.

Excessos? Não propriamente quando se observam os números: “O código Da Vinci” vendeu, em todo o mundo, 80 milhões de cópias (1,9 milhão só no Brasil). Ao todo, Dan Brown vendeu 150 milhões de livros (4,7 milhões no Brasil). Os dois filmes com Tom Hanks baseados em suas obras (“O código Da Vinci” e “Anjos e demônios”) renderam US$ 1,25 bilhões.

Aproximar-se do bunker, portanto, era impossível: só se pode reconstituir o que aconteceu nos dois meses de trabalho falando com os tradutores, depois de voltarem a suas casas. E a descrição de seu dia a dia mereceria — ela também — um romance.

— Viver em um bunker e dormir em um hotel, desconectados da realidade — explica Alejo Montoto, tradutor espanhol.

— Foi uma experiência verdadeiramente insólita, porque o nosso trabalho é muito solitário — acrescenta o alemão Rainer Schumacher.

— Éramos como marinheiros no mesmo barco — comenta o francês Dominique Defert.

— A experiência nos permitiu mergulhar completamente no livro de Dan Brown — explica Carole Delporte, também francesa. — Mas, estar distante da minha família por tanto tempo, foi fatigante.

Esthel Roig, tradutora catalã, terminou a operação exausta:

— Eu dormia em um hotel, no meio do nada. O resto era trabalho no bunker. Agora, só tenho vontade de estar um pouco com o meu gato.

Nicoletta Lamberti, a terceira tradutora italiana, acrescenta:

— Eu sofri, por não poder traduzir com a música a todo o volume. Meu outro hábito é trabalhar descalça: depois dos primeiros dias, muito formais, não fiz por menos. E ninguém se escandalizou.

Agora, com o livro já impresso e o primeiro capítulo já divulgado, sabe-se que, desta vez, o professor Robert Langdon se vê envolvido com uma organização chamada O Consórcio. Ele irá tentar decifrar um enigma que tem como pano de fundo o italiano Dante Alighieri, autor de “A divina comédia”. O resto é mistério...

10 MANDAMENTOS:
  • “Inferno”: Os tradutores não podiam falar com ninguém sobre a trama
  • Papelada: Eles não podiam levar para fora do bunker qualquer material sobre o livro, fosse impresso ou digital
  • Telefones: Celulares e outros instrumentos de comunicação eram vetados
  • Conexão: Dispositivos pessoais conectados à internet eram proibidos
  • Circulação: Não era permitido andar pelo edifício Mondadori, com exceção do refeitório e do café
  • Identificação: Os tradutores deviam estar sempre de crachá
  • Explicações: A equipe não devia falar sobre os motivos de sua presença no prédio
  • Acesso: Só tradutores, editores e seguranças podiam entrar no bunker
  • Idas e vindas: Eles deviam assinar um papel toda vez que precisassem sair do local
  • Pesquisa: Os tradutores podiam acessar a internet em computadores vigiados por seguranças


(*)  Reportagem publicada na revista italiana “Sorrisi e Canzoni”

Impressora 3D começa a ser vendida em rede de varejo nos EUA


O Globo

Staples é a primeira grande rede a comercializar o equipamento
Cube 3D Printer sai por US$ 1,3 mil

Divulgação
A impressora á capaz de fabricar objetos 
com dimensões de no máximo 5,5 polegadas em 16 cores 

RIO — A Staples será a primeira grande varejista americana a vender impressoras 3D. A gigante dos equipamentos para escritório anunciou nesta sexta-feira que já está disponível em seu site, por US$ 1,3 mil, a Cube 3D Printer, da 3D System. O aparelho estará à venda em algumas lojas físicas da Staples no fim de junho.

Impressoras 3D domésticas permitem que usuários comuns fabriquem praticamente qualquer tipo de objeto a partir de arquivos CAD (sigla em inglês para projetos de design feitos em computador). A tecnologia já existe há alguns anos na indústria, mas só agora modelos domésticos estão chegando ao mercado a preços acessíveis para o consumidor médio.

A Cube 3D é compatível com Mac e Windows e acompanha 25 modelos desenhados por artistas profissionais. Os usuários também podem baixar outros projetos na internet. A impressora á capaz de fabricar objetos com dimensões de no máximo 5,5 polegadas em 16 cores.

SP: Motorola e Nokia são campeãs de queixas no Procon


Veja online

Entre as fabricantes de celulares, Motorola tem maior número de reclamações. Nokia vem em segundo lugar, seguida por Samsung e LG

(Sebatião Moreira/EFE) 
Procon-SP recebeu mais de 2 mil queixas sobre aparelhos celulares em 2012 

Motorola e Nokia foram as fabricantes de celulares e smartphones alvo do maior número de reclamações dos consumidores paulistas em 2012, segundo levantamento do Procon-SP divulgado nesta terça-feira. Além disso, as empresas acumulam os piores índices de solução dos problemas reclamados.

As falhas de funcionamento e durabilidade dos aparelhos estão entre as principais reclamações dos consumidores - e o problema se agrava com um atendimento pós-venda ainda inadequado. Segundo o Procon, as empresas alegam que o mau uso dos aparelhos é a principal causa de falhas.

 “Se em determinados países trocar um celular com defeito é algo muito simples, aqui o consumidor precisa muitas vezes recorrer a um órgão público como o Procon ou até mesmo ao Poder Judiciário”, disse Paulo Arthur Góes, diretor executivo da Fundação Procon-SP, em nota. Ele destaca ainda que as multinacionais fabricantes de aparelhos adotam no Brasil políticas de pós-venda inferiores àquelas aplicadas em outros mercados. 

Ainda segundo o Procon-SP, o número de queixas tem aumentado neste ano. Ao comparar dados do primeiro trimestre do ano passado com os deste ano, houve aumento de 14,7% no número de queixas, passando de 742 (2012) para 851 (2013). A Motorola, que está na liderança nos dois períodos, teve alta de 16% nos números de reclamação. A Samsung teve um aumento muito superior, de 69% e passou do terceiro lugar na lista do 1º trimestre de 2012 para o segundo neste ano. 

Veja abaixo as principais reclamações dos consumidores paulistas: 

Vícios de qualidade
O Procon-SP apontou que a maioria (52,5%) de todas as queixas recebidas sobre aparelhos de telefonia celular referem-se a vícios de qualidade, quando o produto não funciona adequadamente, não exercendo as funções para as quais foi fabricado, ou não corresponde às informações contidas na sua embalagem ou publicidade. Ao todo foram 3.780 de um total de 7.204 críticas relacionados a isso.

 Entrega
Os atrasos ou simplesmente a não entrega dos produtos comprados é o segundo item de maior desconforto quando o assunto é telefone móvel. De acordo com o Procon-SP, do total de queixas recebidas em 2012 sobre o setor, a não-entrega/atraso motivou 2.440 reclamações (33,9%).

 Problemas com contrato
O descumprimento do contrato ou cancelamento do mesmo motivou 769 reclamações em 2012 no Procon-SP, cerca de 10% do total (7.204 queixas). 

 Propaganda
A oferta mal-esclarecida ou a propaganda enganosa de aparelhos de celulares levou a 138 queixas no procon-SP em 2012, índice pequeno, de apenas 1,9% do total. 

CFM condena chegada de médicos cubanos ao Brasil


Exame.com
Marcelo Brandão, Agência Brasil

Além de questionar a qualidade dos médicos estrangeiros, a entidade põe em dúvida as reais intenções do governo brasileiro com a medida

Martin Bureau/AFP
A entidade propõe criação de carreira de Estado para médicos do SUS, 
para suprir a falta de profissionais na rede e reivindica mais recursos para o setor

Brasília - O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou, nesta segunda-feira, uma nota repudiando o acordo entre Brasil e Cuba, que prevê a vinda de 6 mil médicos cubanos para atuar em regiões carentes do país. Além de questionar a qualidade dos médicos estrangeiros, a entidade põe em dúvida as reais intenções do governo brasileiro com a medida.

 “O Conselho Federal de Medicina condena veemente qualquer iniciativa que proporcione a entrada irresponsável de médicos estrangeiros e de brasileiros com diplomas de medicina obtidos no exterior sem sua respectiva revalidação. Medidas neste sentido ferem a lei, configuram uma pseudoassistência com maiores riscos para a população e, por isso, além de temporários, são temerários por se caracterizarem como programas político-eleitorais”, diz a nota.

A entidade ainda propõe a criação de uma carreira de Estado para médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) para suprir a falta de profissionais na rede e reivindica mais recursos para o setor, “um mínimo de 10% da receita bruta da União”.

Ainda de acordo com a nota, o CFM diz que, juntamente com os Conselhos Regionais de Medicina, “envidarão todos os esforços possíveis e necessários, inclusive as medidas jurídicas cabíveis, para assegurar o Estado Democrático de Direito no país, com base na dignidade humana”.

Entre refugiados e 'atração de cérebros', Brasil segue sem política migratória


Camilla Costa
BBC Brasil 

Grandes levas de imigrantes haitianos têm entrado no Brasil pela fronteira do Acre


Em meio à crise recente causada pela entrada maciça de estrangeiros no Brasil pela fronteira com a Bolívia, no Acre e à discussão sobre a necessidade de atrair mão de obra qualificada de estrangeiros para suprir a demanda do mercado, a criação de uma política migratória – que ainda não existe no Brasil – está parada.

Atualmente, a lei 6.815, de 1980, conhecida como Estatuto do Estrangeiro, estabelece as condições de entrada e permanência de estrangeiros no país. Criada durante o governo militar, a lei é considerada defasada pelos setores do governo responsáveis pela regularização dos migrantes.

Falando à BBC Brasil, o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, disse que o "atual Estatuto do Estrangeiro não atende sequer aos dispositivos presentes na Constituição de 1988", que prevê acesso universal à educação e à saúde. "Ele possui uma lógica repressiva que é a doutrina da segurança nacional."

O estatuto afirma que a "segurança nacional" é considerada prioridade ao analisar a concessão de visto e permanência a um estrangeiro. Por isso, vistos não devem ser concedidos ao cidadão considerado "nocivo à ordem pública ou aos interesses nacionais".

A lei também proíbe que estrangeiros realizem atividades políticas (punidas com prisão e expulsão do país) e permite que o Ministério da Justiça impeça a realização de conferências, congressos e "atividades culturais e folclóricas" de estrangeiros, "sempre que considerar conveniente aos interesses nacionais".

"A legislação vigente faz com que algumas instituições tenham uma postura muito dura em relação ao tema migratório", avalia Paulo Sérgio de Almeida, presidente do Conselho Nacional de Imigração (CNIg, órgão do Ministério do Trabalho).

"Hoje você tem a situação de que os imigrantes chegam no país e precisam se registrar junto à Polícia Federal, que tem um viés muito forte de fazer verificações sobre a pessoa e pode ser muito dura", acrescenta. "Isso é feito em obediência à lei, mas quando você faz uma política, determinadas posturas talvez muito duras de servidores que estão cumprindo a lei podem melhorar."

Atraso
O projeto de lei que deveria reformular e atualizar o Estatuto, elaborado em 2005, tramita na Câmara dos Deputados desde 2009 e ainda não há previsão de quando irá para a votação no plenário.

"Quanto mais o tema ganha relevância no cenário nacional, mais premente fica a modificação e aprovação desse projeto, então já estamos com alguns anos de atraso", afirmou o presidente do CNIg à BBC Brasil.

Para o secretário nacional de Justiça, no entanto, o projeto apresenta avanços na garantia de direitos aos migrantes, mas já está desatualizado em relação ao atual cenário da migração no Brasil.

Abrão diz que um grupo composto por representantes do Ministério da Justiça, do Itamaraty, do Ministério do Trabalho e da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) prepara um novo plano de reformulação do Estatuto do Estrangeiro, que ainda não tem data para ser apresentado.

O atual projeto de lei incorpora pela primeira vez a garantia de direitos à saúde, à educação e a benefícios trabalhistas aos estrangeiros no Brasil. No entanto, o texto ainda não contempla acordos para facilitar a migração de cidadãos dos países do Mercosul e de outros países sul-americanos, a maioria ratificados pelo Brasil a partir de 2008 e já em vigor.

Burocracia
Outras resoluções do CNIg, criadas para diminuir a burocracia na concessão de vistos temporários e permanentes de trabalho, também estão ausentes do projeto, apesar de já serem colocadas em prática.

Projeto de lei tramita no Congresso desde 2009
 e proposta de política do CNIg foi engavetada

Um segundo problema, segundo Paulo Abrão, é que a nova lei, se aprovada, manteria o atual mecanismo de gestão da migração no Brasil. Atualmente, os ministérios do Trabalho, das Relações Exteriores e da Justiça – em parceria com a Polícia Federal – cuidam de diferentes aspectos do processo, o que aumenta a burocracia e a lentidão dos trâmites.

O secretário nacional de Justiça e o presidente do CNIg dizem que o novo projeto também falha ao não incorporar a convenção internacional da ONU sobre a proteção dos direitos dos trabalhadores migrantes e suas famílias, que foi assinada pelo Brasil, mas ainda não foi aprovada pelo Congresso.

A convenção garante a proteção dos trabalhadores estrangeiros contra o trabalho escravo e contra o risco de prisão por não cumprir obrigações de contrato. O documento da ONU, criado em 1990, também estabelece que os trabalhadores migrantes e suas famílias devem ter direitos trabalhistas e acesso a cuidados médicos urgentes, mesmo que estejam em situação irregular no país.

A aprovação da convenção começou a tramitar na Câmara dos Deputados em 2010, mas aguarda até hoje a criação de uma comissão especial para agilizar sua votação.

Proposta engavetada
A política nacional de migração - que estabelece diretrizes para a atuação de todos os órgãos do governo sobre o tema - é prevista no projeto de lei que está na Câmara, mas nunca foi adotada oficialmente pelo Brasil.

Um documento chegou a ser elaborado e aprovado pelo CNIg em 2010, mas, segundo Paulo Sérgio de Almeida, "está em tramitação até hoje, porque não teve a concordância de todos os órgãos para que pudesse ser promulgado".

A proposta do CNIg considera os acordos internacionais mais recentes assinados pelo Brasil e garante direitos aos trabalhadores migrantes. O presidente do órgão afirma, no entanto, que a mudança na legislação atual é essencial para que a política, se aprovada, tenha efeito.

"O foco da política é considerar os direitos humanos e sociais dos migrantes como direitos que devem ser respeitados", diz. "Ela também prevê a concessão de vistos rápida, simples, com menos burocracia e custos razoáveis, e a legislação de hoje cria diversos entraves."

Em dezembro de 2012, o projeto de lei elaborado em 2005 chegou à Comissão de Relações Exteriores e Segurança Nacional, onde deve ser analisado até agosto, de acordo com a deputada Perpétua Almeida (PCdoB –AC), relatora da comissão. Depois disso, o texto ainda precisará passar pelo crivo da Comissão de Constituição e Justiça antes de ser encaminhado para a votação.

Entrada de estrangeiros pouco qualificados divide governo


Camilla Costa
BBC Brasil 

Mesmo sem qualificação formal, haitianos têm sido absorvidos por mercado brasileiro


Diferentes setores do governo brasileiro concordam sobre a necessidade de atrair estrangeiros altamente qualificados em caráter temporário e permanente para o país, mas divergem quando se trata da mão de obra pouco qualificada.

De acordo com o governo, as autorizações de trabalho para estrangeiros com baixa escolaridade aumentaram 246% nos primeiros nove meses de 2012 em relação ao mesmo período em 2011.

O aumento expressivo do número de refugiados que entrou no país nos últimos anos, muitos com pouca ou nenhuma qualificação profissional formal, também gerou debates sobre a absorção dessa mão de obra pelo mercado de trabalho brasileiro.

Em levantamento divulgado no fim de abril, o Conare (Comitê Nacional para Refugiados), do Ministério da Justiça, afirmou que o número de estrangeiros que solicitam refúgio no Brasil mais que triplicou nos últimos três anos. Em 2012, mais de 2 mil pessoas pediram refúgio no país, contra 566 em 2010 e 1,1 mil em 2011.

"Embora haja um aumento substancial de pedidos, percebemos que muitos estrangeiros têm buscado o refúgio para imigrar por novas oportunidades de vida. No entanto, o refúgio é aplicado apenas para casos de perseguições", afirmou o presidente do Conare e secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão.

Limite
O secretário de Ações Estratégicas do governo, Ricardo Paes de Barros, defende a criação de limites para a admissão de estrangeiros pouco qualificados e refugiados no país. "Acho que o Brasil tinha que ter uma cota humanitária – e o Canadá tem, por exemplo", disse à BBC Brasil.

Para os imigrantes menos qualificados, segundo Barros, um processo seletivo deveria ser adotado - para garantir que o Brasil receba somente "as pessoas que estão realmente em uma situação ruim".

A SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República) está elaborando um diagnóstico da migração no Brasil, além de propostas específicas para a atração de imigrantes qualificados e para admissões "humanitárias".

"Estamos falando do humanitário no sentido amplo da palavra. Não é só o refugiado, pode ser um trabalhador não qualificado ou pouco qualificado que está disposto a vir para o Brasil, apesar de o Brasil não estar precisando daquela mão de obra", disse à BBC Brasil.

O secretário ressalta, no entanto, que o principal foco é a elaboração de propostas para uma política de atração de profissionais de alta qualificação – cujas especialidades não possam ser encontradas no Brasil.

"É para esse tipo de mão de obra que nós queremos eliminar todos os entraves possíveis. Queremos que eles possam vir a qualquer hora, carregá-los no colo."

Absorção pelo mercado
Abrão, do Conare, defende que é preciso dar mais atenção à importância da mão de obra pouco qualificada que entra no país ao elaborar leis e políticas migratórias.

"O que a SAE está fazendo é um trabalho importante para o país, que é a averiguação de lacunas de mão de obra de altíssima qualificação e que hoje atravancam o desenvolvimento de diversos setores econômicos. Mas isso por si não é a política migratória do país, esse é apenas um aspecto", disse à BBC Brasil.

Força tarefa no Acre intermediou recrutamento 
de mão de obra haitiana para empresas

Para Paulo Abrão, setores econômicos importantes para o país estão absorvendo mão de obra pouco qualificada "com naturalidade."

Ele cita o exemplo dos haitianos que têm entrado no Brasil pela fronteira com o Acre e têm sido, desde o início de 2012, recrutados por empresas de todo o país - em especial nos Estados de Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Rondônia.

"Isso tem feito com que cada vez mais os empresários aproveitem essa mão de obra, que é animada, são pessoas com muita disposição ao trabalho, que querem contribuir para o desenvolvimento do país", afirma.

A força tarefa do governo federal no Acre, que dá documentos aos estrangeiros, também intermediou o recrutamento de mão de obra haitiana para frigoríficos, obras da construção civil, serviços de instalação elétrica e outros.

Dos cerca de 6,5 mil haitianos que entraram no país por Brasileia, o governo do Acre estima que 4,3 mil deixaram a cidade já contratados. Os haitianos, no entanto, tiveram a possibilidade de deixar o Acre mais rapidamente para trabalhar do que migrantes de outras nacionalidades.

"Para todas as nacionalidades, há essa intermediação de mão de obra, mas para os haitianos o processo de regularização é simplificado, porque uma resolução prévia do CNIg (Conselho Nacional de Imigração) já os considera com um visto humanitário, que dá a eles uma condição imediata de residência permanente. Para as demais nacionalidades, se aplica a lei ordinária", afirma o secretário.

Segundo o Conare, o Brasil tinha até março 4.262 refugiados reconhecidos, a maioria angolanos, colombianos e congoleses. Até o momento, cerca de 9 mil haitianos foram regularizados.