Adelson Elias Vasconcellos
Se a gente pudesse escolher uma semana que representasse de maneira indiscutível o pior do governo medíocre da senhora Rousseff, por certo, esta semana que vivemos disputaria um lugar de honra.
Escolha-se o campo de atuação que se quiser, e encontraremos, de domingo para cá, bons motivos para descrer nesta gente.
Ações de corrupção? Tem e, como o sempre acontece quando estas quadrilhas de ratazanas são desbaratadas e entre os indiciados existem petistas, estes são sempre poupados. Falo do caso do desvio de verbas de um dos Programas do Fome Zero (credo, ele ainda existe?), quando toda a diretoria da Conab, no Paraná, foi demitida, menos é claro, o petista afilhado do secretário da Presidência, Gilberto Carvalho… Explicação? Nenhuma.
Novas provas contra a roubalheira no ministério do Trabalho estão aparecendo. E, vejam que interessante, apesar dos assessores do Ministro estarem enrolados até os ossos, inclusive a própria esposa do ministro, ele lá permanece no posto, impávido colosso. É bom não esquecer de que 2014 tem eleição e Dilma depende desesperadamente das alianças políticas para garantir palanques. Assim, um coruto a mais, aqui ou ali, não pesa tanto quanto perder ... aliados.
Dilma foi a ONU meter bronca nos Estados Unidos. Antes da viagem, anunciou que cancelara a visita que faria aos Estados Unidos, a única governante mundial a ser recebida na qualidade de chefe de estado em 2013, pelo governo americano. A desculpa foi as denúncias de espionagem.
Enquanto isto, por aqui, o marco civil da internet permanece no mesmo lugar de estaca zero que estava antes. Não anda nem prá frente nem para trás. E os investimentos em segurança cibernética vêm sendo reduzidos, ano após ano.
No campo da economia, então, tivemos uma semana cheia. Indicadores historicamente negativos. Podem escolher: a maior saída de dólares para os meses de agosto em 15 anos; gasto recorde de compras exterior pelos brasileiros apesar da alta do dólar, a demonstrar o quanto estamos caros, muito caros em comparação com o restante do mundo; déficit em conta corrente até agosto já superando todo o ano de 2012, sendo também o pior em 66 anos; fluxo cambial negativo; balança comercial negativa.
O governo insiste na bazófia do crescimento, na base do “agora vai” a cada novo pacotinho de improviso que edita. Porém, vimos ontem, o parque industrial está defasado em pelo menos cinco anos, seja pelo emprego de tecnologias, seja por sua produtividade. A par dos juros e impostos, há um bilionário custo que as empresas precisam bancar, além de seus custos operacionais, apenas para atender obrigações com o fisco e sua imensa e bestial burocracia.
Além disto, Mantega vai a Nova Iorque e, com a maior cara de pau que papai do céu lhe deu, afirma aos investidores americanos que as concessões brasileiras são um ”sucesso”. Só se for um sucesso de frustrações, senhor ministro! Ora, tenha dó! Mantega imagina o que, que os investidores não leem jornais, não acompanham noticiários, não tem informantes em todos os cantos do mundo, que não se atualizam, é isto? Ou que tenham invernado por duas décadas em, sei lá... Marte, Júpiter, em outra galáxia?
Convenhamos, Ministro, é ser muito babaca acreditar que mentir para os investidores os fará abrir graciosamente suas carteiras e despejar bilhões de dólares no Brasil. E a senhora Rousseff, que teve a petulância de afirmar para os mesmos investidores americanos, país que ela se negou em viajar, que seu governo respeita contratos? É mesmo?
Vejamos. Lembram os rolos criados pela MP do setor elétrico, em que o governo obrigou as concessionárias a rasgarem contratos que ainda iriam vencer em 2015, para que aceitassem reduzir suas margens, apenas para bancar uma redução eleitoreira das tarifas de energia? E as indas e vindas dos marcos regulatórios dos aeroportos, rodovias, ferrovias, portos, cujas regras mudam diariamente e ao sabor dos ventos?
Ontem, reproduzimos entrevista concedida por um dos maiores investidores do planeta, o americano Jim Rogers, concedida à Exame.com EME que ele justificou assim as razões para não investir no Brasil. Releiam este trecho:
“...O governo brasileiro está cometendo erros. Deveria ser um lugar maravilhoso para investir, mas seu governo segue cometendo erros, colocando tarifas especiais contra alguns de seus melhores parceiros, controle cambial e por aí vai. O Brasil segue fazendo coisas que restringem a economia. Por isso, não estou investindo e não quero investir no Brasil, enquanto tiverem um governo anti-capitalismo ou anti-eficiência. Enquanto tiverem um governo que não entenda a economia eu não quero investir aí....”.
Ora, a mesma leitura que faz Rogers, todos os demais investidores o fazem também. Um país que tem a pretensão de querer tabelar lucro, não está interessado em atrair investidores. Está interessados em fazer politicagem, em despejar retórica, está mais interessado em provocar e praticar anti-progresso. E sinais deste desinteresse o governo Dilma já os teve as dezenas. Não foi só no leilão do trem bala, sucessivamente adiado por falta de interessados, ou na rodovia BR-262, ou no descalabro que está sendo criado no setor elétrico, ou na pouca audiência de empresas no leilão do pré sal do Campo de Libra, em que o governo esperava 40 empresas, e precisará se contentar com apenas 11, assim mesmo a grande maioria estatais. Entre 150 licitações realizadas por este governo, em 62 não apareceu um único interessado. Onde o sucesso?
Se o governo não entendeu ainda qual o maior obstáculo para o aumento de investimentos e o baixo crescimento do país, deveria mirar-se urgentemente no próprio espelho. É o governo petista o problema, o grande problema que entrava o desenvolvimento do país, e não outros agentes.
Querem mais besteira? Pois não: o Brasil é o ÚNICO país planeta, em que a profissão de médico tem seu exercício garantido por medida provisória!!! E com chancela da Advocacia Geral da União, hein?! Registro profissional nos Conselhos Regionais, atendendo as exigências de lei, para que se o doutor Padilha diz que não precisa?
Reproduzimos nesta edição um texto da Agência Brasil narrando a posição da NSA, a tal agência de espionagem americana. Conta-se exatamente aquilo que estamos comentando desde que vieram a público as primeiras denúncias. Leiam e depois comparem com aquilo que Fernando Rodrigues, da Folha, qualificou de “baboseiras”, que foi o discurso da senhora Rousseff na ONU.
Os discursos presidenciais, tanto quanto a propaganda oficial, ambos construídos para o ambiente doméstico, podem produzir efeitos no eleitorado brasileiro, mas jamais terão o dom de produzir efeitos positivos lá fora, no primeiro mundo, onde a grande maioria além de alfabetizada, ao contrário daqui, em que a maioria da população mal sabe ler e desenhar o próprio nome, também se mantém atualizada e antenada com o que se passa no planeta. Podem não saber o nome correto da capital de Goiás, ou de Minas Gerais, ou de qualquer outro estado brasileiro. Mas sabem como se comportam nossos governantes, seu apetite para enfiar a mão no bolso alheio, em extorquir a exaustão os que trabalham produzindo e gerando riquezas, que mudam as regras do jogo a seu bel prazer e com o propósito de impedir que no país mais pessoas usufruam das riquezas nacionais.
Mentir, até pode fazer parte do programa petista de governo, aliás, é um dos seus valores mais empregados. Porém, não se espere que todos sejam idiotas a ponto de, piamente, crerem na empulhação. O governo Dilma, como bem classificou título de matéria da Veja.online, pratica um antiamericanismo repulsivo e doentio, e foi aos Estados Unidos discursar para uma plateia de investidores daquele país, onde deu uma aula de como espantar o capital privado. E, se nada de novidade ela contasse ali, bastaria entregar as muitas versões datadas de suas regras de jogo. O calhamaço, por si só, já serviria para espantar qualquer um que pudesse sentir alguma atração em aplicar aqui seu capital.
O Brasil é um imenso campo de oportunidades que só não são abraçadas pelos investidores estrangeiros por culpa do próprio governo. E este é um momento precioso, em que bilhões de dólares estão em busca de oportunidades para serem aplicados. Porém, o enorme preconceito com que o governo petista, e especialmente a senhora Rousseff, os maltrata, acaba por espantar para outros países, com melhores ambientes de negócios, mesmo que com menores oportunidades a oferecer, este volume imenso de capitais.
Provavelmente, momento como este não nos seja oferecido tão cedo. Resta saber a quem os governos petistas irão culpar, então, dada sua compulsão patológica de transferir responsabilidades e culpas de suas incompetências a terceiros.
Prova de que lá fora o papo é outro e todos sabem o que se passa por aqui, principalmente no mundo dos negócios e da governança política, é capa da “The Economist” desta semana, secundando uma extensa reportagem sob o título “O Brasil estragou tudo?”. Pode responder dizendo: o Brasil, não: mas o seu governo.
Como digo acima, domesticamente a mistificação, a empulhação, as mentiras, devidamente acompanhadas de uma campanha de marketing não menos mentirosa, e com o apoio providencial de boa parte da mídia nacional sustentada pelo capilé oficial para dar guarida às estas mentiras todas, podem até colar e ganhar eleição. Difícil, para não dizer impossível, é tentar enganar, com o mesmo discurso e mesmo marketing, quem não depende do governo (ou do recurso público) para sobreviver, é independente e tem a cabeça no lugar. Aí, como se diz no popular, o buraco é bem mais embaixo.





