sexta-feira, julho 19, 2013

Um país em estado de guerra

Adelson Elias Vasconcellos

Quem mata a sua juventude na quantidade em que o Brasil vem matando a sua, não pode sonhar com o futuro. Porque no futuro não haverá quem possa vivê-lo.

Ontem, ao comentar o artigo do José Nêumanne, publicado no Estadão, prometi que  iria transcrever uma série de matérias sobre a violência no país. Elas seguem nos posts abaixo. 

Estes dados estatísticos apresentados nas reportagens desta edição, estão de posse do blog há pelo menos 24 horas. E, surpresa, com exceção do Estadão, os demais órgãos da grande imprensa, como que ignoraram  os impressionantes números da violência.  Mas, apesar da nenhuma  manchete expressiva, a violência está entre nós, é visível, faz vítimas, extermina famílias, causam dor e sofrimento para uma sociedade indefesa e largada à própria sorte por um governo negligente, incompetente, despreparado e sem respostas e projetos.  

Chega a ser constrangedor o papelão a que a boa parte da imprensa paulista tem se prestado em tentar demonstrar que o Estado de São Paulo se converteu em uma praça de guerra. É quase que armar um palanque para os petistas desfilarem sua retórica obscurantista na tentativa de alcançarem o Palácio dos Bandeirantes. E, no entanto, as estatísticas do Mapa da Violência vão de encontro ao desafio aqui lançado, a partir de uma declaração desastrada e vigarista de um deputado petista, tentando fazer palanque sobre o que ele “pensa” ser descontrole do governo estadual acerca da segurança pública. Apesar do terrorismo que parte desta imprensa tenta exibir, São Paulo, seja o estado ou sua capital, ainda são, disparado, os lugares mais seguros para se viver no país. Em 15 anos de governos tucanos, a criminalidade reduziu estupendos  86,3%, a maior redução no país no período. Enquanto isso, norte e nordeste, boa parte  comandado por petistas e seus aliados,  conseguiram transformar o Brasil no sétimo país mais violento do mundo. Pior que qualquer outra nação em estado de guerra civil como Síria e Iraque, por exemplo. 

E a classe que mais sofre com toda esta insegurança pública, fruto de falta de políticas públicas eficazes  - até diria não haver política de segurança nenhuma -, e que estão transformando o outrora pacífico paraíso tropical, em uma região conflagrada, violenta, inóspita, é a juventude. Dá para se afirmar, diante da alarmante mortandade de jovens, que o Brasil está matando seu próprio futuro.  

Creio que os números todos não deixam margem de dúvida: toda esta violência passou a ser crescente com a chegada do PT ao poder federal e até nos estaduais.  E aqui nem cabe tentar transferir a responsabilidade ou as causas para “governos anteriores”. Se antes a violência existia, mas era em grau muito menor, até declinante, nada indica que tenham sido os governantes anteriores ao reinado petista, quem tenham plantado as raízes da insegurança que vivemos.

Citei que Lula lançara cinco planos de segurança pública em nível nacional.  Maioria sequer saiu do papel. Tinham como objetivo apenas produzir efeitos nas manchetes dos jornais. Eram absurdamente de um apelo populista e  eleitoreiro horrorosos . Cada um teve lançamento festivo, traziam nomes de efeito marqueteiro, prometiam investimentos bilionários e metas de primeiro mundo e, contudo, passado alguns dias, logo eram esquecidos, não sem antes serem alvo de imensas campanhas publicitárias com o propósito de iludir o bom cristão.

Não adianta o governo apelar para velhas desculpas sobre as razões dos resultados terem sido ridículos, para não dizer nenhum. Um governante é julgado pelo resultado de suas ações, no tempo e no espaço, e não pela espirituosidade de seus discursos de palanque ou mentirosas campanhas de marketing.  E, decorridos mais de dez anos, tempo suficiente para qualquer programa mínimo na área de segurança (e até em qualquer outra área), produzir algum resultado positivo, o que vemos é a violência se esparramar pelo país, de norte a sul, e independente de ser grande ou pequeno centro urbano. 

Muito se deve a falta de investimentos. Muito se deve, também, a eterna impunidade com que os petistas abençoam os seus criminosos de estimação. Mas,  no fundo, o que alimenta este processo sofrível é a ideologia que tomou conta do país. É o conceito  político que se firmou  em todas as instituições públicas. É este pensamento criminoso que se retroalimenta e se solidifica nas relações sociais.

As forças de segurança interna, policias militares e civis, estão como que manietadas pelo ruído que a própria imprensa, quando tenta agir para coibir a ação criminosa. Se não agem, são omissas. Diante de crimes bárbaros, há como uma comoção nacional  para trancafiar meros suspeitos, mesmo que sem o devido julgamento.  Se tenta agir como agora, não apenas contra meros baderneiros, mas verdadeiros criminosos que não respeitam a propriedade pública e privada, que depredam, saqueiam, que atacam policiais com pedras, barras de ferro, coquetéis molotov por se sentirem protegidos pelo escudo de impunidade invisível que sobre eles a própria imprensa criou, são logo recriminados e jogados à desmoralização e condenação.

Nenhum país desenvolvido se promoveu a custa da anarquia, da desordem, da falta de limites,  da total desobediência às leis. Estas ações que quebram e põe fogo em tudo o que encontram pela frente, não apenas provocam prejuízo material, mas acabam fazendo vítimas pessoas inocentes que sequer participam destas jornadas anarquistas. E o que é pior: a própria justiça impede que estes criminosos sejam trancafiados. Logo são liberados para delinquirem a vontade.

Quando se imagina que um novo código penal, mais rigoroso com o crime e com os criminosos poderia ser a salvação, nos é apresentada uma proposta de reforma “mamão com açúcar”. 

Onde ficaram os investimentos em novos presídios? Cadê uma política carcerária com um pingo de dignidade?  Onde estão a tal “secretaria de direitos humanos” e o tal de Ministério da Justiça que cobram prioridades nesta área? 

Assim, o Brasil precisa acordar rapidamente antes que a podridão que vai corroendo as instituições, em que o governo federal, partes do judiciário, Congresso e demais casas legislativas vão sendo infestadas, ou logo esta podridão irá se estender pelas ruas e se terá chegado a tal estado de barbárie que nem com o salve-se quem puder será possível garantir a integridade das pessoas. Mais do que a integridade, a própria vida.

Não há nenhum exagero nesta projeção. Acreditem. Examinem atentamente os números da violência, cuidadosamente reflitam sobre o seu contínuo crescimento nestes últimos dez anos, e agora assistam os atos de violência que vão sendo praticados em todas as manifestações de repúdio público pelo país. Dá para se imaginar que isto tudo vá terminar bem, e que será possível retornar à ordem, a pacificação da própria sociedade sem que nesta anarquia intervenham de forma firme e segura, as forças de segurança?  Como conviver com mais de 50 mil homicídios por ano, com as forças policiais despreparadas e desaparelhadas para o necessário combate ao crime? E com um código penal que mais abençoa e protege o criminoso do que suas vítimas? 

Quem tiver um pingo de bom senso há de concluir que a violência brasileira está no limite da irresponsabilidade em que, qualquer motivação por menor que seja, nos conduzirá a uma situação de total descontrole. 

A vida é o bem mais precioso de qualquer cidadão. Trata-se de um direito natural. No Brasil destes tempos de total desgoverno, ela está se tornando cada dia mais irrelevante. Precisamos retornar, imediatamente, à civilização. E devemos fazer isto não apenas internamente, mas também nos fechando para o mesmo processo que se espalha pela América Latina toda. O tal “socialismo do século XXI” é uma aberração descomunal. É a negação completa de toda a humanidade, por corroer seus valores mais sagrados ao ponto de exterminá-la.  

No ponto de violência que atingimos, não há como negar: já se vivencia um adiantado processo de extermínio.  Não há, no planeta, guerra mais destrutiva e mais predadora do que este processo que já estamos vivendo.  Dá para reverter? Ainda dá, mas não se espere muito tempo mais.  Quem mata a sua juventude na quantidade em que o Brasil vem matando a sua, não pode sonhar com o futuro. Porque no futuro não haverá quem possa vivê-lo.

Nosso não futuro comum

Fernando Gabeira 
O Estado de SPaulo

Quando os acontecimentos de junho sacudiram o Brasil, eu estava iniciando um texto com o objetivo de sintetizar três dias de um seminário realizado pelo PPS em Brasília: A Esquerda Democrática Pensa o Brasil. Suspendi momentaneamente esse texto. Era preciso examinar com calma quais ideias sobreviveram àqueles eventos no País.

Nesse ínterim, chegou às minhas mãos o pequeno livro de T. J. Clark Por uma Esquerda sem Futuro. É um texto voltado para a esquerda europeia. No prefácio para a edição brasileira, o ensaísta britânico menciona o governo Lula, mas elegantemente se esquiva de entrar em detalhes ou submeter nossa situação ao crivo de seus argumentos.

Uma de suas ideias, entre várias outras, me pareceu muito interessante para estimular o texto em preparação sintetizando o seminário. É precisamente a ideia central: uma esquerda sem futuro. T. J. Clark não se refere a ela como força em via de desaparecer. O "sem futuro" significa abrir mão de ter um script para a História, de prometer amanhãs que cantam paraísos na Terra e mergulhar no presente, aceitando até mesmo quem não tem pretensões de encarnar uma vanguarda.

O objetivo deveria ser apenas reunir material para uma sociedade, expressão que Clark utiliza para contrapor a uma frase de Friedrich Nietzsche em que o filósofo alemão afirma que perdemos as condições de matéria-prima para uma sociedade. Clark, certamente, não autorizaria algumas das relações de suas teses com o Brasil. Mas o que fazer? Leitores são imprevisíveis.

Quando reforça a ideia de um mergulho no presente, Clark afirma que a esquerda deve deixar de ser épica. Imediatamente me veio à cabeça o bordão "nunca antes nesse país...". Nada mais épico do que supor o início de uma nova fase histórica, o que, no fundo, significa afirmar que o futuro radiante já começou. Pelo menos essa dose de humildade deveria estar presente nas teses de uma esquerda democrática pensando o Brasil.

O mês de junho envelheceu rapidamente os partidos, como se as câmeras os fotografassem usando o efeito sépia para transmitir a atmosfera de passado que os envolve. Mas esse é apenas um dos grandes problemas com que se defronta uma esquerda democrática, que defino, de forma superabreviada, como uma força que se recusa a aceitar a tese de que os fins justificam os meios.

O longo domínio do PT e seus aliados entrou em crise profunda quando a fantasia de um mundo quase perfeito caiu por terra. Abriu-se com a queda da grande ilusão a possibilidade de buscar uma alternativa de poder em 2014, e não mais em 2018, como sugeria o andar da carruagem.

Em 2014, possivelmente o País ainda viverá os efeitos de uma crise provocada, de um lado, pelas dificuldades internacionais e, de outro, pelas conclusões errôneas que o PT extraiu dela. Não me refiro apenas ao dínamo quase exclusivo do consumo, mas também à suposição de que os fracassos do mercado só seriam recompensados por uma revitalização da presença do Estado na economia.

Como consequência, um novo governo no Brasil teria de enfrentar simultaneamente políticas de austeridade, uma sociedade cada vez mais consciente de seus direitos e, é claro, o PT na oposição. A margem de manobra visível é enxugar a máquina estatal, racionalizá-la, liberando com isso recursos vitais para investir nos serviços públicos.

A entrada do governo no mundo digital poderia contribuir para o enxugamento da máquina. Mas ela oferece mais que isso: a possibilidade de se conectar com a sociedade, enriquecer com a inteligência coletiva.

Destaco ainda uma terceira dimensão, mais rigorosa, do mergulho no presente: lidar com sua volatilidade. Zigmunt Bauman usa uma imagem interessante em seu livro Sobre Educação e Juventude. Diz o sociólogo polonês que nos dias de hoje estão ultrapassados os mísseis que apontavam para um alvo, calculavam a trajetória, o volume de pólvora e seguiam o rumo preconcebido. Nos tempos atuais, os mísseis são inteligentes e capazes de mudar sua rota diante de alvos em constante movimento. 

Para ficar nos exemplos bélicos, é difícil entrar nessa guerra com uma pesada armadura ideológica. A política externa do PT, por exemplo, foi equivocada não apenas por substituir a visão nacional pela partidária, mas também porque a visão partidária era mais estreita.

Foi correto investir na integração latino-americana. Compreensível, pelo viés ideológico, um entusiasmo inicial com a o bolivarianismo. No entanto, atrelar o Brasil a esse pedaço do mundo e perder inúmeras oportunidades de acordos e intercâmbio com grandes centros científicos e tecnológicos não foi inteligente, no sentido de que o míssil seguiu apontando para um alvo que não estava mais ali.

O Brasil assinou somente três acordos bilaterais: com a Palestina, Israel e o Egito. Enquanto isso, o mundo fervilhava de novos acordos, mais de 500, segundo o embaixador Rubens Barbosa.

Um novo governo terá, portanto, de lidar com a crise econômica e com o atraso na política externa, num universo político em desintegração. Eleições costumam ser uma dose de legitimidade. Mas até que ponto a distância que se criou entre o mundo político e sociedade pode ser reduzida em tão pouco tempo?

Na Espanha, o movimento dos "indignados" ampliou o número de votos em branco e nulos. Nesse caso, as eleições aprofundaram a crise de legitimidade.

Voltarei muitas vezes ao tema. É que tinha escrito um artigo sobre Sérgio Cabral. O artigo começava assim: Não deveria escrever sobre Sérgio Cabral. Meu caro editor me ligou e disse: "Gostei muito da primeira frase de seu artigo". Respondi: eu também, pode deixar que envio outro ainda hoje.

A segurança pública em xeque

Editorial
O Globo

Não se trata de uma crise qualquer. Esta onda de violência precisa ser enfrentada com a atuação da Justiça e Ministério Público próximos das polícias

Os atos de vandalismo que têm feito parte do final de manifestações ultrapassam todos os limites aceitáveis, já são um grave problema de segurança pública, e não apenas no Rio. Aqui eles ganharam características próprias na noite de quarta e madrugada de ontem, por transcorrerem a partir de mais um protesto nas proximidades da residência do governador Sérgio Cabral, provocando uma onda de destruição no Leblon, um dos bairros-símbolo daquilo que a cidade tem de mais positivo. O problema, porém, cresce de dimensão desde junho, e há o risco de o vandalismo entrar no roteiro das cidades, algo impensável, por ser a negação do estado de direito. São Paulo, Brasília, Porto Alegre e centros menores têm enfrentado a mesma dificuldade.

O avanço desta violência requer um profundo exercício de reflexão das autoridades, assim como da sociedade, para que democracia não passe a ser entendida como sinônimo de insegurança e anarquia — que não é.

Trata-se de aperfeiçoar a atuação das forças de segurança, de forma integrada, e num sentido amplo. Afinal, vive-se um momento grave na segurança pública. E não é uma crise qualquer, como outras já enfrentadas.

Depois da reunião de emergência convocada pelo governador fluminense para ontem de manhã, a cúpula da Segurança do estado concedeu entrevista coletiva na qual a chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, interpretou uma pergunta como de crítica à polícia e, com voz emocionada, explicou que nada pode ser feito à margem da lei. Por suposto.

Há, de fato, trâmites exigidos pela legislação que devem ser cumpridos. “Dano ao patrimônio”, por exemplo, explicou a delegada, requer a representação da vítima contra o acusado. E poucos se dispõem a ir à delegacia depor contra alguém. Martha Rocha lamentou, ainda, que pedidos encaminhados pela Polícia sobre vândalos não foram acolhidos pelo Ministério Público e Justiça.

Assim deve ser. Nem tudo o que a Polícia pede é razoável. Mas vivem-se tempos diferentes, que exigem uma operação fora do padrão. O momento é indicado à criação de um “gabinete de crise” em que, ao lado das polícias, já integradas, e outros organismos de segurança, haja também representantes da Justiça e do MP. É inconcebível que pessoas disfarçadas de “manifestantes”, com vestimentas já características e inseparáveis mochilas, continuem a transitar em liberdade na área de passeatas, apenas à espera do momento de atacar. E não importa a sua motivação — se da delinquência da política regional, do crime organizado ou de delirantes organizações ideológicas.

Também partidos e organizações que, com legitimidade, têm ido às ruas levar reclamações justas precisam entender que se transformaram em pretexto e escudo para ações de banditismo.

Com mais mortes que Iraque, Brasil está em guerra e não sabe

Saulo Pereira Guimarães
Exame.com

Com mais de 200 mil pessoas assassinadas no Brasil entre 2008 e 2011, o país faz frente às grandes zonas de guerra do globo, segundo Mapa da Violência

Andréa Farias/Wikimedia 
No Brasil, mata-se 274 vezes mais do que em Hong Kong
 e 137 vezes maior do que na Inglaterra

São Paulo – Vivemos em um país em guerra, mesmo que não declarada. Esta é uma das conclusões possíveis a partir da leitura do estudo Mapa da Violência 2013, realizado pelo professor Julio Jacobo Waiselfisz, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e divulgado hoje. Cerca de 170 mil pessoas foram mortas nos 12 maiores conflitos no globo entre 2004 e 2007 (veja tabela abaixo). No Brasil, mais de 200 mil perderam a vida somente entre 2008 e 2011.

Isto tudo sem que o país viva "disputas territoriais, movimentos emancipatórios, guerras civis, enfrentamentos religiosos, raciais ou étnicos, conflitos de fronteira ou atos terroristas", lembra o levantamento.

Há dois anos - época dos últimos dados disponíveis - foram registradas mais de 50 mil mortes, o que confere ao Brasil uma taxa de 27,1 homicídios para cada 100 mil brasileiros. Desse total, cerca de 40% (18 mil pessoas) eram jovens entre 15 e 24 anos. 

O número de assassinatos no Brasil é 274 vezes maior do que em Hong Kong, 137 vezes maior do que na Inglaterra e 91 vezes maior do que na Sérvia, segundo o estudo divulgado hoje. 

Veja abaixo o total de mortes nas maiores zonas de conflito do planeta na década passada: 

País
2004
2005
2006
2007
Total de mortes
Iraque
9.803
15.788
26.910
23.765
76.266
Sudão
7.284
1.098
2.603
1.734
12.719
Afeganistão
917
1000
4000
6500
12417
Colômbia
2.988
3.092
2.141
3.612
11.833
Congo
3.500
3.750
746
1.351
9.347
Sri Lanka
109
330
4.126
4.500
9.065
Índia
2.642
2.519
1.559
1.713
8.433
Somália
760
285
879
6.500
8.424
Nepal
3.407
2.950
792
137
7.286
Paquistão
863
648
1.471
3.599
6.581
Índia/Paquistão (Caxemira)
1.511
1.552
1.116
777
4.956
Israel/Palestina
899
226
673
449
2.247
Total dos 12 conflitos
34.683
33.238
47.016
54.637
169.574


"São números tão altos que torna-se difícil, ou quase impossível, elaborar uma imagem mental, uma representação de sua magnitude e significação", afirma Jacobo, autor da pesquisa.

Segundo o sociólogo, a cultura da violência (caracterizada pelo hábito de resolver conflitos por meio da agressão), a certeza da impunidade (apenas 4% dos assassinos vão para cadeia) e a indiferença da sociedade com o grande número de mortes estão entre as causas do fenômeno. "A vida humana vale muito pouco", resume o pesquisador, que é argentino. 

É preciso observar que a magnitude da violência vista no país não tem equivalência nas nações que possuem dimensões e populações maiores ou similares à brasileira. Só o México chega perto.

País
Ano
População (milhões)
Homicídios
Taxa por 100 mil habitantes
Brasil
2010
190,8
52.260
27,4
México
2011
112,5
24.829
22,1
Rússia
2010
142,5
18.951
13,3
Filipinas
2008
96,1
12.523
13
Nigéria
2008
164,4
18.422
12,2
Indonésia
2008
234,2
18.963
8,1
Paquistão
2010
170,3
13.208
7,6
USA
2010
301,6
16.129
5,3
Índia
2010
1.184,60
41.726
3,4
Bangladesh
2010
158,3
3.988
2,7
China
2010
1.339
13.410
1
Japão
2011
125,8
415
0,3
 

De acordo com o estudo, o número de assassinatos no país cresceu mais de 200% entre 1980 e 2011. Se considerarmos apenas as mortes violentas entre jovens no mesmo período, o aumento é ainda maior: 326% 
Para Jacobo, a tendência nos próximos anos é que grandes cidades como Rio e São Paulo atinjam um nível estável de violência se continuarem investindo em segurança pública – podendo reduzir ainda mais essas taxas com esforços concentrados em áreas como saúde e educação.

Por outro lado, o sociólogo adverte que se nada for feito em regiões onde o número de assassinatos vem crescendo, como Pará e Alagoas, um novo aumento nos índices nacionais de violência poderá ser registrado. 
 
Num levantamento sobre o tema com 89 países, o Brasil fica em sétimo lugar.



"O quadro comparativo internacional já foi bem pior para o Brasil", revela Jacobo. Segundo ele, o país era o segundo colocado do ranking da morte em 1999, atrás apenas da Colômbia. De lá para cá, a taxa de homicídios no país não parou de crescer, embora o Brasil tenha perdido posições na lista.

O sociólogo explica que esse "recuo relativo" se deveu "ao crescimento explosivo da violência em vários outros países do mundo", como El Salvador, Guatemala e Venezuela.



As capitais onde os jovens mais correm risco de morrer

Amanda Previdelli e Marco Prates
Exame.com

Tem ou conhece alguém com idade entre 15 e 24 anos? Pois estas são as capitais onde os jovens - as principais vítimas de assassinatos no Brasil - estão mais expostos à violência. Em Maceió, os riscos são 14 vezes maiores que em SP


São Paulo – Mata-se muito no Brasil. Mas se você é jovem, a chance - pelo menos em termos estatísticos - de ser vítima de assassinato duplica. Para quem tem entre 15 e 24 anos, a taxa de homicídios no país é de 53,4 para cada 100 mil jovens. Quem não chegou ou passou dessa fase, vive em uma nação com índice bem menor: 27,1 para um grupo de 100 mil habitantes, ainda assim um dos 10 maiores do mundo.

Mas os riscos que os jovens correm não são iguais em todo o país. 

O Mapa da Violência 2013, divulgado nesta quinta-feira pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos, mostra que as pessoas de 15 a 24 anos em Maceió (AL), por exemplo, têm 14 vezes mais chance de serem vítimas de violência que em São Paulo, que apresenta os melhores números do Brasil, embora longe de serem satisfatórios.

Na capital alagoana, foram 288 homicídios de jovens para cada 100 mil pessoas nessa faixa etária. Em São Paulo, foram 20. Especialistas apontam como nível de epidemia de assassinatos qualquer coisa acima de 10.

A seguir, confira  as capitais onde os jovens estão mais vulneráveis à violência. 

1. Maceió (AL): 288,1 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 499
Taxa: 288 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: 119,4%

2. João Pessoa (PB): 215,1 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 289
Taxa: 215,1 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: 163%

3. Salvador (BA): 164,9 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 777
Taxa: 164,9 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: 299,6%

4. Vitória (ES): 150,6 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 86
Taxa: 150,6 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: -19,2

5. Recife (PE): 142,7 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 381
Taxa: 142,7 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: -34,6%

6. Fortaleza (CE): 129,7 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 624
Taxa: 129,7 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: 148,4%

7. Natal (RN): 123,8 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 191
Taxa: 123,8 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: 262,5%

8. Manaus (AM): 120,4 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 436
Taxa: 120,4 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: 151,5%

9. Belém (PA): 103 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 271
Taxa: 103 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: 72%

10. Belo Horizonte (MG): 100,4 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 405
Taxa: 100,4 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: 37,7%

11. Goiânia (GO): 92,9 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 229
Taxa: 92,9 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: 83%

12. Curitiba (PR): 92,6 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 278
Taxa: 92,6 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: 63,1%

13. São Luís (MA): 89,6 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 192
Taxa: 89,6 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: 88,9%

14. Aracaju (SE): 87,2 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 95
Taxa: 87,2 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: -25,4%

15. Porto Alegre (RS): 82,9 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 184
Taxa: 82,9 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: 18,3%


16. Brasília (DF): 81,1 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 384
Taxa: 81,1 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: 3,1%

17. Cuiabá (MT): 80,4 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 85
Taxa: 80,4 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: -42,6%

18. Macapá (AP): 72,8 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 63
Taxa: 72,8 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: -29,5%

19. Porto Velho (RO): 64,3 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 58
Taxa: 64,3 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: -39,1%

20. Teresina (PI): 61,1 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 100
Taxa: 61,1 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: 43,6%

21. Palmas (TO): 49,9 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 26
Taxa: 49,9 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: 53,2%

22. Florianópolis (SC): 49,4 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 37
Taxa: 49,4 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: 42,5%

23. Rio de Janeiro (RJ): 41,4 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 405
Taxa: 41,4 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: -66,2%

24. Campo Grande (MS): 39,7 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 58
Taxa: 39,7 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: -36,3%

25. Boa Vista (RR): 31,3 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 19
Taxa: 31,3 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: -49,4%

26. Rio Branco (AC): 28,9 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 20
Taxa: 28,9 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: -65,4%

27. São Paulo (SP): 20,1 homicídios de jovens/100 mil

Número de homicídios de jovens (2011): 370
Taxa: 20,1 assassinatos/100 mil jovens
Crescimento da taxa em dez anos: -85%