Daniel Haidar
O Globo
Autoridade monetária anuncia com antecedência nova oferta de US$ 1 bilhão na sexta-feira
Moeda americana passa a ser negociada em queda
Bovespa sobe com dados melhores da economia nos EUA. Mercado reforça aposta de 0,5 ponto percentual de alta da Selic em agosto
RIO - O Banco Central vendeu cerca de US$ 1 bilhão em leilão de contratos de swap cambial, operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro, na manhã desta quinta-feira, conforme tinha antecipado que faria no dia anterior. Ao término do leilão, em que foram vendidos todos os 20 mil contratos oferecidos, também foi anunciado com antecedência que um novo leilão de 20 mil contratos (cerca de US$ 1 bilhão) vai ser feito na manhã de sexta-feira. Para analistas, o aviso da atuação com um dia de antecipação sinaliza maior preocupação da autoridade monetária em segurar o dólar, devido aos impactos da alta da moeda americana na inflação. Por volta de 15h43m, o dólar recuava 0,04%, a R$ 2,226 para venda, mas chegou a operar em queda imediatamente após o leilão. Entre as 16 principais moedas monitoradas pela Bloomberg, o real era a que tinha menor desvalorização em comparação ao dólar.
— O anúncio antecipado do leilão mostra que o BC está preocupado com impacto da desvalorização do dólar sobre a inflação. Assim sinaliza que vai manter a liquidez no mercado e evitar uma desvalorização mais rápida do real — avalia Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco WestLB do Brasil.
O discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, no Senado repetiu explicações feitas no dia anterior, na Câmara, o que reforçou a visão de parte dos economistas de que a moeda americana já valorizou demais por antecipação de uma redução dos estímulos monetários nos EUA. Bernanke reforçou que o volume de US$ 85 compras de títulos públicos por mês pode começar a ser reduzido a partir de setembro, mas que ainda vai depender das condições da recuperação da economia americana.
— A ideia que todo mundo tem é que a redução começa em setembro. Ele quis dizer que pode até ser um cenário provável, mas que não está definido e que vai depender de como saem os dados econômicos até lá. Isso é muito diferente de começar a subir juros nesta época. Hoje não teve nada de diferente do que falou ontem. Mais importante foi a sinalização do BC de antecipar que faria o leilão — disse Mauricio Junqueira, gestor da Tese Investimentos.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a operar em queda no começo do pregão, mas inverteu para alta nesta nesta quinta-feira, na quarta sessão consecutiva de valorização nesta semana. O desempenho acompanhava o bom humor dos investidores nos mercado internacionais após a divulgação de dados melhores que o esperado da economia americana. O Ibovespa, principal índice brasileiro, avançava 0,66%, aos 47.721 pontos.
— O cenário externo ajuda nessa recuperação da Bolsa — disse João Pedro Brugger, analista da Leme Investimentos.
Entre as ações mais negociadas, preferenciais (PN, sem voto) da Petrobras subiam 0,80%, a R$ 16,19, enquanto Vale PNA ganhava 0,07%, a R$ 28,18.
Ações das empresas “X”, sigla utilizada pelo empresário Eike Batista para batizar seus negócios, também tinham um pregão de valorização após notícias de que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) preparava um plano de resgate para os ativos do grupo. Ordinárias (ON, com voto) da OGX Petróleo operava estável, enquanto LLX Logística avançava 2,63% e MMX Mineração ganhava 1,45%.
No mercado de juros, investidores reforçaram as apostas de alta de 0,5 ponto percentual da Taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em agosto, de acordo com os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Essa aposta foi reforçada pela ata da última reunião do Copom, em que a Selic foi elevada de 8% para 8,5% ao ano. No documento, divulgado nesta quinta-feira, o BC fala em “continuidade” nos “ritmos de ajuste das condições monetárias ora em curso”. O contrato DI com vencimento em janeiro de 2015 mantinha estabilidade em 9,36%.
— A ata do Copom mostrou que sem dúvida vamos ter mais uma alta de pelo menos 0,5 ponto percentual da Selic na próxima reunião. O BC foi explícito em sinalizar isso quando falou que está confortável com esse ritmo de alta de juros e preocupado com a desvalorização do câmbio sobre a inflação — disse Rostagno.
Nos EUA, foi divulgada a queda da quantidade de americanos que fizeram pedidos de auxílio-desemprego na semana passada. Foram registrados 334 mil novos pedidos de seguro-desemprego, bem menos do que a previsão de 345 mil. Também foi revelado que o índice de atividade econômica da sucursal na Filadélfia do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) subiu de 12,5 em junho para 19,8 em julho, sendo que registros superiores a zero indicam expansão da atividade na região que engloba o leste da Pensilvânia, o sul de Nova Jersey e Delaware. Outra pesquisa mostrou que indicadores antecedentes calculados pelas Conference Board ficaram estáveis em junho. Em Wall Street, Dow Jones subia 0,69%, enquanto o S&P 500 e Nasdaq ganhavam respectivamente 0,62% e 0,30%.
Na Europa, as bolsas fecharam em valorização. O FTSE 100, de Londres, subiu 0,95%, enquanto o CAC 40, de Paris, avançava 1,44%. O DAX, de Frankfurt, subia 1,00%, enquanto o IBEX 35, de Madri, ganhava 1,85%.