Comentando a Notícia
Durante todo o tempo em que esteve à frente do Ministério da Saúde, o ex-ministro Mandetta advertiu o país que se deveria manter rigoroso isolamento social para evitar a propagação mais rápida da pandemia, uma vez que, como ele próprio afirmou em seu discurso de despedida para sua equipe, o sistema de saúde brasileiro ainda não estava preparado para enfrentar e suportar um colapso no momento de pico da doença. (Aliás não só o Brasil, mas no mundo todo, nenhum país estava preparado, nem os mais ricos).
E, como visto nesta semana. Amazonas, Ceará e São Paulo já enfrentam esta situação de stress, e o Rio de Janeiro já se aproximando do colapso.
Mas o por quê de uma situação de aparente controle que se mantinha até cerca de duas semanas atrás, rapidamente se deteriorou para uma aceleração de novos casos e o aumento no número de mortos?
Coincidência ou não, foi a partir de quinze ou vinte dias para cá, que o país assistiu o comportamento irresponsável de seu presidente, com passeios e provocando aglomerações, afirmações esdrúxulas divorciadas da realidade tais como “trata-se de uma gripezinha”, ou “parece que o vírus está indo embora” mais recentemente. Também faz parte deste pacote macabro a briga e a queda de braço do presidente com governadores e prefeitos que, em boa hora, todos eles, aplicaram medidas restritivas de circulação de pessoas. Este comportamento estúpido provocou um relaxamento do isolamento que vem ocorrendo justamente nestas duas últimas semanas, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Não era preciso ser adivinho tampouco infectologista para saber qual a consequência. E a consequência é o crescimento fora da curva de então, acelerando o número de infectados e de mortos.
Bolsonaro tanto fez que conseguiu seu intento: demitiu o ministro Mandetta de quem discordava quanto ao isolamento e contra quem moveu uma campanha vexatória de desmoralização com suas irresponsabilidades e, em seu lugar colocou o oncologista Nelson Teich.
O que devemos esperar daqui prá frente? Bom, a briga com governadores e prefeitos vai continuar, uma vez que sua maioria já se manifestou em manter as medidas restritivas de circulação de pessoas, apesar de Bolsonaro ter tido acachapante derrota no STF: 9x0 pela autoridade de governadores e prefeitos em decretar a continuidade do isolamento. Mas Bolsonaro não entregará os pontos assim tão fácil. Tanto é assim, que em seu primeiro discurso como ministro da Saúde, Teich afirmou estar totalmente alinhado à Bolsonaro e que atuará para o país voltar rapidamente à normalidade. Esta velocidade, meu caro, nem você nem Bolsonaro terão o poder de determinar. Quem manda no pedaço é o vírus.
Isto significa dizer o seguinte: mesmo que Teich, em seus primeiros movimentos à frente do Ministério, procurando inteirar-se da situação, não procurando dar declarações mais profundas sobre o tema “coronavírus”, não tomando nenhuma medida mais ousada, tentando ganhar espaço e tempo para, em seguida, seguir a cartilha do “infectologista” Jair Bolsonaro, que se considera mais médico do que qualquer formado pelas melhores universidades do mundo. Na verdade sabemos bem que o presidente sobre o tema não passa de um tremendo ignorante.
Mesmo que Bolsonaro não ganhe pontos com a queda de braço com governadores e prefeitos, sua atuação fará com que aumente ainda mais o relaxamento da população quanto ao isolamento. Em suma: estamos trilhando o mesmo caminho da desgraça que se verificou na Itália, Espanha, França, Reino Unido e Estados Unidos. Todos viram a pandemia alastrar-se, matar e colapsar seus sistemas de saúde. E todas, sem exceção, tiveram que rever suas políticas de combate à pandemia, declarando o isolamento social rígido. E quanto aos países que se precaveram com inteligência e disciplina, seguindo a risca as orientações da Organização da Saúde, como Áustria, Portugal, Grécia, Polônia, Dinamarca. Finlândia, mesmo que com absoluta cautela, vão pouco a pouco retomando à normalidade.
Relaxar o isolamento no Brasil, como é a pretensão primeira de Bolsonaro, é permitir a instalação total da desgraça. Os países europeus não padecem da pobreza, das favelas, com a má distribuição de profissionais de saúde país afora, com uma rede pública hospitalar precária, insuficiente e com carências significativas, da falta de saneamento básico como temos por aqui. Nas periferias das capitais, o coronavírus encontra as condições ideias para sua ampla propagação e, diante de um sistema de saúde ainda não aparelhado suficientemente para enfrentamento e defesa da população, as perspectivas que se tem diante da hipóteses de se afrouxar as medidas restritivas é pavoroso.
Assim, o que nos resta é rezar para que a nova equipe que será formada pelo novo ministro na pasta da Saúde, não cometa o desatino de seguir e obedecer a cartilha do doutor genocida, sentado na cadeira presidencial. Siga a ciência, siga as orientação da OMS, siga o exemplo que se tem dos vários países que estão vencendo a pandemia. O Brasil tem recursos suficientes para amparar sua população minimamente por mais tempo do que pretende o goveno federal. O que trava tudo é a disposição do ministro Guedes e do Bolsonaro de manter os postulados da economia como se não vivêssemos uma crise grave no plano da saúde pública. E o fazem com olhos postos nas urnas de 2022. Ambos sabem que, se a pandemia se prolongar para além de três meses, espichando-se a desgraça até o final do ano, por exemplo, o Brasil precisará de uns dois ou três anos para recuperar-se do tombo. Com isto, as perspectivas de reeleição vão prô brejo.
Mas afinal, o que é mais importante para o Brasil, manter a economia aquecida ou salvar vidas? Esta discussão é inútil, senhores, porque para haver economia, pequena ou grande, é preciso haver vida. Sem isto o que se tem é um nada. Hoje, o presidente ainda se saiu com esta pérola;” Começar a abrir para o comércio é um risco que eu corro. Se agravar, vem para o meu colo”. Alguém, por favor e com urgência, esfregue na cara do presidente as estatísticas das últimas semanas, onde se lê claramente que, primeiro, a urgência já está aí e, segundo, que boa parte dos hospitais já esgotaram sua capacidade de acolhimento. Até quando este imbecil vai brigar com a realidade colocando nas covas mais e mais brasileiros mortos? O direito à vida o fundamento número de qualquer cidadão, e o doutor genocida não tem o direito de brincar com a vida de milhões de pessoas só para satisfazer sua ambição e seu ego psicótico.
Portanto, se você souber rezar, eis o momento precioso para começar, com ardor, a desfilar suas preces. Se não souber, este é o melhor momento para aprender e entrar na corrente. E, façam um favor, a si mesmos: FIQUEM EM CASA!








