quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Brasil está entre 'democracias imperfeitas', diz Economist

BBC Brasil

Brasil tem uma “democracia imperfeita”, de acordo com a publicação “O Mundo em 2007”, da revista britânica The Economist.

Com uma pontuação de 7,38, o Brasil aparece na 42ª posição da escala criada pelos autores do estudo, ficando atrás da Eslováquia. A lista inclui 165 países e dois territórios.

Para a elaboração da escala, foram levados em consideração a pluralidade do sistema político, a universalidade do sufrágio entre adultos, a ausência de fraudes nas eleições, segurança das urnas eleitorais e acesso dos partidos políticos ao eleitorado através da imprensa.

O Brasil se sai muito bem no quesito “Processo Eleitoral e Pluralismo”, onde se equipara a Suíça, Alemanha e Áustria, mas tem uma pontuação baixa em relação a “Participação Política” e “Cultura Política”, nos quais é colocado no mesmo patamar de nações como Nigéria, Uganda e Turquia.

Quesitos
A lista foi organizada com base em um índice desenvolvido pela Economist Intelligence Unit, consultoria ligada à revista.

Os estudiosos que desenvolveram o índice ressaltaram, no entanto, que não se trata de uma tabela absoluta.

Para a publicação, o mundo tem somente 28 países que vivem em “democracia plena”.

Os autores da lista dizem que outras 54 nações, incluindo o Brasil, constituem “democracias imperfeitas”, que seria, para os autores, é melhor do que não ter democracia nenhuma.

Entre os 85 estados restantes, 30 são considerados “regimes híbridos”, enquanto 55 outros são “autoritários”.

O grupo das “democracias plenas” é dominado pelos países desenvolvidos economicamente, com a exceção da Costa Rica e do Uruguai e das Ilhas Maurício.

Outro caso que fugiu à regra foi o da Itália, que no 34º lugar, ficou entre as "democracias imperfeitas".

Surpresa
A lista é encabeçada pelos países escandinavos, com a Suécia em primeiro lugar (tendo uma pontuação de 9,88 na escala criada pelos autores), seguidos de Islândia, Holanda, Noruega e Dinamarca.

Os autores do estudo afirmaram que se surpreenderam com a posição modesta de países considerados “baluartes da democracia”, como Estados Unidos (8,22) e Grã-Bretanha (8,08).

Para a publicação, os Estados Unidos sofreram uma “importante erosão nas liberdades civis” no contexto da guerra contra o terrorismo, fato semelhante ao que ocorre na Grã-Bretanha, onde se registra um “forte declínio na participação política”.

No que diz respeito à participação política, a Grã-Bretanha foi a que teve a pior performance entre os países ocidentais, por causa de sua baixa participação eleitoral, frágil militância política e atitude geral em relação à vida pública.

A última colocada da tabela, em 167º lugar é a Coréia do Norte, que está à frente da República Centro-Africana, Chade e Togo.

Em setembro, um estudo realizado pela fundação alemã Konrad Adenauer concluiu que o Brasil havia avançado na democracia em relação a outros países da América Latina, passando da 12ª para a 8ª posição na lista de países mais democráticos da região, na comparação com avaliação anterior da própria instituição.

Integração sul-americana continuará emperrada

Integração da América Latina vai continuar emperrada em 2007
Américo Martins,
Editor-executivo para as Américas do serviço mundial da BBC

O processo de integração da América Latina vai continuar enfrentando grandes dificuldades práticas em 2007, apesar da recente eleição de vários presidentes de esquerda na região.

Alguns analistas esperavam que a suposta aproximação ideológica entre os oito presidentes com tendências de esquerda eleitos no continente desde dezembro de 2005 facilitasse a integração econômica e política regional.

Afinal, muitos desses líderes (entre eles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva) vêm defendendo enfaticamente a tese de que é preciso aumentar a integração entre os países da região para ampliar o desenvolvimento, ajudar a diminuir as imensas desigualdades sociais locais e dar ao continente melhores condições para competir no mundo globalizado.

Algumas medidas, como o esforço que o Brasil fez para criar a Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa), estão sendo tomadas para que essa sonhada integração saia do papel e se transforme numa realidade.

Mas os obstáculos para isso ainda são imensos, como ficou claro durante a 2ª reunião de presidentes da Casa, realizada em Cochambamba, na Bolívia, no início de dezembro.

"Viagra político"
Durante a reunião, alguns presidentes mostraram que têm pontos de vista muito diferentes sobre esse processo de integração.

O presidente da Venezuela, por exemplo, discorda até do nome da Comunidade Sul-Americana de Nações e disse que as entidades regionais, como o Mercosul, precisam de um "viagra político".

Indo mais direto ao ponto, Chávez afirmou que os líderes da região tomam as decisões nas reuniões de cúpula, "mas não têm poder para executá-las".

Outros, como o presidente Lula, foram mais conciliadores e positivos.

Na reunião, Lula pediu paciência para tentar fazer avançar o processo de integração. Num reconhecimento de que a tarefa não é fácil, o presidente disse que os líderes do continente precisam tratar da questão da integração com "delicadeza".

De certa forma, os dois presidentes estão certos.

Os organismos regionais, de fato, não têm a influência necessária para promover de forma mais acelerada essa integração, como diz Chávez. E o próprio processo pode simplesmente naufragar se for feito de forma atabalhoada, algo que o presidente Lula pretende evitar.

Dificuldades
O processo de integração está cercado de problemas e dificuldades para sua implantação.

Em primeiro lugar, os países da região têm interesses estratégicos muito distintos – e que, obviamente, acabam tendo precedência sobre a suposta aliança ideológica dos seus presidentes.

O exemplo mais claro disso se deu em meados de 2006, quando o presidente da Bolívia, Evo Morales, enviou tropas para ocupar refinarias da Petrobras no país durante o processo de nacionalização do gás boliviano.

Os interesses, em alguns casos, são tão distintos que a diretora-executiva e fundadora do Latinobarómetro, Marta Lagos, disse recentemente numa conferência em Londres que a América Latina, na prática, "não existe" como entidade política.

Segundo Marta Lagos, cada país da região age como bem entende porque existem poucos interesse comuns. Ela diz que seria mais lógico que as discussões fossem feitas em pequenos blocos regionais, quando os interesses imediatos tendem a ser mais interligados.

Moderados x radicais
Um outro ponto que dificulta qualquer processo de integração, no momento, é a diferença de pontos de vista entre os próprios presidentes de esquerda do continente.

O professor Victor Bulmer-Thomas, um especialista em América Latina que está deixando a direção do Royal Institute of International Affairs (um dos mais prestigiados institutos de estudos das relações exteriores do mundo), diz que os presidentes podem ser divididos em dois grupos: os "moderados" e os "radicais".

Em um recente artigo para a revista World Today, do próprio Royal Institute of International Affairs, Bulmer-Thomas afirmou que a principal diferença entre os dois grupos é a forma como eles vêem e reagem ao processo de globalização.

Segundo o professor, o grupo de presidentes da esquerda moderada (entre eles, Lula e os presidentes da Argentina, Néstor Kirchner, e do Chile, Michelle Bachelet) "aceitam os desafios do processo de globalização" e pretendem usar os mecanismos econômicos ortodoxos para fazer a economia de seus países crescer e para distribuir renda.

Os radicais (entre eles, Evo Morales e Hugo Chávez), segundo Bulmer-Thomas, não "aceitam os desafios do processo de globalização" e vêem com ceticismo a aplicação de capital estrangeiro em suas economias.

Essa visão de mundo distinta, especialmente com relação à globalização, contribui para que os dois grupos interpretem de maneira diferente o processo de integração do continente.

Para líderes como Chávez, a integração deve ser política. Para outros, o maior interesse é a integração econômica. E alguns não vêem o processo como prioridade em nenhum dos dois casos.

Livre comércio
Um terceiro obstáculo para o processo como um todo é a falta de um tema óbvio que aglutine as preocupações imediatas da maioria dos líderes da região.
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Até recentemente, a proposta de criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) era o principal tema com potencial para conseguir essa façanha.

A clara posição dos Estados Unidos em defesa da Alca levou todos os países do continente a preparar suas estratégias de política externa em relação a uma realidade que poderia inseri-los na maior zona de livre comércio do mundo, com todos os benefícios e problemas que a Alca poderia criar em suas economias e sociedades.

Mesmo os governos que eram contrários à idéia tiveram que se mobilizar para contestá-la. A opção de ignorar o assunto não existia e isso levou a uma grande mobilização diplomática e conseqüente aproximação entre vários países.

Mas está claro agora que a Alca não deve sair do papel no curto prazo. Com isso, o comércio exterior deixa de ser prioridade para uma grande parte dos países da região.

Para outros, como Peru e Colômbia, a prioridade passa a ser a implementação de acordos de livre comércio diretamente com os Estados Unidos, o maior parceiro comercial da esmagadora maioria dos países do continente.

O suposto desinteresse de Washington em relação à América Latina desde os atentados de 11 de setembro de 2001 (quando a atenção dos americanos voltou-se de maneira definitiva pra outras partes do mundo) também ajuda, de certa forma, a manter o processo de integração da região em banho-maria.

Michael Shifter, o vice-presidente do Inter-American Dialogue, um dos maiores institutos dedicados ao estudo da América Latina, baseado em Washington, diz que esse desinteresse não deve mudar nos próximos anos, muito pelo contrário.
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Isso talvez seja um sinal de que os americanos também não crêem que o processo de integração saia do papel no curto prazo.

Chanceler do Uruguai diz que Brasil não 'defende Mercosul'

Marcia Carmo, BBC Brasil, De Buenos Aires

O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Reinaldo Gargano, criticou a “falta de esforço” do Brasil e da Venezuela para “defender o Mercosul” na disputa entre seu país e a Argentina.

Uruguai e Argentina, dois sócios do bloco, enfrentam há mais de um ano diferenças devido à construção de uma fábrica de celulose às margens do rio que os separa, o Uruguai. Na visão do chanceler, a falta de intervenção dos demais sócios do Mercosul em favor do Uruguai na disputa prejudica a integração do bloco.

“Nós acreditamos que, no Brasil, (os governantes) estão intimamente convencidos de que a não-ação (do governo) da Argentina (para tentar acabar com protestos nas estradas de acesso ao país vizinho) é prejudicial ao Mercosul”, disse.

“Brasil e Venezuela deveriam defender o Uruguai contra os bloqueios de trânsito realizados pelos argentinos. Ao fazer isso, estariam defendendo o Mercosul e um de seus principais artigos que é o direito de ir e vir dentro do bloco.”

Segundo o ministro, dos sócios do Mercosul, apenas o Paraguai condenou a ação argentina.

Estados Unidos
Gargano falou à BBC Brasil três dias depois de o Tribunal Internacional de Haia ter derrubado, por 14 votos a um, pedido do governo uruguaio para tentar suspender as manifestações que bloqueiam o trânsito às suas estradas.

Manifestantes argentinos bloquearam as estradas que ligam os dois países em protesto contra a instalação de uma indústria de finlandesa de celulose no Uruguai. Segundo eles, a construção da fábrica viola um tratado assinado pelos dois países de gestão do rio Uruguai, na fronteira.

O chanceler disse ainda que a assinatura, na semana passada, do acordo de comércio e investimentos com os Estados Unidos (TIFA, na sigla em inglês) não significa que a relação entre os países vá evoluir para um TLC (Tratado de Livre Comércio). A assinatura de um TLC obrigaria o Uruguai a deixar o bloco do Conesul.

“O Mercosul é mais importante, mas tem que melhorar”, afirmou, por telefone, de seu gabinete em Montevidéu.

“Esse acordo com os Estados Unidos não prejudica a integração no Mercosul”, disse.

Segundo Gargano, os acordos preferenciais de seu país, seja com China, Rússia, México ou Estados Unidos, são para “melhorar a inserção internacional” do Uruguai.

“Essa é a decisão do presidente Tabaré Vázquez. Seguir no Mercosul e não assinar TLC com os Estados Unidos.”

Segundo alguns analistas do Mercosul, o TIFA poderia ser um passo prévio à negociação de um TLC com o governo americano, fato que obrigaria o Uruguai a sair do bloco.

Mas Gargarno, que representa um setor político do governo, garante que o objetivo é aumentar o volume de comércio de seu país e que, ao mesmo tempo, o Mercosul seja fortalecido.

Para ele, o bloco ideal deveria incluir Bolívia e Equador como sócios plenos, área de livre comércio, livre circulação de bens e obras de infra-estrutura.

Avanço chinês abre dilema no Mercosul

Pablo Uchoa*, BBC Brasil, De Londres

O avanço da China é um fato consumado no mundo, e não poderia ser diferente mesmo dentro do Mercosul, o bloco econômico que o Brasil quer liderar, indicaram empresários ouvidos pela BBC Brasil.

Ainda assim, para o bem do projeto comum, os países membros deveriam tratar da entrada maciça de produtos asiáticos para os parceiros do bloco, acrescentam.

O diretor-executivo do Conselho de Empresários da América Latina (Ceal), Alberto Pfeifer, explica o dilema entre proteger as indústrias regionais e incentivar a competitividade das empresas:

"Queremos ter uma indústria competitiva globalmente ou que garanta seus mercados regionais? Se a idéia é ser um competidor global, temos de aceitar a competição. Se quisermos uma reserva de mercado no plano regional, é preciso evitar a entrada dessas mercadorias", questiona.

E alerta: "Mas o protecionismo é uma corrida perdida."

Segundo dados da consultoria argentina Abeceb.com, produtos brasileiros têm perdido espaço no Mercosul para mercadorias made in China, em setores industrializados como louças, televisores, guarda-chuvas, calçados e têxtil.

Áreas sensíveis
Com custos de mão-de-obra e produção mais baixos que o resto do mundo, a China tem deslocado exportações de países industrializados - ou semi-industrializados, como o Brasil - nos principais mercados do mundo.

Com um crescimento anual superior a 4% ao ano, dizem os analistas, os países latino-americanos são potenciais compradores das mercadorias chinesas.

O diretor da Associação Brasileira das Empresas para Integração de Mercados (Adebim), Michel Alaby, lembra que outro fator a colaborar para a entrada dos produtos asiáticos no Mercosul é a valorização do real, que encarece no exterior os produtos made in Brazil.

As atenções em relação ao gradual crescimento chinês no Mercosul até agora têm se concentrado apenas nas áreas mais sensíveis do comércio dentro do bloco.

Para este ano, o governo brasileiro se recusou a renovar – como queria Buenos Aires – um mecanismo de cotas restringindo as vendas brasileiras de eletrodomésticos de linha branca (fogões, geladeiras e lava-roupas) e marrom (principalmente televisores) para a Argentina.

O sistema, acordado em 2003 após meses de duras negociações, visava a permitir a recuperação da indústria de eletrodomésticos naquele país, afetado pela crise de 2001-2002.

Na época, os televisores brasileiros representavam entre 70% e 80% do mercado argentino, enquanto que as mercadorias chinesas tinham uma participação "insignificante", de menos de 10%, segundo os dados da Abeceb.com.

Hoje, Brasil e China exportam o mesmo volume de televisores – cerca de US$ 30 milhões anuais – para a Argentina.

"A indústria argentina vem se recuperando, mas sua capacidade ainda não é suficiente para atender à demanda. Por isso, também cresceram as importações", disse o economista Maurício Claveri.

Há três anos crescendo a 9% ao ano, a economia argentina já garantiu ao Brasil 44 superávits consecutivos.

'Triangulação'
Michel Alaby afirmou que, embora o avanço chinês não seja "alarmante", é preciso evitar uma "triangulação" do bloco com a China.

Grandes empresas do setor calçadista e têxtil, ele disse, estão fabricando mercadorias – e, portanto, realizando investimentos – na China para reduzir custos, e importando as mercadorias de volta para o Mercosul.

Para Alberto Pfeifer, "já que estamos falando de integração, temos que pensar num gradualismo, num cronograma de redução das tarifas, de incentivo às indústrias e compensações para os setores que vão ficar desempregados temporariamente".

* Colaborou Márcia Carmo, de Buenos Aires

China ameaça desbancar Brasil no Mercosul

Marcia Carmo, BBC Brasil,De Buenos Aires

O Brasil está perdendo espaço para produtos da China dentro do Mercosul, apesar de suas exportações continuarem em alta no bloco, segundo um levantamento da consultoria argentina Abeceb.com.

"O Brasil está consolidado como exportador dentro do Mercosul, mas é preciso ficar alerta às importações chinesas, que já tiraram seu lugar em alguns setores que antes eram dominados por produtos brasileiros", disse o analista econômico Maurício Claveri, da Abeceb.com.

Os dados reunidos pela consultoria mostram que as vendas chinesas para os sócios fundadores do bloco - Paraguai, Uruguai e Argentina - vêm crescendo em um ritmo muito superior às do Brasil.

É o caso da exportação de bicicletas para a Argentina, um setor em que as posições se inverteram em apenas quatro anos.

Em 2002, o Brasil exportou US$ 797,6 milhões em bicicletas e velocípedes para a Argentina, abastecendo 76% do mercado vizinho. No ano passado, as vendas brasileiras caíram para US$ 69 milhões, com o Brasil respondendo por apenas 4,4% desse mercado.

Já a China, que, em 2002, vendia US$ 49,5 milhões em bicicletas e velocípedes para a Argentina, vendeu quase US$ 826 milhões em 2006. Nos quatro anos, as vendas brasileiras caíram 91%, enquanto as chinesas saltaram mais de 1.550%.

Invasão chinesa
O exemplo das bicicletas reflete um fenômeno mais amplo.

Em 2006, a Argentina importou o equivalente a US$ 11,7 bilhões do Brasil, e US$ 3,1 bilhões da China.

"O Brasil ainda vende mais para a Argentina, mas é preciso ficar alerta ao que acontecerá nos próximos meses, para saber se essa é uma tendência ou se esse avanço chinês, no Mercosul, vai parar em algum momento", disse Claveri.
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Os números confirmam a avaliação de Claveri. Nos últimos cinco anos, de acordo com dados oficiais argentinos, as exportações chinesas para o país cresceram 822%, enquanto as brasileiras aumentaram 365%.

"A China hoje ainda representa cerca de 30% das exportações brasileiras na Argentina. Mas, sem dúvida, surgiu um competidor de peso para diferentes áreas do Brasil."

Em setores de produtos industrializados, como o de louças, televisores, guarda-chuvas, calçados e têxtil, produtos brasileiros foram substituídos por made in China.

"Isso está acontecendo porque a produção chinesa parece mais barata e em maior escala. Além disso, apesar da recuperação, a indústria argentina ainda não é suficiente para atender à demanda que cresceu com a expansão da economia", afirmou o analista econômico.

Há mais de três anos, a economia argentina registra cerca de 9% de expansão.

Uruguai e Paraguai
Nos outros parceiros do Mercosul, a situação é semelhante. Em 2005, o Paraguai importou US$ 872 milhões em produtos brasileiros e US$ 441 milhões em mercadorias chinesas – ou seja, o Brasil exportava para o parceiro mais do que o dobro exportado pela China.

Em 2006, o comércio chinês com o Paraguai quase encostou na cifra brasileira. O Paraguai importou US$ 1,2 bilhão do Brasil e US$ 1,097 bilhão da China.

Com o Uruguai não foi diferente. Em 2004, o Uruguai importou US$ 667 milhões do Brasil e US$ 154 milhões da China - ou seja, o Brasil exportou ao mercado uruguaio quatro vezes mais do que a China.

Dois anos depois, em 2006, essa diferença caiu para 2,85 vezes. Enquanto as exportações brasileiras para o mercado uruguaio foram de cerca de US$ 1 bilhão, as chinesas foram de US$ 352 milhões.

Estamos muito longe do padrão europeu

Brasil terá padrão de vida 'europeu' em 2050, diz estudo
Fonte: BBC Brasil

Renda per capita (cálculo do valor do PIB dividido pela população) no Brasil será de US$ 27,13 mil em 2050
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Em 2050, a renda per capita no Brasil será equivalente à existente hoje na Europa, segundo um estudo sobre o futuro da economia dos países que compõem o grupo conhecido como BRIC (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China) divulgado em Londres.
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"O Brasil não estará tão bem quanto a China e a Índia, mas é possível dizer que, com base na renda per capita, daqui a 45 anos, os brasileiros terão um padrão de vida equivalente ao existente hoje (2005) na Europa", disse à BBC Brasil o autor das projeções, Peter Gutmann, analista da consultoria Experian Business Strategies.
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Segundo o estudo, a renda per capita (cálculo do valor do PIB dividido pela população) no Brasil será de US$ 27,13 mil em 2050 (cerca de três vezes maior do que a medida atual), um valor apenas um pouco inferior à renda per capita na Europa (países que adotaram o euro) em 2005, que ficou em US$ 29,47 mil.
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O autor reconhece que o cálculo da renda per capita serve apenas de parâmetro para a comparação já que fatores como a má distribuição de renda podem impedir que o crescimento da economia previsto beneficie a maior parte da população.
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Estados Unidos
No quesito renda per capita, os Estados Unidos, incluídos nas projeções para servir de base para comparação, continuarão muito à frente da China que será, então, a maior economia do mundo.
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De acordo com as previsões, a renda per capita americana terá subido de US$ 41,30 mil em 2005 para US$ 100,08 mil em 2050.
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Nesse patamar, será cerca de 30% maior do que a da China e em torno de 350% maior do que a renda per capita no Brasil. A renda per capita na Índia ficará em US$ 36,21 mil e na China, em US$ 74,40.
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Segundo Gutmann, o maior risco para que as previsões se tornem realidade está na dúvida sobre se os recursos do planeta darão conta da maior demanda por tanto tempo.
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"Mudança climática, devastação de grandes áreas e esgotamento de recursos naturais já estão ocorrendo. O risco é que os recursos, simplesmente, não consigam sustentar o crescimento projetado", disse Gutmann.
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Poder de compra
O estudo feito pela Experian Business Strategies e divulgado pela consultoria Grant Thornton International calcula o valor do Produto Interno Bruto dos quatro países e também dos EUA com base na PPC (Paridade do Poder de Compra ou ou Purchase Power Parity, em inglês).
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Com isso, a base de 2005 considera o PIB brasileiro em US$ 1,53 trilhão, o da Rússia em US$ 1,58 trilhão, o da Índia em US$ 3,66 trilhões e o da China em US$ 8,88 trilhões.
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Segundo as projeções, o Brasil crescerá, em média, 3,5% ao ano até 2050, quando a economia brasileira valerá US$ 7,22 trilhões, ou seja, será quase cinco vezes maior do que foi em 2005, medida com base na PPC.
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O estudo segue o caminho aberto pela Goldman & Sachs que, em 2003, cunhou a sigla BRIC prevendo que os quatro países seriam superpotências em 2050.
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Otimismo
Outro capítulo do relatório, que fala sobre otimismo nos BRICs, diz que o empresariado brasileiro é o mais pessimista entre os emergentes que compõem o grupo.
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A Índia está no topo da lista que elenca 32 países de acordo com o percentual de empresários que se declararam otimistas para os próximos 12 meses. Segundo a pesquisa, que ouviu 7,2 mil empresários, 97% dos indianos estão otimistas.
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No Brasil, 47% se declararam otimistas, na Rússia, 57%, e na China, 86%. A média global foi de 45%. Segundo a pesquisa, dificuldades para se conseguir empréstimos, escassez de financiamento de longo prazo e pessimismo com as exportações ajudam a explicar o resultado do Brasil.

Se o presidente não tem pressa quem padece é o país !

COMENTANDO A NOTÍCIA:
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No site da BBC Brasil, existem uma série de artigos e reportagens dando conta dos problemas brasileiros no âmbito do Mercosul, das dificuldades quês os produtos estão criando para nossas exportações em um mercado que deveria ser “garantia” líquida e certa de vendas, e as críticas que recebemos dos parceiros pela atuação fraca do presidente Lula na defesa da coesão do bloco.
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Tais acertos e desacertos se derivam de duas ações que Lula tem imprimido em seu governo e que entendemos desastrosas para os interesses do Brasil. De um lado, o câmbio, do qual falamos aqui ontem na análise sobre o pretendido desejo dos petistas em varrer do governo o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, por entenderem ser ele o culpado pelo baixo crescimento do PIB nacional. Conforme demonstramos, o presidente do BC é apenas um agente da política econômica imposta pelo governo. Apontá-lo como culpado pelo baixo crescimento é querer fugir daquilo que deveria regular a análise: nossos problemas estão nas coisas que o governo deveria fazer e não faz para não pagar o preço político. Daí que os juros altos não são impostos por um desejo macabro de “matar” o crescimento do país. Se fosse assim, é de se supor que nos demais quesitos o país já teria feito tudo certo, em tempo e na hora. Pois então por que o câmbio hoje está no centro da discussão ? O câmbio é decorrência da política de juros altos ? Não, ela é conseqüência de outras políticas da ação governamental. A começar pela questão fiscal, e principalmente por ela. Quando se gasta além do que se pode, algum preço teremos que pagar. No caso, o governo federal ao desonerar a entrada de dólares para aplicação em letras de dívida pública, provocou uma brutal valorização do real frente ao dólar que está contribuindo para o processo de “desindustrialização” do mercado interno.
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Pois ainda há uma segunda questão também contrária ao interesse nacional: a política externa do governo Lula é danosa ao interesse brasileiro. Apenas para relembrar vale citar duas ações. A primeira, quando o Brasil reconheceu a China como economia de mercado. Com isto abriu tanto o mercado brasileiro quando o do Mercosul para o avanço Chinês, e disto os artigos da BBC Brasil dão mostras dos prejuízos. Junto, o governo brasileiro tem insistido em direcionar sua política externa para a “fraternidade universal”. Ou seja, estamos perdoando nossos devedores, apesar dos nossos credores não perdoarem nossas dívidas, estamos nos aproximando de países que nada nos podem oferecer na relação de trocas comerciais, e estamos abrindo mão de nossos interesses para abraçar a causa dos outros. Basta ver o que tem sido a questão do gás boliviano. O gás estava lá debaixo da terra, sem permitir que a Bolívia o convertesse em produto de exportação. Pois bem, a Petrobrás foi lá, investiu mais de 1 bilhão de dólares, tornou o gás comercial e de sobra, garantiu um mercado cativo e seguro. Em troca, a Bolívia deveria cobrar-nos um preço menor do que o pago no mercado internacional. Nada mais justo. Ao assumir, o índio Evo Morales expropriou-nos a Petrobrás e tem armado um circo horroroso em torno de sua soberania sobre seus recursos naturais. Primeiro, que o gás exigiu não apenas investimentos brasileiros em solo boliviano. Estamos pagando por aquilo que a Bolívia nos entrega. Não é de graça. Não é favor. Há um contrato que estamos respeitando e cumprindo. Pois então, o que fez o Brasil em reação ao assalto à Petrobrás. Nada. E ainda deu razão ao boliviano. E isto, senhores, tem sido uma das marcas da nossa política externa: defendemos em primeiro lugar o interesse dos outros, e não os nossos.
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Na ação agressiva em termos comerciais do avanço chinês no mercado brasileiro, e até do Mercosul, pode ser condenada ? Não, de parte dos chineses, estão absolutamente certos em defenderem os empregos de lá, não os de cá. Deveríamos ter reagido ? Sim, mas continuamos com um presidente que não sai do palanque, defendendo uma ideologia de atraso cuja conseqüência tem sido a de exportar capital e empregos para os outros. Somos a alegria do crescimento econômico dos parceiros. Já, por aqui, nosso desemprego estacionou nos 10%, nossa estagnação já comemora 26 anos (a mesma idade do PT, quanta coincidência!), estamos perdendo liderança continental para um ditadorzinho de arrabalde, nossa infra-estrutura cada dia mais sucateada. E o presidente já no segundo mês de seu segundo mandato afirma impávido colosso não ter pressa para compor seu ministério !
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Ah, que o resto do país se dane, é isto ? Então, tá, sem pressa para trabalhar, para fazer seu dever de casa, caminhamos órfãos de governo federal para o quinto ano de mediocridade. E percebam o detalhe: no período de bonança econômica mundial. Isto representa dizer o seguinte: estamos jogando uma preciosa oportunidade de encaminhar o país para um crescimento vertiginoso, melhorando a qualidade de vida dos brasileiros e consolidando nossa liderança continental, podendo andar em passos decisivos para nos alinharmos às maiores economias do planeta. Mas não: nossa opção é o pobrismo deprimente, conduzidos por uma ideologia decadente, guiados por governantes e auxiliares delinqüentes. E diante do descalabro, o senhor Lula da Silva vem e diz não ter pressa ! Beleza, Haiti e Somália, alô, alô, aí vamos nós!
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Seguem as transcrições dos textos editados pela BBC Brasil. Aliás, a partir de amanhã, na relação ao lado dos links recomendados de mídia, teremos duas novas indicações: a BBC Brasil e o Invertia, tudo dentro do objetivo de aprimorar o acesso à informação qualificada dos nossos amigos leitores.

O PT dos sonhos do Campo Majoritário. Um horror.

Adelson Elias Vasconcellos
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Saiu a sétima e mais atual versão da tese que será defendida em junho durante o III Congresso do PT pelo grupo conhecido como Campo Majoritário e que há 12 anos, pelo menos, manda no partido, e aí falamos de José Dirceu, Ricardo Berzoini, Marco Aurélio Garcia dentre outras figuras.
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Por ser um documento longo e de aspectos variados, num só comentário não se pode esgotar a análise. Hoje, vamos nos ater no que o partido pretende no campo dos “meios de comunicação”. Segue o trecho, depois, em seguida, nosso comentário.
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Entendemos que o PT não pode abrir mão de seu compromisso histórico com a democratização dos meios de comunicação e o fortalecimento de uma imprensa comprometida com a linguagem e as causas populares e, principalmente, que respeite o público, seu interesse e sua inteligência. É preciso fortalecer a concepção de um sistema de comunicação que combine a atuação do setor público, do setor privado e dos instrumentos de comunicação comunitária.
(...)
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Quando você fala em “democratizar” os meios de comunicação, o que vem à mente, é a universalização de acesso e a possibilidade de se criar meios e incentivos para o aparecimento de novos veículos. Certo ? Então, se você ler o entendimento do PT pensará isto mesmo ? Claro, se a gente ler rápido passa batido, mas o grande detalhe está na expressão “...uma imprensa comprometida com a linguagem e as causas populares...”. Diretamente o que se pretende é ditar a linguagem que os meios comunicação deverão adotar para serem populares. Resumo: censura. Não há outra interpretação. Que governante pode simplesmente ditar para os veículos a “linguagem” adequada para ser popular ? E, ainda, que tipo de “popular”, o que não lê jornal, não assina ou compra revistas ? Ora, convenhamos, é uma cretinice. Qual a percentagem da população que lê jornal e revistas colocadas nas bancas ? Dez por cento, quinze por cento ? E estes, formam que camada sócio-econômica da população ? E por que os meios de comunicação não poderiam utilizar uma linguagem até mais refinada como forma de incentivo a elevar o padrão de leitura e entendimento das camadas mais populares ? Tem que ser baixo nível para ser popular ? Se assim fosse, a rede de tevê aberta no Brasil que teria maiores índices de audiência seria ou SBT ou Record, certo ? Mas a campeã é a Globo. Pelo documento do Petê isto seria inadmissível, pelo menos a Globo deveria “baixar” o nível de linguagem !
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Quando governantes estúpidos querem se meter ao ordenamento da forma de pensar das pessoas, acreditem, jamais terão direito de usar a expressão “democratização”. A nenhum governante, pelo menos os democráticos, é dado o direito de “guiarem” e “conduzirem” a linguagem, sua forma e sua essência, com que as pessoas devam ou não se comunicar. É uma aberração. Num mundo livre, você escolhe o que fazer de sua própria vida. Há limites ? Sim, os limites são necessários para a boa convivência social na sociedade. Esta cria regras, leis, normas para que uns não invadam o direito dos outros. Se o fizer, há punições.
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Portanto, e muito ainda iremos ler sobre este trecho do documento que considero imbecil, mas sintomático do que é o Petê, é preciso estar atento aos passos que o governo irá tomar buscando atingir este objetivo. E não será uma tentativa isolada e única. No primeiro mandato, houve diversas tentações. Agora, esta “normatização” da linguagem começará a ganhar contornos mais definidos. Que a sociedade brasileira não se iluda: por todos os meios que puder, o governo Lula vai lutar para impor a regra da censura nas comunicações e nos veículos. Como já se disse, a visão que esta gente tem de liberdade de expressão é vesga. É um direito inarredável de cada um escolher o que ouvir, ler e assistir. Tem que prefira baixo nível, tem que deseje algo melhor, com mais profundidade, com mais conteúdo. Tem que lê jornal apenas pelas manchetes. Tem que comece a leitura pela política, outros pelo horóscopo, outros pelo futebol, e assim por diante. Tem ainda aqueles que adoram ir ao sebo mais próximo para adquirir clássicos da literatura. Outros, escolhem seus livros pela lista dos best-sellers. Outros mais, que só lêem determinados autores. Ora, como pretender igualar a linguagem empregada para 180,0 milhões ? Quantos “públicos” diferentes cabem nestes 180,0 milhões de brasileiros ? Porque, sinceramente, meus amigos, “imprensa comprometida”, num país que se diz livre e democrático, que eu saiba, é a imprensa do Diário Oficial. Qualquer outro comprometimento, é no mínimo suspeito. Exemplos recentes ? Para quem adora a história dos povos, eis a China recente, a Cuba um pouco mais próxima de nós, e a antiga URSS. Ah, só para lembrar: nos três países citados, quem não se “comprometeu” com a imprensa ditada pela “inteligentsia” do governo, ou está preso, ou foi executado.

Ministros sem telex

Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa

SÃO PAULO - Eduardo Portela, baiano ilustrado, ministro da Educação do governo Figueiredo, que perdeu o ministério mas não perdeu a frase - "Não sou ministro, estou ministro" - e que Jorge Amado dizia ter nome de cardeal, foi a São Paulo para um debate com estudantes.

Terminou, foi ao aeroporto de Congonhas, estava fechado, sem teto. Voltou, parou no Maksoud Plaza Hotel, à uma e meia da manhã. O português de Angola, chefe da recepção, estava atento:

- O senhor doutor tem bagagem?

- Não. Vim de Brasília para voltar, mas não há avião.

Não tendo bagagem, tem que pagar adiantado.

O ministro puxou o talão de cheque.

- Cheque de Brasília, senhor doutor? Não pode. Não aceitamoscheque de fora. Só se for de São Paulo.

Eduardo Portela
O gaúcho Waldir Luciano, primo do ministro Jair Soares, hospedado lá, estava chegando, chamou o chefe da recepção:

- Esse é o ministro Eduardo Portela, da Educação.

- Não pode ser. Se fosse, teria vindo telex de Brasília. Todo vez que vem ministro para cá, vem telex. Sem telex, não é ministro.

Waldir fez um cheque de São Paulo, pagou, Eduardo Portela foi dormir. Às três e meia da manhã, foi acordado. O angolano havia apurado que era ele mesmo, mandou um cartão de desculpas, uma cesta de frutas e um champanhe.

O ministro recebeu e foi dormir o sono aflito de ministro sem telex.

Thomaz Bastos
O segundo governo Lula é um governo de ministros sem telex. Ministros só de mentira. Aqui em São Paulo está cheio deles. Já se conhecia governo sem ministério em fim de governo. Mas começando o governo é a primeira vez. E cada um vai ficando com a cara mais patética.

O heráldico ministro Marcio Thomaz Bastos, coluna central de sustentação do turbulento primeiro governo Lula, há dois meses pediu demissão e Lula não pôde dizer nada. Mas não consegue nomear o substituto. Thomaz Bastos passou um mês de férias em Guarujá, voltou e nada.

Lula quer pôr lá Tarso Genro, o "anão de jardim", como o chama José Dirceu, mas tem medo que ele faça uma gauchada, atenda ao procurador geral da República e mande prender o "chefe da quadrilha" do mensalão.

Furlan e cia.
Fernando Furlan, do Desenvolvimento, também já anunciou que não vai ficar. Prefere voltar às lingüiças e perus da sua Sadia. Mas a situação dele é pior que a de Thomaz Bastos. Lula não tem quem mandar para lá, porque PT, PMDB, PP, PR, toda a República do Mensalão, querem ministérios que tenham muito dinheiro. E o do Desenvolvimento só tem estatística. E ruim.

Cidades, Educação, Transportes, Saúde, Agricultura, Integração, etc. são ministérios "de caneta cheia", como diz o PT. Quer dizer, de cofre cheio. É para cima deles que se lançam as matilhas, gulosas e famintas. E seus ministros estão paralisados, todo dia com notícias de que foram negociados.

O pesadelo dos ministros sem telex é que Lula não tem berço nem finesse sequer para demitir por telex. É por jornal mesmo.

Delfim
Delfim se pôs fora desse jogo bruto. Confessou a um amigo paulista:

- Com 80 anos, não tenho mais idade para a Fazenda, o Banco Central, a Agricultura. Só há uma exceção: o BNDES. O BNDES eu quero e aceito.

Delfim já está treinando para servir a seu novo general. Disse na "Folha: "A taxa de crescimento será a maior possível (sic), dentro das condições existentes" (sic). E é apontado como o maior economista do País.

Palocci
Sai, em março, pela Editora Objetiva, o livro de Palocci sobre os "1.082 dias como ministro da Fazenda". O título ("Sobre formigas e cigarras") não diz claramente, mas sugere que ele vai contar a história da "Casa dos Amores" e do caseiro Francenildo, do Lago Sul de Brasília, que o derrubaram do trono como a um saturnal. O Aurélio e o Houaiss definem bem:

"Cigarra: marido que goza de liberdade durante a semana, permanecendo na cidade enquanto a mulher se ausenta". Tudo a ver.

Porta-voz
Miriam Leitão, a mais categorizada porta-voz dos banqueiros no País, explica por que o Banco Central só derrubou os juros em ridículos 0,25%:

"A preocupação maior do Banco Central seria com o fato de que a queda já ocorrida dos juros está acelerando o consumo (sic) e reativando a economia (sic)... A queda de juros continuará produzindo efeitos nos próximos meses. Em resumo: a queda já ocorrida dos juros contratou (sic) um aumento da atividade econômica que já aparece em alguns indicadores. Por isso, seria preciso ir mais devagar (sic) com o andor" ("Globo").

Eis aí a confissão do crime: os juros não baixam porque o Banco Central não quer que a economia cresça. Se a economia crescesse, os bancos ganhariam menos. Os donos de Lula proibiram o Brasil de crescer.

Perda de imunidade

Fabio Grecchi, na Tribuna da Imprensa

A pesquisa do Ibope realizada sob encomenda da ONG Transparência Brasil derruba alguns mitos interessantes em relação à compra de votos por políticos corruptos. O primeiro deles é que somente os mortos de fome se vendem por cesta básica. De jeito algum: a maioria é de jovens, numa mistura de desinteresse, arrogância e desesperança, espelho de uma sociedade permissiva e sem referenciais morais.

Outro aspecto interessante é que o Paraná, um dos estados mais ricos da União, foi o campeão da compra de votos. Para quem pensava que a liderança caberia aos paupérrimos Piauí, Maranhão ou à violenta Alagoas, não deixa de ser uma surpresa. Cai por terra também o mito de que tal fraude é privilégio das regiões mais pobres do País, como Norte e Nordeste.

Aliás, não parecia incomodar tanto quando este problema se restringia somente à parte de cima do Brasil, a partir da Bahia. Havia quase que um tácito perdão às populações nordestinas e nortistas: vítimas históricas da fome, da seca e do coronelismo político, não chocava mais ninguém que vendessem o voto para seu sustento e o de oligarquias locais, como a dos Magalhães (ACM e Juracy), Franco (SE), Sarney (MA), Buriti, Cunha Lima (ambas PB), Alves, Maia (ambas RN), Jereissati (CE), Collor (AL), Magalhães Barata (PA), Mestrinho (AM) e uns poucos mais.

Com os números do descaso chegando firmes ao Sul Maravilha, acende uma luz vermelha, segundo os coordenadores da pesquisa. De forma alguma: já estava acesa há muito tempo. A diferença é que em relação ao Norte e ao Nordeste a questão, embora condenada, era tratada como uma espécie de tradição histórica. Quer dizer: um vício extremamente arraigado, que vinha em linha direta das Capitanias Hereditárias. Não deixa de ser um certo preconceito, não por parte dos realizadores da pesquisa, mas de todos que se dedicam a estudar a tradição política.

Vistos como cidadãos de segunda categoria, há a tendência de paternalizar o tema em relação a nortistas e nordestinos e compreender-lhes o gesto como a última forma de se apresentarem como cidadãos. O problema é que não são apenas as populações destas duas regiões que sentiram os efeitos da corrupção e do esfacelamento do ambiente moral dos três Poderes. Não há mais trecho deste País que esteja imune à doença.

Coisa feia
A pesquisa aponta ainda que 8,3 milhões de brasileiros foram abordados com propostas para venda de votos. Tal número representa um colégio eleitoral do tamanho do Espírito Santo, aproximadamente.

Tal assédio significa ainda um número três vezes maior do que em 2002, quando pesquisa semelhante apurou que somente 3% do eleitorado tinham sido procurados para vender o voto.

Ladeira abaixo
A pressão para Henrique Meirelles deixar a presidência do Banco Central voltou a crescer ontem, com o dólar batendo abaixo da casa dos R$ 2,10. Já há o temor de que até o final do mês a moeda norte-americana esteja fechando em R$ 2,00, para alegria dos importadores e dos muambeiros de produtos chineses.

Para quem prometeu crescimento de 5%, Lula está dando um golpe sério no exportador brasileiro. Cada vez mais é preciso produzir para compensar a queda gradativa da moeda. Só que esta relação perversa começa a se manifestar através da desvalorização de produtos brasileiros.

Na bica
O eventual substituto de Meirelles tem até nome: Demian Fiocca, presidente do BNDES, conforme adiantado por esta coluna. Ex-braço direito de Guido Mantega nos tempos em que esteve à frente do banco, tem imensa afinidade com o ministro da Fazenda. Se houver a troca, é sinal de que Mantega continua onde está.

E que também Delfim Netto fica na bica para assumir a presidência do BNDES. De fora, o ex-ministro tem sido um crítico feroz da política de juros altos e dólar desvalorizado. Além disso, se insere na cota ministerial do PMDB.

Na atividade
O senador Romero Jucá (PMDB-RR) não prega prego sem estopa. Participou ontem da posse do ex-senador José Jorge na presidência da Companhia Energética de Brasília. Ex-vice na chapa presidencial de Geraldo Alckmin, foi colocado à frente da CEB pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

Num evento claramente oposicionista, sobretudo do PFL, Jucá era o único governista. Sabem como é: vai que o vento vira numa hora destas...

Afinidade
José Jorge foi uma escolha óbvia de Arruda. Ex-ministro das Minas e Energia durante o apagão, no governo Fernando Henrique Cardoso, tem imensa afinidade com o atual governador do Distrito Federal. Que, diga-se, é engenheiro eletricista por formação universitária.

Tanto Jorge quanto Arruda, no auge da campanha presidencial do ano passado, disseram que Lula "bebia demais e trabalhava de menos". Em comícios distintos, registre-se.

Uh, danou-se
O governador André Puccinelli (MS) anuncia hoje uma série de medidas para proteger o rebanho bovino do Estado contra a aftosa. Será durante reunião com os segmentos da pecuária local. Ele tem anunciado aos quatro cantos que quem importar gado doente vai para a cadeia.

O Mato Grosso do Sul, que não bastasse vem sofrendo com os temporais que o assolam desde o começo do ano, ainda tem que conviver com a ameaça boliviana da aftosa. O governo estadual espera apenas que La Paz não se aproveite do tema para afirmar que o Brasil criou um factóide para contra-atacar na guerra do gás.

Oito milhões receberam oferta pelo voto

Tribuna da Imprensa

BRASÍLIA - Pesquisa feita pelo Ibope revelou que 8,3 milhões de eleitores - cerca de 8% do total - receberam proposta de compra de voto nas eleições de 2006. Esse índice é quase três vezes maior do que os 3% registrados na eleição de 2002. Para as entidades que encomendaram a pesquisa, a ONG Transparência Brasil e a União Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon), esses números são "alarmantes" e indicam que o País precisa agir com rigor para impedir o avanço da corrupção eleitoral nas próximas eleições.

O resultado da pesquisa, segundo o diretor da Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, que divulgou os dados ontem, coloca em questão a integridade do sistema eleitoral brasileiro e pode ter alterado o rumo das últimas eleições. "É possível concluir que centenas de pessoas foram eleitas em 2006 comprando voto".

A pesquisa abrangeu 2.000 eleitores em 142 municípios de todas as regiões do País, inclusive de capitais e de todas as faixas etárias e condição econômica. Abramo responsabiliza o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por não ter diagnosticado e agido preventivamente em relação ao problema e culpa também a omissão dos partidos.

"Não se pode dizer que a justiça eleitoral seja cúmplice da compra de voto, mas tem sim responsabilidade por não diagnosticar o problema para melhor preveni-lo", disse. Os partidos, segundo o dirigente, têm o dever de colaborar com a lisura do processo eleitoral, mas "fingem que o problema não é com eles".

O pior Estado no ranking foi o do Paraná, onde 22% dos pesquisados foram alvo de oferta de compra de voto. Segundo a pesquisa, o grupo mais vulnerável da população não é aquele formado por pessoas de baixa renda ou de menor instrução. "Não procede a crença de que quanto mais pobre, mais vulnerável à tentação da venda do voto", observou. O questionário abordou compra de votos com dinheiro em espécie, ou bem material e uso da máquina.

O levantamento também mostrou que, por faixa etária, os jovens de 16 a 24 anos (13%) se revelaram mais dispostos a vender o voto, contra um índice de 4% para os eleitores com mais de 50 anos. O Ibope apontou ainda que 15% dos brasileiros acreditam que os políticos eleitos vão roubar, mas 71% acreditam que eles não roubarão, o que desmistifica a tese de que o brasileiro aprova a máxima do rouba, mas faz.

"A predileção do brasileiro pelo ladrão que rouba, mas faz, não se sustenta". Ele exemplificou que a eleição de pessoas condenadas no passado por acusação de corrupção, como o deputado Paulo Maluf (PP-SP) e o ex-presidente Fernando Collor, eleito senador, foi residual e estatisticamente justificável.

Lembrou também que apenas cinco dos 69 parlamentares denunciados por envolvimento no mensalão do governo petista conseguiram se reeleger. "Os dados são alarmantes e mostram que o eleitor foi atingido pela desintegração geral da classe política nos últimos anos", constatou Abramo.

A maioria dos eleitores, conforme a pesquisa avalia bem os governantes antigos e deposita esperança nos novos, embora 64% sequer se lembrem dos nomes. Mas um quarto dos eleitores acredita que os antigos governantes aproveitaram o cargo para roubar. Um total de 19% dos entrevistados acreditam os novos eleitos também roubarão.

Para Abramo, a integridade do sistema eleitoral sofreu uma grave deterioração e o TSE não pode fechar os olhos para o problema. Dizer que a Justiça Eleitoral só age quando provocada é uma atitude para ele "de burrice e omissão".

O dirigente informou que a Transparência Brasil propôs ao TSE a adoção de providências simples e eficazes em 2005, mas nada foi feito. "O tribunal não se interessou em compreender o problema e adotar medidas para evitá-lo, preferindo esperar olimpicamente que todos fossem bonzinhos", acusou.

Conforme a pesquisa, a cobrança de propinas por agentes públicos estaduais durante os mandatos concluídos em 2006 foi apontada por 4% dos eleitores. Entre as regiões, a mais afetadas nesse item foi o Nordeste (7%), seguida do Norte-Centro Oeste (4%), Sudeste (3%) e Sul (2%).

A pesquisa envolveu a compra de votos mediante dinheiro em espécie e também alimentos, vestuário, material de construção e outras formas de corrupção eleitoral.

Marketing de resultados

Xico Vargas, NoMínimo

Vamos ver se deu para entender: quer dizer que chamaram o inspetor Felix dos Santos Tostes para saber se ele é ou não chefe da mineira, a milícia que administra a favela Rio das Pedras? Mas logo o Felix? E por que se fez isso agora? E por que não ao longo dos últimos 20 anos, período em que essa favela deve sua paz à administração de uma milícia? Por que o governo é novo? Não.

Fez-se porque o marketing é hoje o mais importante instrumento de ação política. Vamos fazer aqui um exercício: Rio das Pedras é uma favela de sucesso; o comércio é extraordinariamente forte; os bares e restaurantes, como na cidade formal, funcionam até a madrugada; tem escola, posto de saúde e até ponto final de linha interestadual de ônibus; não tem assalto, rinha de galo, nem garoto fumando maconha pelas esquinas; por último, pode-se dizer também que não tem tráfico de drogas, mas isso em relação ao lugar já não tem a menor importância por muito velho.

Continuando: o prefeito sempre manifestou simpatia por soluções que ponham por terra quadrilhas de traficantes; grupos semelhantes ao que guarnece do tráfico Rio das Pedras e adjacências já tomaram 92 favelas da cidade e continuam avançando; esse movimento tem despido as polícias (mais a PM) do embuste que sempre as revestiu, para concluir-se que não acabaram antes com o tráfico porque não interessava. Sempre deu mais lucro e menos trabalho achacar traficantes, como fizeram muito na Rocinha grupos do 23º Batalhão da PM, aquele ali do Leblon.

A chamada Força Nacional de Segurança ainda não disse a que veio e já foi mandada para novo treinamento; não fossem as milícias, a polícia regular não teria conseguido tirar um morro sequer do controle do tráfico; a simpatia da classe média e da elite pela ação das milícias preocupa menos pelo que essas forças podem representar de terror adiante do que pelo eleitorado que terão nas mãos.

Vai daí, chamar o Felix para perguntar se ele é o dono do lugar onde tudo começou serve como freada de arrumação antes que esses movimentos saiam completamente do controle. É muito mais fácil do que botar no xilindró o oficial que permitiu a saída e o motorista do Caveirão, o blindado que ofereceu escudo ao avanço da milícia na invasão da favela em Cidade Alta.

Se Felix é ou não o capa-preta de Rio das Pedras há controvérsias. Mas há um fenômeno a respeito do qual ninguém tem dúvida: entre a ponte do Joá, no início do Itanhangá e a estrada do Engenho D’água, já no Anil, são pouco mais de 10 quilômetros de uma das áreas mais seguras da cidade. E não é a polícia que garante isso.

Próxima parada: lobotomia

Guilherme Fiúza, Política & Cia., NoMínimo

O desabafo na “Veja” de Roberto Abdenur, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, confirma o que foi publicado neste espaço em 14 de dezembro: o Itamaraty não só está seguindo uma política primária de antiamericanismo, como está perseguindo os diplomatas que têm idéias diferentes.

Esse delírio infantil do governo Lula de dar tapinha nas costas dos chineses e achar que está fazendo a revolução sul-sul, esse terceiro-mundismo de grêmio estudantil que projeta o Brasil como o melhor dos piores, essa forma ideológica e tola como o Brasil abandonou as negociações da Alca – isso tudo, infelizmente, é verdade. Abdenur falou, Abdenur avisou.

Tudo bem. Que seja a política escolhida pelos guevaristas de playground e seu testa de ferro quixotesco, o yorkshire Celso Amorim. Não terá sido a primeira política externa estúpida, nem será a última. Mas caça às bruxas é outro departamento.

Se você é diplomata e acha essa trincheira antiglobalização uma piada, arrume suas coisas, esconda seus livros e chame o ladrão. O Itamaraty está prendendo e arrebentando.

A tortura agora é moral. Se o sujeito não acredita em chavismo ou não concorda com a literatura bolchevique que é obrigado a consumir em Brasília, vai para a geladeira. Hoje há pencas de diplomatas com a carreira emperrada por conta da “revolução cultural” no Itamaraty. Um escândalo.

Um deles é Paulo Roberto de Almeida, que serviu em Paris e Washington nos anos cruciais da retomada da credibilidade brasileira no mercado internacional. Intelectual sólido, de origem marxista e hoje um dos bons pensadores da economia contemporânea, ele tem a dizer o seguinte aos inimigos da globalização:

“Sei que eles, adotando um vocábulo de origem francesa, preferem chamar a si mesmos de ‘altermundialistas’. Mas como eles nunca apresentaram a arquitetura exata desse ‘alter’ mundo, vou continuar chamando-os de ‘antiglobalizadores’, até que eles apareçam com a receita do novo mundo.”

P.R. Almeida tem entre seus esportes prediletos demolir os mitos que associam a globalização à desgraça dos pobres. Ele adora demonstrar que o Consenso de Washington não tem nada a ver com essa ruína social que atribuem a ele: “Os países que mais crescem e que ostentam as menores taxas de desemprego são, justamente, os chamados ‘neoliberais’”, afirma o diplomata.

Se o Itamaraty amordaçou os não-alinhados, vamos aproveitar enquanto eles ainda não estão proibidos de pensar.

TOQUEDEPRIMA...

Os gastos do governo em 2006 e a as urnas
Por Rubens Valente, na Folha:

Os gastos do governo Lula no ano eleitoral de 2006 com transferências a Estados, municípios, ONGs e diretas ao cidadão, no valor total de R$ 140 bilhões, priorizaram saúde e assistência social, em detrimento de segurança pública, transporte, gestão ambiental e cultura, entre outras áreas.De acordo com levantamento feito pela Folha na base de dados Portal da Transparência (www.portaltransparencia. gov.br), mantida pela CGU (Controladoria Geral da União), as transferências para ações em saúde aumentaram 68% (de R$ 20 bilhões para R$ 35 bilhões), muito acima do aumento médio de 17% do total das transferências.A assistência social, que inclui o Bolsa Família, explorada pela propaganda na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cresceu 22,5%, atingindo R$ 9,1 bilhões.Na contramão do discurso do crescimento do governo em 2007, transferências para ações que envolvem obras e infra-estrutura despencaram. Na área dos transportes, os desembolsos caíram 20%, fechando com R$ 338 milhões.A pior performance entre as principais áreas foi a da segurança pública, que perdeu 58,4% de transferências.

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Anistiar Dirceu seria desrespeito ao Legislativo

Para o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), a manobra pela anistia do ex-deputado José Dirceu mostra o desrespeito do PT às decisões do Poder Legislativo, já que foi o plenário da Câmara que decidiu cassá-lo por comandar, segundo o Ministério Público, o esquema do mensalão. A iniciativa engendrada nas hostes petistas pode abrir as portas para que outros parlamentares cassados tomem o mesmo caminho, diz ele. "Essa manobra gera um precedente perigoso porque as comportas serão abertas, tornando a decisão soberana do Congresso e da Justiça tábula rasa", alertou.

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Aprovada compensação por perdas com Lei Kandir

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (06.02) a MP (Medida Provisória) que compensa Estados e municípios em R$ 1,95 bilhão por perdas causadas pela Lei Kandir (MP 328), que isenta de ICMS as exportações de produtos primários. Os deputados também votaram duas emendas propostas à MP pelo Senado.
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Como o texto original foi alterado, o projeto vai agora à sanção do presidente da República. A primeira emenda, que acaba com a cobrança da Cide (Contribuição sobre Intervenção do Domínio Econômico) sobre produtos de software, foi aprovada. A segunda, rejeitada, tratava da correção em 4,5% da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física.

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PFL na UTI
Da coluna Painel da Folha de São Paulo

"O PFL, que elegeu 65 deputados em outubro, está com 61 e pode chegar, ainda nesta semana, a 55. A cúpula tenta evitar que o número caia para menos de 52, o que levaria o partido a perder uma série de prerrogativas, como as de fazer obstrução e pedir verificação de quórum."
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"Na Bahia, pelo menos três pefelistas devem saltar do barco nos próximos dias. A explicação oferecida por eles aos dirigentes é singela: não dá para ser oposição simultaneamente à prefeitura de Salvador, ao governo da Bahia e ao governo federal. Pretendem se dividir entre as legendas da base de apoio a Lula."

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Pressão para segurar dólar
Da Folha de S.Paulo:

"Pressionado nos bastidores pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar conter a desvalorização do dólar, o Banco Central fez intervenções atípicas no mercado na semana passada. Entre quarta e sexta-feira, o BC comprou cerca de US$ 2,5 bilhões. Em dias normais, a média oscila entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões.

A Folha apurou que o BC tenta evitar que a moeda americana caia para menos de R$ 2,10, mas tem fracassado. O dólar terminou cotado a R$ 2,09 na sexta e ontem. O recuo de ontem foi de 0,48%, com a moeda americana fechando em R$ 2,095 para venda -o valor mais baixo desde 10 de maio de 2006 (R$ 2,056)."

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Cruzeiro e o fracasso da Política de Segurança de Lula
Por Mario Cesar Carvalho, na Folha:

Vista de Cruzeiro, cidade de 76 mil habitantes no interior de São Paulo, a Secretaria Nacional de Segurança Pública é um fracasso. O atestado do fracasso está no pátio da prefeitura: dois carros de polícia doados pelo governo Lula em 28 de junho do ano passado nunca rodaram.De nada adiantou Cruzeiro ser a cidade natal do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), a quem a Secretaria Nacional de Segurança é subordinada. Sete meses depois da doação, os documentos de dois Gol não chegaram. Outros dez carros de polícia estão parados em outras cinco cidades paulistas por razões burocráticas -a doação para o Estado de São Paulo não foi acertada.
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Cruzeiro é uma caricatura da maneira como a União distribui verbas em segurança -sobretudo, por causa do prazo. Mas o tipo de doação não é uma exceção, segundo levantamento do sociólogo Arthur Costa, professor da Universidade de Brasília, e do economista Bruno Grossi, obtido pela Folha.Ao analisar os recursos distribuídos pelo Fundo Nacional de Segurança Pública entre 2000 e 2005, a dupla constatou que carros, armamentos e outros tipos de equipamentos consumiram 86% dos recursos. Projetos inovadores de policiamento e capacitação receberam, respectivamente, 7% e 3% das verbas. Segundo os pesquisadores, foi distribuído R$ 1,74 bilhão nesse período.

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Presidente da OAB condena ‘anistia’ a mensaleiros

Cezar Britto, presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), afirmou nesta segunda-feira (05.02) que a população vai repudiar qualquer tentativa de conceder anistia política aos envolvidos no escândalo do mensalão. O recado foi claramente dirigido ao deputado cassado José Dirceu, que vê na eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara uma oportunidade para reaver seus direitos políticos.
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“Uma medida dessas seria uma manobra casuística que, se passasse, representaria uma nódoa para a democracia e um retrocesso inaceitável para a cidadania, que condenou expressamente o esquema de cooptação conhecido como mensalão", afirmou Britto.
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“Até pelas dificuldades políticas que a tese encerra, ela já nasce praticamente inviabilizada. Anistiar e não punir mensaleiros são erros que se equivalem, ambos enquadrados na mesma classe corporativa que tanto mal causa ao Brasil. O Brasil não merece a reprise do dramalhão político que pautou o parlamento em tempos tão recentes”, arrematou.

Lula e a hora da fatura

Valdo Cruz, Folha de São Paulo

Não há mais como fugir do tema. Até a eleição dos novos presidentes da Câmara e do Senado, Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu escapar das pressões por cargos no primeiro e segundo escalão do governo. Agora, perdeu os argumentos para postergar a nomeação de sua nova equipe de ministros e diretores de estatais.
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O grupo mais faminto é o que bancou a vitória de Arlindo Chinaglia (PT-SP) na disputa pela presidência da Câmara. Ele procura desconversar quando o tema é formação do novo ministério. Diz Chinaglia: "Se o presidente Lula disse isso mesmo [que o PT, por ter a Presidência da República e a da Câmara, terá de ser generoso e abrir espaço para os aliados], ele deu um recado claro. Eu não falarei mais em nome do PT. Como presidente da Câmara eu vou lá pressionar [o presidente]? Não irei. Sou presidente da Câmara".
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A despeito da declaração do novo presidente da Câmara, petistas e peemedebistas que articularam sua candidatura prometem apresentar uma fatura cara para garantir os votos necessários ao governo no momento de votar as medidas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
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Fossem apenas as pressões do PT e PMDB a vida de Lula seria fácil. O presidente, porém, terá de contemplar outros aliados. O grupo que apoiou a candidatura derrotada de Aldo Rebelo (PC do B, PSB e PDT) pode criar muitas dificuldades para o presidente se ficar relegado a segundo plano na distribuição de espaços no segundo mandato do presidente Lula.
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Sem esse grupo, formado por cerca de 70 deputados e 8 senadores, Lula não consegue aprovar com tranquilidade suas principais medidas no Congresso. Afinal, a aliança PT/PMDB elegeu Chinaglia com a ajuda das siglas mensaleiras, mas sozinha não reúne os votos necessários para bancar os projetos de interesse do governo Lula.
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Dentro do grupo que apoiou Aldo Rebelo, a avaliação é que PT e PMDB mostraram força ao eleger Chinaglia, mas o resultado final sinalizou também sua "fragilidade" quando estiverem em votação as medidas do governo Lula. "Ficou demonstrada a fragilidade deles. Eles chegaram a falar que teriam 350 votos. Mas com o apoio de toda cúpula do PT, PMDB, PR, PP e PTB, colocaram sobre nós apenas 18 votos. Ou seja, são incapazes de oferecer qualquer coisa ao governo sem a gente, esse é o nosso trunfo", diz reservadamente um aliado do comunista.
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Caberá a Lula administrar a disputa entre os dois grupos. Entre os pleitos peemedebistas está o Ministério da Integração Nacional, pasta ocupada no primeiro mandato por Ciro Gomes (PSB-CE) e hoje comandada por um aliado seu, Pedro Brito. Dependesse de Ciro, ele seria mantido no posto. Só que o PMDB gostaria de ter ali um representante de sua bancada na Câmara dos Deputados, responsável pela vitória de Chinaglia. A guerra pode ser sangrenta, mas Lula tem munição suficiente para forçar um armistício entre os dois grupos. Esse é seu trunfo para quitar a fatura.

Lealdade, sem subordinação
Ciro Gomes, por sinal, tem dito que realmente não deseja voltar para o governo. Segundo disse a um amigo, ele se manterá leal ao presidente Lula, votando com o governo, mas não deseja uma relação de subordinação. No ministério, não pode ter opinião publicamente. Fica limitado a fazer seus comentários internamente. Foi o que fez durante o primeiro mandato. Agora, diante de seus planos de disputar a Presidência em 2010, Ciro prefere evitar as limitações do cargo e ter liberdade para se posicionar mais sobre os rumos do governo.
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Chinaglia e suas prioridades
O novo presidente da Câmara diz que, em termos de projetos, marcará definitivamente sua gestão se atingir três metas: aprovar as reformas tributária e política e promover uma reorganização na legislação infra-constitucional. "Temos de trabalhar muito na legislação infra-constitucional. Há leis obsoletas e em desuso. Gostaria de reorganizar essa legislação, será um bom trabalho. Se votarmos as reformas tributária e política, marquei definitivamente a minha gestão."
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Promessa
Arlindo Chinaglia promete acelerar os trabalhos da Câmara, principalmente dos temas mais relevantes, mas sem atropelar os líderes partidários. Para atingir seu objetivo, sua receita é fixar um prazo para que as lideranças discutam com suas bancadas determinado assunto, mas com prazo determinado para votar. "Sou radicalmente contra ficar com temas importantes pendentes. Meu método vai ser dizer aos líderes: 'Qual vai ser o prazo que vocês querem para reunir suas bancadas e deliberar'. Dar um prazo para deliberar", diz Chinaglia. O novo presidente da Câmara afirma que pretende adotar o mesmo procedimento com o governo. "Vou avisar o líder do governo: 'Olha, nós vamos colocar em pauta', ou seja, vou consultar o governo, mas deixarei claro que colocarei o assunto em votação."
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Outros presidentes também prometeram tornar mais célere o trabalho da Câmara. Não conseguiram. A vez agora é de Arlindo Chinaglia. Ainda não é possível dizer que vai fracassar como os outros. É preciso dar um voto de confiança e cobrar depois.

Oposição quer processar Chávez por comemorar golpe

EFE

CARACAS - Um setor da oposição venezuelana pediu nesta segunda-feira à promotoria que abra um processo por apologia do crime contra o presidente Hugo Chávez, o ministro da Defesa, general Raúl Baduel, e outros civis e militares que comemoraram o aniversário do seu fracassado golpe de Estado de 1992.

Um dia depois do desfile militar que lembrou a tentativa liderada por Chávez contra o então presidente Carlos Andrés Pérez, o Comando Nacional da Resistência formalizou seu pedido.

Vestindo traje de campanha, com a sua característica boina vermelha e a faixa presidencial, Chávez disse no desfile que "a Revolução bolivariana é pacífica, mas não desarmada". "Essas armas estão nas mãos de vocês, soldados patriotas, para tornar realidade o sonho do povo e o mandato do povo, que é o caminho rumo ao socialismo do século XXI", afirmou.

O Comando foi o único grupo de oposição que formalizou seu pedido judicial, e até os seus líderes admitiram que são nulas as probabilidades de sucesso. Para eles, os membros da promotoria são governistas. Mas outros dirigentes da oposição acusaram Chávez de encorajar o crime e previram que o feitiço pode se virar contra o feiticeiro.

"Não pode dizer que nós, da oposição, somos os golpistas. No domingo, sem nenhum tipo de escrúpulos, liderou um vergonhoso espetáculo", disse Antonio Ledezma, do partido Aliança Bravo Povo. "Se amanhã os cadetes resolverem protestar contra a corrupção ou se em algum quartel alguém sair com um tanque, o primeiro responsável será o presidente", acrescentou.

O ex-capitão Carlos Buyón, um dos militares que participaram da tentativa de golpe e que hoje faz oposição a Chávez, concordou. Para ele, o presidente "legitima um golpe de Estado".

Luis Planas, secretário-geral do democrata-cristão Partido Copei, afirmou que Chávez tenta "manipular a história do país, tornando o 4 de fevereiro de 1992 um dia glorioso para os venezuelanos, e a verdade é que a partir daquela data se profundaram a deterioração e a decadência" do país.

Planas disse que a Força Arada Nacional (FAN) deve lembrar que seus membros usam armas "para defender a Constituição e não para caminhar rumo ao socialismo do século XXI".

Rescaldo da eleição da Câmara

Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa

Renan, Sarney, Jader, derrotados, Chinaglia e Geddel, vitoriosos

No momento, neste tumultuado e pretensiosamente programa identificado como PAC, a pior profissão é a de analista. (Bom mesmo é ser cientista político, têm a visibilidade enorme da televisão, enchem os ouvidos do cidadão com tolices colossais. Já aconselhei: como não podem fugir deles, ouçam e façam o contrário, não há como errar).

O resultado da eleição para presidente da Câmara complicou mais as coisas. Atribuíram a esse presidente tais Poderes que eles se julgam realmente personagens de primeira grandeza. Estou convencido que bom mesmo para o governo teria sido a vitória de Gustavo Fruet. Aldo e Chinaglia ficariam igualmente decepcionados, seria muito mais fácil amenizá-los, amaciá-los, acarinhá-los.

Fruet, presidente, sabia que não teria Poder algum acima do normal. E sendo ético, sério, correto, compreenderia imediatamente que a sua forma de favorecer o País e ajudar a governá-lo não seria hostilizando desabridamente o presidente Lula e sim coordenando o que deveria ou poderia ser coordenado.

O ministério ainda não saiu, por causa das dificuldades do pluripartidarismo, mas também da confusão DELIBERADA e PLANEJADA dos mais diversos grupos. Renan-Sarney (que devem ter se encontrado à noite, e mais Jader Barbalho, para examinar a situação) não estão satisfeitos com a vitória de Chinaglia. Os três votaram e trabalharam para Aldo Rebelo, perderam e não gostaram.

Aldo Rebelo, que teve 243 votos no segundo turno, está convencido de que LIDERA esse grupo, e então, não quer saber de ser ministro. Não há dúvida: comandar 243 deputados, muitíssimo mais importante do que ser ministro. Mas LIDERA?

Nesse setor político estão jogando mais do que na Bovespa. Amestrados garantiram ontem (e já haviam dito antes) que "Nelson Jobim será ministro da Justiça". Ora, isso não agrada a Renan, Sarney e até Dona Dilma. Sendo um tremendo "batalhador de si mesmo", Jobim ministro não deixará ninguém dormir, no PMDB ou no PT-PT.

Além do mais, Jobim ministro não agrada a Marcio Thomaz Bastos. Este sai por vontade pessoal, mas a pedido do próprio Lula não se desligará. Será um grande conselheiro, da mesma forma que Delfim no plano econômico-financeiro.

O grupo mais forte do PMDB, sabendo que Jobim quer ser ministro apoiado por governadores, pretende "diminuir o prejuízo", elegendo-o presidente do PMDB. Era um dos itens da conversa Renan-Sarney-Jader, que acabou muito tarde.

Vejam só: Chinaglia foi eleito com os votos do grupo do PT-PT, que hostiliza ou pelo menos não apóia Lula. E os 25 votos do PSDB que derrotaram Aldo foram dados a ele por ordem direta de Serra. Quer dizer: o que Chinaglia pode fazer? Está nervoso e revelou isso com a grosseria feita ao deputado Clodovil. Não podia ser tão deselegante e vulgar com um deputado de centenas de milhares de votos. E além do mais, num debate, Clodovil tritura Chinaglia.

E Michel Temer? O PMDB, que domina o partido apesar da divergência, não quer nada com ele. Temer ficou sempre contra, por que ser beneficiado? Além do mais, quase não se elegia. E no sistema eleitoral, não ter votos é suicídio.

Geddel Vieira Lima, excelente coordenador, CONTRA ou a FAVOR, teve grande votação, é habilíssimo, comentou com Moreira Franco, que cansou de ser deputado, não se candidatou: "Chinalia ganhou com um PT que não transa com Lula e com um PMDB sem diálogo com o presidente Lula". E Geddel foi um dos principais apoiadores de Chinaglia.

PS - Não acreditem no que estão publicando. Geralmente é exatamente o contrário. Nunca houve tanto jornalista (?) enterrado nesses metrôs político-eleitorais.

Meirelles: será ele o culpado?

COMENTANDO A NOTÍCIA:
Cabeças coroadas do PT concluíram nos últimos dias: ou Henrique Meirelles perde o emprego de presidente do Banco Central já, já, ou se rende às expectativas do partido e dos setores que ele tenta representar e dá um jeito para que a taxa de juros caia mais depressa.
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Se reduzissem o juro a zero por cento na semana que vem, quanto o país cresceria até dezembro de 2007 ? E qual a segurança que se tem que este crescimento se confirmaria e se sustentaria no médio prazo ? E, afinal, por que os juros são altos ? Apenas por causa da má vontade do Banco Central ? A raiz do problema dos juros encontra-se presa em dois pólos: de um lado, o controle da inflação. Muito bem, como vemos, este dragão está domado e, pelos menos na aparência, não nos põe medo. Não no curto prazo. De outro lado, a necessidade de financiamento da dívida pública. Gastamos além da medida exata, e precisamos tomar dinheiro para aumentá-la e fechar as contas.

Muito bem, imaginemos que o país baixe a seguinte determinação: a partir de hoje fica proibida a emissão de títulos de dívida pública, e os juros estão banidos do território nacional. Claro, se você não precisa mais de um manco e o dispensa, não precisará mais da bengala que o sustenta, ok? Convido a qualquer um a raciocinar e divagar à vontade sobre o que aconteceria com a economia do país ! Primeiro que, não podendo mais rodar a baiana da dívida como faz hoje, nas respectivas datas de vencimento o governo teria que pagar o montante da dívida que vencer. Agora imaginem os senhores, o que seria sangrar o país em 1,380 trilhão de reais, que é o que o governo deve ! Querem ver um detalhe interessante: no orçamento deste ano, o governo destinou cerca de 60 bilhões para investimentos dentro do famoso PAC. E olhem que a maioria das “realizações” se tratam de obras em andamento ! Este montante de 60 bilhões, é o quanto o governo pode destinar de tudo o que arrecada para investir. Como teríamos que pagar uma média anual de 138,0 bilhões, por dez anos, para zerar a dívida, e sem o instrumento da rolagem, representa dizer o seguinte: primeiro, deixaríamos de investir. Não sobraria dinheiro para tapar um mísero buraco, mal e porcamente de uma rodovia. Nossa infra-estrutura, hoje em frangalhos, simplesmente, desaparecia. Não teríamos estradas, portos, ferrovias, tudo viraria uma sucata só, e não poderíamos crescer nada além de míseros 2,0 % ao ano, durante dez anos, porque faltaria energia elétrica. Não haveria como construir uma única usina, ou sequer terminar as que se encontram em obras. E este não é ainda o pior. Como hoje o governo só tem a metade do que deveria pagar, teria ainda que eliminar toda e qualquer despesa atual para arranjar os outros 78,0 bilhões anuais para pagar o restante da parcela anual da dívida ! Ou aumentar ainda mais a carga tributária. Aumento a ser realizado num país sem crescimento real de sua economia. Dá prá imaginar a conseqüência disto tudo?

Então, é bom que o PT por seus “economistas” primeiro pensem no bem do país, e não apenas no bem de seu discurso político, que o mais das vezes, está longe e dissociado das realidades de um país do tamanho e com os problemas do Brasil.

Durante anos estamos assistindo este interminável e já aborrecido filme de quem os culpados pelo país não crescer são os outros, e nunca nós mesmos. No próprio governo Lula, antes era FHC, depois passou a ser Palloci, agora é o Meirelles. Depois, quem virá ?

Então, com um pouco mais de equilíbrio emocional e bom senso, pondo as idéias no lugar exato, o que podemos dizer é que uma política econômica é feita de várias amarras e âncoras. O governo do presidente Lula só não deu com os burros n’água até agora, não por seus méritos de condução mas sim pelos ventos favoráveis da economia mundial. Não fosse isto, o país já estaria vivendo um circo de horrores. A começar pela agricultura, depois pela desindustrialização, desemprego, falências e quebradeira em geral.

Claro que Palloci teve a sensatez de manter intocável a política econômica herdada de Pedro Malan. Soube perceber que ela se sustentava e que dava a estabilidade necessária para o país, aos poucos, ir realizando pequenas alterações de rota capazes de provocar um crescimento em escala maior. Como também soube dar um recado ao mercado, então temeroso, que o governo Lula não rasgaria contratos e cumpriria acordos. Contudo, como a turma que está hoje ao lado de Lula, nenhuma participou diretamente da construção dos elementos que compõem a política de estabilidade advinda com o Plano Real, eles apenas gozam dos benefícios da estabilidade, sem a menor competência de, primeiro explicá-la, segundo, de lhe corrigir a rota sem comprometer a estabilidade alcançada. Como poderiam então advogar as mudanças necessárias sem provocar turbulências ?

Crescimento não se faz por decreto ou apenas pela ação da vontade pessoal de governantes. É preciso lançar as bases necessárias para que este crescimento acabe acontecendo de forma natural. Não basta dizer “não faço por causa dos direitos adquiridos”, “não faço aquilo porque não vou cortar benefícios e privilégios”. É preciso sim pagar um preço político para colocar em curso mudanças e medidas até mesmo impopulares, porém indispensáveis. No final todos acabam ganhando e recuperando as prováveis perdas. Como sempre disse, quem quer o bônus, que arque com o ônus. E se prejuízos houver, serão localizados, bastando o governo entrar em cena com políticas compensatórias. E é justamente aí nesta equação que o PT parece não ter se enquadrado. Seja o partido, ou seja governo, é preciso entender que a política se faz em beneficio do país. E não apenas para assegurar perenidade aos partidos que a implementam.

Portanto, Meirelles não é nem nunca foi o xis da questão emblemática do nosso não crescimento. A raiz deste crescimento não haver acontecido está, de um lado, na falta de investimentos em infra-estrutura e educação básica e de formação e qualificação profissional. Isto é histórico, não é de agora, vem de alguns, antes de FHC, inclusive. Aqui, entendam: tais investimentos, contudo, produzem resultados apenas para médio e longo prazos. De outro lado, políticas fiscais duras, capazes de conter a expansão de gastos correntes, reduzindo a dependência do governo na emissão de títulos de dívida. Isto abre espaço sim para redução dos juros. Onerar sim, o ingresso ou a rentabilidade nas aplicações financeiras. Redução de carga tributária, segurança jurídica para investimentos, eliminação de barreiras burocráticas, e simplificação dos processos de arrecadação. Haverá outro leque de ações e medidas, mas estes em si já resultariam em abertura de novas empresas e incentivos a outros investimentos em atividades produtivas, aumentando a geração de emprego e renda. Mas, se não cortar a sangria de gastos correntes, em sua maioria com enorme desperdício além dos desvios oriundos da corrupção, não chegaremos a lugar algum. E se não for assim, que o Lula e seu petê tratem de ir amontoando culpados. Saiam à caça de novos personagens. Vão precisar. E daqui 10, 15 ou até 20 anos, ainda estaremos discutindo as razões para crescimentos baixos, sem entender os porquês de não darem certo as políticas de governo.
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As respostas, como se viu, são simples e diretas. A questão, portanto, que se coloca é: estará o petê disposto, em nome de encaminhar o país para a modernidade, a sacrificar-se a si mesmo, pagando o preço político necessário, através de um bem fundamentado processo de consolidação de reformas ? Sinceramente, não acredito que o petê, por seus atuais dirigentes, nem mesmo pelo presidente, consiga ter tal desprendimento. Poderiam até me surpreender. Porém, apesar seus mais de 25 anos de existência, não se percebe que tenham amadurecido o suficiente para tanto.
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Em conseqüência, poderá ter de pagar o mesmo preço político, pela ação inversa, por ter deixado de fazer. Omissão, neste caso, com todos os alertas e tendo todas as informações e poderes necessários, seria muito pior, e ainda, indesculpável.