Xico Vargas, NoMínimo
Vamos ver se deu para entender: quer dizer que chamaram o inspetor Felix dos Santos Tostes para saber se ele é ou não chefe da mineira, a milícia que administra a favela Rio das Pedras? Mas logo o Felix? E por que se fez isso agora? E por que não ao longo dos últimos 20 anos, período em que essa favela deve sua paz à administração de uma milícia? Por que o governo é novo? Não.
Fez-se porque o marketing é hoje o mais importante instrumento de ação política. Vamos fazer aqui um exercício: Rio das Pedras é uma favela de sucesso; o comércio é extraordinariamente forte; os bares e restaurantes, como na cidade formal, funcionam até a madrugada; tem escola, posto de saúde e até ponto final de linha interestadual de ônibus; não tem assalto, rinha de galo, nem garoto fumando maconha pelas esquinas; por último, pode-se dizer também que não tem tráfico de drogas, mas isso em relação ao lugar já não tem a menor importância por muito velho.
Continuando: o prefeito sempre manifestou simpatia por soluções que ponham por terra quadrilhas de traficantes; grupos semelhantes ao que guarnece do tráfico Rio das Pedras e adjacências já tomaram 92 favelas da cidade e continuam avançando; esse movimento tem despido as polícias (mais a PM) do embuste que sempre as revestiu, para concluir-se que não acabaram antes com o tráfico porque não interessava. Sempre deu mais lucro e menos trabalho achacar traficantes, como fizeram muito na Rocinha grupos do 23º Batalhão da PM, aquele ali do Leblon.
A chamada Força Nacional de Segurança ainda não disse a que veio e já foi mandada para novo treinamento; não fossem as milícias, a polícia regular não teria conseguido tirar um morro sequer do controle do tráfico; a simpatia da classe média e da elite pela ação das milícias preocupa menos pelo que essas forças podem representar de terror adiante do que pelo eleitorado que terão nas mãos.
Vai daí, chamar o Felix para perguntar se ele é o dono do lugar onde tudo começou serve como freada de arrumação antes que esses movimentos saiam completamente do controle. É muito mais fácil do que botar no xilindró o oficial que permitiu a saída e o motorista do Caveirão, o blindado que ofereceu escudo ao avanço da milícia na invasão da favela em Cidade Alta.
Se Felix é ou não o capa-preta de Rio das Pedras há controvérsias. Mas há um fenômeno a respeito do qual ninguém tem dúvida: entre a ponte do Joá, no início do Itanhangá e a estrada do Engenho D’água, já no Anil, são pouco mais de 10 quilômetros de uma das áreas mais seguras da cidade. E não é a polícia que garante isso.
Vamos ver se deu para entender: quer dizer que chamaram o inspetor Felix dos Santos Tostes para saber se ele é ou não chefe da mineira, a milícia que administra a favela Rio das Pedras? Mas logo o Felix? E por que se fez isso agora? E por que não ao longo dos últimos 20 anos, período em que essa favela deve sua paz à administração de uma milícia? Por que o governo é novo? Não.
Fez-se porque o marketing é hoje o mais importante instrumento de ação política. Vamos fazer aqui um exercício: Rio das Pedras é uma favela de sucesso; o comércio é extraordinariamente forte; os bares e restaurantes, como na cidade formal, funcionam até a madrugada; tem escola, posto de saúde e até ponto final de linha interestadual de ônibus; não tem assalto, rinha de galo, nem garoto fumando maconha pelas esquinas; por último, pode-se dizer também que não tem tráfico de drogas, mas isso em relação ao lugar já não tem a menor importância por muito velho.
Continuando: o prefeito sempre manifestou simpatia por soluções que ponham por terra quadrilhas de traficantes; grupos semelhantes ao que guarnece do tráfico Rio das Pedras e adjacências já tomaram 92 favelas da cidade e continuam avançando; esse movimento tem despido as polícias (mais a PM) do embuste que sempre as revestiu, para concluir-se que não acabaram antes com o tráfico porque não interessava. Sempre deu mais lucro e menos trabalho achacar traficantes, como fizeram muito na Rocinha grupos do 23º Batalhão da PM, aquele ali do Leblon.
A chamada Força Nacional de Segurança ainda não disse a que veio e já foi mandada para novo treinamento; não fossem as milícias, a polícia regular não teria conseguido tirar um morro sequer do controle do tráfico; a simpatia da classe média e da elite pela ação das milícias preocupa menos pelo que essas forças podem representar de terror adiante do que pelo eleitorado que terão nas mãos.
Vai daí, chamar o Felix para perguntar se ele é o dono do lugar onde tudo começou serve como freada de arrumação antes que esses movimentos saiam completamente do controle. É muito mais fácil do que botar no xilindró o oficial que permitiu a saída e o motorista do Caveirão, o blindado que ofereceu escudo ao avanço da milícia na invasão da favela em Cidade Alta.
Se Felix é ou não o capa-preta de Rio das Pedras há controvérsias. Mas há um fenômeno a respeito do qual ninguém tem dúvida: entre a ponte do Joá, no início do Itanhangá e a estrada do Engenho D’água, já no Anil, são pouco mais de 10 quilômetros de uma das áreas mais seguras da cidade. E não é a polícia que garante isso.