quinta-feira, outubro 04, 2018

Lições e saudade de um democrata chamado Juscelino Kubitschek

Sebastião Nery
Tribuna da Internet


JK era chamado de “O Homem que Ri”

Ninguém me contou, eu vi. Foi há muito tempo, na década de 50. Eu morava, estudava e trabalhava em Minas como jornalista político (“O Diário”, “Diário da Tarde” e “Jornal do Povo”). Juscelino havia resistido ao golpe que levou Getúlio Vargas ao suicídio em 24 de agosto de 1954 e era candidato natural do PSD, do PTB e das esquerdas à Presidência da República, em 1955.

Todos os dias, invariavelmente, íamos ao Palácio da Liberdade ver o governador e saber o que havia no país e em Minas. Juscelino era um forte sitiado. A UDN mobilizou um cerco nacional no Congresso, na imprensa e sobretudo nos quartéis para vetar e impedir a candidatura de JK. Ele nunca perdeu o sorriso aberto com os olhos apertados.

UM GUERREIRO – Enfrentou tudo: a oposição desvairada de Lacerda na imprensa, o jogo duplo, às vezes triplo, de Assis Chateaubriand e Roberto Marinho nos seus jornais e televisão e, sobretudo, a resistência de uma banda do PSD dentro do seu partido, a começar por Benedito Valadares, em Minas.

Para comemorar os 116 anos de nascimento de JK, agora dia 12 de setembro, vale lembrar a grande virtude de JK cantada em verso e prosas, hoje, pela classe política brasileira:

Juscelino era um determinado. Sem condições materiais, estudou, formou-se e se aperfeiçoou em medicina em Paris. Nunca olhou para trás. Sempre para frente.

ARTILHARIA – O que a UDN fez, naquela época, para detonar a candidatura de JK pareceria hoje inacreditável. Só não era pior do que a artilharia do PT hoje. Como vimos em Juiz de Fora essa semana com o atentado ao líder nas pesquisas à Presidência da República.

A UDN de Minas, achando pouco ter quase a unanimidade da imprensa nacional, ainda criou um jornal de luta, bem feito, bem escrito, com dinheiro à vontade: “Correio do Dia”. Nele escreviam os líderes nacionais da UDN como os de Minas, a maioria nossos brilhantes e queridos professores nas faculdades de Direito e de Filosofia.

JK OS DERROTOU – Nas salas de aula, eram sábios varões gregos. Nos palanques e jornais, demônios: Pedro Aleixo, Milton Campos, J M de Carvalho, José Cabral, Horta Pereira, Afonso Arinos, tantos outros. Pareciam imbatíveis, no entanto foram derrotados todos, um a um, e mais seus aliados Magalhães Pinto, Zezinho Bonifácio, pelo determinado JK.

Para ganhar tiveram que rasgar a história libertária de Minas, inclusive o valente Manifesto dos Mineiros, de 1943, indo buscar nos quartéis os generais hoje envergonhados do golpe de 1964. JK resistiu a tudo, venceu dentro de seu partido, o PSD, ganhou o apoio dos trabalhistas e da esquerda e, em outubro de 1955, elegeu-se Presidente.

UNIÃO EM MINAS – Em 1955, a UDN dizia que Minas “massacraria” Juscelino na eleição. Quem garantiu a vitória de JK com 36,8% dos votos nacionais (não havia segundo turno, o mais votado do primeiro era o eleito) foi a votação esmagadora que Minas deu a Juscelino, anulando a vitória de Adhemar de Barros, em São Paulo, e de Juarez Távora, no Rio. Assim como Minas e tirando Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o resto do País também deu a vitória a Juscelino.

Agora, em 2018, a eleição bate novamente à nossa porta. O Brasil cansou de conviver com as maracutaias e falcatruas de Lula, da Dilma e do PT com escândalos como do Mensalão, do Petrolão, do BNDES e tantos outros que surpreenderam até os fundadores do Partido.

ORCRIM DE LULA – Agora a nação já sabe que o PT (Lula, Dilma, Gleisi, José Dirceu, Palocci, Vaccari, Haddad e toda direção nacional) instalou na Petrobrás e nas empreiteiras amigas a mesma “organização criminosa” que a Polícia Federal, o Ministério Público, o juiz Sérgio Moro e os Tribunais Superiores denunciaram, condenaram e prenderam.

As investigações mostraram que Lula, o operário do ABC, descobriu o dinheiro. O triplex de Guarujá e o sítio de Atibaia, o contubérnio com as empreiteiras e, mais grave, o escândalo dos escândalos que está surgindo agora nas lanternas da Lava Jato: os 50 bilhões de dólares do BNDES distribuídos com os ditadores amigos e em propinas externas.

Saudade do democrata Juscelino Kubitschek de Oliveira.


O juiz e os jornalistas

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

Em vez de se discutir o conteúdo da decisão de Moro, critica-se o momento, a suposta precipitação

Dizem que o juiz Sergio Moro não deveria ter levantado o sigilo da delação de Antonio Palocci neste momento, a apenas uma semana da votação, porque isso foi uma interferência política indevida na disputa eleitoral — interferência obviamente contra a candidatura do PT. Mas, se levando isso em consideração, o juiz resolvesse adiar sua decisão para depois da eleição, isso seria o quê? Interferência política na direção contrária, para ajudar ou ao menos não atrapalhar a campanha do PT.

Guardadas as proporções, é mais ou menos como o jornalista que tem uma notícia cuja publicação vai interferir na eleição. Se ele adiar a veiculação por conta disso, estará tomando partido. Dirão: mas se publicar também estará tomando partido.

Errado. Exatamente para evitar esse tipo de dilema, e esse tipo de participação política indireta, nossa regra de bom jornalismo é muito clara. A notícia está pronta? Publique já.

Do mesmo modo, se o juiz já firmou sua convicção e chegou a uma decisão, então que vá em frente.
Se não fosse assim, não haveria Lava-Jato, pois tudo de que trata ali — da apuração até a sentença —tem óbvia e enorme interferência política.

Aliás, vai por aí a defesa de muita gente apanhada pela operação. Dizem que houve uma destruição da política, absolutamente inoportuna, e que isso compromete a democracia.

Para ser justo, o pessoal costumava fazer a ressalva: o problema estaria nos exageros da Lava-Jato, dos policiais, promotores e juízes. Entre esses exageros estaria a realização de operações em momentos inadequados, digamos, como nas proximidades das eleições.

De uns tempos para cá, entretanto, esse movimento foi esquecendo as ressalvas. Quer dizer, passou-se a dizer que toda a Lava-Jato foi um exagero. Logo, deve ser barrada o quanto antes.

Faz parte dessa tática centrar as críticas na periferia das questões. Por exemplo: em vez de se discutir o conteúdo da decisão de Moro, critica-se o momento, a suposta precipitação. Chega-se a esquecer o teor da delação para se discutir se deveria ou não ser tornada pública.

Não por acaso, é a mesma crítica, o mesmo ataque que muitos jornalistas e veículos estão sofrendo. Os que são de algum modo atingidos pela notícia não se defendem de seu teor, não tratam de apontar equívocos, mas acusam supostos interesses ocultos, conspirações de secretos sistemas.

Não é uma tática nova — desclassificar o emissor da informação. Por isso mesmo, nós, jornalistas, sabemos identificá-la de longe. Dizem que a gente só publica algo ou deixa de publicar porque tem um interesse oculto. A resposta é: pois apontem onde está o erro da notícia, onde está a fake news.

Deveriam todos saber que o maior temor dos jornalistas sérios é passar uma informação errada. Até por razões econômicas. Os jornalistas e os veículos vivem de prestar boa informação. Se falham nisso, vai-se a credibilidade e, claro, o honesto ganha-pão.

Do mesmo modo com a Lava-Jato. Ela teria fracassado não por exageros, mas por uma investigação malfeita e processos atropelados. Não foi o que se passou. O exagero foi da corrupção. Os caras de Curitiba iniciaram um processo que apanhou o maior escândalo corporativo e político do mundo contemporâneo.

Assim como a imprensa séria e independente tornou-se cada vez mais atrevida com as autoridades.

Ainda bem.

Dólar Haddad

Pessoal surpreendido com a queda do dólar depois das pesquisas de segunda e terça-feira. Era previsível.

O dólar a R$ 4,15 refletia o temor com a forte ascensão de Haddad e a possibilidade, por menor que fosse, que o PT e a nova matriz voltassem ao governo.

Afastada essa possibilidade, o dólar cai, a bolsa sobe. Isso é para o momento. E é uma simplificação no limite, pois para que o movimento fizesse sentido a médio prazo seria preciso que o outro lado, Bolsonaro, representasse um claro programa reformista. O que não é o caso.

Mas o do PT é declaradamente antirreformista. Para o mercado, serve. Por ora.

O sonho mirabolante

William Waack
 O Estado de S.Paulo

O ‘nacional-desenvolvimentismo’ do PT é parte de ideário nacional quase, infelizmente, ‘atávico’

São espetaculares os termos da delação do ex-ministro Antonio Palocci cujo sigilo foi levantado pelo juiz Sérgio Moro. Não chegam a ser exatamente “revelações”, mas comprovam de maneira assombrosamente clara como foi produzido o desastre no qual se enfiou o Brasil. Catástrofe na qual o PT e seu chefão, Lula, tiveram papel de liderança e conduta, mas que envolveu amplos círculos do mundo da política, dos negócios, da economia e setores importantes da sociedade civil.

Não, não é a parte que fala de propina, ilicitudes, grana correndo por dentro e por fora e os mais variados crimes de corrupção. É a parte, no anexo 1 da delação, na qual Palocci relata como a descoberta do pré-sal levou Lula, em 2007, a ter “sonhos mirabolantes”. E como o governo vislumbrava um país riquíssimo, e, para isso, se determinava a construção de 40 navios sondas – e a consequente “fundação” de uma indústria naval completa – para a nacionalização e desenvolvimento do projeto do pré-sal, pelo seu interesse social e pela possibilidade de alavancar a indústria nacional.

Estão aí os elementos centrais (políticos, sociais e econômicos) do “nacional-desenvolvimentismo”, que é, talvez, o pior conjunto de ideias capaz de explicar a baixa produtividade, a baixa competitividade, o atraso relativo e a distância que o Brasil vê aumentar em relação às economias avançadas, tanto pelo ponto de vista das nossas relações de trabalho e sociais quanto à nossa capacidade de participar da era da geração do conhecimento.

O “nacional-desenvolvimentismo” dos militares ainda tinha um componente focado em infraestrutura e ocupação de território, enquanto o “nacional-desenvolvimentismo” do lulopetismo desandou para a “nova matriz econômica” dos subsídios, proteções, controle de preços (mais prejudicial à Petrobrás que a totalidade da grana desviada pelos companheiros do PT, PMDB e PP) e anabolizantes de consumo via crédito.

Impossível dizer que os “sonhos mirabolantes” do então presidente fossem delírios saídos de uma só cabeça. O “nacional-desenvolvimentismo” do PT vem de uma longa tradição que capturou também cabeças pensantes do mundo empresarial, acadêmico e político. É parte de um ideário nacional quase, infelizmente, “atávico” e com raízes já anteriores ao varguismo. E seu retrato 3 x 4 moderno só poderia ser o de Dilma Rousseff – para ser colocado na parede com a legenda: “esta é a cara do nacional-desenvolvimentismo”.

Nestas eleições, nas quais a corrupção (com razão) e a insegurança pública (com razão) ocupam um espaço tão importante na maneira como os eleitores encaram os candidatos, ficou em plano muito inferior qualquer debate sobre o conjunto de ideias, sobre o “sonho mirabolante” transformado em pesadelo – e nem estamos falando de seus aspectos éticos e morais. Por mais paradoxal que pareça, dadas a profundidade e a abrangência do fracasso econômico, uma relativamente gigantesca fatia da sociedade é sensível às mesmas promessas e aos mesmos postulados ligados ao atraso, à ineficácia, à estagnação.

Para muita gente, muita mesmo, é mais fácil encarar as mazelas do momento como o resultado da ação de políticos incompetentes, perdulários, corruptos e que agem apenas em benefício do próprio bolso ou de seus grupos. E que uma vez lavado tudo isso a jato, as coisas voltam a funcionar e o País a crescer e a gerar prosperidade. É um grave engano, mas quem disse que elites inteiras não se enganam?

Candidatos diferentes? Só daqui a quatro anos.

Percival Puggina. 

 Há pessoas contrariadas com o cenário da eleição presidencial. Expressam desagrado em relação aos dois candidatos que lideram as pesquisas. Parecem querer opções diferentes, outros candidatos, outros eleitores, outras pesquisas, outras urnas, outra mídia. Outro país, enfim. É a carrancuda fauna dos isentões. Sairão do pleito aborrecidos, mas com luvas brancas e sapados polidos.

Outras há que desejariam melhores perspectivas eleitorais para alguém, digamos, loquaz como Meirelles, popular como Amoêdo e Alvaro Dias, ou seguro e combativo como Geraldo. Ah, o Geraldo! “O Geraldo teria mais chances!”, dizem alguns. Pois é, só faltou combinar isso com ele, seus partidos e eleitores.

Geraldo Alckmin foi ungido candidato por um elenco de nove siglas integrantes do congestionado Centrão, cujas bancadas na Câmara dos Deputados somam 266 parlamentares. Mais da metade do plenário! Esse robusto apoio proporcionou à sua campanha o maior volume de recursos financeiros e o maior tempo de TV. Mesmo assim, a candidatura não sintonizou senão com uma pequena parcela da população, insuficiente para levá-lo ao segundo turno.

A campanha do tucano cometeu erro gravíssimo. Tendo saído no encalço de Bolsonaro, em vez de compreender quais os atributos que o faziam pontear a disputa presidencial num voo solo, decidiu derrubá-lo alvejando-o insistentemente. Por sua formação, Alckmin talvez pudesse repartir com Bolsonaro o interesse pela proteção das crianças (e de sua inocência). Poderia, também, sair em defesa da instituição familiar, de professores que ensinem e estudantes que estudem. Poderia posicionar-se vigorosamente em favor da Lava Jato, do combate à criminalidade e à impunidade, bem como do cumprimento integral das penas e do fim do desarmamento.

Poderia opor-se com firmeza à ideologia de gênero e ser muito explicitamente antipetista. Poderia apresentar-se como um candidato conservador e liberal.

Poderia, poderia, mas isso seria pedir demais a um catecúmeno do “progressista” Fernando Henrique Cardoso. O tucanato rejeita os dois adjetivos. Quando o PT fazia oposição ao PSDB, a expressão mais usada para desqualificá-lo era justamente a de ser o partido neoliberal ou liberal. E a acusação realmente doía porque não era assim que o partido se via ou queria ser visto. Quanto a ser conservador, definição que a maior parte da população provavelmente faz de si mesma, sofre total rejeição num grupo cujos líderes históricos vieram da esquerda do PMDB.

Não foi apenas por falta de carisma do candidato tucano que a maior parte de sua base entornou para Bolsonaro. O principal erro residiu no ataque a quem fala sobre angústias da população, sem levar em conta que seus tiros atingiam, também, a própria sociedade em seus anseios reais.

Não sei o que sairá das urnas no pleito presidencial. Se não confio (embora não as desconsidere) nas pesquisas de primeiro turno, não vejo porque levar em grande conta as de segundo turno, se ele ocorrer. Em todo caso, recomendo que o voto parlamentar seja cuidadosamente selecionado com vistas a uma saudável renovação e conferido a candidatos dignos, com perfil conservador e liberal. Em qualquer desfecho, eles serão indispensáveis.

Números do desastre petista

Editorial
O Estado de S.Paulo

A trágica herança deixada pelos últimos anos da era lulopetista fica evidente nos dados do IBGE. Em 2016, o Brasil perdeu 70,8 mil empresas, o que resultou na demissão de 1,6 milhão de pessoas

A trágica herança deixada pelos últimos anos da era lulopetista na economia fica evidente também nos dados sobre a demografia das empresas que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acaba de divulgar. Em 2016, último ano da desastrosa passagem de Dilma Rousseff pela Presidência da República, o Brasil perdeu 70,8 mil empresas, o que resultou na demissão de 1,6 milhão de trabalhadores. É o que mostra o estudo Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo 2016 divulgado pelo IBGE.

O fato de esse ter sido o terceiro ano consecutivo em que o saldo total de empresas em operação no País foi negativo comprova, com estatísticas expressivas sobre a deterioração do ambiente empresarial, o que outros indicadores já mostravam. A crise que afetou duramente o País começara efetivamente em 2014. Foi o ano em que, escondendo dados sobre a realidade da economia e das finanças públicas e fazendo promessas que jamais poderia cumprir, Dilma iludiu boa parte do eleitorado e conseguiu sua reeleição.

As mentiras com que Dilma e sua companheirada animaram a campanha eleitoral tinham pernas curtas, a recessão se instalou, as pedaladas fiscais com que o governo petista tentou esconder a gravidade da crise das contas públicas se evidenciaram e a presidente, afinal, foi definitivamente afastada do cargo no dia 31 de agosto de 2016. Os efeitos de sua danosa gestão, porém, persistiram por vários meses após seu impeachment. Desse modo, comprometeram o início do governo de seu sucessor legítimo, Michel Temer, a despeito do esforço deste para iniciar um severo controle das contas públicas destroçadas nos anos anteriores.

Em 2016, havia 4,5 milhões de empresas ativas, que ocupavam 38,5 milhões de pessoas, das quais 32,0 milhões eram assalariadas e 6,5 milhões, sócias ou proprietárias. Em relação ao ano anterior, o saldo total de empresas caiu 1,6% e o total de pessoal assalariado, 4,8%.

A taxa de entrada das empresas no mercado, que mede a proporção de empreendimentos iniciados no ano em relação ao universo total das empresas, por sua vez, caiu pelo sétimo ano consecutivo. Essa taxa fixou em 14,5% em 2016, o menor valor da série iniciada em 2008. Isso sugere que, no Brasil, os efeitos da crise financeira mundial de 2008 - que afetaram a disposição de empreender em todo mundo durante algum tempo - se estenderam por um período mais longo em razão das imensas dificuldades que a equivocada política econômica do governo Dilma impôs à atividade empresarial.

O impacto negativo dessa política econômica foi particularmente notável nas estatísticas sobre as empresas consideradas de alto crescimento. São as empresas que desempenham um papel socioeconômico mais relevante, pois estão nessa classificação aquelas que aumentaram o número de empregados em pelo menos 20% ao ano, em média, por três anos consecutivos e tinham 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas no ano inicial da classificação. Entre 2015 e 2016, o número dessas empresas diminuiu 18,6% e seu pessoal assalariado caiu 23,5%. Mesmo assim, embora representassem apenas 0,9% do total do universo das empresas, elas ocupavam o equivalente a 8,3% de todo o pessoal assalariado.

O forte impacto social negativo dos últimos anos do governo de Dilma é nítido também nas taxas de desocupação aferidas regularmente pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, também do IBGE. Essa taxa é a média do trimestre móvel encerrado no mês de referência. Ela começa a subir no trimestre encerrado em janeiro de 2015, primeiro mês do segundo mandato de Dilma, quando ficou em 6,8%. Um ano depois, já estava em 9,5%. A deterioração do mercado de trabalho em consequência da recessão provocada pelos equívocos da política econômica petista se acentuou nos meses seguintes, até alcançar seu ponto máximo em março de 2017, quando chegou a 13,7%.

São números que o eleitor deveria levar em conta quando for depositar seu voto domingo.