terça-feira, setembro 18, 2007

A imprevidência irresponsável

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Vimos que o Brasil insiste em não priorizar a educação. Educação de qualidade, em condições otimizadas. Basta este exemplo: por ano, formamos milhares de jovens nas faculdades, os quais de diploma na mão, não encontram emprego que os admita para o exercício do ofício conquistado. Paralelamente, deixamos de formar, ou formamos em número bastante baixo, técnicos formados em áreas de tecnologia de ponta. A característica do ensino profissionalizante no Brasil está centrado muito mais na área de humanas do que na de exatas. E se vocês fizerem um levantamento, irão constatar que é muito mais fácil abrir uma faculdade por exemplo direito do que de eletro-técnica. E continuamos a reprisar este erro.

Vimos também que a educação no Brasil além da falta de prioridade, é de muito baixa qualidade. E estamos falando no nível do ensino fundamental onde se aprende as quatro operações básicas, e a escrever no idioma pátrio. De um lado, a baixa remuneração que acaba desqualificando e desestimulando os professores. De outro, as péssimas condições físicas das escolas, onde a regra é a falta dos meios mais elementares como giz por exemplo.

Do lado dos serviços de saúde, o Brasil consegue piorar a cada ano. E nem venham com estatísticas chinfrins e manipuladas: basta a visita em qualquer posto de saúde ou pronto socorro. Ou mesmo, a tentativa de se realizar uma consulta médica, acompanhada no dia imediato de um exame, e um retorno ao mesmo médico já com os exames realizados no prazo de no máximo sete dias. Isto que seria o normal, no Brasil é exceção. Se consegue sim, mas se você pagar por toda a caravana. A depender do serviço público, acontece o que temos visto: o cidadão literalmente morre à míngua sem sequer ser atendido.

Olhando para a infra-estrutura, a coisa então assume proporções absurdas. Veja-se o caso das rodovias. Desde 2001, o governo federal arrecadou cerca de R$ 43,0 bilhões com a CIDE, cobrada sobre cada litro de gasolina consumido no país. O objetivo da CIDE? Recuperar a malha rodoviária do país e expandi-la. Respondam rapidamente: quanto vocês acham que deste total foi aplicado efetivamente no propósito real com que foi criada a taxa-extra? Pois é, basta trafegar estradas afora, e já se terá a resposta. Do mesmo modo, a tal CPMF. De 2003 para cá, portanto sob o império do atual governo, foram cerca de R$ 150,0 bilhões que, teoricamente, deveriam ser canalizados para a saúde. E, como sabemos, a saúde pública encontra-se na UTI, com falência múltipla de órgãos.

Recentemente, o país comemorou a contratação do funcionário público número 1 milhão. Só de janeiro de 2003 para cá, já foram admitidos pouco mais de 230,0 mil novos funcionários. Cobrado sobre este número, Lula justificou como sendo necessidade para qualificação do serviço público. Ora, no estado em que se encontra a Saúde, a Educação e Infra-estrutura é de se perguntar em que toca esta turma se escondeu, uma vez que os serviços descritos apenas pioraram. E muito !!! Para um país cujo PIB cresce na média de 3,0% anuais, nos últimos quatro anos, o avanço de 46% nos gastos públicos, com pessoal e previdência, só pode ser coberto mesmo com elevação de carga tributária. E uma carga que se encontra pelo menos 12% acima da carga média incidente nos países emergentes, e em alguns caso, chega a ser 50% maior. E, que ao contrário de nós, crescem o dobro por conta da mais espetacular prosperidade econômica de todos os tempos.

Mas o que preocupa é a cultura que insistimos em manter, a do pobrismo, do coitadinho, a do estado paizão. A obrigação de prover seu próprio sustento compete a cada um em particular. Do esforço que cada um fizer, dependerá o progresso pessoal, profissional e material que cada indivíduo irá gozar. Não é obrigação do Estado, e sim de cada cidadão. Ao Estado compete exercer um papel de fiscal do estado de direito, de direcionar investimentos para que nasçam oportunidades para todos, e claro, na ponta final oferecer serviços públicos de qualidade, que vem a ser sua obrigação maior. Assim, não depende do Estado o sucesso ou fracasso profissional de cada indivíduo. Isto é tarefa pessoal de cada um consigo mesmo. Contudo, no Brasil vigora esta ideologia de atraso, e de modo geral, ela está impregnada em todo o continente.

Pelo lado do social a coisa vai mal. Vimos aqui exemplos de China e Colômbia, os quais sem bolsa-família, e por diferentes maneiras, conseguem arrancar milhares da pobreza todos os anos, uma vez que seus governos priorizam a requalificação da pessoa, para que ela possa andar com suas próprias pernas. No Brasil, e deveria isto ser vergonhoso, mas até é louvado e comemorado com muita festa e rojão, uma em cada quatro pessoas é dependente de programa assistencialista. E se social fossem os tais investimentos, os indicadores deveriam ser positivos, e não são: a desnutrição infantil está presente em quase um quinto das crianças atendidas, e o trabalho infantil, que cresce sem parar desde 2005, já soma mais de 5,0 milhões de crianças. Além disto, metade dos adultos em idade laboral, encontra-se na informalidade, portanto, sem direito a aposentadoria.

E temos ainda os inúmeros “programas” que formam uma tenebrosa teia de corrupção e desvio de finalidade. Este é o caso do Brasil Alfabetizado, que já denunciamos aqui. A lembrar um trecho da denúncia: “(...)Fraudes e irregularidades fazem parte do currículo do programa, que somente no ano passado recebeu R$ 170 milhões da União, sendo que desse total R$ 51 milhões foram parar nas mãos de ONGs. A reportagem percorreu turmas de diversas ONGs cadastradas no Ministério da Educação (MEC) em três estados e no Distrito Federal. O resultado foi o mesmo: endereços falsos e inexistentes, turmas-fantasmas e alfabetizadores que desconhecem o programa ou têm formação precária. Grande parte dos recursos do programa de alfabetização é comandada pela Agência de Desenvolvimento Solidário (ADS), ONG criada em 1999 pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), presidida até 2005 pelo atual ministro da Previdência Social, Luiz Marinho (...).”

E esta tem sido a tônica do governo Lula: programas e mais programas são lançados a esmo, sem nenhum planejamento, sem nenhum critério de qualidade, e o que é pior, gastando milhões de reais que acabam, invariavelmente, sendo tragados no sorvedouro da corrupção, que, conforme vimos em reportagem do Jornal do Brasil, baseada em relatório do Tribunal de Contas da União, são sempre liberados, mesmo diante de irregularidades na sua aplicação, e pela razão simplória de que não há cobrança de resultados, acompanhamento e fiscalização na sua correta aplicação.

Enquanto isso tudo se dá, a agenda de reformas, indispensáveis para um crescimento robusto e sustentado, permanece estacionada nos meandros da burocracia estatal. E, a considerar-se o Orçamento da União para 2008, tão cedo o Estado brasileiro não será atingido pela racionalidade econômica: o desperdício permanecerá imutável, assim como o alto custo que se cobra da sociedade, tirando dela a energia indispensável para o investimento e a expansão, por conseqüência, do PIB com índices mais elevados.

O que se vê é a criação de uma bolha que, cedo ou tarde, vai estourar e nos obrigará a uma retração. Estamos falando do crédito consignado. Mas isto já é tema para um próximo artigo. De momento, o que interessa registrar é que estamos indo na direção contrária do bom senso: há uma crise andando solta por aí. No Brasil, ninguém está dando a menor importância para o quadro que se está desenhando. Que a nossa imprevidência não nos cause a frustração de, após tanto esforço, jogar no lixo tudo aquilo que estamos construindo há mais de dez anos. Temos histórico neste campo: tanto o apagão de energia, com FHC, quanto o apagão aéreo e o da saúde com Lula, foram tratados com desdém. Deu no que deu. Será que não aprendemos as lições?

O que empurra e o que puxa o Brasil

Carlos Sardenberg, O Estado de S.Paulo
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Brasil, Por que cresce, por que não cresce
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A semana passada trouxe boa ilustração do que vai bem e do que vai mal na economia brasileira. No lado bom, a informação do IBGE sobre a aceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano. Mais importante, porém, é a observação de que o Brasil, graças à estabilidade macroeconômica, já tem uma capacidade de crescimento superior à média dos anos 80 e 90. O lado ruim da história ficou demonstrado pela batalha da CPMF: o governo lutando para salvar um imposto ruim, simplesmente porque precisa dos R$ 40 bilhões/ano para aumentar mais ainda seus gastos. Esses gastos excessivos (e inadequados) do setor público, mais a carga tributária cada vez mais elevada para financiá-los, bloqueiam a entrada em um período de longo e firme crescimento.

Pode parecer estranho falar de estabilidade na semana em que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) alertou sobre a emergência e a disseminação de pressões inflacionárias. Mas reparem o tamanho do problema: a expectativa de inflação anualizada está passando da faixa entre 3,5% e 4% para algo acima dos 4%, porém ainda abaixo dos 4,5%, que é o centro da meta para este e o próximo ano. Está bom, não é mesmo? Do mesmo modo, houve uma certa decepção com os resultados do PIB, que vieram abaixo da média dos prognósticos. Mas, de novo: esperava-se uma expansão de 5,9% no segundo trimestre/07 em comparação com o mesmo período de 2006. Deu 5,4%. Está bom, não é mesmo?

A base principal desse ambiente é o controle da inflação. Isso significa uma inflação corrente em torno dos 4% ao ano e, sobretudo, a convicção generalizada de que o Banco Central tem capacidade e poder para manter as expectativas inflacionárias dentro da meta.

Daí vem a expansão do crédito, por exemplo. Vende-se automóvel hoje em 80 prestações fixas. Está em curso um verdadeiro boom imobiliário, com empréstimos de 20/25 anos. O crédito concedido para a compra da casa própria deve passar dos R$ 12 bilhões neste ano, seis vezes mais do que o volume emprestado em 2002.

Claro que, especialmente nos negócios imobiliários, o setor foi turbinado por mudanças legais e institucionais que deram mais segurança ao crédito. Mas a base de tudo, a condição necessária, é a moeda estável e as expectativas ancoradas.

Em resumo, a política monetária do BC, sustentada no regime de metas de inflação, implantado em 1999, é, sim, um claro sucesso. Podem reparar: o Copom está entregando, ao mesmo tempo: inflação na meta, com juros em queda (já são os menores da era do Real) e PIB em alta. Mais amplamente, a política macroeconômica - sustentada em metas de inflação, câmbio flutuante e controle das contas públicas (com superávits primários para pagar juros e reduzir o endividamento) – é, sim, um claro sucesso.

Foi mérito do governo Lula ter mantido e até aperfeiçoado aspectos dessa política, antes acusada de ser neoliberal. A partir dessa base, Lula contou com duas enormes doses de sorte.

A primeira foi um efeito positivo da globalização. Do final de 2002 para cá, a economia global engatou um período de crescimento que é simplesmente o mais espetacular de todos os tempos. Foi isso que permitiu a decolagem das exportações mundiais e, na onda, das brasileiras. Vendas trouxeram os dólares, que o BC comprou para formar as reservas de US$ 165 bilhões, seguro contra crises externas.

A segunda grande sorte foi o regime de chuvas. Isso manteve cheios os reservatórios das usinas hidrelétricas e garantiu a energia necessária a um crescimento mais vigoroso.

De certo modo, também nasce desse ambiente benigno o lado ruim do momento atual. Animado com o sucesso e com os cofres cheios de impostos, o governo desandou a gastar. E basicamente no que? Em pessoal, Previdência (com os seguidos aumentos reais do salário mínimo), custeio de uma máquina cada vez mais inchada e nos programas de assistência social, incluída a Bolsa Família. Todos esses gastos têm aumentado acima de inflação e acima do crescimento real da economia. Ou seja, a cada ano aumenta o peso do setor público, peso sustentado pelos impostos pagos pelas pessoas e empresas.

Lula se orgulha desses gastos. Disse que precisava mesmo contratar pessoal para melhorar os serviços públicos. E que os programas sociais, inclusive o salário mínimo, constituem sua maior obrigação. “O mais importante é a gente dar comida para a parte mais necessitada do povo brasileiro”, disse ele. Eis por que o governo quer manter os R$ 40 bilhões da CPMF e prevê mais aumento de impostos para o ano que vem: tudo para continuar aumentando o gasto público.

Mas, em primeiro lugar, não se notam avanços notáveis na qualidade dos serviços prestados ao público. Além disso, o Brasil, país jovem e de renda média, gasta hoje com Previdência o equivalente a 12% do PIB, nível de países velhos e ricos, como Itália e Alemanha. E quanto aos programas sociais - o governo dar dinheiro às pessoas – isso é uma demonstração da falta de dinamismo de um país, de sua incapacidade em educar a mão de obra e gerar empregos. Perdurando, esse atraso torna a assistência uma necessidade permanente, quando deveria ser uma ação emergencial.

A China não dá comida, não tem Bolsa Família, nem uma Previdência pública. Seu governo arrecada menos impostos, gasta menos (em relação ao tamanho da economia), mas investe pesadamente na educação e na infra-estrutura. Isso e mais os investimentos privados tiram milhões de pessoas da pobreza, todos os anos.

Vale do Rio Doce: a verdade é a kriptonita do PT

Reinaldo Azzevedo

Tire cópia.
Guarde na carteira.
Use como uma arma da inteligência contra a empulhação.
Estou me referindo ao artigo que Eduardo Graeff escreve hoje na Folha (“Lula e seus militantes amestrados”) sobre essa conversa mole da privatização da Vale do Rio Doce Sempre que um petista, com a fala perturbada e o olhar esgazeado pela ideologia bananeira, babar números inconseqüentes, vocês devem fulminá-lo com a verdade. A verdade é a kriptonita do petista.

A gestão da Vale foi, felizmente, privatizada, sim. E, por conta disso:
1 – Em seis anos, ela recebeu US$ 44,6 bilhões em investimentos: nos 54 anos de estatismo, foram US$ 24 bilhões;
2 – Em 1997, inteiramente estatal, empregava 11 mil pessoas; hoje, 56 mil;
3 – Como estatal, produzia 35 milhões de toneladas de ferro; hoje, são 300 milhões;4 – Em 1997, exportou US$ 3 bilhões; em 2006, US$ 10 bilhões (mais de um quarto do saldo positivo da balança comercial);
5 – Se a empresa realmente vale hoje US$ 50 bilhões, TRATA-SE DA VALE INTEIRA; em 1997, venderam-se se por US$ 3 bilhões APENAS 42% das ações ordinárias;
6 – Quem continua a ser o verdadeiro “dono” da Vale? O fundo de pensão do Banco do Brasil e o BNDES: eles detêm dois terços do capital da empresa;
7- O outro terço se distribui entre Bradesco, a japonesa Mitsui e mais de 500 mil brasileiros que aplicaram parte do FGTS em ações da companhia.
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Isso que vai acima é a verdade. Não a cascata que está sendo contada nas igrejas por padres que entendem de economia o que tendem dos Evangelhos: NADA!!! Eis a verdade, não o que os bispos brasileiros permitem que se fale nos púlpitos. Se quer entrar nesse mérito mundano, que nada tem a ver com Deus, dom Odilo Scherer deveria levar a boa-nova a seus fiéis, em vez conspurcar o altar com a urna da mistificação.

A mentira é coisa do demônio, bispo!

A verdade sobre a Vale também é a verdade sobre as outras empresas privatizadas, especialmente no setor de telefonia. Ou daquela que é hoje um caso de sucesso global: a Embraer, que foi da falência certa a um caso formidável de sucesso.

Vocês conhecem a capacidade da esquerda de contar mentiras. Mais do que isso: ela acha que a mentira é moral se for para garantir o que entende ser o bem da humanidade. Ela não tem qualquer receio de fraudar, de trapacear, de enganar se for para ver triunfar a sua verdade particular. Também é capaz de matar. Em proporções industriais. Não! Em proporções que faria Homero corar.

Lembram-se do post sobre a entrevista de Marxilena Oiapoque à revista portuguesa Debate? Ela admite que o PT meteu a mão na sujeira, mas diz que seu maior patrimônio é a “ética na política”. E isso significa que ela não distingue a fronteira entre a verdade e a mentira.

Não permita que a baba hidrófoba se espalhe por aí. Contra ela, use apenas a verdade.

Expansão do PIB do Brasil foi a menor entre os Brics

Juliana Rangel - O Globo Online

RIO - Apesar de um crescimento de 5,4% do Produto Interno Bruto brasileiro no segundo trimestre do ano, o Brasil ainda figura em último lugar no ranking dos que mais cresceram entre os quatro principais emergentes do mundo, grupo denominado Bric, que engloba, além do Brasil, a Rússia, a Índia e a China.

Segundo um levantamento feito pela consultoria Tendências, a Rússia teve uma expansão de 7,8% de sua economia entre o segundo trimestre deste ano e o mesmo período de 2006, contra expansões de 11,9% da China e de 9,3% da Índia.

" Enquanto em todos os outros países do Bric o crescimento vem se estabilizando em um mesmo ritmo, no Brasil a expansão aumenta."

Na avaliação do economista Filipe Albert, no entanto, há uma tendência de que os outros três países do grupo cresçam a um ritmo cada vez menor, enquanto, no Brasil, a tendência é de escalada a passos mais largos. A China, que cresceu 10,7% em 2005 e 10,4% em 2006, por exemplo, deverá ter uma expansão econômica de 10% em 2007. A Índia, que teve crescimento de 9,2% em cada um desses anos deverá ver sua economia crescer 8,5% em 2007. Na Rússia, onde a expansão do PIB ficou em 6,4% e 6,7% em 2005 e 2006, respectivamente, a alta deverá ser de 6,4% neste ano, nas projeções da Tendências.

- Enquanto em todos os outros países do Bric o crescimento vem se estabilizando em um mesmo ritmo, no Brasil a expansão aumenta. O país cresceu 2,9% em 2005 e 3,7% em 2006. Para 2007, nossa projeção é de um aumento do PIB de 4,8%, o que é bastante considerável - diz.

Segundo Albert, apesar de a expansão econômica ainda ficar bem abaixo dos outros emergentes em termos percentuais, é importante salientar que o Brasil vive uma fase diferente.

- Esta fase em que eles estão agora, de crescimentos elevados, é mesma pela qual o Brasil passou entre as décadas de 50 e 70. O que vemos é que eles ainda estão em um período de industrialização, enquanto no Brasil há um crescimento muito forte do setor de serviços. Estamos muito mais próximos dos países desenvolvidos - distingüe.

" Esta fase em que eles estão agora, de crescimentos elevados, é mesma pela qual o Brasil passou entre as décadas de 50 e 70. O que vemos é que eles ainda estão em um período de industrialização, enquanto no Brasil há um crescimento muito forte do setor de serviços "

O economista acrescenta que é mais fácil registrar um crescimento percentual maior quando a base de comparação é mais baixa.

- Se você pega o PIB per capita, percebe que o do Brasil é três vezes maior que o da China e muito maior que o da Índia - diz.

Albert avalia que o resultado do PIB brasileiro divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi positivo, sobretudo em função da forte influência do aumento da demanda doméstica. De acordo com o levantamento, o consumo das famílias cresceu 5,7% na comparação com o mesmo trimestre de 2006.

- O aumento da renda e a expansão do crédito deu suporte para que o consumo aumentasse. Além disso, com uma previsibilidade maior da política econômica, o que já vem acontecendo há algum tempo, as pessoas sentem-se mais confortáveis para gastar mais e o crédito oferecido pelos bancos também aumenta. Os investimentos também aumentaram , o que é positivo pois sinaliza que a oferta de bens e serviços tem tudo para acompanhar a demanda nos próximos trimestres sem que haja pressões sobre a inflação.

A opinião sobre inflação é compartilhada com a economista Sandra Utsumi, do Bes Investimento , e com o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini .

Impostos superam expansão da indústria no PIB
RIO - Os impostos sobre produtos cresceram mais que a indústria, serviços e agropecuária no segundo trimestre em todas as comparações em que ela aparece, de acordo com dados da pesquisa do Produto Interno Bruto (PIB) do IBGE. As informações se referem à arrecadação e não necessariamente a alta de alíquotas ou base de contribuição. A coordenadora da pesquisa do PIB trimestral, Rebeca Palis, comentou que houve aumento tanto do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), quanto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto de Importação (II).

Em relação ao mesmo período do ano passado, os impostos aumentaram 8,6%, enquanto a indústria cresceu 6,8%; os serviços, 4,8% e a agropecuária 0,2%. No primeiro semestre deste ano, a alta dos impostos sobre produtos foi de 7,8%, enquanto a indústria aumentou 4,9%; os serviços, 4,7% e agropecuária, 1,4%. Em 12 meses até junho, os impostos subiram 6,9% e a média de valor adicionado pelos três setores produtivos 4,4%. A agropecuária cresceu 6,6%; a indústria, 4,2% e os serviços também 4,2%. No primeiro trimestre, os impostos também tinham crescido mais que a média dos setores econômicos tanto em relação ao mesmo período de 2006 quanto no período de 12 meses terminados em março.

Em valores, os impostos sobre produtos somam R$ 87,511 bilhões no segundo trimestre e R$ 172,581 bilhões no primeiro semestre. Pelos dados do segundo trimestre, os impostos equivalem a aproximadamente 2,5 vezes o total adicionado pela agropecuária, que foi de R$ 35,062 bilhões nos três meses de abril a junho deste ano. O valor dos impostos também já é mais de 50% do gerado pela indústria no segundo trimestre, de R$ 161,781 bilhões. O setor de serviços é o maior da economia e no segundo trimestre gerou R$ 345,846 bilhões.

Governo apresenta proposta de fundo regional ao Nordeste

Lá vai o governo Lula criar um poder paralelo, de novo. Já não bastam as múltiplas secretarias do espirro, da tosse com rouquidão, secretaria especial da tosse sem rouquidão, etc., agora vão criar um Fundo Regional para o Nordeste. Ora, então para que se recriou SUDAM/SUDENE?

Mais: o que garante que os recursos deste “novo” fundo regional não serão também contingenciados ?

Tentando justificar a “necessidade” de criarem o tal fundo regional, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, se pôs a falar sobre a guerra fiscal. Santo ?Deus, o que uma coisa tem a haver com outra? Nada. Como de nada serviria o tal fundo criado, provavelmente, para abrigar mais algumas centenas ou talvez até milhares de companheiros carentes de uma boca rica, ou até afilhados políticos necessários para a manutenção dos currais dos novos coronéis do Sertão.

A reportagem é da Tribuna da Imprensa:

O governo apresentou ontem a governadores dos Estados do Nordeste a proposta para a criação de um Fundo de Desenvolvimento Regional. De acordo com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), inicialmente o fundo teria cerca de R$ 4 bilhões - correspondente à soma de outros fundos já existentes, mas que são contingenciados.

- Os fundos hoje estão contingenciados, não atendem. Terão de ter um volume maior, mas o governo quer apresentar agora um mecanismo e, depois, discutir o valor - disse Campos, antes de se reunir com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A idéia é de que o fundo compense os Estados pelo fim da guerra fiscal. Os recursos serão usados por setores como infra-estrutura, ciência, tecnologia e incentivo à produção. De acordo com o governador, uma das maiores dificuldades é definir como será feita a transição para acabar com a guerra entre os Estados por causa dos inúmeros contratos de incentivo fiscal assinados com empresas, que têm validade para os próximos anos.

Campos elogiou a proposta e disse que o modelo é o mais avançado desde 1995, quando iniciou a discussão sobre o assunto.

- A guerra fiscal é uma insanidade que dominou o debate na ausência de políticas de desenvolvimento regional. Os Estados entenderam que era preciso buscar investidores e fizeram pelo incentivo - afirmou.

Apesar de discordarem da forma da cobrança da CPMF, os governadores defenderam a permanência da contribuição - pedindo, principalmente, o compartilhamento dela com os Estados. O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), ressaltou que o governo depende dos recursos principalmente para a área da saúde.

TOQUEDEPRIMA...

***** Sob Lula, gastos do governo aumentaram duas CPMFs
Da Folha de S.Paulo

"O governo Luiz Inácio Lula da Silva promoveu um aumento dos gastos federais equivalente, como proporção da economia do país, a duas vezes a arrecadação da CPMF -a contribuição provisória cuja prorrogação é defendida com o argumento de que sua receita se tornou imprescindível.

Como mostram dados oficiais, os petistas herdaram uma máquina estatal que consumia o correspondente a 15,7% da renda nacional com pessoal, custeio administrativo, transferências de renda e investimentos. Como agora, a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) ajudava a sustentar o aparato governamental com uma arrecadação de 1,4% do Produto Interno Bruto.

Se tivesse sido simplesmente mantida a participação do Estado na economia de quatro anos atrás, quando Lula obteve do Congresso Nacional a renovação do tributo que condenava na oposição, as despesas federais acumulariam um aumento ainda bem superior ao da inflação do período. Mas seria possível abrir mão, com folga, da receita da contribuição criada em caráter emergencial em 1993.

Não foi, no entanto, o que aconteceu. Os gastos cresceram em ritmo bem superior ao da renda do país, e chegarão neste ano, segundo as previsões mais recentes do Ministério do Planejamento, a quase 18,6% do PIB -admitindo, no cálculo, que o PIB crescerá em 2007 os 4,7% prometidos.
Em moeda corrente, os números são mais impressionantes. Estáveis como proporção do PIB, os gastos federais subiriam de R$ 232 bilhões, em 2002, para R$ 396 bilhões neste ano. Na vida real, a conta chegará aos R$ 468 bilhões."

***** Devedores solidários
Da coluna Painel da Folha de S.Paulo

"O relatório da Polícia Federal no inquérito do mensalão mineiro aponta curiosa triangulação de recursos entre Marcos Valério e o Banco Rural, na qual o empréstimo concedido ao publicitário em 2003, para o PT, foi usado para pagar o débito da campanha de 1998, do PSDB. Valério precisava saldar R$ 13,9 mi do empréstimo feito aos tucanos para poder contrair um novo, de R$ 10 mi, para o PT. Um "acordo" reduziu a dívida a R$ 2 mi, pagos pela DNA. Quando foi liberado o empréstimo do PT, R$ 2 mi foram transferidos para a DNA. "Esta operação foi realizada para zerar a situação de Marcos Valério perante o Banco Rural, pois naquele momento o publicitário estava iniciando sua aproximação com o PT", diz o relatório da PF.

***** Países emergentes reagiram bem à crise, diz FMI

Não é apenas o Brasil que está bem na parada diante da crise imobiliária que está sacudindo o mundo todo. De um modo geral os demais emergentes também isentos das atuais turbulências. Assim, o discurso de que “nuncadantez” é lorota. Até poderíamos estar melhor, tivéssemos um governo atuante nas reformas para destravar o país.

No Jornal do Brasil, com informações da InvestNews:

O vice-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), John Lipsky, informou que os investimentos nos países emergentes não sofreu grandes consequências devido à crise dos mercados mundiais.

O equilíbrio só foi possível porque "os mercados mantiveram uma visão relativamente favorável", disse Lipsky em um discurso na reunião anual da Associação de Câmaras de Comércio dos Estados Unidos na América Latina (AACCLA, sigla em inglês).

As crises financeiras do passado faziam com que os investidores retirassem capital dos títulos considerados de risco, como os latino-americanos, por exemplo. Mas, desta vez, as bases econômicas da região se mostraram mais sólidas, afirmou o economista americano.

A diretora do departamento da América Latina do Banco Mundial (BM), Pamela Cox, estava presente no evento e concordou com Lipsky. "O sistema imunológico da América Latina está fortalecido contra a agitação financeira", disse Cox. Mas ela alertou que é necessário vigiar "bem de perto" o que acontece nos Estados Unidos.

***** Denúncia pode derrubar Walfrido

O ex-governador do Acre Jorge Viana já está de sobreaviso, como "regra-três", para substituir o ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), caso ele seja denunciado ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza. Diz respeito ao processo de caixa 2 da campanha de Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo mineiro, em 1998, revelado por Alan Rodrigues e Hugo Marques, de IstoÉ.

Walfrido dos Mares Guia é réu confesso. Admitiu à Polícia Federal serem dele quatro folhas manuscritas indicando valores pagos a políticos mineiros.

***** CPI quebra sigilo bancário da Gautama

Os parlamentares da CPI da Gautama, da Câmara Legislativa do Distrito Federal, decidiram quebrar o sigilo bancário da empreiteira, do seu proprietário, Zuleido Veras, da funcionária Maria de Fátima Palmeira, do ex-deputado distrital Pedro Passos e do ex-servidor da Secretaria de Agricultura do Distrito Federal, Julio Cavalcante. O esquema foi desmontado pela Operação Navalha, da Polícia Federal.

A CPI investiga o desvio de recursos do Distrito Federal que deveriam ser usados para construir uma barragem no Rio Preto. O ex-deputado Pedro Passos, que renunciou para evitar perder os direitos políticos numa investigação sobre o caso, é suspeito de facilitar a liberação de recursos para a obra que nunca foi construída.

A comissão ainda convocou o ex-secretário de Agricultura do Distrito Federal, Agnaldo Lelis. A secretaria de Agricultura era a responsável pela obra. Na segunda-feira que vem, serão ouvidos dois ex-funcionários da secretaria.

***** Líder do DEM promete resistir à CPMF: "Aqui não é o Congresso da Venezuela"

O líder interino do Democratas na Câmara, deputado Ronaldo Caiado (GO), afirmou que seu partido não vai votar a CPMF. "Não vamos recuar. Vamos lutar passo a passo. Aqui não é o Congresso da Venezuela. Aqui, nós [a Câmara] temos coluna vertebral. Vamos utilizar a posição regimental para mostrar o escândalo que é a aprovação da CPMF", prometeu Caiado.

O parlamentar ainda alertou para os colegas não votarem contra os seus eleitores. "A casa precisava ter autocrítica e refletir. Não legislar contra a vontade da população. Não sei se o governo vai ter no plenário a maioria que teve na Comissão Especial. Dentro do plenário, a situação é diferente", declarou Caiado.

Sobre as medidas provisórias, o líder Democrata admitiu que as obstruções ficam mais difíceis. Mesmo assim, Caiado disse que a matéria da CPMF não avança nesta semana.

***** OAB: "Fim do Senado só interessaria aos autoritários"

O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto, afirmou que é contra a extinção do Senado, o que foi defendido no 3º Congresso do PT pelo deputado Ricardo Berzoini (SP). "Não defendo o fim do Senado porque a discussão pode ter um efeito colateral muito preocupante: o fim do próprio Parlamento, o que somente interessaria aos autoritários", concluiu Britto.
Porém, ele defendeu uma reforma política que reduza os mandatos dos senadores de oito para quatro anos. Britto também pediu a extinção do "senador clandestino", se referindo ao suplente, que se elege sem votos.
"Não há possibilidade de retrocesso no encaminhamento da reforma política, vamos fazê-la para melhorar a cara do país. Vamos estabelecer a fidelidade partidária, o fim da reeleição e agilizar os mecanismos de cassação dos parlamentares que abusam economicamente e compram votos", disse o presidente da OAB.

Inativos já tomaram 27 bilhões no consignado

Raquel Abrantes e Vagner Ricardo

O crédito consignado atraiu 8,4 milhões de aposentados e pensionistas desde que foi criado - em maio de 2004 - até agosto deste ano, de acordo com o Ministério da Previdência. O total de recursos tomado pelos segurados atingiu R$ 27,3 bilhões. Apesar do avanço, o desconto em folha de pagamento é alvo de críticas de especialistas.

- A população ainda não tem disciplina financeira e, por isso, o acesso ao crédito deveria ser limitado - defende o economista da Pro Teste, Leonardo Diz.

Entre os pontos mais contestados no desconto em folha está o endividamento excessivo (com outros empréstimos ao mesmo tempo), a taxa de juros, o prazo e o percentual da renda que define o limite de crédito - de 30%.

Sócio do Financenter.com, Sílvio Paixão lembra que o objetivo do empréstimo consignado seria trocar uma dívida cara por uma mais barata (com taxas de juros menores), desde que o tomador tivesse pelo menos 50% da renda livre e a operação fosse a médio prazo.

Para Paixão, os juros cobrados não poderiam superar 1,5% ao mês - por não haver risco de calote - e deveriam ser o único custo para o tomador. Atualmente, os trabalhadores públicos e privados ainda pagam a Taxa de Abertura de Crédito (TAC), que já foi abolida para os segurados do INSS.

- Os brasileiros têm problema de renda e com o salário não conseguem ter um padrão de vida mínimo - aponta Paixão. - Acabam recorrendo ao crédito. Apesar de custar menos que as outras modalidades, o consignado ainda tem juros altos e compromete a capacidade de pagamento do tomador.

O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Oliveira, destaca, contudo, que o consignado é a linha de crédito mais barata para os tomadores no país.

- O ideal é não se endividar, mas, se necessário, as taxas do crédito consignado são as mais em conta.

O economista da Pro Teste disse que os juros cobrados no desconto em folha deveriam acompanhar as revisões da taxa básica da economia, a Selic. Em três anos, o teto do empréstimo foi revisto cinco vezes e está em 2,64% ao mês para segurados do INSS.

- O ideal é que a cada duas revisões da Selic houvesse uma dos juros do crédito consignado - sugere Diz. - Além disso, a TAC configura um custo elevado para o consumidor, que toma valores baixos nessa modalidade. Se pegar R$ 200 emprestados e pagar R$ 50 de TAC, já perdeu 25% do endividamento.

Uma melhoria na concessão seria a restrição a outros empréstimos para quem recorrer ao desconto em folha de pagamento, segundo Paixão, que defende a criação de uma "trava" no sistema financeiro.

- A Central do Risco de Crédito do Banco Central poderia alertar as instituições por meio do registro de endividamento das pessoas - sugere. - E quem estivesse pagando o consignado, não poderia pegar nenhum outro empréstimo, incluindo o cheque especial e o cartão de crédito. Senão, a pessoa não consegue pagar as dívidas.

Outro ponto criticado é valor emprestado, de até 30% da renda. O projeto de lei 345 de 2007, de autoria do senador Paulo Paim, limita a 20% da remuneração o montante do crédito para pessoas acima de 70 anos e que recebam até três salários mínimos. O projeto também transfere o ônus da prova do empréstimo à instituição financeira.

- Os idosos de baixa renda acabam ficando sem dinheiro para medicamentos e alimentação - disse.

Para o diretor do CR2, Marco Paulo Costa, a medida é paternalista e inócua, porque não impedirá o aumento do endividamento.

- Uma eventual redução no teto do empréstimo fará que o tomador procure outras modalidades de crédito, elevando ainda mais o valor de sua dívida.

Crédito evolui muito mais do que o PIB

Pedro do Coutto, Tribuna da Imprensa
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Reportagem publicada pela "Folha de S. Paulo", edição de 28/08, incluindo entrevista de Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central, sempre muito claro em suas afirmações, revela que o volume de crédito bancário no País avançou 21,5 por cento ao longo dos últimos doze meses e, em julho, atingiu 800 bilhões de reais.

O aumento do volume ganha disparado do crescimento do Produto Interno Bruto no mesmo período, uma vez que este oscila em torno de 4 por cento. A população brasileira passou a ser 1,3 por cento maior, de acordo com o IBGE. Oitocentos milhões de reais, por seu turno, correspondem praticamente a 40 por cento do PIB.

Os juros cobrados pelos bancos às empresas ficaram em 36 por cento. Os aplicados aos créditos liberados para pessoas físicas atingiram a média de 47 por cento. Nem vale a pena falar das taxas dos cheques especiais, de aproximadamente 130 por cento ao ano. A inflação anual é de 3,7 por cento, entre julho de 2006 e julho de 2007. A concentração de renda está nítida - e cada vez mais forte - em todo este processo econômico.

O setor financeiro está absorvendo quase todos os ganhos de capital. Basta comparar a inflação com os juros. Inclusive os pagos pelo Tesouro Nacional (11 por cento ao ano) para rolar a dívida mobiliária interna de 1 trilhão e 200 bilhões de reais. Os ganhos da área financeira não acrescentam ao PIB. Vão para onde? Para fora do País, provavelmente.

E os salários? No máximo acompanham a inflação. Isso quanto às empresas privadas e estatais. Para os funcionários públicos nem de longe tal solução se coloca. No serviço público federal, desde Fernando Henrique a diferença entre a inflação e a reposição é enorme. Distância mantida pelo governo Lula. É só olhar os números. São oficiais. No Estado do Rio de Janeiro, que possui mais de 300 mil funcionários, existe um abismo. A taxa inflacionária atingiu 94 por cento no espaço de doze anos e os reajustes ficaram contidos na escala de 21 por cento. Minha parte há de estar com alguém.

Não há perspectiva de alteração do panorama. O pensamento conservador impôs-se totalmente na economia, com o capital absorvendo seguidamente os resultados do trabalho. Até o ex-ministro Delfim Neto admitiu isso ao participar, terça-feira passada, de painel de debates promovido pela mesma "Folha de S. Paulo". Para ele, os juros reais cobrados no País não deveriam passar de 4 por cento. Significa que ele defende índice de 7,7 por cento ao ano, já que a inflação de julho do exercício passado a julho deste ano registra 3,7 pontos.

O Tesouro Nacional, assim, na opinião delfiniana, deveria pagar 7,7 por cento (e não 11 por cento) para continuar rolando a dívida interna que, ao longo dos últimos cinco anos, elevou-se na base de 60 por cento. Surpresa? Não. Lula a recebeu de FHC no patamar aproximado de 799 bilhões. Hoje, o endividamento encontra-se, como disse há pouco, em 1 trilhão e 200 bilhões. Os juros pagos, contudo, baixaram, temos de reconhecer.

Depois de terem alcançado níveis mais altos, eles eram de 26 por cento em janeiro de 2003 quando Lula assumiu, foram descendo a ladeira. Hoje estão em 11 por cento. No fundo, projeta-se um equilíbrio. Os juros caíram em torno de 60 por cento. O estoque da dívida subiu outros 60 por cento. Um empate, no fundo. Bom sinal? Nem tanto. Como em certas decisões no futebol, este esporte mágico, o empate nos desclassifica. Quer dizer, desclassifica o povo brasileiro.

Por que isto? Porque o processo de endividamento cresce muito mais do que o PIB. Que dirá em relação à redistribuição de renda? Muito mais ainda. Falei em pensamento conservador, portanto em política conservadora. É isso mesmo. A administração Itamar Franco pode, sem favor algum, ser considerada reformista em relação ao superconservador Fernando Henrique e ao conservador Lula.

Itamar entregou a dívida interna a FHC no montante de 62 bilhões de reais. FHC a multiplicou por onze. Lula adicionou a ela mais 60 por cento. A idéia da reforma social parou no País. Venceu duas vezes nas ruas, sucessão de 2002 e reeleição no ano passado. Mas a opção tornou-se clara.

Excetuando o Bolsa Família, projeto emergencial, o caráter conservador da administração está caracterizado na formação do ministério. O ministro da Agricultura é Reinhold Stephanes, ministro da Previdência de Fernando Collor. O homem que negou reajuste de 147 por cento aos aposentados e pensionistas do INSS e foi derrotado por larga margem de votos pelo STF: 9 a 2. O volume de crédito, maravilha para o sistema financeiro e bancos internacionais e nacionais, está superando disparado o PIB e os salários. Onde estará o seu limite e o limite dos assalariados?

Sem desculpa

Olavo de Carvalho, filósofo

Agora que o PT finalmente admitiu que o Foro de São Paulo é um "espaço de articulação estratégica" (sic) e não um inofensivo clube de debates como o chamava antes, tornou-se fácil até para as personalidades mais minúsculas e os cérebros mais atrofiados enxergar a verdade óbvia que, contra tudo e todos, e pagando caro por isso, proclamei durante anos: o partido que nos governa é parceiro e colaborador de organizações criminosas, tem com elas uma estratégia comum para a conquista do domínio total sobre o continente - uma aliança macabra que, se as leis neste país valessem de alguma coisa, seria razão mais que bastante não só para o imediato impeachment do presidente, mas para a prisão dele e de todos os seus colaboradores.

Tão gigantesco é esse concurso de crimes que, diante dele, ficar resmungando contra meros delitos de corrupção, como o fazem os ditos "oposicionistas", é pura desconversa anestésica - inconsciente e burra, em alguns casos; consciente, oportunista e dolosa, em outros.

Tanto mais monstruosa se revela a trama quando se sabe que algumas das organizações com que o PT e outros partidos de esquerda se associaram, na busca de vantagens políticas comuns, são responsáveis pela matança anual de dezenas de milhares de brasileiros - seja através do comércio de drogas, seja através da ajuda prestada a gangues locais como o PCC e o Comando Vermelho para que espalhem o caos e o terror nas ruas das nossas principais cidades.

O presidente que trata como amigos e protegidos os assassinos de seus concidadãos é traidor do seu povo e cúmplice de homicídio em massa. Se o eleitorado soubesse disso, jamais teria votado nele nem mesmo para vereador em Garanhuns. Mas, justamente por ser o que é, o Foro de São Paulo tem colaboradores por toda parte, empenhados em fazê-lo ascender do mero poder descomunal ao poder absoluto. Muitos empresários de mídia e seus iluminados chefes de redação ajudaram alegremente a criar o monstro que agora ameaça estrangulá-los. Montaram em benefício dele a maior e mais duradoura operação-abafa já registrada na história do jornalismo mundial - um fenômeno comparável, em gravidade e abjeção, à existência mesma do Foro de São Paulo.

Há 17 anos a mídia nacional vive de um imenso blefe, jogando o peso da sua autoridade residual (não muito grande, é verdade) contra a massa dos fatos e documentos que a desmentem. Transfigurando a sátira em realidade, lança diariamente ao rosto de cada brasileiro o desafio de Groucho Marx: "Afinal, você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?". Acovardado e trouxa, o cidadão escolhe repetidamente a primeira alternativa.

Podemos perdoá-lo por isso, quando é um semiletrado com dificuldade de acesso às provas documentais - as atas do Foro, o discurso presidencial de 2 de julho de 2005 (www.olavodecarvalho.org/ semana/050926dc.htm) e, agora, o vídeo preparatório do 3º Congresso do PT (www.youtube.com/watch?v=CfhUndXUgmg). Mas que desculpa hão de arranjar, ante a História e ante suas próprias consciências - se alguma lhes resta - os jornalistas, políticos e empresários soi disant antipetistas? No máximo podem alegar uma razão psicologicamente plausível: o medo. Sabem que o perigo é maior do que eles próprios, maior até do que agüentam enxergar, portanto o que lhes resta é negar-lhe a existência, fazendo de suas próprias vidas uma farsa ignóbil e ajudando os comunistas a empurrar o país inteiro para o abismo do auto-engano e da loucura.

ENQUANTO ISSO...

Acusado tem direito de fugir, afirma Mello

BRASÍLIA - O ex-banqueiro Salvatore Cacciola fugiu do Brasil em 2000, dias depois de ter a prisão relaxada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio. Hoje, o ministro afirmou que sua decisão foi acertada e disse que repetiria tudo ainda hoje, mesmo sabendo que o ex-banqueiro fugiria.

Marco Aurélio argumentou que é direito do réu tentar fugir da Justiça enquanto o processo não foi concluído. "O que temos que considerar é que a liminar foi deferida quando ele era um simples acusado, não havendo ainda a sentença condenatória", afirmou. "Enquanto a culpa não está formada, o acusado tem o direito, que eu aponto como natural, de fugir", disse.

Cacciola foi condenado, em 2005, a 13 anos de prisão por gestão fraudulenta, corrupção passiva e peculato. Desde que foi condenado, Cacciola não passou um dia preso no Brasil. Ele aproveitou que tinha dupla cidadania para se refugiar na Itália.

O governo brasileiro tenta negociar com o governo de Mônaco a extradição de Cacciola. Marco Aurélio disse ser possível trazer o ex-banqueiro para o Brasil. "Não temos tratado com Mônaco, mas há um instituto que supre a inexistência do tratado que é a reciprocidade, a promessa de reciprocidade. Se o Brasil prometer a Mônaco extraditar alguém que Mônaco tem interesse na persecução criminal, evidentemente a tendência é ter-se o deferimento da extradição."


ENQUANTO ISSO...

A dolce vita dos amigos de Cacciola
Vasconcelo Quadros , Jornal do Brasil

Condenados a penas que variam de seis a 10 anos de reclusão na mesma sentença em que o banqueiro Salvatore Cacciola pegou 13 anos em regime fechado, os ex-diretores do Banco Central acusados de desviar mais de R$ 1 bilhão para socorrer os bancos Marka e FonteCindam levam uma vida normal e em liberdade, enquanto aguardam uma decisão definitiva da Justiça brasileira. O ex-presidente do BC Francisco Lopes, que chegou a ser preso com US$ 1,5 milhão, guardado em sua casa, dá aulas na Fundação Getúlio Vargas, no Rio e, nas horas vagas, presta serviços de consultoria.

Os outros três dirigentes, Cláudio Mauch (Fiscalização), Demóstenes Madureira de Pinho Neto (Assuntos Internacionais) e Tereza Grossi (ex-chefe de Fiscalização) voltaram ao mercado e trabalham para instituições no eixo São Paulo-Rio Grande do Sul.

Dos três, a situação juridicamente mais tranqüila é de Tereza Grossi, condenada a seis anos em regime semi-aberto. A juiza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal do Rio, entendeu que Lopes, Mauch e Pinho Neto não só conheciam a gestão temerária de Cacciola no Marka e dos controladores do FonteCindam, como também contribuíram conscientemente para que o banqueiro recebesse o socorro financeiro e desviasse parte dos recursos para suas contas pessoais no exterior. Foram condenados a dez anos cada um, em regime fechado, mas não cometeram o mesmo erro do banqueiro.

Cacciola fugiu para a Itália - país que não tem tratado de extradição com o Brasil - assim que sua prisão foi relaxada, em julho de 2000, pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao conceder liminar num habeas corpus impetrado pelos advogados do banqueiro. Polêmica, a decisão resultou num dos embates entre Marco Aurélio e o então presidente da Corte, Carlos Velloso, hoje aposentado, que derrubou a decisão cinco dias depois. Mas já era tarde: Cacciola havia passado para o Paraguai, Argentina e, de lá, chegado à Itália onde, até baixar a guarda ao entrar em Mônaco, no último sábado, levava uma vida de empresário no ramo da construção civil.

Provocado ontem por jornalistas, o ministro Marco Aurélio Mello manteve-se fiel ao seu estilo de prolatar sentenças polêmicas e defendeu sua decisão, sugerindo que repetiria o gesto se um caso semelhante chegasse a ele. O ministro afirmou que não via, à época, razões para manter Cacciola preso porque o banqueiro era um simples acusado e nem sentença de primeira instância ainda havia.

- Eu mesmo sustento que a sentença condenatória, ainda sujeita a reforma, não enseja pena - disse ontem o ministro.

Cinco anos depois, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho escreveria em sua sentença que o banqueiro não apenas havia articulado o golpe para rapinar o erário, como era um homem de ambição desmedida ao ponto de ameaçar testemunhas - um dos requisitos que levara o Ministério Público Federal a pedir a prisão.

Livre da Justiça e no exercício de sua cidadania italiana - o que impediria uma eventual remoção num acordo de reciprocidade, já que a extradição é impossível - o banqueiro ainda diria, em entrevistas, que riscara o Brasil de sua memória. Mas acabou sendo vítima exatamente do excesso de confiança e esqueceu que a Polícia Internacional (Interpol) havia difundido um alerta sobre a necessidade de sua prisão em decorrência da condenação em primeira instância. Cacciola cometeu o mesmo erro que o juiz Nicolau dos Santos Neto: fugiu durante a instrução do processo, atitude que soou como um desafio tão forte à Justiça brasileira, que agora nem o mais liberal dos ministros terá coragem de relaxar sua prisão, caso seja extraditado.

.***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Por mais que o ministro Marco Aurélio queira se justificar, de maneira alguma o habeas corpus concedido a Cacciola se justifica. Era visível que o banqueiro tentaria escapar do país, ainda mais se considerarmos o fato de sua dupla cidadania.

Por outro lado, fica difícil entender a posição de alguém ser condenado (isto levando-se em conta todas as formas de “atrasar” a proclamação de uma sentença existente no processo penal brasileiro), e ainda responder em liberdade para os milhares de recursos que a lei estabelece. Uma vez condenado, deveria sim permanecer preso até que a sentença fosse reformada. O que a justiça está concedendo não é a garantia de um direito, mas sim abençoando o privilégio de alguém manter-se impune e até o de escapar ao braço da lei, forçando as protelações ao máximo possível até a prescrição do crime.