segunda-feira, março 24, 2008

A bizarrice do ministro do mosquito

Adelson Elias Vasconcellos

Há coisas no Brasil que são surreais. Há questão de 30 dias, o ministro da Saúde de Mosquitos anunciou com toda a pompa que a dengue esta sob controle. O Rio desmentiu o ministro, com mais de 33 mil infectados e mais de 50mortes. Pelo menos até esta hora.

Em 2002, o então candidato Luiz Inácio, em campanha eleitoral desceu o sarrafo no ex-ministro da Saúde José Serra por causa da dengue, que, agora, em seu governo, não apenas não conseguiu controlar, como também se deu ao luxo de investir apenas 50% dos recursos previstos nos trabalhos de prevenção à dengue. Quando se deu conta do contraditório, rapidamente entrou em cena pedindo uma “despolitização” sobre o assunto. Afinal em ano eleitoral, notícias ruins não podem ser politizadas...

O sistema de saúde pública no Rio de Janeiro está precário, e não é de hoje. Faz que os cariocas cumprem um verdadeiro calvário para serem atendidos. Com o agravamento da epidemia da dengue neste ano, esta precariedade mostrou sua face mais cruel: tem gente morrendo por falta de atendimento.

Hoje, ao instalar o Gabinete da Crise, FINALMENTE, o ministro se tocou e assumiu que o Rio vive, de fato, uma epidemia. Já é um bom começo aceitar a realidade que esfrega na cara de todos. Depois, admitiu que “...O número de atendimentos a doentes com dengue se deve à fragilidade do sistema de saúde do Rio...”.

Ledo engano ministro, mesmo que o sistema de saúde fosse perfeito e pudesse ter atendido aos mais de 33,0 infectados, ainda restariam mais de 33 mil infectados. Talvez não tivessem ocorridos tantas mortes, mas a perfeição ou do sistema de saúde nada tem a ver com a epidemia.
Mas onde a bizarrice do ministro atinge sua loucura maior é quando ele se saiu com esta pérola:
“...O ministro disse ainda que previu a que o Rio passaria pelo problema desde outubro de 2007, e que já havia avisado a autoridades competentes...”

Peraí, ministro: dentre as ditas “autoridades competentes” não se inclui o próprio ministro da saúde ? Ou agora o ministro só serve para cuidar de descriminalização de drogas e liberação total do aborto ? Ora, convenhamos, senhor Temporão, seria mais bonito e honesto assumir que vossa senhoria falhou, que todas as autoridades municipais e estaduais responsáveis pela Saúde no Rio de Janeiro e em conjunto com o Ministro da Saúde falharam no combate ao mosquito.

E mais: se o senhor Temporão “de fato previu” que o Rio passaria pela epidemia em outubro de 2007, por que esperou praticamente 6 meses, 33 mil infectados e mais de 50 mortos para tomar providências? Por que, há seis meses atrás, o Ministério da Saúde não liberou os outros 50% do orçamento destinados à prevenção contra dengue, para evitar e prevenir que o mosquito não produzisse o estrago que agora se vê ?

Isto significa dizer, quer o ministro goste ou não, que o ministro do mosquito está tardiamente admitindo a própria culpa, assumindo a irresponsabilidade de não ter agido em tempo de evitar que a população fosse prejudicada. Como também, poderia ter montado um esquema de trabalho preventivo para, em sendo inevitável a epidemia nas proporções que ora se vê, pelo menos a rede pública de saúde pudesse ter condições humanas e materiais de prestar o atendimento devido e indispensável.

Vir a público dizer que “previu” a epidemia em outubro de 2007 e que somente seis meses instalou um gabinete de crise, convenhamos é desdenhar da inteligência das pessoas, ou toma-las por completas imbecis.

E que fique bem claro: entre outubro de 2007 a janeiro de 2008, o governo federal não deixou de receber um centavo a título de CPMF. Equivale dizer que, tanto na Educação, quanto agora se vê na Saúde, mas também em muitos outros setores, o que falta ao governo federal não são recursos. Falta competência, gerenciamento, adequado estabelecimento de metas que visem diretamente o interesse público. Cuidar da educação com a devida prioridade, tanto quanto da saúde, não se precisa de palanques eleitorais para lançamentos de pacs disto ou daquilo. Esta é uma tarefa rotineira de governo, ou pelo menos deveria ser. É para isto que o Poder Público extorque da população cerca de 40% de carga tributária.

Portanto, ministro Temporão, que gasta mais com saúde e educação, porque dinheiro há para isto, e se gaste menos com ostentação e tapiocas ministeriais, ou chicletes presidenciais...

A notícia é do JB Online, por Duillo Victor e Ludmilla Rabello.

Temporão assume epidemia e anuncia medidas contra dengue

RIO - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assumiu que o Rio vive uma epidemia de dengue, durante entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira. O objetivo da entrevista era anunciar medidas contra a doença.

- O número de atendimentos a doentes com dengue se deve à fragilidade do sistema de saúde do Rio. O Rio de janeiro é a capital que tem a pior cobertura do Programa Médicos de Família - disse o ministro.

Segundo Temporão, o nível de letalidade da doença já ultrapassou nível permitido pela Organização Mundial de Saúde(OMS), que seria de 1% em casos de dengue hemorrágica. No Rio, esse número ultrapassa os 5%.

O ministro disse ainda que previu que o Rio passaria pelo problema desde outubro de 2007, e que já havia avisado a autoridades competentes.

Entre as medidas anunciadas estão a liberação de 300 agentes de saúde e 15 carros de fumacê para atuar contra o Aedes aegypti, mosquito que transmite a doença; abertura de mais 104 leitos para atendimento aos enfermos nos seis hospitais federais do Rio; contratação temporária de 671 profissionais de saúde; e inauguração dos centros de hidratação.

Ainda nesta semana,o ministro discute com representantes do Comando Militar do Leste, a cessão de hospitais e profissionais das forças armadas para combater a doença.

Lula se diz indignado com insinuações sobre o PAC. Mas que ele é eleitoreiro, lá isso é!!!

Adelson Elias Vasconcellos

Para quem acusa a oposição de estar nervosa, o Luiz Inácio até que fala com muita “indignação”. Só que já provamos aqui muitas vezes que o pac é sim um programa eleitoreiro. Até porque este papo furado de que 87% das metas estabelecidas é papo furado. A maioria das obras em andamento já de governos anteriores a Lula. Portanto...

Quanto ao fato do programa ter sido lançado há dois anos, acredito que o Luiz Inácio precisa tomar algumas com equipe econômica de noções elementares de aritmética. O programa eleitoreiro foi lançado no início de 2007, portanto, recém completou dois anos. Contudo, o ano de 2007 transcorreu inteirinho e não se viu tanto palanque armado e tantos “convênios” e “protocolos de intenções” assinados como agora, justo em ano eleitoral...

E, por fim, o fato de não haver eleição para presidente ou governador, não significa que haja interesse do governo nas eleições. Até pelo contrário: para o PT e grande parte da base aliada elas são fundamentais para alavancar o futuro sucessor que Lula quer eleger. Deste modo, existe grande interesse, e as obras, não tenham dúvida, são a alavanca perfeita para impulsionar candidaturas. Além disso, não se precisa, se o pacote não fosse eleitoreiro, e atendesse exclusivamente o interesse público, de palanques, discursos, festas, contratação de claques, etc. E, bastante analisar-se os discursos, sempre cheios de ataques aos adversários políticos, com o inegável estilo de autopromoção, dão sim, goste Lula ou não, o tom característico de palanque eleitoreiro. Uma cerimônia simples seria, talvez mais barata e mais objetiva. De festa de lançamento de cartas de boas intenções, a gente já cansou.

Agora tem uma coisa, e isto o tempo vai dizer: não bastam convênios e protocolos, com repasses de verbas. As obras PRECISAM acontecer e o que se viu até agora é um belo pacote empacado !!!:

A reportagem é da agência Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou hoje que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tenha cunho eleitoreiro. Após enumerar algumas das conquistas atribuídas às ações do governo, ele rebateu mais uma vez matérias publicadas recentemente pela imprensa que relacionam a iniciativa e a proximidade das eleições.

"Ora, é no mínimo uma coisa que me deixa indignado. Ou seja, o governo não está disputando nenhuma eleição. Não tem eleição para presidente da República e não tem eleição para governador. O programa é um programa que o governo federal anunciou com dois anos de antecedência e esse dinheiro agora está gerando aquilo que nós queríamos que ele gerasse: emprego e melhoria na vida das pessoas", afirmou em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente.

A distribuição da verba do PAC, garante Lula, não privilegia administrações de partidos da base aliada do governo.

"Quando vamos a uma cidade, eu não quero saber se o prefeito é candidato à reeleição, se o prefeito é do PFL, se o prefeito é do PT ou do PSDB. Ou seja, eu quero saber que ele tem uma obra importante para ser feita, sobretudo quando se trata de urbanização de favela e saneamento básico".

No início do mês, durante lançamento de obras do PAC na periferia do Rio de Janeiro, Lula afirmou que o programa foi implantado em momento oportuno porque seu mandato termina em 2010 e ele não pode disputar a reeleição.

Balanço do governo após um ano do programa apontou que 87% das metas propostas apresentavam andamento adequado. Representantes da sociedade, no entanto, apontaram falhas no PAC. Em nota, a direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) reclamou de "deficiências graves" nas iniciativas. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) publicou texto em que o primeiro ano do programa foi considerado insuficiente para modernizar a infra-estrutura do País.

Lula recomenda ‘despolitização’ da crise da dengue. Mas quem que foi politizou ?

O artigo é do Josias de Souza, na Folha online. Voltamos no final para comentar.

Com quase cinco dezenas de cadáveres de atraso, os governos federal, estadual e municipal sentam-se à volta de uma mesa, nesta segunda-feira (24), para esboçar uma estratégia comum de combate à epidemia de dengue que infelicita o Rio. Durante o final de semana, Lula fez, em privado, uma recomendação aos seus auxiliares. Pediu-lhes que “despolitizem” o ambiente.

A hora, disse o presidente, não é de apontar culpados. Antes, convém deter a doença, dar atenção aos infectados e evitar o acúmulo de mortes. O encontro do “Gabinete de Crise”, como o ministério da Saúde batizou o grupo tripartite, reúne-se no início da tarde, na capital fluminense. Marcado inicialmente para as 16h, o encontro foi antecipado para as 13h.

Embora o ministro José Gomes Temporão (Saúde) o tenha responsabilizado pelo agravamento da crise, o prefeito Cesar Maia ordenou à sua equipe que não deixe de comparecer ao encontro. O "time" do município será encabeçado pelo secretário de Saúde, o médico oncologista Jacob Kligerman.

“Para nós, essa mobilização não é uma novidade”, disse Kligerman ao blog, na noite deste domingo (24). “Nós operamos com um grupo de crise desde o dia 15 de março. Envolve oito secretarias. Estamos fazendo tudo o que é possível. Temos 174 unidades mobilizadas –145 postos de saúde e 27 unidades hospitalares.”

Temporão e Cesar Maia vêm se estranhando desde a semana passada. O ministério Da Saúde responsabilizou a prefeitura pelo avanço desmedido da dengue. Mencionou duas “evidências”: a “desestruturação” da rede de atenção básica e a “baixa implementação” das equipes de saúde da família que, na cidade do Rio, cobririam apenas 8% da população.

Para Kligerman, o secretário de Saúde do gabinete de Cesar Maia, chega a ser “antipatriótico culpar um ou outro por essa epidemia.” Ele lembra que, em 2002, o próprio Lula, então candidato à presidência da República, "responsabilizara o [José] Serra", ex-ministro da Saúde de FHC, por um surto de dengue que se abatera sobre o Rio.

“Acho esse tipo de comportamento uma estupidez. Mas em período eleitoral parece que vale tudo. Como não sou político, não me meto”, disse o secretário municipal de Saúde. Em 2002, Kligerman era diretor-geral do INCA (Instituto Nacional do Câncer), que, à época, teve de se envolver no esforço para conter o avanço da dengue.

Hoje, ele comenta: “A experiência trágica daquele ano tem nos auxiliado agora. A dengue é de diagnóstico muito difícil. Se confunde com uma virose comum. Mas o pessoal está muito treinado. E nós estamos treinando mais de 2.000 pessoas, inclusive de entidades particulares e do próprio Estado.”

O que mais surpreende na crise atual, diz o secretário, “é o alto grau de letalidade, especialmente de crianças.” Em todo Estado, os mortos são contados em 48. Neste domingo, surgiu a suspeita de uma 49ª morte por dengue. De novo, uma criança. “Nosso objetivo prioritário é reduzir radicalmente a letalidade”, diz Kligerman.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Lula visita a Mangueira e critica atuação de Serra contra a denguePor Fábio Zanini e Fábio Portela:
O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou duramente a administração de José serra no Ministério da Saúde durante discurso na quadra da escola de samba Mangueira, no Rio de Janeiro.Sem citar Serra nominalmente, Lula atacou a política de combate à dengue adotada pelo governo federal nos últimos anos e disse que o uso de medicamentos genéricos no país ainda é muito pequeno.

Lula fez as declarações ao lançar seu programa de governo para a área da Saúde. "Sabem por que estamos lançando esse programa aqui no Rio? Aqui foi o exemplo do desleixo maior do governo federal no combate à dengue", disse o candidato.

Esta é a notícia publicada pela Folha online, dia 20 de setembro de 2002, quando Lula era candidato. Ou seja, apesar dos milhares infectados pelo vírus da dengue, ele não soube respeitar e tentou tirar proveito político.

Diante da catástrofe que se transformou a política de saúde pública adotada em seu governo, e mesmo já vivendo a intensidade da epidemia, com mortes e gente saindo pelo ladrão sem conseguir atendimento médico na rede pública, seu ministro, José Temporão, se apresou em atacar o governo municipal e, pra variar, também as vítimas. Isto é, o ministro é rápido para forçar a morte de fetos, mas ruim para acabar com o mosquito aedes. E, vocês já leram aqui, que o governo do senhor Luiz Inácio, ainda contando com a receita da CPMF, em 2007, aplicou apenas 55% do total previsto nos programas de prevenção da dengue.

Claro, como o discurso imbecil não colou, então vamos tratar dos doentes que ainda não morreram. Afinal é ano de eleição, não é mesmo ?

O sigilo é só para as ações e gastos do governo Lula. Já para outros, vale até atropelar a Constituição.

Adelson Elias Vasconcellos

Pois então: o governo Lula tenta, de todas as maneiras manter em sigilo os gastos da Presidência sob sigilo. Dizem que é coisa da tal “segurança nacional” ladainha que a ditadura militar usou por mais de 20 anos para “justificar prisões, torturas,e outros que tais próprios dos regimes de exceção.

Esta prática, aliás, sempre foi muito comum em regimes comunistas, por exemplo. Tudo em nome da tal segurança nacional. Vale até dedo no olho, chute nas canelas, tapa no lado do ouvido, entre outros paparicos como prisão indevida, censura, etc., etc, etc.

Corre no Congresso uma CPI, a dos Grampos, pela qual ficamos sabendo que, apenas em 2007, aconteceram 409 mil interceptações telefônicas por ordem da justiça. Informação indiscutível já que prestada pelas próprias operadoras. Convenhamos, é muita bisbilhotice na vida do cidadão comum. Claro, há casos que a boa investigação criminal necessita avançar, sempre sob ordem judicial, na intimidade de alguns “suspeitos. Mas daí a se conceder 409 mil autorizações ? Não é a toa que a Justiça brasileira é uma das mais lentas do mundo: devem passar a maior parte do tempo analisando pedidos para “escutas”...

Uma das características das esquerdas, tanto quanto da direita, é esta fobia que ambas têm para escarafunchar a privacidade alheia. Agora quando se trata de agirem com transparência em seus atos, aí, os dois lados apelam para a “segurança nacional”.

Tanto quanto se saiba o Brasil não sofre ameaças terroristas, apesar das FARCs, como também não estamos envolvidos em nenhum conflito armado. Então por quê e para quê o tal sigilo ? Eles tentam jogar responsabilidade do sigilo em razão do tipo de trabalho que a ABIN faz. Então me digam: para quê serve a ABIN ?

Mas, o que as CPIs tanto das ONGs quanto dos tais cartões corporativos querem é a quebra do sigilo dos gastos da Presidência, e não os da ABIN. Qual o temor ? Que saibamos que lá pelas bandas do Planalto andam pagando despesas com dinheiro público ? É isso ?

De todo modo, o tal sigilo não encontra amparo na Constituição. Ele foi instituído por decreto assinado pela Presidência da República. Porém, fosse assinado por quem quer que fosse, ele não pode sobrepor-se à lei maior. Se o sigilo de gastos com dinheiro público não tem amparo constitucional, até pelo contrário, ele não poderia ser garantido por decreto.

Porém, e desde o PT aportou de mala e cuia no Poder, outra coisa ele não tem feito senão manter “sigilos”. Não fossem ações da Polícia Federal ou boas muito grandes por parte de aliados do próprio governo, estariam em sigilo os Sanguessugas, os Vampiros, Os Aloprados, as Cartilhas, e o Mensalão, além de Waldomiro Diniz.

Além do decreto quanto ao sigilo de gastos, e de algumas tentativas frustradas de se calar o Judiciário e a Imprensa, agora o partidão quer invadir nossos direitos e garantias individuais. A sede que esta gente tem para impor ‘censura” é uma fábula.

Mas a última novidade parida no submundo esquerdopata governamental, é um projeto cretino quer, simplesmente, eliminar o direito à ampla defesa e ao contraditório de quem for alvo de escuta telefônica legal. Ou seja, ao invés de se ‘’disciplinar” o grampo para acabar com o abuso das escutas, agora quer se ir além e acabar com o direito de defesa. Sem dúvida, é uma pérola das mais abjetas.

Os “gênios” criadores do tal projeto foi enviado ao Congresso por ninguém menos do que o senhor Tarso Genro, ministro da Justiça. Isto que faz levantar, diante dos comportamentos assim tão “autoritários” do governo federal, se esta gente realmente brigou contra a ditadura militar para restaurar a democracia, ou para instalar dentre nós outra ditadura, só que de esquerda? Pelo conjunto da obra, a resposta é mais do que óbvia...

A reportagem é do Jorge Serrão, do Alerta Total.

Anteprojeto não garante direito à ampla defesa e ao contraditório de quem for alvo de escuta telefônica legal
Por Jorge Serrão

O desgoverno Lula elaborou uma proposta de legislação incapaz de inibir um instrumento insidioso de quebra da intimidade do cidadão popularmente conhecido como “grampo telefônico”. O anteprojeto em discussão no Congresso, onde funciona agora uma CPI dos Grampos sob o comando do petista Nelson Pelegrino (BA), não garante sequer o direito à ampla defesa e ao contraditório daquele que for alvo de uma escuta autorizada judicialmente. O texto elaborado pelo Ministério da Justiça não define o tempo que a defesa do réu terá para escutar as conversas gravadas.

O assunto é de extrema importância para o cidadão. Só no ano passado, 409 mil interceptações telefônicas foram feitas no país, com ordem da Justiça, pelas operadoras Oi, TIM, Brasil Telecom, Telefônica, Vivo e Claro. O número foi divulgado pelas próprias operadoras para a CPI dos Grampos, em audiência no dia 6 de março. Atualmente, o “grampo” é regulado pela Lei 9.296 de 24 de julho de 1996, que o desgoverno atual pretende mudar., conforme anteprojeto enviado ao Congresso, em fevereiro passado, pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.O anteprojeto de Lula considera-se quebra do sigilo das comunicações telefônicas de qualquer natureza, todo ato que intervém no curso dessas comunicações com a finalidade de conhecer as informações que estão sendo transmitidas, incluindo a interceptação, escuta e gravação. Aplica-se ao fluxo de comunicações em sistemas de tecnologia da informação e telemática. Ou seja, a Internet também se torna “grampeável” legalmente.

No capítulo dos direitos e garantias individuais da Constituição (ainda em vigor, até prova em contrário) está escrito que: “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal” (CF, art. 5º, inc., XII).

Para matar o mosquito da dengue se investiu a metade, mas não falta dinheiro para a ração de cachorro e chicletes para a Presidência.

A gente vai se virando como pode em tempos de gastos sigilosos. Aliás, só vale bisbilhotar dos outros “governantes”. Deste aqui, é segurança nacional. Aliás, acho mais que se trata de segurança da pessoa do Luiz Inácio, mas no campo de que, se a gente souber o que se gasta por lá, talvez ele acabe sendo processado. Só por temer isto é que os seus gastos são sigilosos.

Mas vamos lá. O Contas Abertas nos exibe esta semana, em seu carrinho de compras, as últimas “novidades” nas quais o dinheirinho vem sendo torrado. Claro, dinheiro para a Segurança e para Prevenção contra a Dengue, eles se esmeram em gastar só a metade. O mesmo não acontece com a Presidência da República, onde a gastança não têm limites.

Na lista da semana, não faltou camarão, chocolate (afinal semana santa, páscoa), nem tampouco chicletes (???) e ração para cachorro (a que ponto chegamos !!!)

Mas o que me chama mais a atenção é a quantidade de desinfetante e essências aromáticas. Acho pouco. Para a quantidade de sujeira, lambanças e c... que andam fazendo por lá, tudo para o nosso o bem é claro, acho que vai precisar de mais desinfetante e aromatizantes...

A seguir, a desenfreada gastança sem limites de um governo que não investe o mínimo necessário para combater o mosquito aedes, que, por conta da incompetência federal, já matou 50 pessoas, e infectou mais de 32 mil pessoas no Rio de Janeiro, e isto apenas em 2008.

Carrinho de Compras: União compra chocolate, chiclete, camarão e ração para cachorro
Leandro Kleber, Do Contas Abertas

Cerca de 200 quilos de camarão, mil chicletes, 500 caixas de bombom, 96 pacotes de ração de cachorro, 300 frascos de desinfetantes, 200 de essência aromática e 200 cartuchos de tinta de impressora, fora as contratações de empresas de buffet para prestarem serviços em eventos em locais requintados. Esse é o resumo do Carrinho de Compras de Páscoa de hoje que traz também, além de muito chocolate, notas de empenho (reserva orçamentária) com mais transparência emitidas pelo Senado Federal (coisa que não acontecia desde o segundo semestre do ano passado) e até emitidas pela Comissão do Exército Brasileiro em Washington.

Mostrando ter gostado do último encontro promovido no hotel Lake Side, em Brasília, há aproximadamente 15 dias, a Presidência da República (PR), por exemplo, mais uma vez esta semana reservou (empenhou) recursos para pagar a contratação de uma empresa de buffet para servir no local. Desta vez, o órgão comprometeu R$ 6,7 mil com um jantar para 50 pessoas em plena segunda-feira organizado no hotel na capital federal. A PR empenhou também, preocupada com a aparência e a higiene de seus palácios, R$ 2,2 mil com a compra de 300 frascos de desinfetantes, 200 de essência aromática e 30 de material de limpeza em geral.

A Câmara Federal seguiu os mesmos passos de limpeza dados pela Presidência. A Casa empenhou R$ 2,7 mil para pagar a lavagem de cortinas, forros e carpetes em imóveis funcionais. O valor do serviço deve aumentar nos próximos dias, já que as obras nos apartamentos dos parlamentares mal começaram.Já a Base Aérea de Florianópolis se preocupou com a qualidade do material de consumo comprada para os militares do local. A entidade reservou R$ 1 mil com a compra desses materiais, o que incluiu 20 embalagens de ovo de codorna e palmito em conserva e mil chicletes de diversos sabores. Além disso, ainda foram comprometidos R$ 2,9 mil com a compra de 200 quilos de camarão. No entanto, a comida dos cachorros foi mais cara aos cofres da instituição: R$ 5,8 mil por 96 pacotes de ração.

Na mesma leva dos doces e aproveitando o embalo da Páscoa, aparece o Instituto Benjamim Constant do Rio de Janeiro, que empenhou R$ 3,2 mil com a compra de 500 caixas de bombons. Já o Supremo Tribunal Federal (STF) reservou R$ R$ 6,1 mil referentes a serviços de organização do evento chamado “A Práxis do Controle de Constitucionalidade na Atualidade”.

As impressões de processos no Supremo, por sua vez, parecem ter consumido muita tinta. Isso porque o tribunal comprometeu R$ 51 mil com a compra de 200 novos cartuchos de tonner preto para impressora. Que se cuidem os réus acusados, porque se depender da papelada, tudo vai estar nos seus conformes pelo menos nas próximas semanas.

A 4ª Divisão de Levantamento de Manaus, órgão vinculado ao Exército Brasileiro, empenhou, por sua vez, R$ 8 mil para pagar serviços de buffet com salgados frios e quentes e bebidas em geral. Já a Comissão do Exército Brasileiro em Washington consumiu recursos com trabalhos no exterior. O membro da comitiva Gustavo Assad de Praga Rodrigues, por exemplo, recebeu R$ 33,5 mil para pagar serviços de automóvel, de embarcação, de internet e até de dedetização nos Estados Unidos. Ele ainda recebeu R$ 14,5 mil para comprar cartão telefônico e outros materiais destinados à “manutenção do destacamento”.

Outro membro da comissão, José Carlos Leal da Silva Júnior, recebeu R$ 45,3 mil para pagar mais aquisição de cartão de telefone do batalhão. O valor é válido para cobrir as despesas dele com cartões telefônicos de 14 de março a 12 de abril.

Senado volta a detalhar empenhos!
O Senado Federal, que vinha omitindo detalhes do que comprava ou contratava nas notas de empenho desde o segundo semestre do ano passado, voltou na última semana a descrever o bem adquirido ou o serviço prestado. No último dia 13, o Contas Abertas (CA) publicou matéria sobre o assunto. Na ocasião, o órgão reconheceu a falta de transparência no quesito “o que foi comprado de fato e qual serviço foi realmente contratado”.

Sendo assim, o CA cumprimenta o Senado pela iniciativa, acreditando que, como órgão fiscalizador do Poder Executivo, a falta de transparência nas notas de empenho era contraditória, principalmente agora, momento em que se começa a divulgação dos detalhes da verba indenizatória usado pelos parlamentares.Como o Senado Federal integra o Poder Legislativo, a quem compete à fiscalização do Poder Executivo, a ausência de detalhamento se constituía um precedente indesejável que não deveria ser seguido pelos demais órgãos dos outros poderes. “Se a moda pega”, o Siafi deixaria de ser o instrumento de controle importante e indispensável que é.

Mas voltando a listinha do Carrinho de Compras, o Senado empenhou valores diferenciados para variados fins. A Casa reservou, por exemplo, R$ 6,2 mil com a compra de quatro mil copos de vidro de água e R$ 6,4 mil com a aquisição de 800 coadores de café. O que parece é que a sede dos nobres parlamentares anda aumentando, assim como a transparência nos empenhos... O Senado ainda reservou, no dia 17, R$ 44,1 mil para pagar fatura referente ao fretamento de avião.

A hora do jornalismo

Reinaldo Azevedo

O primeiro aspecto relevante a se destacar sobre a reportagem de VEJA deste fim de semana — a que informa a existência de um dossiê preparado pelo governo para tentar chantagear as oposições na CPI dos Cartões — é o comportamento do governo. Como era de se esperar, negou a existência da tramóia, mas mandou investigar o “vazamento de informações”. Deu pra entender? O Planalto determinou que se apure um FATO que ele nega existir. Não estranho tanto. Estamos, afinal, em plena era do surrealismo na política. Estou pondo o ponto final em O País dos Petralhas, o livro. Acreditem: dava para perceber que chegaríamos a este ponto.

Como era esperado, a Al Qaeda eletrônica entrou em ação, com o auxílio do subjornalismo de aluguel, gente que vive da papa fina da grana oficial — a sua grana, caro leitor. E o que pedem esses monumentos morais? Ora, já que teve acesso a uma parte do dossiê, então a revista deveria ter divulgado as “informações”. Vocês entenderam? Os petralhas queriam que VEJA fizesse o serviço sujo em seu lugar: eles armam o dossiê, a exemplo daquele preparado pelos aloprados, e a revista serve de porta-voz da chantagem. Quebraram a cara.
VEJA cumpriu o seu papel ao fornecer pistas do que os novos aloprados andam “investigando”, mas não aceitou ser, digamos, o Chávez das Farc; rejeitou, é óbvio, a parceria no crime. Caso se limitasse a divulgar as “denúncias” oficiosas, estaria coonestando o banditismo, escolhendo o caminho da acusação fácil — e os atingidos que dessem um jeito de desmentir depois. Mas a revista escolheu o caminho correto e mais difícil: informou a armação, especificou as linhas gerais de seu conteúdo, deixou claro que o estado está sendo usado para a chantagem política. Afinal, o governo não quer popularizar o seu dossiê para investigar tudo, doa a quem doer. Não!!! Ao contrário. O dossiê foi vazado aos jornalistas para que não se investigue nada — de agora ou de antes.

Dado que os petistas não têm, como se vê, interesse em proteger o governo FHC, é claro que o dossiê é uma forma de autoproteção. Os neo-aloparados pretendiam contar com uma mídia dócil, servil, faminta de notícias & escândalos, servindo a seus propósitos. A estratégia era — e é ainda — ficar pingando boatos nesta ou naquela colunas para intimidar os adversários. Ora, estivesse o governo fazendo um documento oficial e legal, a ser entregue a uma instância competente de investigação, e tivesse tido a revista acesso a seu conteúdo, a abordagem teria sido outra: informar a sua existência e seu conteúdo em detalhes. Mas não! Estamos falando de uma operação do mundo das sombras, do mercado negro da política, disposta a usar o jornalismo como pistoleiro involuntário.

Era rigorosamente o que pretendiam os “aloprados” em 2006. A diferença agora, já disse, é que não estamos falando de notórios marginais, que operam nas sombras. A tramóia está nos órgãos do estado — e o que se faz é característica de um estado policial. É para onde caminha essa gente caso os demais atores políticos e a sociedade civil caiam em sua trama ou mesmo se calem diante de seu ardil.

A Controladoria Geral da União e a Casa Civil que venham a público para dizer o que há nos tais documentos; que assumam a responsabilidade de ter mandado investigar o outro governo e preparado, então, uma peça acusatória. Assim, os acusados podem ao menos se defender.

A imprensa não é braço do estado policial.

Sobre a rentabilidade declinante da Petrobrás...

Na reportagem da Revista sobre a queda de rentabilidade da Petrobrás informamos que a produção da companhia se manteve estagnada, em torno de 2,3 milhões barris/dia.

Na reportagem da Revista Exame que reproduzimos no post das 3:21 hs., sobre a queda de rentabilidade da Petrobrás, informamos que a produção da companhia se manteve estagnada, em torno de 2,3 milhões barris/dia.

Na verdade o correto seria informar que as exportações brasileiras de petróleo, aquele que mantém quase sob equilíbrio a conta petróleo, despencaram 48,6% em janeiro último quando comparado com janeiro de 2007, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Esta queda reflete a fraca produção da Petrobras, que recuou no primeiro mês do ano e também em fevereiro, quando caiu de 1,826 milhão de barris por dia, em janeiro, para 1,821 milhão de barris/dia em fevereiro. Para a companhia isto é muito ruim, já que a estatal deixar de exportaar justo no momento de granda alta da commodity, com o valor ultrapassando a barreira dos 100 dólares/barril.

Mas, afinal, de quem é a festa ?

Adelson Elias Vasconcellos

Tem coisas que é duro de entender neste nosso Brasil. Nesta semana, a seleção principal de futebol do Brasil embarcou para um jogo em Londres. E não se trata de um jogo qualquer. É um jogo, contra a seleção da Suécia, em comemoração ao nosso primeiro título mundial, em 1958, na Suécia, a copa em que Pelé e Garrincha encantaram o mundo, e a partir da qual o Brasil se tornou a pátria do futebol, muito embora ele tenha sido inventado (ou disciplinado) pelos ingleses.

Pois bem: a comemoração, neste caso, deveria ser na Suécia, certo ? Afinal, o título foi ganho lá há precisos 50 anos. Ou, caso não pudesse, por uma ou outra razão, deveria ser no Brasil, afinal quem ganhou fomos nós, e neste caso, poderíamos fazer uma grande festa, reunir os remanescente do título de 58.

“A taça do mundo é nossa, com brasileiro não quem possa” já dizia o refrão de velha marchinha sobre o “esquadrão de ouro”. A taça sim, mas festa não. Será na Inglaterra ? Qual a razão ?

Pode a CBF alegar o que bem entender, mas furtar o povo brasileiro desta comemoração é um desrespeito e despropósito contra o país.

Como se já não bastasse termos nossos principais jogando, principalmente, na Europa: como se não bastasse a seleção só realizar amistosos longe da torcida brasileira que fica ainda mais distante de seus ídolos, podendo assistir, quando muito, aos jogos das eliminatórias, e, ainda na hora de comemorar o cinqüentenário de nossa primeira Copa do Mundo, a torcida brasileira sequer é lembrada pela CBF ?

Como disse acima, eles poderão alegar o que bem entenderem, mas neste caso específico, não nenhuma justificativa razoável de ser entendida aceita. Convenhamos, trata-se de uma tremenda ingratidão para com o povo brasileiro, porque se ainda o jogo fosse na Suécia, ainda vá lá: mas em Londres ? Nada ver !!!

Uma bofetada do governo nas brasileiras honestas.

Adelson Elias Vasconcellos

Janaína é uma brasileira que mora no Rio Grande do Norte. Apaixonou-se por um jovem espanhol, e resolveu visitá-lo na Espanha. Providenciou tudo o que a imigração exige para quem deseja visitar aquele país, mas, por azar seu, foi impedida de desembarcar. Para as autoridades daquele país, brasileiro é traficante de drogas e brasileiras são prostitutas. Mas, como lembra o Cláudio Humberto:”... Os espanhóis dizem que tentam conter a entrada de prostitutas brasileiras no país. Mas é o Brasil que reprime seriamente esse crime: há, hoje, 49 espanhóis presos por aqui, acusados por tráfico de mulheres...”.

Janaína ficou detida no aeroporto de Madrid por sete dias, incomunicável, humilhada, sem seus documentos, sem sua bagagem, tratada da forma mais indigna e desumana, e não recebeu nem do consulado ou da embaixada brasileiras sequer um segundo de atenção, muito embora seu caso tenha merecido a atenção da imprensa espanhola. Ou seja, não se tratou de desinformação de nossa diplomacia, e sim puro descaso. Não recebeu atenção nem lá, muito menos aqui quando chegou, apenas alguns jornalistas foram-na entrevistar para colher o testemunha de sua mágoa.

A ministra do Turismo quis ser mais do que realmente é. A reação que recebeu não lhe deve ter sido das mais agradáveis. Reproduzimos aqui a informação dada pelo Lauro Jardim na coluna Radar da Revista Veja:

Não foi exatamente tranqüilo o início do vôo 455 da Air France que na terça-feira passada decolou de São Paulo para Paris. A responsável pela trepidação foi Marta Suplicy, que ia para a China, com escala em Paris. Ao embarcar, o casal Marta e Luis Favre relaxou e decidiu não passar pela revista de bagagem de mão feita por raios X. Os Favre furaram a fila da Polícia Federal. Vários passageiros se revoltaram. Marta respondeu que, no Brasil, para as autoridades não valem as exigências que recaem sobre os brasileiros comuns. Os passageiros não relaxaram com a explicação. Continuaram a reclamar, mesmo com todos já embarcados. Deu-se, então, o inusitado: o comandante do Boeing 777 saiu do avião, chamou a segurança e disse que não decolaria até que todos os passageiros passassem suas bagagens de mão pelo raio X. Marta Suplicy deixou seu assento na primeira classe (Favre estava na executiva) e dignou-se fazer o que o comandante pediu. Nesse instante, os passageiros "relaxaram e gozaram".

Uma brasileira, Andréia, que tinha passado por Brasília, e tinha sido uma das “modelos” de aluguel de Jeany Mary Córner (lembram dela?), acabou indo para a Itália, e de lá para os Estados Unidos e lá, dentro de sua “especialização”, acabou fazendo carreira. Até que acabou envolvida com FBI e, de suas confissões, acabou colaborando para a renúncia do governador de Nova York. Acabou presa e foi deportada dos EUA.

Duas brasileiras: uma, pobre e honesta, foi visitar o noivo, acabou impedida de entrar por ser confundida pelas autoridades de imigração como “mais uma prostituta brasileira” de forma injusta, ficou presa no aeroporto por uma semana, e retornou para o seu país como uma cidadã magoada, humilhada e envergonhada de sua honestidade e retidão.

A outra, prostituta de profissão, e cafetina por especialização, envolveu-se com políticos nos EUA, como já acontecera em Brasília, acabou presa , ré confessa, e durante sua prisão, antes de ser deportada, recebeu “assistência consular” e teve seu caso acompanhado pela imprensa brasileira, o que seria normal por se tratar de uma brasileira, mas também de parte de nossas autoridades recebeu muito mais do que qualquer outro brasileira.

Nem é preciso colecionar os inúmeros casos de políticos safados que roubaram milhões e continuaram soltos para viverem suas vidas criminosas e imorais, sem serem importunados, nem pela Polícia, nem pela Justiça. E acabaram reeleitos contra todas as evidências de que o povo os repudiaria.

Os brasileiros ainda vivem os horrores do caos aéreo. Só quem passou pelo inferno dos aeroportos pode avaliar o nível degradante dos serviços prestados à população. E, mesmo assim, a Infraero, que já nos extorque as taxas de embarque aéreo mais caras do mundo, ainda fala em aumenta-las ainda mais. Mas não pensem que o caos acabou: ele apenas foi abafado. Talvez o inferno que vivemos, para este cretinos, não tenha sido doloroso o bastante, apesar de se ter colecionado mais de 350 cadáveres...

Pois bem, mesmo diante de toda a comoção provocada pelos recentes acontecimentos de brasileiros sendo barrados nos aeroportos no exterior, sendo tratados com total desrespeito por serviços de imigração da Inglaterra, Espanha, México, EUA, Itália, França, apenas para citar os mais comuns, nossos serviços consulares nestes países parecem terem sido criados apenas para atender criminosos presos por tráfico de drogas, ou prostitutas. Brasileiros e brasileiras honestas e trabalhadores, mesmo que injustamente detidos e trancafiados incomunicáveis, maltratados e desrespeitados em aeroportos no exterior, não merecem um segundo de cuidado.

Contudo, a tal Andréia, prostituta e cafetina, presa e também acusada de porte de drogas, cumpriu pena e acabou deportada apenas porque dedurou um político grandão, ganhou lugar na 1ª classe como cortesia, e tratamento VIP de parte da INFRAERO. Ah, em tempo: segundo a “moça”, o luxo da viagem teve a ajuda do “bispo” Macedo, aquele mesmo da Igreja Universal.

É justo, portanto, que todas as demais brasileiras se perguntem: será que vale mesmo a pena serem esposas e mães dedicadas, trabalhadoras, honestas e responsáveis, num país que dá tratamento vip para as “outras”, que enveredam pela avenida fácil da prostituição, que envergonham todas as demais brasileiras no exterior com o estigma de que “brasileira é puta” ?

Qual o critério da INFRAERO para conceder a esta “moça” melhor tratamento do que para todos os demais brasileiros, no país ou exterior? E o que os brasileiros, especialmente as mulheres, detidos injustamente nos serviços de imigração no exterior, deverão fazer para merecer de parte de nossos “diplomatas” tanto paparico, atenção e “assistência” ? Uma carteirinha de “puta sindicalizada”, ou talvez uma estrelinha do PT na lapela ? Ou será que o “bispo” Macedo se lembrou da bofetada que acabou dando em todas as milhares de devotas de sua “Igreja” que preferem o caminho da retidão?

Querem saber: às vezes, diante destas calamidades, envergonha sermos brasileiros, ainda mais quando somos honestos e trabalhadores. O país parece adorar muito mais os cafajestes, gigolôs, trapaceiros de todos os matizes e canastrões de toda a espécie.

A seguir, reportagem do Estadão sobre esta página que representa muito da devassidão que corrói a sociedade brasileira.


Cafetina recebe regalias na volta ao Brasil e negocia entrevistas

Andreia Schwartz ganhou lugar na 1ª classe como cortesia; Infraero providenciou tratamento especial

VITÓRIA - Condenada pela Justiça americana por explorar a prostituição e por porte de drogas, Andréia Schwartz viveu seus momentos de glória no retorno ao Brasil, sábado, 22. A viagem de Nova York a São Paulo, pela American Air Lines, foi na primeira classe, apesar da sua condição de deportada. O luxo, segundo ela, teve a ajuda inicial do "bispo Macedo", da Igreja Universal do Reino de Deus, dona da Rede Record.

Em retribuição, foi para este canal de TV sua primeira entrevista, por telefone, do aeroporto de Guarulhos. "Alguns veículos estão me levando a sério, como a Record. O bispo Macedo pagou minha passagem na classe executiva para eu voltar dos Estados Unidos", admitiu, neste domingo, 23, nas conversas com jornalistas.

O "up grade" da classe executiva para a primeira classe - na qual viajou ao lado de Pelé, sem que este se desse conta de quem era a companheira de viagem - foi cortesia da companhia aérea. Não foi o único mimo prestado. Para preservá-la, o comandante insistiu diversas vezes ao microfone a proibição aos passageiros da classe comum de passearem pelas demais classes. Parecia um recado ao jornalista do The New York Post que tentava desesperadamente aproximar-se da brasileira.

Andréia embarcou em Nova York com o brasileiro Dival Ramiro. Ele se apresenta para muitos como jornalista free lancer, que vende matérias para o Daily News e para o New York Times. Mas, usa também no bolso um cartão de visitas no qual aparece como diretor da fábrica de bebidas energéticas Flash Power. Na casa da mãe da cafetina, na semana passada, a identidade era outra: policial.

O que Ramiro tenta mesmo é intermediar as entrevistas de Andréia com órgãos de imprensa. Já ofereceu as declarações dela pelo preço de R$ 15 mil dólares. Para que ela não falasse com os repórteres em Guarulhos, ele desviou sua saída pela sala de embarque e a conduziu a um shopping, onde ela cuidou dos cabelos e das unhas.

Não é à toa que em Vila Velha até os amigos mais próximos da deportada torcem o nariz para ele. Também seus familiares confessam não estarem satisfeitos com esta aproximação. Maldosamente, foi apelidado por alguns repórteres como "cafetão da cafetina". Andréia domingo, 23, o classificou como um bobo, mas admitiu que irá contratar um assessor de imprensa. Ela pretende cobrar cachê pelas suas entrevistas a órgãos estrangeiros.

Os momentos de glória da brasileira culminaram com sua chegada ao Espírito Santo. Para evitar a "ameaça" dos jornalistas que desde cedo se postaram no aeroporto de Vitória, a Infraero providenciou que ela descesse do avião direto em um carro, no qual foi levada ao estacionamento externo do aeroporto, sem passar pelo terminal de passageiros.

"Sempre que solicitado, a Infraero dispensa tratamento especial a passageiros muito assediados. Foi uma decisão pontual para evitar o risco à integridade dela", justificou neste domingo, 23, o assessor de imprensa da Infraero em Vitória, Luiz Ximenes, sem explicar que risco era este já que apenas jornalistas a aguardavam às 22h30, quando o avião pousou.

Às favas a lei, o que importa é o “impacto” eleitoral.

Adelson Elias Vasconcellos

Lula dribla veto e libera verbas para 1.800 obras antes da eleição. E depois ele diz que o pac não é eleitoreiro...

Claro que é, mas também o pac precisa desempacar. Ele foi lançado no início de 2007, e por um governo que se repetia no poder. Portanto, não apenas o pacote já era para estar amarrado, e seu início ter sido mais efetivo. Mas, como várias vezes já afirmei: o pacote é fruto de puro marketing eleitoreiro. O interesse público, bem isso fica pra depois. Como também já comprovamos que muitas das obras da tal listagem federal, já estavam em andamento quando o Luiz Inácio assumiu, portanto, sequer precisavam de relançamento de suas pedras fundamentais ou de novas assinaturas nos seus protocolos de intenções.

Desde de seu lançamento, o pac evidenciou o espírito que tomou conta do país: o rebatismo de obras alheias. E sempre esteve direcionado para o palanque de 2008.

Sei que já disse isto várias vezes, mas, infelizmente, é preciso continuar batendo na mesma tecla antes que se tenha de dizer “eu bem que avisei”!

Em países sérios, os governantes estão submetidos às leis vigentes. No Brasil, a tradição é submeter as leis aos caprichos de cada governante. Não é por outra razão, por exemplo, que a selva da nossa legislação tributária é um inferno só. Coisa de maluco. E este atropelo legal acaba por se tornar um dos tormentos para qualquer investidor que pense em instalar novas fábricas no país. Convencionou-se chamar a maluquice de “insegurança jurídica”.

Veja-se o caso recente da explosão de consumo: incentivou-se o povo a gastar, comprar, consumir. Mudou-se até os critérios de cálculo do PIB para “acolher” o incentivo. Agora, diante da ameaça de retorno da inflação, não apenas influenciada pela crise americana que não bateu por aqui ainda em razão da ação dos bancos centrais americano e europeus, mas porque a demanda bateu no teto da capacidade interna de oferta, e o governo começa a pensar em medidas para conter o consumo e restringir o crédito. Ou seja, justamente aquilo que, no mesmo discurso, o Luiz Inácio acusou “os governantes deste país” de terem feito desde a chegada de Cabral.

A abertura de novas fábricas e/ou ampliação das plantas já existentes, não requer apenas a boa vontade dos empresários, nem tampouco capacidade de consumo do mercado interno. Requer uma série de outras variáveis, e todas de responsabilidade justamente do Estado. Por exemplo: o Centro-Oeste, graças à incentivos fiscais, tornou-se o celeiro do país, é de onde se obtém a maior produção de grãos e carnes. Contudo, para chegar aos centros consumidores internos, ou mesmo para poder serem embarcados nos portos com destino à exportação, precisam de corredores de transportes modernos, trafegáveis durante o ano todo. Para quem conhece o lastimável estado de deterioração e abandono em que as estradas da região se encontram, sabe também o quanto perdemos de exportação em razão dos custos serem carregados por fretes mais caros, seguros, além do gargalo que enfrentam, em tempos de escoamento das safras, nos portos brasileiros. E, todo o rendimento proveniente da alta produtividade acaba indo para o ralo e, conjugado com o real mais forte, não é pouco o que acabamos perdendo em divisas. A contrapartida só se dá em razão do alto preço das commodities. Porém, bastará qualquer contingência que faça estes preços despencarem lá fora, e rapidamente nossa balança comercial se tornará negativa, dado seu peso nas nossas exportações.

Conjugue-se com a insegurança jurídica e a infra-estrutura deficitária, os juros mais altos do planeta, a má qualidade de ensino, a alta carga tributária e a burocracia asfixiante de um Estado paquidérmico, e temos o quadro real do quanto faltou e ainda falta para a sustentação de altos índices de consumo como os que o governo apregoa. Claro, consumo que sustentem no longo prazo um crescimento médio e regular.

Portanto, faltou ao governo este cuidado. E olhe que este “diagnóstico” nada tem de novo. Já era conhecido antes do Luiz Inácio chegar ao poder. E nem por isso, durante seus primeiros quatro anos, deu a devida prioridade. Portanto, se for mantida a decisão de pisar no freio do consumo agora, quando este mesmo consumo já representa grande parte do PIB, o papo furado do crescimento “sustentado” vai de novo murchar.

As novas obras que estão sendo anunciadas, na verdade, ainda não passam de meras cartas de intenções, e as que já estavam em andamento, já era para o governo ter se preocupado antes. Por que se deixa para “anunciar’ tudo agora, justo em ano de eleição ? Cadê o tal do “interesse público”? E por que, ainda, os nossos governantes tem esta dolorosa mania de atropelar as leis que disciplinam justamente que este “interesse público” não seja esquecido em detrimento do interesse eleitoreiro ? Agir assim é outra forma de se dizer à sociedade que as leis para nada servem. Que cada um pode fazer o que bem lhe interessa, sem respeito às normas que tem por meta justamente a harmonia social !

Tal recado vai de encontro ao clima de impunidade, de violência, de barbárie que reina no país. Deve o Estado não apenas zelar para o cumprimento das leis estabelecidas, mas sua ação deve conduzir-se como exemplo, para que ele frutifique, para que se torne rotina que todos obedeçam a ordem reinante. Mas, dizer o quê quando é o Poder Público o primeiro a infringir esta ordem?

Se o tal pac estivesse, de fato, bombando de vez, até que o Governo poderia enviar ao Congresso qualquer coisa parecida com um projeto de lei, e que lhe desse instrumentos para que os recursos das obras não fossem afetadas em período eleitoral. Contudo, o que se vê, é a tentativa torpe de se dar ritmo às obras em período pré-eleitorais.

Por Marta Salomon, na Folha, a notícia a seguir mostra os atalhos do governo Lula para indispor-se à ordem legal estabelecida, e em seguida, da mesma Folha de São Paulo, a verdade nua e crua de que o pac, da forma como está sendo conduzido, é para produzir "impacto eleitoral". Portanto, apesar do discurso do Luiz Inácio, todos os políticos só pensam "naquilo":

O governo Lula driblou o veto da legislação eleitoral a repasses de recursos federais para obras novas nos três meses que antecedem a escolha dos prefeitos e, sem alarde, listou por decreto quase 1.800 ações do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) que terão seus gastos liberados na reta final das eleições.

A lista é liderada por obras de saneamento, urbanização de favelas e construção de moradias para a população de baixa renda -projetos com potencial para influenciar o eleitor, conforme integrantes do governo reconheceram à Folha.

"Se influencia o eleitor? Tomara que influencie", diz Geddel Vieira Lima (Integração Nacional). O ministro assumiu o contra-ataque à oposição, que recorreu ao Supremo Tribunal Federal contra os gastos.

Diante do risco de obras do PAC só começarem a sair do papel depois das eleições de outubro, o governo buscou respaldo legal para contornar as restrições a gastos impostas pela Lei Eleitoral. O repasse considerado "voluntário" de recursos da União a Estados e municípios -sujeito às restrições da legislação eleitoral- passou a ser tratado como transferência "obrigatória" no caso de projetos prioritários

Impacto eleitoral é "óbvio", afirmam ministros do PAC
Folha de São Paulo

Candidatos a prefeitos mais identificados com o governo Lula deverão ser beneficiados pelas obras a serem iniciadas com dinheiro da União nos próximos meses, avalia o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), que não vê problemas em que o governo fature dividendos políticos do Programa de Aceleração do Crescimento.

"Tudo o que é bem sucedido na ação do governo influencia o eleitor em favor dos candidatos do governo", disse.

Os votos mobilizados pelo PAC poderão beneficiar tanto os atuais prefeitos que disputam a reeleição como seus adversários no pleito de outubro. No caso de São Paulo, por exemplo, a expectativa dos governistas é que a petista Marta Suplicy apareça vinculada ao PAC e não o atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM).

A cidade deverá receber o segundo maior volume de repasses federais entre as obras do Ministério das Cidades, logo depois do Rio de Janeiro, também administrada pela oposição ao governo federal.

Dos 10 municípios mais beneficiados, 7 têm prefeitos de partidos aliados ao Planalto. Juntos, recebem 53% do total dos repasses, contra 47% destinados às cidades governadas pela oposição.

"Sucesso brasileiro é de curto prazo"

Guilherme Botelho , Jornal do Brasil

Um dos maiores estudiosos da economia global - e de suas bolhas - Robert Brenner, professor de história da Universidade da Califórnia, avalia, em entrevista exclusiva ao JB, que a crise é um produto da fraqueza da economia real e uma profunda ruptura do sistema de crédito bancário. Para ele, cortes de empregos, de investimentos e de aumentos salariais colaboraram para o encolhimento econômico americano. Brenner é pessimista. Prevê uma recessão que vai piorar ainda mais a situação imobiliária e financeira. A crise não é de liquidez, mas de solvência, resume. A saída, acredita, será o governo comprar e recapitalizar algumas das grandes instituições financeiras dos EUA. Sobre o Brasil, o historiador critica os juros "altíssimos" e atribui o crescimento do país a um período de bonança global, com preços elevados de matérias-primas. Agora, a sustentabilidade do Brasil será testada, avisa.

O senhor considera a crise devastadora, profunda e conseqüência de uma crise capitalista maior. Por quê?
- A crise atual é tão séria porque expressa, ao mesmo tempo, profunda fraqueza de longo prazo da economia real e uma grande ruptura do sistema de crédito bancário. A expansão durante o atual ciclo econômico tem sido de longe a mais fraca no período pós-guerra na Europa, no Japão e, especialmente, nos EUA, mesmo em face ao maior estímulo governamental da história - possível pela bolha imobiliária, déficits fiscais reaganescos e uma moeda em declínio. Por trás desse crescimento retardado está o baixo lucro dos investimentos que, no atual ciclo, não conseguiram atingir os já reduzidos níveis dos anos 90. Para voltar a tais níveis de retorno financeiro, empresas radicalmente cortaram empregos, investimentos e aumentos salariais. Isso prejudicou a demanda agregada e o impulso para que a empresa expandisse, abrindo o caminho para o encolhimento da economia nos EUA na segunda metade do ano passado.

Quais os princípios por trás dessa bolha americana?
- Em geral, o que está por trás da bolha imobiliária é bem parecido com o que incentivou a bolha dos fundos de investimento dos anos 90. Governos capitalistas do pós-guerra estimularam suas economias através de déficits keynesianos. Mas durante as décadas de 70 e 80, os gastos ficaram cada vez menos eficientes. No início dos anos 90, liderados pelos EUA, as economias capitalistas avançadas tentaram fugir da dependência de empréstimos governamentais, estabelecendo abruptamente orçamentos balanceados. Mas esse movimento de fuga da dependência do Estado em direção ao mercado livre criou um grande choque na demanda, levando à pior performance econômica pós-guerra entre 1990 e 1995 para as economias centrais. Nesse contexto de recessão e estagnação, Greenspan e o Federal Reserve foram obrigados a usar o preço keynesiano de ativos para manter a economia rodando. Eles baixaram as taxas de juros, para elevar os preços das equities, para permitir que famílias e empresas pudessem emprestar, consumir e investir mais. Isso criou o boom da Nova Economia. Quando a bolha do mercado de ações estourou, crash e recessão se sucederam. Greenspan se mexeu para inflar nova bolha, desta vez no mercado imobiliário.
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Como a bolha imobiliária difere da anterior?
- Existem duas diferenças principais. A primeira é que a crise imobiliária veio no acordar do crash do mercado de ações e da recessão de 2000 a 2001. Isso deixou a economia em uma condição mais fraca, com grande capacidade de produção ociosa, baixas taxas de retorno e dívidas corporativas gigantescas. A economia estava tão enfraquecida que Greenspan teve pouca escolha a não ser inflar a bolha imobiliária.

Qual a segunda diferença?
- A segunda diferença é que a bolha imobiliária veio impulsionada pela bolha do mercado de crédito. O Fed e outros bancos centrais trouxeram taxas reais de juros para baixo de zero, estimulando empréstimos gigantescos. Grandes instituições financeiras, incluindo bancos, lucraram enormemente comprando hipotecas direta e indiretamente, empacotando-as em títulos e outros papéis relacionados a elas e vendendo para investidores institucionais de vários tipos. Mas, para assegurar um fluxo contínuo de hipotecas, essas instituições tomavam riscos cada vez maiores, empurrando a venda de hipotecas para famílias pouco preparadas para elas. Quando a bolha do mercado imobiliário estourou e os preços das casas começaram a baixar, ficou óbvio que um número cada vez maior de residências não seria capaz de cobrir as obrigações das hipotecas. Isso naturalmente levou a um grande declínio no valor dos papéis baseados em hipotecas. Como bancos e outras instituições financeiras não só vendiam securities, como também as guardavam, direta ou indiretamente, foram atingidos por uma grande baixa no preço de seus ativos. O resultado agregado foi a dificuldade cada vez maior de se pegar dinheiro emprestado, especialmente já que muitos dos principais credores eram os mesmos bancos e instituições financeiras que estavam encarando o colapso no valor de seus ativos baseados em hipotecas. É o enfraquecimento dos bancos como credores que impõe uma grande ameaça à economia.

A deterioração do setor imobiliário americano é apenas o começo? Qual o pior cenário possível?
- O cenário mais preocupante, mas com mais chances de acontecer, de uma forma ou de outra, é que o enfraquecimento do setor financeiro e da economia real vão se reforçar mutuamente. Como a economia estava tão dependente da bolha imobiliária, a deflação da bolha já estava levando, na metade do ano passado, o país à uma recessão. A recessão deve piorar a crise imobiliária, aumentando o número de calotes e baixando o preço das casas. Mas, se a crise imobiliária piorar, também irá piorar a crise do setor financeiro, que iria impactar na habilidade dos bancos e outras instituições de emprestar para corporações e famílias, exacerbando a recessão.

Que papel os governos e os bancos centrais deveriam ter? Como o senhor vê as últimas ações das autoridades?
- Não será fácil sair desta crise, já que o problema não é de liquidez (a falta de acesso a empréstimos e dinheiro) o que teria sido aliviado pela recente baixa do juros. É, na verdade, uma crise de solvência, ou seja, as perdas devastadoras de capital, do tipo que liquidaram o Bear Stearns. Por essa razão, alguns argumentam que, para rebater a crise, o governo americano não terá escolha a não ser intervir, comprar e recapitalizar algumas das grandes instituições financeiras.

Em 2003, o senhor disse que a política econômica de Lula era suicida. Os níveis de crescimento da economia brasileira nos últimos anos, o crescimento do mercado de ações, mais os elogios recebidos internacionalmente por sua estabilidade, reservas internacionais e superávit comercial o fizeram mudar de opinião?
- Eu argumentei que as austeras políticas neoliberais de Lula, especialmente seus juros altíssimos, eram contraproducentes, e que sua insistência em manter o mercado de capitais aberto era perigoso. O Brasil tem ido bem nos últimos anos, mas o período é curto demais para nos permitir tirar qualquer conclusão sobre a viabilidade do plano econômico do governo. Isso porque o que está por trás do recente crescimento não se deve tanto a uma mudança em casa, mas sim à gigantesca expansão da economia global, aliada ao crédito fácil. Especialmente com a moeda inicialmente tão baixa, o Brasil foi capaz de tomar vantagem do rápido crescimento do PIB mundial para aumentar exportações de forma extraordinária e angariar reservas, o que certamente o irá ajudar na próxima crise. Portanto, o sucesso brasileiro está confinado a um período muito pequeno, de curto prazo.

A pergunta então seria: a expansão brasileira é sustentável?

- Os problemas crescentes no centro capitalista irão testar o dinamismo da economia brasileira. A economia européia está rapidamente desacelerando, com a bolha imobiliária deflacionando em alguns países, enquanto o euro sobe, depreciando exportações. O Japão encara cenário parecido. A estagnação ou crise dos países avançados ajuda a conter o crescimento chinês, que tem sido muito dependente do aumento das exportações, e que provavelmente também será afetado pelas medidas do governo, cada vez mais austeras, para conter a inflação. Uma desaceleração do crescimento chinês de 10% para 7%, mais problemas nas economias avançadas, acabará com o boom dos preços das commodities e reduzirá a demanda significativamente, com conseqüências negativas, mais cedo ou mais tarde, para o Brasil.

Cristovam Buarque critica Lula após pesquisa educacional

Felipe Recondo, de O Estado de S. Paulo

Pesquisa divulgada pelo 'Estado' mostra que um terço das crianças da 4ª série não sabe o conteúdo da 1ª

BRASÍLIA - A pesquisa divulgada no sábado, 22, pelo Estado, que mostra que um terço das crianças da 4ª série do ensino fundamental não sabe o que deveriam ter aprendido na primeira série, recebeu elogios do ex-ministro da Educação Cristovam Buarque (PDT-DF). Com os dados preocupantes, ele critica o governo Lula e diz não ver disposição para reverter essa realidade.

"Essa pesquisa é necessária, como são todas as avaliações, mas nada disso é suficiente para sensibilizar a opinião pública e os governos", afirmou. "O problema é que nada indica que isso vá mudar. E para mudar seria necessário inicialmente que a educação fosse levada tão a sério que fosse tratada como federal e não como estadual e que o salário e a formação dos professores fosse padronizada", argumentou.

O estudo feito pelo Instituto de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep), ligado ao Ministério da Educação, tem por base os resultados da chamada Provinha Brasil, a primeira avaliação de alfabetização feita no País.

Inicialmente, Inep fez uma escala de cinco níveis para identificar se o processo de alfabetização condiz com o nível de aprendizado da criança.

Os dados mostram que o quarto nível, em que um estudante deve ser capaz de ler textos curtos com vocabulário comum na escola, foi considerado pelo Inep como o ideal para um menino de 8 anos que esteja terminando a 1ª série primária - ou o 2º ano, na nova metodologia do ensino fundamental de nove anos.

No entanto, numa avaliação feita em 2005, um terço dos alunos matriculados na 4ª série (ou, agora, o 5º ano do fundamental) não passou desse nível, ou seja, não adquiriu os conhecimentos básicos da 1ª série. Se forem consideradas apenas as escolas públicas - descontadas as federais, que costumam puxar as notas para cima -, esse índice ainda fica um pouco pior: 33,3%. Nas redes municipais, chega a 35%.

A secretária de Educação Básica do Ministério, Maria do Pilar, admitiu que esses números são preocupantes. "É um número que nos preocupa. Não podemos nos contentar que haja algum menino sem aprender", ponderou. Mas ao contrário de Cristovam, ela afirmou que o governo está no caminho certo para mudar essa realidade. "É um dado que nos surpreende, mas acho que estamos no caminho correto. Há 20 anos, tínhamos mais crianças que não aprendiam, mas estavam fora da escola. Hoje temos programas que apontam para um caminho correto", acrescentou.

Um desses programas seria justamente a Provinha Brasil que, servirá, de acordo com ela, para identificar problemas no processo de alfabetização e saná-los antes que a criança chegue aos dez anos sem saber o que deveria ter aprendido aos oito anos. Na próxima semana, estados e municípios começarão a receber o material da pesquisa. O resultado dirá se as escolas estão em conformidade com as metas do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).

Firmeza contra o narcotráfico

Editorial do Jornal do Brasil

Tisnada por uma já extensa galeria de instabilidades - alicerçada, sobretudo, pela beligerância do coronel Hugo Chávez - a América do Sul assistiu nas últimas semanas a episódios preocupantes, para os quais a diplomacia brasileira voltou a revelar timidez. Temporariamente, ressalte-se, foi superado o gravíssimo problema decorrente da incursão, em solo equatoriano, das forças do governo colombiano para destruir um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Mas só temporariamente.

Primeiro veio o cumprimento dos presidentes Alvaro Uribe e Rafael Correa e, de quebra, um abraço sorridente do primeiro com Chávez. Na semana passada, porém, a reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, pecou pela falta de objetividade em propostas, e a hostilidade entre delegações da Colômbia e do Equador foi reativada. Havia a expectativa de que os chanceleres de ambos os países dessem um passo adiante no processo de paz. Entraram e saíram da reunião da mesma maneira: sob rancores e acusações mútuas.

São mais graves, porém, os indícios de que as autoridades sul-americanas ignoram as perigosas relações entre as Farc e o tráfico internacional, e dos guerrilheiros com as autoridades da região. Esta é a principal (e compreensível) razão para o dedo em riste dos Estados Unidos e da Colômbia sobre essas vinculações. Tais relações vêm atormentando as fronteiras de todos os países da região. Diferentemente do que defendeu, por exemplo, o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, as Farc estão longe de ser um problema apenas dos colombianos. De fato, nasceram e cresceram na Colômbia. Mas se multiplicaram com tentáculos bem forjados fora dos limites colombianos. Com a instalação da guerrilha no vizinho Equador, trouxe ainda a Venezuela de Hugo Chávez ao rol de protagonistas do impasse diplomático. Suas ligações com o narcotráfico confirmam as conclusões de que o grupo deixou há muito tempo de competir apenas com o governo Uribe.

Que a inviolabilidade das fronteiras seja uma cláusula-pétrea das relações diplomáticas da América do Sul só os delirantes ousarão duvidar. Mas é preciso ressaltar que a inóspita fronteira entre Brasil e Colômbia foi eleita pelos narcotraficantes - sócios das Farc, repita-se - como uma das principais rotas de saída da cocaína colombiana para o Brasil, vizinhos sul-americanos mais distantes, Europa e Estados Unidos. É inquietante ouvir do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o argumento de que a própria ONU não classifica as Farc como uma organização terrorista. Trata-se de um legalismo que mais torna obscuro do que ilumina o problema.

Mas passemos. Terroristas ou guerrilheiras, as forças "revolucionárias" colombianas constituem o braço armado de um narcotráfico que ganhou feições aterrorizantes. Está-se diante, portanto, de um problema de segurança nacional. As evidências são antigas. Fernando Beira-Mar, um dos maiores criminosos e traficantes brasileiros, foi capturado nas selvas colombianas em 2001. No ano passado morreu o suspeito de ser o segurança pessoal de Beira-Mar em suas visitas a negócios à Colômbia. Tomás Medina Caracas (conhecido por Negro Acácio) era, também, um dos responsáveis por gerenciar a renda gerada pelo tráfico internacional das Farc. Se tais argumentos não forem suficientes, que se faça a conta da destruição e dos efeitos nefastos que as drogas trazem à sociedade.

Como autoproclamado líder latino-americano o Brasil ainda deve uma atuação mais enfática no combate ao narcotráfico. Neste terreno, não há espaços para tibieza.

Mentirosos, por que permanecem?

Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa

BRASÍLIA - Referindo-se a ministros de seu governo que informam errado a respeito do início e da conclusão das obras do PAC, declarou o Lula na semana passada: "Qualquer um pode passar por mentiroso, menos o presidente da República". Queixava-se de que ministros sugeriam visitas a obras que, logo depois, verificava-se nem haver começado, obrigando a mudanças em sua agenda já anunciada.

A conclusão é de que ministros mentem ao presidente, ou, pior ainda, mostram-se tão incompetentes a ponto de não saberem o que se passa em seus setores de atuação.

Qual a saída? Em qualquer lugar onde prevalecem a disciplina e a hierarquia, seria a demissão dos indigitados pinóquios, ou dos frouxos, sem apelação. Um ou dois serviriam como exemplo para os demais. Porque se um comandante não comanda, a responsabilidade é dele.

O lamentável episódio do pito público do chefe do governo, passado em seus ministros, conduz a realidade mais grave: o ministério tem muito pouco a ver com o presidente da República. Existem ministros, é claro, presentes todos os dias ao gabinete do Lula. Os palacianos, de Dilma Roussef a Franklin Martins, os econômicos, como Guido Mantega e Paulo Bernardo.

Os demais, com raras exceções, são deixados ao léu. No bojo de alguma crise, são convocados, mas em tempos normais passam até seis meses sem despachar com o presidente. Uns tocam de ouvido, administram imaginando quais seriam as diretrizes do comandante. Mantêm contato freqüente com a chefe da Casa Civil e tocam projetos.

Outros, porém, preferem cruzar os braços, mantendo a rotina de chegar cedo aos gabinetes, despachar processos óbvios, ler os jornais, receber resumos do noticiário transmitido na véspera pela televisão e pelo rádio, e aguardar convocações que não acontecem.

Pode estar na origem desse desencontro o número excessivo de ministérios. Hoje são 38, logo chegarão a 40. Nos tempos modernos, faça-se justiça, quem tentou corrigir a situação foi Fernando Collor. Não deu certo, os reclamos dos partidos até contribuíram para o seu enfraquecimento, mesmo tendo, no meio de seu curto mandato, sido obrigado a voltar atrás e restabelecer o número de ministérios. Só que eram 25, naqueles idos.

Foi com o governo Lula, com a colaboração anterior de Fernando Henrique Cardoso, que aconteceu o milagre da multiplicação dos ministérios. Tanto para satisfazer os companheiros, ávidos de ocupar o poder, quanto para contemplar aliados. Existem ministros que o presidente jamais havia conhecido, antes da nomeação. Alguns até que, quando bissextamente o encontram, usam o tratamento de "Vossa Excelência", para valer.

O resultado aí está, mas, reconheça-se, não é privilégio do governo Lula: de um lado, o ministério; de outro, a Presidência da República e seus penduricalhos. Desde os generais-presidentes que se formaram quistos no palácio do Planalto. Eram os tais "ministros da Casa", "grupo das nove da manhã" ou que outro nome tenham merecido.

Amigos do peito, auxiliares de vasta eficiência ou até invejosos guindados à intimidade do chefe. Eles valiam muito mais do que os outros, relegados às salas de espera ou aguardando os despachos, primeiro semanais, depois quinzenais, para trocar meia palavra com o presidente e em seguida resolverem suas questões com os chefes das casas Civil ou Militar. A moda continuou nos governos democráticos e agora chegou ao limite, senão da irresponsabilidade, ao menos da desimportância. Talvez por isso o Lula tenha razão ao declarar-se desinformado e submetido a informações mentirosas.

Alegre diáspora
Pode ser que a partir de amanhã, ou depois, o Congresso consiga funcionar outra vez, depois de uma semana que, se não foi santa para a maioria dos deputados e senadores, tornou-se ao menos fluida e vaporosa. Tem parlamentares chegando de Cingapura, Malásia, Timor Leste e Indonésia. De Paris e Nova York, nem se fala. A maioria, porém, permaneceu apenas longe de Brasília. Em suas bases, especialmente em estados litorâneos, curtindo a praia.

Tudo porque na sexta-feira, tradicionalmente Santa, não haveria expediente. Como não há em nenhuma outra sexta-feira do ano. Aqui e ali, na Câmara e no Senado, reuniram-se algumas comissões, inclusive duas CPIs, mas a freqüência de seus integrantes revelou-se lamentável.

Não se lance a responsabilidade pela gazeta apenas sobre o ombro dos parlamentares. Os tribunais superiores fecharam suas portas desde quarta-feira. Nos ministérios, estabeleceu-se um sistema de rodízio de funcionários pela semana inteira. Sentimento religioso assim, nem no Vaticano.

Pesquisas sugerem queda de popularidade de Chávez. É mesmo ?

Claudia Jardim, BBC Brasil

Depois de cinco anos de alta popularidade e nove vitórias consecutivas nas urnas, há alguns sinais de que o presidente Hugo Chávez pode estar perdendo parte do apoio de que desfrutava entre parcelas da população da Venezuela.

Duas pesquisas divulgadas nos últimos dias mostram queda no apoio ao seu governo.

Segundo o Instituto Datos, a aprovação do governo caiu de 43% no final de 2007 para 34%.

Nos números da empresa Alfredo Keller a queda foi ainda maior: de 50% a 37% só no último trimestre. A popularidade pessoal do presidente caiu de 66% em 2006 para 47% neste ano.

Promessas
As duas pesquisas foram feitas depois da maior derrota de Chávez nas urnas, a reprovação em dezembro da proposta de reforma Constitucional – e antes do envolvimento de Chávez na recente crise entre Colômbia e Equador.

Após a derrota no referendo, o presidente venezuelano prometeu realizar uma gestão pública mais eficiente, com menos retórica e mais ações concretas.

Entre as principais preocupações da população, estão a insegurança, corrupção e a constante falta de produtos básicos nos supermercados.

Segundo o Instituto Datos, cerca de 40% dos entrevistados atribuem os problemas diretamente ao presidente.

Em uma visita a dois bairros da base chavista na periferia de Caracas, a BBC Brasil ouviu avaliações discordantes sobre o governo.

Em Lídice, periferia oeste de Caracas, o motoqueiro Jorge Rodríguez , que afirma ter votado em Chávez nas duas últimas eleições, diz estar insatisfeito com a inflação, corrupção e o mal investimento do dinheiro público.

“A corrupção é uma doença que vem de muito tempo, já sabemos, mas não se está fazendo nada para acabar com ela. O dinheiro que deve ser invertido em assistência social nunca chega a seu destino. Isso é revolução?”, questiona Rodríguez, que diz não saber em quem votará no futuro.

Oposição
Já Yudexy Brito, membro de um Conselho Comunal no bairro de 23 de Enero, não vê motivos para abandonar Chávez e coloca em dúvida as pesquisas que apontam queda no apoio ao governo.

“Você vai acreditar no que publicam os meios de comunicação aqui?”, pergunta.

“Minha vida melhorou neste governo. Meus filhos estão estudando, o sistema de saúde melhorou, e agora até sobra uns trocados para viajar na semana santa. Onde está a crise? Isso não existia antes”, argumenta.

Se os levantamentos estiverem corretos, a queda na popularidade de Hugo Chávez pode ter impacto nas eleições estaduais e municipais de novembro e o chavismo – que hoje controla 22 dos 24 estados do país - poderia perder o controle de algumas prefeituras e governos estatuais.

Não está claro, porém, se a oposição será capaz de se beneficiar desse fenômeno.

Por ora, de acordo com os números do Instituto Datos, o número de pessoas que se declaram nem governo, nem oposição – chamados localmente de ni-ni – tem crescido mais do que os que se declaram oposicionistas.

A violência no campo ainda vai piorar.

Adelson Elias Vasconcellos

Bem, vocês leram que o tal Stédile, o poderoso “chefão” da quadrilha chamada “MST”, simplesmente ignorou a decisão da justiça de impedi-lo de ataques a qualquer patrimônio pertencente à Vale.

Claro está que uma atitude de afronta à Justiça só pode partir de quem sabe que pode se escorar em padrinhos fortes. Estes sistemáticos ataques à Vale, é de domínio público, está orquestrada a partir do próprio governo federal que, não podendo agir diretamente contra a companhia, pelo menos tem dado sua licença para os quadrilheiros do MST, Vila Campesina e outras quadrilhas do mesmo bando, continuarem suas ações terroristas.

Fosse este um governo sério, seria fácil dar um recado de desagrado com as ações de violência: bastaria chamar o Stédile e dizer-lhe que, ou ele cessa os tais ataques, ou o governo simplesmente suspenderá os repasses de verbas públicas para o movimento, bem como suspenderá temporariamente os assentamentos rurais.

Mas, mesmo tendo sob seu comando a Polícia Federal, mesmo com toda a estrutura de INCRA, Reforma Agrária e Ministério da Justiça, o governo não moveu um dedo para garantir a integridade patrimonial de uma empresa brasileira, e não uma qualquer diga-se de passagem, como também sequer é capaz de dizer uma frase de reprovação à covardia destas ações criminosas.

Claro que a Vale não ficará sem reação. Dentro do estrito limite legal irá buscar resguardar-se e, se necessário, buscará a justa indenização pelos prejuízos que o vandalismo destes escrotos possa lhe causar. E, neste caso, o governo federal deve ser responsabilizado conforme já afirmamos aqui.

Mas a baderna que MST e congêneres não fica restrita à Vale, está nas invasões até aqui impunes à propriedade rurais e, desde uns tempos para cá, todas produtivas. A invasão destrói, saqueia e ameaça fisicamente a integridade de proprietários e seus empregados. Porém, se estes, no seu direito legítimo de defender-se, provocarem um único arranhão nos vagabundos, aí o mundo vem abaixo. Contudo, não se vê ninguém, a exceção de dois ou três, levantar sua voz para condenar a violência praticada por esta gente, que se diz “social”. Na verdade, são baderneiros, praticando terrorismo e vandalismo sustentados pela própria sociedade, já que parte dos impostos que ela recolhe ao Poder Público é repassado sem nenhuma conseqüência, a não ser receber em troca a agressão de quem ela sustenta.

Como de parte do governo a omissão é total, e a Justiça no País continua encalhada, demora por acontecer, os proprietários rurais que se sentem impotentes de reagir, já estão cansando e os ânimos tendem a levar, pelo menos alguns destes, a perderem o equilíbrio e reagirem violentamente contra a violência que recebem, violência que repetimos, é patrocinada e é incentivada pelo próprio governo federal.

Do site do Diego Casagrande:

Proprietários rurais vão reagir ao MST: "... na bala"

Os fazendeiros do Pontal do Paranapanema, interior de São Paulo, prometem resistir às invasões e destruições do MST em suas propriedades. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, eles estão contratando seguranças depois que o movimento retomou as ocupações na região. Três fazendas foram invadidas após o chamado "Carnaval Vermelho". Agora, os sem-terra prometem novas invasões intituladas "Abril Vermelho". "De agora em diante só se resolve na bala. É só dessa forma. Não adianta entrar com ação de reintegração de posse na Justiça porque não vira nada", afirmou o advogado Rodrigo Macedo, dono da Fazenda Iara, em Euclides da Cunha Paulista. Para proteger-se do MST e da invasão de suas terras que têm 1.100 cabeças de gado, ele contratou quatro seguranças. "Aconselho os fazendeiros a fazerem o mesmo, pois o MST não respeita nem a Justiça", disse.

Macedo foi mantido refém dentro de sua fazenda durante uma invasão no mês passado. "Fui torturado por sem-terra encapuzados, apanhei muito, levei coronhadas e me trancaram num quarto antes da chegada da polícia. Jogaram gasolina e ameaçaram incendiar. Festejaram a minha prisão com churrasco, matando oito bois da minha fazenda. O direito de propriedade não existe?", perguntou.

Por conta da acusação de que atirou nos invasores, Macedo acabou ficando seis dias na cadeia. O país está ou não de cabeça para baixo?

Mais longe das melhores

Por Samantha Lima, Revista EXAME

A queda de 17% no lucro da Petrobras revela a distância que existe entre a estatal brasileira e as grandes empresas petrolíferas do mundo

O magnata John D. Rockefeller, fundador da primeira companhia petrolífera americana, a Standard Oil, cunhou no início do século passado uma definição cristalina para seu ramo de atividade: “O melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada. O segundo melhor negócio é uma empresa de petróleo mal administrada”. A companhia petrolífera americana ExxonMobil, descendente direta da Standard Oil, enquadra-se na primeira parte desse axioma. Embalada pelos sucessivos recordes no preço do barril de petróleo, a ExxonMobil registrou no ano passado o maior lucro anual já obtido por uma corporação americana, de 41 bilhões de dólares, 5% maior que o registrado em 2006. Cravou ainda o maior faturamento do ano nos Estados Unidos, de 404 bilhões de dólares, à frente do Wal-Mart — 378 bilhões de dólares em 2007 —, e o destronou do posto de maior empresa aberta do mundo. A gigante brasileira Petrobras parece mais próxima da segunda parte da definição. Em um cenário extremamente favorável para o setor, com altas recordes da cotação do petróleo, a Petrobras viu seu lucro cair 17% no ano passado, o que significou uma perda equivalente a 2,6 bilhões de dólares em comparação ao resultado de 2006.

Como no aforismo de Rockefeller, a Petrobras está muito longe de ser um mau negócio. A empresa detém a mais avançada tecnologia de extração de petróleo de águas profundas no mundo e é conhecida como um centro de excelência em prospecção de reservas. Seu lucro em 2007, mesmo sendo inferior ao de 2006, foi de 21,5 bilhões de reais (12 bilhões de dólares), o maior registrado por uma empresa brasileira no ano passado. A receita líquida da companhia cresceu 8% e fechou o ano em 170 bilhões de reais (96 bilhões de dólares). A descoberta da gigantesca reserva de Tupi na costa brasileira levou a um crescimento de 87% em seu valor de mercado, que ultrapassou os 200 bilhões de dólares. No entanto, mesmo números tão excepcionais não conseguiram mascarar o fato de que o desempenho da Petrobras ficou muito aquém das melhores empresas do setor no período. Um levantamento conduzido por EXAME com base nos resultados financeiros de dez das principais empresas de petróleo do mundo (Exxon, Shell, TotalFinaElf, Eni, Sinopec, Petrobras, Pemex, PDVSA, Gazprom e Repsol) aponta que apenas quatro delas não registraram crescimento nos lucros em 2007: a Petrobras, a mexicana Pemex, a venezuelana PDVSA e a russa Gazprom — todas empresas estatais. As demais tiveram crescimento. A expansão abarcou da espanhola Repsol, com apenas 2%, à chinesa Sinopec, com espetaculares 40%.

Ter um ano de ganhos menores, quando a maioria das outras empresas do setor comemora resultados históricos, já seria suficientemente preocupante. Mas a questão central para a Petrobras é de outra natureza: a distância entre a estatal brasileira e suas congêneres internacionais vem aumentando. Um ranking produzido especialmente para esta reportagem pela consultoria Economática dá uma idéia disso. De 2006 para 2007, a Petrobras caiu da quinta para a oitava posição entre as dez maiores empresas de petróleo com ações negociadas na principal bolsa de valores do mundo, a de Nova York. O estudo avalia a rentabilidade das companhias, indicador que mede a relação de lucro com patrimônio líquido. Segundo ele, a Petrobras ficou à frente apenas das americanas Apache e Devon. Para os executivos da estatal, a comparação com as congêneres americanas é injusta. “Há diferenças nas regras contábeis do Brasil e dos Estados Unidos que influenciam os resultados”, diz Almir Barbassa, diretor financeiro da Petrobras. Em outra pesquisa, publicada pela revista especializada Petroleum International Weekly, a Petrobras caiu três posições no ranking das empresas mais eficientes do mundo, de 2000 a 2006 (levantamento mais recente disponível). O ranking atribui pontuações às companhias com base em seis indicadores, que levam em conta as reservas, a capacidade de produção, a capacidade de refino e o volume de vendas.

Oficialmente, a queda no lucro da Petrobras foi provocada por quatro fatores: impacto da desvalorização do dólar sobre os ativos no exterior, aumento nos gastos com a importação de produtos, ajustes no plano de pensão dos funcionários e aumento nos custos de fornecimento de bens, serviços e recursos humanos na indústria petrolífera. O dólar, de fato, foi um problema — especialmente porque a Petrobras não estava protegida por um hedge cambial que previsse o enfraquecimento da moeda americana. Equipamentos usados pelas petroleiras em extração tiveram aumento médio de 24% no mercado internacional — mas isso valeu para todas as empresas do setor. O mesmo aconteceu com o encarecimento dos serviços e da mão-de-obra. Para especialistas ouvidos por EXAME, os problemas vão além, portanto, e estão profundamente enraizados no viés político que domina a administração da companhia. Um exemplo: a decisão do governo de não repassar os aumentos do petróleo aos preços de derivados como gasolina e óleo diesel custou à Petrobras 5,8 bilhões de reais de setembro de 2005, quando ocorreu o último reajuste, para cá — segundo um cálculo feito pela consultoria Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE). Apenas no mês passado, a defasagem custou à empresa 16 milhões de reais diários, de acordo com o CBIE. “Essa é uma decisão política que tem grande impacto nos resultados da empresa”, diz o consultor Adriano Pires, do CBIE. O controle de preços é comum em países como Argentina, Venezuela, México e China. Nos Estados Unidos e na Europa, os custos são imediatamente repassados para os consumidores. Parte dos investimentos recentes feitos pela Petrobras ainda não se transformou em resultado, o que também é um fator a prejudicar o resultado final. No ano passado, a estatal investiu 18 bilhões de reais, 20% mais que em 2006 e um recorde em toda a sua história. É possível que ocorram ganhos de produtividade no futuro. Mas, em 2007, a produção de petróleo e gás permaneceu praticamente estagnada em 2,3 milhões de barris diários. Das cinco novas plataformas previstas para entrar em operação no ano, apenas uma começou efetivamente a produzir no prazo programado. Como resultado, a companhia, que chegou a anunciar a auto-suficiência em 2006, importou 390 000 barris diários em 2007. “A Petrobras é a maior empresa de operação em águas profundas no mundo, e extrair petróleo nessas condições é uma operação complexa, passível de atrasos”, diz o diretor Barbassa. Para os analistas, o argumento é plausível, mas isso não significa que o mercado seguirá tão condescendente em relação à empresa. “Todos estão atentos, e talvez a paciência não seja a mesma caso esses problemas voltem a se repetir”, diz Eduardo Roche, gerente de análise da gestora de investimentos Modal Asset. A posição e o prestígio que a Petrobras tem hoje no cenário petrolífero internacional são resultado de um quadro técnico de primeira linha e de um esforço de rofissionalização iniciado nos anos 90. Naquela ocasião, a estrutura corporativa da empresa foi modificada para torná-la mais transparente, competitiva e eficiente. Criou-se um conselho de diretores independente e aboliu-se o monopólio de exploração no país. A profissionalização, porém, deu passos para trás nos últimos anos. “Criou-se uma cultura na Petrobras em que o que conta é a capacidade de articulação política dos funcionários, e não os aspectos técnicos do trabalho; os funcionários perdem um tempo enorme se compondo com aliados e procurando prejudicar os inimigos”, disse um ex-conselheiro da empresa a EXAME. Recentemente, o cargo de diretor da nova unidade de biocombustíveis da Petrobras foi usado para resolver uma disputa interna. O novo diretor da unidade, Alan Kardec Pinto, ex-gerente de abastecimento e refino e apoiado pelo PT, recebeu a cadeira como uma espécie de prêmio de consolação depois de entrar em rota de choque com seu chefe imediato, o diretor de abastecimento, Paulo Roberto Costa, apadrinhado de outro partido, o PP. Engenheiro e ex-gerente de abastecimento da Petrobras, Kardec nunca escondeu seu interesse pelo posto de Costa. Acabou afastado em 2007 e reacomodado em uma assessoria da presidência, de onde saiu para ocupar o novo cargo. A Petrobras foi e continua a ser uma potência no Brasil e em seu setor. Mas seus números, embora ainda impressionantes, deixam claro que algumas coisas na empresa podem e devem ser melhoradas.

A Petrobras perdeu em rentabilidade...
Com o lucro em queda, a estatal caiu três posições no ranking de rentabilidade das empresas com ações na bolsa de Nova York (em percentual do lucro sobre patrimônio líquido)

2006
1. Marathon Oil (EUA) - 39,8
2. Anadarko Petroleum (EUA) - 37,4
3. Exxon (EUA) - 35,1
4. Valero Energy (EUA) - 32,4
5. Petrobras (Brasil) - 30,5
6. Chevron Texaco (EUA) - 26,0
7. Occidental Petrol (EUA) - 24,4
8. Chesapeake Energy (EUA) - 23,0
9. ConocoPhillips (EUA) - 22,9
10. Apache (EUA) - 21,5

2007
1. Exxon (EUA) - 34,4
2. Valero Energy (EUA) - 28,2
3. Exelon (EUA) - 27,2
4. Occidental Petrol (EUA) - 25,7
5. Chevron (EUA) - 25,6
6. Anadarko Petroleum (EUA) - 24,1
7. Marathon Oil (EUA) - 23,3
8. Petrobras (Brasil) - 22,1
9. Apache (EUA) - 19,6
10. Devon Energy (EUA) - 18,2
Fonte: Economática

...e em eficiência(1)
De 2000 a 2006, a Petrobras perdeu três posições entre as empresas mais eficientes do mundo

RANKING DE 2000
1. Saudi Aramco (Arábia Saudita)
2. PDVSA (Venezuela)
3. Exxon (EUA)
4. Nioc (Irã)
5. Shell (Reino Unido/Holanda)
6. Pemex (México)
7. British Petroleum (Reino Unido)
8. TotalFinaElf (França)
9. Petrochina (China)
10. Pertamina (Indonésia)
11. Sonatrach (Argélia)
12. Petrobras (Brasil)
13. KPC (Kuwait)
14. Chevron Texaco (EUA)
15. ConocoPhillips (EUA)

RANKING DE 2006
1. Saudi Aramco (Arábia Saudita)
2. Nioc (Irã)
3. Exxon (EUA)
4. British Petroleum (Reino Unido)
5. PDVSA (Venezuela)
6. Shell (Reino Unido/Holanda)
7. Petrochina (China)
8. ConocoPhillips (EUA)
9. Chevron (EUA)
10. TotalFinaElf (França)
11. Pemex (México)
12. Gazprom (Rússia)
13. Sonatrach (Argélia)
14. KPC (Kuwait)
15. Petrobras (Brasil)

(1) Ranking montado pela Petroleum International Weeklycom base na avaliação dos seguintes critérios: reservas e produção de petróleo, reservas e produção de gás, capacidade de refino e volume de vendas

Por que a Petrobrás perdeu rentabilidade ?

Adelson Elias Vasconcellos

No próximo post,vamos reproduzir uma longa reportagem publicada na Revista Exame que acaba de chegar às bancas, na qual se tenta, ao menos, encontrar explicações convincentes para a queda nos lucros da Petrobrás.

Apesar do o governo anunciar nossa “auto-suficiência”, o que já comprovamos aqui ser uma grossa mentira, o fato é que o volume de produção nunca foi tão alto. Claro que a gasolina que move a maior frota de automotores no país precisa ser importada, e o petróleo nunca esteve tão caro no mercado internacional, como de 2007 para cá. Mas, por outro lado, produzimos petróleo suficiente para haver pelo menos um certo equilíbrio, e assim, manter por certo tempo os preços estabilizados no mercado interno. Então por que o lucro reduziu-se quase 20% entre 2006 e 2007?

Mais: nunca se produziu e se vendeu tantos automóveis no país como agora. Assim, é de se supor que o consumo também esteja elevado. Mas há questões que a reportagem acaba abordando com muita propriedade, e uma delas é o fato de que a estrutura de gestão da estatal brasileira acaba encorpando muito mais gordura do que outras empresas petrolíferas privadas, e isto começa a dar luz para a resposta que se busca.

Ainda nesta semana, o senhor Luiz Inácio disse que, apesar do preço internacional ter batido no nível recorde de toda a história, em US $ 110,00/barril, o preço interno dos combustíveis não iria subir. Mas questionamos se a resposta foi de natureza política ou econômica, porque muito embora estatal, existem milhares de outros acionistas aos quais a Petrobrás deve satisfação. Ninguém gosta de ver seu investimento se desvalorizar por má gestão.

A preocupação, pela perda de rentabilidade, se deve ainda e sobretudo pelo uso da companhia com um instrumento de governo, o que contraria os postulados básicos do que manda a boa administração. A estatal é uma companhia aberta, seu capital está fracionado entre milhares de acionistas, e deve ser dentro desta ótica que ela precisa ser gerida. Não é por outra razão que a estatal venezuelana, a PDVSA, por exemplo, também caiu muito no mesmo terreno. Conseqüências de um governo voltado para o próprio umbigo de seus governantes, e que redunda em jogar no ralo da incompetência estatal, um importante gerador de divisas que poderia ser carreada em proveito de todos, e não apenas de alguns.

Não estamos, por outro lado, insinuando que a Petrobrás deve ser ou não privatizada. Mas nada impede de que, mesmo sendo estatal, possa ser rentável.