Adelson Elias Vasconcellos
Há coisas no Brasil que são surreais. Há questão de 30 dias, o ministro da Saúde de Mosquitos anunciou com toda a pompa que a dengue esta sob controle. O Rio desmentiu o ministro, com mais de 33 mil infectados e mais de 50mortes. Pelo menos até esta hora.
Em 2002, o então candidato Luiz Inácio, em campanha eleitoral desceu o sarrafo no ex-ministro da Saúde José Serra por causa da dengue, que, agora, em seu governo, não apenas não conseguiu controlar, como também se deu ao luxo de investir apenas 50% dos recursos previstos nos trabalhos de prevenção à dengue. Quando se deu conta do contraditório, rapidamente entrou em cena pedindo uma “despolitização” sobre o assunto. Afinal em ano eleitoral, notícias ruins não podem ser politizadas...
O sistema de saúde pública no Rio de Janeiro está precário, e não é de hoje. Faz que os cariocas cumprem um verdadeiro calvário para serem atendidos. Com o agravamento da epidemia da dengue neste ano, esta precariedade mostrou sua face mais cruel: tem gente morrendo por falta de atendimento.
Hoje, ao instalar o Gabinete da Crise, FINALMENTE, o ministro se tocou e assumiu que o Rio vive, de fato, uma epidemia. Já é um bom começo aceitar a realidade que esfrega na cara de todos. Depois, admitiu que “...O número de atendimentos a doentes com dengue se deve à fragilidade do sistema de saúde do Rio...”.
Ledo engano ministro, mesmo que o sistema de saúde fosse perfeito e pudesse ter atendido aos mais de 33,0 infectados, ainda restariam mais de 33 mil infectados. Talvez não tivessem ocorridos tantas mortes, mas a perfeição ou do sistema de saúde nada tem a ver com a epidemia.
Mas onde a bizarrice do ministro atinge sua loucura maior é quando ele se saiu com esta pérola:
Há coisas no Brasil que são surreais. Há questão de 30 dias, o ministro da Saúde de Mosquitos anunciou com toda a pompa que a dengue esta sob controle. O Rio desmentiu o ministro, com mais de 33 mil infectados e mais de 50mortes. Pelo menos até esta hora.
Em 2002, o então candidato Luiz Inácio, em campanha eleitoral desceu o sarrafo no ex-ministro da Saúde José Serra por causa da dengue, que, agora, em seu governo, não apenas não conseguiu controlar, como também se deu ao luxo de investir apenas 50% dos recursos previstos nos trabalhos de prevenção à dengue. Quando se deu conta do contraditório, rapidamente entrou em cena pedindo uma “despolitização” sobre o assunto. Afinal em ano eleitoral, notícias ruins não podem ser politizadas...
O sistema de saúde pública no Rio de Janeiro está precário, e não é de hoje. Faz que os cariocas cumprem um verdadeiro calvário para serem atendidos. Com o agravamento da epidemia da dengue neste ano, esta precariedade mostrou sua face mais cruel: tem gente morrendo por falta de atendimento.
Hoje, ao instalar o Gabinete da Crise, FINALMENTE, o ministro se tocou e assumiu que o Rio vive, de fato, uma epidemia. Já é um bom começo aceitar a realidade que esfrega na cara de todos. Depois, admitiu que “...O número de atendimentos a doentes com dengue se deve à fragilidade do sistema de saúde do Rio...”.
Ledo engano ministro, mesmo que o sistema de saúde fosse perfeito e pudesse ter atendido aos mais de 33,0 infectados, ainda restariam mais de 33 mil infectados. Talvez não tivessem ocorridos tantas mortes, mas a perfeição ou do sistema de saúde nada tem a ver com a epidemia.
Mas onde a bizarrice do ministro atinge sua loucura maior é quando ele se saiu com esta pérola:
“...O ministro disse ainda que previu a que o Rio passaria pelo problema desde outubro de 2007, e que já havia avisado a autoridades competentes...”
Peraí, ministro: dentre as ditas “autoridades competentes” não se inclui o próprio ministro da saúde ? Ou agora o ministro só serve para cuidar de descriminalização de drogas e liberação total do aborto ? Ora, convenhamos, senhor Temporão, seria mais bonito e honesto assumir que vossa senhoria falhou, que todas as autoridades municipais e estaduais responsáveis pela Saúde no Rio de Janeiro e em conjunto com o Ministro da Saúde falharam no combate ao mosquito.
E mais: se o senhor Temporão “de fato previu” que o Rio passaria pela epidemia em outubro de 2007, por que esperou praticamente 6 meses, 33 mil infectados e mais de 50 mortos para tomar providências? Por que, há seis meses atrás, o Ministério da Saúde não liberou os outros 50% do orçamento destinados à prevenção contra dengue, para evitar e prevenir que o mosquito não produzisse o estrago que agora se vê ?
Isto significa dizer, quer o ministro goste ou não, que o ministro do mosquito está tardiamente admitindo a própria culpa, assumindo a irresponsabilidade de não ter agido em tempo de evitar que a população fosse prejudicada. Como também, poderia ter montado um esquema de trabalho preventivo para, em sendo inevitável a epidemia nas proporções que ora se vê, pelo menos a rede pública de saúde pudesse ter condições humanas e materiais de prestar o atendimento devido e indispensável.
Vir a público dizer que “previu” a epidemia em outubro de 2007 e que somente seis meses instalou um gabinete de crise, convenhamos é desdenhar da inteligência das pessoas, ou toma-las por completas imbecis.
E que fique bem claro: entre outubro de 2007 a janeiro de 2008, o governo federal não deixou de receber um centavo a título de CPMF. Equivale dizer que, tanto na Educação, quanto agora se vê na Saúde, mas também em muitos outros setores, o que falta ao governo federal não são recursos. Falta competência, gerenciamento, adequado estabelecimento de metas que visem diretamente o interesse público. Cuidar da educação com a devida prioridade, tanto quanto da saúde, não se precisa de palanques eleitorais para lançamentos de pacs disto ou daquilo. Esta é uma tarefa rotineira de governo, ou pelo menos deveria ser. É para isto que o Poder Público extorque da população cerca de 40% de carga tributária.
Portanto, ministro Temporão, que gasta mais com saúde e educação, porque dinheiro há para isto, e se gaste menos com ostentação e tapiocas ministeriais, ou chicletes presidenciais...
A notícia é do JB Online, por Duillo Victor e Ludmilla Rabello.
Temporão assume epidemia e anuncia medidas contra dengue
RIO - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assumiu que o Rio vive uma epidemia de dengue, durante entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira. O objetivo da entrevista era anunciar medidas contra a doença.
- O número de atendimentos a doentes com dengue se deve à fragilidade do sistema de saúde do Rio. O Rio de janeiro é a capital que tem a pior cobertura do Programa Médicos de Família - disse o ministro.
Segundo Temporão, o nível de letalidade da doença já ultrapassou nível permitido pela Organização Mundial de Saúde(OMS), que seria de 1% em casos de dengue hemorrágica. No Rio, esse número ultrapassa os 5%.
O ministro disse ainda que previu que o Rio passaria pelo problema desde outubro de 2007, e que já havia avisado a autoridades competentes.
Entre as medidas anunciadas estão a liberação de 300 agentes de saúde e 15 carros de fumacê para atuar contra o Aedes aegypti, mosquito que transmite a doença; abertura de mais 104 leitos para atendimento aos enfermos nos seis hospitais federais do Rio; contratação temporária de 671 profissionais de saúde; e inauguração dos centros de hidratação.
Ainda nesta semana,o ministro discute com representantes do Comando Militar do Leste, a cessão de hospitais e profissionais das forças armadas para combater a doença.