Adelson Elias Vasconcellos
ATENÇÃO: Dada a importância do que este artigo revela, ele permanecerá aqui no alto por alguns dias, com as atualizações sendo postadas logo abaixo dele.
ATENÇÃO: Dada a importância do que este artigo revela, ele permanecerá aqui no alto por alguns dias, com as atualizações sendo postadas logo abaixo dele.
Várias vezes já comentamos a sacanagem em curso, por parte do governo Dilma Presidente, de aplicar um confisco sobre os assalariados brasileiros. E não se trata de uma simples crítica: é só saber fazer cálculos e se chega a esta conclusão.
Vamos à matemática, então. Muito embora todo o teatro que as centrais tentam encenar para se mostrarem “interessadas” em melhorar a renda dos trabalhadores, o fato é que, pouco a pouco, a decisão do governo em elevar o salário mínimo para R$ 545,00 e corrigir a tabela do imposto de renda apenas em 4,5%, vai vingando. Quem perde? Infelizmente os trabalhadores de baixa renda.
E se assim for, o aumento que o “bondoso” novo governo velho pretende conceder ao assalariados, será inteiramente confiscado pelo próprio governo, na forma de imposto de renda, e o que é pior, na fonte. No fundo, o governo, com as propostas que foram colocadas na mesa como definitivas, não pratica outra coisa sena mera elevação da carga tributária, aumentando as receitas do Tesouro. Depois eles ainda vem com aquela encenação toda do “corte no orçamento”.
Agora, leio aqui e ali, sugestão apresentada pelo blog de que, parte do aumento a ser concedido em 2012, considerando-se o crescimento do PIB, poderia ser antecipada para evitar que, à corrosão que a inflação em alta, em 2011, irá provocar, se junte também um confisco via imposto de renda na fonte. Isto seria apenas uma pequena justiça social, perto da grandeza da sacanagem que se quer aplicar sobre os trabalhadores. Leio, ainda, que manter a regra de correção do salário, repondo apenas a inflação, demonstra sinal de competência do governo Dilma Presidente, e sua responsabilidade para com as contas públicas. UMA OVA! Demonstra, isto sim, que a política de corrosão do salário via imposto, iniciada com Lula em 2003, vai continuar. Não é o salário mínimo que provocará rombo nas contas públicas coisíssima nenhuma. Não é a correção plena da tabela do imposto de renda que fará o governo quebrar. Isto É MENTIRA. Digo e provo, e quem quiser, que tente mostrar o contrário. O que quebra o país, o que desequilibra as contas públicas são as outras despesas inúteis e sem retorno em benefícios para a população, nunca o salário dos trabalhadores. Vamos aos números, então.
Partindo-se da proposta do governo federal, ou seja, salário mínimo de R$ 545,00, e correção da tabela do imposto de renda na fonte em apenas 4,5% apesar da escandalosa defasagem aplicada nos últimos anos que, por coincidência foram os anos de Lula Presidente, a situação ficaria assim:
Em 2010:
Salário mínimo: R$ 510,00
Faixa de isenção do IRF: 1.499,15
Numero de salário mínimos isentos: 2,94
Em 2011:
Salário mínimo: R$ 545,00
Isentos de IRF: 1.566,61
Número de salários mínimos isentos: 2,87
Ou seja, vai aumentar o número de assalariados que passarão a pagar imposto de renda na fonte, já que a correção do salário foi maior do que a da tabela do imposto de renda na fonte.
Mas o confisco fica ainda mais evidente se a gente analisar a série histórica e acompanhar, ano após ano, o nº de salários isentos do imposto.
Vamos a tabela.
ANO Sal.Mín. Valor isento Nº salários mínimos isentos 1995 - 100,00 676,70 (03/95) 6,76
- 100,00 706,10 (06/95) 7,06
- 100,00 756,44 (07/95) 7,56
- 100,00 795,24 (12/95) 7,95
1996 - 112,00 900,00 8,03
1997 - 120,00 900,00 7,50
1998 - 130,00 900,00 6,92
1999 - 136,00 900,00 6,61
2000 - 151,00 900,00 5,96
2001 - 180,00 900,00 5,00
2002 - 200,00 1.058,00 5,29
2003 - 240,00 1.058,00 4,40
2004 - 260,00 1.058,00 4,06
2005 - 300,00 1.164,00 3,88
2006 - 350,00 1.257,12 3,59
2007 - 380,00 1.313,69 3,45
2008 - 415,00 1.372,87 3,30
2009 - 465,00 1.434,59 3,08
2010 - 510,00 1.499,15 2,94
2011 - 545,00 1.566,61 2,87
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Ou seja, enquanto o salário mínimo cresceu no período de R$ 100,00 para R$ 545, 00, representando um acréscimo de 445%, a faixa de isenção foi ampliada de R$ 676,70 para R$ 1566,61, representando uma correção de apenas 131,5%. Se a gente observar apenas o período do governo Lula, a partir de 2003, veremos que o confisco foi brutal. O “pai dos pobres”, ao assumir, encontrou uma faixa de isenção de imposto de renda na fonte de até 5,29 salários mínimos. Ao entregar o mandato, a faixa de isenção caíra para ridículos 2,94 salários mínimos. Ou seja, enquanto Lula concedia aumentos reais de salário mínimo e disto fazia enorme propaganda e barulho, de outro, e sem propaganda, se apropriava de parcela cada vez mais significativas dos salários na forma de imposto na fonte.
Portanto, não me venham agora pedir para aplaudir o governo Lula como aquele que mais beneficiou os pobres do país. Os números estão aí e demonstram, claramente, que Lula foi implacável contra os pobres. Seu governo confiscou os salários de tal forma que, todo o aumento real acabou corroído pela inflação de um lado, e pela tributação infame e impiedosa, de outro.
Se a gente foi comparar com os ganhos dos bancos, por exemplo, e pela bolsa BNDES, é fácil concluir que o governo “popular” beneficiou muito mais as elites do que a população de baixa renda. Ao ampliar sem reservas o Bolsa Família, e tributar de forma cada vez mais os salários dos trabalhadores, é fácil concluir que Lula aplicou uma política de perenização da pobreza. Sua competência? Foi a de mentir de forma descarada e se fazer acreditar como o protetor dos pobres, dos menos favorecidos, quando no fundo, seu governo, foi sim, um governo devotado em favorecer às elites políticas e econômicas do país, apesar do discurso cafajeste, e da publicidade mistificadora.
