quarta-feira, abril 25, 2007

A oposição dissolveu-se

Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil

Inútil catar os piolhos da contradição ou atirar pedras na janela da incoerência para desqualificar os límpidos recados que os índices da pesquisa CNT/Sensus endereçam aos jubilosos arraiais governistas e à perplexidade da oposição, aturdida com o soco no estômago de derrubar pugilista.
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Basta botar a cuca pra funcionar que as evidências saltam com a limpidez de obviedades. O maior presidente da História deste país vem sustentando folgado apoio majoritário em todas as provas a que se tem submetido, dos testes das urnas à bisbilhotice dos institutos de pesquisas.
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Os três insucessos como candidato natural do PT à Presidência da República, as derrotas para Fernando Collor de Mello e em dose dupla para Fernando Henrique Cardoso cunharam a imagem do líder popular, forjado no florescente movimento sindicalista e que estava pronto para a vitória e o bis do segundo mandato.Em processo simultâneo, com sinal trocado, a oposição dissolveu-se, lentamente, como sabonete esquecido na banheira e, nos arranques de desespero de suicida desde que Lula chegou ao Palácio do Planalto.
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Sei que é fácil deitar regras distante do fogaréu. Mas as derrotas pouco ou nada ensinaram ao bolo solado dos oposicionistas. E acredito que não será fácil a humildade dos murros da expiação na caixa do peito. Os 63,7% de aprovação do desempenho do presidente Lula, contra os esquálidos 28,2% de desaprovação, quicam no campo de grama seca como bola murcha do aturdimento. A lógica da miopia enxerga o sombreado dos erros, omissões, escândalos do caixa 2, da compra e venda de aliados no mercado do mensalão; da malha rodoviária esburacada a denunciar as mutretas do patusco corre-corre da operação tapa-buraco; da insegurança que se espalha como praga por todo o país e, ainda agora, o apagão aéreo raspa no risco de crise militar.A lista pode engrossar com centenas de verbetes.
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É preciso humildade para a análise dos próprios erros e o reconhecimento da esperteza marota do adversário. Se a oposição mirar-se no espelho, verá que envelheceu.O erro mais gritante é a insistência em sustentar o debate político no cerrado ideológico do gasto confronto de direita contra esquerda. Lula jamais foi de esquerda ou sequer socialista. Muito menos o povão que nele vota pelas evidentes razões que os identificam. Votam no retirante nordestino, no filho de dona Lindu que, abandonada pelo marido, Aristides, mudou-se com a filharada para São Paulo, na aventura da viagem no pau-de-arara.
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Nos quase 60 anos de repórter político, nenhuma das campanhas nacionais que acompanhei foi decidida pelo confronto ideológico. Só o Partido Comunista tentou desfraldar a bandeira rubra com a foice e o martelo.
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Roupa velha do fundo do baú da memória. A oposição dissolveu-se. Com a baldeação do PMDB para o balaio lulista, em transação muito bem recompensada, os tucanos e o PFL de fatiota nova não têm fôlego para agüentar a parada.
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Falta quase tudo, sobram deficiências. A começar pelo líder que já deveria estar conversando com o distinto público, com o discurso objetivo e direto.
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Um desafio e tanto. Mas Lula não pode ser candidato ao terceiro mandato sem reforma da Constituição e o risco de tocar fogo no país. Mas com a cesta básica, carro-chefe dos programas assistenciais, e o carisma que passa incólume por toda a buraqueira do caminho, pode levar de carona o candidato que escolher quando quiser. Do PT ou da nova safra dos adesistas.
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Se a oposição não abrir os olhos vai morrer na praia, afogada com água pelas canelas.

ENQUANTO ISSO...

Dossiê Vedoin: TSE inocenta Lula e aliados
Maria Clara Cabral , Redação Terra
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) inocentou, por unanimidade, na noite desta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele era julgado por suposto abuso de poder relacionado à tentativa de compra do dossiê contra tucanos, durante as eleições de 2006, que vincularia políticos do PSDB à chamada "máfia dos sanguessugas".

Também foram inocentados o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos; o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini; o empresário Valdebran Padilha; o advogado Gedimar Passos; e o ex-assessor da Presidência Freud Godoy.

O relator do caso, ministro Cesar Asfor Rocha, votou pela improcedência do processo. Ele alegou que não há existência de provas materiais que comprovem a relação do presidente Lula com a apreensão do dinheiro. "Concluo que a configuração do crime exige comprovação de fatos materiais, o que inexiste no caso", disse Rocha.

O parecer de Rocha foi seguido por outros seis ministros. O presidente do TSE, Marco Aurélio de Melo, que tem voto facultativo, preferiu não votar. Marco Aurélio lembrou que, apesar de o processo ter sido encerrado nesta terça-feira, em âmbito eleitoral, ele continua na primeira instância.

Lula disse que não comentaria a decisão do TSE porque não sabia o seu teor. Mesmo informado pelos jornalistas sobre o resultado do julgamento, o presidente preferiu não fazer comentários.

O advogado da coligação (PSDB-Democratas, ex-PFL), Eduardo Alckmin, disse que ainda vai estudar se entrará com algum tipo de recurso do julgamento. "Ao meu ver, não faltaram provas, mas no ver do tribunal, infelizmente, sim. Ainda temos de estudar e verificar se houve alguma tipo de omissão para decidirmos se entraremos com recurso ou não".

Já advogada o PT, Roberta Rangel, disse que o resultado já era esperado. Para ela, a disputa jurídica foi mais fácil do que a disputa eleitoral. "Ficou claro, até pelo resultado unânime, que o processo não continha nenhuma sustentação jurídica".

Na ação, protocolada no dia 18 de setembro de 2006, a coligação que apoiou a candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência, relatou que no dia 16 de setembro, foram presos pela Polícia Federal, Valdebran Padilha e Gedimar Passos, com US$ 248,8 mil e R$ 1,168 milhão, destinados a comprar, supostamente, um dossiê contra políticos do PSDB. Segundo a coligação, o dossiê seria usado para prejudicar a campanha de Geraldo Alckmin à Presidência.

ENQUANTO ISSO...

Já na Terra de Lula, Receita descobre golpe e recupera R$ 150 mi
Redação Terra

A Receita Federal realizou na segunda-feira uma operação que flagrou desvios que devem render até R$ 150 milhões aos cofres públicos em declarações adulteradas de Imposto de Renda Pessoa Física, na cidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo.

A operação foi realizada com apoio da Polícia Federal em escritórios que adulteravam os valores das declarações, com a inclusão indevida de despesas médicas, despesas de instruções e de previdência privada, com a intenção de aumentar o valor das restituições.

Nos locais foram apreendidos computadores, documentos, CDs e pen-drives contendo cerca de 18 mil declarações entregues. Três escritórios de São Bernardo do Campo foram fechados pela operação.

Instaurado o procedimento fiscal, os contribuintes flagrados não mais poderão retificar as declarações e, além da multa de até 225%, serão objetos de representação criminal para fins penais.


COMENTANDO A NOTICIA: “(...) Concluo que a configuração do crime exige comprovação de fatos materiais, o que inexiste no caso(...)”, ou seja, para o ministro o 1,700 milhão de reais, não se constitui em prova material, assim como os íntimos do presidente não servem prá nada. Como o inquérito da Polícia Federal foi dirigido pelo Ministério de Justiça para não se chegar a lugar algum, então arquive-se e dane-se futebol clube. Absurdo ? Não, definitivamente não é absurdo sabendo-se que este país virou de cabeça para baixo, em que os mesmos corruptos foram abençoados pelas “urnas”. Como eles detém o poder, o judiciário interpreta como sendo esta a força máxima que os absolve de todos os pecados. Aliás, o Judiciário é mesmo um órgão de decisões estranhas: foram presas mais de 30 pessoas pelo mesmo crime, porém, houve por bem o Judiciário liberar da prisão apenas aqueles que fazem parte da corporação de Juízes e Magistrados. O restante que mofe na cadeia, desde que seus pares fiquem soltos para delinqüir e se venderem ao crime organizado. Evidente que a sentença do TSE não surpreende ninguém. O TSE só chancelou aquilo que as investigações, na forma como foram conduzidas, resultou saber: um crime sem criminosos. Ao arquiteto não do plano mas de como as investigações seguiram, é de se parabenizar.

Já para a Receita, apesar de que o golpe foi sustado, os procedimentos de penalização continuam. Para Lula e seus capangas, como o golpe foi descoberto antes, o juiz entendeu ser isto o suficiente para absolver, porque o que se pretendia não surtiu o efeito desejado. É o mesmo que absolver um criminoso que tenta matar alguém, e como não consegue, porque a polícia chegou antes, o crime não aconteceu. Esta é a justiça brasileira. E eles não entendem porque a violência anda solta, e ainda querem punir a sociedade dizendo ser ela culpada.

Não mesmo. A sociedade é vítima de uma republiqueta forrada em seu poderes públicos por canalhas e cafajestes. Gente lacraia e ordinária da pior espécie, mas que, para azar desta sociedade, é que detém o poder. E assim será até que esta sociedade se encha o saco e passe a fazer justiça com as próprias mãos. E a camarilha que vá reclamar para o Hugo Chavez !!!

É preciso agora aprender a punir

Editorial Jornal do Brasil

A Polícia Federal aprendeu a dar voz de prisão a qualquer bandido, informa a comissão de frente do bloco dos engaiolados pela Operação Hurricane ("furacão", em inglês). No grupo dos 25 capturados no primeiro dia da ofensiva contra a máfia dos caça-níqueis, figuram, ao lado de veteranos bicheiros que descobriram os encantos do tráfico de drogas e armas, delegados federais, advogados, juízes, desembargadores e um procurador regional da República.

O balanço inicial da operação, minuciosamente planejada e executada com notável competência, exibe números impressionantes. Segundo a Polícia Federal, foram apreendidos R$ 10 milhões em cédulas, R$ 5 milhões em cheques, US$ 300 mil, 34 mil euros, 400 libras e 51 automóveis (quase todos importados), além dos 27 relógios da grife Rolex trancados num cofre do apartamento de Ailton Guimarães Jorge, o notório Capitão Guimarães.

Só na casa de Aniz Abrahão David, o Anísio da Beija-Flor, a polícia apreendeu, no meio de outros guardados incomuns, US$ 48 mil (mais de R$ 100 mil). O advogado Ubiratan Guedes, integrante da brigada de doutores incumbida de manter em liberdade o presidente de honra da escola de samba de Nilópolis, achou tudo muito natural. "Qualquer cidadão poderia ter isso em casa", desdenhou Guedes, antecipando parcialmente a linha de defesa do réu.

A blindagem jurídica vai incluir um argumento que costuma tornar ainda mais misericordiosos juízes e jurados do Brasil. "Meu cliente fez uma cirurgia cardíaca há cerca de um ano e toma medicamentos todos os dias", contou o doutor. Testemunhas das performances de Anísio nos desfiles das escolas de samba do primeiro grupo, as arquibancadas da Sapucaí ainda convalescem do espanto. Os destaques da Beija-Flor agora incluem o cardíaco mais animado do Brasil.

O desembaraço dos bacharéis, estimulado pela agressividade corporativista da Ordem dos Advogados do Brasil, tangencia a fronteira da afronta, mas nada tem de surpreendente. Eles sabem que, se a polícia aprendeu a prender, a Justiça ainda não sabe punir bandidos ricos com o desejável rigor, muito menos mantê-los na cadeia. Assim tem sido desde sempre. Profissionais e amigos a serviço dos envolvidos com o bando mafioso acreditam que será assim agora.

Essa crença, fundamentada em incontáveis antecedentes, desta vez se apóia num inquietante alicerce adicional. Ao longo das investigações, a polícia reuniu evidências e provas consistentes de ações criminosas praticadas por magistrados e desembargadores vinculados à quadrilha. E juízes raramente são severos com juízes.

Terão de sê-lo desta vez, sob pena de transformar em certeza a suspeita de que o país caminha para assumir a liderança no ranking dos paraísos da impunidade dolarizada. Antes do aparecimento da figura do juiz-bandido, já era perturbadoramente pequena a confiança no Judiciário. Ficou menor com a descoberta dos lalaus. Poderá descer a quase nada se a indulgência prevalecer.

Tal descrença foi ratificada, por sinal, pela morna reação da opinião pública ao noticiário sobre a Operação Hurricane. Em democracias mais musculosas, a sociedade estaria nas ruas, exigindo a pronta punição dos pecadores. No Brasil, nem a presença de bandidos nos mais importantes tribunais causa perplexidade. Até agora, só provocou manifestações de indignação a suspeita de que integrantes do bando fraudaram o resultado do desfile de Carnaval.

Não basta TV Pública. Eles querem cercear a imprensa

Reinaldo Azevedo

Na Folha desta quarta, por Andreza Matais. Volto depois:

O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), defendeu ontem que a reforma política, que tramita no Congresso, também discuta mecanismos para discutir "o poder dos meios de comunicação no processo eleitoral". Durante seminário que tinha como objetivo debater o "funcionamento dos sistemas políticos eleitorais do Uruguai, da Espanha e da Alemanha", ele disse que a reforma não pode se limitar ao financiamento público, à fidelidade partidária e ao voto em lista. "Há questões mais importantes, como discutir o poder dos meios de comunicação no processo eleitoral." Berzoini também sugeriu que a Justiça Eleitoral poderia controlar os meios de comunicação, mas não disse de que forma isso seria feito.
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(...)O líder do PT na Câmara, Luiz Sérgio (RJ), e o deputado José Genoino (PT-SP) concordaram com Berzoini. (...)"Algumas pessoas do Judiciário, do Ministério Público e da mídia partem da idéia de que algumas instituições encarnam o bem e fazem um julgamento preconceituoso e elitista do que consideram o mal numa tentativa de tirar a legitimidade da política", afirmou Genoino.

Climão
Há clima no Congresso para o projeto autoritário do PT? O pior é que sim. Leia trecho de Matéria de Denise Madueño do Estadão desta quarta:
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“A reunião do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), com os líderes partidários, para discutir as votações na Casa se transformou em uma sessão de reclamações e cobrança de atitude contra a imprensa. Líderes se mostraram revoltados com a reportagem do Estado de segunda-feira que revela que os deputados justificaram gastos de R$ 2,5 milhões da verba indenizatória apenas com gasolina. A reportagem mostrou, com base na prestação de contas dos parlamentares, que a Câmara desembolsou R$ 11 milhões de verba indenizatória de fevereiro a março deste ano. Participantes da reunião contaram que o deputado Deley (PSC-RJ) alegou erro na prestação de contas. Ex-jogador de futebol, Deley disse que já havia recebido muitas vaias nos campos, mas agora, como deputado, estava levando mais vaias ainda. Líder do PV, Marcelo Ortiz (SP) foi um dos que mais reclamaram da imprensa. Ele cobrou defesa da instituição, que, segundo ele, estava sendo “enxovalhada”.
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Voltei
É isso aí. Como digo acima, ainda falarei com mais vagar da TV Pública de Franklin Martins. Mas é importante saber que ela é uma iniciativa que pertence a um conjunto. Este é o governo (e o partido) que tentou expulsar um jornalista estrangeiro porque criticou o presidente, que tentou criar o Conselho Federal de Jornalismo, que quer a TV Pública e que defende agora o cerceamento dos meios de comunicação.
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“Ah, foram os petistas, não o governo”. Desculpem-me: só respondo a pessoas com idade política acima de 10 anos... O que Berzoini disse é loucura? Lembro que a TV de Franklin Martins nasceu de um documento interno do PT, ao qual ninguém deu crédito. Pregava a necessidade de “democratizar os meios de comunicação”.O PT tem repulsa à liberdade e à diversidade. E tem também uma perigosa maioria no Congresso. Cochilem pra ver. E eles reinstalam a censura no Brasil. Ah, sim: Genoíno é aquele que presidia o PT durante a vigência do esquema do mensalão e cujo irmão teve um assessor pego com a cueca recheada de dólares. Berzoini é aquele que já presidia o PT quando se tentou comprar o dossiê fajuto.

COMENTANDO A NOTICIA: É isto, Reinaldo. Esta gentalha tem pavor e ódio de qualquer coisa que os desminta, que lhes seja contrário ao pensamento medíocre e a tirania com que entende um país deve ser governado. Eles é que entende quais direitos devemos usufruir ou gozar. E foi com gente assim, desta laia, que se comentaram as maiores barbaridades da história, os massacres mais escabrosos. Foram milhões de cadáveres arrastados à vala onde o ódio se sentia alimentado e satisfeito.

Genoíno e Berzoini representa o lado farsante e repulsivo desta montagem tragicômica, na qual se arrasta a falta de caráter e decência. Do outro lado, escondido e covarde, há um certo chefe que os guia, mas não mostra a verdadeira, não por escrúpulos ou vergonha, é porque no seu jeito canalha de ser, queime-se os dedos de todos os cúmplices para preservar-lhe a imoralidade com que se veste.

Ou a oposição diz a que veio, ou condenará muitas gerações deste país ao caos e às trevas. Porque no mundo em que mentes doentias como esta foram paridas, só há lugar para a ignorância, o atraso, e a classe dirigente que se esbalda no fosso putrefato com que constrói sua bestialidade.

PT pede "firme oposição" a governadores tucanos

Da Folha de S.Paulo

Em um texto com dureza incomum em relação ao governo, o PT condenou a aproximação com o PSDB e pediu "firme oposição" aos governadores tucanos José Serra (SP), Aécio Neves (MG) e Yeda Crusius (RS). Os dois primeiros são pré-candidatos à Presidência em 2010 e vêm buscando uma convivência pacífica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Tanto o PSDB quanto o PFL/DEM, embora muitas vezes com táticas diferentes, visam acumular forças para as eleições de 2008 e 2010. Inclusive por isto, o PT deve ter uma postura muito firme frente aos governadores de oposição, em particular os do PSDB", informa o documento aprovado pelo diretório nacional no sábado.

No texto, o PT reconhece que os partidos da coalizão não possuem um candidato natural à Presidência em 2010, o que alimentaria as expectativas de retorno da atual oposição ao poder. E acrescenta: "A inexistência de uma candidatura natural para as eleições em 2010 estimula a competição entre os diferentes partidos que compõem a coalizão".

COMENTANDO A NOTICIA
: Eis o modo petista de agir (com má fé, sempre, é claro): enquanto Lula chama o presidente do PSDB, visita e recebe ACM no Planalto, e o presidente envia emissários para tentarem convencer FHC a um bate-papo, o petê recomenda descerem o cacete nos governos comandados pelos adversários. Claro que, do modo mais cretino, o presidente vai dizer que não mandou ninguém fazer coisa alguma, que ele está “interessado” no entendimento, e blá, blá e blá... Papo furado. Lula sempre manda fazer, e depois se esconde, covardemente e cretinamente, nas saias do partido.

Em todas as lambanças (crimes) que seu governo abrigou desde janeiro de 2003, sempre tudo foi feito com conhecimento e consentimento do poderoso chefe. Há algum tempo, neste ano, Lula vem tentando governara sem oposição, e para tanto, tenta seduzir pessedebistas e democratas com cantilenas que mais parece canto de sereia do que interesse genuíno a um entendimento.

Que sirva de aviso e alerta para a oposição: Lula não permite aos outros aquilo que somente ele entende ser capaz de fazer. Oposição é uma delas. E para que o governo anda na linha, é preciso sim uma oposição forte, barulhenta, inteligente e com discursos e alternativas para mudar a mediocridade e os desmandos instalados no poder federal. Só desta forma o país terá com o que sonhar.

Carlos Lupi: um delinqüente à serviço do peleguismo

O Metrô de São Paulo informou na tarde desta terça-feira que dois funcionários da companhia foram desligados de suas funções, depois da paralisação promovida na manhã de segunda-feira. Segundo o Metrô, Ronaldo Campos foi demitido por entrar na cabine do trem e impedir o operador de conduzi-lo. O empregado Ciro Morais foi desligado por circular pela via e bloquear a energização do trecho.

O Metrô ressaltou, em nota, que convive democraticamente com manifestações sindicais, mas que não admite a intervenção ilícita na operação do seu sistema, que requer segurança absoluta.

Apoio
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, manifestou apoio nesta terça-feira à paralisação do transporte público em São Paulo, realizada na segunda. O ministro teria dito que este foi "o instrumento de luta encontrado pelos trabalhadores para manifestar seu protesto".

Na segunda-feira, a população da cidade de São Paulo amanheceu sem os dois principais meios de transportes: ônibus e Metrô. A interrupção durou menos de duas horas, mas causou aglomeração de passageiros nos terminais de ônibus e estações do Metrô nas primeiras horas da manhã. A cidade viveu o seu terceiro maior engarrafamento do ano. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), por volta das 9h o congestionamento chegou a 120 quilômetros na capital.

A paralisação foi um protesto contra a aprovação da emenda 3 da Super-Receita, que proíbe que auditores fiscais multem e tenham poder para desfazer pessoas jurídicas quando entenderem que a relação de prestação de serviços com uma empresa é, na verdade, uma relação trabalhista. Pelo texto aprovado no Congresso, apenas a Justiça do Trabalho teria esse poder.

Defensores da emenda dizem que sua intenção é garantir a segurança de contratos negociados entre as partes. Segundo Lupi, os partidos da coalizão estão unidos em relação ao veto da Emenda 3. (Com informações do jornal O Dia.)

COMENTANDO A NOTÍCIA: Lupi esqueceu completamente o papel que lhe cabe desempenhar no governo. Passou a defender os sindicalistas pelegos que, com uma mentira, tentaram uma greve para protestar contra a Emenda 3. Claro que se sabe a serviço do que Lupi se encontra, como também os cretinos interesses destes vagabundos que se escondem por detrás de sindicatos para praticar terrorismo político. Lupi aliou-se portanto à terroristas de carteirinha. E o que é pior: estes cretinos agem independente dos prejuízos que possam causar à população. Para este bando de dementados, o que conta é a causa. A causa petista, logicamente. Nos comentários do Reinaldo Azevedo a descrição das “ações” destes cretinos.

Cinco demissões, a greve que não houve e jornalismo filopetista
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O Metrô de São Paulo decidiu demitir cinco funcionários, acusados de prática de sabotagem. Já contei a história aqui (vejam ali abaixo). Entre os cinco, estão Paulo Roberto Pasin, diretor do sindicato, que cortou a energia da linha, na estação Barra Funda, para impedir a circulação dos trens, e Ciro Moura e Pedro Augustinelli, também diretores da entidade, que se esconderam no túnel da estação Sé. Só por isso houve atrasos ontem no Metrô. Diretor de sindicato tem estabilidade, mas não pra isso.
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Não houve greve. Os metroviários se apresentaram para trabalhar normalmente. A secretaria de Transportes Metropolitanos atuou de forma preventiva, como conto abaixo, e deixou os trens estacionados nas estações, não nos pátios, o que evitou o piquete. Ora, o que faz um sindicato quando os trabalhadores não obedecem à orientação? Age como terrorista, pondo em risco a segurança do sistema. É um esculacho.
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É pra demitir mesmo! E espero que o secretário José Luiz Portella, a direção do Metrô e o governador José Serra não voltem atrás. Nem sob a promessa de que agora os rapazes vão se comportar. É possível que ameacem com novas greves. A saída, então, é esclarecer a população sobre o que está acontecendo; deixar claro que ela está sendo usada pelos sindicalistas por causa de uma questão assumidamente política. Deixar claro que ela é bucha de canhão do PT.
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É assim que não se fica refém dos sindicatos e do partido. Os petistas divulgaram ontem um documento em que conclama suas “bases” a fazer oposição severa aos tucanos José Serra, Aécio Neves e Yeda Crusius. A greve do Metrô, que não houve, é uma forma, reitero, de terrorismo político.
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Nota: a cobertura dos jornais sobre o assunto é fraca e, na prática, filopetista. Lendo o que se escreveu, até parece que houve greve.

O governo de SP deveria mandar Luppi catar coquinho
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Carlos Lupi, ministro do Trabalho e Emprego, disse que, se necessário, vai interceder junto ao governador José Serra para tentar reverter as cinco demissões justíssimas decididas pelo Metrô de São Paulo (ver abaixo). É mesmo? Quem deveria se mobilizar é o ministro Luiz Marinho, da Previdência. Afinal, do ponto de vista político, os que praticaram atos semelhantes a terrorismo são todos subordinados seus, da CUT. O governo de São Paulo deveria mandar Luppi catar coquinho. Sugiro ao ministro, chegadito numa grandiloqüência cafona, que faça um comício, na estação Sé, no horário de rush, defendendo os coitadinhos que, não conseguindo parar os metroviários com argumentos, optaram por atos de força. Vá lá, Luppi, coragem! Vá ver de perto os trabalhadores, de que Vossa Excelência só conhece de manual. As centrais sindicais divulgaram uma nota exigindo a suspensão da punição. Como sempre, a retórica vai do vitimismo à arrogância. Também a elas sugiro: montem um banquinho da Praça da Sé, às 18h, e tentem explicar aos usuários por que a energia de uma linha foi cortada. Avante, valentes! Os covardes fazem lobby junto a jornalistas amigos. Os corajosos enfrentam a massa.

Morada do capeta
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Cabeça desocupada é a morada do capeta. É o caso do ministro do Trabalho e (des)Emprego, Carlos Luppi. Mais de metade da mão-de-obra brasileira está na informalidade. O desemprego no país continua roçando a casa dos 10%. E ele está preocupado com cinco sindicalistas do Metrô, demitidos porque decidiram parar o sistema à força. Luppi pode se tranqüilizar. Assim como Lula, quando sindicalista, esses caras recebem salário do sindicato. Assim como Lula, não deixarão de receber um tostão — e o agora presidente da República, mesmo assim, pediu, e levou, uma indenização permanente ao estado. Por que o ministro não vai se ocupar de milhões de trabalhadores sem carteira assinada ou contrato de trabalho? Ah, porque isso é difícil. O amostrado quer chamar para si os holofotes.

Os sindicatos contra o povo
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Esse imbróglio do Metrô é mais importante do que parece. Trata-se de decidir se CUT, PT e esquerdas em geral vão ou não transformar a sociedade em refém de sua pauta. Essa é a questão de fundo. A Emenda 3, incluída no projeto da Super Receita, foi aprovada pelo Congresso, da forma mais democrática possível. Mas os burgueses sem capital querem vencer no grito, contando, claro, com a ajuda do presidente, que decidiu vetar o item. As centrais estão fazendo barulho para tentar constranger o Parlamento, que pode derrubar o veto. E, no caso da CUT, já se aproveita a onda para dar início à batalha eleitoral. A população tem direito à informação. Se sou o governo do Estado, faço panfletagem à porta das estações do Metrô, explicando quem é quem e qual é a tática. Trata-se de uma disputa entre uma minoria — os aparelhos sindicais — e a maioria: os usuários do Metrô, o chamado “povo”. Essa é uma batalha que tem de ser ganha nas ruas — ou melhor: nas estações.

CPI: governo ganha tempo para tentar acordo

Maria Clara Cabral, Redação Terra

Após quase duas horas de discussão, líderes do governo e da oposição no Senado decidiram determinar o prazo de 20 dias para a indicação dos membros da CPI do Apagão Aéreo. O requerimento de instalação da CPI será lido amanhã em Plenário pelo presidente Renan Calheiros (PMDB-AL), mas até a indicação dos membros, o quadro ainda pode se reverter.

A idéia dos governistas é que neste meio tempo consigam convencer a oposição de criar apenas a Comissão na Câmara.

"Hoje temos uma situação real, que é a de esperar a decisão do Supremo (Tribunal Federal) na Câmara e de instalar a CPI aqui, mas qualquer entendimento político pode reverter qualquer situação tomada hoje", disse o líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR). "Para nós o ideal é apenas uma CPI e uma saída para isso pode ser um entendimento entre os líderes", completou.

O líder do Democratas na Casa, José Agripino Maia (RN), avalia que o prazo para a indicação dos nomes é maior do que ele esperava, mas garante que a oposição continuará brigando pela CPI no Senado. "O tempo é o mais longo do que eu esperava, mas agora não vejo a possibilidade de nenhum acordo. Qualquer modificação só poderá ser tomada ouvindo as bancadas, fora isso, acho improvável", disse.

Agripino, inclusive, descarta uma manobra do governo nestes vinte dias para enviar a CPI na Casa. Para ele, a possibilidade de quebrar um acordo entre líderes é pouco provável.

A decisão sobre a CPI na Câmara pode já ser tomada amanhã, quando está marcado o julgamento da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). O governo, que já tem a CPI na Câmara como certa, espera tentar um acordo para que ela só aconteça lá, onde tem a maioria dos parlamentares.

Uma das alternativas seria ceder a um deputado Democrata um cargo na presidência ou na relatoria, para que eles desistam da comissão no Senado.
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Na Câmara, caberia ao PMDB, que tem a maior bancada, indicar o presidente e ao PT o relator. Já no senado, a presidência também ficaria com o PMDB, mas a relatoria com os Democratas, que têm a segunda maior bancada.

COMENTANDO A NOTICIA: Este ganho de tempo é para os canalhas tentarem montar a estratégia da impunidade mais uma vez, esconderem provas e darem “um jeito” nas testemunhas. A oposição continua incompetente para lidar com a política podre instalada pelo PT no governo. E vai continuar levando lambadas a torto o e direito até aprender que, com PT, não se pode ser ingênuo. Contra o crime organizado, se faltar inteligência, você morre.

TOQUEDEPRIMA...

O Dia do Índio
De O Globo

O presidente Lula assinou ontem, em comemoração ao Dia do Índio, a homologação de seis terras indígenas que abrangem área de mais de 978 mil hectares. Ele também recebeu os membros da Comissão Nacional de Política Indigenista, que terá como objetivo elaborar um anteprojeto de lei para a criação do Conselho Nacional de Política Indigenista. O conselho será responsável por definir e monitorar as ações prioritárias do governo federal para os índios.

COMENTANDO A NOTICIA: É impressionante a inversão de valores que o Brasil vem adotando. No caso das nações indígenas é tanta terra que tem sido doada a título de coisa alguma, que mais dia menos dia, não sobrará espaço para a população brasileira não indígena viver em seu próprio território. Além do mais, é de se perguntar: qual a utilidade econômica que o índio dá para as terras que recebe da União ? Nenhuma, a ser contrabando de metais, madeiras, animais (pele e couro), e pedras preciosas e semi-preciosas. Contrabando que segue para o exterior sem deixar um centavo de benefício para o país. Plantar para comerem que é bom, nada. E a tal ponto isto ´pe verdadeiro que a FUNAI precisa distribuir mantimentos em aldeias onde muitos estão morrendo de fome, literalmente. Tendo a terra para dela extraírem seu sustento, não o fazem. Preferem traficar para ganhar dinheiro, e quando não o conseguem, a sociedade brasileira ainda tem de arcar com seu sustento e sobrivivência.

E ainda por cima, conseguem impedir a construção de hidrelétricas e corredores de navegação para escoamento de produção agrícola dos “brancos”! Ou seja, traficam, não produzem nada em favor do país e de si mesmos, e ainda atrapalham a vida dos que pretendem dar uso à terra e desenvolvimento ao país e seu povo.

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E o brutal assassinato do índio Galdino em que virou ?
De O Globo

"Completa hoje dez anos que o índio Galdino Jesus dos Santos, um pataxó hã-hã-hãe, morreu após ter sido queimado por cinco jovens de Brasília, enquanto dormia num ponto de ônibus da capital federal. O crime foi considerado hediondo, e os quatro maiores de idade foram condenados a 14 anos de cadeia, em regime fechado, em 2001.

No entanto, desde dezembro de 2004, os sentenciados Antonio Novély Cardoso de Vilanova, Eron Chaves de Oliveira, Max Rogério Alves e Tomaz Oliveira de Almeida foram beneficiados com a liberdade condicional e estão livres da prisão da Papuda, de Brasília, onde nem precisam dormir mais. O quinto jovem envolvido tinha menos de 18 anos e cumpriu pena de três meses num local para menores infratores."

COMENTANDO A NOTICIA: Eis aí o que os governantes parece ignorar: é na droga da impunidade que reside o mal que faz com que o crime no país cresça quase incontrolável. Repare na notícia de O GLOBO o que aconteceu com os “rapazes” que tiveram a coragem de incendiar um ser humano apenas por “brincadeira”. Pessoas assim merecem conviver com outros seres humanos em total liberdade ? Portanto, este papo de que a pobreza induz o indivíduo ao crime é balela. Aqui, todos os assassinos tinham idade mental suficiente para terem a consciência exata de seus atos. Todos provenientes de classe média alta. Todos dotados de boa formação. E isto tudo não os impediu de um crime estúpido e bárbaro. É a "isto" que querem dar o nome de "justiça" ?

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STF abre ação penal contra Genoino e mais 10

"Dois anos depois do escândalo do mensalão vir à tona, o STF (Supremo Tribunal Federal) abriu a primeira ação penal contra 11 pessoas acusadas de envolvimento com o esquema. A abertura do processo criminal transforma em réu o deputado José Genoino (PT-SP), além do ex-dirigente petista Delúbio Soares e do empresário Marcos Valério Souza. Até então, eles eram tratados apenas como investigados."

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Pacote de segurança

O que foi aprovado hoje na Comissão de Constituição e Justiça do Senado no pacote de segurança pública:

- O primeiro projeto permite a policiais e procuradores acesso a dados de criminosos, como endereço, telefone, estado civil e informações bancárias de acusados, como quantas contas mantém e em que bancos, sem a prévia autorização da Justiça. Para analisar a movimentação bancária os investigadores ainda precisam da autorização judicial.

- Outra proposta destina recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública para criar um sistema de rastreamento eletrônico de veículos de carga e de carros-fortes e para a instalação de bloqueadores de sinal de celulares em presídio. Essa proposta segue direto para a Câmara.

- Um terceiro projeto amplia a aplicação de penas alternativas. A legislação atual determina que o juiz pode substituir a pena de prisão por uma alternativa, desde que o réu tenha sido condenado a menos de seis meses de prisão.

O projeto aprovado hoje obriga (e não mais faculta) o juiz a substituir a prisão por pena alternativa para quem for condenado a menos de um ano de cadeia. O texto vai direto para a Câmara.

- Um quarto projeto permite deduções do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para empresas que ofereçam trabalho para presidiários. O texto ainda precisa passar pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) antes de ser enviado para a Câmara.

- A comissão votou também o projeto que aumenta de dez para 18 anos a pena prevista para crimes de lavagem de dinheiro. O texto ainda passará pelo plenário do Senado antes de ser remetido à Câmara.

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A opinião do povo sobre segurança

O Instituto de Pesquisa do Senado ouviu 1.068 pessoas em 130 municípios de 27 estados brasileiros sobre segurança pública. As entrevistas foram feitas por telefone entre março e abril e a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. Alguns resultados:

Redução da maioridade penal

- 87% dos entrevistados são a favor de penas iguais para maiores e menores.

Desses 87% favoráveis :

- Maioridade aos 16 anos: 36%
- Maioridade aos 14 anos: 29%
- Maioridade aos 12 anos: 21%

- Punição a qualquer idade a depender do crime: 14%

As causas da violência:

- Impunidade: 30%
- Drogas: 26%
- Desemprego: 16%
- Falta de ensino: 14%
- Ausência do Estado: 8%
- Acesso às armas: 4%

Pena máxima de 30 anos:
- Aumentar a pena máxima: 69%
- Continuar em 30 anos: 28%

Prisão perpétua:

- A favor: 75%
- Contra: 23%

Justiça mantém invasão de sem-teto

Justiça mantém sem-teto em mansão do Largo do Boticário
Felipe Sáles , Jornal do Brasil

A novela em que se transformou a estada de 20 famílias sem-teto numa mansão do Largo do Boticário parece não ter fim. Depois de ter a reintegração de posse expedida pela Justiça em favor da proprietária da casa, a Frente Internacionalista dos Sem-Teto (Fist), responsável pela ocupação, conseguiu abortar a ação de despejo que estava sendo preparada para esta semana. Aproveitando o plantão judiciário decorrente do feriado de São Jorge na segunda-feira, o grupo conseguiu uma liminar suspendendo o processo de despejo impetrado pela juíza da 44ª Vara Cível, Fernanda Xavier de Brito.

Em sua sentença, o desembargador de plantão Geraldo Prado defendeu que os sem-teto "não estão em situação de risco emergencial que autorize a desocupação do imóvel". Nos autos do processo consta um laudo do Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural (Inepac), responsável pelo tombamento do imóvel, que considera riscos de incêndio e desabamento. Os sem-teto, por sua vez, apresentam um outro laudo do Instituto Estadual de Terras e Cartografias (Iterj) dizendo o contrário. A pedido da Fist, o Sindicato dos Arquitetos do Estado do Rio fará mais um laudo técnico ainda esta semana.

Segundo o argumento do desembargador, trata-se de "pessoas carentes cujas dificuldades se tornarão imensas, e poderão mesmo impedir o pleno direito de defesa", caso os moradores sejam colocados na rua. Além de abortar o despejo, o advogado da Fist, André de Paula, entrou com um processo de suspeição contra a juíza da 44ª Vara Cível acusando-a de ser parcial, favorecendo a proprietária do imóvel, Sybil Bitencourt.

- Suspeitamos de favorecimento da juíza em benefício da proprietária. Ainda há, por exemplo, um conflito de competência entre as 44ª e 9ª varas cíveis que precisa ser julgado - argumenta.

O advogado de Sybil, Bruno Siciliano, vai procurar hoje o desembargador para apresentar provas que, acredita, não eram do conhecimento dele. Com o conflito de competência e demora na decisão judicial, o processo deverá ser julgado por desembargadores da Câmara Cível do Tribunal de Justiça.

- Essa é a estratégia deles. Perdem e recorrem infinitamente. Vamos pedir para um desembargador julgar a questão e acabar logo com isso - diz Siciliano.

Para o diretor do Inepac, Marcus Monteiro, a Justiça é a única culpada pela demora em se tomar uma atitude em prol do Largo. O Inepac não pode iniciar reformas enquanto o caso estiver emperrado na Justiça. Os sem-teto estão no local desde o dia 10 de julho do ano passado, mas, depois de brigas internas, apenas três das 20 pessoas que ocuparam a mansão na época permanecem no local até hoje.

- Não adianta começarmos a reformar apenas a casa da proprietária, por exemplo, já que se trata de todo um conjunto arquitetônico tombado pelo Estado - diz.

COMENTANDO A NOTICIA: Com a decisão simplesmente o juiz jogou a constituição no lixo, mandou às favas o direito de propriedade e incitou a que qualquer mancebo invada a força o que não lhe pertence. Neste caminho, logo logo não se precisará de judiciário. Ninguém cumprindo a lei sob a proteção de juízes, justiça prá quê ? Juizes prá quê ? Sustentar a palaciana luxúria e tantos privilégios, luxos, ostentação, corporativismo embrulhado com nepotismo, estrutura de um poder falido em sua missão, razão de ser de sua criação, seria dispensável. A decisão representa o que há de mais leviano na missão de defender a lei: representa o mais imoral escarro e descaso, além do desrespeito sobre os direitos e garantias individuais. Nem na ditadura se viu ou se assistiu a tanto despudor e afronta! Decisão absurda, a demonstrar o calamitoso degradante estado degenerativo de nossas instituições !