terça-feira, outubro 24, 2006
Os debates dos candidatos.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Temos assistido a todos os debates entre os presidenciáveis nesta campanha eleitoral. Até aqui temos evitado nos manifestar sobre as performances dos candidatos até porque muito pouco de programas se tem apresentado, e muito tempo tem-se gastado com lambanças de parte a parte.
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Mesmo que falte um que é o da Globo, podemos destacar alguns pontos que consideramos importantes, e que em diferentes ocasiões até temos escrito e comentado: primeiro, que Lula pode ser desmontado rapidinho se encontrar pela frente alguém que alie, além da firmeza de Alckmin, a coragem de apresentar a realidade tanto dos números quanto dos programas do governo. Como por exemplo, quando se voltou a falar do crescimento maior das grandes empresas em relação aos bancos temos aí dois ganchos. Um, que o crescimento é independente de políticas públicas, se deve mais ao cenário internacional favorável, além do fato de investimentos realizados em governos anteriores, não neste governo. Porque se não fosse por isso, bastaria Lula enumerar (e não conseguirá) as ações de governo que ele criou e desencadeou. Não fez uma só.
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Segundo, é preciso perguntar se Lula conhece a história do Brasil antes do governo de Fernando Henrique. Parece-nos que não, ou estava fora ou cuidando de outros interesses. Porque se aqui estivesse, a comparação do Brasil de agora, não teria sentido. O governo Lula só se mantém graças a estabilidade conquistada antes, e não agora.
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Terceiro, que governar para pobres, como Lula apregoa por todos os cantos, ficou mais fácil porque a rede de proteção social já existia pronta, com 8,5 milhões de famílias cadastradas e foi a partir deste ponto que ele fez o que fez. Do contrário, estaria no ponto inicial do fome zero, primeiro emprego e outras lorotas que ele prometeu e não conseguiu realizar.
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Quarto, em termos de política fiscal Lula é analfabeto por inteiro. Fale-se da renegociação das dívidas nos estados, pergunte-se sobre as privatizações além das telecomunicações as da siderurgia também. Mostre-se o desempenho destas empresas antes e depois. Mostre-se que, se continuassem estatais, não haveria no orçamento um centavo para benefícios sociais. Cite-se reformas essenciais como a Lei de Responsabilidade Fiscal, graças a quem se deve o poder público parar de gastar acima da arrecadação e por um freio firme no endividamento do governo federal, estados e municípios. Portanto, é fácil desmontar o discurso de Lula. Exibir números feito papagaio de madame com muita encenação teatral pode parecer bonitinho prô povão. Mas mostrem as filas nos postos de atendimento do INSS e junte-se as promessas e as declarações de gente do governo dizendo que não há mais filas, que elas são fruto da cultura do povo que “adora” ir de madrugada buscar senha de atendimento! Mostre-se o discurso da saúde quase perfeita e visite-se qualquer hospital público nas grandes cidades. Exiba-se os índices de mortalidade e trabalho infantil antes de Fernando Henrique e os que Lula encontrou. Ou seja, Lula tinha a obrigação de avançar em várias questões, porque encontrou a casa arrumada e as condições para isso. E nem assim seu governo realizou o que poderia, o que prometera e o que deveria.
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Ao discutir-se o fim da amarração do FMI, Lula não explica do porquê de o Brasil ainda estar realizando superávits primários de 4,25%, muito acima do que o fundo apregoava que era de 3,75%. Ora se não há mais a dívida por que continuamos submissos à receita ? E sobre este assunto ainda voltaremos em um artigo específico.
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Além disto, mais de 60% dos números de Lula são mentirosos e não batem com as estatísticas oficiais. Os cortes que Lula fez nos recursos da Saúde, da Segurança Pública e da Infra-estrutura não foram até aqui explicados devidamente, razão pela qual estas área encontram-se abandonadas. O que de Infra-Estrutura está se realizando começou com planos de desenvolvimento desencadeados no governo anterior.
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Além disto, quando diz que o país nunca como “dantez” reuniu tantos indicadores positivos na economia, e com o mundo crescendo a taxas na média de 7% nos países emergentes, por que só o Brasil não passa dos 3% ? Mais: se há tanto dólar proveniente das exportações, por que o Brasil continua incentivando entrada de dólar para financiamento de dívida, sabendo-se que pagamos as taxas de juros mais altas do mundo ? Por que o Brasil trocou a dívida externa que remunerava no máximo 5 a 6% ao ano por uma dívida interna que chegou a pagar mais de 20% ao ano ? Qual a vantagem ? Qual o custo social que vai provocar no país ? Mais: ao incentivar mais ingressos de dólares, estamos mudando a matriz da balança comercial de exportadora para importadora, cuja conseqüência é desindustrializar o país provocando desemprego, perdendo renda, baixando a arrecadação, provocando estagnação econômica ! Mais: por que Lula nunca fala de sua política de reforma agrária ? Pela simples razão de que os números lhe são amplamente desfavoráveis ! Por que Lula nunca fala de seu projeto de legalização do aborto ? Medo da reação da sociedade brasileira, uma vez que o projeto corre solto e está sendo implantado às escondidas da opinião pública. Por que ele não abre o sigilo e torna transparentes os gastos do cartão de crédito corporativo da Presidência ? Porque os números demonstram o desperdício e a luxúria que ali se vive a partir de Lula.
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Além disto tudo, Lula não pode negar a corrupção do seu governo. Apuração ? Recorram ao jornais e façam um apanhado para perceberem o quanto Lula e seus asseclas tentaram e ainda tentam brecar investigações. Demonstre-se o empobrecimento duplo da classe média, de um lado, perdendo emprego, renda e benefícios dos serviços públicos sucateados, em favor da classe mais pobre. E de outro, por perda de renda em favor dos banqueiros.
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Ufa, o que não faltam são motivos mais do que suficientes para mudar de governo. A receita do bolo de Lula só tem provocado atrasos, empobrecimento, sucateamento de serviços, criminoso aumento dos índices de violência urbana e rural e de corrupção na esfera federal. O uso inconseqüente da máquina pública em favor de um partido político está fazendo o governo perder seu rumo ético e republicano.
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E mais: segundo estudos da UNESCO, o Brasil nos últimos 10 anos reduziu sua pobreza à metade. Ora façam um simples cálculo: Lula faz intensa propaganda de haver reduzido a pobreza em 19,1 %. Para completar o total apontado pela UNESCO, onde foi conseguido os demais 30,1% de redução da pobreza? Claro, no governo anterior. Portanto, reduziu muito mais o FHC do que o Lula. E pela razão simples dele ter acabado com a inflação, correção monetária e atingido a estabilidade econômica que permitiu aumento de renda, ganhos reais na economia. E apesar de haver enfrentado um período de baixo crescimento da economia mundial e cinco graves crises de liquidez financeira como a de México, Turquia, Argentina, Rússia e Sudeste Asiático. E ainda, na média, o crescimento do País é tão semelhante quanto ao de Lula que não encontrou nenhuma crise e a casa já estava arrumada.
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Há assuntos tabus que ficaram de fora do debate um deles já falei acima que foi a reforma agrária. Outro a questão do aborto. Outro, a censura à imprensa e regulamentação dos meios de comunicação. A participação como fundador e presidente do Foro de São Paulo, sabidamente uma organização de esquerda formada por narco-traficantes latino americanos.
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Mesmo assim, pode até o povo brasileiro escolher Lula para um novo mandato. Mas fica claro e evidente que a fórmula que ele empregou agora, e conforme se pode perceber que irá empregar em provável segundo turno, provocará sérias dificuldades para o Brasil. Até porque, ao assumir o governo havia 8,0 milhões de pessoas desempregadas. Apesar de cantar loas à geração de 7,5 milhões de empregos, sendo 5,5 milhões com carteira assinada, a realidade nossa é a de que temos 9,5 milhões de desempregados cadastrados. Houve crescimento sim, pelas empresas que desempregaram nas áreas em que a política cambial fechou postos de trabalho, pelo aumento vegetativo da população ter sido maior que o da economia na geração de novos postos, também por culpa da crise na agropecuária provocada desastradamente pelo governo atual. Ou seja, avançou-se em áreas prontas para avançar como na questão social. Mas aí Lula não precisou fazer esforço algum. Estava tudo pronto. Mas naquilo que realmente interessa ao país, sem dúvida retrocedemos e perdemos oportunidade.
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Portanto, a busca pelo melhor deveria levar o eleitor a trocar o duvidoso pelo certo. E isto só não acontecerá por duas razões: por um discurso professoral demais de Alckmin durante grande parte da campanha. Poderia já no primeiro turno ter provocado questões importantes. E, em segundo, pelo terrorismo eleitoral praticado por Lula e o PT com mentiras e calúnias plantadas antes de iniciar-se a campanha do segundo turno. Foram doze dias em que Lula, sem propaganda eleitoral no ar, colocou a eleição à sua disposição.
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Mesmo que falte um que é o da Globo, podemos destacar alguns pontos que consideramos importantes, e que em diferentes ocasiões até temos escrito e comentado: primeiro, que Lula pode ser desmontado rapidinho se encontrar pela frente alguém que alie, além da firmeza de Alckmin, a coragem de apresentar a realidade tanto dos números quanto dos programas do governo. Como por exemplo, quando se voltou a falar do crescimento maior das grandes empresas em relação aos bancos temos aí dois ganchos. Um, que o crescimento é independente de políticas públicas, se deve mais ao cenário internacional favorável, além do fato de investimentos realizados em governos anteriores, não neste governo. Porque se não fosse por isso, bastaria Lula enumerar (e não conseguirá) as ações de governo que ele criou e desencadeou. Não fez uma só.
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Segundo, é preciso perguntar se Lula conhece a história do Brasil antes do governo de Fernando Henrique. Parece-nos que não, ou estava fora ou cuidando de outros interesses. Porque se aqui estivesse, a comparação do Brasil de agora, não teria sentido. O governo Lula só se mantém graças a estabilidade conquistada antes, e não agora.
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Terceiro, que governar para pobres, como Lula apregoa por todos os cantos, ficou mais fácil porque a rede de proteção social já existia pronta, com 8,5 milhões de famílias cadastradas e foi a partir deste ponto que ele fez o que fez. Do contrário, estaria no ponto inicial do fome zero, primeiro emprego e outras lorotas que ele prometeu e não conseguiu realizar.
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Quarto, em termos de política fiscal Lula é analfabeto por inteiro. Fale-se da renegociação das dívidas nos estados, pergunte-se sobre as privatizações além das telecomunicações as da siderurgia também. Mostre-se o desempenho destas empresas antes e depois. Mostre-se que, se continuassem estatais, não haveria no orçamento um centavo para benefícios sociais. Cite-se reformas essenciais como a Lei de Responsabilidade Fiscal, graças a quem se deve o poder público parar de gastar acima da arrecadação e por um freio firme no endividamento do governo federal, estados e municípios. Portanto, é fácil desmontar o discurso de Lula. Exibir números feito papagaio de madame com muita encenação teatral pode parecer bonitinho prô povão. Mas mostrem as filas nos postos de atendimento do INSS e junte-se as promessas e as declarações de gente do governo dizendo que não há mais filas, que elas são fruto da cultura do povo que “adora” ir de madrugada buscar senha de atendimento! Mostre-se o discurso da saúde quase perfeita e visite-se qualquer hospital público nas grandes cidades. Exiba-se os índices de mortalidade e trabalho infantil antes de Fernando Henrique e os que Lula encontrou. Ou seja, Lula tinha a obrigação de avançar em várias questões, porque encontrou a casa arrumada e as condições para isso. E nem assim seu governo realizou o que poderia, o que prometera e o que deveria.
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Ao discutir-se o fim da amarração do FMI, Lula não explica do porquê de o Brasil ainda estar realizando superávits primários de 4,25%, muito acima do que o fundo apregoava que era de 3,75%. Ora se não há mais a dívida por que continuamos submissos à receita ? E sobre este assunto ainda voltaremos em um artigo específico.
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Além disto, mais de 60% dos números de Lula são mentirosos e não batem com as estatísticas oficiais. Os cortes que Lula fez nos recursos da Saúde, da Segurança Pública e da Infra-estrutura não foram até aqui explicados devidamente, razão pela qual estas área encontram-se abandonadas. O que de Infra-Estrutura está se realizando começou com planos de desenvolvimento desencadeados no governo anterior.
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Além disto, quando diz que o país nunca como “dantez” reuniu tantos indicadores positivos na economia, e com o mundo crescendo a taxas na média de 7% nos países emergentes, por que só o Brasil não passa dos 3% ? Mais: se há tanto dólar proveniente das exportações, por que o Brasil continua incentivando entrada de dólar para financiamento de dívida, sabendo-se que pagamos as taxas de juros mais altas do mundo ? Por que o Brasil trocou a dívida externa que remunerava no máximo 5 a 6% ao ano por uma dívida interna que chegou a pagar mais de 20% ao ano ? Qual a vantagem ? Qual o custo social que vai provocar no país ? Mais: ao incentivar mais ingressos de dólares, estamos mudando a matriz da balança comercial de exportadora para importadora, cuja conseqüência é desindustrializar o país provocando desemprego, perdendo renda, baixando a arrecadação, provocando estagnação econômica ! Mais: por que Lula nunca fala de sua política de reforma agrária ? Pela simples razão de que os números lhe são amplamente desfavoráveis ! Por que Lula nunca fala de seu projeto de legalização do aborto ? Medo da reação da sociedade brasileira, uma vez que o projeto corre solto e está sendo implantado às escondidas da opinião pública. Por que ele não abre o sigilo e torna transparentes os gastos do cartão de crédito corporativo da Presidência ? Porque os números demonstram o desperdício e a luxúria que ali se vive a partir de Lula.
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Além disto tudo, Lula não pode negar a corrupção do seu governo. Apuração ? Recorram ao jornais e façam um apanhado para perceberem o quanto Lula e seus asseclas tentaram e ainda tentam brecar investigações. Demonstre-se o empobrecimento duplo da classe média, de um lado, perdendo emprego, renda e benefícios dos serviços públicos sucateados, em favor da classe mais pobre. E de outro, por perda de renda em favor dos banqueiros.
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Ufa, o que não faltam são motivos mais do que suficientes para mudar de governo. A receita do bolo de Lula só tem provocado atrasos, empobrecimento, sucateamento de serviços, criminoso aumento dos índices de violência urbana e rural e de corrupção na esfera federal. O uso inconseqüente da máquina pública em favor de um partido político está fazendo o governo perder seu rumo ético e republicano.
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E mais: segundo estudos da UNESCO, o Brasil nos últimos 10 anos reduziu sua pobreza à metade. Ora façam um simples cálculo: Lula faz intensa propaganda de haver reduzido a pobreza em 19,1 %. Para completar o total apontado pela UNESCO, onde foi conseguido os demais 30,1% de redução da pobreza? Claro, no governo anterior. Portanto, reduziu muito mais o FHC do que o Lula. E pela razão simples dele ter acabado com a inflação, correção monetária e atingido a estabilidade econômica que permitiu aumento de renda, ganhos reais na economia. E apesar de haver enfrentado um período de baixo crescimento da economia mundial e cinco graves crises de liquidez financeira como a de México, Turquia, Argentina, Rússia e Sudeste Asiático. E ainda, na média, o crescimento do País é tão semelhante quanto ao de Lula que não encontrou nenhuma crise e a casa já estava arrumada.
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Há assuntos tabus que ficaram de fora do debate um deles já falei acima que foi a reforma agrária. Outro a questão do aborto. Outro, a censura à imprensa e regulamentação dos meios de comunicação. A participação como fundador e presidente do Foro de São Paulo, sabidamente uma organização de esquerda formada por narco-traficantes latino americanos.
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Mesmo assim, pode até o povo brasileiro escolher Lula para um novo mandato. Mas fica claro e evidente que a fórmula que ele empregou agora, e conforme se pode perceber que irá empregar em provável segundo turno, provocará sérias dificuldades para o Brasil. Até porque, ao assumir o governo havia 8,0 milhões de pessoas desempregadas. Apesar de cantar loas à geração de 7,5 milhões de empregos, sendo 5,5 milhões com carteira assinada, a realidade nossa é a de que temos 9,5 milhões de desempregados cadastrados. Houve crescimento sim, pelas empresas que desempregaram nas áreas em que a política cambial fechou postos de trabalho, pelo aumento vegetativo da população ter sido maior que o da economia na geração de novos postos, também por culpa da crise na agropecuária provocada desastradamente pelo governo atual. Ou seja, avançou-se em áreas prontas para avançar como na questão social. Mas aí Lula não precisou fazer esforço algum. Estava tudo pronto. Mas naquilo que realmente interessa ao país, sem dúvida retrocedemos e perdemos oportunidade.
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Portanto, a busca pelo melhor deveria levar o eleitor a trocar o duvidoso pelo certo. E isto só não acontecerá por duas razões: por um discurso professoral demais de Alckmin durante grande parte da campanha. Poderia já no primeiro turno ter provocado questões importantes. E, em segundo, pelo terrorismo eleitoral praticado por Lula e o PT com mentiras e calúnias plantadas antes de iniciar-se a campanha do segundo turno. Foram doze dias em que Lula, sem propaganda eleitoral no ar, colocou a eleição à sua disposição.
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Porém é bom lembrar: este castelo está fundado em alicerces falsos, fracos e de mentiras. Vamos ver por quanto tempo o discurso resistirá em lugar do trabalho e da seriedade que faltou e falta a Lula. E vale lembrar, por fim, que a economia já não terá o mesmo gás e o mesmo humor que experimentou nos últimos quatro anos. Bem como não mais poderá Lula recorrer ao discurso cínico e cretino de culpar o governo anterior pelas mazelas que seu próprio venha a cometer. Além do que, é possível perceber, a sociedade brasileira já não será tão generosa nas avaliações das ações de Lula à frente do governo federal. Até aqui Lula colheu na horta alheia e na bonança da economia mundial, os frutos que não plantou. Agora, precisará ele mesmo arar e adubar a terra, plantar e torcer para dar tudo certo. Conforme já dissemos anteriormente, oxalá o mundo nos dê uma segunda chance. A primeira jogamos fora e parece não nos termos dado conta. Haja reza daqui prá frente !!!
Porém é bom lembrar: este castelo está fundado em alicerces falsos, fracos e de mentiras. Vamos ver por quanto tempo o discurso resistirá em lugar do trabalho e da seriedade que faltou e falta a Lula. E vale lembrar, por fim, que a economia já não terá o mesmo gás e o mesmo humor que experimentou nos últimos quatro anos. Bem como não mais poderá Lula recorrer ao discurso cínico e cretino de culpar o governo anterior pelas mazelas que seu próprio venha a cometer. Além do que, é possível perceber, a sociedade brasileira já não será tão generosa nas avaliações das ações de Lula à frente do governo federal. Até aqui Lula colheu na horta alheia e na bonança da economia mundial, os frutos que não plantou. Agora, precisará ele mesmo arar e adubar a terra, plantar e torcer para dar tudo certo. Conforme já dissemos anteriormente, oxalá o mundo nos dê uma segunda chance. A primeira jogamos fora e parece não nos termos dado conta. Haja reza daqui prá frente !!!
O ovo da serpente
Por Sebastião Nery
Publicado na Tribuna da Imprensa
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"Na manhã do começo de dezembro, em que chegamos ao hotel Sofitel, na Rua Sena Madureira, em São Paulo (depois da vitória de 2002), na qual Lula anunciaria a criação do CNDES, José Dirceu estava inconformado: `Acabou. Não tem mais aliança com o PMDB. O Lula acabou de vetar tudo o que estava acertado'.
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Como a aliança que levara o PT à vitória ficou em franca minoria no Congresso, o acordo com o PMDB era fundamental para garantir a chamada governabilidade. Durante semanas, as negociações foram conduzidas por José Dirceu, sempre em concordância com Lula. Mas, depois de tudo combinado com o presidente daquele partido, Michel Temer, Lula achou que seria demais entregar os três ministérios que eles reivindicavam, ainda mais por se tratar de áreas com grandes dotações orçamentárias.
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Foi uma decisão solitária do presidente eleito, um exemplo do que ele faria mais tarde, nos momentos de crise do governo. Novamente debitamos os gestos à intuição de Lula, que às vezes até funcionava. Desse vez, no entanto, não funcionou, como só se descobriria dois anos depois.
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Sem conseguir fechar acordo com nenhum grande partido, o novo governo acabou negociando apoio no varejo, com agremiações menores, mais à direita, como o PTB e o PP, além do PL do vice-presidente José Alencar. Ninguém podia imaginar que estava se plantando ali o ovo da serpente que, em 2005, poria em xeque o governo".
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Ipojuca
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Essa história aí também está no passional e lula-láissimo livro do jornalista Ricardo Kotscho, assessor de imprensa de Lula de 89 até este ano, que citei sábado: "Do golpe ao Planalto, uma vida de repórter" (Editora Companhia das Letras). O livro do Kotscho confessa, de dentro do PT e do Palácio do Planalto, aquilo que tantos de nós, jornalistas não petistas nem palacianos nem amaciados, dissemos estes anos todos: o PT e o governo Lula são uma panela de escândalos que não resistiu à pressão do tempo e explodiu.
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Não foi por falta de advertência. Hoje à noite, aqui no Rio, a partir das 20 horas, na Livraria Letras e Expressões do Leblon (Ataulfo de Paiva, 1292), o cineasta e articulista de "O Estado de S. Paulo", Ipojuca Pontes, culto, destemido e profético, lançará e autografará seu último livro: "A Era Lula - Crônica de um desastre anunciado" (Girafa Editora, São Paulo).
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Bastam os títulos e datas de publicação de alguns dos artigos: "Lula e os corruptos". "O PT e a marca totalitária" (novembro de 2003). "A marcha da insensatez" (janeiro de 2004). "Quadrilha organizada" (fevereiro de 2004). "Sindicato de ladrões" (agosto de 2005). ("Lula-Dirceu, o eixo do mal" (agosto de 2005). "Dirceu, expulso a bengaladas" (dezembro de 2005).
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Mercadante
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Outra história de Kotscho, de 89: "O comício de encerramento (de Lula em 89, no 2º turno), no Rio, deu a impressão de que o pior havia passado. As pesquisas apontavam empate técnico - Lula não parava de subir e Collor de cair. No imenso palanque armado na Candelária, já se falava abertamente em ministeriáveis.
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Em nome de Brizola, Roberto D´Avila veio me pedir que transmitisse a Lula a única reivindicação do PDT: o Ministério da Fazenda. Perguntei ao amigo quem era o indicado pelo ex-governador: `Você não vai acreditar, mas ele mesmo gostaria de ser o ministro'.
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O petista mais cotado para o posto era Aloísio Mercadante, que estava no avião quando contei a Lula sobre o pedido de Brizola. Eu não saberia dizer qual dos dois ficou mais atônito".
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PMDB
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Imaginem vocês a montanha de ovos de serpente que Sarney, Renan, Jader Barbalho, Newton Cardoso, Romero Jucá, Gedel Viera Lima, toda a banda insaciável do PMDB, estão chocando agora no ninho de corrupção do Palácio do Planalto, para o segundo governo, se Lula ganhar domingo.
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Já nem precisamos falar da gula da "quadrilha dos 40", comandada por José Dirceu e denunciada pelo procurador geral da República, os mensaleiros, sanguessugas, dossieiros todos os que foram enxotados do governo e do Congresso, como Dirceu, e os que voltaram à Câmara, disfarçados e impunes, como Palocci, Genoino, João Paulo Cunha, José Mentor, Waldemar Costa Neto. Lula passaria mais quatro anos distribuindo ração à sua tropa corrupta.
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Humor
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Decepcionado e temendo o que pode vir por aí, o povo se vinga no humor.
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1 - No debate do SBT, Lula, visivelmente nervoso, puxava a cadeira toda hora, lia números gaguejando, como se não soubesse o que estava lendo, e a todo instante metia a mão no bolso do paletó para tirar os óculos, que já estavam no nariz. No restaurante, o garçom cantou a canção popular:"Passei a noite procurando tu, procurando tu, procurando tu".
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2 - O marqueteiro João Santana proibiu Lula de terminar os discursos com as duas mãos levantadas e abertas. Faz o 45 de Alckmin.
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Publicado na Tribuna da Imprensa
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"Na manhã do começo de dezembro, em que chegamos ao hotel Sofitel, na Rua Sena Madureira, em São Paulo (depois da vitória de 2002), na qual Lula anunciaria a criação do CNDES, José Dirceu estava inconformado: `Acabou. Não tem mais aliança com o PMDB. O Lula acabou de vetar tudo o que estava acertado'.
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Como a aliança que levara o PT à vitória ficou em franca minoria no Congresso, o acordo com o PMDB era fundamental para garantir a chamada governabilidade. Durante semanas, as negociações foram conduzidas por José Dirceu, sempre em concordância com Lula. Mas, depois de tudo combinado com o presidente daquele partido, Michel Temer, Lula achou que seria demais entregar os três ministérios que eles reivindicavam, ainda mais por se tratar de áreas com grandes dotações orçamentárias.
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Foi uma decisão solitária do presidente eleito, um exemplo do que ele faria mais tarde, nos momentos de crise do governo. Novamente debitamos os gestos à intuição de Lula, que às vezes até funcionava. Desse vez, no entanto, não funcionou, como só se descobriria dois anos depois.
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Sem conseguir fechar acordo com nenhum grande partido, o novo governo acabou negociando apoio no varejo, com agremiações menores, mais à direita, como o PTB e o PP, além do PL do vice-presidente José Alencar. Ninguém podia imaginar que estava se plantando ali o ovo da serpente que, em 2005, poria em xeque o governo".
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Ipojuca
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Essa história aí também está no passional e lula-láissimo livro do jornalista Ricardo Kotscho, assessor de imprensa de Lula de 89 até este ano, que citei sábado: "Do golpe ao Planalto, uma vida de repórter" (Editora Companhia das Letras). O livro do Kotscho confessa, de dentro do PT e do Palácio do Planalto, aquilo que tantos de nós, jornalistas não petistas nem palacianos nem amaciados, dissemos estes anos todos: o PT e o governo Lula são uma panela de escândalos que não resistiu à pressão do tempo e explodiu.
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Não foi por falta de advertência. Hoje à noite, aqui no Rio, a partir das 20 horas, na Livraria Letras e Expressões do Leblon (Ataulfo de Paiva, 1292), o cineasta e articulista de "O Estado de S. Paulo", Ipojuca Pontes, culto, destemido e profético, lançará e autografará seu último livro: "A Era Lula - Crônica de um desastre anunciado" (Girafa Editora, São Paulo).
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Bastam os títulos e datas de publicação de alguns dos artigos: "Lula e os corruptos". "O PT e a marca totalitária" (novembro de 2003). "A marcha da insensatez" (janeiro de 2004). "Quadrilha organizada" (fevereiro de 2004). "Sindicato de ladrões" (agosto de 2005). ("Lula-Dirceu, o eixo do mal" (agosto de 2005). "Dirceu, expulso a bengaladas" (dezembro de 2005).
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Mercadante
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Outra história de Kotscho, de 89: "O comício de encerramento (de Lula em 89, no 2º turno), no Rio, deu a impressão de que o pior havia passado. As pesquisas apontavam empate técnico - Lula não parava de subir e Collor de cair. No imenso palanque armado na Candelária, já se falava abertamente em ministeriáveis.
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Em nome de Brizola, Roberto D´Avila veio me pedir que transmitisse a Lula a única reivindicação do PDT: o Ministério da Fazenda. Perguntei ao amigo quem era o indicado pelo ex-governador: `Você não vai acreditar, mas ele mesmo gostaria de ser o ministro'.
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O petista mais cotado para o posto era Aloísio Mercadante, que estava no avião quando contei a Lula sobre o pedido de Brizola. Eu não saberia dizer qual dos dois ficou mais atônito".
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PMDB
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Imaginem vocês a montanha de ovos de serpente que Sarney, Renan, Jader Barbalho, Newton Cardoso, Romero Jucá, Gedel Viera Lima, toda a banda insaciável do PMDB, estão chocando agora no ninho de corrupção do Palácio do Planalto, para o segundo governo, se Lula ganhar domingo.
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Já nem precisamos falar da gula da "quadrilha dos 40", comandada por José Dirceu e denunciada pelo procurador geral da República, os mensaleiros, sanguessugas, dossieiros todos os que foram enxotados do governo e do Congresso, como Dirceu, e os que voltaram à Câmara, disfarçados e impunes, como Palocci, Genoino, João Paulo Cunha, José Mentor, Waldemar Costa Neto. Lula passaria mais quatro anos distribuindo ração à sua tropa corrupta.
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Humor
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Decepcionado e temendo o que pode vir por aí, o povo se vinga no humor.
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1 - No debate do SBT, Lula, visivelmente nervoso, puxava a cadeira toda hora, lia números gaguejando, como se não soubesse o que estava lendo, e a todo instante metia a mão no bolso do paletó para tirar os óculos, que já estavam no nariz. No restaurante, o garçom cantou a canção popular:"Passei a noite procurando tu, procurando tu, procurando tu".
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2 - O marqueteiro João Santana proibiu Lula de terminar os discursos com as duas mãos levantadas e abertas. Faz o 45 de Alckmin.
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3 - Estão procurando um cão-guia para Lula. Ele não vê nada.
Sandice? Burrice? Ou crime?
por Sandra Cavalcanti,
Publicado no Estadão
Publicado no Estadão
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Dependendo da análise jurídica do presidente da República, foi burrice. Pelo menos esta é a conclusão a que chegamos ouvindo suas respostas e seus comentários na entrevista concedida à TV Cultura.
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Dependendo da análise jurídica do presidente da República, foi burrice. Pelo menos esta é a conclusão a que chegamos ouvindo suas respostas e seus comentários na entrevista concedida à TV Cultura.
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Ele conta que chamou o então coordenador de sua campanha, que foi seu ministro e é presidente nacional do seu partido, o PT, e lhe perguntou de forma direta: 'Ricardo, você sabe quem armou esta burrice?' Mas o ex-ministro, também da turma que não sabe de nada, não sabia de nada!
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O presidente não se conformou com o fato. 'Como não saber? Gente sua! Auxiliares seus! Gente do nosso comitê e do comitê do Mercadante!'
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Segundo ele mesmo, o presidente teria usado um palavreado bastante forte. Muito gentil com as ilustres jornalistas presentes, porém, poupou-as de repeti-lo... Mas tratou de tomar as providências, com severidade, como, disse ele, sempre fez durante toda a sua vida. 'O companheiro errou? Tem de pagar pelo erro.' (É bem verdade que ninguém foi demitido. Uns foram afastados. Outros pediram demissão. O inquérito que corre foi aberto pelo Ministério Público, diante da ação eficiente da Polícia Federal.)
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Na entrevista ficou claro que, apesar da bronca que passou nos aloprados, ele continua achando que os 'companheiros' só foram 'burros'. Ou seja, obviamente eles não foram suficientemente competentes para que o plano desse certo! Isso, sim, foi imperdoável.
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Quanto ao pobre do Berzoini, a coisa ainda foi mais deprimente. O presidente da República não admite que ele não soubesse de nada. O presidente da República não aceita essa desculpa. O chefe tem de saber de tudo, pois não? Dentro desse seu raciocínio, a única exceção parece ser o presidente da República. Só a ele cabe não saber de nada.
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A chantagem nos Correios, o mensalão, o valerioduto, o superfaturamento na publicidade, os dólares no avião dos pastores do bispo Macedo, os dólares na cueca, os dólares para a compra do dossiê falso, as contas do pagamento de cartilhas, a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo, a prática repetida de rapinagem nas prefeituras petistas, tudo isso escapou à sua vigilância. E, é sempre bom lembrar, se não fosse a briga interna que explodiu entre os aloprados, o Brasil estaria até agora encantado com a 'extraordinária habilidade política' revelada pelo presidente da República ao montar a sua fidelíssima bancada majoritária no Congresso! Que talento! Que demonstração de força persuasiva!
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Na entrevista, visivelmente irritado com as perguntas pertinentes dos jornalistas, ele mais uma vez se mostrou incapaz de responder com clareza e exatidão. Tergiversou, rodeou e fez apenas o que sabe fazer: auto-elogios! Mal o entrevistador terminava a sua fala e lá estava o presidente da República repetindo, pela milésima vez, as suas habituais arengas.
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Ouvindo-o, e o vendo, um pessoa desavisada imaginaria que, até o início de 2003, o País estava à deriva. Ele diz isso com a maior leviandade. No entanto, todo mundo sabe que, desde 1994, o Brasil vinha lutando e vencendo uma terrível batalha contra a inflação, que culminou com os belos resultados que aí estão até hoje. E tudo isso apesar de o PT e suas lideranças terem sempre trabalhado contra o Plano Real.
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Uma pessoa que chegasse agora ao Brasil e ouvisse as declarações do presidente da República iria supor que a modernização dos portos fora obra dele. Imagine! Foram quatro anos de luta atroz contra os sindicatos do atraso. Luta iniciada em 1993 e só terminada em 1997!
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Na entrevista, o presidente disse que 'sempre foi parlamentarista'. Chega a ser piada... E mais piada ainda foi ouvi-lo dizer que vai 'lutar pela fidelidade partidária e pelo financiamento público das campanhas'. Pode ser que essa, agora, venha a ser a saída do presidente e do seu PT, depois que o famoso 'processo petista de montar bancada fiel' e 'trocar o caixa 2 pelo mensalão' acabou descoberto e desmoralizado.
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Sua posição quanto às privatizações é absolutamente dinossáurica. Nem a esquerda chinesa acredita mais nisso! A sorte do Brasil foi, exatamente, o Estado ter conseguido se libertar dos entulhos monopolistas e autárquicos, herdados de duas ditaduras.
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Quem tem boa memória sabe que, até há poucos anos, entre as entidades federais que integravam o patrimônio da União, estavam o bondinho do Corcovado, hotéis falidos em estâncias hidrominerais, empresas de telefonia que não instalavam novas linhas, empresas de navegação cheias de funcionários e sem navios , empresas ferroviárias sem trilhos e sem trens, portos, outrora movimentados, parados e enferrujando ao tempo.
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Tudo isso mudou. Graças à retirada do Estado, o patrão dono preguiçoso e incompetente saiu de cena. Hoje, os usuários dos serviços são prioridade. Empresa que não der conta do recado perde a vez e o lugar.
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É claro que, para a mentalidade petista, isso é um desastre. Quantas nomeações de companheiros deixarão de ser feitas? É por isso que o presidente acha que a privatização da Vale do Rio Doce foi um erro e que as empresas estatais de telefonia deveriam continuar a infernizar a vida de todos nós.Nestes próximos dias, certamente teremos novos pronunciamentos do presidente da República. Tivemos o cuidado de não chamá-lo de Lula, neste artigo, porque ele se mostrou ofendido com a sem-cerimônia do seu opositor na eleição. Faz questão das deferências.Tudo bem. Existe, no entanto, uma pergunta que continua no ar e não ofende Sua Excelência: de onde pode ter vindo o dinheiro que foi encontrado em poder dos seus 'meninos', naquela sandice? Ou naquela burrice? Ou naquele crime?
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O Berzoini, coitado, não sabe. Mas o chefe dele é obrigado a saber,
O crime comprovado
por Clóvis Rossi,
Publicado na Folha de S. Paulo
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Publicado na Folha de S. Paulo
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A Polícia Federal, tão elogiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está acusando o presidente-candidato de crime eleitoral. É a única conclusão possível a tirar do relatório parcial do delegado Diógenes Curado Filho a respeito do caso do dossiê. Basta seguir o teorema seguinte:
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1 - O delegado acusa Jorge Lorenzetti de ter sido "a pessoa que articulou em âmbito nacional a compra do dossiê". A propósito, Gilberto Carvalho, o secretário particular do presidente, também aponta o dedo, indiretamente, para Lorenzetti. Descobertos os telefonemas que trocou com o acusado, Carvalho afirmou: "Disseram que o Lorenzetti estava no rolo". Quem "disseram", cara pálida? Só pode ter sido gente da campanha, do governo ou do PT.
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Quem quer que seja, sabia que os que Lula chamou de "aloprados" (mas que, na verdade, são delinqüentes) são perfeitamente capazes de meter-se em "rolos" (crimes, em português claro).
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2 - O chefe do "rolo", Lorenzetti, era, à época, analista de risco e mídia da campanha Lula.
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3 - É crime eleitoral não apenas usar dinheiro ilícito para fins eleitorais mas também captá-lo. Se Lorenzetti "articulou em âmbito nacional a compra do dossiê", cometeu crime eleitoral.
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4 - O candidato, como o próprio Lula admitiu, na sabatina da Folha, responde pelos ilícitos cometidos pela sua campanha.
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É elementar, meus caros Watsons da vida. Se vai ou não produzir conseqüências, só se saberá com o caminhar do processo já em curso na Justiça Eleitoral, o que pode tardar anos, muitos, talvez.
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De todo modo, pela primeira vez a eleição de um presidente estará "sub judice", por culpa única e exclusiva do que Lula chama de "burrices" de seus amigos e correligionários, fugindo de novo à palavra certa: foram crimes.
A diferença entre Alckmin e Lula
por Carlos Alberto Sardenberg, jornalista,
Publicado no Estadão
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Publicado no Estadão
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O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, está com um enredo coerente: o objetivo mais importante da política macroeconômica deve ser a redução dos gastos públicos. A seqüência virtuosa que se espera é a seguinte: um corte de gastos, forte o suficiente para propiciar uma redução da carga tributária, abre espaço para a queda mais acentuada dos juros. Se combinado isso com a criação de melhores condições para o investimento privado em infra-estrutura, estará aberto o caminho para a aceleração do crescimento econômico.
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A questão é: como cortar gastos públicos? Há, portanto, dois pontos a examinar: o enredo e a sua execução.
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Em entrevista de uma hora à rádio CBN, sem regras rígidas e com tempo para que os entrevistadores (Heródoto Barbeiro e eu) pudessem perguntar e replicar, Alckmin elaborou uma proposta bem definida para a política econômica.Quanto ao diagnóstico: o país cresce pouco porque a carga tributária é muito elevada, os juros são altos e o dólar está barato, dificultando a vida de muitos setores exportadores.
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Como alterar isso?
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Alckmin afirma que não se deve mexer no regime de metas de inflação, com Banco Central (BC) autônomo. Ou seja, quem define a taxa básica de juros continua sendo o BC, para alcançar uma meta de inflação que já foi fixada em 4,5% pelo Conselho Monetário Nacional para os próximos dois anos. Pela previsão do mercado, supondo a plena manutenção do regime de metas, essa taxa básica, hoje de 13,75% ao ano, deve continuar caindo, de modo a alcançar 12,5% em dezembro de 2007.
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Com a inflação estabilizada na casa dos 4% ao ano, a taxa real de juros será, então, de 8,1% ao ano. Será um resultado notável quando comparado com o dos últimos anos, durante os quais essa taxa só caiu abaixo dos 10% por um mau motivo: a disparada da inflação.
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Quando se olha em torno, porém, o resultado é pobre. A taxa real de juros nos principais países emergentes fica entre 2% e 4%, ou seja, metade da que será a nossa no ano que vem, dando tudo certo.
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Como ir mais abaixo?
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Alckmin claramente se alinhou com os economistas para os quais a chave da virada está numa forte redução do gasto público. Com despesas menores, será possível reduzir a carga tributária, outro grande obstáculo ao consumo e investimento de pessoas e empresas. Essa combinação, e mais uma redução do endividamento público, permitirá a queda mais acentuada dos juros, num ambiente em que a política fiscal (das contas públicas) ajudará o BC. Hoje, atrapalha, na medida em que expande fortemente o gasto público.
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Conforme teses amplamente apresentadas neste espaço – a ponto, talvez, de cansar a paciência de leitores e leitoras –, o Brasil foi apanhado num círculo vicioso: o setor público aumenta gastos, aumenta impostos, aumenta a dívida, aumenta juros, e vai nessa ciranda.
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Para girar a roda ao contrário é preciso começar pela redução dos gastos.
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Mas como fazer isso?
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Para muitos analistas, não há possibilidade sem outra reforma da Previdência (a do INSS), que é, de longe, a maior despesa primária do governo federal. De janeiro a setembro deste ano, esse gasto chegou a R$ 120,3 bilhões, o que representa quase 45% das despesas totais.
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Mas o candidato Alckmin, certamente por razões eleitorais, diz que não é preciso fazer outra reforma da Previdência. “A reforma está feita”, afirmou na entrevista à CBN, acrescentando que é possível dar aumentos reais a todos os aposentados, incluindo os que ganham mais que o salário mínimo.
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Está dizendo aí que é possível aumentar a despesa previdenciária. Isso seria compensado com a conclusão da reforma da Previdência do setor público, especialmente a introdução dos fundos de pensão complementar. Em todo caso, seu programa escrito se refere à possibilidade de adoção de novas regras previdenciárias para os que venham a ingressar no mercado de trabalho. Essas regras, portanto, só teriam efeito fiscal em 30 anos, pelo menos.Para já, o candidato tucano acha que pode fazer uma forte economia só com administração mais eficiente, o tal choque de gestão. É difícil imaginar como.
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Somando os gastos com Previdência, salários do funcionalismo ativo e inativo, seguro-desemprego, benefícios assistenciais e Bolsa Família, dá mais de 75% da despesa total do governo federal. E não se pode parar de pagar esses itens.
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Assim, é preciso supor que haja um enorme desperdício na gestão do governo federal, de tal modo que só a economia nas atividades-meio permitirá uma substancial redução de gastos. Por exemplo: sem cortar um único cartão do Bolsa Família, seria possível fazer forte economia no processo administrativo do programa. Idem para a Previdência, e assim por diante. É só uma hipótese, por enquanto, e otimista.
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E Lula?
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Diz que não é preciso cortar gasto nenhum e, quando apertado, diz que não há onde cortar. Muitos de seus assessores, de governo e campanha, acreditam que haja espaço para aumentar o gasto público.
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Os números do governo federal cumprem o que o candidato promete. De 2004 para 2005, as despesas totais aumentaram 16%. Neste ano, até agosto, estão subindo 14%. As despesas com Previdência subiram 16% no ano passado e estão subindo outro tanto neste ano.
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Isso explica por que a carga tributária aumentou 3 pontos porcentuais do Produto Interno Bruto (PIB). Leitores e leitoras mais tolerantes poderão dizer que é pouco. Mas o PIB brasileiro está na casa dos R$ 2 trilhões. Coloquem 3% em cima disso e se verá quanto de impostos estamos pagando a mais.
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Eis a diferença, portanto. Alckmin e Lula mantêm o regime de metas de inflação, o câmbio flutuante e o superávit primário. Lula acha que isso já está bom e que o país vai crescer forte, mesmo com carga tributária elevada e dívida alta. Impossível. Alckmin acha que é preciso começar a cortar custos, mas tem uma proposta para isso muito otimista.
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Tudo considerado, vai acontecer como sempre no Brasil – vamos fazer reformas às pressas, quando a crise fiscal estourar.
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Em qual país você está?
por Raul Pilati, do Correio Braziliense
Estamos diante de dois países, cada qual com uma concepção econômica. Economistas, analistas e quem paga impostos em um. Governo em outro. É uma conversa de surdos. De um lado, parte da sociedade que se sente diretamente atingida pela carga tributária e enxerga nela parte do mal que impede um crescimento econômico significativo. Esse grupo está ficando rouco de tanto gritar contra o crescimento das despesas públicas e pede um fim à escalada descontrolada.
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O governo, de seu lado, não parece entender ou ver motivo para tanto drama. Afinal, o controle fiscal permanece, com superávit primário assegurando poupança de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB) para pagar uma parte dos juros. E o déficit nominal (que é acrescido anualmente à dívida pública), variando em torno de 3% do PIB, está sob controle. O país continua crescendo.
Duas visões de mundo que não se enxergam.
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O elemento essencial desse conflito é a carga tributária de 38% do PIB, o que significa um recolhimento em torno de R$ 770 bilhões em impostos, taxas e contribuições em 2006. Até ontem à noite, os brasileiros já haviam pago R$ 655 bilhões desde janeiro, segundo o impostômetro, o medidor de impostos criado pela Associação Comercial de São Paulo para ajudar na educação e informação da população.
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Bem, o lado que paga – os contribuintes – acha que o país não cresce mais porque as empresas e as pessoas não conseguem economizar para investir, ou consumir tanto quanto deveriam. O nível de investimento no Brasil – que cresce ao ritmo de 3% ao ano – está em torno de 20% do PIB. Na China, que cresce entre 10% e 11% ao ano, o investimento equivale a 40% do PIB.
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Já o governo, por seu lado, não crê que gaste demais. As contas públicas anuais mais altas são com a Previdência pública (R$ 180 bilhões) e salário dos servidores (R$ 106 bilhões). O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deixou claro que não considera nenhuma das duas “dinheiro jogado fora”, dando a entender que não vê necessidade de reduzi-los. O crescimento mais acelerado, acreditam Mantega e seus assessores, se dará pelas ações indutivas do próprio governo.
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O conflito de visões de mundo vai permanecer, tudo indica, principalmente em caso de vitória de Lula. Só quem esperar vai descobrir em qual país realmente estamos.Perda de tempo com privatizações
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Poucas discussões da campanha eleitoral presidencial foram tão inúteis quanto a das privatizações. E olha que a concorrência foi triste: em geral o debate foi pobre, sem originalidade e com os candidatos procurando esconder o que pensam ou pretendem mais do que informar aos eleitores.
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Ultrapassado, o bate-boca entre Lula e Alckmin sobre venda de estatais lembrou os piores momentos que antecederam a redução dos tentáculos do Estado por meio da venda de empresas dedicadas a cumprir funções que a iniciativa privada é capaz de desempenhar melhor – como o tempo provou. O clima belicoso pré-privatização imperou entre 1995 e 1998, entre as primeiras vendas da área siderúrgica até o processo de transferência do Sistema Telebrás. Esse falso conflito foi reaceso pelo presidente Lula e alimentado ingenuamente por Alckmin.
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A habilidade do candidato à reeleição foi conseguir produzir um sentimento de desconfiança sem motivo concreto. Quais dúvidas há sobre se o país está melhor ou pior depois das vendas das empresas estatais? Nenhuma. Mesmo assim, Lula falou das tendências privatistas do PSDB e do PFL como se fossem defeitos. Foi um discurso muito semelhante ao usado antes das vendas da Embraer, Vale do Rio Doce e Usiminas. Hoje, são três exemplos de empresas que cresceram, ganharam espaço nos mercados internacionais em que atuam e produziram riqueza para o país. E Alckmin vestiu a carapuça como se vender estatais fosse motivo de vergonha, mesmo depois de casos inquestionáveis de sucesso como do setor de telefonia.
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Se a Petrobras e o Banco do Brasil fossem vendidos, daqui a 10 anos estaríamos admirando seu crescimento, a abertura de empregos e os ganhos para os acionistas – inclusive os assalariados que investissem nas duas empresas. Ao invés de ficar engordando os cofres públicos, os dividendos estariam revertendo para a sociedade. Há uma lógica fria: o Estado tem muitas obrigações que absorvem suas energias e recursos, inclusive financeiros, e são suas funções por princípio (educação, saúde, infra-estrutura etc). Uma empresa privada é focada em seu objetivo de produzir riqueza para os proprietários e tem maior capacidade de mobilizar investimentos para crescer. É simples.
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Fechando vias de corrupção
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Mais importante do que a distribuição das receitas, o processo de enxugamento do Estado é uma forma de tapar ralos por onde escorrem desvios, desmandos e dinheiro da corrupção. Esse princípio sempre esteve por trás do processo de venda conduzido no período de Fernando Henrique Cardoso, apesar de pouco assumido publicamente. Fosse o Banco do Brasil uma empresa privada, não teríamos assistido à participação de um diretor da maior instituição financeira do país em negociata de um dossiê no meio da briga entre PT e PSDB, como Expedito Afonso Veloso. Nem teria como mentor do esquema um ex-diretor do Banco de Santa Catarina, como Jorge Lorenzetti.
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Ocupar os cargos de confiança em empresas com pessoas ligadas a estruturas partidárias é um privilégio só permitido em estatais. Fossem privadas, não passaríamos por um constrangimento nacional desse porte.
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A falácia da esquerda.
por Sebastião Ventura Pereira da Paixão Jr., advogado
O inerente espírito crítico da condição humana procura fazer da síntese o resultado proveitoso do entrechoque da tese e com a antítese. Todavia, o confronto de idéias somente produz frutos profícuos se precedido de premissas verídicas e coerentes. O argumento falso gera uma conclusão ficta, enquanto a incoerência é a arma da pulhice intelectual. A falência do discurso político brasileiro é conseqüência direta da insubsistência das idéias “que” e de “quem” representa. A falta de sinceridade e o desapego aos predicados da ética conduzem a política nacional para um arenoso terreno de contradições, mentiras, farsas e escândalos. Seria hipocrisia acusar este ou aquele partido pelos descaminhos da vida pública. O que se vê é um somatório de nulidades com expoentes negativos e positivos em ambos os lados confrontantes.
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O inerente espírito crítico da condição humana procura fazer da síntese o resultado proveitoso do entrechoque da tese e com a antítese. Todavia, o confronto de idéias somente produz frutos profícuos se precedido de premissas verídicas e coerentes. O argumento falso gera uma conclusão ficta, enquanto a incoerência é a arma da pulhice intelectual. A falência do discurso político brasileiro é conseqüência direta da insubsistência das idéias “que” e de “quem” representa. A falta de sinceridade e o desapego aos predicados da ética conduzem a política nacional para um arenoso terreno de contradições, mentiras, farsas e escândalos. Seria hipocrisia acusar este ou aquele partido pelos descaminhos da vida pública. O que se vê é um somatório de nulidades com expoentes negativos e positivos em ambos os lados confrontantes.
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Entretanto, se quisermos evoluir politicamente, teremos que acabar com a falácia do discurso da esquerda, que se pauta em dois argumentos centrais: a) uma crítica violenta à iniciativa privada e b) a bravata da igualdade dos sistemas socialistas. Quando lança sua agressividade ao setor empresarial e à propriedade privada, a esquerda parece ignorar que a única forma de gerar emprego e inclusão social é o desenvolvimento econômico. Sem uma plataforma de apoio à micro e pequena empresa, aliada a uma matriz tributária equilibrada e de leis que desburocratizem a abertura de novos negócios, o Brasil continuará com um crescimento pífio, condenando milhares de cidadãos à pobreza e à marginalidade. E, ao invés de investir em infra-estrutura, o governo continuará gastando milhões com um assistencialismo desmedido, sem resolver o problema do desemprego e da exclusão social.
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Por sua vez, é na tal igualdade dos regimes socialistas que o jóquei cai do cavalo. Pergunto se, na tão festejada Cuba, os irmãos Castro e seus companheiros vivem nas mesmas condições precárias de seu povo? Pergunto se Stálin e seus camaradas viviam com as mesmas restrições impostas ao povo soviético? E o “democrata” Chávez vive de igual para igual com os venezuelanos mais humildes? Será que a alta casta do poder, sempre com um charuto em punho e com um scotch 12 anos a tiracolo, era e é igual aos mortais da classe trabalhadora? Vivem com os mesmos luxos e direitos?
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Então, que igualdade é esta?
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O fato é que o encantador discurso da esquerda socialista esconde uma brutal desigualdade intrínseca. Essa é a realidade: defende-se a rasteira planificação social para luxúria dos poucos donos do poder. A soberania do povo é escravizada para satisfazer os interesses da alta burocracia estatal. E o mais irônico é que aqueles que criticavam os “donos de capital” passam a ser justamente o que condenavam. Aliás, se transformam em algo muito pior, pois, além do domínio econômico, iniciam a degola das liberdades individuais.
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