quinta-feira, fevereiro 24, 2022

Vergonha, vergonha, vergonha: Ucrânia não merece isso, nem Rússia

 ESPECIAL: CRISE RÚSSIA X UCRÂNIA


Vilma Gryzinski 
Veja online

Em pleno século 21, causa revolta ver a lei do mais forte ser cinicamente aplicada a um país soberano que não fez nada para provocar guerra

  Aris Messinis/AFP
A manipulação da linguagem: não é guerra, é “operação militar especial" – 

 “Não entrem em pânico. Somos fortes. Estamos preparados para tudo. Vamos derrotar todos. Porque somos ucranianos”.

Assim Volodimir Zelenski, um ex-comediante que está mostrando grande dignidade nesses momentos terríveis, tentou levantar os ânimos dos ucranianos, em live pelo celular. As bombas já caíam, as sirenes tocavam e, quem podia, corria para abrigos antiaéreos.

Muitos disseram que a crise nunca chegaria a isso, que Vladimir Putin “não seria louco” de atacar um país independente sem o mínimo motivo, que ele estava só tentando obter concessões de segurança, que não se arriscaria às inevitáveis sanções dos Estados Unidos e aliados.

Estavam errados. Putin traçou um plano há anos e o seguiu rigorosamente. A desculpa insana de que estavam desfechando a guerra para “desmilitarizar e desnazificar” a Ucrânia é de virar o estômago, mas não chega a ser exatamente uma surpresa.

Toda a narrativa que construiu é para justificar o uso da força, inclusive a negação do direitos dos ucranianos a ter sua própria identidade – e seu próprio país.

Raramente é aceitável evocar o nazismo para explicar situações atuais, mas a chocante realidade é que a campanha propagandística de Putin tem elementos que remetem à Alemanha de Hitler. Negar o direito à existência de um povo ou de um estado é o autoritarismo terminal em seu mais perfeito – e lúgubre – estado.

A manipulação da linguagem é outro desses elementos e foi retratada pelo entrevero em pleno Conselho de Segurança da ONU entre os embaixadores da Ucrânia e da Rússia, Sergi Kislitsia e Vasili Nebenzia. A reunião de emergência coincidiu exatamente – e nada por acaso – com o pronunciamento de Putin.

“Vocês declararam guerra! Preciso mostrar o vídeo do seu presidente declarando guerra?”, disse o ucraniano.

“Isso não se chama guerra, isso se chamada ‘uma operação militar especial’ em Donbass”, retorquiu o russo.

O grande povo russo, com seu histórico de sacrifícios titânicos, tanto nas mãos de líderes internos quanto de invasores externos, não merece ser colocado na situação que o regime Putin criou, de carrascos de um país praticamente impotente diante da superioridade bélica do vizinho.

Muito menos os ucranianos merecem a violência da guerra que finalmente foi desencadeada, com as  consequências que estaremos vendo nos próximos dias.

Todas as estruturas internacionais foram construídas a partir do século 20 com o objetivo de prevenir conflitos entre países. É sobre elas que Putin sapateia agora. E ainda ameaça:

“A qualquer um que esteja pensando numa interferência externa: quem fizer isso enfrentará consequências maiores do que jamais enfrentaram na história”.

Ou seja, ameaçou implicitamente com o uso de armas de destruição em massa.

Vladimir Putin se transformou num perigo para o mundo todo.

Ocidente deve mostrar a Putin o quanto ele está errado em escolher a guerra

 ESPECIAL: CRISE RÚSSIA X UCRÂNIA


Richard N. Haass *, 
O Estado de S.Paulo

Putin quer derrubar a estabilidade europeia, e escolheu a guerra para isso, na crença de que os benefícios superarão os custos. Cabe aos Estados Unidos e seus parceiros provarem que ele errou muito em seus cálculos

O momento chegou, após um impasse que se estende por meses. A invasão da Ucrânia pela Rússia está em andamento.

Na quarta-feira, o presidente Vladimir Putin disse que decidiu realizar uma “operação militar especial” no Leste da Ucrânia. No início desta semana, ele ordenou que seus militares fossem para duas regiões no leste do país, desmentindo a alegação – muitas vezes repetida por autoridades russas – de que ele não tinha intenção de invadir. 

Além de um ato de agressão, é uma violação flagrante do princípio legal básico de que as fronteiras internacionais não devem ser alteradas pela força e que os países soberanos são livres para tomar suas próprias decisões.

Também é injustificável. Existem dois tipos de guerra: guerras de necessidade, para proteger interesses nacionais vitais e envolvendo o uso da força militar como último recurso, como a 2ªa Guerra e a guerra do Golfo Pérsico de 1991; e guerras de escolha — intervenções armadas realizadas na ausência de interesses nacionais vitais ou apesar da disponibilidade de opções que não envolvam a força militar. Nessa categoria se enquadram as guerras do Vietnã, do Iraque e, após uma fase inicial limitada, do Afeganistão.

O conflito de Putin é, decididamente, uma guerra de escolha. As justificativas do presidente russo não se sustentam: não houve e não há consenso sobre permitir a entrada da Ucrânia para a Otan na próxima década ou depois.

Não havia e não há ameaça aos russos étnicos na Ucrânia. E os Estados Unidos e a Otan expressaram sua abertura para discutir acordos de segurança europeus que levem em consideração os legítimos interesses russos.

Em vez disso, Putin está escolhendo o caminho da guerra. Isso exige uma resposta determinada e abrangente do Ocidente. A guerra de escolha de Putin exige uma resposta de necessidade.

O Ocidente deve visar penalizar a Rússia e desencorajá-la a cometer novas agressões. A suspensão do oleoduto Nord Stream 2 pela Alemanha é um forte começo, assim como as sanções financeiras contra dois bancos russos e a dívida soberana da Rússia anunciadas pelo presidente Biden na terça-feira.

Medidas direcionadas adicionais devem seguir, e as capacidades militares da Ucrânia e da Otan, particularmente em países próximos à Rússia, devem continuar a ser aprimoradas. Putin deve ser levado a entender que os movimentos que ele já fez terão consequências significativas.

Mas se a intervenção russa é um prelúdio para uma tentativa de afirmar o controle sobre toda a Ucrânia e derrubar seu governo, como provavelmente será, os Estados Unidos e seus aliados da Otan devem ir muito mais longe. O objetivo, então, deve ser expandir o apoio à Ucrânia – militar, de inteligência, econômico e diplomático – a ponto de aumentar significativamente os custos de qualquer ocupação russa.

Isso deve ser possível, até porque os aproximadamente 190.000 soldados da Rússia e as forças separatistas apoiadas pela Rússia que estão dentro ou perto da Ucrânia provavelmente não serão capazes de pacificar prontamente um país do tamanho e da população da Ucrânia. 

Para a Rússia, os custos já serão altos. Embora longe de ser uma panaceia, as sanções contra um conjunto mais amplo de pessoas e instituições financeiras próximas a Putin e críticas para a economia da Rússia podem aumentá-las ainda mais – assim como o aumento da produção de petróleo e gás nos Estados Unidos e no Oriente Médio. A remoção do colchão de altos preços de energia do Kremlin, que há muito tempo é uma bênção para o governo, seria a melhor sanção.

 Os Estados Unidos também devem continuar a divulgar sua inteligência que escancara as intenções russas para estragar surpresas. A mídia tradicional e as redes sociais com potencial para alcançar jornalistas russos e a sociedade civil deve contrariar a narrativa do Kremlin. E imagens do que está acontecendo dentro da Ucrânia devem chegar ao mundo, não deixando dúvidas sobre o número de vidas inocentes tiradas pelo aventureirismo de Putin.

Em um nível mais estratégico, os Estados Unidos deveriam tentar construir alguma distância entre a China e a Rússia. Isso não acontecerá da noite para o dia, mas o governo Biden deve intensificar sua diplomacia privada com a China, destacando os riscos econômicos e estratégicos – incluindo punição financeira e crescente sentimento anti-China no Ocidente – de estar intimamente associado a uma Rússia agressiva. 

Agora também seria um bom momento para reiniciar um diálogo estratégico de alto nível com a China e buscar questões, digamos, sobre o Afeganistão e as mudanças climáticas, onde os dois governos possam cooperar.

No cenário internacional, os governos de todos os lugares devem ser desencorajados a seguir a liderança da Rússia em reconhecer a independência das duas regiões ucranianas. E a Ucrânia e seus amigos devem apresentar seu caso não apenas ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas também à Assembleia Geral, onde a Rússia não tem poder de veto. 

Além disso, os governos europeus precisam preparar seu público para grandes aumentos de refugiados que fogem da Ucrânia e argumentar por que eles devem ser apoiados. E os cidadãos da Europa e dos Estados Unidos precisam ser alertados sobre o potencial de ataques cibernéticos e escassez de energia. Enfrentar a Rússia não será indolor.

Mas a história das guerras de escolha oferece algumas perspectivas úteis. Enquanto muitos começam bem, a maioria – particularmente aquelas que são ambiciosas – terminam mal. Os países intervenientes tendem a subestimar a dificuldade de prevalecer ou de traduzir os sucessos do campo de batalha em ganhos duradouros. 

Gradualmente, aqueles que estão em casa tendem a se cansar de arcar com os custos crescentes ligados à busca de objetivos evasivos. A invasão do Afeganistão pela União Soviética, que começou em 1979, se arrastou por uma década e prejudicou gravemente a autoridade do Estado, é um exemplo disso.

No entanto, Putin está determinado a derrubar a estabilidade europeia. Como outros antes dele, ele está iniciando uma guerra de escolha na crença de que os benefícios superarão os custos. Cabe aos Estados Unidos e seus parceiros provar que ele errou muito em seus cálculos.

* Richard N. Haass (@RichardHaass) é o presidente do Council on Foreign Relations, um dos principais centro de estudos de Relações Exteriores do mundo, e autor de, entre outros livros, “War of Necessity, War of Choice: A Memoir of Two Iraq Wars” e “The World: A Brief Introduction .”

PAPEL VERGONHOSO: Bolsonaro fica em cima do muro na guerra entre a Rússia e a Ucrânia

 ESPECIAL: CRISE RÚSSIA X UCRÂNIA


Marcio Allemand
Revista ISTOÉ

 
Depois de mais de 12 horas de iniciados os ataques da Rússia à Ucrânia, Bolsonaro finalmente foi às redes, no final da tarde desta quinta-feira, 25, mas não para criticar ou apoiar a atitude de Vladimir Putin, com quem havia se solidarizado semana passada quando esteve em Moscou. “Estou totalmente empenhado no esforço de proteger e auxiliar os brasileiros que estão na Ucrânia”, limitou-se a dizer em seu post.

De resto, o presidente brasileiro praticamente copiou e colou o conteúdo de uma nota que o Itamaraty havia publicado mais cedo, informando que a embaixada do Brasil em Kiev permanece aberta e pronta a auxiliar os cerca de 500 cidadãos brasileiros que vivem na Ucrânia e todos os demais que estejam por lá temporariamente. A maioria dos comentários na sua postagem parte para a ironia, com alguns internautas questionando se Bolsonaro “não ficou ‘putim’ com o ataque covarde do Putin à Ucrânia”, se ele “concorda com a guerra” ou se “vai impor algumas sanções aos russos”.

Mais cedo, o Itamaraty informou que não há plano de resgate de brasileiros, como chegou-se a cogitar, mas sim, um plano de evacuação. O Ministério das Relações Exteriores esclareceu que os brasileiros que estiverem na fronteira leste da Ucrânia devem fazer a evacuação por conta própria. De acordo com informações do Ministério, as embaixadas de países do Leste Europeu estão de prontidão para garantir informações aos brasileiros.

Há notícias também de que corpos diplomáticos de países como Argentina e Chile estão em contato com o Itamaraty para que seus cidadãos, que porventura estejam naquela região, sejam auxiliados.

Sob ataque russo, Ucrânia fecha espaço aéreo e cancela voos civis; veja primeiras imagens do país

 ESPECIAL: CRISE RÚSSIA X UCRÂNIA


O Globo e agências internacionais

Governo alerta para alto risco de segurança da aviação civil; sites de monitoramento mostram aeronaves contornando o país

  Foto: FLIGHTRADAR24.COM/via Reuters TV/Divulgação via REUTERS 
Site de rastreamento de voos FlightRadar24 mostra aeronaves
 desviando pela Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022 

KIEV — A Empresa Estatal de Serviços de Tráfego Aéreo da Ucrânia anunciou nesta quinta-feira que fechou o espaço aéreo do país. Todos os voos foram suspensos às 02h45, horário de Kiev, "devido ao alto risco de segurança da aviação civil". Imagens de sites de monitoramento mostram que, nesta manhã, o tráfego aéreo contornava todo o país em corredores lotados de aeronaves nas direções norte e oeste.

A medida foi adotada após o presidente russo, Vladimir Putin, ordenar uma operação militar contra a Ucrânia, afirmando que não quer a "ocupação" do país, mas sua "desmilitarização". O governo ucraniano informou que divulgará mais atualizações sobre mudanças no uso do espaço aéreo em breve.

Foto: ARIS MESSINIS / AFP 
Bombeiros controlam incêndio em um prédio após bombardeios
 na cidade de Chuguiv, no leste da Ucrânia 

Foto: ARIS MESSINIS / AFP 
Homem chora ao telefone ao lado de um corpo após
 bombardeios na cidade de Chuguiv, no leste do país   

Foto: ARIS MESSINIS / AFP 
Civis ficam do lado de fora de um prédio destruído 
após bombardeios na cidade de Chuguiv. 

Foto: DANIEL LEAL / AFP 
Diversas pessoas com malas caminham em uma estação de 
metrô em Kiev. Putin anunciou operação militar na Ucrânia, 
com explosões ouvidas logo depois em todo o país   

Foto: ARIS MESSINIS / AFP
Nuvem de fumaça preta sobe de um aeroporto 
militar em Chuguyev, perto de Kharkiv 

Foto: ARIS MESSINIS / AFP
Fumaça preta sobe de um aeroporto militar
 em Chuguyev perto de Kharkiv 

Conforme a Reuters, um voo da El Al de Tel Aviv que iria para Toronto, no Canadá, fez uma inversão repentina logo que o fechamento foi anunicado. O site de rastreamento FlightRadar24 mostrou ainda muitos voos da Polish Airlines que pousariam em  Kiev retornando para a Varsóvia.

Mais cedo, a Agência de Segurança da Aviação da União Europeia (EASA) já havia divulgado alerta de que poderia haver risco em trafegar no espaço aéreo da Rússia e Bielorrússia numa distância de pelo menos 185 km das fronteiras desses países com a Ucrânia.

"Em particular, existe o risco de direcionamento intencional e identificação errônea de aeronaves civis. A presença e o possível uso de uma ampla gama de sistemas de guerra terrestres e aéreos representam um alto risco para voos civis operando em todas as altitudes e níveis de voo", informou a agência.

Objetivo de Putin é combater as democracias

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Marcos Strecker
Revista ISTOÉ
 
Presidente russo, Vladimir Putin

A invasão da Ucrânia é surpreendente e marca a maior mudança na dinâmica da geopolítica mundial em décadas. Não se trata de uma ação defensiva para se defender do avanço da Otan e das forças ocidentais em seu quintal, como o autocrata russo tenta transmitir. Trata-se de um projeto deliberado de poder, anacrônico e imperialista, que visa reforçar sua força doméstica e prolongar seu governo por décadas.

Ex-agente da KGB, o russo quer reviver os tempos de glória soviética, quando o regime comunista ocupou todo o leste europeu, até a metade da Alemanha. Em recente pronunciamento, disse que não reconhecia a Ucrânia como um Estado independente. É um desafio ao ordenamento internacional conquistado a duras penas desde a Segunda Guerra. Putin rasgou a carta da ONU e quer voltar à política internacional ao começo do século XX, quando nações conspiravam contra seus vizinhos e pretendiam ganhar influência internacional na base de tropas e bombas.

Apesar de a Rússia hoje ser uma economia mediana menor do a Califórnia, está amparado pelo arsenal nuclear da extinta URSS, por grandes reservas de petróleo e gás e por forças militares poderosas que consomem boa parte do PIB do país. Putin conta com isso para se tornar um novo czar, virando o jogo contra as democracias liberais do Ocidente. Por isso recebeu o apoio entusiasmado da China. Xi Jinping é outro autocrata que deseja se perpetuar no poder desafiando o Ocidente. O chinês está de olho no desenrolar do atual conflito, porque deseja fazer o mesmo movimento: deseja invadir Taiwan restabelecendo a supremacia chinesa no Oriente.

Putin e Xi Jinping querem minar as democracias ocidentais. Por isso Putin interferiu abertamente nas eleições americanas de 2016, conseguindo ajudar decisivamente na eleição de Donald Trump, que tentou implodir a ordem que garantiu paz e prosperidade ao mundo nos últimos 70 anos. Joe Biden felizmente derrotou Trump, e acertou em cheio ao prever que Putin era a maior ameaça estratégica aos EUA. Todas as advertências de Biden agora se concretizaram. O americano estava certo e tem tudo para voltar a fortalecer a Otan. Será um ótimo sinal para a continuidade da paz e da prosperidade que têm reinado desde que o totalitarismo foi derrotado no século XX.

Esse conflito mostrou o Brasil novamente como um ator coadjuvante e irrelevante. Bolsonaro se elegeu criticando o chavismo, mas foi se solidarizar em Moscou com o ditador russo que garante o financiamento militar e econômico da ditadura na Venezuela. O brasileiro apoiou Putin em meio a uma virada no ordenamento mundial, quando a Rússia desafiava os EUA, segundo maior parceiro comercial e maior parceiro estratégico do Brasil, num gesto patético. A diplomacia brasileira até agora não condenou a invasão da Ucrânia. Os princípios de não interferência externa e de soberania das nações deixaram de valer no Itamaraty?

Putin anuncia ‘operação militar’ em região da Ucrânia e pede que soldados do país se rendam

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BBC Brasik
 
CRÉDITO,EPA
Presidente russo afirmou no início desta quinta-feira (24/2) que o conflito 
entre as forças russas e ucranianas é 'apenas uma questão de tempo'

Em um pronunciamento na televisão, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou no começo desta quinta-feira (24/2) que irá realizar "operações militares" na região de Donbas, no leste da Ucrânia.

A correspondente da BBC no Leste Europeu Sarah Rainsford informou que já é possível escutar sons de explosões na cidade de Kramatorsk. O jornalista da BBC Paul Adams também relatou explosões na capital, Kiev.

Putin instou os soldados ucranianos a se render e voltar para casa — do contrário, a própria Ucrânia seria culpada pelo derramamento de sangue, disse o presidente russo. Ele acrescentou que o conflito entre as forças russas e ucranianas são "inevitáveis" e "apenas uma questão de tempo".

O anúncio de Putin aconteceu no mesmo momento em que ocorria uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) em Nova York, Estados Unidos, sobre a crise.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, discursou pedindo "do fundo do coração": "Presidente Putin, detenha suas tropas de atacar a Ucrânia".

Mais cedo, a Ucrânia declarou estado de emergência e ordenou que milhões de seus cidadãos vivendo na Rússia voltassem para seu país. O espaço aéreo ucraniano também foi restringido para voos civis devido ao "risco potencial".


Putin é outro líder covarde mundial

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Guga Chacra
O Globo

Aleksey Nikolskyi/Kremlin via Reuters
Vladimir Putin: Os líderes mundiais de hoje são guerreiros de sofá 
que não se arriscam, mas suas decisões enviam milhares à morte 

Vladimir Putin, de sua bolha em Moscou, mobiliza dezenas de milhares de jovens russos para uma possível invasão à Ucrânia. Não será o líder russo que poderá morrer. Tampouco será o líder russo que fará disparos que resultarão na morte de crianças, mulheres e inocentes que nada têm a ver com as disputas geopolíticas de grandes potências. Mas o líder russo será o responsável por todas essas mortes. Esta guerra é dele.

Os líderes mundiais nos dias de hoje não são como Júlio César, como Alexandre, o Grande. Não vão a campos de batalha. São guerreiros de sofá que não se arriscam. Não morrerão na guerra. Estarão sempre seguros para dar ordens bem distantes do campo de batalha. Putin jantará tranquilamente em Moscou, onde também realizará reuniões em salões gigantescos de mármore como se fosse um czar. Tem milhares de ogivas nucleares em seu videogame. Enquanto isso, pessoas morrerão por sua decisão de tentar reescrever a História.

Putin não é o único covarde.

George W. Bush enviou dezenas de milhares de jovens americanos de lugares como Montana e Califórnia para o Iraque em uma guerra baseada em informações falsas de seu governo. Cerca de quatro mil desses jovens morreram e um número ainda maior se suicidou quando retornou aos EUA em decorrências dos traumas psicológicos. Nesse mesmo conflito, centenas de milhares de iraquianos morreram. Quantos ficaram órfãos? Quantos ficaram viúvos? Quantos enterraram seus filhos pela decisão de um homem que vive hoje tranquilamente como pintor de quadros em seu rancho no Texas?

Ucranianos e russos podem morrer nos próximos dias. Milhares deles. No resto do mundo, acompanharemos essa possível guerra. Diremos que em um bombardeio morreram 20 pessoas. Sem nome. Vai parecer normal. Afinal, moram na Ucrânia. Mas são pessoas como a gente, que têm uma filha de 5 anos como a minha. Em muitos casos, essa filha morrerá. Se a fotografarem, talvez impacte o mundo como o menino refugiado sírio em uma praia da Turquia. Mas muitas delas simplesmente desaparecerão da face da Terra sendo apenas uma memória triste para os parentes que sobreviverem.

Em agosto do ano passado, Joe Biden anunciou em tom solene que os EUA haviam eliminado uma célula do Estado Islâmico prestes a cometer um atentado terrorista em Cabul. Na verdade, depois descobriram que era uma família, incluindo sete crianças. O pai trabalhava em uma organização humanitária. O Pentágono admitiu o “erro”. O presidente dos EUA nunca pediu desculpas aos familiares das vítimas. Nada. Foi descansar em um sofá na Casa Branca.

Ainda dá tempo para tentar impedir que a Ucrânia se transforme em um Líbano dos anos 80, uma Bósnia dos 90, um Iraque dos 2000 e uma Síria da década passada. Mas não será simples. As sanções certamente afetarão a economia russa. Mas Putin seguirá com a sua vida de oligarca no Kremlin. Não corre o menor risco. Sua popularidade? Sanções nunca ameaçaram regimes. Vejam Cuba, Irã, Coreia do Norte e Síria.

Infelizmente, vivemos em um mundo de guerreiros de sofá, como Putin, como Bush, e como Tony Blair. O líder russo tem a sua dacha para relaxar, assim como o ex-presidente americano tem seu rancho.

Chefes de Estado se posicionam em relação ao ataque da Rússia à Ucrânia

ESPECIAL: CRISE  RÚSSIA X UCRÂNIA


Da Redação
Revista ISTOÉ
 
- AFP
Emmanuel Macron, presidente da França
 
No início da manhã desta quinta-feira (24), na Europa, chefes de Estado de países do continente comentaram sobre a invasão russa à Ucrânia, iniciada nesta madrugada após autorização do presidente Vladimir Putin.

O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou veementemente a decisão russa e disse que o país “deve encerrar suas operações militares imediatamente”.

 “A França condena veementemente a decisão da Rússia de fazer guerra à Ucrânia. A Rússia deve encerrar suas operações militares imediatamente. A França se solidariza com a Ucrânia. Está com os ucranianos e trabalha com seus parceiros e aliados para acabar com a guerra”, escreveu Macron em suas redes sociais.

La France est solidaire de l’Ukraine. Elle se tient aux côtés des Ukrainiens et agit avec ses partenaires et alliés pour que cesse la guerre.
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) February 24, 2022

O primeiro-ministro de Portugal, António Costa, também condenou veementemente a ação da Rússia à Ucrânia, e disse que solicitou ao presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, uma reunião do Conselho Superior de Defesa Nacional.

Condeno veementemente a ação militar da #Rússia à #Ucrânia. Irei reunir com o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, o Ministro da Defesa Nacional e o CEMGFA. E solicitei ao senhor Presidente da República reunião urgente do Conselho Superior de Defesa Nacional. Os meus pensamentos estão com o povo ucraniano perante este ataque injustificado e lamentável”, disse Costa.

Os meus pensamentos estão com o povo ucraniano perante este ataque injustificado e lamentável.
— António Costa (@antoniocostapm) February 24, 2022

Em um comunicado, o premier italiano, Mario Draghi, classificou o ataque russo como “injusto e injustificável”, e disse que trabalha com aliados europeus e com a Otan para responder à Rússia.

O governo italiano condena o ataque da Rússia contra a Ucrânia. É injusto e injustificável. A Itália está junto do povo e das instituições ucranianos neste momento dramático. Trabalhamos junto a nossos aliados europeus e à Otan para responder rapidamente, com unidade e determinação”, disse Draghi.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que conversou com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky “para discutir os próximos passos” e que o Reino Unido e seus aliados “responderão de forma decisiva”.

Estou chocado com os terríveis acontecimentos na Ucrânia e falei com o Presidente Zelensky para discutir os próximos passos. O presidente Putin escolheu um caminho de derramamento de sangue e destruição ao lançar este ataque não provocado à Ucrânia. O Reino Unido e nossos aliados responderão de forma decisiva”, disse Johnson.

Assim que o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou a ofensiva militar na Ucrânia, o presidente americano, Joe Biden, divulgou um comunicado em que afirma que “Putin escolheu uma guerra que trará perda catastrófica de vidas”.

"As orações do mundo estão com o povo da Ucrânia esta noite, que sofre um ataque não provocado e injustificado das forças militares russas. O presidente Putin escolheu uma guerra premeditada que trará uma perda catastrófica de vidas e sofrimento humano”, disse Biden.

A Rússia sozinha é responsável pela morte e destruição que este ataque trará, e os Estados Unidos e seus aliados e parceiros responderão de forma unida e decisiva. O mundo responsabilizará a Rússia”, segue o comunicado do presidente dos EUA.


Ataque da Rússia à Ucrânia é premeditado e Putin será responsável por mortes, diz Biden

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Folha de S.Paulo
 
O presidente americano, Joe Biden

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente americano, Joe Biden, condenou a invasão anunciada e colocada em marcha por Vladimir Putin nas primeiras horas desta quinta-feira (24) da Ucrânia. Ele afirmou que o ataque é "premeditado e injustificado".

"A Rússia sozinha será a responsável por perdas catastróficas de vidas perdidas e sofrimento humano", afirmou Biden.

O presidente americano também disse que irá coordenar com aliados da Otan (aliança militar ocidental) para garantir uma resposta "unida e forte" às ações russas. Biden pretende fazer pronunciamento no início da tarde desta quinta.

O anúncio da operação militar de tropas russas na Ucrânia, foi feito ao mesmo tempo em que o Conselho de Segurança da ONU, do qual a Rússia faz parte, reunia-se para discutir a crise.

A embaixadora britânica na Ucrânia também chamou a ação russa de "ataque não provocado". "Não é porque você se preparou e pensou sobre essa possibilidade por meses que isso não é chocante quando realmente acontece", escreveu Melinda Simmons no Twitter. "Um ataque totalmente não provocado a um país pacífico, a Ucrânia, está se desenrolando. Estou horrorizada."

Jens Stoltenberg, diretor-geral da Otan, condenou a operação e disse que o "ataque imprudente coloca em risco inúmeras vidas de civis". Segundo ele, a aliança militar ocidental fará o que puder para proteger e defender seus aliados.

Pelo Twitter, o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Dmitro Kuleb, disse que Putin "iniciou uma guerra de larga escala contra a Ucrânia", e que locais com civis começaram a ser bombardeados. "Essa é uma guerra de agressão. A Ucrânia vai se defender e vencer. O mundo precisa agir e parar Putin, é hora de agir, imediatamente", escreveu.

No Congresso americano, parlamentares democratas pedem que Biden imponha novas e agressivas sanções contra a Rússia. "Se Putin não pagar um preço devastador por essa agressão, então nossa própria segurança está em breve em risco", disse o senador Chris Murphy, do estado de Connecticut.

O premiê da Austrália, Scott Morrison, anunciou sanções à Rússia nas primeiras horas desta quinta. "Há um preço a ser pago por ataques, ameaças e intimidações não provocadas, injustificadas e ilegais impostas à Ucrânia pela Rússia", disse.

O secretário-geral da ONU, após pronunciamento na sede da organização, também escreveu pelo Twitter condenando a ação russa. "Presidente Putin, em nome da humanidade, traga seus soldados de volta à Rússia. Esse conflito precisa parar agora."

Justin Trudeau, premiê do Canadá, afirmou que as ações russas terão "severas consequências", e que seu país irá tomar "ações adicionais para parar a agressão russa injustificada".

Um dos atores diplomáticos que visitaram Putin para tentar evitar o conflito, o primeiro-ministro alemão, Olaf Scholz, também se manifestou. "Hoje é um dia terrível para a Ucrânia e um dia obscuro para a Europa", afirmou em comunicado.

Já o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, conversou com o presidente ucraniano Zelenski, condenou a invasão e culpou o presidente russo. "O presidente Putin escolheu um caminho de derramamento de sangue e destruição ao lançar esse ataque não provocado à Ucrânia", afirmou.


Erdogan diz a Putin que Turquia não reconhece medidas contra integridade territorial da Ucrânia

 ESPECIAL: CRISE RÚSSIA X UCRÂNIA


Revista ISTOÉ
 
Presidente da Turquia, Tayyip Erdogan

ANCARA (Reuters) – O presidente turco, Tayyip Erdogan, disse ao presidente russo, Vladimir Putin, nesta quarta-feira que a Turquia não reconhece as medidas tomadas contra a integridade territorial da Ucrânia, anunciou seu gabinete, após a Rússia reconhecer duas regiões separatistas no leste da Ucrânia.

A decisão de Putin provocou uma onda de sanções de potências ocidentais sobre a Rússia. A Turquia, integrante da Otan e vizinha da Rússia e da Ucrânia no Mar Negro, se opõe às sanções em princípio, mas classificou a medida russa como inaceitável, e se ofereceu para mediar uma negociação.

Em uma teleconferência, Erdogan disse a Putin que um conflito militar na região não seria benéfico a ninguém, e repetiu sua oferta para ajudar a resolver a crise, afirmou seu gabinete em nota, acrescentando que Erdogan disse que valoriza a cooperação próxima de Putin em questões regionais, algo que ele gostaria que continuasse.

 “O presidente Erdogan, que fez um novo apelo para que a questão seja resolvida pelo diálogo, declarou que é importante trazer a diplomacia para a linha de frente, e que a Turquia também continua com sua postura construtiva na Otan.”

Putin expressou decepção a Erdogan, em relação ao que chamou de tentativas de Washington e da Otan de ignorar as exigências de segurança da Rússia, afirmou o Kremlin, segundo a agência Interfax.

Mais cedo, Erdogan foi citado pela imprensa dizendo que a Turquia não pode abandonar seus laços com a Rússia ou com a Ucrânia, e criticou as iniciativas diplomáticas do Ocidente com Moscou por conseguirem muito pouco.

 (Reportagem de Tuvan Gumrukcu)

Kiev amanhece ao som de sirenes de alerta de bombardeios após invasão

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Da Redação
Revista ISTOÉ
 
(Photo by Daniel LEAL / AFP)

Sirenes de alerta de possíveis bombardeios ressoaram na manhã desta quinta-feira (24) em Kiev, capital da Ucrânia, após o início da invasão da Rússia no país, anunciada pelo presidente Vladimir Putin.

O alerta foi ouvido por volta das 7h do horário local, por volta das 2h no horário de Brasília. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, enviou uma mensagem à população de seu país pedindo calma e informando que adotará lei marcial (quando regras militares substituem as leis civis da nação).

Putin alertou às forças ucranianas para que deponham suas armas e voltem para casa, segundo as agências de notícias estatais RIA-Novosti e TASS. O presidente russo também ameaçou quem tentar interferir no avanço russo.

A Casa Branca divulgou um comunicado do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, condenando a ação russa, e disse que a Rússia é a única “responsável pela morte e destruição que este ataque trará”.

O risco russo diante da História

 ESPECIAL: CRISE RÚSSIA X UCRÂNIA


Míriam Leitão
O Globo

  SERGEY BOBOK / AFP 16-2-22
Guardas de fronteira da Ucrânia | 

O momento é de extremo perigo global, e o que o presidente Vladimir Putin está fazendo pode significar o fim do mundo como o conhecemos desde o pós-guerra. É o que pensa o embaixador Rubens Ricupero. Para o mercado financeiro, a análise é a de que “já está no preço”. Eles se prepararam para essa reação de Putin e em relatório aos clientes os bancos explicam que é dado como certo que a Rússia enviará mais tropas para a Ucrânia.

O que todas as análises concordam, seja no mercado financeiro, seja na política internacional, é que as sanções não vão deter Putin. O governo russo está sentado numa montanha de reservas cambiais, US$ 640 bilhões, e pode resistir à suspensão do acesso ao mercado internacional de capitais. Num relatório, o banco UBS avalia que se houver uma escalada do conflito isso levaria a um boicote completo do petróleo e gás russos. Com isso, o petróleo iria a US$ 125 o barril por dois trimestres, o que elevaria a inflação e reduziria em 0,5 ponto percentual o crescimento mundial.

Para quem tem uma visão mais ampla, o que está acontecendo é gravíssimo, lembra o início dos piores momentos do século passado e tem uma responsabilidade histórica bem mais complexa do que parece.

— Putin está adotando uma atitude que de fato põe em perigo mortal este mundo que conhecemos e que durou quase 80 anos, em que houve guerras localizadas, mas nunca um dos principais atores assumiu uma posição tão descaradamente contra a ordem estabelecida. Ele está usando métodos que levaram à Primeira e à Segunda Guerras Mundiais e já violou a Carta da ONU —diz Ricupero.

Olhando o passado recente, o embaixador avalia que há culpas do Ocidente também porque aproveitando-se da fraqueza russa após o fim da União Soviética expandiu a Otan além do razoável. Desde 1997, a Aliança Militar incluiu 14 países que haviam sido satélites soviéticos ou membros da própria União Soviética: República Checa, Hungria, Polônia, Eslováquia, Eslovênia, Bulgária, Romênia, Estônia, Lituânia, Letônia, Albânia, Croácia, Montenegro, Macedônia do Norte.

— Nada justifica o que Putin está fazendo hoje, mas a raiz histórica desse problema envolve responsabilidade do Ocidente — lembra o embaixador.

Para ele, o paralelo que pode ser feito é com o que houve na Alemanha de Hitler:

— Desde que Putin começou a fortalecer seu poder militar, ele fez questão de exibir isso. Invadiu a Geórgia em 2008, anexou a Crimeia em 2014, estimulou os separatistas do leste da Ucrânia, interveio violentamente na guerra civil da Síria. Em todos esses casos, alguns disseram que ele se daria mal, mas ele teve êxito. É um pouco como aquela história do Hitler. No início, tudo o que Hitler fez deu certo. Anexou a Áustria, depois os Sudetos, que eram regiões da Checoslováquia com populações que falavam alemão, um pouco como acontece agora na Ucrânia. No Acordo de Munique as potências cederam os Sudetos na expectativa de que, com isso, ele não invadiria a Checoslováquia. Hitler em seguida invadiu a Checoslováquia. Putin tem tido o mesmo êxito — avalia o embaixador.

Como a Ucrânia não é da Otan, não está protegida pelo artigo quinto do Tratado de Washington que estabelece que todos são solidários, quando um dos países for invadido. Então Putin só não invadirá se avaliar que será muito alto o custo de uma campanha militar e de sanções prolongadas.

Esse é o cálculo feito no mercado financeiro também. É interesse da Rússia continuar fornecendo matérias-primas e energia para a Europa. A Rússia é grande exportadora de petróleo, gás natural, trigo. O mercado sugere, como hedge, investir em commodities, porque se houver “disrupção de fornecimento”, os preços vão subir.

Quem entende a História sabe que, se houver a escalada de um conflito, não há proteção possível. A Rússia é detentora da maior quantidade de ogivas nucleares no mundo, mas é um país intermediário do ponto de vista econômico e em rápido declínio demográfico. 

— O tempo corre contra a Rússia. Esses são os países mais perigosos. Como eram a Áustria, Hungria e a Rússia czarista em 1914. O que Putin fez já abriu um rombo enorme no sistema criado em 1945. Entramos no tempo do imprevisível — explica Ricupero.

O agravante é o fato de que, como diz o embaixador, o traço tradicional da psicologia da política russa é a ideia de que eles estão cercados.

Com Alvaro Gribel (de São Paulo)

Bolsas despencam após Rússia iniciar ataques na Ucrânia

 ESPECIAL: CRISE RÚSSIA X UCRÂNIA


Laura He
CNN Brasil

O índice Hang Seng de Hong Kong caiu 3,2%. O Kospi da Coréia caiu 2,7%. O Nikkei 225, do Japão, perdeu 2,4% depois de voltar de um feriado. O Shanghai Composite da China caiu 0,9%

 26/01/2022REUTERS/Brendan McDermid
Operadores trabalham no salão da Bolsa de Valores de Nova York

Os mercados asiáticos e os mercados futuros de ações dos Estados Unidos despencaram nesta quinta-feira (24), assim que o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou a operação militar na Ucrânia.

O índice Hang Seng de Hong Kong caiu 3,2%. O Kospi da Coréia caiu 2,7%. O Nikkei 225, do Japão, perdeu 2,4% depois de voltar de um feriado. O Shanghai Composite da China caiu 0,9%.

O mercado futuro de ações dos EUA também caiu. Os futuros da Dow caíram até 780 pontos, ou 2,4%. Os futuros do S&P 500 e da Nasdaq caíram 2,3% e 2,8%, respectivamente.

As perdas amplas seguiram um declínio acentuado em Wall Street na quarta-feira. O índice Dow Jones fechou mais de 464 pontos, ou 1,4%, registrando seu quinto dia consecutivo de perdas. O S&P 500 e o Nasdaq caíram 1,8% e 2,6%, respectivamente.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

Militares da Ucrânia anunciam derrubada de aeronaves russas

 ESPECIAL: CRISE RÚSSIA X UCRÂNIA 


Poder360 


Autoridades militares da Ucrânia reportaram ter abatido ao menos 5 aviões e 1 helicóptero de combate russo até as 3h da madrugada desta 5ª feira (24.fev.2022), no horário de Brasília. A informação é da agência de notícias Reuters. Os russos negam ser verdade. Os ucranianos são atacados por militares da Rússia, por ordem do presidente Vladimir Putin.

De acordo com as forças ucranianas, as aeronaves inimigas foram derrubadas no leste do país, na região separatista de Luhansk. Os militares da Ucrânia pedem para a população do país não compartilhar imagens das ações de defesa nas redes sociais.

Cidades da Ucrânia estão sendo alvos de ataques aéreos desde o início da madrugada desta 5ª (24.fev). Houve relatos de explosões em Kiev, a capital ucraniana, e também nas cidades de Kharkiv, Dnipro e Odessa.

O ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, disse que as forças do país estão usando “armas de alta precisão” e que os bombardeios têm como alvos instalações e equipamentos dos militares ucranianos. Não especificou quais são essas armas.

Um dos alvos dos bombardeios, segundo reportou o jornalista do britânico Guardian Luke Harding, foi o aeroporto de Vasilkovsky, que fica perto de Kiev. O terminal abriga aviões de guerra das forças ucranianas. Também houve explosões em área próxima ao aeroporto de Chuguev, cidade que fica a cerca de 100 quilômetros da fronteira com a Rússia.

Assista a vídeos dos ataques compartilhados por ucranianos nas redes sociais:

Caminhões militares russos formam comboios com placas viradas para trás

 ESPECIAL: CRISE RÚSSIA X UCRÂNIA


Jason Kurtz
CNN Brasil

Correspondente da CNN na Ucrânia, Frederik Pleitgen relata tensão na região na madrugada desta quinta-feira (24)
  Reprodução/Twitter
Caminhões do Exército da Rússia avançam
 em direção à fronteira com a Ucrânia

O jornalista alemão Frederik Pleitgen, da CNN Internacional, testemunhou o que ele descreve como um “movimento muito ameaçador” na Rússia, perto do nordeste da Ucrânia, na madrugada desta quinta-feira (24).

“Vimos… caminhões militares, que na verdade estavam com as placas invertidas. Eles viraram as placas, o que poderia ser eles tentando mascarar algum tipo de movimento”, disse Pleitgen à CNN.

“Os militares russos realmente estão em uma posição em que certamente parece que podem atacar a qualquer momento”, acrescentou.

Enquanto isso, mais ao sul, perto de Donetsk, Pleitgen notou outros exemplos de militares russos reunidos.

“Você vê muitos comboios russos que parecem estar se formando lá”, disse ele. “[Não está] claro se eles já atravessaram ou não a fronteira, a maneira como tudo isso pode acontecer é que você pode ter duas áreas onde os russos podem tentar atravessar a fronteira”.

Pleitgen encerrou sua reportagem ao vivo oferecendo uma declaração sobre a atmosfera geral na região.

“Você realmente sente como as coisas estão ficando mais tensas aqui a cada minuto”, observou Pleitgen, acrescentando, “certamente também se vê que os militares russos estão no terreno aqui, e certamente pelo menos parecem estar em posição de poder atacar a qualquer momento se Vladimir Putin decidir ordenar isso.”

Entenda o conflito

Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia está aumentando a pressão sobre seu ex-vizinho soviético, ameaçando desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.

A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.

A mobilização provocou alertas de oficiais de inteligência dos EUA de que uma invasão russa pode ser iminente.

Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não chegaram a uma conclusão. Foi reconhecida por Vladimir Putin, na segunda-feira (21), a independência de Donetsk e Luhansk, duas áreas separatistas ucranianas.

  Foto: Reprodução/CNN Brasil
Mapa da Ucrânia com destaque para as regiões de Donetsk e Luhansk 

A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

Ucrânia centraliza há meses as tensões entre Rússia e Ocidente

 ESSPECIAL: CRISE RÚSSIA X UCRÂNIA


Revista ISTOÉ
Com informações Agência AFP
 
- Pool/AFP
O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, escuta o secretário
 de Estado americano, Antony Blinken, em 21 de janeiro de 2022, em Genebra 

A “operação militar” russa contra a Ucrânia, ordenada nesta quinta-feira (24) pelo presidente Vladimir Putin, é o ponto culminante de uma escalada de tensões entre a Rússia e o Ocidente iniciada em novembro de 2021.

– Medo de uma ofensiva –

Em 10 de novembro de 2021, os Estados Unidos pedem explicações à Rússia após detectar movimentos “incomuns” de tropas na fronteira com a Ucrânia.

O presidente russo, Vladimir Putin, acusa os ocidentais de exacerbar as tensões entregando armamento moderno à Ucrânia e realizando “exercícios militares provocadores” no Mar Negro e perto de suas fronteiras.

Em 28 de novembro, a Ucrânia diz que a Rússia tem 92.000 soldados concentrados em suas fronteiras.

– Cúpula virtual Biden-Putin –

Em 7 de dezembro, o presidente americano, Joe Biden, ameaça Putin com “graves sanções” econômicas se invadir a Ucrânia, em uma cúpula bilateral virtual.

O presidente russo exige “garantias jurídicas” de que a Ucrânia não vai aderir à Otan.

Moscou apresenta esboços de tratados para proibir qualquer ampliação da Otan e o estabelecimento de bases militares americanas em países da antiga União Soviética.

– Profundas “divergências” –

Na segunda semana de janeiro de 2022, são iniciadas negociações diplomáticas em várias frentes, que terminam sem grandes avanços.

Em 18 de janeiro, a Rússia começa a mobilizar soldados em Belarus.

Washington desbloqueia uma ajuda para a Ucrânia e permite que países bálticos enviem a Kiev armas americanas. No dia 24, a Otan anuncia que está pronta para reforçar suas defesas no leste europeu com tropas, navios e aviões de combate.

Moscou inicia novas manobras militares perto da Ucrânia e na Crimeia.

No dia 26, os Estados Unidos rejeitam os principais pedidos de Moscou.

– China apoia a Rússia –

Em 27 de janeiro, o governo chinês considera “razoáveis” as preocupações da Rússia com sua segurança.

Em 2 de fevereiro, Washington envia 3.000 soldados adicionais ao leste europeu para defender os países da Otan.

Em 7 de fevereiro, Putin se declara disposto a adotar “compromissos” após um cara a cara no Kremlin com o presidente francês, Emmanuel Macron, cujo país ocupa a presidência semestral da União Europeia (UE).

No dia 10 de fevereiro, os exércitos russo e bielorrusso fazem manobras de envergadura em Belarus.

– Risco de guerra na Europa –

Em 11 de fevereiro, a Otan insiste no “risco real de um novo conflito armado” na Europa. Vários países pedem que seus concidadãos deixem a Ucrânia o mais rapidamente possível.

Os Estados Unidos afirmam que uma invasão russa da Ucrânia poderia ocorrer “a qualquer momento” e decidem enviar 3.000 soldados adicionais à Polônia. Em 14 de fevereiro, Washington decide transferir sua embaixada de Kiev a Lviv, no oeste.

– Rússia anuncia início de retirada –

No dia 15 de fevereiro, o Kremlin confirma o início de uma retirada das tropas russas mobilizadas na fronteira com a Ucrânia. Os Estados Unidos e a Otan asseguram não constatar indícios de uma desescalada.

– Ataque próximo? –

No dia 17, intensifica-se a troca de tiros na linha de frente entre separatistas pró-russos e forças ucranianas. No dia 18, os rebeldes ordenam a evacuação de civis para a Rússia.

No dia 19, o exército ucraniano anuncia a morte de dois de seus soldados.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, propõe um encontro com Putin.

Os Estados Unidos insistem em que as tropas russas “se preparam para atacar”.

– Putin reconhece independência de separatistas pró-russos –

No dia 21, a França anuncia que os presidentes de Rússia e Estados Unidos aceitam a princípio celebrar uma cúpula Putin-Biden. O Kremlin diz que o anúncio é “prematuro”.

Putin anuncia o reconhecimento da independência dos territórios separatistas pró-russos na Ucrânia e ordena que seu exército entre nestas regiões.

Dois decretos do presidente russo reconhecem as “repúblicas populares” de Donetsk e Lugansk, pedem ao ministério da Defesa que “as forças armadas russas (assumam) funções de manutenção da paz” nestas regiões.

– Ampla condenação na ONU –

Poucas horas depois, em uma reunião de emergência, a ONU e a maioria dos países membros do Conselho de Segurança condenam a decisão de Moscou de reconhecer a independência das repúblicas separatistas na Ucrânia e o “envio de tropas russas”.

Estados Unidos e União Europeia anunciam as primeiras sanções contra a Rússia que, por sua vez, se diz “disposta” a negociar.

– Putin anuncia “operação militar” –

Em 24 de fevereiro, Putin anuncia pela televisão o início de uma operação militar na Ucrânia. Ele pede aos soldados ucranianos a deporem as armas e assegura que deseja uma “desmilitarização” do país, não sua “ocupação”.

Após este anúncio são ouvidas explosões em Kiev e várias cidades do leste e do sul da Ucrânia. O governo ucraniano denuncia uma “invasão em larga escala”.

Putin ameaça “aqueles que podem ser tentados a intervir” na ação militar da Rússia

 ESPECIAL: CRISE RÚSSIA X UCRÂNIA


Darya Tarasova e Nathan Hodge
CNN Brasil

"Resposta da Rússia será imediata e o levará a consequências como você nunca experimentou em sua história", disse o presidente russo

 21/02/2022Sputnik/Alexey Nikolsky/Kremlin via REUTERS
Putin reconhece independência de regiões rebeldes da Ucrânia

Depois que o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que havia ordenado uma ação militar na Ucrânia na madrugada desta quinta-feira (24), ele ameaçou “aqueles que podem ser tentados a intervir” em nome do país vizinho.

“Agora, algumas palavras importantes, muito importantes para aqueles que podem ser tentados a intervir de fora em eventos em andamento”, disse Putin.

“Quem quer que tente interferir conosco, e ainda mais para criar ameaças ao nosso país, ao nosso povo, deve saber que a resposta da Rússia será imediata e o levará a consequências como você nunca experimentou em sua história. Estamos prontos para qualquer desenvolvimento de eventos. Todas as decisões necessárias a esse respeito foram tomadas. Espero ser ouvido.”

Equipes da CNN na Ucrânia relataram explosões na Ucrânia e fora da região de Donbas, no leste do país.

Confira as cidades ucranianas atacadas pela Rússia, segundo relatos

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Diego Ferron
 IstoÉ Dinheiro

Assim que Vladimir Putin anunciou operação militar na Ucrânia, relatos nas redes sociais e agências de notícia apontaram ataques com bombas em diversas regiões do país.
 
© Reprodução/Redes Sociais
Assim que Vladimir Putin anunciou operação militar na Ucrânia,
 relatos apontaram ataques com bombas em diversas regiões do país. 

Em seu discurso, o presidente russo declarou que a atividade se limitaria às regiões de fronteira com a Russia, porém os relatos apontam que houve ataques em regiões distantes da fronteira.

Até o momento, estes foram os locais em que agências de notícias e testemunhas nas redes sociais apontaram ter ouvido explosões:

Kiev:
Jornalistas na capital da Ucrânia ouviram explosões do leste na direção do aeroporto internacional da cidade. Usuários de mídia social relataram ter ouvido várias explosões na área de Boryspil, a leste da capital, onde o aeroporto internacional está localizado a cerca de 25 quilômetros da cidade.

Kharkiv: Uma equipe da CNN americana na segunda maior cidade da Ucrânia, no nordeste do país, ouviu um “fluxo constante de explosões altas”.

Kramatorsk: Pessoas na cidade do leste, localizada a cerca de 120 quilômetros ao norte de Donetsk, controlada pelos separatistas, disseram que ouviram pelo menos duas explosões maciças.

Dnipro: Um morador da cidade central disse que ouviu “algumas explosões”.

Mariupol: Moradores disseram que ouviram explosões a leste da cidade, localizada no sudeste do país.

Odessa: Relatos na cidade portuária do Mar Negro de explosões com cerca de 20 minutos de intervalo.

Zaporizhzhia: Uma equipe de jornalistas locais na cidade do sudeste disse ter ouvido pelo menos uma explosão muito distante.

Forças russas invadem a Ucrânia com ataques a grandes cidades

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André Osborn e Natália Zinets
Agência Reuters

 
MOSCOU/KYIV, 24 Fev (Reuters) - Forças russas dispararam mísseis em várias cidades da Ucrânia e desembarcaram tropas em sua costa nesta quinta-feira, disseram autoridades e a mídia, depois que o presidente Vladimir Putin autorizou o que chamou de operação militar especial no leste.

Pouco depois de Putin falar em um discurso televisionado na TV estatal russa, explosões podem ser ouvidas no silêncio antes do amanhecer da capital ucraniana de Kiev.

Tiros ecoaram perto do principal aeroporto da capital, disse a agência de notícias Interfax, e sirenes foram ouvidas na cidade.

"Putin acaba de lançar uma invasão em grande escala da Ucrânia. Cidades pacíficas ucranianas estão sob greve", disse o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, no Twitter.

"Esta é uma guerra de agressão. A Ucrânia se defenderá e vencerá. O mundo pode e deve parar Putin. A hora de agir é agora."

O presidente dos EUA, Joe Biden, reagindo a uma invasão que os Estados Unidos previam há semanas, disse que suas orações estão com o povo da Ucrânia "enquanto eles sofrem um ataque não provocado e injustificado", enquanto promete duras sanções em resposta. 

"Vou me encontrar com os líderes do G7, e os Estados Unidos e nossos aliados e parceiros imporão sanções severas à Rússia", disse Biden em comunicado.

A Rússia exigiu o fim da expansão da Otan para o leste e Putin repetiu sua posição de que a adesão ucraniana à aliança militar do Atlântico liderada pelos EUA era inaceitável.

Ele disse que autorizou a ação militar depois que a Rússia não teve escolha a não ser se defender contra o que ele disse serem ameaças emanadas da Ucrânia moderna, um estado democrático de 44 milhões de pessoas.

"A Rússia não pode se sentir segura, se desenvolver e existir com uma ameaça constante que emana do território da Ucrânia moderna", disse Putin. "Toda a responsabilidade pelo derramamento de sangue estará na consciência do regime dominante na Ucrânia." 

O alcance total da operação militar russa não ficou imediatamente claro, mas Putin disse: "Nossos planos não incluem a ocupação de territórios ucranianos. Não vamos impor nada pela força".

Falando enquanto o Conselho de Segurança da ONU realizava uma reunião de emergência em Nova York, Putin disse que ordenou que as forças russas protegessem o povo e apelou aos militares ucranianos para deporem as armas.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse que a Rússia realizou ataques com mísseis contra a infraestrutura e guardas de fronteira ucranianos, e que explosões foram ouvidas em muitas cidades. Um funcionário também relatou ataques cibernéticos ininterruptos.

Zelenskiy disse que a lei marcial foi declarada e que ele falou por telefone com Biden. Os reservistas foram convocados na quarta-feira.

Três horas depois que Putin deu sua ordem, o Ministério da Defesa da Rússia disse que havia retirado a infraestrutura militar das bases aéreas ucranianas e degradado suas defesas aéreas, informou a mídia russa.

Mais cedo, a mídia ucraniana informou que os centros de comando militar em Kiev e na cidade de Kharkiv, no nordeste, foram atingidos por mísseis enquanto as tropas russas desembarcaram nas cidades portuárias do sul de Odessa e Mariupol.

Mais tarde, uma testemunha da Reuters ouviu três fortes explosões em Mariupol.

Separatistas apoiados pela Rússia disseram que lançaram uma ofensiva contra a cidade de Shchastia, controlada pela Ucrânia, no leste, disse a agência de notícias russa Interfax, e explosões também abalaram a cidade separatista de Donetsk, no leste ucraniano.

Horas antes, os separatistas pediram ajuda a Moscou para impedir a suposta agressão ucraniana - alegações que os Estados Unidos descartaram como propaganda russa.

As ações globais e os rendimentos dos títulos dos EUA caíram, enquanto o dólar e o ouro dispararam após o discurso de Putin. O petróleo Brent ultrapassou US$ 100/barril pela primeira vez desde 2014.

'MANEIRA DECISIVA'

Biden, que descartou colocar tropas americanas na Ucrânia, disse que Putin escolheu uma guerra premeditada que traria uma perda catastrófica de vidas e sofrimento humano.

"Somente a Rússia é responsável pela morte e destruição que este ataque trará, e os Estados Unidos e seus aliados e parceiros responderão de maneira unida e decisiva", disse ele.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, condenou o "ataque imprudente e não provocado" da Rússia e disse que os aliados da Otan se reunirão para enfrentar as consequências.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, falando após a reunião do Conselho de Segurança, fez um apelo de última hora a Putin para parar a guerra "em nome da humanidade" .

A Ucrânia fechou seu espaço aéreo para voos civis alegando um alto risco para a segurança, enquanto o regulador de aviação da Europa alertou sobre os perigos de voar em áreas fronteiriças da Rússia e da Bielorrússia.

A Rússia suspendeu voos domésticos em aeroportos perto de sua fronteira com a Ucrânia até 2 de março, informou sua agência de aviação.

Os bombardeios se intensificaram desde segunda-feira, quando Putin reconheceu duas regiões separatistas como independentes e ordenou o envio do que chamou de forças de paz, um movimento que o Ocidente chamou de início de uma invasão.

Em resposta ao anúncio de Putin na segunda-feira, os países ocidentais e o Japão impuseram sanções a bancos e indivíduos russos, mas adiaram suas medidas mais duras até que uma invasão começasse.

Os Estados Unidos aumentaram a pressão na quarta-feira ao impor penalidades à empresa russa que está construindo o gasoduto Nord Stream 2 e seus executivos.

A Alemanha congelou na terça-feira as aprovações para o oleoduto, que foi construído, mas não estava em operação, em meio a preocupações de que poderia permitir que Moscou armasse suprimentos de energia para a Europa.