Adelson Elias Vasconcellos
Infelizmente, os profissionais de saúde contratados no exterior para trabalharem no Brasil poderão ser alvo de ataques, não digo violentos, mas ações que visam desqualificá-los, sejam à pessoa ou mesmo ao profissional.
É isso que se depreende de algumas bucéfalas declarações e até mesmo de alguns dirigentes de entidades de classe aqui do Brasil.
Porém, há que separar o joio do trigo. O profissional que vem para cá trabalhar, não tem culpa se a contratante, no caso, o governo brasileiro, resolveu meter os pés pelas mãos. Fez tudo ao contrário do que deveria ter feito ao longo de onze anos de poder. Isto fica bem claro quando se sabe que, de 2005 para cá, a rede hospitalar, privada e pública, reduziu em mais de 40 mil o número de leitos. Isto, por si só, demonstra o estado de indigência e de descaso com que os governos petistas trataram a saúde no país.
Mas não só. É conhecido por todos as dificuldades em se realizar simples procedimentos clínicos, por absoluta falta de condições materiais na maioria dos hospitais públicos e postos de saúde. Não é apenas “falta de” de gente, mas falta de material básico de atendimento. Entre uma primeira consulta e um retorno, este a depender de um mero exame laboratorial, são meses de longa espera.
As imagens terríveis de gente atirada em colchetes pelos corredores dos hospitais não são resultado de falta de médicos para atendimento, mas de falta de investimentos na ampliação da rede pública.
Também é conhecido que muitos profissionais, a depender de cada caso, acabam cobrando “por fora” dos pacientes, não porque sejam safados, mas porque a tabela do SUS é uma descarada vergonha.
As limitações de saúde, no Brasil, não se restringem portanto a falta de profissionais, ou porque os existentes se negam por pura sacanagem em atender a população necessitada do SUS. O programa “Mais Médicos” lançado pela presidente Dilma seria excelente se começasse pelo básico, ou seja, em priorizar investimentos na própria rede pública dotando-a de condições decentes para um atendimento digno à população. Porém, começa por tentar esconder sua incompetência e o descaso com que tratou tão importante serviço.
Os estrangeiros que estão vindo para cá devem merecer, deste modo, carinho e acolhida por parte de todos, inclusive de seus colegas brasileiros. No caso dos cubanos é que a coisa entorta de vez.
Se os que Cuba enviar vierem apenas para cuidar da saúde da população, ótimo. Vão acabar somando mais. Porém, se forem militantes políticos e, paralelamente ao trabalho médico, fizerem o que fizeram na Venezuela, Bolívia e Equador, isto é, se dedicarem também à militância política, aí são outros quinhentos.
A forma como foram contratados, de país a país, com uma triangulação proibida pelas leis brasileiras, é que se deve contestar , inclusive legalmente. Não podemos, de forma alguma, afrontar sequer o bom senso neste caso. Conceder a estrangeiros benefícios que são negados aos brasileiros é um acinte.
Diz o governo que nada há de ilegal na contratação dos cubanos. Ok, então que seja honesto e transparente e mostre ao país o contrato firmado com a tal organização panamericana para que todas as dúvidas sejam dirimidas. Mas quem disse que este governo tem algum interesse em ser transparente?
Aliás, o correto seria que este contrato, primeiro, fosse submetido à aprovação em regime de urgência pelo Congresso e, somente após aprovado, pudesse ser seguido.
Do pouco que se conheceu sobre a contratação dos cubanos, já podemos concluir algumas coisas que, nos parece, merecem ser revistas:
a.- os estrangeiros de outros países como Argentina e, Espanha e Portugal foram contratados diretamente e receberão salários de R$ 10.000,00 mais os penduricalhos;
b- Os cubanos, ao contrário, tiveram sua contratação país a país, e muito embora o custo para o Brasil será o mesmo, os profissionais de Cuba receberão apenas cerca de 40% disto,ou menos, com o restante ficando para o governo de Cuba;
c.- É proibido que qualquer cubano solicite asilo político ao Brasil. Se o fizer, o governo brasileiro deverá devolvê-lo à Cuba imediatamente;
d.- Os cubanos não poderão trazer seus familiares e seus salários serão pagos por Cuba, não pelo governo brasileiro;
e.- Os médicos cubanos estarão submetidos às leis trabalhistas cubanas.
f.- Quem selecionará os profissionais que trabalharão no Brasil é o governo cubano, não o brasileiro.
Apenas pelos detalhes conhecidos descritos e conhecidos, já se observa que há muito de ilegal no contrato que o Brasil assinou com Cuba. Tais ilegalidades não podem nem devem ser admitidas e aceitas pelo país. Se deixar passar, ensejará a que as empresas brasileiras usem os mesmos mecanismos de triangulação de mão de obra, colocando por terra a luta de milhões de brasileiros, na linha do tempo, e através das centrais sindicais, que se empenharam tanto em combater.
Portanto, que se denuncie o contrato com Cuba, que se exija o atendimento pelos estrangeiros das mesmas exigências impostas aos médicos brasileiros. Mas jamais atacar e destratar os profissionais que estarão chegando por aqui. Não são os culpados do nosso arbitrário, autoritário, incompetente e péssimo governo.
Quanto as entidades de classe deveriam refletir melhor sobre algumas declarações estúpidas com que tem se pronunciado, inclusive com governos estaduais afirmando que acionarão a polícia, e alguns profissionais dizendo que não darão apoio ao trabalho dos estrangeiros. Isto é estupidez e ignorância. E vai se brigar no campo errado porque, no caso, o inimigo é outro, no caso, o governo Dilma. Foi ele quem permitiu que a situação chegasse ao extremo em que chegou. E que, por absoluta irresponsabilidade, levou educação do país a uma situação tal que já não estamos formando profissionais, habilitados e em quantidade suficiente, para as necessidades do país. O mesmo se diga em relação aos professores e engenheiros. Tal carência é, sim, sintoma revelador de que a educação conduzida pelos governos petistas é inconsequente e, por conta disso, fracassou.
Além disso é preciso destacar que há um projeto que Lula mandou engavetar, em 2006, que previa entre outras coisas, a profissionalização estatal dos médicos da rede pública. E são coisas como esta que devem ser denunciadas e contestadas.
Ninguém, de sã consciência e boa fé, pode ser contra a importação de profissionais de que o país tem carência. Quanto mais se esta importação for de profissionais do ramo da saúde. Não são os profissionais “o” problema, mas sim a forma de contratá-los, que ferem dispositivos legais, e está sendo feito sem critério algum, sem avaliação, sem revalidação de seus diplomas, em condições tais que são mais privilegiadas do que os profissionais formados no país. É disto que se trata a oposição e contrariedade.
Assim, que os médicos estrangeiros, inclusive cubanos, sejam bem recebidos e tratados com o respeito que merecem. Nem a necessária realização do exame de revalidação de seus diplomas dos quais o governo Dilma os dispensou, se pode atribuir-lhe culpa alguma. Quem deveria se preservar na contratação de profissionais a quem se confiará a saúde da população brasileira deveria ser o governo Dilma. Porém, como esta senhora só pensa em seu próprio benefício, isto é, reeleger-se a qualquer custo, não seria a saúde do país um empecilho a lhe obstaculizar o caminho. Manter-se no poder vale muito mais do que os interesses do país.
Trabalho infantil
Há algum tempo condenamos aqui que as várias bolsas no Brasil não se complementam, não se justificam como programas sociais, por várias razões, mas uma delas, seguramente, é a falta de portas de saídas. São programas que levam, goste o governo ou não, à acomodação. Incentivam o não trabalho para os adultos, o não estudo para os jovens – geração nem-nem, e acaba se descuidando das crianças ao permitir que a praga do trabalho infantil continue vigorosa e cada vez mais intensa.
Nesta edição uma prova de nossa denúncia é calcada na realidade. Mais abaixo o leitor encontra duas reportagens do jornal O Estado de São Paulo sobre o aumento do trabalho infantil. VERGONHOSO seria o mínimo que se poderia dizer. Em quase onze anos de governo petista, o número de crianças de 10 a 13 anos que trabalham aumentou de 699 mil em 2000 para 710 mil em 2010.
Portanto, não há propaganda que consiga esconder esta realidade, e não há mentiras que possam encobrir esta chaga que a sociedade brasileira, sob o comando petista, ainda carrega. E atenção: durante os governos de FHC, anualmente, se verificou quedas acentuadas de crianças trabalhando. Havia um programa específico conhecido como PETI-Programa de Erradicação do Trabalho Infantil que, sob o guarda chuva do Bolsa Família sumiu. E o resultado o IBGE informa direitinho. Sem firulas nem maquiagens.








.jpg)

