Helio Fernandes
Tribuna da Imprensa
A primeira manifestação contra os “MAIS MÉDICOS” saiu aqui, podem verificar. Nunca tive dúvidas a respeito dessa contratação. Depois fui continuando, mostrando ponto por ponto, o absurdo dessa contratação. Dona Dilma não aceitou as exigências de Raul Castro, mas até ela está mudando de posição.
Nesse caso levou três meses, concordou com as exigências de Cuba. Motivo? Está convencida de que trazer esses médicos melhora sua “popularidade, ajuda a crescer o Ibope ou o Datafolha”. Nem isso, Dona Dilma. A senhora caiu tanto que, para se recuperar, só passando a morar em São Bernardo.
Ontem foi a vez do ministro da Saúde exagerar ou ignorar os fatos. Principalmente a respeito dos “salários” desses médicos. Textual: “O governo brasileiro vai pagar 10 mil reais ao governo de Cuba. Mas não sei quanto será repassado para esses 4 mil médicos”. Devia ter ficado em silêncio. Ministro, quem gosta de falar é o Mercadante.
A miséria em Cuba é total. Os que não fizeram universidade, recebem de 20 a 25 dólares, mensalmente, isso mesmo. Num país que está passando agora dos 11 milhões de habitantes, poucos os que puderam cursar universidade. Os que se formaram, ganham (?) um pouco mais.
Médico, dentista, engenheiro, em Cuba podem faturar até 60 dólares mensais. (Não citei advogados e arquitetos, por um fato: são duas formações amaldiçoadas em Cuba. Consideram que depois de formados, se voltarão contra o governo.)
Os dirigentes de empresas estatais (alguns são economistas) chegam a receber 100 dólares mensais e alguns privilégios. Explicação: são mais de 50 estatais, com um presidente, dois ou três diretores.
Há mais ou menos 10 anos, quando havia esperança e até promessa ou compromisso) de abertura, esses dirigentes estatais, protegidos como sucessores, eram mais bem tratados. O sonho acabou, esses “estatais” foram envelhecendo, tão desacreditados quantos os outros, com títulos ou sem eles.
FOI CHÁVEZ, FALANDO COM FIDEL, QUE “INVENTOU” OS MÉDICOS EM MASSA, SEM SALÁRIOS
Com as restrições universitárias, Cuba ficou com excesso de médicos. (Em determinado momento, Cuba teve grandes jogadores de vôlei, homens e mulheres, isso “era um dom”, não precisavam se formar. Eram autorizados a jogar no exterior, 50 por cento preferiam a liberdade e os salários verdadeiros).
Chaves tinha o petróleo avassalador, conversando com Fidel fez a proposta: médicos sem SALÁRIOS, petróleo sem FATURA. Fidel e Raul convenceram os médicos que “serviriam ao país”. Os que não eram convencidos, precisavam rezar pela família, logo, logo intimidada.
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PS – 15 mil foram para a Venezuela, recebiam a mesma miséria de Cuba, mas o petróleo jorrava com a mesma intensidade que a tortura em Guantánamo.
PS2 – Essa não foi a primeira experiência, mas antes nem era considerada. Agora, no Brasil, esses médicos receberão ainda menos (menos do que NADA é o quê?).
PS3 – Como o governo de Dona Dilma já garantiu os 10 mil na mão de Raul, e casa e comida para os médicos que vão para o interior, nem Dilma nem Raul estão preocupados.
